Desejos Ocultos

20 Capítulo 20 BIZARRE LOVE TRIANGLE


A urgência deste amor abarca minha alma, como as sombras em teu rosto descortinam o proibido.

Teu hálito roça-me a face, tuas mãos alcançam minha alma, enquanto percorrem meu corpo como serpentes sedentas de amor e tempestade...

O desejo afasta a sordidez deste amor proibido que arde em minha pele...

No suor, o visco do esperma se consagra dentro de nós
Na boca, o gosto do falo encontra seu lar e seu gozo, pulsando com a fúria dos trovões e derramando-se como a chuva que cai no deserto...

Indecentes, tuas mãos, as minhas e as dela
Tateiam sem pudores todos os caminhos possíveis do ventre, das nádegas e das coxas...

E quando nossos corpos, enfim se unem, o orgasmo varre, inclemente, todos os valores e pecados.

Quando Fúlvia acordou na manhã seguinte, as atividades da casa já estavam a pleno vapor. Ainda era cedo, mas ela se sentia disposta e resolvera vestir-se sem ajuda da criada. Quando a jovem adentrou o quarto, ela já estava pronta.



— Bom dia senhora! Não imaginei que acordasse tão cedo. Já vou trazer o seu desjejum.



— Meu marido já desceu para o café?



— Sim, senhora. O duque acordou antes do alvorecer e está aguardando o irmão.



— Vou tomar o desjejum com eles. Avise-o, sim?



— Pois não, senhora!



Fúlvia sentiu uma reação de excitação dentro dela. Fazia tempo que não era tomada por aquela energia, mas sua mente desviou-se do motivo daquilo. Não podia permitir-se tais pensamentos. Estava viva e era isso!



Olhou-se no espelho, sua pele alva parecia mais vivaz e seus cabelos presos em uma trança faziam-na parecer muito infantil. Soltou os cabelos e escovou-os, deixando-os cair sobre os ombros e sorriu. Ajeitou o vestido austero e pensou se seria muito ousado mandar baixar um pouco o decote, apesar de ter seios muito pequenos.



Deixou o quarto e foi ter com o marido na sala de jantar. Saga, como sempre, estava magnífico em sua roupa de montaria. Olhou-o de forma velada e quando ele a encarou, baixou os olhos e desviou o olhar.



— Fúlvia, minha querida. A criada disse que fará o desjejum conosco. – disse o duque.



— Achei que seria... apropriado, já que estamos com um hóspede.



— Mas, é claro! Sente-se aqui. Kanon não costuma acordar cedo, porém precisa do ar puro da manhã para fortificar os seus pulmões. Mandei a criada chamá-lo. Após o desjejum eu o levarei para uma cavalgada curta e mostrarei a ele a nossa propriedade.



— Que doença ele tem? – perguntou ela, timidamente.



— O médico afirma que é... a doença dos pulmões a mesma que matou nosso pai. Mas, disse que está no início e que podemos tentar curá-lo com uma boa alimentação, ar puro e um elixir experimental que se deve misturar ao vinho do Porto.



Levando a mão aos lábios, Fúlvia ficou em silêncio, mas depois sorriu e falou:



— Você é forte, então ele também é. Tenho certeza que irá recuperar-se.



Saga sorriu e buscou a mão delicada para beijar, num inusitado ato de carinho.



— Não sabe como me agrada essa sua nova disposição, Fúlvia. Creio que a doença de meu irmão, ao menos, teve uma consequência boa.



Os olhos azuis acinzentados de Fúlvia se elevaram para encontrar os do marido. Era a segunda vez que ele a elogiava e isso a agradou. Concordava com o marido, trazer o irmão para o seu lar tinha revigorado o clima do lugar, mesmo que ele estivesse com uma grave doença.



Aliás, ela sentia um prazer quase doentio em observar os enfermos desde criança. A palidez, o olhar mortiço, tudo a fascinava e talvez por isso, tornara-se também prisioneira de males obscuros que a faziam desmaiar e ter crises de pânico desde que se tornara uma jovem mulher.



