Desejos libertos
31 O resultado
Notas iniciais
Quatro horas. O bocchan ficou naquele estado deplorável por quatro horas. Quatro longas horas em que eu fiquei sentado na cama sem ter nenhum apoio para as costas, mas eu nem me importei com isso, tinha o bocchan no colo como se fosse um bebê, meus braços envolvendo o seu pequeno corpo. Tendo ele assim, tão largado nos meus braços, parecia que era ainda menor e mais fraco do que normalmente. Estava com os olhos fechados mas as pálpebras tremiam um pouquinho de vez em quando, a boca estava entreaberta e a testa estava molhada de um suor frio.
Cada vez que ele se agitava, cada vez que ele choramingava ou esbravejava amaldiçoando o inimigo que só ele podia ver eu ficava angustiado.
“Qual o efeito disso na mente tão jovem dele?”
“Quando vai finalmente acabar?” — eram perguntas que não paravam de martelar na minha mente. Lembrei das palavras do Tanaka que vivia repetindo que os Phantomhive são fortes como rochedos e nunca quis tanto que isso fosse verdade. Parecia que toda vez que as coisas estavam finalmente se acalmando e se acertando, acontecia alguma coisa e tudo voltava a ser turbulento.
Sinceramente, esse foi o contrato mais agitado que eu fiz em muitos séculos e eu estaria me divertindo muito mais se não tivesse me apaixonado pelo meu mestre. Não é que eu não queira viver essa história com ele mas é que o amor nos enfraquece, nos torna medrosos. Eu agora tenho medo que ele sofra, que se machuque; eu o protejo para que ninguém o mate mas não há como protegê-lo contra fatores naturais como uma doença. E a possibilidade dele morrer e nós nos separarmos para sempre é aterrorizante para mim. Viver uma eternidade de saudade é uma das piores torturas que podem acontecer.
“O que esse garoto fez comigo?” — pensei, ponderando todas as mudanças que ele causou em mim nesses três anos.
Fiquei com o bocchan no colo até um momento em que me pareceu que ele adormeceu, já fazia um bom tempo que não se movia e a respiração estava profunda e constante, ajeitei-o ao meu lado sobre a colcha da cama e puxei o edredom por cima, mas assim que eu comecei a escorregar para fora da cama ele segurou o meu pulso.
_Fique comigo, Sebastian — sussurrou, percebi que o timbre de voz parecia diferente mas talvez fosse o efeito dos gritos e das longas horas balbuciando.
Continuei ao seu lado e acariciei o seu rosto. Ele piscou como se estivesse com sono, estava deitado de lado e o rosto estava meio enterrado nos travesseiros com a mão esquerda sob a bochecha.
_Como você está? — perguntei preocupado.
_Como se tivesse sido espancado — murmurou e virou de barriga para cima. Eu acreditava que ele tinha recuperado a memória mas eu não tinha certeza se isso realmente tinha acontecido nem se tinha recuperado tudo.
_Quer comer ou beber alguma coisa? — ofereci.
Ele balançou a cabeça negativamente.
_Sabe o que aconteceu?
_Tive um pesadelo. O pior de todos — sua voz estava rouca.
Criei coragem e perguntei.
_Você se lembra de alguma coisa?
_Hã? Do pesadelo? — ele tinha coberto os olhos com o braço mas agora o tinha afastado e me olhava sem entender.
_Não, não do pesadelo. Qual a última coisa que se lembra?
_Ora — ele parou um momento como se fizesse força para recordar — Aquele maldito bateu em alguma coisa que atingiu a minha cabeça. Por que não veio a tempo para me livrar do golpe?
Respirei aliviado, parece que o bocchan antigo tinha voltado.
_Eu estava cuidando dos outros, se lembra? Eu não queria que a gente se dividisse mas você disse que dava conta.
Se ele tivesse meu ouvido e não tivéssemos ido para lados diferentes nada disso teria acontecido.
_Que seja! Agora é tarde! — resmungou.
“Com certeza o timbre mudou”.
_O que aconteceu com eles?
_Todos mortos — respondi, ainda sentado ao seu lado.
_A rainha já foi avisada que a missão foi cumprida?
_Há muito tempo — respondi e ele olhou para mim.
_Como assim?
_Você acha que a missão foi quando?
_Ontem oras.
_Ela foi há quase um mês.
