Desejos Ocultos
23 Capítulo 23 DECISÕES: PARTE II
Notas iniciais
Era início da tarde. Na estalagem, Shura verificava alguns papéis em seu escritório, quando Afrodite chegou sorridente e sentou-se em seu colo.
– Hummm... vejo que está muito ocupado, milorde.
Shura sorriu, deixando a pilha de contas e documentos. Voltou seus olhos negros e brilhantes para o amante, dando-lhe a atenção que sempre o fazia sentir-se único.
– Um pouco, mas não tanto que não possa fazer uma... pausa. – respondeu Shura deslizando o dedo lentamente pelos lábios cheios e rosados de Afrodite.
O loiro levou a mão até a nuca de Shura, sentindo a maciez e textura dos cabelos negros e acariciou-o, enquanto tomava seus lábios em um beijo profundo e molhado. Shura apertou-o junto a si e sentiu seu corpo arder, como sempre acontecia... até, três batidas na porta, interromperem o idílio amoroso.
– Sim? – perguntou Shura, após um longo suspiro, enquanto Afrodite se levantava, ajeitando a roupa.
– Senhor Shura, tem um senhor querendo falhar-lhe. – disse o jovem recepcionista da estalagem.
– Disse quem é?
– Disse se chamar Don Geronimo.
– É seu avô! – disse Afrodite. – Vou usar a saída dos fundos!
– E porque faria isso?
– Ora, porque... ele vai ficar chocado...e...não quero constranger ninguém.
– Fique exatamente aí, senhor Afrodite! Está mais que na hora de apresentá-lo à minha família.
– O quê? Apresentar-me? Mas?
– Mas o quê? Acha que vou conservá-lo nas sombras como se fosse uma aventura pecaminosa? Creio que desde a primeira vez que ficamos juntos, deixei bem claro as minhas intenções.
– Shura... eu sei e... Deus, nem mil vidas serão o suficiente para eu agradecer ter um homem como você. Mas, a realidade é cruel e seu avô... Ele... certamente vai ficar terrivelmente ofendido e...
– Sou um homem adulto, Afrodite. Plenamente consciente dos meus atos e do quanto essa sociedade hipócrita pode ferir e destruir. Mas, ainda assim, escolho viver como quero e com quem eu quero.
O semblante de Afrodite se iluminou. Estudou o rosto firme e belo de Shura. Nunca havia uma nota de medo ou contradição nos olhos que conseguiam devassar a sua alma e incendiar seu corpo. Será que merecia alguém como ele?
– Venha, vamos receber meu avô! – disse Shura pegando a mão de Afrodite.
O pequeno salão estava silencioso, apenas alguns hóspedes conversavam baixo, enquanto liam o jornal ou trocavam impressões sobre eventos sociais. No centro dele, um homem maduro e elegantemente trajado estava em uma mesa bebendo um cálice de vinho do porto, enquanto aguardava.
Shura respirou fundo antes de dirigir seu olhar para um inconfundível par de olhos escuros como os seus e com a mesma expressão decidida que caracterizava os Toledo. Chegara o momento... Segurou mais firme a mão de Afrodite e se aproximou:
– Boa tarde, Don Geronimo.
– Boa tarde, meu neto. – respondeu ele, fixando seus olhos em Afrodite e nas mãos entrelaçadas.
– Este é Afrodite, meu consultor nos negócios e meu companheiro. Estamos construindo juntos, em ambos os sentidos. – disse Shura sorrindo.
Don Geronimo olhou-os como se fosse uma ave de rapina avaliando a caça. Estendeu a mão e cumprimentou Afrodite sentindo a maciez, mas também a firmeza da mão delicada.
– Sua mãe falou-me sobre... o relacionamento de vocês e é por isso que estou aqui. Podemos falar em algum lugar mais reservado?
– Claro, vamos até meu escritório.
No ambiente privado, Don Geronimo permaneceu de pé, enquanto Shura fechava a porta e Afrodite não sabia, onde exatamente, ficar. Nervoso, o loiro começou a brincar com um abridor de cartas cravejado de pedras preciosas que tinha dado de presente ao amante.