Kanon surgiu na porta com a camisa aberta, evidenciando seu torso bem constituído mesmo que ele tivesse perdido um pouco de peso. Os cabelos desgrenhados acentuavam o seu ar indômito e ele parecia ainda mais jovem.



— Bom dia... para quem acha bom e saudável acordar a essa hora! – disse o gêmeo mais novo com os olhos inchados de sono.



— Não está aqui a passeio, está para se tratar e ficar bom. Vou levá-lo para conhecer a propriedade, após o café. – falou Saga.



Kanon elevou os olhos e depois piscou para Fúlvia. Serviu-se de uma fatia de pão fresco e quente, depois olhou em volta como que procurando algo.



— Sente falta de alguma coisa no seu desjejum, cunhado? – perguntou Fúlvia.



— Gostaria de uma taça de vinho quente.



Fúlvia estreitou os olhos e Saga adiantou-se, exibindo um olhar reprovador.



— Vai tomar leite, comer frutas e deixar esse hábito de beber! Esqueça sua rotina de boêmio, Kanon.



— Inferno! Porque deixei que me trouxesse para cá? – esbravejou Kanon.



— Porque sou seu irmão e sempre foi assim! Você faz as suas burradas e eu tenho que consertá-las! – rebateu Saga batendo com o punho na mesa.



Kanon ficou pálido. Seus olhos fuzilaram o irmão e ele fez menção de levantar-se da mesa. Fúlvia olhou, nervosamente, para os dois e, numa atitude conciliadora tocou a mão do cunhado.



— Seu irmão o ama e só quer o seu bem. Por favor, não fique bravo.



Contrariado, Kanon começou a tossir, o corpo sacudindo violentamente. Saga levantou-se e ele fez sinal para que o deixasse em paz. Então se levantou da mesa e voltou para os seus aposentos. Fúlvia olhou para o marido e viu-o levar a mão aos cabelos e fechar os olhos. Pela primeira vez, viu Saga mostrar-se vulnerável e sentiu-se mais próxima do marido.



— Eu falo com ele. Nestas horas, uma mulher tem mais argumentos. Fique tranquilo, meu marido.



Saga franziu a testa enquanto olhava para a esposa. Nunca ela tinha sido tão solícita ou ativa. Mas, teve de admitir que o apoio dela estava sendo útil, principalmente em relação ao irmão.



— Ele sempre fez o que quis. Temo que ainda teremos muitas desavenças, mas não permitirei que ele se mate! Esse tolo não percebe que eu... eu não quero perdê-lo!



— Deixe-me tentar. – insistiu Fúlvia.



— Está bem. Fico grato pela sua ajuda. – disse Saga se recompondo.



Fúlvia caminhou com passos temerosos. Onde tinha tirado coragem para fazer aquilo, oferecer-se para lidar com o irmão rebelde de Saga? Eles eram idênticos na aparência, mas tão diferentes na personalidade. Saga era ponderado, forte, decidido. Já Kanon era temperamental, intenso, transgressor. O único elo entre eles era a mórbida semelhança, própria dos gêmeos univitelinos.



Cada passo que dava em direção ao quarto de hóspedes, ela sentia o sangue latejar nas têmporas numa espantosa velocidade. Ela podia sentir uma cumplicidade com o cunhado, como se ambos dividissem um segredo ou uma dor e não sabia o porquê. Quando chegou à porta, ao invés de bater ela abriu-a devagar e o que viu a fez congelar.



Kanon era lindo. Foi seu primeiro pensamento ao ser recebida, por seu corpo nu. Ele estava deitado na cama larga com os olhos fechados e os cílios faziam sombras que desciam na direção das maçãs do rosto pálido.



Os olhos de Fúlvia também desciam lentamente. Ela nunca vira um homem nu, nem mesmo seu marido. A intimidade era sempre no escuro, embaixo dos lençóis... Sentia vergonha e certa repugnância dos fluidos do corpo. Então, porque agora, estava tão fascinada com a visão do corpo de Kanon que brilhava com uma camada fina de suor?



