Desejos libertos
36 A amnésia
Notas iniciais
Passou-se vários dias depois daquela noite do sonho. Até que estávamos progredindo mas ele não deixava eu penetrá-lo de jeito nenhum e isso estava me deixando louco.
Claro que eu poderia ordená-lo como eu fiz no sonho mas isso seria desagradável. Quer dizer, eu queria que ele quisesse também. Além do mais, mesmo o Sebastian sendo um demônio, ele sempre me respeitou, nunca forçou nada.
Nem mesmo na nossa primeira vez. Ele apenas aproveitou o meu desafio e talvez, se eu nunca tivesse perdido para ele na partida de xadrez naquela tarde, nunca teríamos começado a nos envolver desse jeito. Ou talvez teríamos, em qualquer outra oportunidade porque na verdade, olhando agora para o passado, eu percebi que comecei a gostar do Sebastian há muito tempo.
Eu estava no escritório perdido nos meus pensamentos de como conseguir convencê-lo. Já tinha resolvido vários problemas da Funtom, nada muito importante, coisas de rotina de uma companhia. Em uma hora começaria uma aula minha, acredito que seria francês hoje. Sebastian devia estar em algum lugar da mansão, arrumando ou preparando algo.
Abri a gaveta da minha mesa de trabalho em busca de uns bombons que eu tinha escondido lá no outro dia.
“Maldita mania de ficar regulando os doces” — pensei irritado.
Não encontrei o raio dos chocolates, no mínimo ele os havia descoberto e confiscado. Mas achei o diário que eu fiz quando perdi a memória.
Achei essa ideia de diário muito estúpida e não sei como eu concordei em escrevê-lo.
“Duvido muito que Sebastian não o leu. Duvido mesmo.”
Peguei o pequeno volume e o abri na primeira página. Nunca tinha lido depois que recuperei a memória e, misteriosamente, eu não me lembrava do período em que fiquei desmemoriado, era como se eu nunca tivesse vivido esses dias. De qualquer modo, não acreditava que eu tivesse feito alguma coisa de especial nesse período; Sebastian havia me dito que eu voltei a ter dez anos o que era constrangedor porque pelo que eu me lembro dessa época, eu era uma criança boba e feliz. Sebastian deve ter rido muito da minha cara.
Comecei a ler. Eram textos curtos — ainda bem — estava com medo que eu tivesse aberto completamente o meu coração naquelas páginas. Se bem que o que eu poderia de ter de tão constrangedor no meu coração aos dez anos? De qualquer modo, respirei aliviado, pelo menos parece que eu não fiquei estúpido o suficiente para falar mais do que devia.
Porém conforme eu lia ia vendo o meu sentimento pelo Sebastian aflorar naquelas páginas; mesmo sem me lembrar, o sentimento não havia desaparecido e eu me peguei sorrindo comigo mesmo, feito um bobo. E dei risada com a parte dele me explicando que nós éramos namorados — imagino que eu tenha ficado chocado. E senti meu coração se aquecer quando percebi que ele havia se controlado todo o tempo para não me atacar, eu o conheço bem, sei que ele deve ter ficado com tesão em vários momentos e bem, foi quase um mês sem sexo…
Por isso eu não posso forçá-lo a ceder para mim. E, nós tínhamos muito tempo pela frente, talvez no futuro ele mudasse de ideia.
“Nós temos muito tempo pela frente…” — a frase ecoou na minha mente e senti algo ruim pulsar no meu coração. Não tive tempo de tentar descobrir o que era.
Nesse momento Sebastian entrou no escritório, estava impecável no seu fraque, como sempre, mas algo tinha mudado levemente. Agora ele exibia um pouco de olheiras e estava levemente pálido. Não sei o que está causando isso à ele.
“Será que está doente?” — perguntei mentalmente, numa curiosidade preocupada. Eu não acho que demônios fiquem doentes, mas eu também não sabia que eles respiravam ou tinham sentimentos, então...acho que eu sei bem pouco da natureza deles.
Fiz uma nota mental sobre perguntar mais sobre isso para o Sebastian depois.
_Vamos começar a aula, Jovem amo?
Fiz que sim com a cabeça, desanimado.
Sebastian colocou os óculos de aro fino e abriu um livro da estante que tomava uma parede inteira do escritório, sentou-se na poltrona à minha frente, do outro da mesa.
Peguei minhas folhas e me preparei para começar a escrever com a pena. Sebastian começou a explicar os tempos verbais e concordância no francês. Eu já sou fluente nessa língua mas sempre treinava para não esquecer e, para piorar, Sebastian falou que iria começar a ensinar alemão na próxima semana.
“Mais uma coisa…” — pensei desanimado. Pelo menos ele não usava mais a palmatória a cada vez que eu errava a tarefa.
