Desespero
1 Capítulo 1
Notas iniciais
http://www.youtube.com/watch?v=5WNhMahks8A
Sim, é a mesma que toca no episódio *---*
Boa leitura
Sentada sem estar amarrada ela me olha. Seu desespero e angústia são vertidos em lágrimas, que caem, arrastam-se por seu rosto, me atingem e me estraçalham sem que perceba.
Nós tentamos, matamos o maldito que a transmutou, desgraçado! Mas a quebra do vínculo sanguíneo não funcionou, não fez com que ela deixasse de se tornar um monstro... Mesmo lendo todas as lendas acerca do que ela se transforma, estudando todas as formas de reverter aquilo que lhe foi feito, não adiantaria, seria praticamente impossível achar a forma certa de salvá-la, talvez, nem exista.
E agora estou aqui, diante dela, com seu pedido ecoando em minha mente, a cólera por ser tão impotente é colossalmente forte, que retalha-me por dentro. Seu pedido é insano! Como ela pode querer que eu faça uma coisa dessas?! É absurdo.
Dean me observa com um olhar arrasado, até tenho a impressão de que ele está sentindo a minha dor, mas ela implorou para que eu fizesse isso, não para ele... O peso está sob meus ombros. Deus, não, não, não! Não posso fazer isso.
Enquanto tantos pensamentos me atormentam, eles esperam ansiosamente, que eu faça algo.
Mas não serei capaz...
─Hey, Sam, vamos até ali. ─ Dean me chama enquanto segura firmemente em meu ombro. Ao chegar na cozinha, já vou logo dizendo.
─Dean, por favor, cara, não posso fazer isso, não posso! C-como vou conseguir, Dean?! Vamos dar um jeito, nós... O cretino do meu irmão me interrompe, balançando a cabeça negativamente.
─ Não, Sam, nós não podemos fazer mais nada... Infelizmente, cara, não há mais chances de mudar isso.
─Tem sim, Dean, tem que ter alguma coisa que possamos fazer! Que EU possa fazer!
─ Você sabe que não tem, Sam.
Me abraçando fortemente, ele sai em direção a ela.
Respirando fundo, olho para o teto do seu apartamento e percebo, Dean está certo, não podemos fazer mais nada. Lágrimas queimam em minha garganta, a debilidade me sufoca. Minhas pernas fraquejam e meus joelhos cedem. Ajoelhado, encostado na bancada de sua cozinha, com os braços em volta do meu corpo, em um abraço frio, tento me consolar.
***
De volta à sala, Dean e Madison me encaram, sabendo o que viria, ela se levanta, vai até seu quarto e espera.
─ Sam, deixe que eu faça isso, cara. ─ Dean fala suplicante enquanto se aproxima, ele sabe o quão destruído estou, e como ficarei muito mais depois de fazer isso. O choro me impede de falar, as palavras esvai-se de mim, neste momento, somente meu pranto tem voz.
─ Não. ─ Foi a única coisa que fui capaz de dizer momentos depois, resignado, ele volta a sentar-se no sofá, com os cotovelos apoiados no joelho e mãos tampando seu rosto. Saí em direção ao quarto.
Entrei, fechei a porta e ela me encarou.
Com olhos marejados, mãos entrelaçadas, com os nós dos dedos brancos de tão forte que os apertava. Seu corpo todo tremia, sua respiração estava desregulada, seu peito subia e descia descompassadamente. Ela me esperava, com o medo e o terror a dominando, por conta do que aconteceria.
Todos nós sabíamos o que deveria ser feito, o que era o certo a se fazer, mas ninguém queria aceitar esse fato. Me aproximando lentamente, ela fecha os olhos, e chora o mais baixo que consegue. Meu coração se aperta.
Mas contínuo.
Acaricio seu rosto com a palma da minha mão, ela se assusta, mas logo percebe que não quero lhe fazer mal. Voltando a me encarar, desse vez suplicante, dou um paço para trás.
─ Eu não quero fazer isso... ─ Falo aos prantos, enquanto ela nega veementemente com a cabeça, mas vou em frente. ─ Feche os olhos, Madison, o mais forte que conseguir... ─ Digo suavemente.
Um tiro apenas.
Bastou isso para perde-la. Para sempre. Enquanto seu corpo ricocheteava na cama, sai em direção à saída, sem esperar por mais nada, nem ninguém.
♪ Silêncio agora, não chore.
Enxugue a lágrima do seu olho.
Você está deitada a salvo na cama,
Foi tudo um sonho ruim
Rodando em sua cabeça. ♪
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