Desire Iv: a Presa
5 O destino dos renegados
Notas iniciais
- Não vai bater? –perguntou Shizuka, de modo aluado e desinteressado, no seu próprio jeito de ser.
- Só se for na cara do meu pai. Vou tirar Juuri daí nem que seja a ultima coisa que eu faça.
- Rido... –ela pôs sua pequena mão num dos ombros largos do rapaz- Tome cuidado. Meu pai ainda deve estar te tocaiando.
- Está preocupada comigo, Srita.Shizuka?
- Não exatamente... –ela suspirou- Mas tome cuidado!
- Me espere aqui. Teremos que sair rapidamente, e é melhor você ficar fora do caminho. Para não se machucar.
- Está preocupado comigo, Rido?
- Sim. –ele estava sério, apesar de um pouco enrubescido- Me espere.
- Estou esperando.
Rido entrou na casa, mas parou no hall de entrada que dava para a sala. Na sala Haruka e Juuri se encontravam sentados, se beijando. Se beijando apaixonadamente.
- ...Juuri...
- Rido! –o rosto dela ruborizou levemente- Irmão querido! Porque não nos informou que nos visitaria? Teria preparado alguma coisa. Ainda não temos nossa própria casa, mas faço questão de receber bem meus convidados. Não é, amor?
- Claro, querida. –os olhos de Haruka não se desviavam de Rido. Não sabia como o irmão reagiria a nova disposição de espírito de sua esposa.
- Ou veio visitar a mamãe? Porque duvido que tenha vindo visitar o papai. –o sorriso límpido... O sorriso que era só dele... Por que... Por que estava lhe dirigindo a Haruka? Por que?!
Por que o beijava com aqueles lábios que eram só seus? Por que o acariciava com aquelas mãos que eram só suas? Por que...? Por que?!
Haruka observou, chocado, o olho castanho do irmão assumir nuances vermelhas, até o par de seu olho azul como o céu se tornar vermelho. Vermelho como o sangue e injetado como o de um louco.
- Rido...? –Juuri soltou o braço de Haruka e deu passos tímidos até o irmão mais velho.
- Não. –Haruka a segurou pelo braço- Não é mais o Rido. Não o Rido que você conhece e admira.
- Como assim...?
Mas a mão de Haruka foi arrancada da sua e, em instantes, ele e Rido estavam se agredindo ferozmente, rolando pelo chão.
- NÃO! HARUKA!
Shizuka entrou apressadamente, com seus passos flutuantes. Algo saíra errado.
O patriarca dos Kuran desceu rapidamente as escadarias, entrando na luta, antes que Shizuka ou Juuri pudessem fazer alguma coisa.
Juuri tentava desesperadamente separá-los, mas o cheiro de páprica invadiu as narinas de predadora de Shizuka antes dela se intrometer na luta dos Kuran, e ela apenas olhava para a porta, esperando a hora de sua própria família entrar na dança. A hora que mais desejara, mostrar ao pai o quanto era superior a ele. Não apenas em força, muito pelo contrário. Como era uma vampira melhor, uma pessoa melhor.
Mas Nobuhiro foi mais rápido que a filha, se jogando diretamente contra Rido, mordendo seu rosto.
Rido se livrou, conseguindo fazer estrago suficiente para tirar o pai da luta. Sua mãe gritara alguma coisa que ele não ouvira. Não tinha mais mãe. Não tinha mais família. Não tinha mais ninguém.
Acertou o tronco de Haruka com uma rajada de energia psíquica, o transpassando. Ouviu Juuri gritar. Gritar de dor por Haruka. Não pode ver nada, apenas atacou. Acabava de se tornar, de um adolescente rebelde, um monstro frio e sádico, de dentro do qual nunca retornaria. Nunca mais seria Rido Kuran que tinha sentimentos. Nunca mais.
Era digno do padrinho, cujas presas estavam em seu ombro no exato momento. No momento seguinte, Hiro estava longe, sendo atacado com fúria, mas não com selvageria, por Shizuka.
Estava livre, desimpedido. A sua frente, estava Juuri Kuran. Engraçado... Esse nome lhe lembrava algo que ele não tinha muita certeza. Mas que lhe despertava a raiva.
Avançou sobre ela, a sufocando com uma mão, e a mordendo com outra. Se quer bebia o sangue. Queria apenas vê-lo jorrar, com a vantagem de também se alimentar. Uma besta sedenta de sangue. Rido? Rido Kuran? Quem seria essa pessoa? Só podia ouvi-la chamar pelo marido. Haruka era o nome dele. Desespero. Podia senti-lo no sangue dela, e isso o agradava.
Haruka se recuperara e, deixando todo e qualquer sentimento para trás, transpassou o irmão com muito mais furor do que ele o transpassara.Seguidamente.
Juuri caiu no chão, em um baque surdo. Estava perdendo muito sangue.
O patriarca Kuran estava morto. Hiro ria, extasiado.
- O que você...?
- Não percebe? Ele é como eu. Eu sempre soube que seria. Por isso estava o preparando... O treinando...
- O que?! Pai... Você é um monstro...
- Não seja tonta! –ele cuspiu no rosto dela- Eu sou forte! E no futuro, todos serão como eu! Os frágeis e românticos, como você, serão destruídos!
- Eu... Tenho vergonha de ser sua herdeira.
- Então morra! Morra para que eu não me envergonhe de ter uma herdeira como você! –ele fez menção de morder sua jugular, mas Shizuka foi mais rápida.
Afundou suas presas na traquéia do pai, as prendendo firmemente, desesperada com o ponto que chegaram, pelo o que estava sento obrigada a fazer. Por reafirmas as crenças do pai ao escolher ferir à ser ferida. Puxou a cabeça para trás, como um animal, levando com sigo uma parte da traquéia do pai que ela quebrara, ao mesmo tempo em que atravessava seu coração. O matou, ao mesmo tempo em que matou algo dentro de si. Prometeu nunca mais ser passiva, nunca mais ser observadora de sua própria vida. Nunca mais ninguém passaria por cima de suas crenças.
Só então percebeu o que estava acontecendo ao seu redor. Se ajoelhou ao lado de Juuri, fechando seu ferimento, voltando sua atenção para Rido. Ele lutava com Haruka, não prestava atenção nela, então o derrubou, atingindo sua nuca, e o arrastou para longe. Depois disso tudo, as coisas seriam ainda mais difíceis para os renegados.
Quando acordou novamente, o cheiro de flor de cerejeira invadiu as narinas do ser que um dia se chamou Rido. Estava recobrando, levemente, a consciência do que acontecera.
- Por que fez isso? –por um instante a adolescente achou que tinha salvado a pessoa errada. A voz não era a de Rido. A voz era de um Hiou, o Hiou que ela mais odiava na face da Terra. A voz de Nobuhiro, seu pai.
- Salvei sua família porque você estava fora de si!
- Ora, Shizuka... –ele zombou- Eu nunca estive tão consciente de meus atos quanto naquele momento.
- Rido...
- Esta chocada? Ora querida, eu sou o futuro! Todos serão como eu!
- Hiro... Você realmente conseguiu...
- Não chore, tolinha. Se se curvar sob meu império, eu vou ser bonzinho com você. –ele acariciou o rosto dela, sem se incomodar em se posicionar de maneira mais digna, uma vez que estava no colo da menina- Aceita?
- Rido!
- Por que está tão indignada? Tudo que tem de fazer é se ajoelhar e me pedir perdão por ter estragado minha diversão lá na mansão dos Kuran, e estaremos bem. Eu posso até te retribuir, sei ser bonzinho com quem merece, e você não é de se jogar fora. –ele se sentou, beijando seus lábios de criança levemente.
Shizuka se levantou, o empurrando para longe.
- Não seja idiota. Eu não vou me curvar a ninguém, Rido. Não me curvei ao meu pai, não vou me curvar a você e nem a ninguém!
- Não me irrite, Shizuka. Com a morte de nossos pais e nosso noivado, estou assumindo a liderança do Conselho dos Anciãos. Seja esperta e fique comigo, se não quiser ser aniquilada como uma humana.
- Esse é seu grande plano? Destruir os humanos?
- Os humanos, e a linhagem Kuran. Serei o único a possuir o titulo de rei dos sangue-puros.
- Então vai matar seus irmãos e sua mãe... Porque eles ameaçam sua hegemonia?!
- Sim. –ele respondeu com desinteresse.
- Não sabia que era tão inseguro... Um homem da sua idade... Com medo dos irmãos mais novos... –ela se aproximou lentamente, até estar em frente a ele.
Em um movimento rápido, dirigiu seus dentes afiados para a traquéia do vampiro, que, em um movimento ainda mais rápido, a segurou pelo pescoço, a elevando até ela não mais poder tocar o chão.
Ele ria alucinadamente.
- Eu não sou seu pai, Shizuka! Não pode fazer comigo o que fez com ele. Você é muito tola, Shizuka, inocentemente tola. E eu não sou idiota, mas sinto algo em você... Você pode ser como eu... Seremos felizes. –riu, a beijando, mais profundamente desta vez, sem soltar o pescoço da vampira.
Ela mordeu o lábio inferior dele, desesperada, e ele parou de beijá-la. Parou porque estava gargalhando.
- Você se tornou um monstro! Por favor, Rido, não faça isso... Se seguir esse caminho, nem eu poderei te salvar.
- Você é adorável, Shizuka, uma monstrinha adorável! Tão novinha... Eu te desvirtuaria agora mesmo se você não fosse tão teimosa. Mas tudo bem, seu pai levou anos para me tornar o que eu sou. Terei paciência com você. Agora peça desculpas.
- Jamais!
Rido balançou a cabeça, negativamente.
