Com a chegada do mês de Março, só faltava outro mês para o lançamento das colecções. As fotos para o catálogo tinham de começar a ser tiradas para que pudesse dar tempo para imprimir em grande quantidades. O tempo era justo, mas Quinn tinha conseguido a maior parte das peças que iam estar nas combinações. Como Rachel já tinha as peças criadas, para Quinn tinham sido um martírio os últimos dias. Conseguiu que as suas fábricas se monopolizassem para fabricar as peças que tinha desenhado, e parassem a produção de quantidades.

Tinha valido a pena todo o esforço no produto final que ela imaginava, mas era preciso escolher as combinações e isso só podia ser feito com Rachel. Agora tinha a desculpa perfeita para ligar à morena, não fosse a mesma se ter adiantado e ter feito o telefone de Quinn tocar.

— Estava mesmo a pensar em ligar-te. — diz a loira entusiasmada.

— Isso significa que estamos em sintonia.- responde Rachel com um sorriso rasgado.

— Já está tudo da minha parte. Agora é só escolher combinações e fazer as sessões fotográficas.

— Perfeito. Eu ligava exactamente por isso, porque preciso de falar contigo sobre esses pormenores todos. Achas que nos podemos encontrar?

— Sim, claro. Eu posso passar aí. Estás disponível daqui a duas horas?

— Sim, mas se preferires posso ir eu.

— Não é preciso. No Imperial em duas horas, pode ser? Apetece-me um Mocca. — Rachel ri-se do outro lado com carinho.

— Claro. Cá te espero.

— Até já. — diz Quinn desligando sem dar tempo a Rachel de dizer nada mais.

Pontual, como quase sempre, foi Quinn. Duas horas depois do telefonema estava a entrar no imperial com uma pasta debaixo do braço. Rachel já se encontrava sentada na sua mesa de sempre e rasgou um sorriso ao vê-la entrar. Quinn devolveu-lho e aproximou-se.

O momento do cumprimento podia ser tenso, mas não foi. Quinn estendeu a mão em direcção a Rachel com um sorriso e a morena agarrou-a e puxou-a para lhe depositar um beijinho na face esquerda.

Depois de se sentarem a conversar sobre as peças, as combinações, as datas e as ideias que pairavam no ar, chegaram à conclusão óbvia de que fariam história.

— E depois disto é possível que as vendas disparem. Porque a apresentação do catálogo é público e pouco promovido, mas a colecção conjunta vai ter de se sustentar numa base publicitária muito forte. — disse Quinn profissionalmente.

— Eu acho que um marketing bem feito, criativo, nos poupa preocupar-nos com isso. Temos um publico-alvo, só há que investir nele. — Quinn concordou com a cabeça. Rachel olhou para ela e sorriu, sem saber que se ia surpreender com a pergunta, completamente fora de sítio, que a designer ia lançar.

— Porque é que te afastaste de mim? — o semblante de Quinn era calmo e simpático. Rachel surpreendeu-se e adoptou uma postura mais séria, mas ainda assim com um esboço de um sorriso carinhoso na cara.

— Porque achei que dadas as circunstancias era o que tu querias.- a designer não gostou da resposta, embora soubesse que nenhuma a ia satisfazer, e de maneira orgulhosa assentiu.

— Fizeste bem. — Rachel percebeu o tom e soltou uma gargalhada. Quinn olhou-a com uma sobrancelha franzida.

— Eu prometo que não me afasto mais. — diz ela divertida. Quinn revira os olhos de modo divertido e sorri.

—x-

Rachel pensava cumprir a promessa. No dia a seguir ligou para Quinn para lhe falar do casamento de Lisa Levert que era na semana seguinte.

— Quando é que vais para Paris?

— Como assim, para Paris? — perguntou Quinn desconcentrada.

— Não vais ao casamento da Lisa? — e a designer emite um som de surpresa.

— É verdade. Já nem me lembrava disso.

— Eu estava a pensar ir 4 ou 5 dias mais cedo para desfrutar da cidade um bocadinho.

— Eu já conheço Paris. — responde Quinn naturalmente.

— Tu és uma seca. Eu também já conheço Paris, obviamente, mas mudar de ares uns dias é bom para o espírito.

— Acho que fazes bem, devias levar companhia. A Valentina ia adorar. — diz Quinn sarcasticamente, e embora Rachel pudesse sentir-se bem com a possível indirecta, aquele era um tema sensível para ela depois de tudo.

— Não tens piada.

— Não era a intenção. — responde Quinn com calma ao perceber que não devia tê-lo dito.

— Eu despedi a Valentina naquele dia, e pedi-lhe que não voltasse a aparecer-me à frente. Acho que não seria boa ideia levá-la mais cedo para Paris, dado que é provável que ela esteja no casamento. — e agora a resposta de Rachel foi mais descontraída. Quinn sentiu uma pontada no estômago com aquela informação, não fazia ideia de que Rachel a tivesse despedido. A sensação de alivio que a inundou não era explicável.

O silêncio de poucos segundos torna-se um bocadinho incómodo ao não haver resposta por parte de Quinn, e Rachel decide quebrá-lo.

— Como é? Vais continuar a fazer-te de desentendida? — Quinn estranhou a pergunta.

— Estás a falar do quê?

— Vais continuar a ignorar o facto de te estar a convidar para vires comigo? — riu-se Rachel do outro lado, e Quinn acabou por esboçar um sorriso carinhoso. Mas a sensação de culpa e de medo era mais forte.

— Não sei se posso Rachel, tenho de ver a minha agenda até lá.

— Quinn, "lá" é para a semana.

— Eu confirmo-te depois, pode ser? Porque o meu pai tem um negócio qualquer debaixo de vista e precisa de ir a Los Angeles a uma reunião e quer que eu vá com ele. Acho que exactamente na semana que vem.

— Ok. Então eu espero que me confirmes.

— Fica combinado.

E não demorou muito até que Quinn foi confirmar a disponibilidade e viu que não podia de facto ir com Rachel.

E juntaram-se a tristeza e o alivio numa batalha contraditória na sua cabeça.

Notas finais
Então? Demasiado lento? É que este é o ritmo, e eu prometo que isto começa a aquecer gradualmente. Eu vejo as histórias como as relações entre as pessoas (qualquer tipo de relação) ...dar tudo de uma vez perde o encanto.