Percebi que Sebastian havia me perguntado alguma coisa pelo jeito que ele me olhava: como se estivesse esperando alguma resposta. Eu não tinha a mínima ideia do que ele tinha me perguntado, estava com a mente longe. Minha cabeça começou a doer.
Larguei a pena sobre o papel e ela rolou até bater no vidrinho de tinta.
_Jovem amo — chamou minha atenção.
_Quero um beijo — declarei.
Sebastian abaixou o livro até que pousasse sobre o seu colo e olhou interrogativamente para mim.
_Agora?
Assenti com a cabeça.
_Não. Depois da aula eu dou.
_Eu quero um beijo, Sebastian — amoleci o tom da voz, sabendo que ele não me negaria nada comigo usando esse tom.
Foi dito e feito, Sebastian fechou o livro com um sorrisinho e se levantou, veio até mim e eu afastei a poltrona da mesa dando espaço para que ele se inclinasse sobre mim. Sua intenção era me dar um beijo leve, apenas um selinho mas assim que eu senti o contato dos lábios dele nos meus, enrolei meus braços no seu pescoço e o fiz se inclinar mais. O beijei longamente, enrolando minha língua na dele e mordiscando seu lábio inferior, acabei o beijo passando a língua levemente pelo seu lábio.
Empurrei um pouco o peito do Sebastian pois ele ainda estava inclinado sobre mim mesmo com o beijo encerrado e ele abriu os olhos lentamente. O estrago já estava feito, ambos já estávamos duros, com apenas um beijo.
_O que foi isso, bocchan? — perguntou baixinho, ainda muito próximo de mim.
A minha dor de cabeça tinha aumentado. Tentei ignorá-la.
_Só um beijo — respondi calmamente, ajeitando-me na poltrona e a aproximando da mesa.
Sebastian se inclinou no meu ouvido.
_Acho que podemos atrasar um pouco a aula.
Tentei disfarçar o sorriso.
_De jeito nenhum. Temos que terminar francês, semana que vem a gente começa alemão e vai acumular muita coisa.
Sebastian pousou as mãos nos meus ombros, massageando-os um pouco.
_Talvez eu possa começar as aulas de alemão só na outra semana — propôs.
A massagem estava bem agradável e eu me deixei ficar sob aquelas mãos por um tempo que não foi tão longo quanto eu imaginei que seria. Logo Sebastian me tirou da poltrona, me puxando pela mão e me levou até o sofá.
Sentou-se no estofado marrom escuro e me puxou para eu sentasse no seu colo, o que eu obedeci, ajeitando uma perna de cada lado do seu quadril. Logo estávamos nos beijando, ele mantinha as mãos espalmadas nas minhas costas e eu acariciava sua nuca, arranhando levemente a pele com minhas unhas curtas ou então deslizando meus dedos pelos seus cabelos.
No final das contas, não tive aula nenhuma, passamos a tarde inteira namorando no escritório; trocando beijos, ora ternos, ora vorazes, em meio a amassos.
_ Sebastian, como foi quando eu perdi a memória? — perguntei, puxando assunto para tentar ganhar tempo de recuperar o fôlego entre um beijo e outro.
Ele me olhou pensativo.
_Foi...interessante — e sorriu para mim.
_Interessante?
Eu esperava que ele me dissesse que foi chato, foi horrível, cansativo, essas coisas. Afinal eu tinha voltado a ser uma criança, e eu não me lembrava dele.
_Sim, interessante. Você era muito diferente do que é hoje. Era fofo, adorável e muito inocente.
_Ei, eu ainda sou adorável.
_Só se for dormindo! — me respondeu tentando controlar o riso — Não, nem isso. Porque você tem tido uns sonhos muito constrangedores.
Dessa vez ele riu abertamente e eu senti meu rosto corar e pegar fogo.
_Foi só um sonho — retruquei, olhando para o lado para não ter que encará-lo. Estava com vergonha e bravo.
_Um que eu te acordei. E os outros? — replicou em tom acusatório.
Fiquei mais vermelho ainda porque eu sabia que não tinha sido um só. Eu tenho sonhado com isso com uma certa frequência.
_Culpa sua, seu maldito. Por que não me deixa logo fazer o que eu quero? — soquei o peito dele inutilmente — primeiro porque eu não tinha colocado força suficiente para doer e segundo que eu acho que mesmo eu colocando toda a minha força, não seria capaz de machucá-lo de verdade.
Sebastian me respondeu com um beijo, mas eu sei que essa é apenas uma saída que ele achou para me distrair.
“Demônio teimoso” — pensei enquanto correspondia ao beijo brevemente antes de interrompê-lo e o abraçar. Minha dor de cabeça não passava.
_Eu li o meu diário — comentei com o rosto escondido no seu pescoço.
