Notas iniciais
Pessoal, não tenho nada a falar. Leiam.

Sebastian passou a noite na minha cama, dormimos abraçados. O dia já amanheceu e eu me viro afastando um pouco o longo braço do Sebastian do meu tórax, é reconfortante sentir o peso do braço dele sobre mim e sua respiração no meu cabelo. Olho para seu semblante em sono profundo, é difícil vê-lo assim adormecido tão profundamente, normalmente ele nem dorme ou quando o faz é apenas superficialmente, mas agora ele ressona calmamente com os lábios entreabertos.

Mais estranho ainda é o fato dele ter amanhecido aqui, não houve nem um único dia, desde que começamos a ficar juntos, que ele tenha passado uma noite inteira comigo. Não acho de todo ruim, mas sempre tentamos manter um pouco das aparências. Deixo esse pensamento de lado e corro a mão pelo seu rosto, tocando-o levemente, contornando a linha das sobrancelhas, os cílios fartos que repousam sobre a maçã do rosto — eu sei que embaixo daquelas pálpebras estão dois olhos vermelhos hipnotizantes que mexem tanto comigo — acaricio a bochecha... — “É tão bom que ele esteja aqui comigo!” — penso, mesmo que ele tenha mantido um silêncio obstinado sobre o que aconteceu com nesses últimos dias.

Não me contenho e encosto meus lábios nos dele, num beijo leve, quase um roçar de lábios. Ele se mexe com o contato e abre os olhos um pouquinho, me afasto e deito novamente nos travesseiros.

_Bom dia — sorri.

_Bom dia — eu respondo e o abraço.

Ontem não fizemos nada além de curativos e dormir abraçados; agora sinto meu corpo começar a esquentar apenas pela proximidade do outro. O puxo para mim e colo meus lábios nos seus, ele toma minha boca num beijo voluptuoso e eu me entrego livremente ao toque da sua língua na minha, às sucções que ele faz e aos seus dentes que insistem em morder meus lábios. Já estou quente e ofegante quando nos separamos para que eu possa respirar. “Algo está estranho. Não sei o que é, mas está.”

_Chega! — digo tentando puxar o ar. O beijo parece mais intenso do que nas outras vezes. E olha que os nossos beijos nunca foram mornos.

_Por quê? — ele se deita sobre mim e eu espalmo minhas mãos no seu peitoral tentando impor uma barreira entre nós — não porque eu não queira, mas porque eu me sinto estranho — Sua boca é deliciosa, Ciel. Aliás você todo é delicioso — completou infiltrando as mãos sob minha roupa de dormir e me apalpando.

Algo estala na minha mente e eu nem noto o elogio que em outra situação me excitaria — “Ciel? Ciel??? Desde quando ele me chama de Ciel?”, minhas mãos travam e o empurram de cima de mim, ele se afasta.

_O que foi?

_Desde quando você me chama pelo primeiro nome? — pergunto me sentando na cama, mantenho minhas pernas semi flexicionadas e as abraço, afastando minhas costas da cabeceira. Ele me abraça por trás.

_Ora. Pensei que depois de tudo eu pudesse te chamar assim...meu Ciel.

Me derreto com o timbre de voz grave no meu ouvido — “É, acho que ele pode me chamar assim. É estranho ouvi-lo chamar meu nome, é íntimo; mas afinal, nós somos não é?” Sebastian novamente insere as mãos por baixo da minha roupa e a puxa para cima me deixando semi nu. Me encolho com um pouco de vergonha, tentando esconder meu corpo — normalmente ele me despe aos poucos ou primeiro me enlouquece com seus toques e beijos quando eu já não me importo com o que ele fará para então me despir. Ele segura os meus braços, afastando-os do meu corpo e me deixando vulnerável, pára um minuto e me observa — não meu rosto, apenas o meu corpo, seus olhos mostram desejo. Ele me deita no colchão e se deita sobre mim, beijando minha boca, suas mãos se encaminham para meu traseiro e eu começo a ficar incomodado. Sinto que está tudo muito rápido mas sou incapaz de interrompê-lo. Percebo que Sebastian não faz contato visual comigo e aquilo me incomoda ainda mais.

