Desejos Ocultos
22 Capítulo 22 DECISÕES: PARTE I
Notas iniciais
Camus observou Milo dormir nu em seus braços. Seu coração ainda batia forte e ele sentia um prazer íntimo tão grande que a simples lembrança que eles iriam ficar um tempo, separados, lhe era desagradável, mesmo sabendo que era temporário.
Não havia sido dessa maneira com ninguém antes. De alguma forma, Milo se tornara indispensável em sua vida e por ele, sentia-se capaz de fazer qualquer coisa. Até mesmo redirecionar seus objetivos.
Enquanto Camus olhava e pensava, Milo se esticou contra ele. O corpo esguio se curvou junto ao dele naturalmente, como se sempre tivessem dormido juntos e o ato o fez puxá-lo para mais perto e acariciá-lo, devagar, fazendo com que ficasse gravado, em seus olhos e pele, a sensação despertada pelo corpo do amado.
Milo acordou quando ele arrastou a ponta dos dedos ao longo da curva interna de seu quadril. Um sorriso sonolento e malicioso invadiu-lhe os lábios e quase se perdeu em um gemido meio estrangulado quando Camus deslizou uma das mãos entre as suas pernas, acariciando-o suavemente.
– Já... está... na hora de acordar? – perguntou Milo, entre um gemido de prazer.
– Eu tenho que partir e você tem que trabalhar. Mas... eu ficaria muito honrado se ficasse comigo um pouco mais. – disse Camus rente ao pescoço de Milo.
– Hummm.....assim, eu...não tenho como recusar. – gemeu Milo sentindo Camus tocar em seu falo já excitado e pressioná-lo devagar, fazendo um movimento de vai-e-vem.
– Ótimo... – Camus sorriu e focou no que tinha nas mãos.
Milo estremeceu e moveu-se de encontro à mão e corpo de Camus. O francês estava se saindo um amante incomparável...
As pernas dele estremeceram quando Camus reconheceu o precursor de seu clímax e intensificou o toque extraindo-lhe o máximo de prazer. Os lábios do francês se posicionaram, apenas, a alguns milímetros dos seus e, em seguida, o beijo profundo e lento os arrastou para um delicioso e intenso erotismo.
Então, Milo inverteu as posições e rastejou para cima de Camus.
– Acho que é hora de equilibrar as coisa por aqui... – disse Milo.
O olhar sonolento cedendo ao brilho faminto do despertar sensual. Com um movimento serpentiforme, deslizou beijando e lambendo o abdome, a virilha até chegar ao falo e fechar os lábios ao redor da rigidez aveludada de Camus.
– Milo... – gemeu Camus, fazendo o grego sorrir e continuar sua tortura prazerosa.
Girou a língua ao redor da ponta do falo pulsante, raspando os dentes suavemente pela parte lisa e, em seguida, engoliu-o e moveu os lábios várias vezes da base até o topo, deliciando-se com os ofegos, os olhos fechados e as mãos crispadas em torno da sua cabeça...
Olhou para o rosto dele... o rubor delicioso que o excitara desde a primeira vez, os olhos apertados em uma tentativa de manter o controle.
Porém, os gemidos estavam cada vez mais altos e enquanto Camus lutava para se conter, Milo colocava todo o volume profundamente na boca, indo até a garganta para saborear o gosto salgado e quente até sentir a quase liberação...
Camus gemeu impulsionando os quadris, então Milo parou. O francês levantou a cabeça, seus olhos se estreitaram e ele só teve tempo de ver Milo escalar seu corpo e abrir as pernas antes de abaixar-se para trás e para baixo. Ele guiou sua entrada com uma precisão infalível e então desceu, arrancando um arquejo de Camus.
Apoiando-se no peito de Camus, Milo deu ritmo aos movimentos de seu corpo. Podia sentir Camus tremer por baixo de si com a força de seu desejo e, quando ele fincou os dedos em seus quadris e fez força para cima, deixou-se preencher ainda mais fundo e sentiu o corpo incendiar...
Apenas um estalar de dedos e os dois ardiam em um frenesi tão selvagem quanto amoroso. Milo cavalgava com fúria, sua expressão transformada, seu corpo estremecendo convulso, sacudido pela torrente prazerosa de sentir Camus dentro de si...
