Desejos libertos
23 Pontos de vista
Notas iniciais
Diário de Ciel Phantomhive (escrito por indicação do dr. Morrison como forma de tratamento da amnésia)
Eu estou completamente perdido. Dizem que eu perdi a memória, me esqueci de três anos da minha vida! Primeiro eu achei que era uma brincadeira, uma brincadeira de muito mau gosto, depois percebi que eu realmente estava em um hospital e que a história devia ser verdadeira. O médico disse que eu provavelmente vou recuperar a memória, que aos poucos ela vai voltar, quando eu disse que preferia que ela voltasse toda de uma vez ele negou, dizendo que isso às vezes deixa as pessoas mais confusas ainda. Eu já estou confuso, então não sei o que pensar.
Não reconheci nenhum dos empregados, exceto o Tanaka que foi como uma boia salva-vidas nessa ressaca que virou a minha vida. Eu me sinto um estranho na minha própria casa.
Me esforço para lembrar de alguma coisa, mas não vem informação nenhuma. Meus pais ainda não apareceram, acho que eles estão viajando… Toda vez que eu pergunto sobre eles, ninguém me responde. Eu quero muito saber o que aconteceu nesse período que eu esqueci mas parece só uma pessoa sabe o que me aconteceu — o Sebastian — mas ele sempre desconversa e não me diz nada.
Logo que eu voltei do hospital, aproveitei que estava sozinho no quarto e fui me olhar no espelho. Realmente eu parecia mais velho. É horrível essa sensação de esquecimento, parece que a informação está ali, na esquina do seu cérebro mas eu não consigo alcançá-la.
E esse tapa-olho?
O Sebastian disse que eu era cego desse olho. É mentira, eu o tirei e enxergo perfeitamente com ele. Pior é esse desenho que surgiu na minha íris e a cor que mudou.
“O que será que aconteceu???”
“O que isso significa???”
Nessa primeira noite, fiz uma coisa que eu nunca fiz antes, mas que me pareceu a coisa mais natural do mundo: pedi para o Sebastian ficar no quarto até que eu adormecesse. Ele não pareceu se surpreender com o meu pedido, abriu um sorriso e ficou.
“Será que eu já pedi isso e acabei me esquecendo?”
Acordei de madrugada, tudo ainda estava escuro. Fiquei um pouco apreensivo mas não ia chamar ninguém. Virei para o lado e abracei o travesseiro extra. Afundei o rosto na maciez do tecido e senti um perfume diferente, era um cheiro que eu acho que já senti, mas não lembro onde. Meio amadeirado com um toque de cravo, era muito bom e me meu estômago se apertar. Não sei porque eu me senti assim, mas abracei mais o travesseiro e consegui adormecer novamente.
Eu estou acumulando um monte de perguntas mas nem adianta perguntar para o Sebastian, ele não vai me dizer nada. Fica só falando que depois me explica, mas esse depois nunca chega.
Aliás, esse Sebastian...Eu não sei… Não sei o que pensar.
Ele me olha diferente dos outros, está sempre me fazendo companhia. No começo eu achei estranho mas depois que eu conversei com o Tanaka e eu e ele começamos a conversar mais acabei vendo que ele é uma companhia agradável, embora não me deixe repetir a sobremesa. Mas tem mais coisas, coisas que me deixam envergonhado… Não sei bem explicar… acho que é o jeito que ele me despe para me dar banho, e o jeito que ele esfrega a esponja em mim… ou quando ele me veste… sempre dá um jeito de tocar na minha pele e ...isso me deixa esquisito… meu coração dispara e eu começo a sentir um calor… Acho que estou mais doente do que imaginava.
Estou tentando ser um paciente obediente mas acho que o Sebastian não gosta de mim. Ele me olha desse jeito estranho e vira e mexe fica parado me encarando, não sei o que está se passando na cabeça dele. Mas eu gosto da sua companhia.
“Será que estou sendo muito inconveniente?”
Realmente eu não sei. Tem hora que eu acho que ele tem algum carinho por mim, mas como eu disse antes, tem hora que eu acho que não — quando ele fica vermelho e fica me encarando...seus olhos brilham e parece que ficam meio vermelhos… Não sei.
