Desenhando minha vida
2 Capítulo 2 : Novos amigos.
Notas iniciais
Capítulo 2: Novos amigos.
“Sua mãe deixou segredos... Para quando fosse embora você descobrisse sozinha, quem foi ela e quem é você.”
Essas palavras me atormentaram, e fazendo-me não parar de ler o bilhete várias vezes, jurando que tudo isto fosse um pequeno pesadelo ou uma pegadinha sem graça... Mas minha tia não faria isto comigo neste estado.
Tentei esquecer as partes negativas da minha mente enquanto desfazia a mala, após desfazê-la percebi que mau quarto continuava meio vazio. Ouvi os passos da minha tia subindo as escadas.
–Ru! Lembrei que estou com bastante dinheiro na poupança que andei economizando para nada. Que tal fazermos umas comprinhas?- Ela diz com um sorriso no rosto.
–Okay então. Mas também temos que comprar meu material escolar... E por que você me chamou assim?
–Ãnn... Porque eu achei que você gostaria e porque eu prefiro chamar as pessoas que conheço por apelidos, não gostou? – Ela sai descendo a escada enquanto fala comigo.
–Sim, eu até gostei. Quando que vamos sair?
–Pode esperar, daqui umas duas horas quando o shopping não estiver muito cheio, nós iremos. Enquanto isso pode aventurar-se pela casa se quiser.
A primeira coisa que veio na minha mente foi descobrir os segredos desses desenhos de três, quatro anos atrás que de um jeito ou de outro 1) Eu desenhei muito mal, sendo que eu já sabia desenhar bem 2) Como que eles foram parar ali e 3)Como que todos os fatos que eu tinha desenhado teria virado realidade atual.
Desci as escadas e entrei em qualquer quarto, o quarto estava tão empoeirado, que já percebi que era um “porão”, vi uma caixa colorida cheia de florinhas escrita: Desenhos da Ruby. Como eu sou curiosa decidi abrir, tossindo da poeira que levantara, novamente tinham desenhos do passado e retrasado (desenhos horríveis, sendo que eu já sabia desenhar), peguei a caixa e fui para o meu quarto examiná-las.
Já pareciam ser mais recentes, a primeira fora de mim dando um chute e uma garota e ela me dando um soco: Um dia desses a Hanny vai me pagar se me der um soco no meio do pátio. 25/09/2015. De novo as imagens me pegam de surpresa, eu me lembro de ter levado um soco dela semanas depois e sem pensar eu tinha dado um chute nela.
A segunda era de mim chorando e algumas garotas que não pude identificar indo embora me deixando: Se eu estiver triste por uma perda, não sei se elas irão atrás de mim para me consolar. 30/10/2015. Um mês antes de minha mãe falecer, e um mês antes delas me largarem e um desenho que eu não consegui lembrar-se de ter feito.
Ouvi passos subindo a escada apressadamente:
–RU! Vamos, acabei de descobrir que o shopping está dando uma promoção de 70%!– Ela para e me olha encima da cama e para meu armário- Você ainda não se arrumou? Deixe que sua tia maravilhosa escolha suas roupas da m-o-d-a atual!
Eu olho para o meu quarto e as minhas roupas penduradas:
– Tia Fê, vamos comprar roupas também?
–Tia Fê?! Gostei, vai me chamar assim, e claro que vamos! Já vi que gosta de combinações.
Depois de escolher uma roupa e ir para o shopping, quando estávamos indo para casa de noite ela diz:
–Amei de comprar coisas com você! Devíamos sair mais! E amanhã, nada de “cinco minutinhos” antes de acordar okay?
–Ta bom, mas será uma guerra para você me acordar.- Olho para ela com cara de quem está desafiando alguém.
–Umm, decidida pode ir descendo do seu trono, amanhã seu uniforme vai estar pendurada no armário e não se esqueça do material! Aliás... – Ela se vira para mim com cara de curiosidade- Por que você estava mexendo naquela caixa hoje? E quando eu cheguei você olhou para mim com cara de espanto?
–Eu não olhei com cara de espanto.
–Sei... Mas pode ficar, não irei precisa-la.
Quando eu cheguei eu estava tão exausta que nem arrumei minhas roupas novas, apenas me joguei na cama macia, esperando o meu primeiro dia escolar chegar.