- Resposta errada.
Ele a jogou contra a parede, na qual ela bateu, gemendo baixinho, e caiu, inconsciente.
- Agora, vamos ao que realmente interessa.
S2s2s2s2ss2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2s2ss2s2s2ss2ss2s2s2ss2s2s2s2ss2s2s2s2s2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2ss2
- Olá. Boa tarde, Kaien. Kaien! –ela o cutucou.
- Hum... Oi, Rika!
- Você esta sendo convocado. Desculpe ter que acordá-los, mas é que realmente...
- Acordá-los?! –Kaien deu um pulo, vendo Touga sentado na cama ao seu lado- Touga...
- Kaien.
- Por que o acordaram? Não dá pra ver que ele está em recuperação?!
- Mataram sangue-puros, Kaien, e precisamos saber quem foi. –Touga foi direto, fazendo os joelhos de Kaien desmontarem.
- Ma... Mataram sangue-puros?
- Sim. E estamos todos convocados. –Ren saiu das sombras, se pronunciando- Afinal, eles virão em massa vingar a morte de seus líderes.
- Não podemos dizer que tenha sido um azar, porque seja lá quem foi, matou dois coelhos em uma só cajadada. –suspirou Ichigure.
- Estavam no mesmo local. Foi uma luta feia, tinha sangue espalhado por todo lado, e nossos instrumentos constataram a morte e desfragmentação de dois sangue-puros no lugar. Já identificaram. Quem fez isso, conseguiu se livrar dos dois lideres do conselho dos anciãos de uma só vez. –Yagari esclareceu- A história esta correndo como água na peneira.
- É? –Kaien estava surpreso e aliviado. Com certeza Juuri não era um dos lideres do Conselho- Quem eram, afinal?
- Nobuhiro Hiou e Caribdes Kuran. –disse o moreno, encarando os olhos arregalados do loiro- Os patriarcas das famílias. Por sinal, corre um boato de que Nobuhiro seria o ultimo Hiou.
- E os Kuran? –Kaien reassumiu seu ar sério e desinteressado, apenas Touga sabia o que se passava por trás dos olhos cor de mel de seu companheiro.
- Não há muitos registros sobre eles. Seu filho, Rido, quase foi para nossa lista, mas não conseguimos provar que ele era o autor dos ataques. É um animal esperto. –resmungou Ren.
- A mulher de Caribdes foi encontrada e exterminada pelo nosso grupo de investigação.
- MATARAM MAIS SANGUE-PUROS?! Essa instituição vai ser destruída... –gemeu, se sentando novamente.
- Não vai não. Ela praticamente implorou que eu a matasse. O marido era seu pilar, sua base. Ele a despertara, ela não sabia viver sem ele. E eu posso ser caridoso com os monstros às vezes, a matei de uma só vez.
- Nossa Ren, você é realmente muito gentil! –Rika não amava os vampiros, mas não gostava quando Ren falava assim. Qualquer criatura, por mais baixa que seja, deve ser respeitada. A vampira, apesar de ser o que era, tinha sentimentos.
- Cara... Que não saibam disso... Ou você vai ser caçado até o fim dos tempos... –Kaien se preocupou.
- Ele é um idiota. Não pensa na sua esposa? No seu filho?
- Filho?
- Eu tô grávida, Kaien. –ela suspirou- Fiz o teste essa manhã.
- Por que?
- Eu tive um sonho... Achei melhor ver no que dava... Deu positivo. Duas vezes.
- Isso não podia ter acontecido... Ai! –Yagari jogou o controle remoto da TV na cara do amigo, que suspirou- Touga, você sabe como vivemos...
- Cale a boca, idiota!
- Meus parabéns! –Cross desejou, fechando os olhos e sorrindo. Mas seu sorriso estava triste.
- Kaien.
- Eu? –seus olhos estavam rasos d’água.
- Vem aqui. –Yagari bateu numa parte do colchão que estava vazia.
O adolescente obedeceu, sentindo os dedos longos de seu amigo percorrem suas costas em um abraço reconfortante.
Rika e Ren se entreolharam. Não estavam entendendo nada daquele gesto, e se sentiam verdadeiros intrusos. Kaien tinha dito que não estava com Touga, e que estava bem, mas então, o que significava tudo aquilo? Um gesto de compaixão? Por parte de quem?
Tudo isso impeliu Ren a abraçar a cintura de sua noiva, sussurrando em seu ouvido um pedido de desculpas.
- Tudo isso é muito lindo, mas temos uma crise de verdade por aqui, rapazes. –Rika exclamou- E você sabe que a situação não está nada boa pro seu lado, Yagari.
- Eu sei. –ele disse baixinho, sem soltar o outro.
- Como assim?
- Kaien, você mesmo disse, ele enfrentou um vampiro que o deixou neste estado, e se ele não enfrentou um? E se ele enfrentou dois vampiros ao mesmo tempo? Vão fazer exame do corpo de delito nele, se tiver um resquício qualquer de energia psíquica no corpo dele... Não sei o que pode acontecer.
- Fique calmo. –o moreno murmurou de modo que só o adolescente ouvisse- Eu posso dar um jeito.
- Não, não pode! –o loiro gemeu- Hã, Ren... Você falou com a vampira, não é? O que ela disse sobre a morte do Kuran?
- Absolutamente nada. Ela só chorava e falava que queria morrer, o resto eu deduzi.
- E os outros do grupo? Encontraram alguma coisa que prove o que aconteceu?
- Não sei, mas talvez o Kaito tenha algo em seu arquivo de memória. Os aparelhos detectariam qualquer rastro de sangue que eventualmente estivesse no local. Sem contar que era muito longe para o sem noção aí ir se arrastando até sua casa.
- Eu sei, eu sei... Ele não matou esses vampiros, não é mesmo, Touga?
- Mas vamos ter que provar isso, Cross.
- Sim, vamos ter que provar, e é bom já irmos pensando como, afinal, alguém aqui vai ter que o representar na reunião.
- Eu...
- Você pode me representar, Rika?
- Hã? Mas eu pensei que o Ren...
- Acredite, confio mais em você para isso.
- Está bem. –sorriu- Agora, para isso, você vai ter que me contar o que aconteceu ontem direitinho, tintin por tintin.
Cross olhou para o companheiro, que balançou a cabeça. Não deixaria ele assumir a culpa. Pro inferno com a Kuran, com Kiryuu e com Ichigure, ninguém ia tocar em um fio de cabelo do seu amado amigo de infância.
- Um nível B. Muito forte, tinha uma espécie de poder psíquico.
- Yagari, você sabe muito bem que só os sangue-puros tem poderes...
- Psíquico no sentido de telecinético, Ren.
- Não foi um objeto voador que te quebrou todo. Yagari, o que está acontecendo?
- Era mais de um talvez, eu não sei, não vi. Atirei na direção do que me atingiu e me arrastei até em casa. –incrível! Como ele pode saber o que eu falei para eles, e ainda foi capaz de inventar toda essa história? Será que estamos numa sintonia tão grande? Sorriu Cross.
- Tá. Tomara que engulam essa história, se não...
- O que fazem quando matam um sangue-puro?
- Para começar que é praticamente impossível fazer isso. Sangue-puros são mais difíceis de matar do que o vírus do HIV... Quando alguém consegue, eles abafam o caso e condecoram o caçador.
- Então... Por que estamos tão preocupados?
- Oi! Terra chamando Cross! Não foi um sangue-puro morto aleatoriamente. Foram DOIS! Dois lideres! Chefes do conselho dos anciãos, não tem nem como acobertar! Você não pode ser tão idiota assim... Ai!
Yagari jogou o telefone em Kiryuu.
- Fale direito com ele, Ren. O negócio é o seguinte. Eles querem alguém para enforcar, um bode expiatório para jogarem nos braços dos vampiros, porque eles devem estar formando um levante contra nós nesse exato momento, e só vão descansar quando o “responsável” for punido. Agora me escutem. Caso esse “responsável” seja eu...
- Não, mas você...!
- Shh, me ouça, Rika. Se o “responsável” for eu, eu vou sumir. Vou ficar uns tempos fora, sei lá. Eu deixo um rastro para os vampiros não ficarem no pé da fundação e tá tudo certo.
- Não vou deixar isso acontecer!
- Ela tem razão, Touga, se acha mesmo que a gente vai deixar você assumir a culpa sozinho...
- Ren, Rika, vocês são bons amigos. Mas não confiam em mim. Vejam o Cross. Ele está falando alguma coisa?
- Ora, o Kaien tá mudo por que ficou sem palavras com essa sua solução ridícula.
- Você... Você é louco? –a voz dele mal saía- Rastro? Eles vão te encontrar e te trucidar! Touga!
- Me dêem licença um instante, por favor? –o casal assentiu e deixou Yagari a sós com Kaien.
- Você pensa que pode me convencer a te deixar fazer isso? Ainda mais ferido como está? Eu conto tudo o que houve, agüento o tranco e tudo vai acabar bem... Você não vai sair por aí sozinho, ferido e levando um monte de vampiros com você. Está pensando o que?! Deveria saber que eu, a Rika e o Kiryuu não concordaríamos nem sob ameaça de morte com uma proposta tão indecente! Ainda mais se é para você assumir a culpa de algo que não fez! Eu fiz isso, eu conserto!
- Kaien... –ele balançou a cabeça- Você realmente não me conhece. Está argumentando como se pudesse me impedir de fazer qualquer coisa.
- Por que se suicidaria dessa maneira estúpida?!
- Por você.
