Designium

11 Jack Hatcher II


Notas iniciais
Capítulo escrito por Edielson Enzo Torrieli

Preparava seu jantar com a animação habitual de sempre. Há muito que morava sozinho -, e na verdade suas relações amorosas tendiam a terminar de maneira traumática- ,e assim sendo, a culinária tornara-se sua melhor namorada. "O que será que aquele gordo do Belford há de querer comigo?" Pensou enquanto revirava os legumes na frigideira. "Na certa, algum trabalho"

Seu apartamento era luxuoso e espaçoso. Situado em uma área nobre da capital inglesa aquele no entanto era apenas um dos imóveis de Jack Hatcher. Mas certamente, era o que ele mais gostava. Jack dirigiu-se para a mesa de jantar com o mesmo pensamento esquisito dos últimos dias. Lembrava-se de ter se encontrado com um certo lorde em um local que variava de abandonado para luxuoso, tudo muito confuso. No entanto, a garota atraente de decote chamativo ainda se mantinha fresca em sua memória — o tempo dedicado à ela no banheiro era testemunha. "Alys... seu nome é Alys"

Jack terminou seu jantar solitário, bom, não totalmente solitário. Kabo, seu pastor alemão de três anos o acompanhava.

– Você é o melhor dos filhos, Kabo. — Disse Jack coçando Kabo atrás das orelhas. O cão pastor lhe lambeu a mão e saltitou para a sala de estar.
Jack o seguiu.

Ligou o televisor para acompanhar os noticiários do dia. Uma emissora de TV Internacional, divulgava notícias perturbadoras: Um atentado ocorrido em um país na América do sul. "Brazil" dizia na legenda. No entanto as imagens eram ainda mais impressionantes — estavam um tanto desfocadas é verdade- mas assim mesmo era possível ver as cenas de destruição dentro de um aeroporto.

Por um momento, Jack se viu assistindo à um filme de ação, viu um brutamontes se lançar sobre um míssil enquanto outro grupo se mantinha suspenso nos ares, e de repente a tela ficou negra com a quebra do link. Em seguida a imagem foi retomada, mas agora era o excelentíssimo senador, Lionel Vegger quem se pronunciava.

– Caros, senhores, senhoras, lordes e simplórios. — Disse Vegger — às imagens que vocês acabaram de assistir nos foram enviadas do Brasil.O genocídio que viram, vitimou milhares de pessoas. Pessoas inocentes caros senhores, um ataque que teve a responsabilidade da EEM. — A cada palavra pronunciadas por Vegger, Jack Hatcher percebeu que o senador negro, fazia questão de associar ao atentado o senador, Robert Belford, seu principal rival. — Às autoridades do Brasil — prosseguiu Vegger -,estão há nos pressionar, senhores. Eles querem que uma atitude seja tomada. Pois bem... Eu volto a lhes pedir para que passemos a administrar essa organização, ou do contrari...

Jack desligou a TV. Se sentia uma vez mais estranho, os pensamentos e imagens desordenadas voltavam a surgir em sua mente: uma espécie de ciborgue um homem esquisito e de pouca fala, e novamente, a garota "Alys" .Deixou os pensamentos para trás e foi se vestir. Como sempre a etiqueta era seu melhor cartão de visitas, uma vez mais se armou com um de seus ternos. Esse era de um azul marinho — quase negro- os sapatos de grife italiana e impecavelmente lustrados.

– Agora você está um arraso, Jack. -Disse em frente ao espelho.

Jack não fora um "gravatinha" a vida toda, na verdade ainda não era. A infância fora dura e humilde em Liverpool, o pai costumava dizer: "Nada vem fácil para os Hatcher, Jack. Nada". Da infância e adolescência veio a maioridade, e com ela o serviço militar. Onde se destacara, mais então houve os escândalos. "O quê está acontecendo comigo?" Se perguntou. "Afinal é só dinheiro" Se preparava para sair, quando se dera conta, que estava desarmado. E Jack Hatcher, nunca saia de casa desarmado. Se encaminhou para seu pequeno arsenal, e passou a mão em sua Dizer .50. A colocou no coldre e se certificou de se equipar com dois cartuchos reservas.