Seu cunhado tinha ombros largos e os braços longos e musculosos. O peito era liso e a barriga dura e reta com uma trilha de pelos escuros que serpenteava abaixo do umbigo. Estava com uma das pernas estendidas e a outra dobrada. E então ela viu o que não deveria ter visto...



Numa fração de segundo, dedos longos segurando um membro intumescido e enorme deslizavam por toda a extensão, enquanto ele projetava os quadris. A carícia íntima e sensual, assim como os movimentos vagarosos que ele fazia em si mesmo, a deixaram rígida.



Por um momento, ela observou a cena num misto de timidez e fascínio, porque de certa forma aquele ato despertou algo dentro dela... Algo que era, ao mesmo tempo, uma lembrança e uma sensação.



Teve vontade de tocá-lo, mas sabia que era errado! Então, sentiu-se tonta como se estivesse embriagada e apoiou-se na mesinha perto da porta, derrubando algo que se estilhaçou no chão quebrando o encanto com o forte barulho. Fúlvia resfolegou, assustada.



— D-Desculpe... E-Eu... – Fúlvia cobriu os olhos, enquanto Kanon abria os dele.



Ela tentou recuar, tentou virar-se, mas suas pernas tremiam e estavam instáveis.



Kanon saiu da cama no mesmo instante e sorriu como se estivesse possuído por algum deus maligno e sedutor.



— Então gosta de espiar...



Fúlvia arregalou os olhos em um terror explícito e ficou tentada a cair de joelhos e pedir perdão, mas as palavras não saíram. Então, Kanon simplesmente pegou-a pelos cabelos e aproximou-se da boca pequena e entreaberta. Fúlvia gemeu baixo, o coração disparado e o rosto em chamas...



— Foi Saga que a mandou aqui? – perguntou ele, rente aos lábios trêmulos dela.



— N-Não... eu vim por vontade própria. – respondeu ela.



Mais uma vez, Kanon sorriu e então tomou a boca de Fúlvia com um beijo violento. Ela se agarrou a ele, querendo mais, ainda sem entender como seu corpo reagia de forma tão incontrolável.



As mãos fortes de Kanon deslizavam por suas costas e alisavam seus quadris segurando-os e puxando-a contra o corpo. Um fluxo de prazer irradiou dentro dela quando sentiu a ereção do cunhado pressionada em seu corpo. Calor e umidade irromperam em seu corpo e ela apertou os olhos como se ao negar-se a ver, espantasse a loucura que circulava por suas veias.



Kanon a puxou, novamente e flexionou os quadris contra o corpo feminino começando um ritmo que fez o corpo de Fúlvia pulsar como jamais havia pulsado. Ela deslizou as mãos pelo pescoço de Kanon e agarrou-lhe os cabelos escuros, puxando o rosto na direção do seu, querendo absorver cada parte dele como se fosse um peixe ansiando por ar...



Então, tão abrupto como fora ao tomar-lhe os lábios, Kanon parou. Arfantes, os dois olharam-se nos olhos e nada disseram. Fúlvia sentia o corpo em fogo, os seios doloridos, a umidade entre as pernas... Tomada de vergonha, ela desvencilhou-se dos braços que a tinham prendido com fúria e ardor e correu para fora do quarto.



Sozinho, Kanon deixou-se afundar na cama. Não sabia o que acontecia entre ele e aquela mulher. Não a desejava, nem mesmo a achava bonita. Porém, quando ela fixava aqueles olhos melancólicos e carentes nele, despertava algo que ele conhecia muito bem: o desejo de ser amada. Um desejo poderoso e obscuro que também jazia dentro dele e que só podia ser satisfeito se pudesse ter Saga, mais uma vez...



Alheio ao que acontecia entre Fúlvia e seu irmão, Saga cavalgava apreciando o ar fresco que serpenteava por entre os carvalhos. Pensou em como Fúlvia aceitara seu irmão, fato que tornara a estadia na mansão muito mais prazerosa. Quando a visitava, ficava pouco tempo e sentia que ela preferia que assim fosse.



