Desirable Roommate

9 Não é mais confidencial.


Notas iniciais
Como eu sou bem eclética com relação a músicas [com raaaras exceções], vou sugerir que ouçam a canção Pétalas, da banda Gloria, {recomendo a original, apesar de o acústico também ser liiiindo *0*} porque ela não só aparece no final capítulo, como também foi o que me trouxe a inspiração necessária para terminá-lo :33

Será que eu posso mudar meu coração,

Sem sentir a vida escorrer em minhas mãos?

— Dean! Hey, Dean! Espera!

Castiel bem que tentou evitar que o loiro saísse do quarto como um raio, mas aquilo foi um tanto impossível. Winchester não chegava a correr, seus passos apressados pareciam ecoar mais do que deveriam, ou talvez fosse apenas a paranóia do moreno em tentar descobrir o que diabos ele estava pensando que faria. Seguiu-o aos tropeços, os olhos arregalados cravados nas costas do loiro, que continuou andando até sair da construção; e finalmente parou, apenas para avaliar o local, procurando por duas pessoas em específico.

— Dean! — Novak agarrou seu braço quando finalmente conseguiu alcançá-lo, ofegante. — O que você acha que vai fazer?!

Havia algo de estranho nos olhos do Winchester. Algo que se agitava mais e mais, de acordo com sua raiva que só parecia crescer. Castiel precisou tomar seu rosto entre as mãos e obrigá-lo e fitá-lo diretamente nos olhos, até que a respiração do mais alto regularizasse.

— Calma. — pediu gentilmente. — Não precisa surtar.

— Eles fizeram você achar...

Eles — fez questão de dar ênfase à palavra. — não fizeram nada, Dean. Está tudo bem, juro. Agora, respire fundo e se acalme antes que faça alguma besteira, ok? Está tudo bem.

Por alguns instantes, o loiro apenas permaneceu calado, mas logo suspirou, fechando os olhos com força e murmurando palavras ininteligíveis num tom baixo demais para que Novak pudesse ouvir. O moreno acariciou delicadamente seu rosto, sentindo que, aos poucos, o mais alto realmente relaxava. Esperou até que ele balbuciasse algo incoerente e o envolvesse com força entre seus braços, surpreendendo-o.

— Dean? — apesar de retribuir o gesto, Castiel realmente não entendeu o motivo daquilo.

— Só me abraça com força, Cas. — a voz do Winchester soou abafada quando ele pressionou o rosto contra o ombro do rapaz. — Por favor.

Carinhosamente, afagou as costas do loiro, notando a tensão presente em seus ombros, e esperou que algo quebrasse o silêncio com as respostas que sua mente exigia. Mas o outro apenas permaneceu ali, parado, aproveitando o contato enquanto o pressionava contra si como se nunca mais fosse encontrá-lo.

— Eu não quero te perder outra vez. — Dean murmurou, e era nítida sua aflição. — Eu não quero que você pense... Eu não...

— Tá tudo bem. — o moreno garantiu, enroscando seus dedos nos fios dourados. — Eu não vou te deixar. Eu não vou embora outra vez. Não precisa se preocupar. Prometo.

Zachariah poderia ter falado com a pior das intenções, mas havia uma pontada de verdade em suas palavras. Winchester se curvava para fazer o que Castiel queria; ou, no caso, o que não queria. Não porque se sentia obrigado, mas porque ficava na defensiva, porque parecia acreditar que Novak poderia abandoná-lo se tudo não estivesse de acordo com o que desejava.

Você ordena que ele aperte o gatilho, e sabe o que acontece?

Castiel não permitiria que as coisas chegassem àquele ponto.

— Acalme-se. — repetiu num tom terno. — Vai ficar tudo bem.

Em resposta, Dean apenas o abraçou mais forte.

|| ♠ ♠ ♠ ♠ ♠ ||

Zachariah não se sentiu surpreso, naquela mesma noite, quando recebeu um SMS do Winchester, dizendo que precisavam conversar. Na verdade, até esperava algo daquele tipo. Por isso, com as mãos nos bolsos da calça jeans e um sorriso prepotente no rosto, caminhava pacientemente em direção ao local combinado; uma das salas específicas para detenções, na qual haviam se conhecido num dos primeiros dias de aula do ano letivo.