Eu acho que estou ficando louco além de desmemoriado. Acho que eu estou muito doente, sei lá. Tenho sentido umas coisas muito estranhas, mas como eu não posso falar disso com ninguém, só com você, diário, vou dizer o que está acontecendo:
Sabe, eu gosto quando o Sebastian me abraça, isso me acalma, eu me sinto seguro. É claro que um empregado não fica abraçando o patrão então eu o engano, finjo que estou cansado ou com dor nas pernas e peço para ele me carregar. Ele sempre me obedece e eu aproveito para ficar sentindo o seu perfume, é gostoso, mas me deixa meio doente, aquele calor que eu sinto quando ele me dá banho sempre volta. Aliás, é isso! O cheiro do travesseiro é o mesmo do Sebastian…
“Por que o meu travesseiro tem o cheiro do meu mordomo?”
Mais uma pergunta para eu fazer para ele.
Esses dias nós fizemos um piquenique no jardim. Rapidinho ele preparou um monte de coisas gostosas — ele é muito eficaz. Mas é muito distante também, ficou lá de pé, enquanto eu comia e só depois de eu insistir muito, aceitou deitar-se ao meu lado na toalha e ficar vendo o formato das nuvens. Eu acho que estou ficando louco além de desmemoriado, pois naquele dia, tive muita vontade de encostar a cabeça do seu peito, mas isso não é de bom tom e ele podia pensar coisas erradas à meu respeito, então eu só me aproximei um pouco.
Mas antes desse dia, aconteceu uma coisa que realmente me deixou envergonhado. O Sebastian estava me trocando, eu realmente gostava da companhia dele, mas acho que ele não gosta muito da minha, embora sempre fique do meu lado, mas isso eu já disse, não é? Então, eu resolvi puxar assunto, falei sobre a amizade que o Tanaka havia dito que a gente tinha...Ele disse que nós éramos como melhores amigos, fiquei muito feliz, porque eu nunca tive amigos, exceto a Lizzy (que aliás ainda não veio de visitar) mas ela sempre quer que eu brinque de bonecas mas eu não gosto disso.
Eu estava muito contente em ter um amigo, mas então ele brigou comigo porque eu não deixei as pernas quietas para que ele pudesse vestir as meias. Fiquei triste na hora, mas nós éramos melhores amigos, e melhores amigos não ficam bravos com os outros, não é? Perguntei se nós podíamos ser melhores amigos ainda e quando ele disse que sim não me aguentei e pulei em cima dele, o abraçando. Ai que vergonha!!! O pior foi o que aconteceu depois… Não quero nem falar…
Nem disso nem dessa noite que eu desci para comer um doce. Acho que ele está com raiva de mim...
Mas, mudando de assunto, amanhã ou vou perguntar de novo para o Sebastian o que aconteceu com os meus pais e o que é isso no meu olho.
E não vou aceitar não como resposta.
POV Sebastian
Três dias se passaram e o bocchan ainda não recuperou a memória. Eu e os empregados concordamos que é melhor ainda não falarmos nada sobre os pais dele e sempre que pergunta sobre isso eu desconverso. Ele parece mais infantil ainda e por várias vezes, estende os braços para que eu o carregue. É quase uma tortura para mim tê-lo tão perto e tão distante, embora seu olhar não esteja mais tão frio para mim. Acredito que ele está se acostumando comigo.
Ontem, enquanto eu o ajudava a se vestir ele perguntou:
_Sebastian? Nós éramos próximos?
_Próximos como? — devolvi a pergunta.
_O Tanaka disse que você me acompanhava aonde quer que eu fosse.
_Ah sim. É, nós éramos próximos.
_Então.. nós éramos amigos? — ele me olhava atentamente, sentado sobre a cama, os braços apoiados no colchão de cada lado do corpo, balançava as pernas como uma criancinha o que dificultava um pouco meu trabalho de abotoar a camisa, pois corria sempre o risco de ser chutado.
_Pode-se dizer que éramos amigos.
_Como melhores amigos?
Parei o que estava fazendo e olhei nos seus olhos.
_Sim, como melhores amigos — respondi sorrindo.