Fúlvia tinha dificuldade com a presença masculina, era tímida e raramente, portava-se como a senhora da casa. Era a filha mais velha do duque Alaister Cromwell e ao ser-lhe dada em casamento, ele achara confortável a personalidade reservada que jamais questionava ou tentava se impor.



Com o passar do tempo, os problemas de saúde e a ausência de filhos tornou a convivência entre eles um tanto fria e distante. Porém, a atitude amorosa dela para com o seu irmão o tinha tocado. Kanon tinha mesmo o dom de atrair simpatia e bondade.



Em seu quarto, Fúlvia se contorcia de humilhação com o rosto enfiado nos travesseiros. Cheia de vergonha e medo, ela refletiu sobre as opções que tinha. Sumir? Fingir que nada tinha acontecido? Confessar-se?



Chorou por horas e depois se arrependeu. Como explicaria os olhos inchados? Como iria encara Saga e dizer que havia falhado?



Ouviu o som do galope do cavalo puro sangue que Saga montava. Levantou-se e chamou pela criada, pedindo que lhe preparasse um banho. Em sua mente, tudo começou a fazer sentido como se uma voz celestial ou... diabólica inspirasse as suas ações.



Enquanto sentia a água quente banhar seu corpo, Fúlvia fechou os olhos e relembrou as carícias de Kanon. De imediato, a excitação voltou e ela sacudiu a cabeça, tentando afastar as lembranças.



Estranhando o silêncio da casa, Saga adentrou a mansão e viu que os criados faziam os preparativos para o almoço. Tinha ficado fora toda a manhã, na esperança que seu irmão se tornasse menos resistente.



Após chamar um criado que lhe trouxe água fresca e uma toalha, Saga foi até o quarto de Kanon. Bateu e não obteve resposta, então entrou e como as janelas exibiam cortinas pesadas, reinava uma penumbra abafada, enquanto seu irmão dormia de bruços, completamente nu.



Mesmo que estivesse doente, a anatomia de Kanon continuava bela e voluptuosa, as costas largas, as nádegas roliças, as coxas bem torneadas...



A visão o perturbou, fazendo-o pegar o lençol para cobrir o corpo do irmão. Sincronicamente, Kanon abriu os olhos, numa lentidão, absurdamente sensual e desconcertante. Saga desviou o olhar, porque sempre que Kanon o olhava daquele jeito, o desejo despertado em seu corpo era tão torturante e intenso que ele desejava morrer.



Não posso, preciso resistir! Deus, dai-me forças para resistir! Gritava a sua mente, enquanto seu corpo pedia o contrário...



Kanon nada disse, apenas estendeu a mão e tocou o rosto do irmão. Depois, retirou-a, reconhecendo o sofrimento daquele que amava.



— Deixe-me, Saga... Não vale a pena tentar me salvar. Estou condenado. – falou com uma voz rouca.



— Porque diz isso? Porque me faz sofrer deste jeito? Porque quer morrer? – perguntou Saga, aflito.



— Por que... não valho nada! Essa é a verdade!



— Kanon... – disse Saga aproximando-se do rosto do irmão. – Deixe-me ajudá-lo... Se algo acontecer a você eu... morro! Está entendendo? ESTÁ ENTENDENDO!?



— Será melhor prá você não ter mais com que se preocupar.



— Não diga isso!



Fúlvia ouviu rumores no corredor e vestiu um roupão. Há poucos metros estava o quarto de hóspedes e era de lá que vinham os sons. Como já havia feito antes, ela trilhou o mesmo caminho e sentiu a mesma excitação. Algo dentro de si dizia para ir e também para não fazê-lo. Porém, ela continuou e quando abriu a porta, deparou-se com uma cena ainda mais insólita: Saga tinha Kanon em seus braços e o beijava com desespero...



Algo dentro dela moveu-se como se houvesse outro alguém dentro das suas entranhas. Ali estava seu marido e seu cunhado tão íntimos como se ainda estivessem no ventre da mãe. Uma voz sussurrava em sua mente que aquilo não podia acontecer, mas ao mesmo tempo, seu corpo estremecia com uma estranha excitação, como se fosse parir a si mesma...