Abrindo a porta, mesmo que a luz estivesse apagada, logo pôde avistar o loiro, recostado sobre a lousa escura, os braços cruzados na altura do peito, a cabeça baixa e os ombros ligeiramente curvados numa posição defensiva. Se Smith não o conhecesse tão bem, diria que Dean estava esperando uma briga. Mas não. Era comum o loiro assumir uma postura um tanto ameaçadora quando desejava conversar a respeito de algo sério; e não era como se Zachariah estivesse com medo, apenas fez questão de observar o fato.

Pigarreou, chamando a atenção do Winchester, que automaticamente cerrou os punhos.

— Disse que queria falar comigo. — sorriu novamente. — Pode começar.

Longos minutos se passaram em silêncio, com os adolescentes se encarando mutuamente, um sério e o outro altivo. Era nítido que todo o desconforto presente nos olhos do loiro não se devia ao fato de eles estarem muito propensos a entrar numa discussão, e sim à possibilidade de Smith agir como se tudo não passasse de uma grande brincadeira que terminaria ao amanhecer.

Resolveu que iria direto ao ponto.

— Eu quero que fique longe de Castiel.

Dean sentiu como se aquelas simples palavras retirassem o peso do mundo de seus ombros, e imediatamente relaxou um pouco, recebendo um olhar um tanto surpreso. Zachariah demorou alguns segundos para processar a informação, contrariando tudo em que o loiro acreditava, e sorriu.

— Então, você e o Novak realmente estão juntos, uh? — sacudiu a cabeça com incredulidade. — Achava que não passava de uma impressão idiota, mas, pelo visto, estava certo.

O mais alto franziu o cenho, comprimindo os lábios numa linha fina enquanto o encarava. Do que Smith estava falando, afinal?

— Eu percebi, Dean. Pode acreditar que não, se quiser, mas eu notei a forma como você sempre olhava para aquele idiota, como se estivesse pedindo para que ele o perdoasse por alguma coisa. — Zachariah revirou os olhos. — Isso é patético. Meu irmão tinha comentado algo a respeito, e, juro, por vários meses eu acreditava que não passava de um delírio da mente dele.

Winchester estava confuso com aquelas palavras; no entanto, não se permitiu demonstrar nada além de um ligeiro desdém, arqueando uma sobrancelha de forma irônica. Pelo menos, até ouvir as palavras seguintes do mais baixo.

— No fim, Uriel estava certo, não é? — um sorriso maldoso se seguiu, ao notar a forma como os orbes verdes se arregalaram. — Cara, eu conheço essa história há tempos. Desde que você entrou no colégio, para ser sincero. Achava que não passava de uma mentira, até ver a forma como você olhava para ele.

Num ato impulsivo, as mãos de Dean já estavam no colarinho de Zachariah, agarrando o tecido com violência enquanto o empurrava contra a parede. Olhos nos olhos, encarando-o com raiva enquanto trincava os dentes. Smith não esboçou nenhuma reação além de uma ligeira careta que não durou mais que alguns segundos, enquanto o encarava de volta.

— Todo mundo conhece a história, Winchester. — grunhiu num tom irritado. — O cordeiro idiota que se sente bem ao lado do lobo mau. E então, quando eles finalmente ficam juntos, alguém aparece para atrapalhar. Se Cas — os olhos do loiro faiscaram ao ouvir a forma que usou para pronunciar a alcunha — gostasse tanto de você quanto quer deixar parecer, teria acreditado quando disse que não era uma brincadeira. Ele teria acreditado em você, Dean, e não em meu irmão.

A coisa que o mais alto mais desejava naquele momento era socar a cara de Smith até que toda a raiva desaparecesse. Castiel. Uriel. Beijo. Droga.

Tudo aquilo era confuso demais para que pudesse entender.

xxx

— A coisa toda perde a graça se de repente você vira um querubim, sabia?

Ele adorou a coloração avermelhada que tomou conta das bochechas de Castiel quando pressionou os lábios contra elas. Adorou a forma como o corpo dele se encaixou contra o seu, a maneira como Novak respirou fundo e depositou lentamente o queixo sobre seu ombro. Sorriu satisfeito ao rodeá-lo com seus braços, podendo assim finalmente senti-lo de fato. Não era como se eles não mantivessem contato, não era como se nunca tivessem tocado um ao outro, mas daquela vez era diferente.

