Desejos libertos

41 A ida ao hospital


Notas iniciais
Yoo minna, Eu sei...eu sei... foi uma longa demora u.u Foram muitas coisas que aconteceram na minha vida, coisas ruins e coisas boas. O bom é que eu foquei nas boas e, bem.... meu coração tem batido mais forte ultimamente kkkkk Outra boa notícia é que eu tenho uma beta, a Rafa. Ela é super legal, animada e muito querida por mim. Além de que, além de corrigir os erros na escrita, ela fica me pressionando pra não demorar muito para atualizar. Bem, acho que é isso. Boa leitura e nos vemos lá nas notas finais

Acordei bem cedo naquele dia, queria logo resolver esse maldito caso das mortes e voltar para a minha casa. Esse palácio parecia ter fantasmas por todos os lados e eu me sentia sendo constantemente vigiado.

Minutos depois Sebastian entrou no quarto, ao contrário do nosso desejo, ele teve que dormir na ala dos empregados. Eu jamais iria admitir que demorei muito para pegar no sono, rolei na cama, sentindo a falta dele ao meu lado, até de madrugada.

_Bom dia, jovem amo. Dormiu bem?

_Bom dia — respondi — Dormi perfeitamente bem.

Pulei da cama enquanto Sebastian pegava minhas roupas e seguia para o banheiro para preparar meu banho, o segui e ele me encarou enquanto a banheira enchia.

_Não me parece que tenha dormido bem.

_Tch, senti falta do meu travesseiro predileto — sabia que Sebastian não acreditaria nisso, eu nunca tive esse tipo de frescura. Tanto não acreditou que olhou para mim, o olhar mordaz, e me deu um sorriso torto, devolvi o sorriso e passei a desabotoar meu camisão.

Sebastian se aproximou e se ajoelhou na minha frente.

_Permita-me, jovem amo — falou e tomou para si a função de tirar a minha roupa. Olhei para o lado, evitando olhar aqueles olhos castanhos avermelhados que eu sabia estarem presos no meu corpo magro.

Assim que a roupa foi tirada, juntamente com a roupa de baixo, entrei logo na água, afundando até o peito na banheira. Sebastian se aproximou, tirando as luvas e arregaçando as mangas da camisa até a altura dos cotovelos, pegou a esponja e o sabonete e fez uma densa espuma, esfregando o meu corpo com ela. Fechei meus olhos e descansei a cabeça no apoio da banheira, deixando Sebastian fazer o trabalho dele.

O qual ele fez muito bem, e para o meu desgosto, não me tocou nenhuma vez, nenhuma carícia, nenhum toque mais ousado. Suspirei triste, sabia que não era possível fazermos nada mas mesmo assim, eu esperava alguma investida do meu namorado demônio. E, contra todas as expectativas, ele se comportou perfeitamente.

Resolvi mudar o rumo dos meus pensamentos, do contrário, ou eu ficaria de muito mau humor ou eu iria acabar agarrando ele.

_Iremos atrás do médico que atendeu algumas das vítimas.

Sebastian apenas concordou e terminou de me banhar, me levantei com a água escorrendo do meu corpo e ele me envolveu com uma toalha felpuda.

Vesti uma roupa sóbria e de um profundo tom azul escuro e Sebastian penteou meu cabelo, amarrando em seguida o tapa-olho.

Descemos para o desjejum, o palácio não contava com nenhum visitante além de nós, e é claro que a rainha toma as refeições dela no gabinete pessoal, de modo que a mesa posta tinha lugar apenas para um. Esperava-se que Sebastian fizesse as refeições na ala dos empregados. Ele puxou a cadeira para que eu me sentasse e depois a ajeitou na mesa.

_Qual é o nome do médico mesmo? — perguntei enquanto ele me servia chá na fina xícara de porcelana. Peguei a xícara e a levei aos lábios, tomando um golinho.

_Doutor M. M. Glasgow — respondeu prontamente.

Assenti com a cabeça e peguei alguns petit four da bandeja prateada, coloquei um na boca, junto com um gole do chá, sentindo o biscoito amanteigado derreter na minha língua.

Terminei de comer rapidamente, não porque a comida não estivesse boa, estava ótima. Mas o problema era que eu queria resolver logo isso, pretendia ainda hoje ir ver o visconde e esse sim, me deixava com os cabelos em pé de pavor só de pensar em me encontrar com ele.