Seguiu para o hall do apartamento, decidira ir ao encontro de taxi mesmo. "Nunca se sabe como a noite vai terminar" pensou "Nunca se sabe Jack". Adentrou no táxi e orientou o motorista ao destino desejado. O homem fez um aceno com a cabeça e arrancou com o carro.

Passado algum momento o pobre do motorista se sentindo na necessidade de falar danou-se a tagarelar:

– Estão a falar de mutantes, filho. — Jack não disse nada e o homem continuou — Como um taxista humilde vai ganhar a vida, com essas aberrações soltas por ai? Sabe rapaz, ninguém está a salvo. Acho que o senhor Robert, é quem tem razão, enquanto isso, aquele girafudo, do Vegger tenta defender essa laia de aberrações!

Enquanto o taxista tagarelava pelos cotovelos, Jack notara uma agitação frenética pelas ruas da capital. Grupos de manifestantes. Bloqueavam diversas ruas públicas com cartazes de apoio aos SDs... SDs alguma coisa. Noutros havia a imagem do senador Vegger, com palavras de apoio.

– Hunf. — grunhiu o taxista. — Manifestantes, quero só ver quando esses. . Esses. . Esses. .

– Seres especiais? — completou Jack.

– Hunf... Eu ia falar, infectados. Quero ver quando eles começarem a espalhar suas doenças na população, dai quero ver quem esses merdas vão apoiar. Eu lhe digo há quem vou apoiar, rapaz. Apoiarei, o nosso salvador. . Robert Belford.
Nas ruas, policiais lutavam para controlar a multidão, o taxista desviou em uma rua paralela e avançou caminho.

– E você filho, a quem apóia? — perguntou o motorista. Jack revirou os olhos.

–Eu? Bom eu não apoio nenhum lado, amigo. Essa guerra, seja por qual for o motivo, político ou demagogo, não me diz respeito- para Jack Hatcher, guerras, eram barulhentas e acabavam chamando a atenção do mundo inteiro , duas combinações que não casavam com seu estilo. Para Jack, quanto menos atenção, maiores seriam as chances de sucesso em seus trabalhos. Quando o taxista ia se preparar para mais um discurso, Jack o interrompeu.

– Chegamos amigo, é aqui que desço.

Pagou a corrida e deu graças a Deus por se livrar do taxista tagarela.
A rua estava tranquila naquela região, Jack atravessou a rua e seguiu para a entrada do restaurante, na entrada deparou-se com dois indivíduos:

Um rapaz entre vinte, vinte e dois anos, tinha altura média olhos e cabelos claros, era magro e vestia um agasalho. A outra era uma bela mulher, alta com porte atlético pele clara e cabelos loiros. Jack, acenou para ambos com um sorriso e recebeu do casal apenas olhares gélidos. Seguiu em frente e cruzou a porta.

Robert Belford, se encontrava sentado numa mesa devorando uma rejeição. O homem sozinho, ocupava um espaço destinado para duas pessoas. Ao seu lado estava seu filho, Jefferson Belford um rapaz parecido e ao mesmo tempo diferente do pai. Tinha os traços do senador, porém mantinha uma boa aparência, sem falar do porte físico, o qual Jack assimilou a exercícios físicos.

Quando o senador avistou Jack, lhe acenou com mãos gordas para se aproximar, Jack o fez.

– Boa noite, cavalheiros- Disse Jack, permanecendo de pé.

– Ai está o homem! — Disse o senador, fazendo um sorriso carismático. — Pontual como o Big Ben! Sente-se senhor, Hatcher. Jack se sentou. — Janta conosco senhor, Hatcher? — perguntou o senador Belford.

Jack arqueou uma sobrancelha.

– Obrigado, excelência. — Disse. — Mas sou o tipo de homem, que prepara a comida que come, posso dizer que sou um amante gastronômico.