Camus grunhiu, sentindo seu corpo pulsando, derramando seu prazer com a mente cheia de ondas de êxtase e a imensa sensação de acerto que o consumia diante de Milo em seus braços. Milo respondeu com os olhos incendiados de desejo, seu corpo se alinhando ao de Camus com tanta sincronicidade que seu orgasmo irrompeu no mesmo instante.
O gozo dentro e fora vestiu os corpos com calor, suor e sêmen. Junto com ele, um amor tão veemente abraçava a ambos com cumplicidade e deslumbramento. Milo tombou contra o corpo de Camus, as peles escorregadias unidas em um abraço palpitante que lhes permitia ouvir e sentir o coração um do outro.
– Eu te amo, Camus...
Em resposta, Camus sorriu e o envolveu com os braços, trazendo-o para mais perto.
– Também te amo, Milo. Amo mais do que imaginei ser possível amar alguém... – disse o francês cobrindo a boca de Milo com a sua.
– O que vai ser de nós, agora? Você tem a sua fábrica e eu comecei um negócio. Estaremos separados... – disse Milo com tristeza na voz.
– Não se preocupe com isso. Eu já pensei em tudo. Venha... a manhã ainda é uma criança. – respondeu Camus, enquanto levava os lábios ao pescoço de Milo e acariciava com a língua aquela deliciosa pele.
000****0000****0000
Berkshire era minúscula e a propriedade de madame Walmot era discreta e escondida entre arvoredos cuidadosamente espalhados como se fossem muros vivos. O único vizinho mais perto, morava em uma mansão ladeada de cipestres e uma cerca alta de ferro. Na verdade, a casa se parecia com uma mansão mal-assombrada que chegava a dar arrepios...
Já acostumados à rotina do lugar, Aldebaran ocupava-se de cuidar dos cavalos e buscar provisões, enquanto Mu cuidava dos jardins e abastecia a casa de água e lenha. June ocupava-se do serviço doméstico e lavava a roupa nas águas de uma pequena cachoeira perto da propriedade.
Em uma de suas incursões até o “pequeno paraíso” como ela mesma chamava a clareira onde as águas límpidas caíam de um rochedo em meio às árvores escuras, ela resolveu nadar. Tirou o vestido e afundou-se na água fria. Após um tempo, ela viu alguém sentado sobre uma rocha e estremeceu.
Banhado pela luz que penetrava através da imensa parede de árvores, nem parecia um ser humano. Então, como que sentindo a sua presença, apesar de não estar muito perto, o ser falou.
– Quem está aí? – perguntou a voz profunda e agradável.
– S-Sou eu...- respondeu June um tanto sem graça.
– Aproxime-se para eu poder vê-la.
June puxou o vestido deixado nas pedras e esgueirou-se para vesti-lo. Depois, obedeceu a ordem e se aproximou constatando que a visão, nada mais era que um... homem. E um homem jovem e muito bonito, próximo da sua idade, talvez. Possuía cabelos longos e negros, um corpo esguio, porém os olhos... os olhos pareciam possuir uma névoa envolvendo-os e se mantinham imóveis.
– Não tenha medo. Eu sou cego, então para poder ver preciso tocar o rosto da pessoa. – disse o jovem com um sorriso tímido.
– Ah, está bem! Eu me chamo June e... venho aqui lavar a roupa e também...para nadar, as vezes.
– A água aqui é fria. – disse ele levando a mão direita ao rosto de June.
– É verdade. Mas, o frio me deixa desperta. E também ajuda a esquecer que tenho um corpo e certas necessidades....
– Você é uma jovem muito bonita. E ativa, também. Geralmente, as mulheres preferem banhos mornos.
– Não sou como a maioria das mulheres. – respondeu June.
– Dá para perceber. Muito prazer, senhorita June. Meu nome é Shiryu. – disse o jovem estendendo a mão.
– Muito prazer, milorde. Mas... como sabe que eu sou...uma senhorita.
– É espirituosa, destemida. Não possui o recato das senhoras, nem o verniz das mulheres submissas, a marca registrada da grande maioria dos casamentos. Estou certo?
June sorriu. Se ele soubesse quem era ela... Mas, apesar disso, ele a descrevera em gênero, número e grau.
– Está. Agora se me dá licença, tenho que voltar para casa.
– Mora com seus irmãos?
– Sim. Agora deixou-me intrigada. Como sabe disso também?
Foi a vez de Shiryu sorrir.
– A propriedade que herdei de minha família inclui esta clareira. Desde a primeira vez que a senhorita invadiu este lugar, meus empregados foram me informar do acontecido. Por isso, vim aqui hoje para conhecer a invasora.