Kaien aceitou o beijo do amigo, fazendo o que pode para retribuir, desesperado. Não podia deixar acontecer! Tentara salvar Touga, e o perderia assim? E Juuri? Eles não teriam chances de se encontrar novamente? Ele deveria se jogar nos braços de Yagari e torcer para ele não ir embora? Devia ir com ele? Devia ir atrás de Juuri? Deveria assumir a culpa e não ver nenhum dos dois nunca mais?
Meu Deus... Por que tudo tinha que ser tão difícil? Se sentia um renegado. Não merecia Juuri, não tinha o direito de enganar Yagari, não tinha um álibi, não tinha a quem recorrer...
- O que há? –indagou, separando suas bocas- Eu gostaria que você me correspondesse, mas não dessa forma. Parece mais que está sendo torturado do que acariciado.
- Ah, Touga... Eu não faço nada direito, mesmo! Eu estou destruindo a sua vida, assim como destruí a de Juuri...
- Não diga besteiras. Tudo o que está acontecendo é o que nós dois optamos, quando você decidiu ajudar Juuri Kuran, e quando eu decidi o ajudar. Eu vou embora, e você poderá voltar para os braços da sua vampira. Tudo ficará bem.
- Não vai ficar não! Nada ficará bem se você morrer!
- Isso é uma das partes inevitáveis do final feliz, Kaien. A morte do vilão. Você sempre questionou minhas atitudes violentas e minhas respostas atravessadas, aí está o porque. Eu sou o antagonista do seu conto de fadas. Ou de vampiros, tanto faz ao seu ver. –ele sorria, com escárnio.
- Não diga isso! Você não é o vilão da minha historia! Você é só o anti-herói idiota que quer fazer tudo sozinho! Touga... Não faça isso. O que posso fazer para impedi-lo? Eu fico com você, vamos morar e trabalhar juntos! Vamos ser felizes e esquecer tudo isso. Tudo o que tem que fazer é me deixar assumir a culpa...
- Kaien. Mesmo que após assumir toda a culpa você fique vivo para fazer o que está me propondo, toda vez que eu tocar seu corpo, e vir as cicatrizes que inevitavelmente o mancharão... Não poderei viver em paz e ser feliz. Não poderei esquecer.
- E como acha que eu vou ficar sabendo que te mandei para a morte, hein? Te garanto que muito pior do que se eu tiver umas feridas pelo corpo!
- Não sabe do que está falando.
- Touga, por favor...
- Estou resoluto, Cross. Mas pense pelo lado bom. Pode ser que eles chegam a conclusão de que eu não tenho nada com isso e aí tudo ficará bem. Você retirará sua proposta e irá atrás de Juuri e eu continuarei minha vida.
- Você também não me conhece, se acha mesmo que eu te abandonaria. Enfim, estou cansado de discutir com você, Yagari. Eu estou decidido, e você não vai me impedir.
- O que...?
Ele tentou o segurar, em vão. Kiryuu entrou em seguida, querendo conversar com o outro caçador.
S2s2s2ss2s2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2s2ss2s2s2ss2
Kaien podia se ver, como se tivesse sido ontem. Juuri o recepcionando, e lembrando dele como o garoto da Rotisserie. Apenas isso. Lembrava como ficou perturbado ao ver como ela tinha se esquecido dele, e mais perturbado ainda com a aliança em seu dedo.
S2s2s2ss2s2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2s2ss2s2s2ss2
- Rido! Você matou seu pai?
- Agora eu sou o líder disso aqui, Takuma.
S2s2s2ss2s2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2s2ss2s2s2ss2
- Os vampiros não nos atacaram ainda?! Mas já faz cinco dias que estou nessa cama...
- Parece que o novo líder deles não está incomodado com a morte dos anteriores.
- O que há, Ren? Você...
- A Rika perdeu o bebê.
S2s2s2ss2s2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2s2ss2s2s2ss2
- Oi!
- Olá. Você tem um rosto bonito, menina. Bonito e conhecido.
- Eu sou atriz.
- Como é seu nome?
- Mitsune. Mitsune Shiki, devo dizer que é um prazer conhecê-lo Sr.Rido.
S2s2s2ss2s2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2s2ss2s2s2ss2
- Onde ele está? Só tinha alta hoje! –questionou para Rika, que estava em um quarto ao lado do do caçador.
- Ele foi embora. Sumiu mesmo!
S2s2s2ss2s2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2s2ss2s2s2ss2
- Haruka...
- Sim, querida?
- Eu estou grávida.
S2s2s2ss2s2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2s2ss2s2s2ss2
- Não custa chamá-lo... Fazem anos desde que vimos Rido pela ultima vez...
- Na ultima vez que o vimos, ele te atacou.
- Ele estava mal... Mas acho que já é hora de revermos nosso irmão. Que ocasião melhor que o despertar de nosso filho? Que oportunidade melhor para nos reconciliarmos do que o chamar para despertar nosso pequeno Kaname?
Haruka suspirou diante da inocência da esposa. Mas quem sabe ela estivesse certa?
S2s2s2ss2s2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2s2ss2s2s2ss2
- Mai Ichijou...
- Sim, este era o nome. Ela morreu, exposição excessiva ao sol. A encontramos hoje de manhã. Não estava nas listas, mas alguém disse que você saberia dizer quem era.
- Ela tinha um filho, não?
- Sim, um nível B. Não sabemos onde está, mas seu nome é Takuma Ichijou Neto. Seus poderes ainda são desconhecidos.
- Como sabe?
- Ela carregava isso.
Um medalhão com o nome e uma foto do bebê de cabelos loiros no colo da mãe foi posto em sua mão.
S2s2s2ss2s2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2s2ss2s2s2ss2
- Ela fez o que?!
- Um levante, senhor.
- Como uma mulher pode dar tanto trabalho? Tragam-na aqui. Custe o que custar.
S2s2s2ss2s2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2s2ss2s2s2ss2
- Kaien!
- Rika?!
- Meus filhos nasceram!
- Filhos?
- São gêmeos!
S2s2s2ss2s2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2s2ss2s2s2ss2
- Ajoelhe-se e peça perdão, Shizuka. Essa é sua ultima oportunidade!
- Nunca, Rido. Nunca. Fique ao lado de quantas vadias quiser, afinal, nunca tivemos um relacionamento sério, mas eu vou liderar meus aliados contra você enquanto estiver viva!
- Matá-la seria realmente uma pena... Por isso fiz algo especialmente para você. Tragam. –uma jaula de 1X1m foi trazida e Shizuka foi jogada lá- Enfiem essa coisa no buraco mais escuro e isolado que encontrarem. Minha paciência acabou.
Riu, abraçando a cintura de Mitsune.
S2s2s2ss2s2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2s2ss2s2s2ss2
- Touga!
- Kaien... Não esperava te encontrar aqui.
- Onde esteve? –estranhou ver o amigo se esquivar do seu abraço.
- Por aí. Só voltei porque o Ren me escolheu para ser Mestre dos filhos dele. Eles não confiam mais na Associação.
- É por isso que estou saindo de lá. Estou me aposentando como caçador.
S2s2s2ss2s2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2s2ss2s2s2ss2
- Juuri, você está bem?
- Não, Haruka. Nossa filha... Temos que esconde-la... Isolá-la... Não vamos deixar que Rido faça com ela o que está fazendo com Kaname...
- Ele quer nos destruir, Juuri. Mas eu não permitirei que obtenha êxito.
Juuri olhou com admiração para o marido. Ele crescera tanto! Era um homem forte e corajoso, que fazia tudo por sua família.
- Ela é a sua cara. –riu, olhando para filha e beijando a testa da esposa.
S2s2s2ss2s2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2s2ss2s2s2ss2
- Kaien!
- É seu filho, não é, Juuri?
- Kaien Cross... –ela estava atônita. Seu filho estava ensangüentado, e um garoto, agora um homem, que conhecera no passado o trazia pela mão.
- Tome mais cuidado se não quiser a Associação toda atrás de vocês. Estou fazendo isso em sua consideração.
- A... Associação?
- Você não se lembra. Mas eu sou um caçador.
- Por que está fazendo isso? Por que privilegia minha prole?
- Porque eu ainda te amo, Juuri. A propósito, ela é sua cara.
Disse, olhando o bebê que lhe sorria por entre os braços da mãe.
- Espere, Kaien! Kaien Cross!
Mas ele tinha se ido.
S2s2s2ss2s2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2s2ss2s2s2ss2
- Não se preocupe. Não pretendo machucá-lo.
- Está muito só aqui, não é mesmo? Você é muito bonita para ficar enjaulada, moça.
- E você é muito gentil para ser minha janta. Prazer, meu nome é Shizuka Hiou.
S2s2s2ss2s2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2s2ss2s2s2ss2
- Ele foi atacado por uma nível E...
- E como ele está? E o Zero?!
- O Zero está bem... Mas o Yagari perdeu um olho.
S2s2s2ss2s2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2s2ss2s2s2ss2
- Você não vai encostar na minha família nunca mais...
S2s2s2ss2s2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2s2ss2s2s2ss2
- Ele fez o que...? –Cross estava aterrado.
- Os matou. A todos. Kaien Cross, você foi amigo da minha mãe, salvou minha vida quando eu era uma criança manipulada por Rido Kuran... Soube que pretende fundar uma escola.
- Sim, sim, é verdade... Ah, Juuri...
- Por favor. Cuide de minha irmã.
- Claro, Kaname. Sabe que pode contar comigo, ainda mais agora que está indo atrás do seu tio.
- Não me lembre que temos o mesmo sangue... Por falar em lembrar... Os últimos esforços de minha mãe foram gastos a transformando em uma semi-humana. Ela ainda não foi despertada, Kaien.
- Compreendo.
S2s2s2ss2s2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2s2ss2s2s2ss2
- Rika... Ren... –olhou desolado para os corpos destruídos dos amigos- Você sempre soube que acabaria assim, não é, Ren?