Ele sentou-se na cama e nós ficamos ainda mais próximos.
_Do que você está falando? — seu cenho estava franzido.
_Você perdeu a memória com o acidente. Foi um daqueles ganchos de ferro que bateu na sua cabeça.
O conde arqueou as sobrancelhas e eu continuei.
_Você foi levado para o hospital pois não voltava do desmaio de jeito nenhum e quando acordou não se lembrava de nada.
Ele pôs a mão sobre a boca, surpreso.
_Eu não me lembro de nada…
Fiz uma expressão de — “É isso o que acontece quando se perde a memória!” e ele ficou mais sério.
_ O quanto eu esqueci? De tudo?
Neguei com a cabeça.
_De tudo não. Só desses três anos.
“Só” — enfatizei a palavra no meu pensamento, esse “só” envolvia quase uma vida de tantos acontecimentos que alteraram a vida dele e eu nem estou falando de nós dois, mas de todo o resto também.
Ele arregalou os olhos.
_Esqueci de muita coisa… — comentou, passou a mão sobre o olho do contrato como para se certificar que a marca estava ali ainda, mas é claro que isso de nada adiantava, ele não estava vendo o símbolo, depois subiu mais a mão até a testa, numa expressão preocupada.
_Sim, foi muita coisa — concordei — Por três semanas você foi um garotinho de dez anos…
Bocchan me encarou.
_Dez anos? Não quero nem saber como foi — e balançou a cabeça de um lado para o outro.
Sorri levemente.
_Foi...revelador — ri um pouco e ele me olhou meio bravo — Nunca imaginei que você seria tão doce e fofo.
Bocchan corou e fechou a cara.
_Pare de falar idiotices. Eu nunca fui fofo.
Toquei seu rosto.
_Você ainda é fofo. Só que faz força para parecer mais adulto e sério do que realmente é. Foi surpreendente conhecer a sua outra face. Educado, doce, fofo e ingênuo.
Ele afastou a minha mão com um tapinha.
_Eu era só uma criança. E isso foi há muito tempo. Numa época em que eu achava que o mundo era melhor e a humanidade era boa.
“Ah, esse é o meu bocchan: mal humorado, amargo, sem censo de humor e se fazendo de durão” — era bom tê-lo de volta e eu quis beijá-lo nessa hora mas, e se ele não tivesse recuperado a memória de nós dois?
_Bom, eu não sou a melhor pessoa para defender a humanidade.
_Não mesmo. O que seria de uma pessoa defendida por um demônio? — perguntou sarcástico.
“Pelo menos ele se lembrou do que eu sou. E pelo jeito seu humor ácido e provocador voltou também.”
_Não se esqueça que sou eu que te protejo. O que será de você?
Ele voltou a se deitar.
_Provavelmente irei para o inferno com você. Ou não, você vai me devorar um dia e eu não sei o que virá depois.
Não gostei do rumo da conversa. Resolvi mudar de assunto.
_ Como você perdeu a memória e demorou para voltar, gostaria de fazer algumas perguntas para saber como está. Tudo bem?
Ele voltou a sentar-se, apoiou as costas nos travesseiros e ajeitou o ededron sobre as pernas. Deu de ombros e eu falei, me lembrando das perguntas que o doutor Morrinson fez naquela ocasião no hospital.
_Me fale sobre você.
Ele revirou os olhos, claramente impaciente.
_Sou o conde Ciel Phantomhive, tenho treze anos e sou órfão pois algum inimigo da minha família resolveu assassiná-la no dia do meu décimo aniversário. Fui sequestrado e torturado e só não morri porque fiz um contrato com um demônio que me protege dos meus inimigos em troca da minha alma e que se disfarça de mordomo. Tenho uma companhia de doces e brinquedos e trabalho para a rainha Vitória, resolvendo problemas do submundo e por isso sou considerado o Cão de guarda da rainha.
Meneei a cabeça.
_Acho que se lembrou de tudo. Quer dizer mais alguma coisa? Alguma coisa importante?
“Não quer me falar que você se lembra que namora o seu mordomo?”
Ele torceu a boca.
_Hum… não. Acho que não tem mais nada.
“Talvez essa parte não tenha voltado” — pensei triste.
Depois de alguns minutos de silêncio ele jogou as pernas para fora da cama e se levantou.