_E então? O que tinha de interessante? — perguntou correndo as mãos pelas minhas costas.
_Você não o leu? Mesmo?
Ele negou com a cabeça.
_Nada de tão interessante assim. Parece que eu falava bastante de você.
Senti o Sebastian sorrir.
_Coisas boas? — perguntou convencido, como se já soubesse a resposta.
_Parece que sim.
_É bom saber — comentou simplesmente.
_Queria saber o outro lado da história — dei um selinho nos seus lábios.
_O que quer saber? — ele me devolveu o selinho.
_Como foi?
Me afastei um pouco, dando espaço para que ele falasse.
_Foi divertido e triste.
Diante da minha expressão confusa e interessada, Sebastian continuou.
_Foi triste porque você esqueceu o que houve com os seus pais e ficava perguntando toda hora por eles até que você me forçou a responder. Na verdade foi o Tanaka que explicou direito o que aconteceu. E foi divertido porque você era uma criança alegre e sorridente. Você fica lindo sorrindo, sabia?
Sebastian afagou meu rosto e eu inclinei a cabeça em direção à sua mão. Abri o meu melhor sorriso para o meu namorado e ele me devolveu o dele. Meu coração acelerou.
_Então eu não dei muito trabalho?
_Deu. Muito.
_Mesmo? O que eu fiz?
Agora Sebastian enlaçou a minha cintura com mais vontade.
_Você me provocava. Eu ficava morrendo de vontade de te beijar e você me fazendo te carregar no colo para cima e para baixo. Ficava comendo doces de modo erótico, só para me fazer ficar duro, depois olhava para mim com um olhar inocente.
Sorri provocante diante da acusação.
_E você ficava com muita vontade de me beijar? — lambi os lábios de propósito, só para ver aquela chama do desejo se acender nos olhos carmesins do Sebastian.
_Muito — respondeu e se inclinou para frente para tomar meus lábios mas eu me esquivei.
_Só beijar? — arqueei uma sobrancelha.
Sebastian sorriu para mim, suas presas começando a aumentar. Eu acho esse sorriso — quando está entre humano e demoníaco — muito atraente.
_Não. Eu tive vontade de fazer outras coisas também — Ele desceu as mãos para o meu traseiro e o apertou — E eu sei que, mesmo não se lembrando, você queria também.
_Mas é claro que não. Eu era apenas um garotinho de dez anos! Totalmente inocente! — provoquei.
_Você leu até o fim do diário? Tinha alguma parte falando de uma certa noite?
Sebastian me puxou para ele e começou a beijar o meu pescoço. Inclinei minha cabeça para trás, expondo a minha gargante e comecei a ficar quente.
_Seja mais específico — murmurei, enroscando meus dedos nos seus cabelos.
Ele demorou um pouco para responder, entretido com os lábios sobre a minha pele sensível e arrepiada.
_Uma certa noite. Uma certa ereção.
Dei uma pequena risada. Realmente tinha a passagem no diário.
_Seu safado — o acusei.
Sebastian riu contra a minha pele e forçou o quadril contra o meu, automaticamente eu rebolei na sua ereção.
_Você também é.
Finalmente Sebastian tomou a minha boca na sua, segurando a minha nuca com força, mordiscando os meus lábios e me fazendo esquecer de qualquer coisa.
Nos beijamos longamente, explorando nossas bocas.
Estranhamente, nós não fizemos nada no escritório e como já estava perto das cindo horas da tarde, Sebastian me empurrou levemente para o lado, me pondo sentado no sofá.
_Vou preparar seu chá, bocchan.
Me levantei.
_Não precisa — eu estava me sentindo um pouco enjoado — Eu vou me deitar um pouco. Estou com dor de cabeça.
_Quer algum medicamento?
_Não. Só é uma dorzinha chata — depois eu ponderei — Melhor eu tomar sim.
Sebastian deu um último selinho nos meus lábios e saiu do cômodo.
Depois que eu tomei o remédio, subi para o quarto. A dorzinha estava latejante, iria deitar por alguns minutos até ela melhorar.
Foi uma tarde gostosa — escapei de uma aula chata e ainda fiquei me agarrando com o meu namorado no sofá. Só de lembrar os beijos de Sebastian e as mãos dele percorrendo o meu corpo, eu já sinto um calor começar a tomar conta do meu baixo ventre.
Entrei no quarto e deitei na cama sem nem afastar a colcha que a cobria. Fiquei pensando no que havíamos conversado ainda há pouco no escritório: em como o Sebastian havia dito que ficava quando me via daquele jeito inocente e em como eu o provocava sem perceber, obrigando-o a se aliviar sozinho depois no quarto.