Ele abriu um pequeno sorriso. Meu coração começou a derreter — ele é tão lindo! E fica tão adorável desse jeito criancinha…
_Eu nunca tive um melhor amigo… — comentou
Eu fiquei em silêncio, terminei de abotoar a camisa e me ajoelhei para prender as meias nas pernas irrequietas dele. Na terceira tentativa de vestir as meias sem ele parar de se mexer eu perdi a paciência.
_Fique quieto ! — falei com voz séria. Imediatamente ele parou, olhou para baixo.
_Me desculpe — falou num fiozinho de voz.
Bati com a palma da mão no meu rosto — “Como alguém pode mudar tanto em tão pouco tempo?” — pensei. Ainda não estou acostumado com esse bocchan. E olha que nos conhecemos quando ele tinha dez anos, aquele mês que ele foi mantido preso e o que fizeram com ele transformaram esse garotinho doce e tímido naquele arrogantezinho cheio de desejo de vingança que eu tinha conhecido.
_Não se desculpe. Eu sou um servo apenas — abrandei o meu tom de voz.
Vesti as meias e coloquei os sapatos. Ele tinha ficado completamente calado, depois de alguns minutos quebrou o silêncio.
_Sebastian?
Ergui meus olhos.
_Sim?
_Podemos ainda ser melhores amigos?
Estava corado e eu tive que usar todo o meu auto controle para me segurar.
_Mas é claro. Seria uma honra para mim ser o seu melhor amigo — disse. Ele abriu um enorme sorriso.
Então ele se jogou da cama e me abraçou enrolando os braços no meu pescoço.
Engoli em seco — agora sim eu tive que me controlar — como eu queria beijá-lo, sentir a maciez e o calor daquela boca…
Abracei-o de volta, estreitando seu corpo no meu e senti ele prender a respiração. “Será que ele ainda sentia alguma coisa por mim? Será que tinha ficado alguma pontinha daquele sentimento?”
Afrouxei o abraço e ele se afastou alguns centímetros ainda me segurando, o que foi dez mil vezes pior, porque agora seu rosto estava de frente ao meu, nossos lábios na mesma altura, muito próximos. Olhei-o nos olhos e ele sustentou o meu olhar novamente, mais corado ainda, eu não conseguia nem xingá-lo mentalmente, não com ele sendo tão dócil assim.
Acho que eu preferia quando era arrogante e me provocava, pelo menos eu podia xingá-lo de pirralho ou outra coisa assim, muitas vezes ele me irritava e eu podia responder à altura sem medo de que ele ficasse triste — era assim que estávamos acostumados, cada um provocando o outro. Mas não agora, em que ele me olhava tão docemente, tão inocente. Não agora em que o rubor tomava conta do seu rosto, e seus lábios se separavam minimamente.
“Maldição, maldição, maldição” — pensei quando ele umedeceu os lábios com a língua — “Não vou conseguir me segurar, é demais para mim”.
Meus olhos passeavam dos seus olhos para os lábios rosados, ele fez o mesmo que eu, sua respiração estava mais rápida.
“Ele quer um beijo. Ele quer? Não quer?”
Pus minha mão delicadamente no seu ombro, seus braços ainda se enrolavam no meu pescoço, aproximei mais meu rosto, inclinando cabeça levemente para o lado. Aqueles olhos estavam presos aos meus.
“Eu preciso beijá-lo… Eu preciso sentir seus lábios mais uma vez…”
Aproximei ainda mais, lentamente. Podia sentir sua respiração batendo na minha boca. Ele não fez nenhuma menção de se afastar em momento algum, eu podia sentir seu coração bater acelerado agora — o meu não estava diferente. Entrecerrei meus olhos.
Estávamos quase nos beijando, os lábios separados por milímetros, se ele ou eu respirasse fundo, nossos lábios encostariam. Parei por um segundo e ouvi um breve soluço, abri mais os olhos: ele não havia se afastado mas estava assustado, nervoso com o que achava que era o seu primeiro beijo.
“Não. Eu não posso.” — pensei.
Me afastei imediatamente dele. Me levantando.
_Com licença, Jovem amo — saí rápido do quarto sem olhar para trás.
Fui para o meu quarto e fiquei lá por alguns minutos, respirando fundo e tentando me controlar.