Claro que da vez que nos encontramos, eu estava vestido como mulher e era muito provável que ele jamais me reconhecesse. Mas nunca se sabe e eu sempre ficava tenso com a ideia disso um dia acontecer.

Me levantei da mesa, Sebastian já tinha ido arrumar o cabriolé, fui até a porta do palácio e dois guardas as abriram para mim, a luz do sol entrou fraca pela abertura e iluminou o mármore impecável sob os meus pés. Suspirei, sentindo uma opressão estranha no meu peito e saí para o sol fraco de Londres.

Sebastian me aguardava ao lado do cabriolé, pronto para me ajudar a subir no assento.

Estendi minha mão para ele e a segurei, dando um impulso e subindo no veículo. Não era o meu cabriolé particular, mas também não tinha as cores da realeza, de modo que ele passava desabercebido como um cabriolé comum de qualquer nobre anônimo.

Em segundos eu estava sentado, me apoiando na minha bengala e com a minha cartola ajeitada de modo que a aba filtrasse os raios de sol que entravam pela janela da cabine, e assim partimos para o hospital geral de Londres.

Depois de muitos sacolejos por causa das ruas desniveladas, chegamos em frente ao hospital, mal olhei a fachada de tijolinhos de cor ocre, odiava aquele local, odiava as lembranças que ele ressuscitava na minha mente. Era ali que madame Red trabalhava como médica, foi para ali que fui levado logo depois de ter sido salvo por Sebastian.

Pulei para o chão e logo Sebastian estava ao meu lado. Entramos no hospital e fomos direto para a ala que o médico atendia, Sebastian já havia descoberto essas informações antes, só faltava agora descobrir a cara desse médico e obter qualquer informação útil.

_Talvez não seja tão fácil encontrá-lo. Da vez em que eu vim investigar, quase ninguém o conhecia. — comentou Sebastian.

_Temos que falar com ele, temos que fazer tudo o que for possível para ter essas informações — respondi, olhando se Parei em frente ao consultório com a plaquinha escrita M. M. Glasgow, era o nome dele. Estendi a mão, pronto para bater na porta.

_Ei… os senhores não podem entrar aqui! — ouvi uma voz feminina se elevar um pouco, me virei para trás e vi uma enfermeira segurando uma pasta, que provavelmente era um prontuário de algum paciente, vir andando na nossa direção com cara de poucos amigos.

Não deu nem tempo de falar nada, em segundos ela tinha nos alcançado.

_São pacientes? — olhou avaliativamente para nós.

_Não, eu quero falar com… — não consegui terminar a frase pois ela já estava encarando o Sebastian.

_Se não são pacientes, o que querem aqui? O doutor é muito ocupado, não pode ficar perdendo tempo.

_Mas será rápido. Só quero perguntar… — comecei a falar e novamente fui ignorado pela enfermeira que ainda olhava para o Sebastian, que se mantinha calado, mas o olhar tinha adquirido um tom castanho-avermelhado que eu não gostei nem um pouco.

Olhei de um para o outro, já sentindo meu sangue ferver por ser ignorado descaradamente.

_Desculpe, senhora — Sebastian começou dizendo, mas a mulher interrompeu ele na mesma hora.

_É senhorita — falou, num tom bem mais manso agora, o que me fez ficar ainda mais irritado.

Sebastian limpou a garganta e sorriu.

_Senhorita, meu amo quer trocar apenas algumas palavras com o doutor Glasgow. Não irá demorar muito.

_Mas eu não posso permitir, ele ainda está atendendo. Terão que ir embora ou marcar um horário — ela foi tachativa.

Sebastian olhou para mim, numa pergunta muda sobre o que faríamos, lancei um olhar para ele, bravo porque não estava gostando do olhar daquela loira muito maquiada para ser uma enfermeira em cima do meu mordomo.

_Preciso, Sebastian — respondi sério.

_Sim, milorde — respondeu, fechando os olhos momentaneamente, numa piscada mais longa.

Então Sebastian se adiantou e se aproximou da enfermeira, senti a mudança de atmosfera e de atitude do Sebastian, mas demorei muito a entender o que ele ia fazer.

_Senhorita — falou, a voz baixa com um toque de sensualidade — Sei que o doutor é muito ocupado e que a profissão dele é muito nobre, imagina… salvar vidas. Mas venhamos e convenhamos, a profissão mais bela é a enfermagem, não é?