Questionou, tirando os óculos para enxugar as lágrimas que corriam, ao mesmo tempo em que fechava as pálpebras do rapaz estendido no chão que não tinha mais do que trinta anos.
Se encaminhou até o garotinho cujo pescoço estava embebido em sangue, sem ter coragem de olhar para a mulher cujo pescoço estava em um estado ainda pior.
De pensar que não os via há cinco anos. O menino tinha desmaiado...
- Zero... O que houve? Você perdeu tanto sangue... Onde está seu irmão? E onde está Yagari quando precisamos dele?
Suspirou, pegando o garoto no colo e indo até a viatura da polícia.
O mínimo que podia fazer pelo casal Kiryuu agora era criar um de seus filhos, e buscar pelo outro.
S2s2s2ss2s2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2s2ss2s2s2ss2
- Não consegui ser franco com você... Deve ter se assustado muito com o que aconteceu, não é? Desculpe-me, Yuuki... Originalmente ele era um ser humano. Até quatro anos atrás, quando sua família foi atacada por vampiros... Só ele sobreviveu.
S2s2s2ss2s2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2s2ss2s2s2ss2
- Venha trabalhar comigo!
- Com os vampiros? Kaien...
- Faz anos que não nos vemos... Ora Touga, você vai dar aula de Economia para eles, vai poder matá-los de tédio! Vamos, há quantos anos não vê o Zero, por exemplo? Não sente saudades?
- Ele é um deles, agora, Kaien.
- Yagari!
S2s2s2ss2s2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2s2ss2s2s2ss2
- Você atirou nele!
- Ele estava mordendo a garota.
- Yuuki sabe se virar.
- Sabe, Cross... Essa menina me lembra muito a vampira. Juuri era seu nome, não?
- Não sei do que está falando.
S2s2s2ss2s2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2s2ss2s2s2ss2
- Eu tenho que pedir sua permissão. Acha seguro deixá-la entrar?
- Por mim está bem. Ela não está nem mesmo em seu corpo original. Mas, se não quiser arriscar, a escola é sua.
- Kaname... Eu posso ver em seus olhos que essa permissão está carregada de segundas intenções. Não sei o que realmente deseja, mas, por hora, permitirei a entrada dela.
S2s2s2ss2s2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2s2ss2s2s2ss2
- Matar uma sangue-puro... Seu destino será negro, Kaname Kuran.
S2s2s2ss2s2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2s2ss2s2s2ss2
- Ela morreu, Kaname. Não quero brigas com o Conselho dos Anciãos.
- Eu não me responsabilizo por isso. Já falou com Zero Kiryuu? Afinal, ele tinha muitos motivos para desejar a morte de Hiou.
- Eu sei que não foi o Zero, Kaname. Se você se recusa a me contar... Mas eu repito. Não quero problemas com o Conselho.
- Não os terá.
S2s2s2ss2s2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2s2ss2s2s2ss2
- Preciso de sua autorização para o deixar entrar, Zero.
- Deixe. –o rapaz de cabelos prateados tinha os olhos da mãe... E estava dando ombros para o fato de seu gêmeo estar querendo entrar no colégio. Como um coração tão magoado pode suportar essas situações? Se perguntou.
S2s2s2ss2s2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2s2ss2s2s2ss2
- Até que meu filho é bonito... Pena que seja tão fraco... Mas terei meu corpo original em breve, não é Ichijou?
S2s2s2ss2s2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2s2ss2s2s2ss2
- Rido está aqui, Cross.
- Eu sei.
- É um levante, ele está reunindo o Conselho.
- Eu sei.
- Ele veio buscar a Yuuki.
- ...
- Não permitirei.
- Faça o que for necessário.
- Se eu tiver que a despertar...
- Eu disse... –pronunciou, lentamente, de olhos fechados- O que for necessário.
S2s2s2ss2s2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2s2ss2s2s2ss2
- A que ponto você chegou... Zero...
- Yagari?
- Olá, Cross.
- Está em um nível incontrolável...
- Ele resistiu bravamente.
Olhavam para o jovem acorrentado a parede.
- Hum... Vejo que ainda guarda alguma afeição por ele.
- Senão não estaria aqui. Ouviu isso?
- É o Conselho. Vieram buscá-lo. Rido pretende dar um golpe enquanto os outros estão distraídos, punindo o caçador responsável pela morte da ultima Hiou.
- Isso não é bom.
- Não, não é. –ainda mais se ele for atrás de Yuuki, pensou. Com Kaname fora e Zero neste estado... Ah, Juuri... –Eles vão invadir a escola.
- O que?! E os alunos diurnos?
- Não posso deixar ninguém se ferir, assim como não posso contar com a ajuda da Associação.
- O que fará, Kaien?
- Despertar algo que eu poderia jurar que nunca mais seria capaz... Fairness Blade.
O olho azul de Yagari o encarou, surpreso. Nas mãos de Kaien estava sua espada, a lâmina caçadora ainda brilhava, ainda mais diante da possibilidade de atravessar novamente os seres noturnos.
S2s2s2ss2s2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2s2ss2s2s2ss2
- Ichiro...
- Eu tentei matá-lo... Vingar a memória de minha Senhora... Shizuka... Ele acabou com a vida dela... Mas você sempre foi melhor caçador que eu...
- O que você fez?!
- Eu vou morrer... –ele sorria levemente- Não desperdice meu sangue, Zero...
S2s2s2ss2s2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2s2ss2s2s2ss2
- Quando mordi sua mãe, Juuri... Yuuki... –como eram parecidas... Nem mesmo ele sabia dizer quem era quem... Talvez fosse sua vontade de poder matar ele mesmo a irmã que o impelisse a acreditar que Yuuki era Juuri...- Ela chamava por Haruka... Vamos, Yuuki. Implore! Chame por quem você ama!
S2s2s2ss2s2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2s2ss2s2s2ss2
- Kaname... Bem a tempo...
- Estava resolvendo um problema com o Conselho...
Um clarão os cegou momentaneamente.
- O que...?
- Isso... Nenhuma arma caçadora é capaz de produzir tal clarão.
- Nem mesmo os vampiros podem fazê-lo...
S2s2s2ss2s2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2s2ss2s2s2ss2
- Se você fosse realmente uma vampira... Me morderia agora.
S2s2s2ss2s2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2s2ss2s2s2ss2
- E eu escolhi proteger você, Kaname.
S2s2s2ss2s2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2s2ss2s2s2ss2
- Muito obrigada, muito obrigada por tudo, diretor!
- Venham me visitar!
- Claro! –ela sorria, fechando os olhos, gesto que adquirira dele.
Como se parecia com Juuri... Amava Yuuki como se ela fosse sua filha... Como se Juuri não tivesse se casado com Haruka, e sim com ele, apesar de não sentir o mesmo por Kaname. Talvez pelo fato do rapaz lhe lembrar o pai.
- Posso falar a sós um pouco com o Kaname, Yuuki?
- Hanrrã... Até algum dia... Papai!
Ele sorriu para ela, mas estava sério quando encarou o outro Kuran.
- Se em algum momento... Por sua causa aquele sorriso se apagar do rosto de Yuuki, eu irei atrás de você, Kaname. Eu o matarei.
- Não se preocupe, Cross. Vou cuidar bem de minha irmãzinha.
- Sim, é bom mesmo. –ele re-adotou o comum tom brincalhão- Boa viagem para vocês!
S2s2s2ss2s2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2s2ss2s2s2ss2
- Só agora... Só agora seu reinado de horror está completamente destruído, Nobuhiro. Você atormentou Rido, que feriu Shizuka, que desvirtuou Ichiro... Só agora... Depois de tantas mortes desnecessárias... Seu reino chegou ao fim.
Murmurou, após todas as lembranças, vendo o vulto do casal Kuran e seus fiéis seguidores, Aidou, Akatsuki e Souen, sumindo no horizonte.
- Falando sozinho, Cross?
- Yagari?
- Os caçadores estão dando um jeito nos escombros, eu vim ver como você está. Acabou de perder sua filha, não é?
- Você sabe que ela não...
- Yuuki era o ultimo elo entre você e Juuri. Como está se sentindo?
- Um egoísta por querer que ela fique aqui, quando está tão feliz ao lado do Kaname.
- Eu sempre soube que terminaria assim. Desde que eu vim para essa escola. Você se ligou demais a essa criança. Por falar em nossos pupilos, temos que encontrar Zero e os alunos do período noturno que ainda estão aqui. Os caras que vieram acabam de deixar a Associação, mas avisaram que os melhores estão vindo atrás da nossa escola. Eles não vão ser clementes, nosso segredo vazou.
- Ótimo, mais lutas...
- Não se conseguirmos sumir com os vampiros daqui antes deles chegarem.
- Você é genial, Yagari!
- Vai demorar um pouco, mas acho que até o ano que vem poderemos reabrir as matriculas para o período noturno. Vai ficar tudo bem agora, Kaien...
Em um gesto que surpreendeu o próprio Touga, que costumava se manter afastado de Cross para não o incomodar, Kaien puxou o moreno, fechando seus dedos com força entre os dedos dele e colando suas bocas. Finalmente tinha compreendido! Para ficar com Yagari, não tinha que deixar a memória e os sonhos de Juuri para trás.
Tinham muito, muito o que fazer, e como o próprio Yagari dissera sem perceber, agora a escola era dos dois e tinham um futuro e um relacionamento bom e duradouro pela frente, depois de muita luta e incompreensão(como o Kaien, msm sendo O KAIEN, ia consertar a porta arrombada?!)...
- Não vai bater? –perguntou Shizuka, de modo aluado e desinteressado, no seu próprio jeito de ser.