_Espera Sebastian — consigo balbuciar. Ele se afasta centímetros do meu pescoço onde estava sugando a pele e mordiscando. O local dói um pouquinho pela força aplicada.

Ele me olha e parece contrariado.

_Está indo muito rápido — explico.

_Assim é melhor — responde voltando a atacar a pele já meio ferida. Soltei um gemido quando ele mordeu, mais dor que prazer. Ele não pareceu se importar, suas mãos passeavam pelo meu corpo mas o toque não era agradável, eram toques rudes, apertavam com força minha cintura, coxas e nádegas — com certeza ficariam roxas.

_Se...Sebastian — tentei empurrá-lo mas ele nem se moveu.

“É claro! Jamais teria força para obrigá-lo a sair de cima de mim”. Me remexo embaixo dele e ele solta um ruído semelhante a um rosnado, volta a me segurar e cola a boca na minha. Eu não quero mais aquele beijo, algo se quebrou dentro mim, o desejo foi embora.

“O que está acontecendo??? Por que ele está assim???” — penso. Sebastian está totalmente diferente, seus toques, seus beijos, tudo está esquisito. “O que houve com ele?”

Me perco nos meus pensamentos e paro de tentar afastá-lo, Sebastian toma minha passividade como se eu estivesse concordando. Volta a me pressionar no colchão com força, sua boca desce sugando meu peito até meu mamilo onde suga forte, arqueio minhas costas e gemo, dor e prazer se misturam, seguro os cabelos de Sebastian — não sei se os puxo ou empurro — então ele morde o botão e o puxa, esticando a pele entre os dentes e me fazendo gritar de dor — empurro sua cabeça tentando afastá-lo de mim.

_Me solta — digo, mas ele continua mordendo e sugando, suas mãos continuam nas minhas nádegas, então ele insere dois dedos de uma vez em mim, sem nem ao menos umedecê-los; sinto a ardência da invasão.

“Quem ele pensa que é? Ele é apenas meu criado, temos um contrato de servidão, ele não pode agir assim, como se eu fosse um brinquedo sexual” penso tentando abafar que o que eu sinto por ele é muito mais que isso. Sinto a raiva ferver dentro de mim e transbordar, sufocando qualquer outro sentimento, senti meu olho do contrato brilhar quando ordenei.

_Pára agora, Sebastian. É UMA ORDEM!

Senti sua risada, a boca colada na minha pele, ele agora machucava o outro mamilo. Seus dedos continuavam a invasão, se mexendo no meu interior, alargando grosseiramente a entrada, dói. Ele ignora minha ordem. Foi a primeira vez na vida que Sebastian desobedeceu uma ordem minha!

Fico em choque por alguns minutos, ele parece nem notar o que há de errado.

“Ele não percebe que eu não estou bem?”

“O que está acontecendo? Por quê?”

As perguntas martelam na minha cabeça. Raiva e tristeza se misturavam dentro de mim. Me revolto e começo a lutar para tirar ele de cima. Arqueio meu quadril e tronco tentando jogá-lo para o lado, puxo seus cabelos afastando seu rosto de mim.

_Você não me ouviu, maldito??? Saia agora. Anda!!! — puxo seus cabelos arrancando vários fios negros e lisos.

_Uuughh — Ele geme e eu não sei se foi de dor.

_SAI — repito gritando e dessa vez ele se afasta um pouco. O encaro bravo — vergonha, medo, raiva e tristeza se misturam em mim.

_O que foi, Ciel???

_Não quero — o empurro.

_Mas eu quero!!! — ele abaixa a cabeça morde meu peito, logo acima do mamilo, sinto uma dor aguda e me encolho; ele ergue a cabeça, seus olhos brilham quando vê o local, abaixo meus olhos e vejo o filete de sangue escorrer das marcas de dente.

_Maldito!!!! O que há de errado com você????

Coloco toda a força no meu braço que desce vertiginosamente golpeando o rosto de Sebastian. O tapa ecoa no quarto, abafando o som do soluço que escapa da minha garganta, volto a golpeá-lo. Seu rosto está com a marca dos meus cinco dedos, ergo a mão uma terceira vez porém sou impedido — ele segura meu pulso com força, o torcendo um pouco.