–-----------------------------No Dia Seguinte----------
Sinto alguém me cutucar e falando meu nome, estou tão cansada que meus olhos nem querem abrir.
–Ru, Ru... Levanta para seu próprio bem. –Quando ela acaba de dizer ela dá uma leve risadinha.
–Ru está impossibilitada de acordar hoje, por favor, tente novamente mais tarde... –Digo me virando para o outro lado.
–Tudo bem então. –Ela começa a ligar e acender as luzes a depois começa a fazer cócegas.
–PARA! PARA!- Digo rindo e me esperneando para sair das garras da minha tia.
–Nananinanão! Olha este grampeador que louco!- Ela me passa o grampeador e uma folhe de papel. –Grampeie!
Não sei por que ela me daria um grampeador no meio da manhã, quando fui grampear me deu um choque, minha tia estava morrendo de rir agora.
–Grampeador que dá choque! – Ela sai correndo para a cozinha- Agora que está acordada, vai se arrumando enquanto faço o café da manhã!
Vou para o meu armário e em visto com meu novo uniforme, o uniforme é tão perfeito, é igualzinho a daqueles de anime, só era bege e vermelho, a escola se chama Braveus. Já ouvi falar nela.
Arrumo minha mochila (que como sempre está pensando duas vezes a mais do que eu) e vou tomar meu café, felizmente minha tia sabe cozinhar muito bem.
–Gosta de ovos mexidos? – Ela pega a frigideira e coloca os ovos- Não precisa ter pressa, falta vinte minutos para sua aula começar.
–Sobre a escola... Como que eu vou achar minha sala?
–A representante de classe estará te esperando na frente do portão.
Após ter comido meu café da manhã, fui para o carro e fomos para a escola. Era na verdade um IMENSO colegial, estava claro que eu me perderia na mesma hora.
–Bem, aqui estamos. Divirta-se e faça alguns amigos. – Eu saio fecho a porta e ela grita lá de dentro- E bote um sorriso nesse rosto!
Como uma pessoa normal eu me viro e vou até o portão da escola, uma garota com o uniforme preto e lenço branco me cutuca por trás.
–Ei, você é a aluna nova Ruby Meffior?
–Sim, você é a representante?
–Exatamente, meu nome é Jessica Thompsom, prazer, mas na sala apenas me chame de representante okay?- Ela tinha longos cabelos loiros com duas tranças nas pontas, olhos negros e pele clara.
–Tudo bem, onde é a sala?
–Apenas me siga.
Passamos por grandes corredores, escadas e milhares de salas, por dentro a escola parecia muito maior com tanta gente. Quando chegamos, ela se vira para mim e diz:
–Bom, o professor de Matemática deve chegar logo. Irei avisá-lo que temos uma aluna nova, nisso você chega lá na frente e se apresenta. Não precisa ficar com vergonha, tudo bem?
–Tudo bem então, e obrigada.
–De nada, se precisar estarei provavelmente na secretaria.
Eu procuro um lugar no meio de tanta gente levantada e conversando, felizmente a minha cadeira é no canto do meio. Alguns olham para mim com uma cara de espanto e outros nem se tocam. Finalmente o professor chega.
–Bom dia alunos de Braveus. Soube pela nossa representante que temos uma aluna nova. Por favor, apresente-se. — Eu saio da minha cadeira com meu estômago “cheio de borboletas” e vou até o quadro evitando maus olhares.
–Er... Bom, meu nome é Ruby Meffior, tenho 16 anos e me mudei recentemente para cá pelo falecimento de minha mãe. Eu amo desenhar e sou boa em jardinagem. Bom é isso.
Os alunos batem palmas e eu apenas vou para a minha cadeira com vergonha, algumas garotas olham para mim com cara de interesse outras só prestam atenção na sua conversa.
A aula de matemática, como sempre demorou bastante, quando bateu o sinal para a segunda aula eu fui direto para a minha sala de ciências, sem dar uma palavra a ninguém. Cheguei lá, sentei e esperei a professora, quando alguém me chamou a atenção. Um garoto chegou correndo para não se atrasar e sentou atrás de mim, ele tinha olhos verdes bem claros, cabelo negro liso um pouquinho espetado e pele um pouco bronzeada. Amor à primeira vista.