O modo como os dois se acariciavam, o calor que parecia emanar das peles a fez rir uma risada rouca, quase histérica. Os olhos azuis ficaram escuros, as pupilas se expandiram e algo selvagem e primal, despertou dentro de si...



Saga deixou a boca do irmão no instante em que ouviu o riso e antes que qualquer um dos dois reagisse, Fúlvia abriu o roupão e deixou-o deslizar por sobre os ombros, expondo a nudez do corpo delicado.



Os seios pequenos, como os de uma menina, exibiam mamilos rosados e túrgidos, a cintura fina era encimada por costelas que subiam e desciam ao som da respiração ofegante, o triângulo castanho entre as coxas desenhadas era tão suave quanto os seus cabelos, a pele alva, quase transparente fazendo-a parecer uma ninfa...



Toda ela avançava e não havia temor em seu andar. Os dois ficaram imóveis, enquanto ela caminhava na direção deles como se fosse uma entidade fantasmagórica materializada em um corpo feminino.



Firme, ela tornou-se uma oferenda viva e quando se deitou entre os dois, não houve necessidade de palavras. O ar entre eles se tornou denso e erótico, solidificando-se e transformando-se em algo quase corpóreo.



Os olhares febris se reconheceram e se tornaram um...



Fúlvia fervia em sensações, consciente de Saga e de Kanon em cada nível possível... Da rigidez e do calor do corpo do marido, da autoridade do beijo, da forma como introduzira a língua entre os seus lábios à ousadia de Kanon a sugar-lhe os seios, as mãos deslizando em suas coxas, os dedos penetrando sua intimidade...



Como um instrumento tocado a duas mãos, ela vibrou e gozou entre lágrimas e gemidos, experimentando toda a sorte de carícias, despertando a fêmea, aprisionada, dentro de si.



Sensível e inchada devido ao clímax, Fúlvia gemeu quando Saga a penetrou e estremeceu ao sentir o falo gotejante de Kanon em seu rosto e lábios. Ofegante, sua boca se abriu e envolveu o falo de seu cunhado, enquanto era invadida, forte e profundamente, pelo homem que a desposara.



Os movimentos intensos compunham uma sinfonia erótica entre os três, Kanon gemia tendo seu falo sugado e procurava a boca de Saga, beijando-o sôfrego, enquanto ele penetrava Fúlvia num frenesi que pulsava ensandecido.



O quarto logo se tornou quente e abafado com os cheiros de suor, sêmen e das peles com seus aromas peculiares... o cheiro forte e terroso de fêmea, o dor almiscarado dos machos...



Em um crescendo, a união dos corpos que mais parecia um só organismo, explodiu em orgasmo, desespero e loucura. Kanon grunhiu, derramando-se no interior quente e úmido da boca de Fúlvia. Saga o acompanhou, estocando uma última vez, sentindo jorrar dentro de sua mulher todo o seu prazer como nunca tinha sentido. Fúlvia sentiu-se preenchida e inundada, estremecendo convulsa e gritando em êxtase, tendo dois homens em seu corpo.



O som da sua voz rouca somou-se ao esplendor ardente daquela possessão selvagem e ela agarrou-se aos dois, ofegando e gemendo com o sêmen de um que molhava os seus lábios e o do outro que escorria por entre as coxas... Em uníssono, as bocas se uniram em beijos lascivos e entrelaçaram as línguas, descortinando o sabor de cada um...



Embalada pelos dois corpos, Fúlvia deixou a cabeça pender para ambos os lados e, com seus olhos estreitos e sonolentos ela absorveu a deslumbrante visão dos corpos nus de Saga e Kanon, sentindo que entre eles ainda restava um latejar primitivo e insatisfeito...



Embora sentisse seu corpo cansado e saciado, seu coração recomeçou a pular dentro do peito. Com os olhos brilhando ela fitou os dois, segurou-lhes pelo queixo e sussurrou com um misto de devassidão e ternura:



— Amem-se... assim como me permitiram amá-los.



