Desistir

1 Capítulo Único


Notas iniciais
Bom, demorei tanto para postar outra One-shot... Tudo por culpa do meu computador (ou eu mesma) que sumiu com o arquivo de texto que já estava pronto. Deuses, estou me perguntando até agora o que aconteceu com ele... bom, mas por sorte eu tinha convertido o texto antes para Epub para ler no celular, então, apenas copiei e colei, fiz uma edição básica (então, já peço desculpas por qualquer erro...) e pronto! Está aqui.Tentei fazer uma coisa mais "pesada" com os pensamentos de Kise e o lado canalha de Daiki. Desculpem quem gosta dele, mas é verdade. Eu o amo em alguns momentos, mas também o odeio... Estranho não?Bom, espero que gostem e boa leitura.


"E ontem, eu desisti. Desisti de tudo que eu mais queria, daquilo que eu mais desejava.
O coração palpitava de vontade, mas eu resisti e desisti.
E desistirei sempre que for necessário, sempre que eu estiver perto do fundo do poço.
Depois do não, do fim, do adeus mal dado, desejei que Deus me desse forças e fé, muita fé para continuar.
Depois de pedir muito para Deus alguém, agora eu peço ao contrário.
Porque não vale à pena, não compensa.
Porque tem pessoas que não valem à pena."
Caio F. Abreu

Kise Ryouta não aguentaria mais.

Antes pensara que era apenas sua imaginação lhe pregando peças, mas daí veio a segunda vez, a terceira, a quarta...

E ele fingia não ouvir, desesperado por pensar que se falasse alguma coisa, tudo acabaria, e no fundo tendo esperanças de que pararia. Mas como lhe feria ouvir Aomine gemendo o nome de Kuroko quando atingia o orgasmo, dentro dele, dentro de seu corpo. E foi alto e claro, não apenas
uma ou outra vez, ele tinha certeza que seu namorado proferia o nome da ex-sombra. Repetindo-o
como um mantra. E parece que nem tentava esconder o fato.

Talvez de propósito, talvez não.

O loiro preferia acreditar que não.

Ryouta porém, não aguentaria mais ouvir aquele nome novamente. A ferida sangrava
profunda, manchando-o com o sangue que escorria, claro, figurativamente falando, mas ela doía
mais do que se fosse física.

Decidido a sair dali, Kise sentou-se a cama, a cabeça baixa, escondendo parcialmente os
olhos brilhantes de lágrimas. Não teve coragem sequer de olhar para o rosto moreno que se
mantinha deitado ainda, curtindo o tempo pós-sexo e sabendo que na sua mente, não era ele que
dominava seus pensamentos.

— Kise, aonde vai? — Daiki perguntou sem forças para se mover, preferindo apenas mirá-
lo.

Levou alguns momentos para Ryouta normalizar a respiração e tendo certeza de que sua
voz não soaria tão chorosa e o soluço que queria sair. Mas quando o fez, respondeu-o baixo, indiferente.

— Vou para casa.

Ele se levantou, recolhendo as roupas espalhadas. Podia sentir o fio de sêmen descendo pela perna, mas decidiu ignorar esse fato. Mesmo sendo meio impossível, quando a dança de imagens vinham com tudo e faziam-no lembrar de momentos antes.

Momentos bons e tristes.

Essa seria a última vez que Daiki tomara-o e que ele sentiu o calor do corpo do outro no
seu.

E a memória de que aquele corpo não desfrutava exatamente dele, mas sim, pensando em outro, deixara-o doente, com raiva.

Suspirou cansado.

— Ora, não quer ficar aqui comigo? — A ironia tão evidente machucava-o mais ainda.

— Não... — E fora verdade.

O silêncio se estendeu pelo tempo em que o loiro usava para se arrumar, em tempo recorde. O que não era comum a si.

Mas a questão ali era que não podia ficar momentos mais naquele lugar, o mesmo em que visitara tantas vezes, com o cheiro dele, inebriante, sufocante ...

E pensar nisso enviava mais um soluço pronto a escapar pelos lábios vermelhos – pela atividade anterior e por mordê-lo incansavelmente, uma mania que possuía – mas por sorte, engoliu-o de volta.

— O que você tem hoje, hein Kise?

— Eu? Nada. Nenhum problema. — Mentiu descaradamente e tão mal. Mesmo uma criança veria isso.

— Não diga que não tem. Você está estranho desde cedo e agora quer ir embora. — Bufou irritado. — Você nunca fez isso antes, sempre ficou enchendo o saco depois que transávamos.