_Chega de conversa fiada. Hora de trabalhar.
Foi ao banheiro e fez sua higiene matinal, quando voltou o ajudei a se trocar e nós descemos. Eu quis muito abraçá-lo enquanto o trocava mas me segurei.
Lá embaixo, todos os empregados estavam ao pé da escadaria, aguardando ansiosos alguma notícia. Olharam aliviados quando o viram descer os degraus das escadas.
_Jovem amo! Tudo bem? — Mei rin perguntou com aquela voz fina típica dela.
_Por que não estaria? — respondeu o bocchan.
_Bem, o senhor andou um pouco diferente esses dias — comentou Bard, coçando a nuca.
_É verdade. Estava fofo e foi difícil para o senhor Sebastian ficar perto do senhor e não… — falou Finny, tocando repetidas vezes as pontas dos dedos indicadores, uma contra a outra mas não conseguiu terminar a frase porque o Bard lhe deu um cutucão nas costelas e ainda bem que ele fez isso senão eu mesmo o faria se calar.
O Jovem amo abriu mais os olhos e corou um pouco, olhou para trás e ergueu o olhar para mim, eu dei um pequeno sorriso e um encolher de ombros.
_Eles só estão preocupados com o senhor. Todos estávamos apreensivos sobre a possibilidade da sua memória não voltar.
Ele voltou a cabeça para frente e os olhou:
_Não se preocupem, eu estou bem e finalmente recuperei a memória. Tudo voltará a ser como antes.
“Voltará?” — pensei.
Ele fez um movimento com a cabeça de — “vamos” — e nos encaminhamos para o escritório.
_Como está a companhia Funtom? — perguntou sentando na sua poltrona.
_Tudo certo, eu cuidei da administração nas duas semanas e na última você estava começando a se inteirar do assunto — falei enquanto fechava a porta do cômodo.
_Estava?
_Sim. Você também estava com medo de não se recuperar — me postei ao seu lado.
_Bom, então não há nada tão urgente para eu me preocupar. Sebastian, mande uma carta à rainha dizendo que eu me recuperei. E traga algo para eu comer, comerei aqui hoje.
_Sim, milorde — respondi — Quer que eu avise a senhorita Elizabeth? — arrisquei para ver o que ele respondia.
Ele me olhou como se eu tivesse falado para ele comer uma cobra viva.
_Por que eu iria querer isso? Para ela vir correndo para cá e me trazer mais problemas? Já não basta os que eu já tenho?- falou irritado.
_Como quiser — respondi e saí para preparar sua refeição.
Já estava na hora do almoço e o Bard teve que se virar pois eu estive todo esse tempo com o Jovem amo ou seja, a comida estava péssima. Então eu preparei um sanduíche substancioso, enchi uma bombonière com os profiteroles recheados e fiz chá.
_Queria saber como foi essas semanas… — comentou distraidamente, deixando de lado o sanduíche e atacando os profiteroles.
_Você fez um diário. Ele está escondido debaixo da sua cama.
Ele olhou para mim.
_Por que eu faria um diário? É tão revelador, sem falar que é uma tentação para olhos alheio quererem lê-lo.
Obviamente ele estava achando que eu iria ler o seu diário.
_Não li, se é isso o que está achando. E foi feito sob orientação do doutor Morrinson que cuidou de você depois do acidente.
_Tch. Depois eu leio, então.
Passamos o resto da tarde revendo os documentos. Na hora do jantar ele queria comer só o doce da sobremesa e eu não deixei, fiz ele comer a refeição também, ele não gostou nem um pouco, reclamou, reclamou , mas obedeceu. Depois subimos e ele já foi direto para o banheiro — era sempre a nossa rotina: jantar, banho, se trocar e depois cama. Banhei-o como das outras vezes em que ele não se lembrava de nada, tocando-o muito levemente e sem tentar nada. Já estava mais do que calejado desse jogo, sem nunca saber exatamente o quanto ele se lembrava e o quanto ele havia esquecido. Demônios também se cansam e eu havia decidido deixar um pouco para lá, deixar ver no que dava.
O vesti com um camisão limpo, esse era azul bem clarinho com listras bem fininhas num azul mais escuro, penteei seu cabelo. Estava uma noite quente e eu tinha lavado seus cabelos e tive que ficar vários minutos esfregando a toalha para retirar toda a água em excesso de modo que quando terminei ele estava completamente despenteado.