Saga passou a língua nos lábios, arquejante e Kanon sorriu, aproximando-se dos lábios do irmão para molhá-los com a ponta de sua língua. Como que hipnotizados, os dois obedeceram à ordem de Fúlvia, enquanto ela sentia seu corpo lânguido ser tomado por uma deliciosa mistura de luxúria e paz...



Era a primeira vez que Fúlvia via o corpo do marido e fascinada, admirou os ombros e o peito largos, o abdômen sólido, as coxas longas e musculosas. Os pelos em torno da virilha eram mais escuros e sua ereção comprida e grossa pulsava impaciente, mais uma vez.



Fascinada, ela passou a língua nos lábios rubros de tantos beijos quando viu Kanon abrir-se para Saga sem reservas, levantando o rosto para beijá-lo e apartando as pernas para acolher o irmão sobre si.



Saga segurou em concha o rosto de Kanon e fitou seus olhos com extasiada agonia, enquanto o irmão cruzava as pernas em torno da sua cintura e movimentava o corpo sedento pela posse...



Kanon moveu as palmas pelo peito de Saga até alcançar os mamilos e acariciá-los com os dedos e depois com a boca. Contraindo o rosto, pelo prazer do toque, Saga rangeu os dentes, embalando-se contra ele, pressionando o falo túrgido na entrada estreita e penetrando-o numa graduação excruciante, profunda e lenta.



Levantando os quadris para apressá-lo, Kanon foi recompensado com um gemido rouco e cavernoso que emergiu das profundezas da garganta do irmão. Músculos ondularam e retesaram... As peles suadas roçavam uma na outra em um ritual ardente fazendo-os sentir na carne, prazeres que também atingiam a alma...



Saga quase saiu de dentro de Kanon para projetar-se mais forte e fundo, arrancando gemidos entrecortados e roucos, fazendo-o se contorcer sob o seu corpo. Ao olhar para baixo e ver seu falo entrando e saindo, enquanto Kanon arqueava o quadril para recebê-lo, era de um erotismo visceral deliciosamente estarrecedor.



Kanon movia-se junto, tomado por uma febre insuportável e uma sensação de que estava se dissolvendo em chamas... Ser possuído pelo irmão era vida e morte, prazer e dor... e quanto mais fundo o tinha dentro de si, grunhia mais de prazer que de dor e sentia que a vida pulsava em cada nervo, em cada respiração e, principalmente, em seu coração...



Enlouquecido de prazer e sentindo o cavalgar do clímax, abraçou-se a Saga, enquanto ele o preenchia. Emaranhando os dedos nos cabelos e levando a boca aos lábios de Kanon, Saga começou a se mover furiosamente dentro dele, tocando-o nas profundezas de seu corpo fazendo-o gritar, enquanto ele também sentia o intenso prazer de ser aprisionado pela cavidade quente e apertada do irmão.



Ao gozar, Kanon gemeu alto e Saga que ainda o beijava, engoliu o som em seus lábios, sentindo o prazer quente molhar seu corpo, enquanto se desfazia dentro dele, sentindo as coxas apertando-o, a pulsação do orgasmo engolindo seu falo e se expandindo em todas as partes de seu corpo...



Quando os tremores cessaram, Saga continuou deitado sobre Kanon por um longo tempo, ainda dentro dele. Saboreou a violenta fusão de seus corpos suados e dos corações que batiam acelerados... Então deslizou para o lado, abraçando Kanon e também Fúlvia. Fechou os olhos e sentiu uma estranha paz...



Seu desejo fora tão profundo e cortante como as escarpas de um abismo. Se aquele amor era proibido já não conseguia sentir culpa ou vergonha. Amava Kanon e descobrira amar aquela nova mulher cujo corpo fora a sua libertação. Se, no final, aquilo fosse uma maldição, ela já se tornara parte de seu ser, desde sempre e ele não mais lutaria contra ela...



Olhou para seus dois amantes adormecidos e sorriu, tomado por uma euforia insólita. Por um momento, lembrou-se de Afrodite e de sua ferocidade em defender seu amor. Realmente, o amor tinha muitas faces e muitas delas podiam apresentar-se de formas surpreendentemente peculiares... Pensou enquanto deliciava-se com as respirações em sua pele.



