Desejos do Destino
17 Desejos de um pesadelo
Notas iniciais
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Dia seguinte

O dia amanheceu calmo e tranquilo, como todos passavam a considerar um dia típico do verão em Hyrule. Isto é, ainda estava úmido e nublado com uma brisa fria bem pouco característica de verão. Mas estava tudo tão tranquilo que era até de se estranhar. Os primeiros raios de sol invadiam o quarto de cada um. Parecia um dia tranquilo e sem problemas. o rancho estava totalmente vazio, e o único movimento por lá era o dos animais. Todos dormiam tranquilamente, nem pensando em acordar tão cedo, já que haviam dormido muito tarde. Mas, aquele dia apenas parecia tranquilo. A tranquilidade foi pisoteada por gritos baixos de Zelda que mais pareciam ser sussurros. Todos concordavam que aquele dia não seria tranquilo.
Um grito agudo acordou a todos em completo pânico em um segundo naquela manhã. Todos pularam rapidamente das suas camas e desceram as escadas com desespero para saber a dona – ou dono – daqueles gritos agudos, altos e assustadores. Perceberam que Link e Zelda já estavam acordados, e deixaram escapar um suspiro de alívio quando notaram que aqueles gritos vinham dela. As lágrimas caíam como cascatas dos olhos da loira, e os olhos de Saria estavam rasos de lágrimas ao ver a amiga daquele jeito. Zelda parecia estar maluca, e Link a apertava com força, para ela não fugir dos seus braços. Link sabia oque ia acontecer se Zelda começasse a correr igual a uma louca pela casa, as janelas que haviam lá eram vidros grossos e muito perigosos, e isso não ajudava muito . Todos estavam com os olhares trespassados de medo, e tentavam aproximar-se da garota, que parecia estar maluca.
Zelda usava adjetivos muitos fortes ao se referir a Link que as pessoas começaram a desconfiar que aquilo não era uma brincadeira. Ele soltou o ar com força. O coração batia tão forte como quando ele estava fechado naquele guarda-roupas, e os músculos dos ombros estavam tão tensos que doíam. Mas, nada comparava-se aos arranhões profundos que Zelda dava nele. Todos fechavam os olhos, mas isso não melhorava nada. Ainda escutavam o barulho assustador das imensas unhas de Zelda "trabalhando" nos braços do herói, e os suspiros e gemidos que ele não conseguia reprimir.
– Ela tá bem? – Perguntou Mido, com os olhos arregalados.
Link deu uma risada falsa.
– C-claro! – Link foi interrompido por seus próprios suspiros de dor, ao notar que Zelda estava arranhando os braços do namorado para libertar-se. – Ela só tá brincando, háhá! Viram como ela é engraçada?
Malon arregalou os olhos.
– Eu não quero brincar disso aí não – Malon gritou, entre risos nervosos.
As palmas de Zelda estavam cheias de sangue.
– ME SOLTA, INFELIZ! OS ARRANHÕES FORAM SÓ UM AVISO! – Zelda gritou, com uma voz rouca.
Link pareceu não ouvi-la.
– Z-zelda! – Gritou Saria, com o olhar cheio de lágrimas. Zelda parou de arranhá-lo só para saber oque a garota de cabelos verdes queria. – Você está me assustando!
Houve um silêncio perceptível antes que ela começasse a chorar. Numa tentativa de limpar suas lágrimas, acabou passando muito sangue para o rosto. Lágrimas caíram e ela chorava silenciosamente, enquanto o sangue de seu rosto era levado com as lágrimas. Link finalmente soltou a garota daquele abraço forte, e levantou-se rapidamente, pois até ele ficou muito assustado com oque a garota havia feito.
