Despair High School
5 Capítulo 5 - Término dos meus conhecimentos Sociais
Notas iniciais
Os dias continuavam com uma certa normalidade, dentro dos padrões possíveis. Apesar de termos cada vez mais certezas de que uma escapatória seria impossível, todos nós tínhamos aceitado a ideia de que seria ali que ficaríamos por uns dias. De certa forma, isso era acolhedor. Saber que nenhum de nós estava afim de matar alguém só para escapar dali. Afinal, tínhamos tudo o que precisávamos para pelo menos viver e não estávamos sozinhos. Com certeza, se tivéssemos esperança, a polícia nos encontraria e nos salvaria. Era isso o que eu acreditava enquanto remexia distraidamente na caneca de chocolate quente que eu estava tomando à hora do lanche.
– Hey! Você está me ouvindo, Ayano? – Perguntou Fuyuki enquanto bebericava um pouco de suco de laranja e me lançando um olhar reprovador.
– Ah! Desculpa, não. Estava um pouco distraído com os meus próprios pensamentos. – Dei uma risadinha nervosa, tentando esconder a minha vergonha por ter sido mal-educado. – O que você estava dizendo?
Ela pousou o copo e bufou, cruzando os braços numa expressão de irritação.
– Eu estava sugerindo uma festa! Entendeu? Uma festa! – Explicou ela, inchando o peito de orgulho, um sorriso surgindo nos seus lábios e automaticamente se esquecendo que estava desagradada pela minha falta de atenção mais cedo. – Você sabe, esse lugar é tão chato. Mas, já que não vamos sair daqui tão cedo, podíamos fazer alguma coisa… Mais divertida. O anfiteatro é enorme e seria perfeito para isso!
Ela se aproximou perigosamente de mim, os olhos brilhantes de entusiasmo enquanto tentava descobrir qual seria a minha reação.
– Então? Não seria fantástico!?
– Uhh… – Hesitei um pouco, um tanto intimidado pela proximidade. – Claro, não vejo porque não… Só que não estou vendo todo o mundo aceitando isso, sabe.
Fuyuki suspirou e voltou a se sentar no seu banco, cruzando os braços.
– É… Você talvez tenha razão. – Concordou, torcendo o nariz – Quero dizer, eu não estou imaginando a Hideaki ou o Kiichi aceitando participar nessas coisas…
Acenei afirmativamente, terminando o meu chocolate quente antes de pousar a xícara.
– Eu achei legal a ideia, mas também não sei até que ponto as pessoas estão dispostas a fazer uma coisa dessas. Alguns ainda não se adaptaram à situação em que estamos. – Comentei, fazendo uma careta. Fuyuki apertou o seu copo, uma pitada de tristeza aparecendo no seu rosto por meros segundos. Contudo, ela não se deixou abater.
– Tem outra coisa que eu precisava de te perguntar, Ayano. – Começou ela, antes de corar um pouco – Que tipo… De garotas você gosta?
Se ela tinha corado, eu então deveria ter ficado da cor do meu próprio cabelo com aquela pergunta.
– Q-Quê? Porque pergunta, Fu-Fuyuki? – Gaguejei, embaraçado. A Morena deu uma risada com a minha reação.
– Ah, nada não! Eu só tinha curiosidade, sabe? Mas pela sua reação, oh, pela sua reação… – Deu um sorriso aparentemente perverso – Não me diga, meu amado Ayano, que você sente algo por mim?
– N-NÃO É ISSO! – Respondi imediatamente, e percebi que a forma como eu estava agindo só estaria confirmando o que Fuyuki insinuara. Xingando-me mentalmente por ficar tão facilmente atrapalhado, tentei envergar um semblante mais calmo. – É só que eu… N-Não estava à espera de uma pergunta dessas.
– Heey! Jovem! – Chamei, sorrindo de uma forma um tanto desconfortável. Ele pareceu ter percebido, pelo que franziu a testa com preocupação ao me ver.
