Desejos Vitais - Amor e Morte...
5 Aflorando
Aflorando
Capítulo 4
- Aqui deveria estar à primeira câmera, a que veria toda a movimentação do corredor, e aqui a segunda, diretamente dentro da cela seis, onde estava o médico. – Shiryu mostrava as fotos tiradas na detenção do departamento de polícia no dia seguinte ao atentado.
- Sim, só que as câmeras foram para a manutenção um dia antes. Preciso saber quem assinou a autorização de retirada. – volveu Shun ajeitando os óculos sobre o nariz – Isso não faz sentido, deixar um presídio sem câmeras.
- Suspeito realmente. – respondeu Shiryu – O diretor disse que não sabia da retirada das câmeras, e em meio a tudo isso, um detento quase foi espancado até a morte.
- Eu fiz as fotos, Shi, eu sei o que aconteceu ali. Houve conivência e pedirei que todos os policiais sejam afastados sob suspeita. Agora preciso saber se o diretor está envolvido, preciso da cópia do pedido de manutenção.
- Você tem os relatórios médicos? – insistiu o chinês.
- Sim. Ele partiu duas costelas, teve o pulmão perfurado o que causou hemorragia interna; o objeto cortante não foi encontrado, passando a milímetros do coração...
- Ufa! Esse cara tem muita sorte em estar vivo. – analisou o policial – Pensei que estaria desfigurado depois de tudo isso...
- Não. – sorriu Shun – Ele continua lindo... – corou com as próprias palavras – Digo... Além da cicatriz que ele deve ter no peito, nem parece que sofreu tudo isso...
- Eu entendi, Shun. – riu Shiryu do jeito encabulado do amigo – Realmente, o doutor Phalke é bonito. Mas não vamos esquecer que é um possível assassino.
- Falou bem, um possível! – riu Shun, pegando outro pedaço de pizza – Estou com fome!
- Estou vendo. – continuou Shiryu enquanto examinava outras fotos – Olha, nessa temos seu irmão!
Shun, ainda mastigando, deixou o pedaço da pizza na caixa, limpando os dedos na camiseta que vestia, como uma criança, o que fez o colega rir, antes de segurar a foto.
- É o Ikki, sim... – estranhou – Quando foi?
- No dia anterior a remoção das câmeras de segurança.
- O que ele estaria fazendo lá?
- Visitando o cliente. – deu de ombro Shiryu.
- Sim, mas não me lembro de ele ter me dito que chegou a visitá-lo no presídio...
Shun se calou ao ouvir a campainha.
- Quem será? Avisei ao Mime que estaria trabalhando. – estranhou e caminhou até a porta.
Engoliu em seco ao verificar pelo olho mágico. Encostou-se a porta, suspirando.
- É o Hyoga...
Shiryu fez um sinal de ombro como se dissesse: O que está esperando? E Shun abriu, vendo o advogado parado, com uma mão apoiada na parede.
- Oi, Shun, eu posso entrar? – perguntou o russo que tinha um semblante cansado.
- Claro que sim, aconteceu alguma coisa? – indagou o mais jovem.
- Preciso conversar... – o loiro se interrompeu ao perceber que o amigo não estava sozinho – Desculpe, deveria ter ligado.
- Eu... eu estou trabalhando... – disse o policial sem jeito – É importante?
- Sim, mas posso esperar. Eu volto amanhã.
- Tem certeza? – os olhos verdes interrogaram os azuis do amigo. Shun não gostava de expressão de Hyoga.
- Claro que tenho! – riu o russo tentando parecer descontraído – Está uma noite fria, vou beber alguma coisa e depois vou pra casa.
- O Ikki...
- Não. – o loiro cortou, olhando fundo os olhos de Shun – Eu não verei o Ikki hoje.
Shun não entendeu aquela declaração, nem queria. Aliás, a única coisa que queria naquele momento era terminar de verificar as evidências encontradas por Shiryu e dormir.
- Então até amanhã, Hyoga...
- Até amanhã, Shun. – o russo beijou o menor no rosto, causando-lhe um leve rubor. Depois foi embora.