Ela não conseguia encarar ninguém. Encarou as suas palmas repletas de sangue, e as lágrimas já começavam a queimar os olhos de tanta dor. Zelda limpou as lágrimas, e mais sangue foi espalhando-se. Poderia ter sangue no rosto dela, mas ela enxugou as lágrimas, e tentou parar de chorar. Os olhos estavam queimando de dor, toda vez que ela fechava os olhos sentia que uma lágrima ia cair. Mas, se havia uma coisa que ela sempre repetia, era que chorar não ajudava nem melhorava um problema. Apenas piorava.
Levantou-se e o peito inflou com um óbvio orgulho. Andou lentamente até a porta, sem olhar para trás. Todos encararam ela confusos, mas ela pareceu nem importar-se. Saria sentiu um sentimento de culpa ao ver a amiga daquele jeito por sua causa, mas sentiu um pouco de orgulho dela ter seguido em frente. Link sentiu falta daquela Zelda que estava rindo e sorrindo sem parar. Isso tudo aconteceu de repente, como um trovão. Uma pessoa tão alegre virou uma pessoa problemática e totalmente sem sorrisos.
Zelda abriu porta e sentiu uma brisa amigável batendo em seu rosto. Andou pelo vazio rancho, cabisbaixa, com os cabelos necessitando de uma bela escovada. Nem importava-se com sua aparência, só queria manter-se longe dos seus amigos. Ela ainda pensava que neste momento eles estavam conversando seriamente sobre esses ataques que nem ela mesma consegue explicar-se. Era algo estranho e que acontecia de repente, parecia que não era ela que estava controlando a si mesma.
Zelda estava andando caladinha para frente, sem saber para onde ia. Ela tinha um pouco de medo de bater sua cara em alguma coisa, pois o seu cabelo estava todo jogado pelo rosto, fazendo a garota nem olhar as coisas em volta. Ela sentiu algo pesado em suas costas, a jogando no chão. Seu rosto encontrou-se com uma grama seca e macia. Ela tinha certeza de que havia sido empurrada. Virou-se apenas para encarar a pessoa que havia a empurrado. Suas costas estavam encontrando-se com a grama fria, e colocou os fios bagunçados em seus devidos lugares. Sentou-se rapidamente na grama, e esteve certa que aquilo não era uma pessoa.
Era um belíssimo cavalo, não tão grande, nem muito pequeno. A crina dele brilhava na luz dos raios de sol, e ele parecia um pouco assustada. Zelda levantou-se delicadamente para fazer carinho no cavalo, mas ele saiu correndo quando a mão de Zelda estava aproximando-se. Zelda permaneceu cabisbaixa, e novamente derramou algumas lágrimas, que mais uma vez estavam misturando-se com o sangue espalhado pelo seu rosto. Ela queria que houvesse alguém no mundo para ela contar oque sentia, nem mesmo que seja para um cavalo. Estava tão perdida em seus pensamentos que nem notava que havia um calor ao seu lado. Ela levantou a cabeça e encarou aquele cavalo, que havia voltado, talvez por pena da garota que chorava. Aquele cavalo roubou um lindo sorriso da garota, que foi aproximando-se lentamente para o cavalo não sair de lá novamente. Zelda acariciou aquele cavalo, e dava abraços nele. Não preocupou-se em derramar algumas lágrimas naquela lindíssima crina, pois o cavalo não parecia se importar.
– Epona... – Zelda sussurrou, ao ler uma espécie de "coleira" que havia nela. Ela supôs que era uma égua, pois o nome era bem feminino. – Que nome lindo...
Zelda pegou alguns morangos e dava para Epona, enquanto a égua tomava muito cuidado para não morder o dedo da garota que tanto chorava.
– Você é muito linda, Epona.