_O que foi??? Quer que eu vá devagar??? Que eu seja carinhoso???

“É claro que eu quero! Não foi assim que sempre fizemos?” — penso magoado mas ele continua falando, sua voz ríspida arranhando meus ouvidos, eu nunca havia visto ele falar assim.

_Acorda garoto — ele chacoalha meu punho e meu corpo acompanha o movimento por causa da sua força — Eu sou um demônio! Quer o quê??? Brincar de namoradinhos??? Cansei disso!! Eu não tenho calma, eu não tenho coração. Ouviu? Eu não o amo, eu só quero isso aqui!!! — seus dedos investem em mim.

Eu entro em choque. “Ele não me ama!!!” Um bolo se forma na minha garganta e meus olhos começam a arder: vou chorar! Eu não quero chorar!!! “Como eu pude me enganar tanto???” Paro de lutar por causa do choque, algumas lágrimas teimosas descem pela minha face, ele as lambe e eu sinto nojo.

Sebastian então me vira e me põe de quatro, eu não luto mais — sei que vai ser inevitável e até agradeço mentalmente por pelo menos ele ter me preparado um pouco. Poderia ser bem pior. Ele se posiciona e empurra tudo de uma vez. Claro que não entra tudo — ele é muito grande. Um grito escapa da minha boca. Dói, dói muito. “Por que ele está fazendo isso comigo? Minha alma é dele, eu lhe entreguei meu corpo também. Eu sou dele por inteiro… Por que agir assim?”

Ele investe novamente, entrando por completo. Novo grito. Ouço ele rindo. “Maldito” — xingo.

_ Você é delicioso, tãããooo apertado! — ele começa a me penetrar violentamente, meu corpo reclama mas eu mordo os lábios me recusando a gritar ou chorar.

_Ele já o fez gritar assim??? — sua boca está próxima do meu ouvido e ele segura firmemente meu quadril dolorido.

“Ele? Ele???? Ele quem?”

_Hã?

Sebastian continua a se mover. A dor amenizou um pouco mas eu não sinto nenhum prazer. Quero que ele termine logo e vá embora.

_Ele — diz , como se fosse óbvio — o Sebastian.

_O quêêê??? — tento me virar para olhá-lo, percebo uma névoa estranha rodear a cama .

“Que Sebastian??? Ele é o Sebastian!!!!!” — sou impedido de me virar por sua mão que empurra minha cabeça contra a cama, meu rosto está de lado, ele lambe minha orelha e depois sussurra.

_Você nem notou a diferença, não é? Pervertido! Você queria isso daqui mesmo! — aumentou a velocidade das estocadas, mostrando o que o “isso daqui” a que ele se referia, fazendo a dor aumentar, gemi — Seu moleque safado! Nem notou que eu não sou ele — minha nádega ardeu com o tapa, deixando o local quente e formigando.

Segurou minhas coxas, as erguendo um pouco do colchão, meu peso foi transferido para os meus braços, as estocadas aumentaram ainda mais. Estava machucando. Eu já não conseguia segurar e comecei a gemer de dor a cada investida.

_Quem é você? — consegui manter meu tom de voz, pelo menos isso.

_Você quer ver? Vou mostrar um pouquinho. Mas só porque você é gostoso.

“Sebastian” me virou de barriga para cima, ergueu minhas pernas apoiando-as nos seus ombros e voltou a me penetrar. Tentei disfarçar mas sei que fiz uma careta de dor quando ele entrou novamente.

Nesta posição eu podia olhá-lo diretamente. Ainda parecia o Sebastian, mas seu rosto estava distorcido em êxtase, era grotesco — Sebastian jamais teria aquela face. Ele segurava meus pés, mantendo meu quadril numa posição erguida, eu sentia ele profundamente em mim. Então deu uma piscadinha para mim, como se fosse um flerte e não um estupro o que ele estava fazendo; a névoa rodopiou em seu entorno e eu arregalei meus olhos. Ainda era o Sebastian mas seus cabelos estavam um pouco mais longos, até a metade das costas e tinham adquirido um tom violeta misturado ao negro, sua pele ficou mais pálida e seus olhos tinham um aro violeta contornando a pupila negra para depois se fundir ao vermelho que eu já conhecia.