Shun ficou um tempo parado de frente a porta, antes de fechá-la e voltar à sala.
-----Desejos Vitais-----
Depois que jantaram, Ikki e Shaka se sentaram na sala. O loiro tomava um chá de alguma folha esquisita, como disse o advogado, e Ikki experimentava um cálice de licor.
- Bem, doutor, chegou o momento. – informou o advogado – Tenho que fazer algumas perguntas para estabelecer minha base de defesa, caso formos a um tribunal.
Shaka respirou fundo, pousou a xícara na mesa, e cruzou os braços.
- O que quer saber?
- Precisamos falar da noite do assassinato do Sawenn.
- O nome dele era Mu.
- Sim, preciso falar daquela noite. – assentiu Ikki pouco paciente.
- Pra você tanto faz, não é? Não é uma pessoa é um caso. – disse o médico – Mas tudo bem, falarei, doutor.
Ikki o mirou detalhadamente por um tempo antes de continuar.
- Fale-me de sua rotina naquele dia. – pediu pegando uma prancheta e lápis. Preferia não começar uma discussão com o cliente.
- Igual a todas as outras. Acordamos por volta das oito, fomos trabalhar, chegamos a casa mais ou menos as sete...
- Chegaram juntos?
- Não, eu cheguei primeiro. – falou Shaka incomodado – Isso é importante?
- Preciso de todos os detalhes. Sei que já passou por isso no interrogatório, mas eu realmente preciso saber de tudo. Por favor, continue... – tornou Ikki friamente.
- Eu pedi comida italiana, porque teríamos convidados naquela noite...
- Quem eram os convidados?
- Um casal de amigos.
- Quem?
- Aiolia e Marin.
- Continue...
- Jantamos. Passamos mais ou menos três horas juntos, até que eles foram embora... – Shaka pegou a xícara e provou o chá novamente – Lavamos a louça e fomos para o quarto... O resto você já sabe...
- Não, Shaka, eu não sei. Preciso que me fale. – insistiu Ikki com cuidado – Até o momento você não me disse nada, apesar de ter falado com a polícia, por quê?
- Não suporto mais repetir essa história. – volveu o loiro terminando o chá e colocando a xícara novamente na mesa, encarando o advogado.
- Sei que é doloroso, mas preciso de cada detalhe que puder me informar.
- Detalhe? Eu acordei no meio da noite e o encontrei morto no chão da nossa cozinha! – as palavras saíram mais altas e emocionais do que o médico queria. Shaka suspirou e fechou os olhos tentando dominar o ímpeto que o assaltou.
- Suas digitais estavam nele, suas mãos sujas de sangue e a arma do crime não foi encontrada! – irritou-se Ikki – Então é melhor começar a ser sincero comigo!
- Você também acha que o matei? – o médico cruzou os braços numa posição de autodefesa que demonstrava pela primeira vez fragilidade – Eu não o matei. Como deve saber, não foi encontrado vestígios de pólvora em minhas mãos.
- Isso não o inocenta. Havia sinais de agressão. Seu sêmen foi encontrado no corpo da vítima.
- Éramos amantes o que queria? – sorriu com escárnio.
- Em nenhum momento você me disse que transaram naquela noite. – advertiu Ikki um pouco incomodado em ter que tocar naquele assunto.
- O senhor está querendo detalhes demais. – suspirou cansado – Não preciso expor minha vida íntima dessa forma. Isso é muito pessoal, doutor Amamiya.
- Expor sua intimidade e do doutor Gyatso não é de forma alguma minha intenção, se estou perguntando coisas desse tipo é porque é extremamente necessário saber cada detalhe, para a sua defesa. Não sinto prazer nenhum com isso. – declarou Ikki sério.
- Sim, transamos aquela noite... – os dedos de Shaka se afundaram em seus cabelos e ele baixou a cabeça – Eu não sei como isso aconteceu...Eu apenas quero acordar desse pesadelo...
- Precisa confiar em mim. – insistiu Ikki – Sou o único que pode ajudá-lo.
- O Mu estava estranho. Andava nervoso e... ele era uma pessoa muito calma...