- Só se for na cara do meu pai. Vou tirar Juuri daí nem que seja a ultima coisa que eu faça.
- Rido... –ela pôs sua pequena mão num dos ombros largos do rapaz- Tome cuidado. Meu pai ainda deve estar te tocaiando.
- Está preocupada comigo, Srita.Shizuka?
- Não exatamente... –ela suspirou- Mas tome cuidado!
- Me espere aqui. Teremos que sair rapidamente, e é melhor você ficar fora do caminho. Para não se machucar.
- Está preocupado comigo, Rido?
- Sim. –ele estava sério, apesar de um pouco enrubescido- Me espere.
- Estou esperando.
Rido entrou na casa, mas parou no hall de entrada que dava para a sala. Na sala Haruka e Juuri se encontravam sentados, se beijando. Se beijando apaixonadamente.
- ...Juuri...
- Rido! –o rosto dela ruborizou levemente- Irmão querido! Porque não nos informou que nos visitaria? Teria preparado alguma coisa. Ainda não temos nossa própria casa, mas faço questão de receber bem meus convidados. Não é, amor?
- Claro, querida. –os olhos de Haruka não se desviavam de Rido. Não sabia como o irmão reagiria a nova disposição de espírito de sua esposa.
- Ou veio visitar a mamãe? Porque duvido que tenha vindo visitar o papai. –o sorriso límpido... O sorriso que era só dele... Por que... Por que estava lhe dirigindo a Haruka? Por que?!
Por que o beijava com aqueles lábios que eram só seus? Por que o acariciava com aquelas mãos que eram só suas? Por que...? Por que?!
Haruka observou, chocado, o olho castanho do irmão assumir nuances vermelhas, até o par de seu olho azul como o céu se tornar vermelho. Vermelho como o sangue e injetado como o de um louco.
- Rido...? –Juuri soltou o braço de Haruka e deu passos tímidos até o irmão mais velho.
- Não. –Haruka a segurou pelo braço- Não é mais o Rido. Não o Rido que você conhece e admira.
- Como assim...?
Mas a mão de Haruka foi arrancada da sua e, em instantes, ele e Rido estavam se agredindo ferozmente, rolando pelo chão.
- NÃO! HARUKA!
Shizuka entrou apressadamente, com seus passos flutuantes. Algo saíra errado.
O patriarca dos Kuran desceu rapidamente as escadarias, entrando na luta, antes que Shizuka ou Juuri pudessem fazer alguma coisa.
Juuri tentava desesperadamente separá-los, mas o cheiro de páprica invadiu as narinas de predadora de Shizuka antes dela se intrometer na luta dos Kuran, e ela apenas olhava para a porta, esperando a hora de sua própria família entrar na dança. A hora que mais desejara, mostrar ao pai o quanto era superior a ele. Não apenas em força, muito pelo contrário. Como era uma vampira melhor, uma pessoa melhor.
Mas Nobuhiro foi mais rápido que a filha, se jogando diretamente contra Rido, mordendo seu rosto.
Rido se livrou, conseguindo fazer estrago suficiente para tirar o pai da luta. Sua mãe gritara alguma coisa que ele não ouvira. Não tinha mais mãe. Não tinha mais família. Não tinha mais ninguém.
Acertou o tronco de Haruka com uma rajada de energia psíquica, o transpassando. Ouviu Juuri gritar. Gritar de dor por Haruka. Não pode ver nada, apenas atacou. Acabava de se tornar, de um adolescente rebelde, um monstro frio e sádico, de dentro do qual nunca retornaria. Nunca mais seria Rido Kuran que tinha sentimentos. Nunca mais.
Era digno do padrinho, cujas presas estavam em seu ombro no exato momento. No momento seguinte, Hiro estava longe, sendo atacado com fúria, mas não com selvageria, por Shizuka.
Estava livre, desimpedido. A sua frente, estava Juuri Kuran. Engraçado... Esse nome lhe lembrava algo que ele não tinha muita certeza. Mas que lhe despertava a raiva.
Avançou sobre ela, a sufocando com uma mão, e a mordendo com outra. Se quer bebia o sangue. Queria apenas vê-lo jorrar, com a vantagem de também se alimentar. Uma besta sedenta de sangue. Rido? Rido Kuran? Quem seria essa pessoa? Só podia ouvi-la chamar pelo marido. Haruka era o nome dele. Desespero. Podia senti-lo no sangue dela, e isso o agradava.
Haruka se recuperara e, deixando todo e qualquer sentimento para trás, transpassou o irmão com muito mais furor do que ele o transpassara.Seguidamente.
Juuri caiu no chão, em um baque surdo. Estava perdendo muito sangue.
O patriarca Kuran estava morto. Hiro ria, extasiado.
- O que você...?
- Não percebe? Ele é como eu. Eu sempre soube que seria. Por isso estava o preparando... O treinando...
- O que?! Pai... Você é um monstro...
- Não seja tonta! –ele cuspiu no rosto dela- Eu sou forte! E no futuro, todos serão como eu! Os frágeis e românticos, como você, serão destruídos!
- Eu... Tenho vergonha de ser sua herdeira.
- Então morra! Morra para que eu não me envergonhe de ter uma herdeira como você! –ele fez menção de morder sua jugular, mas Shizuka foi mais rápida.
Afundou suas presas na traquéia do pai, as prendendo firmemente, desesperada com o ponto que chegaram, pelo o que estava sento obrigada a fazer. Por reafirmas as crenças do pai ao escolher ferir à ser ferida. Puxou a cabeça para trás, como um animal, levando com sigo uma parte da traquéia do pai que ela quebrara, ao mesmo tempo em que atravessava seu coração. O matou, ao mesmo tempo em que matou algo dentro de si. Prometeu nunca mais ser passiva, nunca mais ser observadora de sua própria vida. Nunca mais ninguém passaria por cima de suas crenças.
Só então percebeu o que estava acontecendo ao seu redor. Se ajoelhou ao lado de Juuri, fechando seu ferimento, voltando sua atenção para Rido. Ele lutava com Haruka, não prestava atenção nela, então o derrubou, atingindo sua nuca, e o arrastou para longe. Depois disso tudo, as coisas seriam ainda mais difíceis para os renegados.
Quando acordou novamente, o cheiro de flor de cerejeira invadiu as narinas do ser que um dia se chamou Rido. Estava recobrando, levemente, a consciência do que acontecera.
- Por que fez isso? –por um instante a adolescente achou que tinha salvado a pessoa errada. A voz não era a de Rido. A voz era de um Hiou, o Hiou que ela mais odiava na face da Terra. A voz de Nobuhiro, seu pai.
- Salvei sua família porque você estava fora de si!
- Ora, Shizuka... –ele zombou- Eu nunca estive tão consciente de meus atos quanto naquele momento.
- Rido...
- Esta chocada? Ora querida, eu sou o futuro! Todos serão como eu!
- Hiro... Você realmente conseguiu...
- Não chore, tolinha. Se se curvar sob meu império, eu vou ser bonzinho com você. –ele acariciou o rosto dela, sem se incomodar em se posicionar de maneira mais digna, uma vez que estava no colo da menina- Aceita?
- Rido!
- Por que está tão indignada? Tudo que tem de fazer é se ajoelhar e me pedir perdão por ter estragado minha diversão lá na mansão dos Kuran, e estaremos bem. Eu posso até te retribuir, sei ser bonzinho com quem merece, e você não é de se jogar fora. –ele se sentou, beijando seus lábios de criança levemente.
Shizuka se levantou, o empurrando para longe.
- Não seja idiota. Eu não vou me curvar a ninguém, Rido. Não me curvei ao meu pai, não vou me curvar a você e nem a ninguém!
- Não me irrite, Shizuka. Com a morte de nossos pais e nosso noivado, estou assumindo a liderança do Conselho dos Anciãos. Seja esperta e fique comigo, se não quiser ser aniquilada como uma humana.
- Esse é seu grande plano? Destruir os humanos?
- Os humanos, e a linhagem Kuran. Serei o único a possuir o titulo de rei dos sangue-puros.
- Então vai matar seus irmãos e sua mãe... Porque eles ameaçam sua hegemonia?!
- Sim. –ele respondeu com desinteresse.
- Não sabia que era tão inseguro... Um homem da sua idade... Com medo dos irmãos mais novos... –ela se aproximou lentamente, até estar em frente a ele.
Em um movimento rápido, dirigiu seus dentes afiados para a traquéia do vampiro, que, em um movimento ainda mais rápido, a segurou pelo pescoço, a elevando até ela não mais poder tocar o chão.
Ele ria alucinadamente.
- Eu não sou seu pai, Shizuka! Não pode fazer comigo o que fez com ele. Você é muito tola, Shizuka, inocentemente tola. E eu não sou idiota, mas sinto algo em você... Você pode ser como eu... Seremos felizes. –riu, a beijando, mais profundamente desta vez, sem soltar o pescoço da vampira.
Ela mordeu o lábio inferior dele, desesperada, e ele parou de beijá-la. Parou porque estava gargalhando.
- Você se tornou um monstro! Por favor, Rido, não faça isso... Se seguir esse caminho, nem eu poderei te salvar.
- Você é adorável, Shizuka, uma monstrinha adorável! Tão novinha... Eu te desvirtuaria agora mesmo se você não fosse tão teimosa. Mas tudo bem, seu pai levou anos para me tornar o que eu sou. Terei paciência com você. Agora peça desculpas.
- Jamais!
Rido balançou a cabeça, negativamente.
- Resposta errada.
Ele a jogou contra a parede, na qual ela bateu, gemendo baixinho, e caiu, inconsciente.