Ele se encaminhou para a cama e ficou alguns segundos olhando para ela, olhou para mim e voltou a olhar para o leito; fiquei aguardando para ver se ele ia falar alguma coisa mas ele se manteve em silêncio, depois deu de ombros e subiu no colchão.
_Está muito quente — reclamou quando eu o cobri com o edredom — E deixe a janela aberta, pelo menos por enquanto.
Eu voltei a abrir as vidraças que tinha acabado de fechar à poucos segundos.
_Mais alguma coisa, bocchan? — perguntei solícito.
_Não. Está tudo bem.
Ele estava sentado na cama, com as pernas estiradas.
_Então eu vou me retirar. Boa noite, bocchan.
Me encaminhei para a porta após uma leve mesura.
_Para onde você vai?
Eu estava na porta, com a mão na maçaneta.
_Para o meu lugar — respondi me referindo ao meu quarto.
_Aproxime-se, Sebastian — seu tom era duro e sério.
Tornei a fechar a porta e voltei para o lado da sua cama.
_Abaixe-se — ordenou, sua expressão estava muito séria. Mas eu não havia feito nada de errado.
“Vai saber o que esse garoto quer… Uma personalidade é um doce, a outra é um mimado e essa agora? Vai ser um mandão?”
Me inclinei sobre ele, obedecendo-o. Ele segurou a minha gravata e me puxou até que os nossos rostos estivessem frente à frente.
_Seu lugar é na minha cama.
Nem acreditei quando ouvi ele falando isso, mas logo depois ele puxou mais a gravata, exterminando a distância entre nossos rostos e me beijou na boca. Demorou alguns segundos para eu me dar conta que ele estava me beijando mas assim que eu acordei para o fato, o abracei. Foi um beijo rápido, mas quando nos separamos eu percebi que ele estava corado.
_Bocchan… — sussurrei antes que ele tomasse novamente meus lábios nos seus, dessa vez o beijo foi violento e faminto, como se nós não nos beijássemos há muito tempo e estivéssemos sedentos. Ele se agarrou à mim, me trazendo para baixo e eu deitei sobre o seu corpo. Assim que sentiu meu peso sobre si, abriu as pernas, me dando espaço para encaixar o meu quadril de encontro ao seu.
_Bocchan… — sussurrei de novo, conseguindo me afastar alguns centímetros da sua boca e sem acreditar que ele havia se lembrado de nós.
_Ssshhh — e voltou a me beijar.
Seu beijo estava muito diferente, estava intenso, forte e exigente e nós nunca havíamos nos beijado daquela forma. Em segundos eu estava pegando fogo e quando ele conseguiu dar um impulso com o quadril e me empurrou para o lado eu arfei em surpresa. O bocchan sentou no meu quadril e ficou alguns segundos olhando para mim, nossos olhares se encontraram e eles diziam sobre fogo, paixão e desejo — seus olhos queimavam de desejo.
“Aonde ele escondeu esse olhar todo esse tempo?” — pensei segundos antes dele desatar o nó da minha gravata enquanto voltava a me beijar daquele modo voraz, prendeu meu lábio inferior entre os dentes e puxou com pouco de força. Forte o suficiente para doer mas fraco para não ferir.
Voltou a se erguer e a me encarar, seu traseiro estava bem plantado sobre o meu membro. Este já estava duro, empurrando contra o tecido da minha calça, ele rebolou sobre o volume e fez movimentos de vai e vem — o que só fez com que eu ficasse mais duro ainda — tudo isso me olhando atentamente. Segurei a sua cintura fina com força e forcei meu quadril para cima para que ele percebesse bem o tamanho que eu estava por sua causa, ele sorriu provocante e forçou o quadril para baixo, massageando meu membro com o traseiro. Arfei fechando os olhos por um momento.
Se inclinou para mim e beijou o meu pescoço, virei meu rosto para o lado, expondo a região para que ele fizesse o que quisesse, ele deu alguns beijos molhados, sugou a pele com força suficiente para deixar marcado e mordeu com vontade.
_Ahhhh — não segurei o gemido. Um pouco de dor é um tempero delicioso para o prazer.