– Esta vendo Jeff? Eis aqui um homem que vale a pena pagar o preço. — Belford soltou uma sonora gargalhada, enquanto o jovem Belford soltava um resmungo inaldível.

– Diga-me, senhor Hatcher, gostaria de trabalhar para mim?

– Mas que falta de educação a minha. -"Tenha calma Jack, seu trabalho é investigar o gordo. Esse foi o acordo com o Lorde estranho" — ,nem ao menos expressei minha satisfação de estar de frente com vossa excelência e seu estimado filho.

Atrás dos Belford, parado feito uma estátua trajando um terno negro e segurando uma maleta de couro. Estava, Rick, um camarada forte e grande. Jack o conhecia de vista e sabia que ele era o segurança do jovem Belford.

– Mas deixemos a bajulação de lado. — Robert Belford alargou seu sorriso e sua enorme papada pareceu desmoronar. — Eu não te chamei até aqui para você lamber, minhas bolas. Até porque sei bem que isso não é se seu feitio. Responda-me, senhor Hatcher, gostaria de ganhar quatro milhões de libras?

Jack Hatcher assobio. "Agora falou minha língua, balofo" pensou.

– Sem dúvida que seria uma bela, aquisição, excelência.

– Rick. — Chamou Robert Belford. E o homem depositou a maleta no centro da mesa — que já havia sido limpa por funcionários do restaurante. — Metade agora — disse o senador destravando a maleta e virando-a para Hatcher — e metade quando o serviço esta terminado.

Jack examinou as notas de libras devidamente arrumadas.

– Qual seria o trabalho?

Robert Belford levantou uma sobrancelha maliciosa.

– Uma limpeza — disse Robert. — não é isso que você é senhor Hatcher, um prestador de serviços? Ao menos é o que diz no seu cartão de visitas.

– Que tipo de limpeza seria essa? Perguntou Jack já sabendo a resposta.

– Uma simples. Uma que quatro milhões são até mais do que valeria. "Ele quer que você mate alguém, Jack. Ele quer queimar alguém"

– Ainda, não compreendo senhor.

Robert Belford, revirou os olhos e levou a mão ao rosto.

– Humm, vejamos... Eu quero que você elimine um alvo. Fui claro agora?

Jefferson Belford protestou.

– O que esta dizendo, papai? Por acaso perdeu o juízo?

– Silêncio Jeff! — Ladrou o senador. Não interrompa uma conversa de adultos, pois já lhe ensinei que isso é falta de educação. E além do mais, eu ainda não esqueci o seu último disparate. O velho Phillip Strauss, lhe roubou na cara larga! Diga-me Jeff, está querendo me levar a falência? Bom, espero que não, garotão. Agora seja um bom menino e continue de boca fechada do contrário, peço para o Rick, lhe dar uns bofetões! Será que fui claro?

A cada palavra do pai. O jovem Jeff ia ficando mais vermelho, por um momento, Jack achou que o rapaz saltaria na goela do pai. Mas não o fez.

– Não tomarei parte nisso. — Deu a volta na mesa. — Levarei Darlla comigo.

– Filhos, senhor Hatcher. — Disse o senador enquanto seu filho saia porta a fora. — O que se poder fazer. O garoto adora me irritar. Mas falávamos de negócios. E então senhor, já tenho sua resposta.

– Bem, esse é um trabalho que, não costumo fazer, senhor Belford. Na verdade nunca fiz nada do tipo.

– Sempre há uma primeira vez, senhor. Hatcher.

A grana era convidativa, no entanto, ia contra os métodos de Hatcher, mas ainda assim, se sentiu curioso.

– Digamos que eu aceitasse o serviço. — Disse Jack. — quem seria o alvo?

O sorriso de Robert Belford se alargou de orelha a orelha.

– Pensei que já soubesse, afinal estamos dentro da propriedade dele.

– O quê?

Robert Belford gargalhou.

– Sim, senhor Hatcher. Estou falando de Lionel Vegger.