Eu observava um ser misto, tinha características marcantes do Sebastian mas também de outra pessoa que eu nem sabia quem era. Com certeza algum demônio.

_Gostou do que viu? Pena que não posso me mostrar por completo. Você ia se apaixonar na hora.

Aquela criatura gargalhou.

_Por quê?

Ele soltou meus pés que caíram de cada lado do seu corpo, pousando no colchão. Ainda o tinha entre minhas pernas e ele não dava sinais de estar chegando ao limite. “Vou sofrer por mais tempo” — ele deitou sobre o meu peito, nossos rostos estavam muito próximos o encarei por alguns segundos e virei o rosto para o lado — não tinha que ficar encarando meu estuprador.

_Porque eu quis. Porque vocês me atraíram.

“Onde estava o Sebastian?”

“Sebastian, venha para mim.”

Grossas lágrimas saíram dos meus olhos, pisquei e elas rolaram pelo meu rosto, meu lábio tremeu e eu o mordi com força.

_Ora vá. Não está tão ruim assim.

Solucei. Dor, tristeza, humilhação, abandono.

_Tá bom. Tá bom. Vou fazer ficar melhor.

As estocadas pararam um pouco e eu pensei que ele ia embora, olhei de soslaio para ele e vi novamente aquela névoa meio violeta pairando agora sobre mim, como se minha pele a estivesse absorvendo… E estava mesmo! Comecei a esquentar, meu coração acelerou e fiquei duro imediatamente. “O que estava acontecendo????”.

Ele ainda estava dentro de mim e quando recomeçou a estocar um gemido de prazer saiu de mim. Me assustei com aquilo. “Como assim?”

Mas era verdade, eu estava excitado, meu corpo reagia às investidas do membro dele. O prazer tomou conta do meu ser e eu gemia muito, me agarrando ao “Sebastian”. Minha mente, porém, sabia que nada daquilo era real, era tudo fruto do poder daquela criatura que eu nem sabia quem era.

_Tá vendo como ficou bom? Eu sou demais, eu sei!

Ele segurou o meu pênis e começou a movê-lo, senti um nó apertar no meu ventre — ia gozar logo. Fiquei com muita raiva, dele por fazer isso comigo e de mim por não conseguir lutar contra.

_Aaaahhhhggg — gemi jogando a cabeça para trás e gozando na mão dele. Ele fincou os dentes na minha garganta exposta, senti minha pele ser perfurada mas naquele momento, sob o efeito do poder daquela criatura, só senti prazer com a agressão.

Ele estocou mais alguns minutos e gozou urrando.

Saiu de dentro de mim, deu um tapa na minha coxa direita como se eu fosse uma puta e foi para o banheiro. Ouvi o barulho da banheira sendo enchida. Ele ficou lá tomando banho.

Me encolhi na cama, deitando de lado e cobri meu rosto com as mãos. Quando ele saiu do banheiro, estava idêntico ao Sebastian, vestia o seu fraque preto e branco e tinha os cabelos molhados. Era impossível desconfiar que aquele não fosse meu mordomo.

Parou perto da porta e me olhou, afastei um pouco a mão do rosto e o encarei.

_Vou preparar seu café da manhã, Bocchan. Com licença — abriu a porta e saiu.

Quis matá-lo.

_Ah — abriu um pouquinho a porta novamente — não ouse falar sobre isso com ninguém! — ameaçou antes de fechar a porta.

Respirei aliviado pela sua saída. Consegui me levantar. Meu corpo estava destruído, todas as partes doíam. Olhei para a cama e uma pequena mancha de sangue tingia o lençol. Caminhei até o banheiro. Enquanto a banheira enchia, me olhei no espelho vendo o tamanho do estrago: manchas roxas de chupadas, marcas de dentes, de dedos onde ele tinha apertado cobriam o meu corpo. Em dois pontos eu sangrava — pescoço e peito — eu suspeitava que outro local sangrava também. Levei meus dedos para trás e me toquei muito levemente confirmando minha suspeita quando vi a ponta dos dedos manchadas de vermelho.