Se afastou e começou a desabotoar os primeiros botões da minha camisa. Desabotoou os três primeiros, depois segurou cada lado da camisa e puxou para lados opostos, estourando os botões e fazendo-os voarem para todos os lados, beijou meu peito, mordicando a pele, deslizou as mãos pelas laterais do meu torso, aqueles dedos finos deslizando sobre a minha pele, de modo tão provocante que me fez arrepiar no mesmo instante.
Era fantástico como aquele garoto podia ser tantos em um só, e mudar tão rapidamente de um para o outro. A mente humana é mesmo uma caixinha de surpresas.
Abracei suas costas, passeando com as mãos espalmadas por toda a sua extensão, incentivando com os meus toques para que não parasse o que estava fazendo. Eu adoro quando ele toma a iniciativa e são bem poucas vezes que ele faz isso.
Ele chegou nos meus mamilos e tomou um na boca, rodeou a auréola com a língua e mordeu o botão enquanto apertava o outro com os dedos, depois inverteu a ordem. Suas carícias estavam fortes e violentas. Segurei sua nuca, enrolando meus dedos nos seus cabelos lisos. Encaminhei minha outra mão para seu traseiro onde apertei os montes arredondados. Se ele estivesse ainda daquele jeito infantil e ingênuo, eu não poderia fazer isso com esse ímpeto de jeito nenhum, ou então ele iria se assustar, mas esse bocchan eu podia e fiz.
_HHHHHAAAA — dei um grito-gemido quando ele mordeu meu mamilo com força suficiente para rasgar e puxei seu cabelo afastando seu rosto de mim.
_ Quer meu sangue? — rosnei me referindo às mordidas na boca, no pescoço e essa agora.
Olhei para baixo e vi a região vermelha e as marcas dos dentes na pele.
_E se eu quiser? — sorriu malicioso.
Meus olhos se acenderam em vermelho vivo. Senti que começava a mudar, meus dentes também começavam a ficar um pouco mais pontiagudos. Vi a expressão de prazer estampada no seu rosto por causa da minha mudança.
Ele voltou a beijar meu abdome e ventre, distribuindo beijos e mordidas doloridas mas que eu adorava, deslizou a língua do meu estômago até o umbigo, e desceu mais até o meu ventre, joguei meu quadril para cima e ele enterrou os dentes no meu baixo ventre. Arqueei novamente meu quadril para cima em prazer.
_Aaahhhhh, bocchan — gemi segurando seus cabelos e os puxando um pouco.
_O que foi? Está gostando? — sua voz estava um pouco rouca.
Não respondi mas ele estava muito próximo ao meu membro e eu o empurrei seus ombros para baixo. Ele sorriu e começou a desabotoar a minha calça. Ajudei-o e puxá-la para baixo junto com a roupa de baixo e o trouxe para mim. Beijei sua boca e ele enrolou seus braços no meu pescoço, voltou a atacar o meu pescoço com violência, a pele começou a arder por causa das mordidas e meu controle dos meus gemidos era cada vez menor. Dei um impulso e trocamos de posições, o prendi contra o colchão e travei seus braços acima da cabeça.
_Minha vez. Preparado?
Seu olhar era duro e muito provocante.
_Agora vai querer me tocar, demônio?
Arqueei minhas sobrancelhas.
_Como?
Ele se contorceu tentando se livrar do aperto.
_Eu me recuperei hoje e você nem para me dar um beijo. Passou o dia todo e nem me tocou. Cansou de mim? Desistiu? — ele ainda tentava manter o olhar duro mas eu vi ali um pouquinho de doçura.
_Você está inseguro? Por isso está violento? — perguntei.
_Era para ser um castigo — lamentou, virando o rosto para o lado para não me encarar.
Não consegui me segurar e ri da sua inocência.
“Esse bocchan nunca muda”
_Você quer castigar um demônio com violência? E me beijando daquele modo?
Ele fez que sim com a cabeça.
_Pensei que estava me presenteando — comentei rindo, não podia deixar de provocá-lo.
_Maldito.
_Vou repetir as suas palavras: chega de conversa, vamos trabalhar.
Sorri e ele corou pois sabia muito bem que trabalho íamos fazer.