Percebi que a enfermeira se surpreendeu e logo em seguida abriu um sorriso ainda maior.

_O senhor acha? — colocou a mão sobre o colo, numa atitude meio forçada de timidez.

_Claro — Sebastian sorriu abertamente — Acho que é uma profissão tão ou mais nobre que a dos médicos. Tão bela e radiosa quanto as mulheres que escolhem segui-las e… aiii.

Sebastian olhou pra mim e eu fechei a cara para ele e tirei a ponta da bengala de cima do pé dele, que era onde eu tinha fincado ela com força pelo seu descaramento.

“Quem ele pensa que era para ficar elogiando e flertando com alguém, uma mulher ainda por cima. E bem na minha frente??” — pensei contrariado.

A mulher também percebeu o que eu tinha feito, mas pelo jeito não estava muito incomodada com isso.

_Seu patrão é bem bravo, né? — riu, um risinho fino que eu achei mais irritante que o da Lizzy.

_ Deve ser ciúme — completou cheia de sorrisos.

_Oh não, o jovem amo não tem esses tipos de sentimento. Ele é frio e cruel. — Sebastian falou com uma cara de coitado que quem não o conhecia, acharia que eu o maltrato.

E claro, como ela não o conhecia, acreditou.

_Ah… isso é muita maldade. Deve ser porque ele é uma criança mimada — falou sorrindo e apoiando a mão no antebraço do Sebastian.

Quase tive um ataque e pulei no pescoço daquela mulher, tamanho o ódio que eu tive.

_Sim, deve ser por isso — Sebastian concordou — São tantas coisas terríveis que mal posso lembrar e eu nem tenho com quem desabafar…

_Podemos conversar um pouco no jardim dos fundos, estou no meu horário de almoço agora — a loira falou e eu estava prestes a gritar.

“Quem almoça às dez horas da manhã??? Loira safada, descarada, dando em cima do Sebastian. E ele não fica atrás, maldito pervertido” — pensei, sentindo a raiva ameaçar me sufocar. Sim, porque era raiva e não ciúme o que eu estava sentindo. E antes que eu pudesse me dar conta, eles estavam se afastando de mim, ela com o braço enroscado no dele.

_Sebas… — ia exclamar mas ele olhou para trás e deu uma piscadinha para mim, acenando com a cabeça para a porta do consultório, sem parar de andar com a enfermeira.

Assenti muito contrariado. Sebastian tinha conseguido uma desculpa para tirar a enfermeira do lugar, liberando caminho para que eu pudesse falar com o médico.

“Mas tinha que ser assim?”

Suspirei, voltando a sentir um aperto no peito, acredito que era uma mistura de raiva, tristeza e ciúme que, por mais que eu quisesse negar, eu sentia por esse demônio.

Girei nos meus calcanhares e bati levemente na porta do consultório, não recebi nenhuma resposta. Bati de novo e de novo: nada, apenas o silêncio. Olhei para o final do corredor que se abria num arco e dava para uma espécie de jardim interno, Sebastian e a enfermeira haviam sumido de vista, o que fazia meu estômago doer e eu ter vontade de ir atrás dos dois e socá-los.

Não que eu achasse que Sebastian fosse me trair, mas nunca havíamos conversado sobre isso. Estremeci e quase sufoquei de ciúme.

Perdi a paciência e abri a porta do consultório. Queria falar com esse médico de uma vez por todas e ir logo embora com o Sebastian.

“Se eu encontrar uma marquinha que seja de batom ou unha no Sebastian, ele vai se ver comigo” — pensei.

Olhei no consultório e o descobri vazio.

“Inferno!!! Tanto escândalo e o médico nem estava aqui. Onde será que ele está?” — pensei com muita, muita raiva.

Saí batendo os pés, os saltos dos meus sapatos de verniz negro e azul petróleo fazendo barulhos que ecoavam no corredor onde algumas pessoas aguardavam para serem atendidas. Parei na frente de um balcão onde uma outra enfermeira anotava algo num livro grande. Pigarreei, limpando a minha garganta e chamando a atenção da senhora que, ao meu ver, tinha entre cinquenta e sessenta anos.

_Bom dia, senhora — abri um sorriso forçado e muito ensaiado para que parecesse natural — Preciso ver o doutor Glasgow.