“Ah, então ele gosta de garotinhos inocentes???” — foi a última coisa que pensei antes da minha mente se apagar por causa do efeito do analgésico que eu havia tomado.
POV
Estava um pouco preocupado com o bocchan, ele não quis tomar o chá da tarde e isso quase nunca acontece. O chá das cinco é algo sagrado para os ingleses. E olha que eu tinha feito um bolo Floresta Negra com direito à muitas raspas de chocolate por cima.
Dei o analgésico para ele e fui adiantar o jantar. Mas assim que entrei na cozinha me deparei com um pequeno incêndio: Bard havia tentado grelhar alguma coisa que acabou pegando fogo e ele e o Finny corriam de um lado para o outro buscando baldes de água para controlar as labaredas.
Era o dia de folga da Mei rin e ela havia saído logo no começo da manhã, quando perguntei se ia passear na cidade, ela ficou muito vermelha e disse que ia se encontrar com uma pessoa muito especial. Ainda perguntei quem seria, mais por curiosidade mesmo, mas ela se recusou a falar. Acabou chegando no meio dessa confusão, entrou espantada pela entrada dos empregados carregando uma caixa vermelha com um laço de fita rosa, reconheci o logo do ateliê da estilista Nina Hopkins e estranhei bastante.
“Desde quando a Mei rin tem dinheiro para encomendar roupas com a senhorita Hopkins?” — pensei comigo mesmo.
Os empregados da mansão eram remunerados corretamente mas jamais teriam dinheiro para comprar roupas da maior estilista de Londres. Talvez ela estivesse namorando e o rapaz tivesse comprado um vestido para ela. Ou talvez ela estivesse envolvida com uma outra pessoa, talvez a própria dona do ateliê…
Não havia tempo para perguntar e nem era da minha conta. Foquei a minha atenção na contenção do princípio de incêndio e ele logo foi extinto depois que nós três unimos nossas forças e aqueles dois pararam de bater cabeça como duas baratas tontas.
Já era perto das dezoito e trinta quando consegui preparar algo, dali em diante era só ficar de olho para não queimar. Fui até o meu antigo quarto tomar um banho pois eu estava com cheiro de fumaça e minha camisa estava suja de fuligem. Fiz um carinho entre as orelhas da minha gata que dormia ronronando sobre a minha cama e me encaminhei para o banheiro.
Foi um banho rápido. Depois do jantar eu tinha muitas intenções com o bocchan, já que nós não havíamos feito nada no escritório, e elas incluíam um divertido e caprichado banho de banheira.
Qual não foi a minha surpresa quando eu saí do quarto e vi um vulto caminhando no corredor e virando para a ala dos empregados.
_Ei! — chamei e a pessoa parou, era baixinha e eu achei que talvez fosse o bocchan. Mas o que ele estaria fazendo aqui?
Me aproximei e confirmei que era realmente o bocchan.
_Bocchan??
Ele me olhou como se não me conhecesse.
_Bocchan??? — pousei a mão no seu ombro e por um momento ele olhou para ela e depois ergueu os olhos para mim.
Aquele não parecia o bocchan. Estava esquisito.
_Você me conhece, senhor?
Congelei. Não era possível. Não podia ser possível.
Ele perdeu novamente a memória…
“Será que tem a ver com a dor de cabeça?”
Tentei controlar o desespero que tomou conta de mim nesse momento.
_É claro que eu te conheço. E você me conhece também.
Ele inclinou a cabeça para o lado e sorriu.
_Mesmo? Eu não me lembro.
_Você sabe quem você é, não é? — perguntei com medo da resposta.
_Eu sei, sou Ciel Phantomhive e você? Quem é? O que faz na minha casa?
Respirei fundo e joguei o meu cabelo para trás. Não acreditei que ia passar por tudo aquilo novamente.
Era muito azar!!!
_Sou Sebastian Michaelis, seu mordomo.
_Um mordomo só meu? — piscou os dois olhos para mim. O mesmo olhar doce e inocente que ele me lançava quando perdeu a memória pela primeira vez.
_Sim. Um mordomo só seu. O que você faz aqui? Na ala dos empregados?
Bocchan olhou para os lados como se estivesse tentando se localizar.
_Eu...eu me perdi. Você me ajuda?
Sorri resignado e me perguntando se eu iria aguentar mais tempo desse garoto me olhando desse jeito.
“Por quê? Por que ele tem que ser tão estuprável assim?”
_Claro. Venha, eu vou levá-lo para o quarto.
Ele então baixou a cabeça e levou uma mão à boca como se estivesse envergonhado.
_O que foi?
_Você me carrega? — perguntou e me estendeu os braços.
Suspirei e o peguei nos braços. Pelo jeito que ele segurou no meu pescoço, não pude carregá-lo como uma princesa. Passei as mãos pelo seu traseiro e ele enroscou as pernas no meu quadril
“Claro! Tudo pode piorar!” — pensei sentindo seu quadril de encontro ao meu abdome.