- Agora, vamos ao que realmente interessa.
S2s2s2s2ss2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2s2ss2s2s2ss2ss2s2s2ss2s2s2s2ss2s2s2s2s2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2ss2
- Olá. Boa tarde, Kaien. Kaien! –ela o cutucou.
- Hum... Oi, Rika!
- Você esta sendo convocado. Desculpe ter que acordá-los, mas é que realmente...
- Acordá-los?! –Kaien deu um pulo, vendo Touga sentado na cama ao seu lado- Touga...
- Kaien.
- Por que o acordaram? Não dá pra ver que ele está em recuperação?!
- Mataram sangue-puros, Kaien, e precisamos saber quem foi. –Touga foi direto, fazendo os joelhos de Kaien desmontarem.
- Ma... Mataram sangue-puros?
- Sim. E estamos todos convocados. –Ren saiu das sombras, se pronunciando- Afinal, eles virão em massa vingar a morte de seus líderes.
- Não podemos dizer que tenha sido um azar, porque seja lá quem foi, matou dois coelhos em uma só cajadada. –suspirou Ichigure.
- Estavam no mesmo local. Foi uma luta feia, tinha sangue espalhado por todo lado, e nossos instrumentos constataram a morte e desfragmentação de dois sangue-puros no lugar. Já identificaram. Quem fez isso, conseguiu se livrar dos dois lideres do conselho dos anciãos de uma só vez. –Yagari esclareceu- A história esta correndo como água na peneira.
- É? –Kaien estava surpreso e aliviado. Com certeza Juuri não era um dos lideres do Conselho- Quem eram, afinal?
- Nobuhiro Hiou e Caribdes Kuran.–disse o moreno, encarando os olhos arregalados do loiro- Os patriarcas das famílias. Por sinal, corre um boato de que Nobuhiro seria o ultimo Hiou.
- E os Kuran? –Kaien reassumiu seu ar sério e desinteressado, apenas Touga sabia o que se passava por trás dos olhos cor de mel de seu companheiro.
- Não há muitos registros sobre eles. Seu filho, Rido, quase foi para nossa lista, mas não conseguimos provar que ele era o autor dos ataques. É um animal esperto. –resmungou Ren.
- A mulher de Caribdes foi encontrada e exterminada pelo nosso grupo de investigação.
- MATARAM MAIS SANGUE-PUROS?! Essa instituição vai ser destruída... –gemeu, se sentando novamente.
- Não vai não. Ela praticamente implorou que eu a matasse. O marido era seu pilar, sua base. Ele a despertara, ela não sabia viver sem ele. E eu posso ser caridoso com os monstros às vezes, a matei de uma só vez.
- Nossa Ren, você é realmente muito gentil! –Rika não amava os vampiros, mas não gostava quando Ren falava assim. Qualquer criatura, por mais baixa que seja, deve ser respeitada. A vampira, apesar de ser o que era, tinha sentimentos.
- Cara... Que não saibam disso... Ou você vai ser caçado até o fim dos tempos... –Kaien se preocupou.
- Ele é um idiota. Não pensa na sua esposa? No seu filho?
- Filho?
- Eu tô grávida, Kaien. –ela suspirou- Fiz o teste essa manhã.
- Por que?
- Eu tive um sonho... Achei melhor ver no que dava... Deu positivo. Duas vezes.
- Isso não podia ter acontecido... Ai! –Yagari jogou o controle remoto da TV na cara do amigo, que suspirou- Touga, você sabe como vivemos...
- Cale a boca, idiota!
- Meus parabéns! –Cross desejou, fechando os olhos e sorrindo. Mas seu sorriso estava triste.
- Kaien.
- Eu? –seus olhos estavam rasos d’água.
- Vem aqui. –Yagari bateu numa parte do colchão que estava vazia.
O adolescente obedeceu, sentindo os dedos longos de seu amigo percorrem suas costas em um abraço reconfortante.
Rika e Ren se entreolharam. Não estavam entendendo nada daquele gesto, e se sentiam verdadeiros intrusos. Kaien tinha dito que não estava com Touga, e que estava bem, mas então, o que significava tudo aquilo? Um gesto de compaixão? Por parte de quem?
Tudo isso impeliu Ren a abraçar a cintura de sua noiva, sussurrando em seu ouvido um pedido de desculpas.
- Tudo isso é muito lindo, mas temos uma crise de verdade por aqui, rapazes. –Rika exclamou- E você sabe que a situação não está nada boa pro seu lado, Yagari.
- Eu sei. –ele disse baixinho, sem soltar o outro.
- Como assim?
- Kaien, você mesmo disse, ele enfrentou um vampiro que o deixou neste estado, e se ele não enfrentou um? E se ele enfrentou dois vampiros ao mesmo tempo? Vão fazer exame do corpo de delito nele, se tiver um resquício qualquer de energia psíquica no corpo dele... Não sei o que pode acontecer.
- Fique calmo. –o moreno murmurou de modo que só o adolescente ouvisse- Eu posso dar um jeito.
- Não, não pode! –o loiro gemeu- Hã, Ren... Você falou com a vampira, não é? O que ela disse sobre a morte do Kuran?
- Absolutamente nada. Ela só chorava e falava que queria morrer, o resto eu deduzi.
- E os outros do grupo? Encontraram alguma coisa que prove o que aconteceu?
- Não sei, mas talvez o Kaito tenha algo em seu arquivo de memória. Os aparelhos detectariam qualquer rastro de sangue que eventualmente estivesse no local. Sem contar que era muito longe para o sem noção aí ir se arrastando até sua casa.
- Eu sei, eu sei... Ele não matou esses vampiros, não é mesmo, Touga?
- Mas vamos ter que provar isso, Cross.
- Sim, vamos ter que provar, e é bom já irmos pensando como, afinal, alguém aqui vai ter que o representar na reunião.
- Eu...
- Você pode me representar, Rika?
- Hã? Mas eu pensei que o Ren...
- Acredite, confio mais em você para isso.
- Está bem. –sorriu- Agora, para isso, você vai ter que me contar o que aconteceu ontem direitinho, tintin por tintin.
Cross olhou para o companheiro, que balançou a cabeça. Não deixaria ele assumir a culpa. Pro inferno com a Kuran, com Kiryuu e com Ichigure, ninguém ia tocar em um fio de cabelo do seu amado amigo de infância.
- Um nível B. Muito forte, tinha uma espécie de poder psíquico.
- Yagari, você sabe muito bem que só os sangue-puros tem poderes...
- Psíquico no sentido de telecinético, Ren.
- Não foi um objeto voador que te quebrou todo. Yagari, o que está acontecendo?
- Era mais de um talvez, eu não sei, não vi. Atirei na direção do que me atingiu e me arrastei até em casa. –incrível! Como ele pode saber o que eu falei para eles, e ainda foi capaz de inventar toda essa história? Será que estamos numa sintonia tão grande? Sorriu Cross.
- Tá. Tomara que engulam essa história, se não...
- O que fazem quando matam um sangue-puro?
- Para começar que é praticamente impossível fazer isso. Sangue-puros são mais difíceis de matar do que o vírus do HIV... Quando alguém consegue, eles abafam o caso e condecoram o caçador.
- Então... Por que estamos tão preocupados?
- Oi! Terra chamando Cross! Não foi um sangue-puro morto aleatoriamente. Foram DOIS! Dois lideres! Chefes do conselho dos anciãos, não tem nem como acobertar! Você não pode ser tão idiota assim... Ai!
Yagari jogou o telefone em Kiryuu.
- Fale direito com ele, Ren. O negócio é o seguinte. Eles querem alguém para enforcar, um bode expiatório para jogarem nos braços dos vampiros, porque eles devem estar formando um levante contra nós nesse exato momento, e só vão descansar quando o “responsável” for punido. Agora me escutem. Caso esse “responsável” seja eu...
- Não, mas você...!
- Shh, me ouça, Rika. Se o “responsável” for eu, eu vou sumir. Vou ficar uns tempos fora, sei lá. Eu deixo um rastro para os vampiros não ficarem no pé da fundação e tá tudo certo.
- Não vou deixar isso acontecer!
- Ela tem razão, Touga, se acha mesmo que a gente vai deixar você assumir a culpa sozinho...
- Ren, Rika, vocês são bons amigos. Mas não confiam em mim. Vejam o Cross. Ele está falando alguma coisa?
- Ora, o Kaien tá mudo por que ficou sem palavras com essa sua solução ridícula.
- Você... Você é louco? –a voz dele mal saía- Rastro? Eles vão te encontrar e te trucidar! Touga!
- Me dêem licença um instante, por favor? –o casal assentiu e deixou Yagari a sós com Kaien.
- Você pensa que pode me convencer a te deixar fazer isso? Ainda mais ferido como está? Eu conto tudo o que houve, agüento o tranco e tudo vai acabar bem... Você não vai sair por aí sozinho, ferido e levando um monte de vampiros com você. Está pensando o que?! Deveria saber que eu, a Rika e o Kiryuu não concordaríamos nem sob ameaça de morte com uma proposta tão indecente! Ainda mais se é para você assumir a culpa de algo que não fez! Eu fiz isso, eu conserto!
- Kaien... –ele balançou a cabeça- Você realmente não me conhece. Está argumentando como se pudesse me impedir de fazer qualquer coisa.
- Por que se suicidaria dessa maneira estúpida?!
- Por você.
Kaien aceitou o beijo do amigo, fazendo o que pode para retribuir, desesperado. Não podia deixar acontecer! Tentara salvar Touga, e o perderia assim? E Juuri? Eles não teriam chances de se encontrar novamente? Ele deveria se jogar nos braços de Yagari e torcer para ele não ir embora? Devia ir com ele? Devia ir atrás de Juuri? Deveria assumir a culpa e não ver nenhum dos dois nunca mais?