Vermelha, June apressou-se em sair e tropeçou. Com uma agilidade espantosa, Shiryu amparou-a. Segurou-a firmemente pela cintura encostando seu peito musculoso nos seios rijos.
June sentiu as pernas tremerem e o corpo aquecer. Um frio na boca do estômago e um arrepio percorrendo-lhe a espinha e os braços até a nuca, deixou-a sem voz.
Shiryu a fitou nos olhos como se não fosse cego e pudesse desvendar-lhe a alma. Então, num ato tresloucado ela segurou-lhe o rosto e pressionou os lábios carnudos contra os dele. O jovem correspondeu e ela sentiu, apesar das roupas pesadas que ele se excitara, de imediato.
Relutante, June finalizou o beijo. Deus o que estou fazendo? Shiryu continuava segurando-a contra o corpo e ela apertou-o com força, para em seguida desvencilhar-se dos braços fortes e sair correndo sem dizer nenhuma palavra.
Shiryu ficou parado, ouvindo o som da água caindo e sentindo um violento calor apoderar-se do seu corpo. Sorrindo, tirou as roupas, tendo o cuidado de marcar o lugar, tocando e sentindo a superfície da pedra para memorizá-la e, só então, mergulhou na água fria que conhecia desde que tinha cinco anos de idade.
June chegou ofegante e encontrou Mu e Aldebaran conversando muito próximos. Os dois sorriam e ela permitiu-se observá-los sem anunciar a sua presença. A vida ali era boa, mas sentia falta do movimento e também, para sua desgraça, do corpo e das carícias de um homem.
Quase colocara tudo a perder beijando aquele jovem que encontrara na cachoeira. Pelo visto, ele era nobre e rico. Jamais se envolveria com alguém como ela. Passou as mãos no vestido, notando que rasgara uma ponta dele ao correr em meio às árvores e arbustos. Endireitou o corpo e se aproximou dos seus amigos.
– Olá, rapazes! Aldebaran conseguiu as provisões? – perguntou com um sorriso trêmulo.
– June! Estávamos falando em você, ainda agora. – disse Mu sorrindo.
– E-Em mim?
– Sim, madame Walmot enviou-nos uma carta dizendo que o senhor Milo tornou-se proprietário de um café e gostaria que trabalhássemos com ele. Não é incrível?
– Muito incrível! Nunca mais vou ver aquele homem...
– Podemos deixar tudo arrumado aqui e partir em duas semanas. O que acha?- perguntou Aldebaran.
– Acho ótimo. Agora, se me dão licença, estou com uma terrível dor de cabeça e vou deitar-me um pouco antes de fazer o jantar. – disse June tentando disfarçar aquele estranho sentimento de decepção.
– Não se preocupe com o jantar, eu cuido de tudo. – disse Aldebaran sorrindo.
June subiu as escadas e trancou-se no quarto. Com o coração apertado, deitou-se na cama e fechou os olhos, revivendo a cena em que beijara Shiryu. Seu corpo se aqueceu e lágrimas sobrevieram aos seus olhos, mas ela as dominou. O que estava acontecendo com ela?
Dormiu sem perceber e despertou cerca de vinte minutos mais tarde com uma batida insistente na porta.
– O que foi? – perguntou sonolenta ao abrir a porta e deparar-se com Mu olhando-a intensamente.
– Tem alguém que deseja vê-la.
– Alguém quer me ver? Quem?
– Apresentou-se como o proprietário da mansão que vimos ao chegar. A tal que parece mal-assombrada. E das terras aqui perto, também. Chama-se Shiryu e é um conde. Ele disse que a conheceu hoje e que quer lhe devolver algo que você perdeu na cachoeira.
O rosto de June ficou vermelho, depois empalideceu de súbito. Não me lembro de ter perdido nada, somente a vergonha! Em pânico, seus olhos encontraram o verde penetrante dos olhos do amigo e antes que ele pudesse ler sua expressão, sentiu sua visão nublar. Teve medo de cair desmaiada e se apoiou no batente da porta. Uma prostituta tendo achaques! Era só o que lhe faltava para ficar, ainda mais, patética!
– June, está se sentindo bem? – Mu inclinou-se na direção dela, preocupado.
– Sim... É uma ligeira indisposição. – balbuciou June.
– Posso dizer ao homem que volte amanhã.
– Não! Quer dizer... é melhor que eu veja o que ele quer já que não ficaremos muito mais por aqui. Diga-lhe que já desço.