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Um pouco depois
Depois de uma longa e fria chuveirada, Malon vestiu-se com as roupas de sempre do rancho. Um simples vestido branco, com um lenço amarelo preso no pescoço. Fazia bem roupas longas e muitos agasalhos para proteger-se do frio que a chuva da madrugada havia deixado de presente antes de acabar. As esperanças da ruiva de tomar um bom café pela manhã – que parecia bom para um dia frio como aquele – , foram por água abaixo quando ela viu que estava atrasada nos compromissos do rancho. Se Ingo descobrisse e contasse ao pai dela, ela ficaria de castigo, presa no quarto por um bom tempo, sem visitas e não poderá ir até Hyrule Market – oque ela simplesmente adorava. Já não estava muito cedo, e o rancho começou a ser invadido por algumas crianças brincalhonas, mais velhas que a Malon. Ela reconhecia o rosto de cada um, pelo fato de quase todos os dias algumas crianças invadirem o rancho e brincar com alguns animais que havia por lá – menos com os cuccos, por motivos muito muito perigosos – e por sorte, Epona sempre fugia quando alguém chegava perto dela, por isso Malon não preocupava-se muito. Deixou os amigos conversando sobre a loucura de Zelda, e desceu para começar a fazer oque ela tinha de fazer. Primeiramente, ela devia dar comida para a Epona, que de acordo com ela, estaria faminta uma hora dessas.
Malon andou calmamente pelo rancho, arrependida por não ter prendido o cabelo. A brisa batia muito forte, o clima parecia estar louco. Os cabelos ainda estavam úmidos, e eles voavam, atrapalhando a sua visão. O rancho estava calmo e não havia um sinal de pessoas. Isto é, havia algumas pessoas pelo rancho, mas estavam caladas, dando a impressão de que não havia ninguém por lá. Hyrule parecia ser muito tranquila durante a manhã. O clima estava agradável, e a brisa batia muito mais no rancho lon lon, por isso que a metade dos Hylians gostava de passar um tempo por lá. Depois do vento ter dado uma acalmada, Malon conseguiu ver alguém dando morangos pra Epona. Ela ficou surpresa por ter visto Epona com alguém que não fosse ela. Epona tinha medo de pessoas, e Malon havia ensinado a ela que a pessoa só era confiável se tocasse a Canção de Epona, uma música que Malon ensinava apenas para as pessoas que ela confiava. A garota – de acordo com os longos cabelos, parecia uma garota – brincava com Epona e ela não demonstrava nem um pouquinho de medo ou espanto. Logicamente Malon teve de aproximar-se daquela pessoa, mesmo um sentimento de medo apoderando-se um pouco nela. Já que Epona havia gostado dela, ela não demonstrava ser uma pessoa ruim.
A garota acariciava Epona, e a égua demonstrava gostar muito daquela pessoa. Malon reconheceu uns cabelos loiros, presos em um rabo de cavalo bem alto. A garotinha loira virou-se, e Malon conseguiu reconhecê-la pelos olhos. Aquela era Zelda, que estava bem mais doce e encantadora do que naquela hora que estava arranhando Link. Isto é, seu rosto ainda estava manchado de sangue e seus olhos estavam muitos vermelhos, mas a beleza dos olhos azuis dela nos raios solares a deixavam perfeita. Ela não parecia mais "maluca" como todos passavam a definir. Ela conseguiu conquistar Epona de um jeito que nem as primas da Malon – que haviam uma aparência muito parecida – conseguiram. Malon soltou um suspiro de alívio e caminhou lentamente até ela, assustada, pois fazia um belo tempo que ela não não falava com a ex-babá. Do mesmo jeito, enquanto Malon aproximava-se, recebeu um belo e enorme sorriso da loira. Malon sentia um pouquinho de fingimento, mas Zelda não havia cara de uma pessoa que era falsa. Ela parecia ser uma garota encantadora, que só estava assustada com o mundo. Malon lembrou-se de quando a loira morava na floresta, e percebeu que ela sofreu uma grande mudança. Ela não estava mais tão sorridente como antes. Mas, neste momento, o sorriso de Zelda era muito bonito e não parecia mais tão falso assim.
