Notas iniciais
Aviso: O Epílogo não segue fielmente os fatos e a ordem cronológica de Harry Potter e as Relíquias da Morte.

Epílogo

Entreguem-me Harry Potter e ninguém sairá ferido. Entreguem-me Harry Potter, e não tocarei na escola. Entreguem-me Harry Potter e serão recompensados.

Todos olharam para um canto do corredor. Eu procurei Potter por toda a parte, na esperança de ver também o ruivo, mas quando o achei, ele estava sozinho. Meu peito se apertou quando eu vi Potter sozinho. Sabia que Granger e ele sempre estavam juntos do garoto. O que havia acontecido?

Terão até meia-noite.

Olhei automaticamente para o relógio que sempre estava no meu pulso. Onze e meia. Tínhamos meia hora para entregar Potter, ou tínhamos meia hora de vida, ou tínhamos meia hora para lutarmos e tentar mudar o rumo que a batalha estava tomando.

– Chegou o momento da Sonserina decidir a quem é leal.

A voz de McGonagall estava severa quando ela olhou para os sonserinos. Os alunos estavam corados com o esforço de correr, mas não foi isso que tirou minha atenção momentaneamente da batalha. O ultimato de McGonagall fez com que eu me lembrasse da promessa que havia feito para mim mesma, dias atrás.

O rosto de Rony apareceu em minha mente no mesmo momento, e eu me lembrei que ia fazer de tudo para que ele ficasse seguro. E eu queria finalmente seguir a mesma opinião da minha avó. Eu havia decidido o meu lado.

Os minutos passaram rápidos demais. E então começou.

O castelo estava uma bagunça. Mesmo que já estivéssemos acostumados com Comensais da Morte andando por todos os corredores, o número deles estava apenas aumentando. Vultos de roupas negras passavam com as varinhas em punhos, eu conseguia ver professores correndo com alunos por todo o castelo.

Sei que estão se preparando para lutar. Seus esforços são inúteis. Não podem lutar comigo. Não quero matar vocês. Tenho grande respeito pelos professores de Hogwarts. Não quero derramar sangue mágico.

A voz viperina soou por todo o castelo, alguns alunos pararam de chofre, esquecendo-se completamente que estavam em meio a uma batalha que decidiria o rumo do mundo bruxo. Eu congelei ao ouvir a voz de Você-Sabe-Quem, nunca havia escutado tanta maldade em apenas um tom, mesmo que parecesse que o dono da voz estivesse calmo na hora em que falou.

Um raio verde passou perto de onde eu estava e eu me virei, percebendo um Comensal da Morte tentando acertar o maior número possível de alunos revoltados. Não conseguia acreditar que eles tentavam matar bruxos que outro dia eram crianças, e não conseguia acreditar que o meu tio poderia estar dentro do castelo, ou fora, ao lado dele.

Segurei minha varinha com força e apontei para um Comensal que estava correndo pelo corredor.

– Estupefaça!

Ele caiu com o impacto do feitiço, a sua varinha voou pelo corredor, McGonagall me olhou com surpresa quando percebeu que eu estava lutando ao lado dela.

Feitiços cortavam os corredores com velocidade, os rostos insanos dos Comensais estavam cada vez mais frequentes, alunos corriam por toda a parte, retirando da última partícula de coragem no corpo, a força para lutar contra bruxos que tinham um conhecimento muito maior.

Eu me virei para o lado ao escutar uma parede grande de pedra deslizar, tampando parcialmente o corredor. E então tudo ficou negro.

[...]

Não conseguia ver mais nitidamente. A batalha havia terminado há muito tempo. As pessoas estavam andando, algumas tropeçando devido ao cansaço, outras se arrastando por causa de ferimentos. Reconheci alguns rostos de alunos, a fuligem dos rostos mesclando-se às lágrimas que corriam livremente ao ver os corpos caídos no chão.

Meu estômago se embrulhou ao ver bruxos de todas as idades, inclusive da minha, caídos sem vida pelos corredores de Hogwarts. Eu apressei o passo, chegando perto da multidão que se dissipava conforme as pessoas saíam de perto para ajudar os outros feridos.

Não consegui ver se Potter ainda estava sob os cuidados dos professores de Hogwarts, mas eu sabia que minha procura tinha apenas uma finalidade: achar Ronald Weasley.

Minhas pernas caminharam pelo corredor como se elas tivessem vida própria, indo em direção à porta grande do Salão Principal. Eu respirei o ar do jardim de Hogwarts, não poderia dizer que estava puro como sempre, eu conseguia sentir o cheiro metálico do sangue que estava empoçado em alguns lugares da grama.