– Está bem.
Quando Mu fechou a porta, June começou a andar de um lado ao outro do quarto, sentindo-se confusa e acuada. Deteve-se diante do espelho. Havia um brilho torturado em seus olhos, os lábios rosados tremiam. Um conde... e ela o beijara num impulso. Agora ele estava ali para devolver algo que nem ela sabia o que era.
Shiryu...
Quando proferiu seu nome, a voz soou como um sussurro rouco. Podia imaginar-se dizendo o nome dele no auge da paixão, enquanto ele a beijasse e tocasse. Ele não podia vê-la, mas ela apreciaria o corpo forte e o acariciaria com volúpia antes de tê-lo dentro de si. Lentamente, abriu o vestido amarrotado e despiu-o. Olhou para o reflexo de seus seios desnudos e arredondados no espelho, imaginando o conde tocando-os com as mãos e a língua. Abruptamente cobriu o rosto com as mãos.
– Oh... que os céus me ajudem... estou, totalmente, louca!
June desceu vestida em um belo vestido de tafetá verde oliva, encontrando Mu e Aldebaran conversando com Shiryu. A lareira estava acessa e os três bebiam um cálice de licor.
– Boa noite. – disse ela.
Shiryu virou-se de imediato ao som da voz suave, mas forte. Parecia poder vê-la, porque sorriu encantado e lhe estendeu a mão.
– Boa noite, senhorita June. Tenho que dizer que, mesmo sem enxergar, sei que está magnífica.
– Gentileza sua...milorde.
– Bem, sei que é um pouco tarde, mas vim trazer-lhe isso. Deixou cair nas pedras. – disse Shiryu estendendo um prendedor com uma pequena pérola.
– Oh! Eu nem percebi que o tinha perdido. – disse June sorrindo. – Não é valioso, mas tem um grande valor sentimental para mim. É a única lembrança que tenho de minha mãe.
– Achei que teria, por isso fiz questão de devolvê-lo.
Sem ação, June apenas conseguia manter o olhar fixo no homem que lhe falava daquela maneira gentil e natural, tão raro em seus 16 anos como cortesã. Mu percebeu que ela estava embaraçada e deslumbrada, ao mesmo tempo. Então, como quem não quer nada, sugeriu a Aldebaran que fossem providenciar mais lenha para a lareira, enquanto o conde e June conversavam.
– Mas, eu já busquei bastante len... Ai! – gemeu Aldebaran ao ser beliscado no flanco por Mu.
– Temos que buscar mais! Vamos, Aldebaran... – disse Mu entre dentes.
Quando os dois saíram, Shiryu aproximou-se de June e ela temeu o que ele diria a seguir. Era uma cortesã e, embora jovem, era experiente e vivida. Por alguns instantes, vivera uma situação como se fosse uma dama qualquer e agora tinha medo do que sentia perto daquele homem.
– Vamos falar com franqueza, senhorita June. Em primeiro lugar, devo dizer que meus lábios ainda estão ardendo com aquele beijo. Em segundo, sei que vai parecer ousado em demasia e também muito afoito, mas... quer se casar comigo?
– Hã?! – June arregalou os olhos sem acreditar no que ouvira. – Está... me pedindo em casamento? Mas, não me conhece... não sabe quem sou e...
– Sei que parece loucura, mas... mas a senhorita cativou meu coração de tal forma que estou sofrendo de algo que nunca acreditei e que no meu caso, torna-se uma piada patética. Sinto que seja amor à primeira vista. – disse Shiryu envergonhado.
June levou a mão aos lábios e riu. Amor à primeira vista... Seria mais correto dizer desejo por uma prostituta que o tinha deixado excitado. Como dizia madame Walmot, deixe um homem com o membro duro e ele ficará fascinado até conseguir levá-la para a cama.
– Está sendo franco comigo, milorde... Então terei de sê-lo, também. Não sou uma donzela e muito menos, uma dama. Sou uma cortesã, embora não trabalhe mais em um bordel. Portanto, não sou digna de casar-me com um conde. Posso dar-lhe uma noite de prazer, mas é só.
Shiryu permaneceu ereto e em silêncio, por alguns segundos. Depois pigarreou e olhou para o lado, como se procurasse algo.
– Bem, tenho que admitir que fui pego em uma armadilha. Foi minha tia quem a enviou?
– Sua tia?
– Madame Walmot.