– Oi. – Sua voz saiu rouca e seca, fazendo Malon perceber que Zelda estava um pouco assustada com ela. Malon queria mostrar que não era alguém malvada, e sim que gostaria de ajudá-la, mas as duas não conheciam-se direito. Malon palpitava que Zelda nem lembrava-se ao menos de seu nome, mas ela não conseguiu esquecer de Zelda, uma garota cheia de amigos, sorridente, e alegre. Ela havia até terminado sua longa "amizade" com Ruto, que nem parecia uma amizade. Ruto era ignorante e só pensava nela mesma, enquanto Malon havia de ser uma pessoa que não era só para agradá-la. Malon não era maldosa e nem grossa como Saria e Zelda haviam a conhecido, e sim uma garota doce que gostava de ajudar os outros. Mas parece que Zelda só lembrava-se daquela Malon grossa, por isso que ela esteja um pouquinho desconfiada dela. Zelda também havia uma certa timidez em encarar alguém nos olhos, depois daquilo que havia acontecido mais cedo. Ela tentou ignorar, e fazer Malon sair de lá de alguma maneira. – Essa égua é sua? – Zelda não desviou o olhar de Epona ao perguntar. Estava muito envergonhada ainda.
– Sim! – Malon afirmou. Malon abriu um longo e exultante sorriso que transmitia toda a sua alegria. Ela queria criar uma amizade com a garota, e percebeu que ela estava constrangida. Malon queria que Zelda notasse que Malon podia ajudá-la de alguma maneira. Mas o único sentimento que Zelda sentia no momento era timidez. Malon aproximou-se um pouco dela para acabar com a timidez de Zelda, e acariciou Epona juntamente a Zelda. – O nome dela é Epona!
Ela deu risada. Aquela risada não parecia nada boa, não era uma risada amigável, e sim uma risada sardônica. As esperanças de Zelda responder algo que não fosse grosseiro e seco desabaram-se e foram pisoteadas pelas palavras que Zelda soltou para ela.
– Eu sei disso. – Zelda respondeu, um pouco grosseiramente, mas não adiantava Malon explodir de raiva com ela agora. Além de isso não adiantar nada, Malon não escondia um pouco de medo de ela pegar algum vidro e jogar em nela, ou jogar ela de algum penhasco, quebrar um vaso nela, entre outros que apareceram na mente de Malon. A ruiva não podia acreditar que sentia medo, Zelda era tão bonita e parecia uma verdadeira mulher a primeira vez que Malon havia visto. Nem podia desconfiar que Zelda era uma pessoa problemática e maluca.
Malon respirou bem fundo, e decidiu perguntar algo bem pesado para ela. Elas não eram nem um pouco amigas, mas Malon estava com essa dúvida na cabeça e não havia outra pessoa que pudesse respondê-la. Com toda a certeza Zelda lançaria mais uma de suas grosserias, mas não custava tentar.
– Zelda... – Malon mal começou a falar, e Zelda olhou para Malon já com um olhar gélido. – o Link me disse que você era uma pessoa totalmente feliz e alegre, e que esses problemas começaram agora. – Malon disse, fazendo Zelda já revirar os olhos. Ela odiava quando tocavam nesse assunto. – Você tem alguma ideia do que possa ter sido isso? – Malon finalmente acabou, encarando ela com um sorriso bem exultante, apenas para ela pensar bem antes de Zelda jogar mais grosserias. Malon pensou que Zelda poderia imaginar que Link falou mal dela para todos, e a última coisa que ela queria era que Zelda pensasse que Link estivesse falando besteiras dela e achando ela maluca. Mas Zelda estava muito ocupada para pensar em qualquer coisa, e mesmo que pensasse, até Zelda estava achando-se maluca naquele momento.
Ela soltou uma longa risada.
– Isso já é problema meu. – Ela disse, com um sorrisinho sardônico. Malon achou que ela fez muito bem em falar isso, Malon estava muito interessada na vida de Zelda, sem ao menos conhecê-la direito. Depois das grosserias que Zelda soltou, estava bem claro que ela não gostaria de construir amizade nenhuma com a ruiva naquele momento.