- Lembra-se de algum fato que possa tê-lo incomodado?
- Ele não gostava de me preocupar. – sorriu Shaka com amargura – Ele dizia que eu tinha mania de querer resolver tudo e admito que sou um pouco dominador...
- Um pouco? – sorriu Ikki, fazendo o cliente sorrir também.
- Sou muito dominador. – corrigiu-se Shaka.
Ikki, sorrindo encabulado, voltou a olhar a prancheta.
- Trabalhavam no mesmo hospital não era?
- Sim, mas em setores diferentes, sou pediatra, o Mu era cirurgião cardiologista.
- Conte-me como era a relação de vocês.
- Calma e harmoniosa. – declarou Shaka firme – Além de amantes, éramos muito amigos e companheiros...
- O doutor Gyatso tinha algum inimigo?
- O Mu? – Shaka riu – Não, de forma alguma, ele era uma pessoa extremamente doce e compreensiva. As pessoas gostavam muito dele. Não havia uma só pessoa que não o amasse.
- E a família dele? Parece que vocês não se davam muito bem.
- Eles não aceitavam muito bem nossa relação, se é que me entende.
- Sim, entendo. – volveu Ikki muito sério – Soube que passaram muito tempo longe do país...
- Sim, passamos dois anos no Tibet. O Mu nasceu no Tibet.
Ikki calou-se e voltou a examinar a ficha que tinha em mãos.
- Eu gostaria de conversar com os amigos que jantaram com vocês àquela noite...
- Você conheceu o Aiolia hoje. Ele é o médico que cuidou do seu irmão. – informou Shaka – Não se lembra?
- Naquele momento, não estava muito bom para nomes... – lembrou-lhe o advogado.
- Sim, compreendo. – assentiu o loiro – Mais alguma coisa, doutor Amamiya?
Ikki encarou o cliente. Chegara o momento, o momento mais difícil daquilo tudo. Era terrível, mas teria que ser feito.
- Preciso que você olhe algumas fotos, Shaka. São fotos do... Mu... morto...
O indiano empalideceu mortalmente enquanto o advogado pegava um envelope.
- Você pode fazer isso? – perguntou Ikki, vendo a hesitação no rosto do mais velho – Não o estou obrigando, mas penso que possa achar alguma coisa nas fotos, que nos ajude...
- Tudo bem. – balbuciou o médico. Ikki colocou as fotos sobre a mesa, mas ainda viradas para baixo. Mirou o médico mais uma vez, percebendo que ele crispava o rosto, tentando esconder qualquer sinal de perturbação.
- Tem certeza?
- Não, eu não tenho certeza. – Shaka se ergueu do sofá, caminhando até a janela. Tentando respirar pausadamente para recuperar a calma – Não sou forte o suficiente. O Mu se envergonharia...
Interrompeu-se ao sentir a mão do advogado em seu ombro. Virou-se lentamente, e seus olhos encontraram os escuros de Ikki.
- Isso não é fraqueza, loiro, você o amava...
- Será que o amava mesmo, doutor? Eu... eu não consigo nem mesmo chorar. Ele morreu e eu nem chorei! Parece que algo me entorpeceu até agora e vejo tudo como se fosse um sonho distante. – o pediatra baixou a cabeça, mas Ikki ergueu-lhe o queixo, voltando a encará-lo.
- Você é forte, loiro, vai sair dessa...
Shaka sentiu-se estremecer, a comoção que se apoderava de si era incontrolável. A possibilidade de voltar àquela cena terrível o desolava.
- Sou patético! Tanto tempo de treinamento no Himalaia para voltar aqui e... – seus olhos marejaram – E eu nem conseguir chorar por ele! Eu nunca o mereci, nunca! A família dele sempre teve razão. – soluços soltaram de sua garganta, junto com as lágrimas que finalmente se derramavam. Ikki, enternecido, o puxou pra si, num abraço apertado, tentando consolá-lo.
- Snn... Não fale isso. Claro que você o merecia, você o amava. – disse afagando os cabelos macios do médico, carinhosamente, enquanto Shaka escondia o rosto em seu ombro, soluçando.