Ele escondeu o rosto no meu pescoço e respirou fundo. Senti o ar quente saindo da sua boca e batendo na minha pele.
Eu estava desolado. Primeiro porque eu não queria que ele perdesse novamente a memória, segundo porque eu não sabia quando e se ele se recuperaria e terceiro que essa personalidade pervertida atual estava me agradando bastante.
_Seu nome é Sebastian, né? — quis confirmar.
_Sim — respondi enquanto subia as escadas.
Bocchan esfregou o nariz no meu pescoço e aspirou.
_Você tem um cheiro muito bom, Sebastian.
“Maldição!!! Por que ele fez isso?”
_O-obrigado, bocchan.
Senti ele sorrindo e se apertou mais em mim.
Chegamos ao quarto e eu quis colocá-lo no chão para poder abrir a porta mas ele se segurou ainda mais.
_Não me ponha no chão!
_Tsc. Tem certeza? Eu não tenho como abrir te segurando assim.
Então o bocchan travou ainda mais as pernas ao meu redor e apertou mais os braços no meu pescoço. Desse jeito ele não iria cair e eu o soltei momentaneamente, apenas o tempo necessário para girar a maçaneta.
Entrei no quarto e o depositei na cama.
_Como está se sentindo?
_Estou ótimo, Sebastian. Obrigado por perguntar.
“Esse não é o meu bocchan!”
_O que você se lembra, bocchan?
_Eu não sei. Lembro de muitas coisas. Por quê?
_Acho que você perdeu a memória.
_Por quê? Por que eu não me lembro de você?
Assenti com a cabeça.
_É estranho mesmo! Com um mordomo igual à você, como eu poderia me esquecer, não é?
Ele piscou um olho para mim e eu fiquei sem ação.
_Você se lembra de nós?
_De nós? — repetiu sem entender — Você me disse que era o meu mordomo, não é? O que mais eu teria que lembrar?
Desanimei.
_Acho melhor nós fazermos um teste para saber o que você se lembra — propus.
_Ah não. Estou cansado. Quero o meu jantar, estou com fome. Você pode trazer para mim aqui no quarto, Sebastian?
_Claro, bocchan. Com licença.
Desci as escadas e parecia que tinha uma nuvem negra sobre a minha cabeça.
Era demais. Eu não conseguia acreditar que ia passar por tudo aquilo de novo.
_O que aconteceu, senhor Sebastian? — Mei rin perguntou assim que entrei na cozinha.
Bard havia tirado as panelas do fogo. Respirei fundo antes de anunciar.
_O Jovem amo perdeu a memória de novo.
Os empregados paralisaram nos seus lugares.
_Como assim? — perguntou Finny.
_Eu ainda não sei direito. Vou levar o jantar dele no quarto e tentar descobrir.
Preparei a bandeja com a refeição, bebida e a sobremesa e levei para o quarto. Encontrei-o sentado na cama e assim que eu entrei ele olhou feliz para mim. Parecia tão infantil.
_Sabe quantos anos tem?
_Hummmm. Dez.
Espalmei minha mão no meu rosto. Angustiado.
_O que foi Sebastian? Fiz alguma coisa de errado?
_Não, claro que não bocchan. Trouxe o seu jantar.
Coloquei a bandeja na mesinha e ele se encaminhou para lá, sentou-se na poltrona e cheirou a comida.
_Parece delicioso, Sebastian.
Dei um pequeno sorriso e o bocchan pegou uma porção da comida com o garfo, levando-o à boca.
_HUmmmmmm, e está delicioso. Tudo o que você faz é delicioso, Sebastian?
Olhei para ele, tentando decifrar o que realmente o bocchan estava tentando falar. Mas o olhar que ele me deu foi inocente.
Pelo jeito eu iria sofrer bastante. Se da outra vez, em que ele não falava nada de duplo sentido eu já me sentia provocado, imagina agora com ele falando essas coisas.
Ele comeu toda a refeição e passou para a sobremesa — era uma fatia do bolo mas ele comeu lentamente, lambendo o garfo para tirar qualquer resquício do chocolate. Fiquei olhando pela janela para não ficar encarando-o.
_Estava ótimo, Sebastian — falou quando terminou o bolo — Agora, me diga quais são as suas atribuições aqui.
_Bem, eu organizo o funcionamento da casa, sirvo como secretário da Funtom. Você se lembra da Funtom, não é? — ele aquiesceu e eu continuei — Acompanho o senhor para onde for.
_Para todo lugar?
_Sim.
_Todo o momento?
_Sim.
_Interessante. O que mais?
“Sou o seu amante” — pensei.
_Acho que é só.
