Despedida
1 Oneshot
Os dois corpos se moviam ao som de uma música que não existia. As vezes, eles faziam isso somente com o propósito de ficarem próximos um ao outro. Heechul conduzia a dança, com passos pequenos, sua cabeça descansava na de HongKi, que sempre escondia o rosto no pescoço dele quando estava triste.
Ele também estava triste, mas sabia de seus compromissos. Iria servir o exército e depois voltaria. Precisava apenas conter aquela tristeza porque ele nunca ficava longe de HongKi por um tempo longo. Ficaria quase 2 anos sem vê-lo. Nunca teria se alistado por vontade própria, já que sua maior vontade era de estar com o namorado o tempo todo, mas entendia bem suas obrigações como cidadão e o dever a seu país.
Todos pareciam desolados com o afastamento. Muitos tinham chorado. HongKi apenas apertou os lábios e balançou a cabeça quando soube. Aquela reação partiu mais o coração de Heechul do que se o namorado tivesse demonstrado sua tristeza em lágrimas.
O corpo de HongKi acomodou-se mais contra o seu. Heechul sentiu os cílios dele fazendo cócegas em seu pescoço.
– Mas vai voltar em segurança, não é? – HongKi murmurou contra sua pele.
– O que está pensando? Acha que vai se livrar de mim assim tão facilmente?
Escutou a risada dele e o apertou com força. – Ninguém pode dizer que não tentei, não é mesmo?
– Você terá que ir também. Então eu vou agora e vejo como é tudo e te falo depois.
HongKi se afastou um pouco para poder olhar o namorado. Na penumbra do seu quarto, Heechul lhe parecia muito bonito, com o cabelo preto curto e aquele sorriso que nunca abandonava seus lábios. Ele parecia confiante e HongKi sorriu.
– Assim, ainda estarei cuidando de você. – Heechul completou, erguendo a mão que estava na cintura de HongKi para tocar seu nariz.
HongKi o abraçou com força e a dança acabou. Heechul também o apertou com força e suspirou. Era claro que aquela despedida não terminaria de um bom jeito. O silêncio prolongou-se no quarto e Heechul sentia o coração pesado. Preferia quando HongKi falava.
– Você não está chorando, ne? – Heechul perguntou, com seu jeito brincalhão, bem próximo ao ouvido de HongKi.
O namorado se afastou dele e HongKi o olhou, sério. Ele não estava chorando, parecia chocado com aquela pergunta.
– Eu não estou chorando!
– Eu estou aliviado em saber disso. Essa camisa foi caríssima. Imagina ficar molhada e babada?
HongKi não tinha certeza do que tinha ouvido. Ele estava triste, mas não choraria. Bem, pelo menos não na frente do namorado. – Você vai amanhã pro exército e está preocupado que eu estrague sua camisa? – As mãos de HongKi foram para a camisa e ele alisou o tecido, sentindo a pele quente de Heechul. Era mesmo uma boa camisa e seria uma pena estragá-la. – Tem razão, é uma ótima camisa. Sabe de uma coisa? Eu acho melhor você tirar antes que amasse, não quero que fique bravo comigo, pensando que estraguei sua camisa cara.
– Você sempre pensa em tudo, estou surpreso. – Heechul disse, enquanto HongKi o despia. Assim que a camisa foi pra cima de um cabideiro, Heechul segurou a mão de HongKi e a levou para o cinto de sua calça. – Mas talvez seja melhor eu tirar toda a roupa. Essa calça aqui foi cara também.
Assim como havia feito com a camisa, HongKi alisou a calça, sua mão descendo pelas coxas e retornando para apertar o volume na virilha do namorado. A troca de olhares foi rápida, como sempre era, Heechul tinha ficado sério e HongKi sorriu de lado, divertindo-se com a reação do hyung. Então, tirou a calça dele também com a lentidão sedutora que lhe era característica.
Heechul sentou-se na cama, usando apenas a boxer preta e meias brancas com as extremidades amarelas e aquele desenho de um pintinho na parte lateral. Não pode evitar uma risada quando ele fez uma pose de “senhor do mundo” mesmo que usasse aquelas meias ridículas. Era natural que o mais velho agisse assim, fazia parte de sua personalidade cativante.
Ele abriu os braços, atraindo HongKi para eles. Heechul o abraçou pela cintura e esfregou o rosto na barriga de HongKi. – E quanto a você, senhor Lee? Não seria melhor tirar essas roupas caras?
– Elas não são caras. – HongKi respondeu, seus dedos brincando com os cabelos de Heechul.
– Como não? Seu namorado não te compra roupas decentes? – Heechul brincou. Era uma velha brincadeira deles. Sempre estavam falando mal um do outro em terceira pessoa.
– Oh não, quando se trata de mim, meu namorado prefere comprar numa loja qualquer. Nunca tive uma camisa de marca. E pensar que eu gasto quase todo o meu salário para alegrá-lo...
– Ele é um idiota. Não sei como pode ainda estar com ele...
– Sabe que as vezes eu me pergunto a mesma coisa? Eu acho que gosto dele... Grande azar pra mim.
Heechul o puxou em direção a cama e subiu lentamente em cima de HongKi depois. Era quando a brincadeira desaparecia e os corações batiam descompassadamente. HongKi esperava que Heechul fizesse mais uma última brincadeira, afinal, era o que ele sempre fazia, mas não houve nada. Com a respiração dele contra a pele do seu rosto, HongKi pensou em como Heechul era um namorado divertido.
O rosto do mais velho aproximou-se do seu para o primeiro beijo. Ele ameaçou por duas vezes e fugiu quando o mais novo ergueu a cabeça em busca de seus lábios. Um sorriso maldoso tomou conta dos lábios de Heechul segundos antes de sumir quando eles se beijaram.
O mundo em volta desaparecia e sobrava apenas aquele mundo particular das sensações. Tudo era esquecido, tudo podia esperar, tudo era resolvido depois. Os dois gostavam em como podiam se saciar e em como podiam dar prazer. Era uma ótima conexão, aquela que todos queriam ter com seus amantes.
Heechul acariciava o cabelo de HongKi. O namorado estava ressoando baixinho a seu lado. Ele queria permanecer acordado para passar as últimas horas com Heechul, mas não conseguiu. Ficaram conversando sobre programas, amigos e música. Em algum momento, o sono venceu e agora ele estava dormindo tranquilamente sob o zelo protetor do mais velho.
Olhou para o relógio e suspirou. Tinha que ir embora para não se atrasar para se apresentar. Com cuidado saiu da cama e vestiu-se com rapidez. Olhou uma última vez para o adormecido HongKi, aproximou-se dele, beijou o rosto com cuidado e o cobriu com o lençol. Foi embora depois, em silêncio.
Ao final, a despedida não tinha sido tão triste como ele acreditou que seria. Estava levando o cheiro da colônia de HongKi no corpo e estava feliz.
FIM.
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