Ficaram assim por alguns minutos. O indiano ergueu a cabeça quando adquiriu maior controle das suas emoções.
Ikki olhou novamente nos belos olhos azuis do médico. Sorriu e afagou-lhe o rosto.
- Chorar faz bem.
- Desculpe-me, doutor. – pediu Shaka envergonhado, afastando-se rapidamente do advogado – Eu... eu preciso dormir, boa noite...
Caminhou em direção ao quarto, sem olhar pra trás. Ikki o seguiu com o olhar, até que ele desapareceu no corredor, então resolveu que era hora de dormir, também.
-----Amor e morte----
O barulho insistente da campainha despertou o agente. Shun espreguiçou-se, consultando o relógio.
- Três e meia da manhã, mas...? – ergueu-se da cama, caminhando a passos rápidos para a sala, acendendo a luz e olhando pelo olho mágico.
- Hyoga?! – espantou-se o mais jovem, abrindo a porta – O que você está fazendo aqui?!
- Eu precisava falar com você, Shun...
O mais jovem piscou. Hyoga demonstrava claramente seu grau de perturbação; seus cabelos estavam bagunçados, e Shun sabia da mania que o amigo possuía de quando ficar nervoso, bagunçar o cabelo.
- O... o que aconteceu, Hyoga? – perguntou confuso – Algo com meu irmão?
- Não, Shun, isso não tem nada a ver com seu irmão. – respondeu o rapaz.
- Então...?
O russo entrou no apartamento. Shun fechou a porta, voltando-se para encarar o amigo.
- Desculpe-me, Shun, mas eu preciso saber...
- Saber? Saber o quê?
- Saber o que sinto...
Sem esperar resposta, o loiro puxou o mais jovem pra si e o beijou. Shun aturdido lutou, se libertando dos seus braços abruptamente, se afastando do amigo.
- Você ficou louco?! – gritou enxugando os lábios molhados com as costas da mão, sentindo o coração descompassado do peito.
- Shun, eu...
- Cale a boca! – esbravejou o mais jovem cheio de mágoa, os olhos marejando embora não quisesse. Nunca odiou tanto sua sensibilidade – Você não tem esse direito, não tem o direito de vir aqui brincar comigo!
Hyoga o encarou confuso.
- Eu não estou brincando, Shun...
- Não? Pelo que eu saiba, você é namorado do meu irmão! – volveu trêmulo – O que você quer, Hyoga? Não basta o que... o que sempre fez comigo?!
O loiro passou as mãos nos cabelos. Passara a noite inteira se indagando sobre seus sentimentos, até que chegou a conclusão que a única forma de se certificar do que sentia era pondo a pele à prova. Talvez tenha sido a ideia mais absurda que poderia ter, mesmo assim ele foi procurar Shun...
- Shun, eu... eu estive pensando sobre nós dois...
- Nós dois? – Shun repetiu incrédulo – E desde quando há nós dois?
Hyoga engoliu em seco.
- Talvez, estejamos mentindo pra nós mesmo. – declarou o russo encarando os olhos magoados do amigo – Acho que sempre existiu, só que... só que estivemos cegos até hoje...
- Está enganado, Hyoga, eu nunca estive cego. – volveu Shun caminhando até a porta novamente e a abrindo – Sai. Sai daqui, por favor...
- Shun, precisamos conversar. – insistiu Hyoga – Meus sentimentos...
- Seus sentimentos estão confusos, só isso. – cortou o mais jovem – Quando você souber o que quer, Hyoga, me procure e conversaremos. Agora, se for para aparecer no meio da madrugada em meu apartamento, falando que deseja tirar a prova dos seus sentimentos, como se eu fosse um brinquedo que você pode manipular como quer, esqueça! Nesse caso, eu não quero nem mesmo sua amizade!
- Não é nada disso, Shun! – desesperou-se o loiro, não queria magoar o amigo, mas fora exatamente o que fez.
- Então o que é? – as lágrimas caíram, embora ele odiasse isso e quisesse esconder.
