Deslizes

6 Detenção


Detenção

Pansy

Ele é um Weasley. Pare com isso.

Minha mente gritou para mim e eu saí do meu estado de hipnose. Arqueei as sobrancelhas para ele e me virei, dando as costas para ele.

Andei em direção ao estoque e respirei fundo, pedindo mentalmente por paciência quando vi a bagunça que o lugar estava. Os ingredientes estavam jogados por todos os lados. Tampas haviam sumido e frascos estavam abertos. Alguns vermes rastejavam pela prateleira de vidro, procurando um lugar para fugir.

Ao ver os parasitas, o jantar revirou no meu estômago, me dando uma sensação horrível de enjôo.

– É muito para você?

Sobressaltei-me ao ouvir a voz que vinha do meu lado esquerdo, de muito perto. Virei-me para o garoto que agora estava ao meu lado, olhando para mim.

– Como é? – perguntei.

Ele deu de ombros e passou na minha frente, já pegando os vermes com as próprias mãos e jogando-os de volta para o frasco.

– Vocês sonserinos se julgam da realeza, vermes devem ser algo intolerável para você.

O sangue subiu em segundos. O Weasley não ia conseguir me fazer perder a paciência na detenção. Dei de ombros e comecei a depositar algumas folhas secas dentro de um pote que estava tombado. Era mais seguro.

Ele fechou a tampa do frasco que continha os vermes e eu me aliviei, respirando fundo automaticamente. Ele riu do meu gesto.

– Como eu disse... – pensou em voz alta.

Peguei o braço dele com força e ele ficou estático. Fiz força para ele se virar para mim.

– É o seguinte, Weasley, nós estamos aqui e ficaremos aqui por três horas. Eu não quero escutar sua voz, e você não quer escutar a minha. Então sugiro a você que pare de me provocar. Assim terminaremos a tempo e eu não vou ser mais obrigada a compartilhar mais nada com você.

Eu realmente não sabia se minha frase havia gerado algum efeito nele. Mas algo em meu toque tinha paralisado o ruivo de uma maneira que eu não consegui entender. Meu aperto era firme. Depois de alguns segundos eu percebi que minhas unhas estavam fincadas em sua pele. Quase me desculpei, mas me contentei em apenas afrouxar o aperto. Ele deu de ombros e se virou de costas, voltando a guardar os ingredientes.

Eu imitei seus gestos. Trabalhávamos silenciosamente, um ao lado do outro. Olhei o relógio de pulso. Vinte minutos haviam se passado. Merda, só isso? Snape devia ter feito algum feitiço para o tempo parar.

De repente o ruivo saiu do meu lado e caminhou em direção a um armário específico. Eu fiquei observando-o, a testa vincada. Ele olhou para mim.

– Precisamos fazer o relatório que Snape pediu. – ele esclareceu.

Eu assenti com a cabeça e voltei a fazer o que estava fazendo. Alguns potes estavam sem tampas. Eu abaixei para procurá-los no chão, poderiam ter caído. Achei alguns jogados debaixo do móvel. Peguei as tampas e me levantei. O Weasley estava do meu lado com um pergaminho na mão. Assustei-me.

– Você se assusta demais. – ele pontuou.

Eu não respondi. Fechei os vidros que precisava e comecei a trabalhar na segunda prateleira. O ruivo tomava nota de tudo. Estiquei o pescoço para ler o que ele estava escrevendo. Ele era alto e eu não conseguia enxergar. Ele tomou conta da minha dificuldade e abaixou o pergaminho um pouco. Eu me envergonhei.

Comecei a ler os ingredientes que estavam faltando.

Desviei milimetricamente meus olhos do pergaminho e automaticamente eles pousaram no peito do garoto ao meu lado. Forte. Subia e descia de acordo com sua respiração compassada. Sua respiração chegava ao meu rosto. Quente.

Será que seu corpo era quente também?

Pisquei algumas vezes e voltei a olhar para o pergaminho.

– Falta o Botão de Prata. – eu disse.

Ele olhou para mim.

– O quê? – perguntou.

Bufei de forma impaciente e desviei meus olhos dos seus. Peguei alguns ingredientes jogados e comecei a colocá-los em seus respectivos frascos.

– O ingrediente que você pegou ontem. Era o último. Coloque no relatório.

O Weasley se lembrou imediatamente do dia anterior e começou a escrever no pergaminho.

– E você simplesmente enlouqueceu. – ele disse.