E por segundos, ficara parado refletindo. Os dourados olhos foscos mirando a parede sem vê-la exatamente.

— Talvez seja por isso... Transar... já pensou que eu quero mais do que sexo?

— O que mais quer? — Aomine resmungou irritado.

— Eu quero seu coração, quero que você me ame, que façamos amor. — Sua voz saiu sincera, assim como estava se sentindo. Gostaria de falar aquilo a ele há muito tempo, mas apenas agora teve coragem de botar para fora tudo que estava reprimido, sufocado.

— Tsk. Pára de falar essas bobeiras. Parece uma mulher. — E esse era a maneira de o tratar.

Depois de tudo, Daiki, nunca fora gentil, compreensivo. Não que o loiro esperasse algo disso, mas
seria bom se o ás da Too demonstrasse um pouco deles, de vez em quando.

— Eu tentei Daiki*, fiz de tudo para que gostasse de mim e esquecesse Kurokocchi... mas é impossível. — E não passou despercebido ao ala-pivot o uso de seu nome. Sinal de que o jogador da Kaijou estava sério sobre o assunto.

— Está desistindo? Não pensei que fosse assim, Kise.

— Desistir? Eu só cansei. — O loiro soltou uma risada baixa, entretanto não era feliz e sim, amarga. — Quem desistiu primeiro foi você. Desistiu de seguir em frente depois que terminou com Kurokocchi. Só não entendo o motivo de terem se afastado, já que gostava e ainda gosta tanto dele.

— Não sabe de nada que se passou naquela época, não me venh- — Antes que pudesse sequer terminar a frase, o grito de Ryouta o fez calar-se, olhando para ele pasmo, abalado. Nunca o vira dessa maneira. Raiva transbordava dele, em ondas. A voz tão grave quanto podia ser.

Uma visão para definir um outro lado de Kise Ryouta. Aquele escondido por várias camadas, tão diferente do jeito brincalhão costumeiro que adorava ficar em cima de Aomine. E ele teve que piscar para ver se não era uma ilusão tudo aquilo.

— E você não sabe nada de mim. Não julgue-me apenas porque cansei de tudo isso. Essa mentira que dizia a mim mesmo; “somos felizes, você gosta de mim, tudo está bem... e blá, blá, blá”. Chega! Dói saber que na hora que estamos fazendo sexo, você chama o nome dele.

E quando Kise virou para si, ele viu as lágrimas molhando o rosto belo do famoso modelo, porém no fundo daqueles olhos dourados, a mágoa era outro sentimento misturado com tristeza, rancor, decepção, desespero, agonia, amargura, desamparo.

Aomine tinha certeza. Era o dia que o relacionamento – se é que pode se chamar desse jeito – estava ruindo, acabando como tudo em sua vida até agora.

Um dos motivos havia sido o entusiasmo para jogar basquete; que foi o que mais lhe magoou. Seu esporte preferido sendo arruinado por ele mesmo, e aquele maldito dom que possuía. Podia adorar ganhar, mas não haveria graça se os oponentes desistiam quando viam todo seu potencial numa partida.

— Não serei um substituto... — Sussurrou rouco pelo choro cada vez mais forte. Tentava fazê-lo parar com as costas da mão. Não ficaria mais ali, então deu as costas ao moreno estático, abalado e foi em direção a porta, sem esquecer da mochila trazida horas atrás.

Porém, antes mesmo de dar dois passos, seu pulso fora agarrado.

— Pára com isso, eu sei que você não quer. Olhe para mim, Kise!

E o outro não obedeceu. Porquê o fazer, se isso iria despedaçar o pouco que tinha de seu coração? Preferia guarda esse resto para si, e aos poucos, tentar colar os pedaços perdidos no caminho.

— Não, está errado. Eu quero. — Sussurrou tão baixo, tão sufocado, que achou que ele não escutou-o e não tentou agarrá-lo de volta quando saiu do aperto que mantinha-se preso – melhor assim. Foi algo necessário, algo que precisava. Tornou-se livre, embora arrancasse um pedaço de seu coração quando se afastava, mas que poderia reconstruí-lo novamente, caco por caco.

Adeus Aominecchi...

Notas finais
*Eu penso que sempre quando Ryouta quer falar algo sério com Aomine, ele usa seu nome, e não Aominecchi, como é de costume.Se puderem comentar expressando suas opiniões - construtivas - ou dúvidas também, eu ficaria grata!Hasta la próxima!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!