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Horas depois
Depois de um tempo só, Zelda resolveu ir até lá e pedir desculpas pelo seu comportamento para os amigos. Bem, mesmo ela não conhecer direito Aiker e Malon, ficou feliz ao saber que Aiker a curou e Malon a acomodou no rancho. Ainda estava sentindo-se um pouco mal por ter sido tão grossa com uma garotinha tão gentil. Aiker era um doce de pessoa, mesmo não o conhecendo direito, viu como estava assustado ao ver as coisas que Zelda estava fazendo. Eram apenas crianças muito pequenas para ver cenas fortes como aquelas. Sentiu-se envergonhada mais uma vez ao lembrar-se das coisas que havia feito. Não só a loucura, também em tratar Malon com grosseria sendo que ela só estava confusa. Zelda também sentia-se confusa, mas não havia ninguém para tirar inúmeras dúvidas que ela possui. Malon apenas queria tirar uma dúvida, demonstrando preocupação, e Zelda foi grossa com a ruiva. Assim como o mundo estava sendo grosso com Zelda. A vergonha novamente estava a atormentando, e estava certa de que não conseguiria voltar até lá.
Voltou a brincar com a imensa crina de Epona. Conseguiu sentir a crina úmida, pelas lágrimas que Zelda havia derramado nela. Era sorte dela Epona ser uma égua calminha e que não se importar com sujeira, se não Epona já teria perdido a confiança na loira. Depois de lágrimas e sangue na crina, Epona continuou lá, apoiando Zelda, nem que fosse apenas para ser apoio para lágrimas, algo que nenhum de seus amigos foi. Eles estavam um pouco certos em estar com medo de Zelda, mas ao menos deviam tentar ajudá-la. Ela havia de admitir que a metade da culpa foi dela, por assustar os amigos e ainda machucá-los. Outra vez sentiu vontade de pedir desculpas pelo seu comportamento, mas havia um tremendo medo de abrir a porta, interromper uma conversa e todos os olhares estarem nela. Sua garganta ia ficar tão apertada de constrangimento que ela mal conseguiria falar desculpas. Para a sua sorte, Mido e Saria aproximavam-se, e este podia ser um momento perfeito para ela pedir desculpas e tudo isso não passar de apenas algo do passado. Depois, era só pedir desculpas ao Link, que provavelmente ia tocar Ocarina durante a madrugada. Era só ela ficar acordada por um tempo e aproximar-se dele enquanto tocava Ocarina. Mas, ela devia focar-se em pedir desculpas a Mido e Saria. Respirou fundo e esperou eles chegarem mais perto.
Saria e Mido estavam na frente da loira, com um sorriso exultante, belo, e iluminado pelo sol. Zelda logicamente estranhou e retribuiu com um sorriso sardônico. Eles estavam muito simpáticos e doces para duas pessoas que haviam acabado de ver um ataque de loucura. Ela afastou-se um pouco, mas eles tentavam ficar o mais perto possível dela. Zelda estava com a garganta apertada, seu coração batia forte, ela queria muito pedir desculpas, mas estava nervosa – nem as deusas sabem o motivo. Um sentimento de coragem a dominou, e ela estava preparada para tentar explicar tudo aquilo tudo que eles viram. Parecia estranho, mas ela tentaria explicar. Mesmo sendo algo inesplícavel, e eles provavelmente não acreditariam em alguns detalhes, ela haveria de tentar, pois ela ia fazer de tudo pra recuperar a amizade de cada um. Quando estava preparada, sentiu algo prendendo os seua braços com muita força. Ela pensou que fosse apenas uma impressão, as vozes de Mido e Saria se sobrepõe, misturando-se. Olhou para os lados e viu que Mido e Saria estavam com aquele mesmo sorriso, mas estavam prendendo os braços dela fortemente. Nesse momento, ela percebeu que as palavras gritadas por Link: "ZELDA, ACORDA! CALMA! NÃO GRITE! ZELDA...!" foram perdidas, e substituídas por: "NÃO A LARGUEM! ELA PODE ARRANHAR VOCÊS! PESSOAS LOUCAS SÃO CAPAZES DE TUDO!"