Hyoga não soube o que responder. O que estava fazendo com seu melhor amigo? Que posição terrível deixara Shun por causa de um mero impulso? O mais jovem tinha razão; estava sendo tolo, egoísta e impulsivo.
- Shun, me perdoe...
- Vai embora...
- Eu só quero dizer que... que você é muito importante pra mim...
- Sai. – Shun deu-lhe as costas. Hyoga baixou a cabeça e saiu, terrivelmente envergonhado, e ainda mais confuso e perdido.
Shun tentou voltar a dormir, mas a alma em confusão não lhe deu sossego pelo resto da madrugada e ele chorou muito até amanhecer.
-----Desejos vitais-----
Quando Ikki acordou, como o esperado, Shaka já estava de pé, preparando o café da manhã. O moreno percebeu que seus olhos estavam inchados e com olheiras, sinais de uma noite insone.
- Bom dia, loiro...
- Loiro? – indagou o médico, rindo para esconder o incômodo – Será que não pode me chamar de Shaka ou de Phalke, qualquer coisa que não seja loiro?
- Até ontem à noite isso não parecia incomodá-lo. – volveu Ikki ajeitando a gravata.
- Até ontem à noite muitas coisas não me incomodavam. Encare isso como uma metamorfose, ontem eu era Henry Jekill, hoje sou Mister Hyde*.
Ikki ajeitou o terno e mirou o médico severamente. Shaka continuou a colocar o café na caneca sem encará-lo, mas sua tensão era clara.
- Chorar na frente de alguém é tão humilhante que você nem consegue me olhar nos olhos, LOIRO? – fez questão de ressaltar a palavra e a ironia.
Shaka parou e suspirou, finalmente encarando o moreno.
- Acho melhor dar um basta nessa situação, doutor. – declarou sério.
- Que situação, Shaka? – indagou Ikki mirando o médico profundamente.
- Eu estou indo para um hotel, senhor advogado. – respondeu, engolindo em seco – Agradeço tudo que fez por mim, mas acho que chegou à hora e retomar minha vida.
- Por quê?
- É melhor assim.
- Por que é melhor assim, Shaka? – insistiu, não deixaria que ele fugisse.
- Para evitar que cometa mais erros em minha vida. – respondeu nervoso – Tome, beba seu café!
Entregou a caneca ao advogado e sairia, mas Ikki o segurou pelo pulso. Shaka baixou a cabeça, incapaz de encarar o moreno.
- Que tipos de erro, doutor Phalke?
- Erros como os de ontem à noite... – confessou – Por favor, doutor, não vamos insistir nisso...
Ikki libertou o braço que segurava, e Shaka se afastou, pegando sua própria caneca e se recostando na pia para beber o café. Ficaram em silêncio por um tempo, até que o advogado se aproximou para colocar a caneca na pia, ficando bem perto do loiro, o olhando fixamente; Shaka ergueu os olhos ressabiados para ele.
- Escuta, doutor Phalke. – começou o moreno – Quando voltar pra casa, nós dois conversaremos sobre isso, certo? Por enquanto, nada de atitudes intempestivas.
O cliente o encarou com muita convicção no olhar.
- Se há algo que não sou, doutor, é intempestivo. Todas minhas atitudes são muito pensadas, tenha certeza disso.
- Ótimo! – sorriu Ikki correspondendo o olhar duro dele com outro igualmente duro – Pois saiba que sou o contrário. Eu quero encontrá-lo aqui quando voltar e que saiba que eu fico tão insano quanto Mister Hide quando contrariado e diferente do senhor, doutor Phalke, faço coisas intempestivas o tempo inteiro.
- Não tente esses jogos comigo, garoto. – advertiu o loiro ainda mais sério.
- Então me desafie, doutor Phalke, pague pra ver e logo terá a certeza que não haverá Wing chun, Shaolin Quan ou Tui shou que me impeça de ensinar-lhe uma boa lição.
Shaka não respondeu. Continuou onde estava, segurando fortemente a caneca em uma das mãos. Ikki se afastou, vestiu o terno e pegou sua pasta, saindo em seguida.
Continua...
Notas finais
Beijos a todas vocês e obrigada pelo carinho!
Sion Neblina
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