Dean sentira-se inseguro, e consideravelmente propenso a desistir daquela loucura quando pediu para que Castiel o acompanhasse. Realmente não esperava que a reação de Novak fosse tão simples; se soubesse que ele não gritaria consigo, se tivesse consciência de que ele não teria um acesso de raiva e o socaria... Bem, poderia ter expressado a forma como se sentia mais cedo.

— E não é que você conseguiu? — aquela voz, parabenizando-o sabe-se lá Deus por que motivo, fez com que ambos se sobressaltassem, e, quase de forma automática, os dois se viraram em direção ao dono dela.

Uriel sorriu de forma sacana, e o loiro sentiu que Castiel enrijecia em seus braços. Tudo parecia tão bem há poucos segundos! Não era como se tivesse medo do rapaz negro. Apenas... Não desejava seengalfinhar com o outro justamente quando estava tão feliz por Novak não tê-lo afastado com brutalidade.Dean nunca tivera medo dos caras mais velhos. Um pouco de receio, talvez, quando eram muitos e o estavam provocando procurando encrenca. E, apesar de não esquentar a cabeça com todas aquelas provocações, não deixava de ser um tanto estranho e incômodo quando estava na presença de algum deles e se sentia perdido na conversa.

— O quê? — franziu o cenho, e, meio que instintivamente, apertou Novak contra si, mesmo sentindo que o moreno tentava se livrar de seus braços.

— Conseguiu, Dean. — Uriel sacudiu a cabeça, como que descrente, mas suas palavras soavam tão sinceras que era difícil não acreditar nelas. — Juro que não acreditava que você pegaria o idiota. Ele sempre pareceu tão arredio...

Sem chance de reagir àquilo, ainda tentando processar o que havia acabado de ouvir, Winchester já começava a arquear as sobrancelhas, quando sentiu uma cotovelada indiscreta na região das costelas. Afastou-se com um leve gemido de dor, surpreso, e encarou assustado os olhos marejados de Castiel. Imediatamente vasculhou a memória, à procura de algo que pudesse ter feito para magoá-lo.

— Cas? O que você...

— Seu hipócrita! — o moreno acusou, e Dean poderia ter se sentido verdadeiramente ofendido se, com um estalo, não tivesse compreendido o que se passava pela cabeça do rapaz.

— Não foi o que eu...

Sem lhe dar uma chance de continuar a explicação, Novak virou as costas e saiu. Por dois segundos, Winchester apenas ficou ali, parado, estático demais para conseguir reagir. E então, lançando um olhar dividido entre a fúria e o desespero para Uriel, e correu atrás do mais baixo.

— Cas! — chamou, sentindo os olhos arderem. — Espera!

Agarrou seu pulso, sentindo o coração bater descontrolado no peito. Não, não, não. Aquilo não era uma brincadeira. O moreno precisava entender... Ele... Ele nunca...

— Me deixa explicar. — pediu num tom falho.

— Não tem nada pra explicar! — Novak livrou-se de sua mão com um tapa, encarando-o com raiva. — Por que não volta lá e fala com o Uriel, uh?! Tenho certeza de que ele deve estar te esperando, pra rir do idiota aqui!

— Não é nada disso, Cas! — arregalou os olhos, e as primeiras lágrimas já ameaçavam cair. — Você entendeu tudo errado! Eu não... Eu não estava fingindo!

— Fica longe de mim, tá legal?! Eu não preciso dessa porcaria toda! Eu não preciso da sua pena! — Castiel levou as mãos ao cabelo escuro, bagunçando-o com raiva. — Droga, Dean!

— Me deixa explicar. — repetiu, com as mãos trêmulas.

— Eu não quero que você me explique nada, Dean! E... Fique longe de mim!

xxx

— Isso não é nenhuma confidência, Winchester. — a voz de Zachariah o retirou de seu tormento, e, encarando os olhos claros de Smith, soube que era exatamente aquilo que o rapaz queria. — Agora, você quer realmente acreditar que ele não está só dando o troco? Que não está apenas fingindo?

— Eu não vou deixar você me virar contra Cas. — murmurou fracamente, o aperto no colarinho afrouxando de forma considerável.

— Claro que não. — Smith revirou os olhos. — Porque é estúpido ao ponto de achar que, enquanto não tocarem no assunto, tudo entre vocês ficará bem. É idiota o suficiente para acreditar que isso vai acabar bem para ambos os lados. E, na verdade, talvez seja exatamente isso que o seu amado Cas espera. Ele vai continuar te quebrando, Dean. De novo e de novo. E não importa quantas vezes isso aconteça, porque você sempre voltará no final.