Entrei na banheira e acho que nunca quis tanto matar alguém quanto aquele ser.



*****

Sebastian



_Preciso da sua ajuda — despejei as palavras de uma vez só, odiando cada uma delas. “Quando, em todos esses séculos, eu precisei de ajuda? Ainda mais daquelas pessoas?”.

O outro abriu mais a porta, me deixando entrar naquele estabelecimento lúgubre.

_Uau. Nunca pensei em vê-lo sozinho aqui — me respondeu o dono da loja.

Caixões e velas se espalhavam por todo o lado, ele me apontou um caixão fechado para que eu me sentasse. Neguei com a cabeça e me mantive de pé, ele deu um encolher de ombros e se sentou em um deles.

_Precisa da minha ajuda para quê? — perguntou Undertaker.

Meu maxilar trava se negando a dar o braço a torcer e admitir que há um demônio forte demais e está solto, indo atrás do Jovem mestre.

_Há um demônio aqui.

_Hihihihi, eu sei. É você!

_Hunf. Além de mim.

_É. Senti uma presença poderosa, mas isso faz alguns dias — ele coça o queixo — Você não estava com ele? Andou sumido… o seu mestre estava desesperado por informações. Andou Londres inteira atrás de você.

Arqueio minhas sobrancelhas em surpresa. Eu sei que ele me chamou, mesmo eu não podendo vir. Mas saber que ele andou a cidade inteira atrás de informações sobre mim provou que eu o quão importante eu sou para ele. Meu coração se apertou. “Não posso deixar o Jovem mestre com aquela criatura asquerosa. Preciso salvá-lo ou vou morrer tentando.” Voltei minha atenção ao shinigami de cabelos prata à minha frente.

_Ele voltou. E está muito forte.

_Por que não o destrói então? — sentenciou o shinigami.

Respirei fundo.

_Poderia tentar. Com certeza conseguiria. Mas o Bocchan fatalmente morreria.

O funerário olhou para mim através da franja com aqueles olhos verde brilhantes.

_O que está acontecendo? Fale claramente.

Desta vez me sentei.

_Fui capturado — ignorei a expressão de espanto do outro — por um demônio que é atraído pela luxúria…

_Aaahhhhh. Hihihihi.

Minha expressão era séria.

_Vai deixar eu terminar?

_Continue, continue.

Limpei a garganta e continuei.

_Consegui escapar mas ele está com o Jovem mestre. Ele corre perigo. Eu posso ir e resolver mas não quero correr nenhum risco do Bocchan morrer na luta.

_Você tem certeza que era o mesmo demônio?

_Tenho.

O shinigami pulou do caixão onde estava sentado e foi até a porta, abrindo-a. Olhei para ele indagando-o silenciosamente.

_Temos que chamar os outros. Não se engane. Nem você nem eu conseguiremos matar aquele demônio.

Me levantei também e ajeitei meu fraque.

_Vamos então.

Ele voltou e me empurrou para que sentasse novamente.

_Você fica. Um demônio não pode nem sonhar em entrar aonde eu vou.

Não pude deixar de perguntar. “Será que ele iria onde eu desconfiava?”

_Onde?

_Ora, vou para o Departamento buscar reforços, hihihihi. Tenho certeza que Grell será o primeiro a vir correndo te ajudar, Ronald virá pois é assistente de Grell e bem, acho que no final das contas, Will atenderá ao meu pedido.

Senti meu sangue congelar. “Serei um demônio desmoralizado para sempre!” pensei mas então a imagem do Jovem mestre veio na minha mente e o medo do que ele estaria passando nas mãos do outro se sobrepôs a qualquer orgulho.

Notas finais
Sinceramente, eu não gostei muito de escrever esse capítulo. Relutei em escrevê - lo, tentando achar uma outra saída mas a história tomou um rumo que não havia o que fazer. Espero comentários, mesmo que seja para dizer que não gostou. O próximo será mais feliz, prometo. Beijos