– Como vai, Zelda? – Mido perguntou. Zelda estava muito focada em estar presa do que nas palavras que eles diziam. Não respondeu, apenas o olhou com um olhar raso de lágrimas. Mido comoveu-se um pouco, mas não podia soltá-la, além de isso acabar com o plano, ela também havia chances de arranhá-lo, assim como fez com Link.
– Me soltem, por favor! – Zelda berrou, com os olhos azuis rasos de lágrimas. – Eu não sou louca!
Link aplicou o remédio na loira e notou que ela estava um pouco tonta. O remédio estava fazendo efeito, e lançou um sorriso para Navi, Saria e Mido. Zelda começou a sentir náusea, e uma tontura fora do comum. As vozes em volta estavam se sobrepondo, misturando-se, mais uma vez. Estava um escuro absoluto, há um caminho desmoronando cujo não possui luz. O mundo parecia cada vez mais desfocado, formando visões esquisitas de coisas que ela só via em seus pesadelos. Ela não conseguia falar nada, sentia o seu peito cheio de sentimentos tristes que ela não conseguia descrever apenas falando.
O mundo estava um pouco mais focado, mas a tontura e a náusea ainda eram muitas. Zelda estava perguntando-se o motivo de ainda não ter caído. O mar negro de ilusões e pesadelos que ela estava afogando-se não a permitia ter coragem de tentar ficar de pé. A menina inquieta estava novamente chorando, a escuridão estava a escondendo e deixando-a só. As vozes ao seu redor pareceram menos confusas, e ela reconheceu como sempre aquela briguinha que Mido e Link sempre tinham.
– Olha para o rosto dela, seu idiota! – Mido disse, com uma voz afiada feito agulhas. – Ela vai desmaiar!
– Não fui eu que fiz esse remédio! Acho que a culpa não é minha, não acha?
Por um momento, desmaiar seria muito bom para a Zelda. Se ela desmaiasse, ficaria inconsciente, portanto, não veria mais essas "visões" que estava vendo, tampouco se sentiria tonta e nauseada. Quem sabe quando acordasse, descobrisse que tudo isso não foi mais de um dos seus pesadelos. A névoa começou a escurecer nas beiradas, e ela sentiu a escuridão a escondendo por completo.
– Mas teria dado certo se você não tivesse aplicado errado!
– Gente... – Saria murmurou, não tão baixo. – Ela vai cair...
Mido e Link não deram atenção para a garota, estavam muito mais preocupados para ver quem estava certo, e continuavam brigando. Saria a segurou, para ela não cair, percebeu que ela tremia como ninguém e sua pele estava muito pegajosa. Olhou para Mido e Link, esperando que terminassem de gritar, para eles verem que Zelda já estava desmaiada, e brigar não ia resolver nada.
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Tempo depois
Link já estava ficando cansado desses ataques e desmaios de Zelda. Ele sempre imaginou que Zelda fosse alguém tranquila e alegre, não que todo dia acontecesse algo ruim com ela. Ele também pensava que desmaiar era somente a perda da consciência por alguns segundos. Não havia percebido que isso envolvia náusea, tontura, tremores e pele pegajosa.
– Ela vai ficar bem. – Aiker disse, depois de ter feito umas coisas estranhas com a mão que ninguém podia duvidar de que era magia. – A alma dela só está muito escura.
– Aiker, podia falar na nossa lingua, por favor? – Saria perguntou, com uma grosseria contida em sua voz. – A gente não entende quase nada do que você fala.
Aiker revirou os olhos.
– Alguém está assombrando ela. Contando mentiras através de pesadelos que ela pensa que são reais.