Meu Deus... Por que tudo tinha que ser tão difícil? Se sentia um renegado. Não merecia Juuri, não tinha o direito de enganar Yagari, não tinha um álibi, não tinha a quem recorrer...
- O que há? –indagou, separando suas bocas- Eu gostaria que você me correspondesse, mas não dessa forma. Parece mais que está sendo torturado do que acariciado.
- Ah, Touga... Eu não faço nada direito, mesmo! Eu estou destruindo a sua vida, assim como destruí a de Juuri...
- Não diga besteiras. Tudo o que está acontecendo é o que nós dois optamos, quando você decidiu ajudar Juuri Kuran, e quando eu decidi o ajudar. Eu vou embora, e você poderá voltar para os braços da sua vampira. Tudo ficará bem.
- Não vai ficar não! Nada ficará bem se você morrer!
- Isso é uma das partes inevitáveis do final feliz, Kaien. A morte do vilão. Você sempre questionou minhas atitudes violentas e minhas respostas atravessadas, aí está o porque. Eu sou o antagonista do seu conto de fadas. Ou de vampiros, tanto faz ao seu ver. –ele sorria, com escárnio.
- Não diga isso! Você não é o vilão da minha historia! Você é só o anti-herói idiota que quer fazer tudo sozinho! Touga... Não faça isso. O que posso fazer para impedi-lo? Eu fico com você, vamos morar e trabalhar juntos! Vamos ser felizes e esquecer tudo isso. Tudo o que tem que fazer é me deixar assumir a culpa...
- Kaien. Mesmo que após assumir toda a culpa você fique vivo para fazer o que está me propondo, toda vez que eu tocar seu corpo, e vir as cicatrizes que inevitavelmente o mancharão... Não poderei viver em paz e ser feliz. Não poderei esquecer.
- E como acha que eu vou ficar sabendo que te mandei para a morte, hein? Te garanto que muito pior do que se eu tiver umas feridas pelo corpo!
- Não sabe do que está falando.
- Touga, por favor...
- Estou resoluto, Cross. Mas pense pelo lado bom. Pode ser que eles chegam a conclusão de que eu não tenho nada com isso e aí tudo ficará bem. Você retirará sua proposta e irá atrás de Juuri e eu continuarei minha vida.
- Você também não me conhece, se acha mesmo que eu te abandonaria. Enfim, estou cansado de discutir com você, Yagari. Eu estou decidido, e você não vai me impedir.
- O que...?
Ele tentou o segurar, em vão. Kiryuu entrou em seguida, querendo conversar com o outro caçador.
S2s2s2ss2s2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2s2ss2s2s2ss2
Kaien podia se ver, como se tivesse sido ontem. Juuri o recepcionando, e lembrando dele como o garoto da Rotisserie. Apenas isso. Lembrava como ficou perturbado ao ver como ela tinha se esquecido dele, e mais perturbado ainda com a aliança em seu dedo.
S2s2s2ss2s2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2s2ss2s2s2ss2
- Rido! Você matou seu pai?
- Agora eu sou o líder disso aqui, Takuma.
S2s2s2ss2s2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2s2ss2s2s2ss2
- Os vampiros não nos atacaram ainda?! Mas já faz cinco dias que estou nessa cama...
- Parece que o novo líder deles não está incomodado com a morte dos anteriores.
- O que há, Ren? Você...
- A Rika perdeu o bebê.
S2s2s2ss2s2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2s2ss2s2s2ss2
- Oi!
- Olá. Você tem um rosto bonito, menina. Bonito e conhecido.
- Eu sou atriz.
- Como é seu nome?
- Mitsune. Mitsune Shiki, devo dizer que é um prazer conhecê-lo Sr.Rido.
S2s2s2ss2s2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2s2ss2s2s2ss2
- Onde ele está? Só tinha alta hoje! –questionou para Rika, que estava em um quarto ao lado do do caçador.
- Ele foi embora. Sumiu mesmo!
S2s2s2ss2s2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2s2ss2s2s2ss2
- Haruka...
- Sim, querida?
- Eu estou grávida.
S2s2s2ss2s2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2s2ss2s2s2ss2
- Não custa chamá-lo... Fazem anos desde que vimos Rido pela ultima vez...
- Na ultima vez que o vimos, ele te atacou.
- Ele estava mal... Mas acho que já é hora de revermos nosso irmão. Que ocasião melhor que o despertar de nosso filho? Que oportunidade melhor para nos reconciliarmos do que o chamar para despertar nosso pequeno Kaname?
Haruka suspirou diante da inocência da esposa. Mas quem sabe ela estivesse certa?
S2s2s2ss2s2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2s2ss2s2s2ss2
- Mai Ichijou...
- Sim, este era o nome. Ela morreu, exposição excessiva ao sol. A encontramos hoje de manhã. Não estava nas listas, mas alguém disse que você saberia dizer quem era.
- Ela tinha um filho, não?
- Sim, um nível B. Não sabemos onde está, mas seu nome é Takuma Ichijou Neto. Seus poderes ainda são desconhecidos.
- Como sabe?
- Ela carregava isso.
Um medalhão com o nome e uma foto do bebê de cabelos loiros no colo da mãe foi posto em sua mão.
S2s2s2ss2s2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2s2ss2s2s2ss2
- Ela fez o que?!
- Um levante, senhor.
- Como uma mulher pode dar tanto trabalho? Tragam-na aqui. Custe o que custar.
S2s2s2ss2s2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2s2ss2s2s2ss2
- Kaien!
- Rika?!
- Meus filhos nasceram!
- Filhos?
- São gêmeos!
S2s2s2ss2s2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2s2ss2s2s2ss2
- Ajoelhe-se e peça perdão, Shizuka. Essa é sua ultima oportunidade!
- Nunca, Rido. Nunca. Fique ao lado de quantas vadias quiser, afinal, nunca tivemos um relacionamento sério, mas eu vou liderar meus aliados contra você enquanto estiver viva!
- Matá-la seria realmente uma pena... Por isso fiz algo especialmente para você. Tragam. –uma jaula de 1X1m foi trazida e Shizuka foi jogada lá- Enfiem essa coisa no buraco mais escuro e isolado que encontrarem. Minha paciência acabou.
Riu, abraçando a cintura de Mitsune.
S2s2s2ss2s2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2s2ss2s2s2ss2
- Touga!
- Kaien... Não esperava te encontrar aqui.
- Onde esteve? –estranhou ver o amigo se esquivar do seu abraço.
- Por aí. Só voltei porque o Ren me escolheu para ser Mestre dos filhos dele. Eles não confiam mais na Associação.
- É por isso que estou saindo de lá. Estou me aposentando como caçador.
S2s2s2ss2s2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2s2ss2s2s2ss2
- Juuri, você está bem?
- Não, Haruka. Nossa filha... Temos que esconde-la... Isolá-la... Não vamos deixar que Rido faça com ela o que está fazendo com Kaname...
- Ele quer nos destruir, Juuri. Mas eu não permitirei que obtenha êxito.
Juuri olhou com admiração para o marido. Ele crescera tanto! Era um homem forte e corajoso, que fazia tudo por sua família.
- Ela é a sua cara. –riu, olhando para filha e beijando a testa da esposa.
S2s2s2ss2s2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2s2ss2s2s2ss2
- Kaien!
- É seu filho, não é, Juuri?
- Kaien Cross... –ela estava atônita. Seu filho estava ensangüentado, e um garoto, agora um homem, que conhecera no passado o trazia pela mão.
- Tome mais cuidado se não quiser a Associação toda atrás de vocês. Estou fazendo isso em sua consideração.
- A... Associação?
- Você não se lembra. Mas eu sou um caçador.
- Por que está fazendo isso? Por que privilegia minha prole?
- Porque eu ainda te amo, Juuri. A propósito, ela é sua cara.
Disse, olhando o bebê que lhe sorria por entre os braços da mãe.
- Espere, Kaien! Kaien Cross!
Mas ele tinha se ido.
S2s2s2ss2s2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2s2ss2s2s2ss2
- Não se preocupe. Não pretendo machucá-lo.
- Está muito só aqui, não é mesmo? Você é muito bonita para ficar enjaulada, moça.
- E você é muito gentil para ser minha janta. Prazer, meu nome é Shizuka Hiou.
S2s2s2ss2s2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2s2ss2s2s2ss2
- Ele foi atacado por uma nível E...
- E como ele está? E o Zero?!
- O Zero está bem... Mas o Yagari perdeu um olho.
S2s2s2ss2s2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2s2ss2s2s2ss2
- Você não vai encostar na minha família nunca mais...
S2s2s2ss2s2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2s2ss2s2s2ss2
- Ele fez o que...? –Cross estava aterrado.
- Os matou. A todos. Kaien Cross, você foi amigo da minha mãe, salvou minha vida quando eu era uma criança manipulada por Rido Kuran... Soube que pretende fundar uma escola.
- Sim, sim, é verdade... Ah, Juuri...
- Por favor. Cuide de minha irmã.
- Claro, Kaname. Sabe que pode contar comigo, ainda mais agora que está indo atrás do seu tio.
- Não me lembre que temos o mesmo sangue... Por falar em lembrar... Os últimos esforços de minha mãe foram gastos a transformando em uma semi-humana. Ela ainda não foi despertada, Kaien.
- Compreendo.
S2s2s2ss2s2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2s2ss2s2s2ss2
- Rika... Ren... –olhou desolado para os corpos destruídos dos amigos- Você sempre soube que acabaria assim, não é, Ren?