Meu estado não estava diferente. Minhas roupas estavam vermelhas e rasgadas, parte disso era consequência de uma ferida aberta que eu carregava, a outra parte era minha prestação de ajuda aos outros feridos. E eu estava imunda.

Corri meus olhos pelo jardim de Hogwarts, observando todos ao meu redor, minhas esperanças já estavam se esvaindo, o peito comprimindo cada vez que eu procurava por ele e não achava nada além de morte, desespero e tristeza.

Foi quando eu vi um feixe de luz dourada me cegar por milésimos de segundos. Virei-me automaticamente para a origem da luz e o vi. Ronald Weasley saía dos escombros, o corpo inteiramente coberto de sangue e sujeira igual ao meu, os cabelos que antes eram vermelhos vivos estavam apagados. O rosto estava riscado por lágrimas.

Sem pensar muito, eu corri em direção a ele, a preocupação de que todos no pátio pudessem me ver se apagando definitivamente da minha mente. Apenas quando cheguei muito perto que ele me viu, e o ruivo abriu os braços para me receber, em um momento de dor e alívio.

O rosto se afundou nos meus cabelos e suas lágrimas caíram no meu ombro.

– Perdemos vários... meu irmão...

Não conseguiu terminar a frase, eu apenas o apertei ainda mais ao meu corpo. Queria confortá-lo no momento, dizer por meio desse gesto que estaria ao lado dele sempre. Ele olhou para mim preocupado.

– Você está bem? Por favor, diga que está completamente inteira... sua roupa...

Pousei um dedo nos seus lábios vermelhos, impedindo-o de falar mais. Um sorriso contido nasceu no meu rosto.

– Agora estou.

Minhas mãos percorreram a pele sardenta do seu rosto, procurando por ferimentos graves, meus olhos passando por todo o corpo.

– Pansy, eu estou bem... você está parecendo minha mãe.

Dei um tapa fraco no seu peito, não acreditando que ele poderia brincar em uma hora como aquela, mas pensando melhor no assunto, o momento era de alívio, mesmo que compartilhássemos dor ao mesmo tempo.

– Não tem graça, Rony.

Os olhos azuis me fitaram novamente, os lábios vermelhos travaram-se. Ele estava imundo, e parecia mais magro da última vez que o vi. Eu ainda teria tempo para perguntar onde ele esteve naqueles malditos meses em que eu sentia sempre sua ausência.

– Eu fiz o que você mandou, Pansy... eu voltei vivo... para você...

Sem pensar muito, eu enlacei o ruivo pelo pescoço e o beijei. Eu sabia que todos no pátio estavam olhando, eu podia sentir os olhares perfurarem minha nuca, e não estava dando muita importância a isso. Eu apenas queria senti-lo, ele e o beijo que estávamos compartilhando, era o beijo mais puro e saudoso que havíamos sentido em todos esses tempos.

– Eu amo você.

Confessei. Eu o amava. Isso já não era mais uma dúvida para mim quando separei meus lábios dos dele, sempre quentes, e fiz a declaração. Meu coração palpitava dentro do peito esperando a reação dele. De repente me senti enjoada.

– Eu também amo você, Pansy.

Formigamento. Alegria. Alívio. Prazer. Satisfação. Pense em todos os sentimentos bons e sensações gostosas que um corpo pode sentir. Foi o que ele me proporcionou ao me dizer tais palavras.

Sua mão quente envolveu a minha e ele me puxou para o castelo de Hogwarts.

– Vamos...

– Eu preciso conversar com você...

– Teremos todo o tempo do mundo.

Relaxei com sua frase, percebendo que nada agora barraria nosso caminho. Alguns alunos ainda olhavam assustados para a gente, mas eu não me importava. A guerra havia acabado. Eu sabia que de onde minha avó estivesse, ela estaria orgulhosa de sua neta. E eu estava ao lado do homem que eu amava.

Tudo ficaria bem, enfim.

Notas finais
Quando postei Deslizes, eu realmente fiquei com medo da fanfic não ter leitor, pois abordo aqui um casal completamente diferente do comum, e bem inusitado. Contudo, fiquei surpresa com o retorno. Eu queria agradecer de coração todos os comentários deixados, bem como as recomendações lindas, e as propagandas que vocês fizeram! Nenhuma escritora poderia ter leitores e leitoras tão dedicados quanto vocês! Obrigada!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!