–Oi –Ele puxou conversa enquanto eu tentava não mostrar minhas bochechas mais vermelhas do que o batom da minha tia- Você é nova por aqui?
–S-sou sim... Acabei de me mudar para cá. –Olho o chão fingindo estar distraída.
–Meu nome é Ivan, Ivan Switinger. –Ele estende sua mão para mim.
–O-o meu nome é Ruby, Ruby Meffior. –Eu aperto a mão dele. – Você está aqui há muito tempo?
–Err... Não muito sabe, entrei aqui neste ano. Quer almoçar comigo e alguns colegas?
–T-tudo bem então... É claro.
Quando todas as aulas finalmente acabam e reencontro Ivan me esperando na porta da lanchonete, penso nessas pessoas que ele chama de colegas. Não sei se posso contar com eles depois de tudo no que passei, inclusive na minha questão com os desenhos videntes que eu fiz e ao mesmo tempo não me lembro de tê-los feito.
–Ah, você veio. Pensava que não vinha. –Ele se vira e começo a segui-lo, ele me leva à uma mesa com mais duas garotas, no começo eles me olharam como eu fosse algo sem lógica depois entenderam. –Pessoal, esta é Ruby, uma aluna que chegou hoje.
–Olá Ruby.- Todos disseram em uníssono.
–Ruby, esta é Nathalie. –Ela tem cabelos castanhos claros, olhos castanho-escuro e pele bronzeada.
–Oi, me chame a partir de agora de Natie, só por preferência. Gostei do seu cabelo, espere um pouco uma louca estar por vir...
–Esta é Cathy. –Uma garota muito bonita com um cabelo black-power daqueles que eu amo, olhos castanhos e pele negra.
–Me chame de Cathy, prazer. Me passa seu telefone depois okay? E nem se preocupe com a estilista ali...
–EU CONSIGO TE OUVIR! –Natie grita do meu lado.
Eu me sirvo e me sento entre Cathy e Natie, quando vejo alguém me cutucar, me viro e tinha uma garota de cabelos negros e olhos castanhos escuros me observando, quase caio do banco, mas ela me segura.
–OIE! Meu nome é Mariana, vi que você é nova na aula de matem ética e você nem percebeu! Qual é seu nome?
–Eu sou a Ruby...
–Prazer! Vamos comer estou com fome! – Ela sai correndo pra fila.
–Corre enquanto possível, essa aí troca de humor rapidinho. –Um garoto loiro aparece, pele clara e olhos azuis.
–Exatamente...- Um outro chega, tem cabelo castanho encaracolado e olhos negros.
Depois descubro que seus nomes são Daniel e Ryan. Depois da aula de artes (que eu praticamente deixei o professor de boca aberta), minha tia me buscoutoda alegre como sempre.
–Então como foi? Fez muitos amigos? –Eu sorrio e conto tudo sobre as aulas e o tal de Ivan.
–Interessante... Já ta pegando alguém? –Ela dá uma risadinha.
–N-não tia! Credo! –Digo me virando para a janela.
O silêncio reina até quando chegamos em casa e ele me pergunta:
–Quer voltar para casa de bicicleta? É bem pertinho.
–Sério? Posso?
–Claro bobinha.
Chego em casa, jogo o peso da minha mochila na minha cama e vou arrumar minhas coisas.
–Olha a janta! –Minha tia começa a subir as escadas. –Tem arroz, carne, batata cozida e... MEU DEUS O MACARRÃO!
Ela começa a correr que nem uma louca (na verdade ela é uma) e consegue milagrosamente não cozinhar demais. Após comer vou dormir na minha linda cama pensando sobre tudo que acontecera, tento esquecer tudo sobre os desenhos, deve ser coincidência, minha cabeça não vai aceitar assim tão facilmente. Adormeço.
–-------------Dia seguinte-------
Acordo agora sem minha tia me dando choques e quase queimando a luz. Também é feriado! Saio da minha cama e enxergo algo na minha porta grudado.
Um desenho... Um desenho que nem estava ali e que eu não consigo lembra-lo de ter feito.
Já eram as minhas chances de ter achado tudo uma mera coincidência.
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