Questionou, tirando os óculos para enxugar as lágrimas que corriam, ao mesmo tempo em que fechava as pálpebras do rapaz estendido no chão que não tinha mais do que trinta anos.
Se encaminhou até o garotinho cujo pescoço estava embebido em sangue, sem ter coragem de olhar para a mulher cujo pescoço estava em um estado ainda pior.
De pensar que não os via há cinco anos. O menino tinha desmaiado...
- Zero... O que houve? Você perdeu tanto sangue... Onde está seu irmão? E onde está Yagari quando precisamos dele?
Suspirou, pegando o garoto no colo e indo até a viatura da polícia.
O mínimo que podia fazer pelo casal Kiryuu agora era criar um de seus filhos, e buscar pelo outro.
S2s2s2ss2s2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2s2ss2s2s2ss2
- Não consegui ser franco com você... Deve ter se assustado muito com o que aconteceu, não é? Desculpe-me, Yuuki... Originalmente ele era um ser humano. Até quatro anos atrás, quando sua família foi atacada por vampiros... Só ele sobreviveu.
S2s2s2ss2s2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2s2ss2s2s2ss2
- Venha trabalhar comigo!
- Com os vampiros? Kaien...
- Faz anos que não nos vemos... Ora Touga, você vai dar aula de Economia para eles, vai poder matá-los de tédio! Vamos, há quantos anos não vê o Zero, por exemplo? Não sente saudades?
- Ele é um deles, agora, Kaien.
- Yagari!
S2s2s2ss2s2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2s2ss2s2s2ss2
- Você atirou nele!
- Ele estava mordendo a garota.
- Yuuki sabe se virar.
- Sabe, Cross... Essa menina me lembra muito a vampira. Juuri era seu nome, não?
- Não sei do que está falando.
S2s2s2ss2s2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2s2ss2s2s2ss2
- Eu tenho que pedir sua permissão. Acha seguro deixá-la entrar?
- Por mim está bem. Ela não está nem mesmo em seu corpo original. Mas, se não quiser arriscar, a escola é sua.
- Kaname... Eu posso ver em seus olhos que essa permissão está carregada de segundas intenções. Não sei o que realmente deseja, mas, por hora, permitirei a entrada dela.
S2s2s2ss2s2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2s2ss2s2s2ss2
- Matar uma sangue-puro... Seu destino será negro, Kaname Kuran.
S2s2s2ss2s2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2s2ss2s2s2ss2
- Ela morreu, Kaname. Não quero brigas com o Conselho dos Anciãos.
- Eu não me responsabilizo por isso. Já falou com Zero Kiryuu? Afinal, ele tinha muitos motivos para desejar a morte de Hiou.
- Eu sei que não foi o Zero, Kaname. Se você se recusa a me contar... Mas eu repito. Não quero problemas com o Conselho.
- Não os terá.
S2s2s2ss2s2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2s2ss2s2s2ss2
- Preciso de sua autorização para o deixar entrar, Zero.
- Deixe. –o rapaz de cabelos prateados tinha os olhos da mãe... E estava dando ombros para o fato de seu gêmeo estar querendo entrar no colégio. Como um coração tão magoado pode suportar essas situações? Se perguntou.
S2s2s2ss2s2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2s2ss2s2s2ss2
- Até que meu filho é bonito... Pena que seja tão fraco... Mas terei meu corpo original em breve, não é Ichijou?
S2s2s2ss2s2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2s2ss2s2s2ss2
- Rido está aqui, Cross.
- Eu sei.
- É um levante, ele está reunindo o Conselho.
- Eu sei.
- Ele veio buscar a Yuuki.
- ...
- Não permitirei.
- Faça o que for necessário.
- Se eu tiver que a despertar...
- Eu disse... –pronunciou, lentamente, de olhos fechados- O que for necessário.
S2s2s2ss2s2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2s2ss2s2s2ss2
- A que ponto você chegou... Zero...
- Yagari?
- Olá, Cross.
- Está em um nível incontrolável...
- Ele resistiu bravamente.
Olhavam para o jovem acorrentado a parede.
- Hum... Vejo que ainda guarda alguma afeição por ele.
- Senão não estaria aqui. Ouviu isso?
- É o Conselho. Vieram buscá-lo. Rido pretende dar um golpe enquanto os outros estão distraídos, punindo o caçador responsável pela morte da ultima Hiou.
- Isso não é bom.
- Não, não é. –ainda mais se ele for atrás de Yuuki, pensou. Com Kaname fora e Zero neste estado... Ah, Juuri... –Eles vão invadir a escola.
- O que?! E os alunos diurnos?
- Não posso deixar ninguém se ferir, assim como não posso contar com a ajuda da Associação.
- O que fará, Kaien?
- Despertar algo que eu poderia jurar que nunca mais seria capaz... Fairness Blade.
O olho azul de Yagari o encarou, surpreso. Nas mãos de Kaien estava sua espada, a lâmina caçadora ainda brilhava, ainda mais diante da possibilidade de atravessar novamente os seres noturnos.
S2s2s2ss2s2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2s2ss2s2s2ss2
- Ichiro...
- Eu tentei matá-lo... Vingar a memória de minha Senhora... Shizuka... Ele acabou com a vida dela... Mas você sempre foi melhor caçador que eu...
- O que você fez?!
- Eu vou morrer... –ele sorria levemente- Não desperdice meu sangue, Zero...
S2s2s2ss2s2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2s2ss2s2s2ss2
- Quando mordi sua mãe, Juuri... Yuuki... –como eram parecidas... Nem mesmo ele sabia dizer quem era quem... Talvez fosse sua vontade de poder matar ele mesmo a irmã que o impelisse a acreditar que Yuuki era Juuri...- Ela chamava por Haruka... Vamos, Yuuki. Implore! Chame por quem você ama!
S2s2s2ss2s2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2s2ss2s2s2ss2
- Kaname... Bem a tempo...
- Estava resolvendo um problema com o Conselho...
Um clarão os cegou momentaneamente.
- O que...?
- Isso... Nenhuma arma caçadora é capaz de produzir tal clarão.
- Nem mesmo os vampiros podem fazê-lo...
S2s2s2ss2s2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2s2ss2s2s2ss2
- Se você fosse realmente uma vampira... Me morderia agora.
S2s2s2ss2s2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2s2ss2s2s2ss2
- E eu escolhi proteger você, Kaname.
S2s2s2ss2s2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2s2ss2s2s2ss2
- Muito obrigada, muito obrigada por tudo, diretor!
- Venham me visitar!
- Claro! –ela sorria, fechando os olhos, gesto que adquirira dele.
Como se parecia com Juuri... Amava Yuuki como se ela fosse sua filha... Como se Juuri não tivesse se casado com Haruka, e sim com ele, apesar de não sentir o mesmo por Kaname. Talvez pelo fato do rapaz lhe lembrar o pai.
- Posso falar a sós um pouco com o Kaname, Yuuki?
- Hanrrã... Até algum dia... Papai!
Ele sorriu para ela, mas estava sério quando encarou o outro Kuran.
- Se em algum momento... Por sua causa aquele sorriso se apagar do rosto de Yuuki, eu irei atrás de você, Kaname. Eu o matarei.
- Não se preocupe, Cross. Vou cuidar bem de minha irmãzinha.
- Sim, é bom mesmo. –ele re-adotou o comum tom brincalhão- Boa viagem para vocês!
S2s2s2ss2s2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2s2ss2s2s2s2s2s2ss2s2s2ss2
- Só agora... Só agora seu reinado de horror está completamente destruído, Nobuhiro. Você atormentou Rido, que feriu Shizuka, que desvirtuou Ichiro... Só agora... Depois de tantas mortes desnecessárias... Seu reino chegou ao fim.
Murmurou, após todas as lembranças, vendo o vulto do casal Kuran e seus fiéis seguidores, Aidou, Akatsuki e Souen, sumindo no horizonte.
- Falando sozinho, Cross?
- Yagari?
- Os caçadores estão dando um jeito nos escombros, eu vim ver como você está. Acabou de perder sua filha, não é?
- Você sabe que ela não...
- Yuuki era o ultimo elo entre você e Juuri. Como está se sentindo?
- Um egoísta por querer que ela fique aqui, quando está tão feliz ao lado do Kaname.
- Eu sempre soube que terminaria assim. Desde que eu vim para essa escola. Você se ligou demais a essa criança. Por falar em nossos pupilos, temos que encontrar Zero e os alunos do período noturno que ainda estão aqui. Os caras que vieram acabam de deixar a Associação, mas avisaram que os melhores estão vindo atrás da nossa escola. Eles não vão ser clementes, nosso segredo vazou.
- Ótimo, mais lutas...
- Não se conseguirmos sumir com os vampiros daqui antes deles chegarem.
- Você é genial, Yagari!
- Vai demorar um pouco, mas acho que até o ano que vem poderemos reabrir as matriculas para o período noturno. Vai ficar tudo bem agora, Kaien...
Em um gesto que surpreendeu o próprio Touga, que costumava se manter afastado de Cross para não o incomodar, Kaien puxou o moreno, fechando seus dedos com força entre os dedos dele e colando suas bocas. Finalmente tinha compreendido! Para ficar com Yagari, não tinha que deixar a memória e os sonhos de Juuri para trás.
Tinham muito, muito o que fazer, e como o próprio Yagari dissera sem perceber, agora a escola era dos dois e tinham um futuro e um relacionamento bom e duradouro pela frente, depois de muita luta e incompreensão.
Notas finais
Eu dei uma modificada nos fatos expostos no Desire II...
Ah, quem leu Desire III sabe q o Kaien se enganou, soh acabou quando o KAname deu um jeito na Mitsune.
Enfim, brigada por acompanharem!
Fale com o autor