_Tem certeza? — perguntou arqueando uma sobrancelha.
“Será que ele se lembra?”
_Tenho.
_Que seja, então — bocchan se levantou da poltrona — Acho que vou tomar um banho. Você me ajuda nisso também?
Fiz que sim com a cabeça e me dirigi ao banheiro para preparar a banheira. Quando ela estava cheia e com os sais de banho que ele gosta eu o chamei.
Ele entrou no banheiro e parou na minha frente. Comecei a despi-lo, tentando não pensar em nada.
Bocchan entrou na banheira e eu me preparei para começar a lavá-lo, então ele se virou um pouco e segurou a minha mão.
_Tire essas luvas. Quero sentir as suas mãos.
Aquilo soou provocativo aos meus ouvidos.
_Então não se vire bocchan — falei, iria começar a lavar as suas costas.
_Não se preocupe, Sebastian. Eu ficarei de olhos fechados.
E ele fez isso. Fechou os olhos e relaxou.
Eu estava achando muito estranho. Ele não parecia muito o bocchan que perdeu a memória, mas também não era o antigo, nem o atual. Essa garoto ia me deixar louco com tantas personalidades.
Esfreguei suas costas e seu pescoço. Braços e ombros. E quando eu comecei a ensaboar seu tórax, ele se recostou na banheira. Olhei para seu rosto, estava tão relaxado, de olhos fechados, lábios entreabertos por onde saía a respiração compassada, estava um pouco corado e eu achei que talvez fosse pela temperatura da água. Mas quando eu deslizei a esponja pelo seu peito ele franziu as sobrancelhas.
_Sebastian — chamou.
_Pois não?
_Largue essa esponja.
_Mas o banho não terminou…
_O banho continua. Eu disse que queria sentir as suas mãos.
_Bocchan…
_Por favor, Sebastian.
_O senhor não se lembra mesmo de nada sobre nós?
_É claro que não.
_Então por que age assim?
_Assim como? Eu só não gosto do contato do tecido.
Comecei a suar frio, larguei a esponja e passei a deslizar as mãos pelo peito e abdome do bocchan e ele voltou a fechar os olhos. Engoli em seco, não eram essas as minhas intenções que eu tinha de um banho de banheira com o bocchan. Comecei a ficar excitado, queria arranhar e beliscar suavemente os seus mamilos, queria segurar na sua cintura. Queria entrar nessa banheira e beijar a boca do bocchan até que ele estivesse sem fôlego.
Desci mais minhas mãos até o seu membro e num movimento mais ousado segurei-o. Ele não reclamou, apenas suspirou mais fundo e ergueu um pouco o quadril.
Ele estava gostando. Massageei seu pênis, minha mão deslizando macio por causa do sabonete líquido em toda a sua extensão.
_Hmmm Sebastian… O que você está fazendo?
_O senhor gosta?
_Muito. Mas é tão constrangedor!!
_Quer que eu pare?
_Não. Continue.
Continuei masturbando-o, sentindo ele ficar duro na minha mão. O bocchan segurou com força as bordas da banheira e mordeu o lábio inferior, tentando conter inutilmente os gemidos.
_Sebastian… — ele miou e eu desisti de qualquer controle que eu pudesse estar tentando ter.
Agarrei o bocchan pelas axilas e o tirei da banheira.
_O quê ???? — exclamou abrindo os olhos surpresos.
Não respondi nada e o joguei de qualquer jeito na cama. Eu estava explodindo de tesão e sem paciência nenhuma.
_O que você está fazendo, Sebastian??? — ele se virou na cama e tentou puxar o lençol para se cobrir.
_Vou te mostrar uma coisa mais gostosa do que aquela da banheira.
Comecei a arrancar as minhas roupas e a cada peça tirada, ele parecia ficar mais assustado mas eu sentia também que ele estava excitado.
Deitei em cima dele, apenas com o lençol nos separando.
_O-o qque vai f-fazer?
_Vou te beijar, bocchan — anunciei e colei os meus lábios nos dele, sem dar tempo para qualquer resposta.
Senti ele se assustar mas então ele gemeu e me abraçou.
“Esse novo bocchan parecia ser inocente mas estava bem avançadinho” — pensei enquanto pedia passagem entre os seus lábios.
Ele os abriu e eu entrei com a minha língua. Senti seu quadril ondular contra mim e puxei o tecido que nos separava. Estava louco para sentir o corpo do meu pequeno bocchan. Ele não se opôs e eu deslizei minhas mãos apertando a lateral da sua cintura e quadril, mas assim que eu tentei abrir as suas pernas para me encaixar no espaço, ele começou a me empurrar.
_Não, Sebastian. Eu não quero — falou com aquela vozinha infantil.
_Por quê? Não está bom?