Winchester cerrou os dentes com raiva, sentindo como se algo estivesse entalado em sua garganta, impedindo-o de respirar direito.

— O que você quer, Zachariah? — encarou os olhos claros do rapaz. — O que você quer de mim?

— Eu, Dean? Sinceramente? — o outro revirou os olhos, e, logo em seguida, comprimiu os lábios numa expressão de raiva. — De você não quero nada. Eu nunca vou querer nada vindo da sua espécie.

O loiro o encarou durante longos instantes, e a irritação tornou-se nítida em seus olhos juntamente com a indignação no momento em que as palavras finalmente fizeram algum sentido em sua cabeça. E ele não gostou nem um pouco daquilo.

Minha espécie? — quase rosnou.

Antes que Zachariah pudesse responder, o punho cerrado de Dean atingiu-lhe o maxilar, fazendo com que sua cabeça virasse com brutalidade. Durante meio segundo, pareceu ao loiro que ele reagiria. E, de certa forma, Winchester o queria. Talvez se engalfinhar com Smith ali, mesmo correndo o risco de serem pegos e levados à diretoria, fizesse com que se sentisse melhor.

Com a ponta da língua, o mais baixo umedeceu o lábio cortado, e logo em seguida sorriu.

— Belo soco.

Frustrado, Dean grunhiu qualquer coisa indecifrável antes de soltá-lo, virando as costas e se dirigindo à porta. Se ficasse ali durante mais um minuto terminaria o que havia começado, e isso definitivamente não seria bom para ninguém. Contentou-se, então, em sorrir como se nada daquilo o tivesse afetado, lançando um último olhar para Zachariah, que ainda não se pronunciara, mantendo os olhos nas mesas em frente à lousa.

— Diga ao seu irmão que mandei lembranças.

|| ♠ ♠ ♠ ♠ ♠ ||

Castiel notou o quanto o loiro estava inquieto, quando sentou ao seu lado na mesa da sorveteria. Era um local simples, sem uma multidão e definitivamente agradável. Mas Dean quase quicava na cadeira, os olhos verdes percorrendo o local de um lado a outro, mordendo o lábio inferior com força o suficiente para que uma pequena mancha de sangue surgisse. Novak não entendia o motivo de toda aquela agitação. Era apenas um encontro casual com Sam, não era? Foi o que o loiro lhe disse, quando perguntou por que deveriam sair naquele fim de semana.

— Dean? — chamou baixinho, e seus dedos entrelaçaram-se com os dele. — Está tudo bem?

O mais alto se virou para encará-lo, o cenho franzido, a expressão nitidamente assustada.

— Ele vem, Cas. — murmurou atordoado, e sua mão apertou a do moreno com tanta força que Novak fez uma careta. — De última hora ele...

— De última hora? — sorriu divertido, tentando distraí-lo. — Você combinou isso com Sam há dias, sem que nem mesmo eu soubesse!

— Não é do Sammy que eu estou falando.

E os olhos do Winchester estavam tão arregalados, que não foram precisas mais palavras para que Castiel entendesse o que ele estava tentando dizer. E foi a vez de o moreno quase saltar na cadeira, alarmado, a boca entreabrindo-se pelo choque.

— Mas por que ele iria querer...

— Disse que faz muito tempo que não nos encontramos, e que se sentia como um homem ausente na vida do primogênito. — Dean afundou o rosto entre as mãos durante dois segundos, antes de socar a mesa, sem saber o que fazer. — Ah, droga, droga, droga!

— Se você quiser eu posso...

— Não! — como se soubesse exatamente o que o mais baixo diria, Winchester negou, depositando uma mão em seu rosto, afirmando com convicção: — Você fica comigo, Cas. Foi para conversar com Sammy que combinamos que nos encontraríamos aqui, mas... Se meu pai quis vir, o problema é dele, e não meu. Não vai mudar nada.

Novak, ainda boquiaberto, sacudiu a cabeça.

— Dean, isso muda tudo.

O loiro o encarou durante longos instantes, antes de unir suas testas.

— Muda algo para você? — perguntou.

Verde no azul, era como estavam seus olhos naquele momento. O mais alto acariciou as maçãs do rosto do moreno, suspirando ao notar a coloração avermelhada que começava a tomar conta do rosto do outro rapaz, que expôs os dentes num singelo sorriso.