_E por que quer vê-lo? Ele é um homem muito ocupado.

Olhei de longe e vi Sebastian caminhando na minha direção, virei o rosto, sem querer olhar para o meu mordomo, encarei a mulher à minha frente e abri um sorrisinho tímido, fazendo uma expressão de coitado.

_Sou paciente dele, ele pediu para que viesse me consultar, mas acho que perdi o horário — pisquei os olhos de modo fofo e percebi que a senhora se comoveu com a minha atuação.

_Bem, se é assim. Ele deve estar na sala de reunião ou então no descanso médico. Venha, vou levá-lo até ele.

Nesse momento, Sebastian se aproximou de mim e eu o ignorei. Estava com tanto ciúme que não consegui olhar na sua face. E se eu visse alguma mancha? Alguma marca ou indício que eles se tocaram lá no jardim, por trás de alguma árvore????

Eu seria capaz de matar de tanto ódio. Lancei um olhar gélido, que o fez até andar mais devagar e arquear uma sobrancelha, virei o rosto e segui a enfermeira até uma sala com uma longa mesa e várias cadeiras ao redor, havia várias pessoas sentadas, outras em pé conversando entre si. A mulher deu uma olhada geral nos presentes.

_Aqui ele não está, deve…

Ela foi interrompida pela chegada de três funcionários, carregando uma mulher grávida, a mulher chorava e se contorcia de dor, obviamente em trabalho de parto.

_O repouso médico fica na quarta porta à esquerda, pode bater e chamar o doutor. Agora, com licença, tenho que cuidar dela — falou e logo chamou os médicos que estavam na sala, os quais correram para atender a gestante que iniciava nova contração.

Me virei na direção indicada e me encaminhei para lá, ignorando ainda o Sebastian nas minhas costas.

_Vai ficar assim? — me perguntou e eu não o respondi.

Acredito que ele iria me segurar ou pelo menos, insistir na pergunta mas eu já estava de frente para a porta do descanso médico. Ergui a mão e bati na madeira. Após alguns minutos, a porta se abriu e um médico apareceu. Estava meio despenteado, provavelmente porque estava dormindo, me olhou por alguns segundos e ele não me pareceu estranho.

Ele franziu levemente o cenho e inclinou a cabeça para o lado.

_Conde Phantomhive? — perguntou confuso e então eu me lembrei de onde eu o conhecia.

O doutor M. M. Glasgow era nada mais, nada menos do que o doutor Morrison, o mesmo que cuidou da minha amnésia. Fiquei parado, olhando para ele, infelizmente relembrando da última consulta e de como Sebastian me deixou constrangido falando sobre o aumento do meu apetite sexual, claro que a melhor lembrança daquele dia foi o que fizemos depois, sobre a mesa do meu escritório.

Senti minhas bochechas corarem com a lembrança e levei as mãos ao meu rosto, numa tentativa infrutífera de conter a cor rubra que se espalhava. Mas me pareceu que o doutor Morrison não percebeu isso.

_Onde está o senhor Michaelis? Ele não o está acompanhando? — perguntou, olhando de um lado para outro no corredor, só para ver o meu mordomo alguns metros atrás de mim.

Sebastian se adiantou, se aproximando de mim mais o que seria necessário, dei alguns passos para o lado, me afastando dele. Sabia que era o infantilidade minha ficar bravo com ele, afinal de contas eu mesmo havia falado que não iríamos medir esforços para conseguir as informações.

“Porém, dar em cima de uma mulher, na minha frente ainda por cima?” — pensei suspirando enquanto me afastava do Sebastian, percebi o seu olhar inquisidor, mas fiz questão de ignorar. Ele desviou os olhos de mim para olhar para o médico.

_Bom dia, doutor Morrinson — cumprimentou polido dando uma leve mesura.

O médico sorriu um pouco, assentindo com a cabeça

_E como está o nosso paciente? — perguntou sorridente, não se dirigindo a ninguém em particular.

_Eu estou ótimo, doutor. Como havia dito, não vim aqui por mim mas para conseguir algumas informações — retirei da pasta de couro uma folha com os nomes dos três pacientes que haviam sido tratadas por ele.

Doutor Morrinson pegou o papel e leu os nomes, ficando alguns minutos em silêncio.

_Não me lembro dessas pessoas, talvez se tivesse mais algum dado, mais alguma informação do caso — comentou ainda com os olhos presos no papel.