Bocchan estava corado e ofegante e levou uma mão ao rosto, cobrindo a boca.
_Está muito bom. Mas...eu não sei… E se doer?
Não sabia se ria ou chorava. Tive vontade de falar para ele que nós já havíamos feito muitas vezes, que eu nunca o havia machucado.
_Não vai doer. Eu vou com cuidado, tudo bem?
_Eu… eu não sei.
Respirei fundo.
_Quer parar? — perguntei, torcendo para que ele falasse não.
_Nós podíamos nos beijar… — propôs tímido.
Voltei a beijá-lo, bem lento. O abracei apertado e ele automaticamente abriu as pernas, fiquei feliz mas logo ele se deu conta do que fez e tentou fechá-las novamente; fui mais rápido e me encaixei ali.
_Ahhh — ele gemeu baixinho quando eu comecei a trilhar o seu pescoço.
_Sebastian… eu me sinto tão estranho.
_Estranho bom? — perguntei, sabendo que o que ele estava sentindo era tesão.
_Bom. Eu quero mais.
Voltamos a nos beijar, dessa vez com mais ímpeto.
Bocchan começou a acariciar timidamente as minhas costas e eu não resisti a atacar os seus mamilos, sua ereção pressionava a minha e eu comecei a forçar o meu quadril, ele fez o mesmo e os nossos membros deslizavam um contra o outro, nos excitando ainda mais.
_Bocchan… — sussurrei contra o seu ouvido, senti ele se arrepiar.
_Sebastian… — ele arranhou as minhas costas de um jeito delicioso — Eu vou pegar fogo, estou muito quente — choramingou.
Eu sorri vitorioso.
Então o bocchan me empurrou e eu achei que ele queria parar. Se livrou do meu abraço e começou a engatinhar na cama para longe.
_Não, Sebastian. Eu não quero.
Mas o maldito ficou de quatro, com o peito encostado no colchão e o traseiro empinado, me dando uma visão ótima.
Ele olhou para trás com aqueles olhos inocentes e rosto corado.
Fiquei meio que sem saber o que fazer.
“O que ele quer que eu faça??” — pensei confuso entre ouvir o que ele tinha dito e desistir ou deixar me levar pela visão da sua entrada e o atacar.
_Bocchan… o q…
_Sebastian, eu estou me sentindo tããoo quente. O que você fez comigo??? — miou com aquela voz arrastada.
Nesse momento, mandei todo o bom senso para o inferno.
Fui até ele e agarrei o seu quadril.
Ele gemeu quando separei suas nádegas e dei um longa lambida na sua entrada.
_AAHAAAAA , não.
Ignorei a sua negativa e passei a sugá-lo, lambê-lo e beijá-lo, bem ali, naquela região tão sensível. Bocchan começou a rebolar na minha boca e a gemer algo.
Por várias vezes balbuciava algo sobre eu parar, que ele não queria continuar mas seu corpo, sua voz, tudo nele gritava que ele queria sim, que eu continuasse e foi o que eu fiz.
Inseri dois dedos de uma vez nele, começando logo a movê-los.
_NNNnnghghhg dói.
Nem me importei. Não podia estar doendo tanto com aquela quantidade de saliva. Inseri o terceiro e ele gemeu mais, mordendo o lábio inferior.
_Não, Sebastiaaaannn. Pare, por favor!
“Devo parar?” — minha mente questionou mas eu retirei os meus dedos e posicionei o meu membro na entrada, começando logo a empurrar.
Bocchan é sempre apertado. Eu adoro!!
Meu pênis deslizou até a metade para dentro do seu canal e eu senti ele soluçar, fiquei parado um tempo e não posso afirmar que bateu um pouco de medo de que realmente ele não quisesse, mas eu não podia ter me enganado tanto com os seus sinais corporais.
_ Quer que eu tire, bocchan? — perguntei baixinho no seu ouvido.
Ele abriu os olhos e virou um pouco o rosto para mim.
_Eu quero sentir você inteiro dentro de mim! Vai, Sebastian!
Quase gozei ouvindo ele falar isso. Segurei forte o seu quadril e dei uma estocada brutal, entrando completamente e impulsionando o pequeno corpo do meu bocchan para frente.
_Ahhhhhh, Sebastian. Isso é muito bom. Mais forte.
Comecei a estocar com força e o bocchan começou a gritar, agarrando os lençóis.
_Você é tão gostoso, bocchan.
Ele respondeu começando a rebolar no meu pênis e a contrair ritmamente a entrada, aumentando ainda mais a sensação de aperto.
Gemi mais e dei maior ímpeto das estocadas. Fiquei com um pouco de medo de machucá-lo, estávamos indo rápido e violento demais mas quando eu tentei diminuir o ritmo ele falou:
_Não pare Sebastian. Eu quero mais!!!
