Notas iniciais
Então,eu escrevi essa fic toda só por causa da imagem de capa...que um amigo meu achou bem perturbadora,e da qual conseguimos extrair muita coisa oculta e implícita.Então,decidi colocar nessa fic.Eu não aprofundei o pensamento da Zelda,que é bem o que nós consideramos mais,mas de resto está tudo aí.
Eu não joguei o Zelda Twilight Princess,apenas o Minish Cap e o Skyward Sword,mas como a fic tem a Zelda do Twilight Princess,tinha que ser nesse ambiente...então improvisei algo com coisas que pesquisei aqui e ali.Me perdoem se tiver algum erro grave.
Bom,lá vai.

“Você é fraco, Link.”

Aquelas palavras ainda pesavam no coração de Link, mesmo depois do primeiro momento de choque total ter passado. Aqueles lábios que em outros tempos haviam dito palavras de conforto, agora apenas deixavam passar palavras frias como gelo. E tudo parecia desmoronar... tudo pelo que ele passou, no passado e no presente, por ela... era igual a nada?

Tudo começou e terminou naquele momento de sensação indescritível, num templo do qual ouvira falar em um vilarejo... disseram que um certo malfeitor se apossara do local, um jovem de pele negra e vestes negras, e olhos vermelhos, que vinha percorrendo os campos e cidades, fazendo maldades a quem atravessasse seu caminho.

Midna pressentiu algo de errado, e pediu para que Link não fosse até lá. Porém, Link decidiu ir até lá depois que alguns aldeões o confundiram com o tal malfeitor, dizendo que a semelhança era assustadora. E, afinal, não podia ignorar pessoas que precisavam de ajuda, ainda que seu objetivo fosse salvar Hyrule.

Porém, nada o preparou para o que havia naquele lugar.

Após passar por armadilhas, procurar chaves, lá estava a câmara principal... e lá estava o malfeitor que espalhara o caos pelas redondezas.

E não estava sozinho.

Zelda estava lá. Para surpresa completa de Link, que nunca esperava encontrá-la naquele lugar.

A reação inicial, pura surpresa, logo foi substituída por confusão... ela estava se ajoelhando diante daquele sósia, daquela versão corrompida e escurecida de si mesmo.

Link olhou para aquilo de olhos arregalados. Então, o malfeitor viu o recém-chegado e sorriu, um sorriso de pura malícia e maldade.

- Olhe quem chegou...

Zelda se virou para olhar Link, enquanto se levantava. E o olhar que ele recebeu continha toda a frieza que poderia haver no mundo, enquanto suas palavras soavam obscuras e doentias:

- Não faz diferença. Ele é irrelevante.

O que acontecia? Por que ela estava agindo assim? Até então, ele apenas ouvira palavras de encorajamento vindo de todos ao seu redor... por que ela o olhava com tal desprezo? Irrelevante? Ele não carregava o destino de todos?

A surpresa e o horror se tornaram fúria. Link desembainhou sua Master Sword e apontou-a para seu sósia, vociferando:

- O que você fez com ela?!?!

Porém, ele apenas gargalhou. Uma risada fria, de pura maldade e malícia, alegre em sua própria visão corrompida de alegria. Porém, Zelda não compartilhava disso: olhava Link com desprezo.

- O que eu fiz? — ele perguntou — Fiz o que você nunca fez. Fui forte por ela. Fui digno do que você nunca será. Ousei. Venci.

- Você é fraco, Link. — disse Zelda, na voz que não era dela — Você acha que faz grande coisa... mas está andando às cegas, achando que é grande coisa seguir fazendo tudo o que mandam você fazer. Achando que é um herói por ter sido escolhido pela Triforce da Coragem. Você não é corajoso: apenas tolo.

O horror atingia Link pouco a pouco: ele não podia acreditar no que estava ouvindo. Tudo que fazia... não era digno. Não recebia reconhecimento de quem era mais importante que reconhecesse.

- Quem... quem são vocês?! — ele perguntou, tentando disfarçar o desespero em sua voz

- Acha que eu sou uma versão corrompida de mim mesma? — perguntou Zelda — Acha que a verdadeira Zelda nunca diria o que eu disse? Pense, Link. Não existe coragem quando um cão ataca a mando de seu dono. Você não é corajoso. Não é um herói.