Beijei seus lábios do mesmo jeito que ele estava me beijando no começo e ele gemeu na minha boca, mordisquei seu queixo e a linha da mandíbula e me encaminhei para o pescoço, ia deixá-lo tão marcado quanto eu. Desabotoei seu camisão e ergui seu tronco sem deixar dos beijos de lado, puxei a roupa pelos braços. Espalmei minhas mãos pelo seu peito e abdome, a pele estava arrepiada. Beijei seu corpo todo e tirei sua roupa de baixo mas quando ia colocá-lo na boca ele não deixou. Sentou-se e me empurrou para o colchão, me fazendo deitar. Sentou no meu abdome, de costas para mim e segurou a base do meu pênis, lambeu toda a extensão e sugou a ponta.
_Hhhhgggnn — gemi — Isso é ótimo, bocchan.
Ele manipulava a extensão e concentrava as sugadas apenas na glande e estava me deixando louco. Eu olhei para baixo e só via suas costas e a parte de trás da cabeça subindo e descendo, queria ver a sua expressão enquanto me chupava mas naquela posição seria impossível.
Puxei seu quadril para mim, o erguendo e mordi suas nádegas, separei-as revelando a sua entrada, pressionei a língua ali e ele se contraiu. Mas serviu para que ele desse outro ímpeto às suas sugadas no meu pênis. Ficamos um bom tempo assim, nos sugando e nos lambendo até que não restasse mais nenhum pudor entre nós. Os gemidos tomaram conta do quarto, nos apalpávamos com vontade, os dedos explorando nossos corpos com desejo.
_Sebastian — gemeu quando eu dei uma sugada mais profunda. Ele estava próximo do orgasmo, sua respiração estava acelerada e a voz não era mais do que gemidos.
O virei de frente, ainda montado sobre mim mas mantendo o traseiro no ar, segurei meu membro e o encostei na sua entrada, ele apertou meus ombros, se preparando para a penetração e eu fui erguendo o quadril aos poucos, forçando a glande contra a entrada. Ele começou a soltar seu peso contra mim, facilitando o processo e em poucos minutos estava firmemente sentado no meu pênis. Jogou a cabeça para trás, sentindo-o totalmente dentro mas fazendo também eu ir mais profundamente dentro do seu corpo.
Dei um golpe do quadril para cima fazendo ele pular no meu colo e voltar a se sentar com força.
_Aaaahhhh Sebastia — apoiou as mãos no meu peito e deixou a cabeça cair contra o próprio peito.
Segurei a sua cintura e comecei a me mover, jogando sempre meu quadril para cima, fazendo ele pular em cima de mim e sentindo meu membro entrar e sair da sua entrada cada vez mais rápido e com mais força. Desloquei minhas mãos da sua cintura para seus mamilos e comecei a acariciá-los, beliscando-os cada vez que ele tentava segurar os gemidos.
Ele queria me castigar mas eu é que ia castigá-lo. Não permitiria que ele se contivesse, queria vê-los gemer e gritar o meu nome.
O tirei de cima de mim e o deitei de lado na cama, ergui uma perna sua e a apoiei no meu ombro, entrei nele de lado e resvalei na sua próstata.
_SEBASTIAN — gritou e comecei a estocá-lo com força, segurando sua perna contra o meu tronco, não deixando ele se afastar de mim e aproveitando o novo ângulo de penetração.
Seu rosto estava escondido pelo cabelo mas pelo jeito de gemia e respirava rápido, buscando desesperadamente por ar e pelo jeito que as mãos seguravam com força e puxavam os lençóis; eu sabia que estava perdido em meio ao prazer que eu estava proporcionando à ele.
Eu amava fazer amor com aquele garoto… o jeito que gemia, que se contorcia sob minhas carícias, o jeito que me tocava — tudo era excitante demais. Seus beijos — não importava se eram quentes, doces ou exigentes — eu adorava todos os jeitos. E adorava também fazê-lo gozar, corado e gemendo o meu nome.
Tirei sua perna do meu ombro e o virei de quatro para mim sem tirar meu membro de dentro. Ele se apoiou nos braços mas eu empurrei seu tronco de encontro ao colchão, deixando seu traseiro muito empinado, segurei seu quadril e voltei a me mover rápido.
_Bocchaaann, nnnghhh — gemi atingindo meu limite e me derramando dentro dele.