Quando saí, o encontrei no escritório lendo um livro de histórias. Ele parecia profundamente envergonhado e eu fingi que nada havia acontecido. O resto do dia correu normalmente e no final do dia ele também agia assim.
Hoje o dia amanheceu surpreendentemente bonito. Nada da névoa ou chuva características daqui. O bocchan acordou animado — outra coisa que eu me surpreendi. Tomou o café da manhã e foi para o escritório, estudou até a hora do almoço — sem reclamar!!!.
O liberei das atividades do período da tarde o que ele ficou feliz. Voltou a ler as histórias. Eu me sentei na poltrona perto da janela e comecei a verificar os documentos da Funtom, afinal ele estava impossibilitado de cuidar dos negócios.
Passou-se três horas quando ele fechou o livro.
_O dia está tão bonito — comentou se espreguiçando e olhando para fora da janela.
_Está sim — concordei.
_Podíamos fazer um piquenique no jardim ao invés do chá convencional. O que acha, Sebastian?
Também fechei meu livro.
_É uma ótima ideia.
Ele sorriu e disse.
_Então prepare tudo que eu já vou descer.
Pulou da cadeira e saiu quase correndo do escritório. Ele havia deixado a janela aberta e eu fui fechar. Num segundo o vi sair para o jardim, correu pelos canteiros e se sentou debaixo de uma árvore aparentemente interessado em algo que havia visto no chão.
Fui até a cozinha e depois de cerca de uma hora, tudo estava pronto. Preparei uma cesta de piquenique com torradas, bolinhos, pãezinhos, biscoitos doces além de suco e chá.
Me aproximei lentamente para não assustá-lo. Ele estava deitado na grama, parecia estar dormindo, os braços cruzados atrás da cabeça e as pernas separadas um pouco. Os longos cílios escuros faziam sombra nas maçãs do rosto, os lábios estavam entreabertos e ele ressonava baixinho.
_Bocchan? — chamei.
Ele abriu os olhos e um sorriso.
_Sebastian — sentou-se com os olhos presos na cesta — O que preparou para o chá?
Pousei a cesta no chão e ele a puxou, abrindo-a e examinando seu conteúdo. Peguei a toalha que havia trazido e forrei a grama. Assim que estava esticada, ele pulou para cima, espalhei os quitutes pela toalha e ele logo atacou os bolinhos.
Comeu cinco antes que eu o alertasse para comer com calma senão iria passar mal.
Ele riu. Bebeu um copo de suco de morango o que o deixou com um bigodinho rosa sobre o lábio. Depois deitou-se novamente.
_Por que você fica aí? Parado e de pé?
_Por que eu sou um serviçal, Jovem amo — respondi diante da obviedade.
Ele riu novamente.
_Venha, Sebastian. Deite-se ao meu lado.
_Melhor não — respondi.
_Por quê? — franziu o cenho.
_Porque não é adequado para um empregado — falei mas é claro que eu queria deitar-me ao lado dele, ou sobre ele ou atrás dele…
_Deixa de bobagem. Venha logo, estou mandando — riu mais uma vez, brincando.
Deitei-me ao seu lado e ele se aproximou mais de mim. Ficamos lá, com o bocchan olhando o céu.
Ele pegou uns biscoitinhos que eu tinha trazido e jogava um por um na boca. Eu o observava de canto e olho, não queria constrangê-lo mas não conseguia deixar de admirá-lo. Ele não parecia notar.
_Você gosta de olhar as nuvens, Sebastian?
Desviei meus olhos para o céu.
_Hum… Não sei. Não costumo ficar olhando o céu.
_Mas é tão bonito. Olha só — apontou para uma nuvem — aquela se parece com um castelo.
Olhei para a tal nuvem e não vi nada parecido com um castelo — “Imaginação infantil”. Ele jogou mais um biscoito na boca.
_Você não quer comer?
Balancei negativamente a cabeça e sorri. Ele deu de ombro e terminou de comer.
Ficamos lá até quase o anoitecer.
***
Depois de colocar o Jovem amo na cama e aguardar que ele adormecesse, desci para os meus aposentos. Não teve jeito, tive que me aliviar sozinho pensando no bocchan. Na minha mente agora se misturavam as duas personalidades — hora o garoto convencido e safado que havia me preparado aquela comemoração de dia dos namorados inesquecível, hora esse garoto mais tímido ainda, doce e adorável. Isso estava me deixando louco, o desejo estava me atormentando dia e noite e só depois de me derramar três vezes eu consegui me acalmar.