Eu suspirei e fechei os olhos, pedindo mentalmente a Merlin por paciência. Eu iria enlouquecer se ficasse mais uma hora na companhia dele. Olhei novamente meu relógio de pulso. Uma hora havia se passado.

Calma, apenas mais duas horas...

– Eu não enlouqueceria se você não tivesse insistido na ideia tola de não me entregar o que eu vi primeiro!

Ele riu. Um riso de deboche, mas não respondeu. Apenas continuou a escrever no pergaminho. Isso me irritou mais ainda. Eu queria brigar agora. Eu queria que ele ficasse com raiva e começasse a discutir comigo. Eu não queria ficar estressada sozinha. Sentia-me tola brigando sozinha.

Sem pensar duas vezes, arranquei o pergaminho da sua mão e amassei, jogando para o lado. O Weasley finalmente me deu a devida atenção.

– EI!

Ele jogou a pena no chão e foi em direção à bolinha de pergaminho. Pegando-a e desamassando-a. Procurou algo nas vestes, mas trancou o maxilar ao perceber que o objeto que ele tanto queria não estava lá.

– Sem mágica vai ser impossível recuperar isso.

Eu ri. Ele me olhou com fúria, dando-me certeza de que eu havia conseguido meu objetivo.

– A tinta ainda estava molhada! Olha isso!

Mostrou-me o pergaminho. As letras estavam embaralhadas, nada legíveis. Meu sorriso morreu no mesmo instante, percebendo a merda que eu havia feito. Apenas dei de ombros e virei-me para a prateleira, continuando meu trabalho. Escutei o Weasley xingar.

Os minutos se passaram e eu já havia guardado quase tudo que estava na segunda prateleira. O Weasley havia pegado um novo pedaço de pergaminho e tentava copiar todos os ingredientes que eram legíveis. Eu terminei o trabalho na segunda prateleira e olhei para a terceira. Apenas algumas coisas estavam fora do lugar. Arrumei o restante da bagunça, concluindo o trabalho que Snape havia pedido. Suspirei de alívio e caminhei em direção a garoto, me sentando ao lado dele, no chão.

Seu corpo se enrijeceu em questões de segundos, mas ele não desviou os olhos do pergaminho. Escrevia com cuidado os ingredientes e seu cotovelo estava um pouco alto. Parecia temer outro ataque de raiva meu. Eu sorri.

– Pronto. – ele disse.

Olhei para o pergaminho e estava tudo perfeito. Ele tinha acrescentado o Botão de Prata por último. Pegou a bolinha de pergaminho e arremessou para o lado. Pousando as costas e a cabeça na parede e fechando os olhos. Eu aproveitei o momento para redecorar todo seu corpo. Algo nele me chamava a atenção. Eu só não conseguiria dizer o que era.

O Weasley era forte, isso ninguém poderia negar. E eu me xingava mentalmente toda vez que assumia isso para mim mesma. Os cabelos ruivos eram lisos e a pele clara tinha algumas sardas, mas nada exagerado. Seus cílios eram claros também. Sua boca era vermelha. Deixei meus olhos caírem, as coxas agora estavam evidentes por debaixo de sua calça jeans, que tinha ficado justa porque ele estava sentado. Eu salivei.

– O que foi?

Dei um salto para o lado de susto. Fiquei hipnotizada com as coxas grossas de Ronald Weasley e não tinha percebido que ele havia aberto os olhos. Merda. Ele com certeza tinha percebido para onde eu olhava. Ele me fitava agora com curiosidade.

Pense em algo estúpido.

Olhei novamente para seu jeans e cocei a cabeça.

– Você sempre usa isso?

Apontei com cara de nojo para os jeans e arqueei as sobrancelhas, em um gesto peculiar meu. Ele deu de ombros e voltou a encostar a cabeça na parede, mas não fechou os olhos, olhava para um canto fixo da parede, depois voltou a me olhar.

– Sim, são os únicos que eu tenho. Você não vai me dar outro, vai?

Engoli em seco e travei meu maxilar. Quem esse Weasley achava que era?

– Claro que não. Eu nunca gastaria um nuque com um sangue sujo feito você.

Ele voltou a desencostar a cabeça e me olhou com fúria. Eu sorri para ele, mas o Weasley pegou meu braço com força. Eu me arrepiei com o aperto masculino de suas mãos quentes. Tudo nele era quente.

– Retire o que disse. – ele praticamente obrigou.

Arqueei as sobrancelhas e sorri.

– Senão...? – provoquei.

