Percy andava tristonho nesses últimos dias. A guerra havia acabado, porém, junto com ela, sua vida também.

Pensava muitas vezes, que seria ter melhor morrido.
Ele ficava se perguntando, por que uma vida é tão frágil? Por que temos que perder as pessoas que amamos?

Ele revivia os momentos da guerra todas as noites antes de dormir, ele queria, mais do que tudo, mudar seu desfecho. Tinha pesadelos, assim, preferia ficar acordado a noite toda, adquirindo inúmeras olheiras.

Mal saia do chalé. Ninguém o culpava. Ele só estava cansado das pessoas o olharem com pena. Ele não se conformava.

Quando fechava os olhos, era o rosto dela que via. E uma dor forte invadia seu peito. Afinal, sua amada se fora pra sempre.

Annabeth morrerá para salva-lo, ele culpava-se por sua morte.

Ele devia estar morto e não ela.

Era injusto, essa dor não devia ser dele, devia ser dela.

Droga, se sentia egoísta por pensar assim, e se odiava mais ainda toda vez que fazia.

Era difícil imaginar que nunca mais ouvir sua risada, os graves e agudos de sua voz, seus choros. Pensar que não conviveria mais com suas oscilações de humor. Não viria mais seu olhar cinza, seu sorriso sacana, apaixonado, sarcástico, irônico. Todos eles.

O jeito que ela cumpria os lábios, quando pesava em respostas, soluções. Como alegrava-se quando consultavam-a, quando ele consultava-a. A sua empolgação ao falar de arquitetura, e mesmo muitas vezes irritado ou enjoado, nunca para de ouvi-la, nem reclamava pois, acima de tudo, até de seu próprio ser, ele amava-a.

Nunca mais sentiria seus beijos, seus abraços, seu simples toque.
Sentia falta das vezes que ficava sentado com ela, sem fazer ou dizer algo. Estar junto dela já bastava.

Percy já não conseguia conter as lagrimas.

Sua Sabidinha...

Seu Cabeça de Alga...

Cabeça de alga... Nunca mais ouviria o apelido da boca de sua amada, e isso doía mais do que qualquer coisa.

Será que foi assim que Silena se sentiu quando Beckendorf morrerá?

Provavelmente sim, mas sabia que a dor sentida por ela, não chegava perto do que ele sentia.

Percy já soluçava, estava inconsolável.

Já pensou em pedir a Nico traze-la de volta, mas sabia que o garoto alimentava um amor por ele, que após a morte de Annabeth, crescerá.

Mas Percy, nunca dera esperanças. Nico era e sempre seria, apenas seu amigo. E também sabia que Annabeth reprovaria seus atos.

Sabia que ela fora para o Elísio, lugar dos heróis. E só não suicidava-se, pois isso não era um ato heroico, e sabia que não veria sua amada da mesma forma.
Após sua morte, ele não tinha mais vida.

Não via os amigos, cansou-se deles tentando anima-lo. Vivia trancado, chorando. Se ver no espelho e enxergar um morto vivo, já virará rotina.

No seu chalé, os únicos sons, eram seus soluços e o gotejar da fonte que ganhará de seu pai.

Era doloroso lembrar dos seus momentos juntos dela. Ela fez parte de toda sua vida, pelo menos toda a parte boa.

Desde a primeira vez que avirá, soube que amava-a, era puro e verdadeiro.

Não sabia viver sem ela, não conseguiria seguir em frente.

Ouviu duas batidas em sua porta. Secou as lagrimas com as costas das mãos.

Permaneceu em silencio, ouviu a porta ranger e se abrir.

– Percy, você está bem? — la estava a pessoa que ele nunca poderia imaginar.

Notas finais
Espero que tenham gostado. Vai ter um romance, um tanto inusitado.