Acordei no meio da noite com um barulho. Na verdade eu não estava dormindo realmente, afinal eu não tenho essa necessidade humana, ao contrário de outras. Apurei a audição e percebi que o som vinha da cozinha.
“Será uma nova infestação de ratos? Ou será que a minha gata havia encontrado alguma comida para roubar?”
Me levantei e fui verificar. Assim que cheguei à cozinha percebi a claridade de velas.
“Hipótese de ratos ou gatos eliminada. Só pode ser Bard ou os outros” — pensei.
Mas nada podia me preparar para a cena que eu vi.
Bocchan estava sentado no chão da cozinha, com as pernas abertas e flexionadas para trás, seu camisão estava torto e escorregava por um ombro, estava com o cabelo bagunçado e tinha um pote de creme brulè, que eu tinha preparado para ser a sobremesa do dia seguinte, entre as pernas. Havia começado a comer com uma colher, mas agora ela estava jogada de lado e ele passava os dedos pela vasilha e os lambia. Levantou a cabeça assim que eu entrei e se assustou com a minha presença. Seu rosto estava sujo do creme branco e ele corou violentamente.
Ele...estava...completamente...totalmente...estuprável.
Meu membro, que eu tinha à muito custo conseguido acalmar mais cedo da noite, ficou em pé imediatamente e a fantasia se formou na minha mente.
Eu caminharia até ele e ele ergueria os olhos doces para mim. Eu chutaria o pote para o lado e o deitaria ali no chão frio mesmo. Beijaria a sua boca, lenta e calorosamente, tirando todo o resto do creme, desabotoaria a camisa e a tiraria, jogando-a de lado, então desceria beijando seu pescoço e peito, sentindo a maciez e o gosto da pele então provaria os pequenos botões rosados, faria ele gemer e se contorcer de prazer como toda vez eu faço, aposto que ele continua tão sensível quanto antes… Cobriria seu corpo com beijos e sugadas, marcando-o como meu, até que chegaria à sua entrada, se bobeasse eu o lubrificaria com o creme brulé que sobrou no pote… Ele não gosta tanto de doce? Pois então...
_Sebastian … — sua voz falhou mas serviu para me tirar da minha fantasia sexual.
Balancei a cabeça, mandando os pensamentos luxuriosos embora.
_O que você está fazendo, Jovem amo?
Ele estava roxo de vergonha por ter sido pego no flagra roubando a sobremesa.
_Estava com vontade de comer um doce…
_No meio da noite?
Ele não me respondeu.
_Por que não me chamou? Era só tocar a campainha que eu iria até seu quarto.
_Você não tinha me deixado repetir a sobremesa — comentou.
Respirei fundo e caminhei até ele. Eu teria muita sorte se ele não percebesse a minha ereção, mas não tinha jeito: eu teria que limpar aquela sujeira.
_Volte para o quarto — mandei — Vou limpar isso aqui.
Ele olhou para o próprio colo e torceu as mãos.
_Sebastian?
Aquilo estava me enervando. Eu já estava puto, com um tesão danado e aquele garoto não se mexia e ainda ficava miando o meu nome toda hora.
Olhei para ele.
_Me leva? Está escuro.
Meu sangue ferveu. Se tivesse que carregá-lo agora eu não iria me controlar.
_O senhor não teve medo de vir até aqui.
_Mas agora estou.
_Não tem nada de perigoso no caminho, pode ir — o puxei pelos braços, o pondo de pé, peguei o castiçal e entreguei na mão dele — Vai para o quarto, daqui a pouco eu subo.
Ele saiu de mansinho, fiquei vendo a claridade das velas se distanciarem conforme ele seguia pelo corredor. Limpei tudo correndo e quando subi para ver se estava tudo bem encontrei-o dormindo ainda com a boca suja. Umedeci uma toalha e limpei o rosto dele, aproveitei para puxar as cobertas e cobri-lo então saí do quarto e voltei para o meu. Tentei me acalmar, mas não deu muito certo.
Esse garoto vai me deixar louco!
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