Ele travou o maxilar e aumentou o aperto.

– Retire imediatamente o que disse.

– Você está me machucando.

Ele olhou para meu braço. Eu achei que ele manteria sua mão em torno dele, mas o ruivo percebeu o que estava fazendo, retirou sua mão e eu senti falta de seu toque no mesmo momento.

– Me desculpe.

O quê? Ele se desculpou? Eu realmente queria entender o que se passava na cabeça daquele ruivo, mas cada segundo ele mudava o curso dos pensamentos e eu ficava confusa. Franzi o cenho, ele olhou novamente para mim.

– Minha vida toda fui chamado de sangue sujo por pessoas como você. Perder o controle por alguém como você não vale a pena, Parkinson.

O Weasley estava furioso, mas não era capaz de machucar ou ofender alguém de verdade. Merlin, como eu detestava homens fracos.

– Claro que não. Você perde o controle pela Granger, não é?

Ele ameaçou se levantar, mas eu no impulso peguei seu manto e fiz força para ele se sentar, ele olhou para mim, os olhos azuis estavam escuros devido à raiva. Não foi a primeira vez que fiquei petrificada com seu olhar.

– Não ouse falar de Hermione assim.

Eu ri. O Weasley ainda a protegia? Achava digna sua amizade pela menina, mas também era digna de pena sua devoção, que não era recíproca.

– Eu falo de quem eu quiser, Weasley.

Ele passou as mãos pelos cabelos, suspirando fortemente e fazendo seu hálito quente chegar ao meu rosto pela segunda vez na noite. Seu cabelo, agora bagunçado, dava um ar mais revoltado ao garoto. Voltou a pousar a suas costas e sua cabeça na parede, fitando o teto. Mas não disse nada. Só isso?

– Você devia parar de babar por ela, Weasley. Ela já escolheu quem quer.

Ele continuou a fitar o teto, engoliu em seco. Eu achei que ele não ia retrucar, mas ele abriu a boca para falar algo que eu tinha certeza que ele não gostaria de falar, e nunca iria falar em voz alta, muito menos para mim.

– Eu sei disso.

Com essas palavras, o Weasley me desarmou de um jeito que eu não estava preparada. Eu não tinha mais argumentos para ofendê-lo. Chamá-lo de sangue sujo, vergonha para os bruxos de sangue-puro, já estava ficando chato. Eu sabia que ele tinha sangue-puro, e com esse fato, eu já não queria brincar mais. Uma ideia assaltou minha mente. Era insana, mas se desenvolvida com cuidado poderia ser engraçada e produtiva. Eu ri.

– Talvez se você tivesse atitudes mais masculinas, ela poderia ao menos olhar para você.

Eu consegui o que queria no mesmo instante. O Weasley, mesmo contrariado, me olhou com curiosidade e franziu o cenho.

– Potter sempre toca em Granger de um jeito que apenas um homem pode tocar.

Ele começou a ficar vermelho. Eu não sabia se era de raiva, ou de vergonha com minhas palavras. Ele não estava familiarizado com tais gestos?

– Claro... você deve conhecer bastante de toque masculino. – ele pontuou.

Revirei os olhos para sua tentativa tola de tentar me ofender. Mas sorri maliciosamente. Ele não viu.

– Não. Mas sei o que um homem gosta.

Ele olhou para mim. Os olhos agora quase negros. Engoliu em seco e voltou a passar a mão pelos cabelos vermelhos fogo, bagunçando-os ainda mais. O corpo ficou rígido em um segundo. Eu realmente havia desconcertado o Weasley. Voltou a olhar para o teto.

Como um imã, minha mão foi em direção ao seu rosto e eu peguei uma mecha do seu cabelo, sentindo pela segunda vez a maciez dos fios. O que me surpreendeu foi a reação que meu corpo teve. Pareciam descargas elétricas. Ele se arrepiou por inteiro e meu desejo de tocá-lo triplicou. E isso só piorou quando ele me olhou novamente, passando a mensagem com seus olhos negros, que eu poderia continuar o que estava fazendo.

Minha mão se enterrou no cabelo vermelho e ele fechou os olhos, engolindo novamente, eu fiquei de joelhos. Olhei-o nos olhos e ele agora os mantinha abertos. Ele estava petrificado.

– Você sabe do que gosta, Weasley?