Voltei à mesma violência. Eu estava indo profundamente nele e cada vez mais ele gemia e gritava.
_Bocchan… — chamei.
_Cala a boca e abusa direito de um desmemoriado!!!
_O quê???
Parei de estocar e o bocchan se levantou. Eu estava surpreso com o tom usando. Ele então me empurrou, deitando-me e sentou no meu membro.
Começou a mover-se rebolando, apoiou as mãos no meu peito e beliscou forte os meus mamilos. Gemi.
Ele lambeu meus lábios e me olhou com uma expressão muito safada.
_Você é muito bonzinho para um demônio, sabia?
Arqueei minhas sobrancelhas.
_Eu não falei que eu queria mais forte? Por que você parou?
_Você sabe que eu sou um demônio???
Bocchan sentou ereto sobre mim o que fez o meu membro ir mais fundo. Fez uma carinha de coitado.
_Oh não! Um demônio está abusando de um pobre garoto desmemoriado!!!
Então piscou para mim.
“Filho da puta! Foi tudo fingimento. Ele não perdeu a memória coisa nenhuma. Fez só para me provocar”.
Segurei as suas pernas e as apoiei nos meus ombros. Segurei a sua cintura e ele enlaçou o meu pescoço.
Dei um ímpeto e me levantei.
POV Ciel.
Eu estava dobrado sobre mim mesmo. Sebastian se levantou comigo no colo, eu me segurava com força no seu pescoço para não cair, minhas pernas estavam nos seus ombros, então eu nem conseguia travá-las.
O pênis dele estava cravado profundamente em mim e por causa da posição parecia que ia mais fundo ainda.
Sebastian caminhou assim, me segurando pela cintura e me pressionou contra a parede do quarto.
Arfei em surpresa, nunca tínhamos feito desse jeito.
Minhas costas bateram contra a parede e Sebastian não me deu tempo para recuperar o fôlego, começou a investir contra o meu traseiro furiosamente. E pelo ângulo de penetração, ele entrava completamente, eu tinha certeza que não sobrava nenhum centímetro para fora.
_AAAhhh nngghhh Sebastian. Está indo tão fundo — gemi, me deleitando com a sensação.
Ele gemeu em resposta mas não parou com as estocadas. Tentei rebolar mas não tinha como, eu estava imóvel, podia apenas receber tudo aquilo e me deleitar.
_Você não queria ser abusado? — sussurrou no meu ouvido.
_Huunng — gemi em resposta.
Sebastian conseguiu ir mais rápido e mais fundo. Senti meu ventre se contorcer. era demais para mim, meu ponto era pressionado seguidamente.
_Eu não aguento mais. Eu vou gozar — anunciei.
Sebastian tomou a minha boca num beijo voraz, mordendo os meus lábios. Me derramei sobre o meu estômago, sujando minha barriga, pernas e o tórax do Sebastian.
Foi um orgasmo gigante. Amoleci nos braços do Sebastian e ele teve que me segurar com mais força senão eu cairia. Então ele me pôs no chão e minhas pernas não me sustentaram de tão trêmulas que estavam. Ajoelhei me sentindo sonolento.
_Bocchan — Sebastian me chamou.
Ergui meu rosto e dei de cara com a ereção dele .
“Ele não havia gozado???”
_Chupa! — mandou.
Eu estava quase caindo de sono. Não tinha muita condição, estava dolorido pela intensidade do sexo.
_Chupa! — repetiu, segurando o membro duro e encostando nos meus lábios — Não aceito não.
Bom, a ideia de provocá-lo para que ele abusasse de mim foi minha. Um abusador não aceitaria um não mesmo.
Sorri e segurei a base com uma mão. Lambi até a ponta e dei uma chupada na ponta, engoli um pouco do pré-gozo que saiu e lambi os lábios. Comecei a chupa-lo com força, empurrando até que estivesse totalmente dentro.
Segurei com força o quadril do Sebastian e o incentivei a estocar na minha boca. Minha garganta doía por causa dos golpes no fundo dela, mas eu estava adorando. Em pouco minutos Sebastian se derramou, seu sêmen desceu direto pela minha garganta e eu quase sufoquei.
Tirei-o da boca e tossi um pouco.
Sebastian se ajoelhou na minha frente e segurou meu rosto com as duas mãos. Beijou meus lábios diversas vezes e limpou minhas lágrimas de esforço.
_Você é incrível Bocchan. Simplesmente incrível. Minhas costas doíam porque cada estocada era um golpe dela contra a parede.
Ele me abraçou e me levou para a cama. Deitamos na parte seca e eu me aconcheguei com o Sebastian me abraçando em conchinha.
Pensei que eu precisava de outro banho mas adormeci imediatamente.
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