Agora tudo fazia sentido na cabeça de Link. Por isso que estava tão revoltada com ele e o chamando de infeliz, talvez os pesadelos falsos tenham dito que ele era algum tipo de monstro...ou algo assim.
– E quem tanto assombra ela? – Link perguntou. Ele não gostava muito de participar de conversas, mas se havia uma ocasião certa para fazer uma pergunta, era essa. Ele não podia nem desconfiar por quem ela estava sendo assombrada.
– Isso aí eu já não sei. Tentei olhar e espiar os pesadelos dela, mas eu não consigo entender nada.
Era nessas horas que Aiker era muito necessário para todos. A magia dele não só era útil, mas também resolvia boa parte dos problemas. Mido e Link ficaram felizes por Aiker conseguir ver os pesadelos da Zelda, mesmo não conseguindo entender. Um deles podia tentar traduzir as coisas que o Aiker via, já que conhecem a Zelda um pouco.
– Oque você vê? Eu poderia traduzir. – Mido sugeriu, antes de Link. Link achava que até a Saria seria melhor para traduzir os pesadelos dela, o Mido não sabia nem o nome completo da Zelda!
Aiker fez uma careta.
– Não dá pra traduzir. – ele disse. Link encarou Mido com um sorriso torto. Se ele não estivesse tão interessado nos pesadelos da Zelda, teria notado muita grosseria naquele sorriso. Parece que Mido não ia traduzir sonho algum. – Eu só vejo preto e branco, e escuto gritos. Só.
Link levantou-se, apenas para pegar um pouco de água. Ele não estava nem um pouco preocupado com esses pesadelos da Zelda. Ele só não queria mais ser arranhado pela sua própria namorada. É claro que ele a amava e se preocupava muito com ela, mas essa história de pesadelos estava muito exagerada para ele. As vezes ele desconfiava de que Zelda estava apenas fazendo isso para chamar mais atenção, pelo motivo de querer fazer mais amizades, mesmo sabendo que ela nunca seria capaz de fazer isso.
– Link, você parece tranquilo. – Aiker disse, encarando Link como se isso fosse um crime.
– Eu estou muito preocupado com ela, mas chorar não adianta nada, certo?
Ele teve que mentir. Se falasse a verdade, todos diriam que e ele não amava ela e pouco se importava se ela estava bem ou não. Isso seria mentira. Se olhassem metade da noite que os dois tiveram ontem, nunca chamariam Link de ignorante ou algo do tipo. Ele só não estava muito interessado neste problema. Tanta coisa que ela teve que aguentar e Link sempre estava lá, correndo atrás dela, chorando, pedindo por ajuda, e até coisas mais loucas. Bruce, Ganondorf, Dark Link, Capturas, Desmaios...tudo que sempre era o nome de Link era chamado para resolver tudo. Ela não confiou em Link quando ele disse que Bruce não era confiável, fez amizade com uma versão maléfica de Link – que obviamente ia se apaixonar por ela, quando os dois estavam no baile ela insistiu em ver qual era o barulho e acabou sendo capturada por Ganondorf – e ainda chamou o nome de Link, não presta atenção nas coisas em volta e acaba desmaiando de medo...e sempre Link que deve ir lá, ajudá-la e resolver os problemas. A culpa era um pouco dela, mas Link sempre devia estar lá a ajudando não importa oque fosse, mas já estava ficando um pouco cansado de tantos problemas.