Sua mão grande e forte passou pelo meu rosto. Quente. Eu fechei momentaneamente os olhos, mas os abri novamente para olhá-lo. Eu realmente estava com medo da reação do Weasley, mas meu corpo pedia pelo dele. Passei minha perna esquerda para o outro lado do corpo dele, ficando de frente para o garoto, de joelhos.

Ele pegou meus tornozelos e eu me sentei em seu colo, ele apertou-os quando sentiu o contato. Minhas mãos foram para seu rosto. Macio. Eu me aproximei do seu rosto e ele lambeu os lábios como um convite. Arrepiei-me ao ver sua boca vermelha e me surpreendi quando ele acabou com a distância que havia entre nossos rostos e capturou meus lábios com os dele, dando-me um vislumbre do seu gosto.

Era quente. Ele empurrou sua língua para meus lábios pedindo passagem e eu cedi, deixando-o fazer o que queria. Sua língua quente encontrou a minha e as duas travaram uma briga, no mesmo momento que minhas mãos passavam pelo seu peito forte, saciando minha curiosidade.

Eu decorava com as mãos cada parte do seu corpo, no mesmo momento que ele me beijava com desejo. Parecia um desejo reprimido, mas eu não me preocupei com isso. Minha preocupação era a de apertar seus braços e sentir os músculos que estavam sempre escondidos por debaixo de todo o uniforme de Hogwarts.

Ele mordeu meu lábio inferior e eu gemi. Quebrou o beijo, olhando para mim com olhos praticamente negros. Engoliu em seco. Seu corpo tremia.

– Eu gosto disso.

A voz rouca evidenciava seu desejo. Eu o entendi completamente, eu também estava assim. E para falar a verdade, eu não tentei retrucar, minha voz não sairia, de qualquer maneira.

– Acho que devemos parar com isso.

O Weasley acrescentou. Dei-me conta pela primeira vez da posição em que estávamos. Eu arfava e meu peito subia e descia rapidamente, ficando perigosamente perto do rosto do menino. Ele não desviou o olhar, senti seu membro ficar duro no mesmo momento que ele cravava seus olhos azuis no decote da minha blusa social branca. Eu gemi quando o senti.

– Parkinson?

Eu não respondi. Ele me cutucou.

– Acho que você devia sair de cima de mim.

Como? A última coisa que eu queria era sair de cima dele. Minhas mãos foram em direção à sua nuca, pegando seu cabelo com força.

– Apenas me beije de novo, Weasley.

Ele não relutou. Seu membro pulsou quando ele capturou meus lábios com os dele novamente e eu fiz força com o quadril, tentando sentir algo mais. Ele gemeu e suas mãos deslizaram do tornozelo para minhas coxas, levantando perigosamente minha saia, expondo um pedaço da pele.

Eu me colei ao seu corpo e prensei minhas pernas nas suas, não o deixando se mover um centímetro. Ele apertou minhas coxas e eu não consegui reprimir um gemido que saiu da minha boca.

Foi aí que eu ouvi o barulho de passos se aproximando. Quebrei o beijo no mesmo momento e afastei um pouco. Ele pegou uma mecha do meu cabelo e colocou atrás da minha orelha.

– O que foi?

Seu hálito quente fez cócegas no meu ouvido e eu senti uma umidade na minha calcinha. Saí rapidamente da minha posição e me sentei ao seu lado. Ele me olhou curioso. Apontei para a porta.

– Controle-se.

Ele ouviu pela primeira vez o barulho dos passos e passou o manto para cima da saliência evidente em sua calça. Minha boca salivou ao ver o quanto ela era grande, mas eu respirei fundo, tentando me controlar.

A situação ficou mais calma no mesmo momento que o barulho da porta rangendo chegou aos meus ouvidos. Olhei para o lugar e Snape estava parado, nos olhando. O ruivo se levantou rapidamente e caminhou em direção ao professor, entregando o pergaminho. Snape assentiu para o garoto e lhe entregou a varinha.

– Suas mochilas já estão nos dormitórios.

Eu engoli em seco e me levantei, Snape me entregou a varinha e eu apenas gesticulei com a cabeça, não querendo olhar o professor nos olhos. Saí da sua sala abafada e o frio das masmorras percorreu meu corpo. Eu procurei o ruivo nos corredores, em vão. Ele já havia sumido.

Suspirei de alívio e estaquei quando percebi o que realmente tinha feito. Beijado um Weasley. E o pior, gostado disso. Corri direto para meu dormitório e percebi que precisava de um banho. Meu corpo suava e minha roupa começava a me incomodar.

Merda, o que eu havia feito?