_Morreram há alguns meses em circunstâncias bem estranhas. Parecem que sofreram algum abalo mental, tinham alucinações ou algo assim.

_Ahh sim… — ele estendeu o papel para mim — Sinto muito, não posso ajudar.

Fiquei olhando para ele por alguns segundos, processando a informação.

_Estou investigando as mortes, doutor.

_ De qualquer modo, mesmo que eu acredite que um jovem, quase uma criança esteja investigando essas mortes, não posso fazer nada. Estou preso à um juramento, as informações dos pacientes são sigilosas — ele se levantou, prontamente tentando nos tirar da sala.

Me levantei também e pelo canto do olho percebi que Sebastian se aprumava, pronto para qualquer ação.

_Doutor, não vou nem perguntar o por quê do senhor usar dois nomes diferentes para atender seus pacientes. No momento isso não importa para mim, mas eu preciso saber o que houve com essas pessoas, quais foram os sintomas exatos e como morreram. Estou aqui em nome da rainha Vitória — puxei de dentro do meu casaco, o documento com o selo real que eu usava em pouquíssimas ocasiões, afinal um espião não deve mostrar para quem trabalha.

Mostrei o documento para ele e vi que seu olhar mudou e ele engoliu em seco, voltando a se sentar na poltrona do outro lado da mesa.

_O senhor me negando essas informações, está as negando para a rainha também — falei e me sentei, cruzando as pernas e assumindo uma pose arrogante.

Senti a presença do Sebastian atrás de mim e ele pousou a mão no meu ombro, girei um pouco o corpo e me esquivei do contato.

“Essas mãos tocaram aquela mulher. … As mãos do meu namorado que deviam tocar apenas em mim…”

Tratei de mandar embora esses pensamentos antes que eles afetassem a minha expressão.

O médico suspirou e cruzou as mãos abaixo do queixo.

_Não sei como elas se contaminaram, acredito que tenha sido algum germe, porque todas relataram que haviam participado de um baile na mansão de algum nobre. Apresentaram febre alta em alguns momentos do dia, de manhã normalmente, isso nos primeiros dias. Depois evoluíram para dores de cabeça, mal estar e então delírios.

Ele se calou, como se pensasse no que mais poderia falar.

_O que mais, doutor? — o incentivei — Como eram esses delírios?

_Certo — ele se ajeitou na poltrona e se inclinou sobre a mesa, se aproximando de mim e baixando o tom de voz.

_Não existe relato nenhum dessa doença nos livros, eu nunca ouvi falar de nada parecido. As pessoas passaram muito mal, mas depois que os delírios começavam, era como se nada mais tivesse acontecido, todos os outros sintomas sumiram. E nem delírios direito eram, era mais como uma alteração de comportamento. Veja — ele se levantou e procurou num armário, tirando três pastas de papel pardo de dentro. E voltou a se sentar.

_Sarah Frend e Ann Christen tornaram-se compulsivas sexuais, eram moças solteiras, castas, de boa família, mas depois desse baile e dos sintomas iniciais, perderam completamente qualquer noção das coisas e terminaram por serem presas dentro do quarto. Eu mesmo quando fui atendê-las fui atacado. Enlouqueceram totalmente até entrarem em coma e morrerem.

Franzi meu cenho, não imaginei que seriam esses os sintomas. Limpei a garganta.

_Nunca ouvi falar de nenhuma doença que causasse esse tipo de sintomas — comentei.

Doutor Morrinson negou com a cabeça.

_Nunca ouviu porque não existe doença que cause isso. Existem os compulsivos sexuais, mas eles desde cedo mostram os sinais e permanecem assim por toda a vida. Nunca surgem desse jeito, do nada.

_E o terceiro? Phil Priest — falei, pousando os braços nos apoios da cadeira.

O médico tirou uma terceira pasta de debaixo da fila.

_Ele foi o primeiro a morrer. Foi o paciente zero, o primeiro que apareceu com os sintomas. Tratei dele quando ainda estava com febre e mal-estar, achei na época que era apenas uma gripe ou algo do tipo, mas dias depois, surgiram o caso das duas mulheres. Pensei que talvez fossem amigos , pois descobri que os sintomas apareceram horas depois deles terem voltado do baile. Mas não, eles nem sequer se conheciam. Quando a família do pobre coitado veio me procurar novamente ele já estava morto — suspirou.