Tempo passava e as garotas ainda cuidavam da Zelda, a mantendo em uma temperatura normal e parecendo estar bem preocupadas. Os garotos apenas conversavam sobre os pesadelos de Zelda. Como nenhum dos dois interessava para Link, ele decidiu sair do rancho pra sentir um pouco da brisa amiga. O rancho lon lon estava um pouquinho movimentado, havia pessoas por todos os lados, e as vozes estavam se misturando rapidamente. Os olhares de algumas pessoas estavam nele, sem dúvida pelo fato de ter visto o herói do tempo. Link nem importava-se com isso, já era passado. Ele notava que algumas pessoas olhavam para ele com olhares arregalados e surpresos, e ele permaneceu um pouco confuso por alguns minutos, encarando de volta cada uma daquelas pessoas que não tiravam o olhar dele. Queria descobrir para oque tanto olhavam, e Link conseguiu notar que estavam olhando para os seus pulsos. Link olhou para eles, que estavam com um "I" estampado. Ele ficou confuso, nunca havia visto algo parecido em si mesmo. Ele tentou tirar, esfregando o seu dedo no que ele pensava que podia ser uma mancha. Aquilo não saía, mostrando que não era mancha alguma. Ele não estava mais confuso, e sim assustado. Lembrou-se de quando viu que todos haviam um símbolo assim, e ele havia esquecido de perguntar para oque servia. Não sentiu um pingo de preocupação. Sentou em uma caixa, no canto do rancho, e estava ciente de que não tinha nada de divertido pra fazer. Daqui a pouco Link teria que ir para a câmara dos sábios para descobrir o motivo dos pesadelos de Zelda, mesmo não estar nem um pingo preocupado com o problema.
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Castelo de Hyrule
Em um quarto grande e suntuoso, estava uma aconchegante cama onde a rainha de Hyrule tirava um longo cochilo depois de ter tomado 4 remédios fortíssimos. Duas empregadas não desviavam o olhar dela, sempre conferindo se ela estava com febre ou se sua palidez aumentava. A rainha estava tendo mais um de seus pesadelos que eram muito piores do que os da filha, enquanto dava gritos bem baixinho, pareciam sussurros, as empregadas nem se importavam com a saúde da rainha, ficavam apenas conversando, vendo o tempo passar. Os cortes nos pulsos, braços e pernas da rainha – que ela mesma fazia – estavam cicatrizando-se com o tempo, mas precisavam de um remédio de duas em duas horas para elas não infeccionarem. As empregadas lançaram o olhar para o relógio, apenas para ver quando essa tortura ia acabar. Notaram que já estava na hora de dar o remédio da rainha.
– Já está na hora do remédio da doida. – uma empregada disse, olhando para a outra com um olhar entediado.
– Vamos buscar.
As duas saíram do quarto, e foram buscar o remédio que a rainha precisava. Uma sombra apareceu no chão, parecendo apenas esperar as empregadas saírem para poder aparecer. Ganondorf apareceu em sua forma original, e encarou os machucados da rainha. Sentou-se em uma cadeira próxima a da rainha, e não conseguia parar de encará-la.
– Oh, minha rainha...continua se cortando... – Ganondorf disse, enquanto os dedos dele passearam pelo rosto quente dela, e depois passearam lentamente até o seu pescoço. – Eu prometo que vou destruir Hyrule inteira, porque essas pessoas são muito más, ficará apenas eu e você no mundo...
Ganondorf sempre foi apaixonado pela rainha de Hyrule. Ela havia um sorriso tão bonito que havia o encantado de uma forma que ele não conseguia descrever. Os longos e castanhos cabelos dela combinavam direitinho com os doces olhos verdes que infelizmente ele não podia ver, pois a amada dormia. A rainha não sabia disso, e Ganondorf não gostaria que ela soubesse. Graças a Link e Zelda, a rainha tem um ódio mortal por ele. Por isso Ganondorf quer matar Link e Zelda, somente pelo amor.
– Eu matei o rei de Hyrule pra ficar com você, minha rainha. Por que você não me dá uma chance? Eu juro que farei de você a mulher mais feliz do mundo...
Ganondorf acariciou os cabelos dela, que estavam presos em tranças magníficas.
– Eu vou matar aquele duende verde que fez você me odiar! Vou matar aquela loirinha idiota também! E todos aqueles amiguinhos chatos deles! Não sei como uma garota insuportável saiu de um anjinho como você...
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