– Madame Walmot é sua tia? – disse June quase gritando.
– Sim, é. Deixe-me explicar... Minha mãe casou-se com um nobre e o traiu, ficando grávida de um amante que, inclusive, era amigo íntimo de seu marido. O amante tinha sífilis e, portanto, a criança nasceu cega e, por um genuíno milagre, não ficou com outras sequelas, nem contraiu a doença. O conde deixou que o bebê nascesse, chamou seu melhor amigo e ofereceu um jantar no qual matou minha mãe, o amigo e depois se suicidou. Ele possuía, apenas, uma irmã que herdou dívidas e a mim. No início, ela tentou conduzir os negócios da família, mas o estigma da traição, do assassinato e do suicídio não permitiu que ela tivesse sucesso. Houve perdas e pobreza, até ela montar um negócio onde esse tipo de sordidez não fez nenhuma diferença ou foi considerado. Tenho que ser grato a ela, pois mesmo sem suportar-me, permitiu que eu fosse criado por uma governanta e instalado aqui, onde ninguém faria perguntas. Ela podia ter me dado em adoção ou, simplesmente, me deixado, mas foi magnânima e eu acabei herdando o título e esta propriedade.
– E... o senhor...nunca saiu daqui? Nunca frequentou um sarau ou cortejou uma mulher?
Shiryu olhou-a sério, depois sorriu amargo.
– Diga-me , senhorita, que dama olharia para um cego ou teria qualquer pretensão com um bastardo? Mesmo tendo herdado o título e as propriedades que fazem parte do morgado, ainda assim sou um proscrito social.
– É um homem belo e gentil milorde. Ficaria surpreso com o número de garotas dispostas a passar por cima de sua origem!
– No momento, somente uma dama me interessa.
– Não sou uma...
– Shhhhh... – sussurrou Shiryu colocando o dedo nos lábios entreabertos de June. – É a mais bela dama e, infelizmente, não posso enxergar sua beleza exterior. Entretanto, sinto em meu coração que não existe mulher mais fascinante ou honrada que a senhorita.
Em seguida, o jovem conde estreitou June em seus braços sem esperar por uma resposta. Ela sentiu o calor do corpo dele, a fragrância de sua colônia amadeirada invadindo-lhe os sentidos. Embora aquela situação fosse uma completa loucura, tinha de admitir que não queria se afastar daqueles braços.
Shiryu pousou a mão em suas costas delicadas, puxando-a mais para si. Foi inclinando a cabeça devagar, sendo guiado pelo hálito quente que escapava dos lábios de June, até roçar os lábios nos dela.
O beijo era doce, embora todo o corpo dele tremesse de desejo. June entreabriu seus lábios, permitindo que a língua cálida invadisse sua boca numa lânguida exploração. Entregando-se às sensações tão abrasadoras, ela o abraçou pela cintura, estreitando-se mais de encontro ao corpo forte, sucumbindo por completo aos lábios que se apoderavam dos seus.
June sentiu que ele a desejava, então pegou-lhe a mão e a guiou até um dos seios. Quando ele encontrou o mamilo rijo sob o decote acentuado do vestido, afagando-o com todo o vagar, ela não conteve um suspiro de prazer.
– June... – sussurrou Shiryu de encontro aos lábios de June. – Não quero que pense que eu...
Ela não conseguia pensar com clareza. Todo o seu ser queria aquele homem. Se tal sentimento fervoroso era amor ou desejo, pouco importava.
– Eu não penso nada, milorde... nada além do seu toque e dos seus lábios. Venha, vamos subir...
Shiryu nunca havia tido uma mulher, porém seu corpo desempenhou o papel com bastante avidez. Seus lábios buscaram os de June, suas mãos deslizavam pela pele delicada e por um instante, ele pareceu ver tudo com clareza em cada gemido e ofego que lhes escapava dos lábios.
As mãos delicadas de June o despiam com maestria e ansiedade, a língua dele se entrelaçava na dela e buscava os seios, ora com delicadeza, ora com volúpia.
– É um amante maravilhoso, milorde... – sussurrou June enquanto o guiava para dentro de si.
Em meio ao fogo do desejo, Shiryu deliciou-se sentindo o calor e a umidade do corpo de June, uma sensação deliciosa de virilidade se apoderou dele ao aprofundar-se dentro dela.
E daí que ela era uma cortesã, que já se deitara com vários homens. Talvez a história deles, algum dia fizesse surgir uma ópera: “A cortesã e o bastardo” ou uma peça de teatro: “A Bela e o cego”.