_Como morreu? Entrou em coma também?

_Oh não. Ele foi bem pior. Phil morreu de exaustão, depois de dez dias no bordéu. Seguindo a família, ele gastou boa parte da sua fortuna com as prostitutas e quando a família negou mais dinheiro, passou ele mesmo a se prostituir para se satisfazer.

Não consegui esconder o choque ao ouvir aquelas informações.

Nunca havia imaginado que seria esse o caso, mas pensando bem, talvez tenha sido ingenuidade minha afinal, a rainha havia dito que ocorriam orgias nesses bailes.

_O senhor tratou eles dos sintomas iniciais apenas? Não houve melhora nenhuma com o tratamento? — perguntei.

_Eu fiz todo o tratamento, desde a febre inicial até o final, mas principalmente a compulsão não houve melhoria nenhuma. Nada que eu pudesse fazer — lamentou.

_Certo, doutor — falei me levantando — Muito obrigado pelas informações. Hum… me diga uma coisa: quem dava esses bailes? Chegou a descobrir?

Percebi que ele havia ficado reticente.

_Pode confiar, doutor. Jamais deixaríamos que os outros soubessem.

Vi que o médico estava mais do que reticente, estava com medo. Sebastian havia se aproximado da mesa com aquele sorriso transbordante de uma confiança perigosa, como quando a gente vê um campo de aguapés e acredita que há terra firme, mas embaixo há apenas água e raízes, prontas para se enroscar em você e te afogar.

_Doutor, acredite. Estamos à mando da rainha, é óbvio que ela jamais permitiria que algo acontecesse com quem a ajudou. O senhor estará seguro, eu mesmo irei me certificar disso.

Dei uma tossida, sinalizando para o Sebastian não ir tão longe na interpretação dele de homem bom, ele me olhou de canto de olho e deu um meio sorriso que passou desapercebido pelo doutor Morrison.

E é obvio que o médico pisou no campo, abriu um sorriso sincero e eu revirei os olhos. Realmente o dia não estava indo bem, primeiro o Sebastian flertando com a enfermeira bem na minha frente e sabe-se lá o que eles haviam feito enquanto estavam lá no jardim, agora isso, o Sebastian enredando o médico… Fiquei irritado, tinha certeza que conseguiria convencer o médico sem precisar da ajuda o Sebastian.

“Por que ele tem que se meter em tudo??” — pensei irritado.

_Certo — doutor Morrinson suspirou — Ele é um nobre, um excêntrico nobre que adora dar bailes. Claro que eu nunca fui em nenhum deles, mas as histórias correm, dizem que atualmente ele dá bailes que atravessam a noite, sempre regados à muita bebida.

_Qual o nome do nobre ? — pressionei.

Ele ficou tenso, os olhos procurando algo para se fixar, claramente nervoso. Então Sebastian sorriu e finalmente o médico resolveu falar.

_Visconde de Druitt — respondeu limpando as mãos no jaleco branco.

Assenti com a cabeça, tanto ele quando Undertaker deram a mesma informação.

“Então aquele pervertido realmente está metido nisso!!!” — pensei contrariado, lidar com o visconde era algo mais desagradável do que lidar com o Undertaker.

_Obrigado, doutor. O senhor foi de grande ajuda. Não iremos lhe tomar mais o seu tempo — me levantei e ajeitei o casaco, dando um pequeno sorriso.

_Não seja por isso, conde. Na realidade ainda acho que corro perigo sim. Mas de qualquer modo foi um prazer te ajudar.

Caminhei até a saída do consultório quando ouvi o médico conversando com Sebastian, que se mantinha ao lado do mesmo.

_Ele se recuperou bem, senhor Michaelis? Parece tão arrogante — perguntou o médico olhando para mim de canto de olho.

_Ah sim. O jovem amo é desse jeito mesmo acredite, ele está plenamente recuperado — sorriu disfarçadamente, cobrindo o sorriso com a mão enluvada.

_E o apetite dele? — riu baixinho e eu percebi bem que o médico havia dado uma entonação diferente à palavra apetite, claramente se referindo à outro apetite. Bufei sem paciência.

_Ele tem se controlado, doutor. Tem sido bem difícil, mas tem conseguido de um modo ou de outro. — disse Sebastian.

Senti minhas bochechas corarem e esquentarem novamente, me virei bravo.