Fúlvia abriu os olhos e tocou o rosto do marido.



— Eu te amo... – disse ela baixinho. – Amo vocês dois.



Saga fitou-a, pela primeira vez percebendo a mulher que tomara por esposa. Então, sorriu enquanto afagava o seio e mordiscava os lábios delicados. Kanon resmungou algo e ele aprisionou a nádega redonda do irmão com a outra mão, acariciando-a com propriedade. Gemidos satisfeitos escaparam da boca dos três e o duque sussurrou baixinho, antes de recomeçar sua ciranda de prazer.



— Também os amo...



Ao cair da noite, o silêncio caiu sobre a mansão, enquanto com um suspiro Fúlvia se sentava na penteadeira e olhava para si mesma no espelho. Não lembrava de já ter se sentido tão cansada e energizada, ao mesmo tempo. O reflexo que via era o de uma mulher feliz e poderosa e, por um momento, ela pensou estar dentro de um sonho.



Era a hora do jantar e os criados haviam preparado uma ceia farta, como ela ordenara. Nenhum comentário sobre o dia atípico, onde seus patrões permaneceram trancados no quarto sem fazer nenhuma refeição, havia sido feito. Afinal, o que ganhavam ali era muito mais do que receberiam na casa de qualquer nobre e Saga sempre prezara por contratar pessoas discretas.



Sorriu para si mesma e deixou o quarto. Nos corredores, via as pinturas de seus antepassados e de algum modo, acreditava que naquela tarde, tinha se libertado de todas as humilhações e abusos que haviam se convertido em medos e terror. Endireitou o corpo e caminhou com altivez, sentindo, pela primeira vez, prazer e confiança na realidade que se descortinava perante os seus olhos.



Saga e Kanon estavam na sala de estar conversando e totalmente à vontade. O burburinho de vozes masculinas, pontuados por risadas era reconfortante e, quando Fúlvia desceu as escadas com um olhar radiante e um sorriso discreto, os olhares de Saga e Kanon se dirigiram a ela.



Os cabelos presos em um coque alto davam-lhe a aparência de uma mulher sofisticada e segura, assim como o vestido justo e negro que aderia ao seu corpo acentuavam aquela nova linguagem corporal que se revelava em suas atitudes.



A Fúlvia de antes se fora e a nova, renascia das cinzas de um passado medroso e sem atrativos. Quando ela atingiu o último degrau, Saga adiantou-se para dar-lhe o braço e Kanon ergueu o cálice de vinho do Porto misturado ao elixir terapêutico, e de repente, sua doença pareceu evanescer como se a causa dela fosse apenas, tristeza. Os três sorriram e havia um brilho de encantamento e fogo nos olhos e nos gestos.



— Você está linda. – disse Saga beijando-a na curva do pescoço.



Kanon aproximou-se e Fúlvia sentiu sua mão deslizar pelo seu braço até pegar sua mão, fazendo com que olhasse para ele. Ambos os gêmeos a conduziram até a mesa de jantar e ali conversaram envoltos numa relação inédita, prazerosa e extravagante...



E assim permaneceram até a hora de recolherem para dormir, quando, na cama ampla, os três reafirmaram seu pacto de cumplicidade.



Em meio aos ofegos, carícias e gemidos, as gentilezas se converteram em prazeres e as palavras sussurradas em meio ao orgasmo, transformaram-se em promessas mudas de um estranho amor surgido para dissipar as mágoas, curar as dores e apaziguar o caos...

Notas finais
*** Obrigada a todas pelos comentários, pelo carinho, pela inspiração que me chega em cada pergunta!!! *** Embora eu não me considere muito boa com poemas, o poema que abre o capítulo é meu. *risos!!! **** O Nyah está com um sério problema na configuração dos textos, o que compromete a estética e enche a minha paciência. Mas, eu edito várias vezes para deixá-lo, ao menos, com uma estética boa para ler. Se algo ficar duvidoso é que não consegui consertar. Sorry!