– Olá –.. Começou ele, inclinando ligeiramente a cabeça para a direita como se isso o ajudasse a me analisar melhor. – Algum problema?
– N-Nada não! Eu só estava pensando, hmmm… Que tipo de garotas você gosta? – A minha voz estava alta demais, jogando a pergunta na cara do estrangeiro. É, o resultado não foi muito bom. Como eu já devia ter esperado, o rosto do garoto tomou uma coloração escarlate e ele tossiu um pouco, tentando disfarçar a vergonha.
– Q-Que espécie de pergunta é essa, Garoto? Na verdade, o que é que isso te interessa para começar? – Não estava soando rude, só que obviamente não queria ter de responder à minha questão. Não o censurei.
– Ahh… É uma longa história. Só preciso de uma resposta, e eu juro que te deixo em paz.
– Bom, se você precisa realmente de saber isso… – Comentou, ainda com um semblante desconfiado – Eu acho que poderia te contar.
Deu um sorriso, voltando à sua postura calma e compreensiva de sempre.
– Acho que a mulher ideal para mim… Teria de ser uma pessoa extrovertida… Carismática e inteligente… Sim, acho que gosto de pessoas com esse caráter. Eu mesmo sou demasiado calmo, então precisaria de alguém mais seguro de si mesmo. – A sua expressão parecia um pouco sonhadora, e era um tanto engraçado de se ver – Bom, quanto ao físico dela, sinceramente, eu gosto de loiras.
– Ah! Isso me lembra muito…
– De qualquer forma! – Ele interrompeu-me antes que eu acabasse a frase, e o seu sorriso um tanto forçado dando a sensação que ele não queria que eu o fizesse. – Era isso que você precisava de saber?
– Uh… Sim, obrigado.
– Você é estranho. – Comentou ele, dando uma pequena risadinha – Mas isso não é uma coisa má. Estou habituado a pessoas estranhas, e de certa forma elas são sempre as mais divertidas.
Senti-me um pouco mal para simplesmente sair dali sem conversar mais um pouco, então decidi puxar assunto..
– Bom, de qualquer forma, agora eu estou aqui. Ainda mantenho contato com alguns colegas do ocidente, claro. E apesar da minha agenda não ser propriamente mais livre agora, pelo menos com essa situação em que estamos eu vou com certeza criar diversas amizades. – O Jovem sorriu, parecendo um tanto alegre – Acho que podemos chamar a isso de “férias involuntárias”.
Só mesmo ele para comparar aquele lugar a férias. Não consegui evitar deixar de sorrir com o que ele dizia.
– Hey, Garoto..posso te perguntar uma coisa? – Inquiriu ele após algum tempo – Porque é que você não tem religião?
– Ahh, hmm… – Encolhi os ombros, um pouco hesitante pelo tema um tanto delicado. – Por razão nenhuma, na verdade. Nunca acreditei muito nessas coisas surreais de deuses, demónios e espíritos. Acho que é só como eu sou.
– Ah, entendo. – Encarou as mãos enquanto falava de forma um tanto sonhadora – Acho que, comigo, era porque eu PRECISAVA disso, sabe? Eu precisava de Algo na minha vida… Minha infância foi bastante dura. E pertencer a essa religião ajudou tanto que… De certeza, de certeza mesmo, existe um Deus aí olhando por mim. Eu nunca desconfiaria disso, nunca.
–Ayano Ookani..-Ele olhou pra mim,retribuindo a troca de nomes
–Tomodachi Ikazuchino — Ele se levantou,levando uma fatia de Bolo de Avelã consigo
Tomodachi Ikazuchino — Super High School Level Superstitious
Sai da cozinha e fui repreendido por Fuyuki que estava ,realmente bonita,não sei se aquela era uma boa palavra para descrevê-la no momento.Caminhos solenes pelo corredor dos quartos,uma névoa espessa e com cheiro de algo queimado saía por baixo da porta e Kiichi,ignoramos enquanto a corrente de vento que se movimentava de acordo com os movimentos de nossos pés dissipava a névoa no ar.
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