- E ele... ele é?! Quem... quem é você?! — perguntou Link, exasperado, apontando a Master Sword para sua cópia

- Eu sou você... ou a melhor parte de você. — disse o malfeitor — Digamos que uma pequena parte de você tinha alguma decência... e essa parte minúscula não podia se desenvolver por cima de suas camadas de mediocridade. Por isso, ela abandonou você, e batalhou muito para ser completa... e, no fim, superou você. Se tornou melhor do que você jamais será. O que não é tão difícil, na verdade. — ele riu

Então, seu sósia enlaçou a cintura de Zelda. Ela não opôs resistência: muito pelo contrário, sua postura ereta e encostada a ele era digna e indicava cumplicidade e rendição paralela a dominação: como se ela se deixasse dominar por ele, enquanto o dominava. Equivalentes, iguais... coisa que Link nunca conseguira ser. Sempre correndo atrás dela... nunca a seu lado. Permitindo que o mal sempre a colocasse inalcançável para ele.

- Quem escolheria você? — Zelda disse, a fúria mal reprimida em cada sílaba — Quem escolheria o fraco e patético cãozinho? Você perguntou se ele é um herói? Mas o que é um herói? Se um herói é aquele que vai aonde não ousam ir, faz o que as pessoas normais tem medo de fazer, vence por aqueles que não podem vencer... então sim. Ele é.

- E ele irá cumprir a missão que me designaram? Irá salvar Hyrule das trevas? — Link perguntou

- Tolo. — disse seu sósia — Não entende nada. Não sou um cãozinho como você. Se eu salvar Hyrule, será porque eu quero. Não porque os deuses me chamaram pra uma missão. E se eu assim desejar, eu vou mandar os deuses cumprirem suas próprias missões.

- Você é um tolo incurável, Link. — disse Zelda — Já chega.

Então, Zelda se virou para seu sósia. Seus lábios se tocaram em um beijo passional e selvagem.

Link caiu de joelhos, os olhos vazios, diante de tal cena. Não sabia o que fazer... tudo estava desmoronando. Então era isso... ele era apenas um escravo dos deuses? Ele não era o herói que Hyrule precisava? Que Zelda precisava? Apenas uma pequena parte dele já era suficiente para crescer e ser maior que ele mesmo?

Midna olhou para Link, a expressão exasperada.

- Link! — ela exclamou — Você não vai fazer nada?!

Fazer? Sim... ele poderia fazer alguma coisa. Mas... por quê? Não era um herói. Fora enganado. Tudo era irrelevante.

Então, seu sósia soltou Zelda, e caminhou lentamente até Link. Sorriu.

- Então, você finalmente reconheceu seu lugar. No chão. — ele disse

- Zelda... — Link ainda conseguiu balbuciar, em meio a seu desespero

- Até sua mulher acha que eu sou melhor que você. — ele retrucou — Eu sinto até vergonha de ter saído de você... mas já basta. Apenas um Link é suficiente no mundo.

O sósia agachou-se e pegou a Master Sword que Link havia largado. Midna, ao ver isso, exasperada, tentou impedir o sósia, mas ele a afastou com um mero tapa. Ergueu a espada acima da cabeça.

- Achei uma coisa de bom em você: ótima espada. — ele disse

Link olhou para cima, e viu a expressão de seu sósia. Sabia que ele iria matá-lo. E não podia evitar. Pior... não queria evitar. Se ele não era quem nascera para ser... o que mais poderia ser?

Os olhos de Link encontraram os de Zelda. Ela o olhou com a mesma expressão de desprezo que mostrara anteriormente.

Sorriu em sua melancolia e desespero, para si mesmo. A Master Sword descreveu um arco no ar, encontrando carne e sangue quentes.

Link fechou os olhos.

Nunca mais os abriu novamente.

Notas finais
Bom,está aí.Eu pensei numa pseudo-continuação,que seria como o sósia (que,com certeza,vocês notaram que é o Dark Link) e a Zelda mudariam Hyrule,e as implicações que isso trazem para os dois.Porém,sei lá se escrevo isso...talvez alguma hora eu faça isso.Mas,por ora,opinem nessa.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!