_Sebastian! Vamos embora! — falei sério.

_Imediatamente, jovem amo — Sebastian se ajeitou de modo que a coluna ficasse ereta, assumindo uma expressão séria.

Me virei e saí do consultório sem olhar para ver se ele estava me acompanhando, mas ele estava, sentia seu olhar preso nas minhas costas. Andou rápido e me alcançou, o que na realidade, não provocou esforço nenhum por parte dele, eu gostaria de ter andando mais rápido e deixado-o para trás, mas sabia que isso seria impossível.

Olhei rapidamente para o Sebastian, ele olhava para frente.

_O que o senhor tem, jovem amo? — me perguntou baixo.

_Nada — respondi seco — Por que?

_O senhor parece estranho, está irritado com algo, sinto isso.

_Enganou-se, demônio — falei enquanto ganhávamos a rua e eu parava em frente ao cabriolé.

Sebastian abriu a porta da cabine e estendeu a mão para me apoiar. À contragosto tive que segurar na mão dele, apertei os dedos do mordomo e dei um impulso para subir.

_Está mentindo, bocchan — Sebastian murmurou, se aproximando mais de mim.

Meu coração deu uma acelerada ao ouvir ele me chamar de bocchan, mas eu disfarcei e me sentei no banco, não querendo olhar para ele. Sebastian então se inclinou para dentro da cabine e agarrou meu rosto com uma mão, apertando um pouco minhas bochechas e me obrigando a olhar para ele.

_Não vai falar o motivo? — falou num tom frio, mas eu que percebia a preocupação na voz.

_Nada que seja do seu interesse — virei a cara para o outro lado.

Ele virou novamente o meu rosto para ele e eu encarei seus olhos.

_Ainda mentindo.

Suspirei, cansado de manter uma pose que o meu orgulho me obrigava a manter mas meu coração gritava por me abrir.

_A enfermeira… — falei baixo.

Sebastian riu.

_Ah...bocchan, aquilo foi só encenação. Para eu conseguir tirá-la do seu caminho.

_Mesmo assim, por que não usou outros métodos? Por que tinha que seduzir ela na minha frente? — fiz força para que a minha voz saísse fria e impassível mas ela tremeu no final da frase.

_Demônios seduzem e matam… essa é a nossa natureza — falou ainda num tom que eu não consegui identificar direito se estava ou não brincando.

Agarrei seu punho e puxei meu rosto da sua mão, me libertando.

_É exatamente isso que você está fazendo comigo, não é? Me seduzindo e se aproveitando do meu corpo enquanto não chega a hora de devorar a alma. — Minha voz saiu totalmente desestabilizada e as lágrimas transbordaram pelo meu rosto.

Sebastian franziu o cenho, fazendo uma expressão de surpresa.

_Hã?? Não bocchan, não é assim com você. Pensei que depois de tudo o que passamos, tivesse certeza dos meus sentimentos por você.

_Chega, Sebastian. Feche essa maldita porta e vamos embora daqui.

Sebastian não se moveu, ainda olhando para mim. E eu ali, tentando não chorar ainda mais na frente dele.

_É UMA ORDEM, SEBASTIAN. ME TIRE DAQUI!!!! — gritei e só então Sebastian saiu do torpor, vi seus olhos adquirirem um ar magoado e frio.

Fechou a porta do cabriolé e em segundos estávamos em movimento. Deixei as lágrimas verterem copiosamente, até o ponto que eu estava soluçando alto e puxando os cabelos, na tentativa de que a dor física amenizasse a dor interna. Uma tristeza e ciúme tão grandes que parecia que meu peito iria arrebentar em milhares de pedacinhos.

Quando finalmente o cabriolé parou, tentei secar meus olhos, mas Sebastian abriu a porta e me viu naquele estado humilhante, chorando de ciúme.

Franziu novamente o cenho e entrou na cabine.

_O quê…? — perguntei assustado, se alguém do palácio visse ele dentro iria estranhar, mas vi que não estávamos no palácio. Sebastian havia nos levado para um campo, e eu não tinha a mínima ideia de onde estávamos.

_Shhh, está tudo bem — falou calmamente, tomando minha mão na dele — Não precisa ficar assim.

Eu fui puxado como uma boneca de pano para o colo dele. Sebastian me abraçou pela cintura com um braço e secou minhas lágrimas com a outra, manchando as luvas impecavelmente brancas.