Porém, ali e naquele momento, ela era sua e era o seu nome que ela gemia, enquanto arranhava as suas costas e dizia coisas excitantes ao seu ouvido.
– Assim, assim... Ah, venha... mais depressa, aí, aí...Oh, Shiryu...S- Shiryu... você vai matar-me.. de tanto... prazer....
Dominado pela paixão, Shiryu investiu uma última vez e sentiu a realidade desaparecer quando gozou dentro de June. Sentiu as unhas dela cravarem-se em suas costas e gritou alto, envolvido pelos tremores intensos do orgasmo.
– Eu a amo... – Shiryu murmurou em tom rouco, desabando sobre ela.
June o abraçou com força sentindo uma felicidade inexplicável no corpo e no coração. Shiryu virou-se, levando-a nos braços, respirando de modo ofegante. Ela se aninhou contra o peito musculoso, arquejando, úmida de suor. Aos poucos, seu corpo serenou, invadido por imensa paz. Então, levou a mão ao rosto de Shiryu e sorriu, acariciando-o como jamais fizera com um homem e dizendo as palavras que sempre foram proibidas a uma cortesã:
– Pode parecer loucura, mas também o amo, milorde.
A noite estava escura e densa. Apenas o brilho fugidio das estrelas testemunhava o amor que era feito entre as quatro paredes e lhes emprestava a sua atmosfera mágica de sons abafados e segredos sussurrados.
Nos jardins, Mu e Aldebaran caminhavam de mãos dadas.
– Quanto tempo ainda acha que temos de ficar aqui? – perguntou Aldebaran.
– O tempo que for necessário... – respondeu Mu com um sorriso cúmplice.
– Acha que os dois estão...?
– Que tal esquecer-se deles e aproveitar este momento? – questionou Mu.
– Acho uma excelente ideia... – disse Aldebaran buscando os lábios de Mu para beijar.
Na manhã seguinte, antes do nascer do sol, June forçou-se a deixar o calor da cama e ir falar com seus amigos. Shiryu ainda dormia e ela sorriu ao vê-lo tão belo e tranquilo. Ambos dormiram profundamente depois de fazer amor muitas e muitas vezes. O corpo ficara saciado, dolorido e a alma, plena de contentamento.
Não sabia se aceitaria casar-se com Shiryu, mas sabia que descobrira o amor nos braços dele. Não se importava em ser sua amante, desde que permanecesse ao seu lado. Por isso, a decisão que tomara a enchia de alegria, mas também de dor e saudade.
Mu já estava na cozinha quando ela entrou. Sorriu-lhe, cúmplice e antes que ela falasse ele começou.
– Então, finalmente, aconteceu...
– Não consigo esconder nada desses seus olhos feiticeiros. – disse ela com lágrimas nos olhos. – Não sei como dizer...
– Então, não precisa nem dizer... Não vai voltar para Londres, não é?
– Não. Acha-me uma tola? Ele sabe quem eu sou e mesmo assim...
– Acho que merece ser feliz e esse homem parece gostar muito de você. Se bem que ele é cego... – disse Mu rindo.
– Safado! E ainda se diz meu amigo! – falou June se aproximando e socando o ombro de Mu.
Os dois se abraçaram e os primeiros raios de sol começaram a abrir caminho por entre as árvores. Aldebaran voltava com lenha para o fogão quando os viu e foi abraçá-los também.
Aos poucos, as decisões iam descortinando um novo mundo de possibilidades e a grande teia da vida se reconstruía e se alimentava de sonhos, amores e esperanças. Assim estava sendo com June e Shiryu, um casal atípico que resolveu apostar em um grande e fulminante amor...
Notas finais
Agradecimentos: CHACAL NEGRO, WITH, SION NEBLINA, DDKCAROLINA, KASSIMINHA, KERONEKOI, MARCIABS,PERSÉFONE_SAN,YUULLA, CHIDORI, GABIVET2011, MEL DARK,YUKITO, MI SCORPION, KAO E JCOSTA!!!! MENINAS VOCÊS SÃO ESTRELAS NO MEU CÉU E BRILHAM TANTO QUE EU NÃO PRECISO NEM DA LUA NEM DO SOL!!! OBRIGADA POR EXISTIREM E POR FAZEREM PARTE DA MINHA VIDA!
Aos silenciosos, o meu abraço também!!! Bjs
Fale com o autor