Me retirei com cuidado e ele se virou de barriga para cima, ofegante, vi que ele também tinha gozado. Me inclinei sobre seu rosto e o beijei. Ele me segurou pela nuca e aprofundou o beijo, querendo mais. Tentei me afastar um pouco mas ele me puxou, me segurando com mais força, uma mão na nuca e a outra nas minhas costas. Deslizei minhas mãos, acariciando a lateral do seu tórax.
_Eu quero mais, Sebastian — sussurrou.
_Mais? Mas nós acabamos… — ele nunca quer imendar uma na outra, exceto daquele dia dos namorados.
Olhei para ele e o olhar que me devolveu foi malicioso. Desceu a mão pelo meu peito e chegou ao meu pênis, o apertou e começou a movê-lo, tentando fazê-lo endurecer novamente. O que não precisou muito, meu desejo pelo bocchan não tem fim.
Logo eu estava pronto, me deitei sobre ele e seus braços se enrolaram nas minhas costas. Me encaixei no espaço vazio entre suas pernas e entrei nele, usando meu sêmen como lubrificante.
_Haaa, ggnhhh — ele gemeu, mordendo o lábio inferior.
_Está doendo? Quer parar? — Eu não queria parar de jeito nenhum, mas não queria machucá-lo também.
Ele balançou a cabeça.
_Não. Não pare.
Comecei a mover meu quadril lentamente, não querendo causar dor nele. Logo ele movia seu quadril contra o meu, aumentando a fricção e o contato, mas mesmo assim eu continuava me movendo delicadamente. Ele me puxou, beijando minha boca sofregamente e quando inseri minha língua na sua boca ele a sugou e moveu os quadris com mais força.
_Rápido, Sebastian. Mais rápido, preciso que vá mais rápido — pediu arranhando minhas costas.
Dei novo ímpeto, aumentando a velocidade e fazendo os nossos quadris se chocarem. Comecei a masturbá-lo na velocidade das estocadas e logo ele gozou mais uma vez. Ainda demorei um pouco para chegar a minha vez mas quando ela veio eu já tinha diminuído a velocidade dos movimentos e o estava beijando, enquanto acariciava seus ombros, pescoço e costas. Ele me abraçou com mais força quando sentiu os jatos dentro dele e gememos juntos.
Deitei ao seu lado e ele se aconchegou à mim, adormecendo quase instantaneamente.
O abracei e dormimos.
****
Acordei no meio da noite e senti algo estranho, algo úmido e quente. Demorou alguns segundos para eu perceber o que estava acontecendo e o que tinha me acordado.
Olhei para baixo e vi o bocchan ajoelhado sobre a cama e me chupando com vontade. Meu pênis já estava completamente ereto. Ele segurava meu membro com uma mão e com a outra se masturbava.
_O que você pensa que está fazendo, pervertido? — perguntei tendo muitas ideias.
_Estou me divertindo — respondeu sorrindo — Quer se divertir comigo? — provocou.
_Eu já estou me divertindo — sorri malicioso, me levantei e fui para cima do meu pequeno e safado bocchan que se deitou e me abraçou para que nos beijássemos.
Ele não esperou muito para que pedisse que eu entrasse nele e se não me engano foi a primeira vez que ele pediu isso com todas as letras.
E quando terminamos, estávamos completamente acabados e a cama estava impossível de se deitar. Tivemos que tomar um banho no meio da noite e trocar toda a roupa de cama. Ele esperou pacientemente, sentado no sofá e enrolado na toalha.
_Pronto — falei terminando de esticar os lençóis e me sentando na cama.
O bocchan se levantou deixando a toalha cair, veio correndo nu e pulou no colchão. Achei engraçada a cena, mas ele veio engatinhando e me olhando provocante e eu não acreditei que ele ia querer mais. Quer dizer, foram três vezes…
Ele sentou no meu colo e procurou a minha boca. Beijei-o levemente e o pus deitado ao meu lado.
_Sebastian! — reclamou.
_Chega né, bocchan?! — nunca imaginei que eu ia falar para ele parar.
_Hunf — ele me abraçou e eu soprei as velas, mergulhando o quarto na escuridão.
Ele deslizou a mão na minha barriga.
“Talvez seja melhor nós dormirmos vestidos, só para garantir.”
_E nada de me acordar, hein?!
_Ah, droga!
Sorri na escuridão e o estreitei mais nos meus braços.
“Acho que vou gostar muito desse bocchan” — pensei antes de sentir o sono tomar conta de mim.
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