_Me deixe, Sebastian. Não estou chorando por você.

_Claro que não — concordou falsamente comigo.

_Me largue — mandei

_Não. Não irei te largar. Muito pelo contrário, meu pequeno conde está com ciúme e precisando de atenção — sorriu e beijou minha bochecha.

_Não estou não. Me deixe — o empurrei um pouco, não querendo realmente sair.

Sebastian me segurou pela nuca, os olhos castanho avermelhados passeando pelo meu rosto, indo dos olhos para meus lábios.

_Bocchan… eu o amo. Sabe disso. Já não somos mais contratante e contratado, ainda não percebeu? — murmurou e tomou meus lábios nos dele.

Suspirei, me sentindo derreter com o contato. Amoleci nos braços dele, parando de lutar por me separar e me entreguei, sendo prontamente abraçado apertado, as mãos do Sebastian passando pelas minhas costas, me apertando.

Correspondi ao beijo de modo apaixonado, rolando minha língua junto com a dele, mordiscando seu lábio inferior, o abraçando pelo pescoço, afundando meus dedos no cabelo sedoso e liso de Sebastian.

Nos beijamos até eu perder o fôlego sendo obrigado a interromper o beijo. Puxei minha cabeça para trás, olhando nos olhos do meu demônio e recebendo de volta um olhar de desejo. Sorri levemente e encostei minha testa.

_Tire a roupa Sebastian — mandei.

Ele ergueu as sobrancelhas, surpreso e malicioso.

_Aqui???

_Agora — respondi, saindo do colo dele para que ele me obedecesse.

Sebastian começou a tirar a calça, olhando para mim pervertidamente.

_Comece pela camisa — falei, cruzando as pernas e braços.

Ele abriu a calça e a deixou cair nos pés, depois tirou o fraque e a camisa.

Me aproximei dele, olhando para o pescoço e peito.

_O que está fazendo? — me abraçou pela cintura, querendo me beijar.

Me esquivei.

_Examinando para ver se não tem nenhuma marca daquela despeitada — falei sério, o examinando em busca de alguma marca que comprovasse a traição.

Sebastian riu alto e me agarrou, me colocando deitado sobre o banco do cabriolé.

_Me solta, Sebastian. Nós não vamos fazer — falei lutando para me libertar.

_Bocchan… — Sebastian sussurrou perto do meu ouvido — Ninguém irá nos ver… vamos aproveitar…

Sebastian então me beijou intensamente, tocando meu corpo de um modo que eu esquentei imediatamente, roçando o corpo no meu, abrindo rapidamente minha roupa.

Ofeguei e dei um gemido baixo quando ele ergueu minhas pernas e tocou minha entrada com os dedos.

_Rápido, Sebastian… — gemi, arranhando seus braços. Enroscando minhas pernas no quadril dele.

Ele encaixou o membro em mim e começou a me penetrar lentamente, mordiscando meus mamilos enquanto me masturbava.

E foi assim que eu enlouqueci.

Quando finalmente chegamos ao palácio já era meio da tarde e ainda bem, ninguém indagou o por quê das minhas roupas estarem amassadas, e eu suado e despenteado.

Fui direto para o meu quarto, precisava desesperadamente de um banho, sentia o sêmen escorrer pelas minhas nádegas.

_Foi um ótimo passeio no campo, jovem amo. Muito providencial — comentou entrando no quarto após mim.

_Cala a boca, Sebastian — desfiz o laço do meu pescoço e tirei meu casaco — Prepare um banho para mim.

_Imediatamente — sorriu e foi para o banheiro.

Suspirei, cansado e levemente feliz.

_Ainda vai ver o visconde hoje? — perguntou voltando ao quarto.

Gelei.

_Não. Por hoje, chega. Deixemos para amanhã.



Notas finais
O que acharam, meus amores? Um lemon sem descrição e o começo da tensão. Esse será o ultimo arco da fanfic e tem muuuuita coisa para acontecer, tem muitas pontas soltas para serem arrematadas. Mas podem comentar, me dizendo o que estão achando depois desse longo hiato? curtam minha page, lá tem algumas informações do andamento das fanfics e novos projetos>>> https://www.facebook.com/Black-rose-630130480451722/timeline/?ref=hl Meu perfil>>> https://www.facebook.com/profile.php?id=100009909871101 Beijos beijos