Na primeira vez em que Castiel o viu, tinha pouco mais de sete anos. Nunca havia visto nenhum garoto tão cheio de vida, tão alegre. O sorriso espontâneo e infantil que se desenhava em seu rosto valeria um milhão de dólares. Queria ir até os balanços e brincar com ele e as outras crianças, mas manteve-se no banco, apenas observando, porque era uma cena bela demais para ser interrompida. Se a memória não falhava, perguntou ao pai, Jimmy, quem era o loiro, recebendo um olhar irrequieto.

— Dean Winchester. — foi a resposta seca que recebeu do mais velho, encerrando o assunto que sequer havia começado.

Anos mais tarde, compreendeu alguns dos motivos que levaram Jimmy a não comentar mais nada sobre o garoto. Ele era filho de John Winchester, o empresário mais famoso dos EUA. E, apesar de não ter a menor ideia do que isso significava, pelo menos naquela época, não questionou o pai. Até porque não precisava disso, podia ver o loiro todos os dias no colégio de Lawrence. Ouvia os comentários de seus colegas de classe.

Não saberia dizer ao certo quando seu interesse começou, mas logo se via observando o outro adolescente, tentando entender o que havia acontecido com a criança inocente que viu brincando no parque. Sim, porque Dean havia mudado. Entre sorrisos irônicos e piadas mal-intencionadas, construiu sua muralha contra invasores externos. Não havia laços entre ele e os outros adolescentes com os quais andava. Era algo que durava, até o momento em que uma dúvida fosse colocada sobre a mesa. E então os relacionamentos eram jogados no lixo, como papéis amassados de um contrato com o Diabo.

Dramático? Castiel gostaria de dizer que sim, mas, quando se tratava do Winchester, era algo impossível de se negar.

Afinal, o loiro tinha mais facetas do que julgaria ser possível. Aquela dócil, que presenciou quando era garoto. Havia o lado protetor, que emergia sempre que estava ao lado de Samuel, seu irmão mais novo. Havia o arrogante, sempre presente durante os tempos de colegial. E agora, o mais comum de todos, enquanto o encarava com aquele pequeno sorriso, torto e sincero, como se, de alguma forma, estivesse feliz por tê-lo como colega de quarto.

Não seria estranho afirmar que Castiel queria, sem razão, brigar com ele. Gritar. Quebrar coisas. Tudo isso e mais um pouco. Por quê? Algo bem simples. Não bastava mudar para o mesmo maldito internato em Montana, não bastava estar na mesma classe, não bastava sorrir daquela forma franca sempre que estavam sozinhos, quando ninguém podia ver.

Dentre todas as coisas que Dean poderia ter feito consigo, fez a pior de todas.

Agora, Novak via-se apaixonado por seu desejável companheiro de quarto.