— Não.

— Então não há nada a ser reconsiderado. — Winchester deu o assunto por encerrado unindo seus lábios aos dele.

Castiel adorava sentir a boca do loiro contra a sua, adorava a maneira carinhosa e ao mesmo tempo exigente que ele utilizava para beijá-lo. Adorava sentir a língua atrevida do mais alto explorando a sua, a forma como seus dedos se enroscavam nos fios escuros de seu cabelo. Adorava o carinho, adorava tudo que Dean representava, tudo que era.

Um pigarro o retirou de suas divagações e o fez ter um sobressalto, rapidamente separando-se do Winchester e erguendo os olhos para encarar o homem que os fitava com espanto. Atrás dele, Sam acenou timidamente, vermelho feito um pimentão maduro; como se não soubesse se a vergonha era maior que a vontade de cavar um buraco e se enterrar dentro dele. Ao seu lado, Dean contentou-se em apenas entrelaçar novamente seus dedos e encarar o pai durante longos instantes.

A última coisa que John Winchester esperava presenciar, ao dizer que encontraria o filho, era encontrá-lo aos beijos com um rapaz que, pelo menos aparentemente, tinha sua idade. Não podia negar que ficou surpreso. Muito. Não tinha consciência dessa... Hm, preferência do loiro. Na verdade, John pouco sabia a respeito do próprio filho. Se Mary soubesse, certamente exigiria que virasse um pai de verdade para o rapaz. E foi com esse pensamento que tentou não se sentir revoltado pelo primogênito nunca ter-lhe dito nada sobre aquilo.

Primogênito esse que agora o encarava de cabeça erguida, apesar de ligeiramente corado, negando-se a sentir vergonha por ter sido pego em flagrante num momento como aquele.

— Oi, pai.

Castiel ainda conseguia se sentir surpreso pela ousadia do loiro. Sentia-se tão à vontade naquela situação quanto Sam, e por isso apenas deu um leve aceno quando o mais novo fez um pedido mudo de desculpas, apenas movendo os lábios de forma silenciosa.

— Oi, Dean.

Dean certamente teve a quem puxar.

Exibindo um leve sorriso surpreso, John puxou uma cadeira para se sentar de frente ao rapaz, concentrado em ignorar o choque que quase o sufocara no primeiro instante. Sam sentou-se ao seu lado em total silêncio, e parecia existir uma conversa muda entre os adolescentes; algo que ele já vivenciara, mas agora não mais compreendia muito bem, por não ter a certeza do que se passava pela cabeça de cada um.

— Então, rapazes... Se conhecem há muito tempo?

Dean quase saltou na cadeira enquanto encarava o pai, e, durante alguns segundos que lhe pareceram demasiadamente longos, apenas permaneceu calado. E, então, sorriu largamente enquanto relaxava, e Castiel automaticamente acalmou-se um pouco, ao notar a alegria do loiro.

— Alguns dias!

Quando os olhos de seu pai quase saltaram de tanto se arregalarem, Winchester desatou a rir quase de forma descontrolada, um tanto nervoso pela própria brincadeira. Apesar disso, foi quase impossível que Novak e Sam não o acompanhassem, e logo John se deu conta de que o filho estava apenas testando seu controle aparentemente recém-adquirido.

Observou as mãos dadas sobre a mesa, e, inevitavelmente, um pensamento lhe ocorreu.

Mary se sentiria orgulhosa.

A um canto, o rádio começou a tocar os primeiros acordes da canção Love Is War, da banda Scorpions. Era um belo dia, afinal.

Lembrar de mim, toda vez que respirar...

Lembrar de mim, se eu nunca mais voltar...

Notas finais
~por que é tão desesperador e tão esquisitamente BOM me aproximar do fim?~ *EVERYBODY CRY*
----------------------
P.S.: aí a Lia observa o "Zachariah Smith", e eu fico aqui, lindamente tentando lembrar de onde, mas a memória não deixa; depois, pesquiso no Google e tenho vontade de me bater. Vão me matar sim ou claro, Potterheads? SDFGHJKLÇLKJHGFDSDFGHJKLÇ~ Depois dessa merecia facadas u.u'
-------------------
P.S.S.: a música que está em negrito é Pétalas, mas coloquei que tinha começado a tocar Scorpions porque eu gamei na música, OKAY? u_u E pretendo fechar o resto das pontas soltas no Epílogo :33