– Bem, vou direto ao ponto. Sei que é um homem feito e que desconhecia sua origem. Mas, não pode negar seu nome, nem a importância da casa de Toledo. Assumir uma relação pública com um... homem, não trará...
– Nem precisa continuar Don Geronimo. Como bem disse, sou um homem feito e como tal, responsável por minhas escolhas. Minha origem nada tem a ver com o fato de assumi-las ou não. Portanto, não espere de mim atitudes como as suas, pois sei que, como patriarca, teve de tomar decisões acima da sua vontade e necessidade. Felizmente ou infelizmente, fui criado longe de convenções e da necessidade de manter um status. Sou o que sou, independente de ser um Toledo. Tudo que construí foi fruto de um trabalho duro e isso me dá o direito de viver como desejo e com quem desejo.
– Não pense que orgulho e teimosia vão livrá-lo das consequências desta escolha. – disse Don Geronimo olhando na direção de Afrodite.
– Não sou ingênuo, Don Geronimo. A única coisa que me importa é saber que não preciso esconder nada de minha família e nem ela de mim.
Don Geronimo olhou nos olhos do neto, encontrando a si mesmo em uma versão mais livre, porém não menos orgulhosa. O que teria acontecido a sua família se anos atrás ele também tivesse escolhido o amor? Talvez, se o tivesse feito, não estaria olhando para aquele jovem firme e decidido à sua frente.
Inspirou fundo e pareceu-lhe que os anos escorregaram por seus ombros, tirando-lhe um peso considerável das costas. Apesar de todo o sofrimento, escolhi bem. Graças a esta escolha deixarei um neto de caráter forte e irrepreensível neste mundo.
– Pois bem, faça o que achar melhor. Meu dever como seu avô é de aconselhá-lo, mas pelo visto, você já fez a sua escolha. Rogo para que não se arrependa. Estou voltando para a Espanha e gostaria de levar sua mãe para que passe uns tempos em minha hacienda. Agora que ela parece estar curada, quero que ela tenha acesso ao ar puro e não fique respirando essa fumaça proveniente das fábricas.
– Já falou com ela?
– Sim, mas ela insiste em ficar e ajudá-lo.
– Minha mãe não é mulher para ficar em casa, ela necessita de movimento e... independência, como o senhor bem sabe. Mas, creio que umas férias lhe fariam bem. Prometo conversar com ela.
– Obrigado.
– Era só isso? – perguntou Shura.
– Não, ainda tem mais uma coisa. Senhor Afrodite... – disse Don Geronimo estendendo a mão e recebendo a de Afrodite na sua. — Foi um prazer conhecê-lo e temo me expor ao ridículo em dizê-lo, mas... sua beleza é uma tentação até mesmo para um velho como eu. Cuide bem do meu neto. Creio que talvez Deus tenha planos que nem eu mesmo posso compreender, mas posso, ao menos, aceitar. Em minha vida perdi dois grandes amores, mas, o terceiro, deixo em suas mãos. – completou depositando um beijo na mão do loiro.
Afrodite ficou de boca aberta, assim como Shura. Don Geronimo sorriu-lhes e havia uma mistura de tristeza e orgulho nos olhos negros. Algo que desarmou o jovem espanhol.
– Abuelo... acredite, darei o melhor de mim para que se orgulhe de ter tido um neto. – disse Shura estendendo a mão ao avô.
– Já me orgulho, mi hijo! Construiu sua vida independente da fortuna ou do nome. Tem um temperamento terrível como eu e sua mãe, mas também um coração generoso e franco. O que mais um velho como eu pode querer? – respondeu Don Geronimo puxando o neto e abraçando-o forte.
Shura correspondeu ao gesto, sentindo um afeto genuíno pelo avô e, pela primeira vez, sentindo-se parte de algo maior, assumindo sua herança familiar como algo real e verdadeiro.
Don Geronimo deixou-os e, em seguida, Luisa chegou à pousada com um ar preocupado, porém, ao ver Shura e Afrodite sorridentes, agradeceu à Virgem de Guadalupe que tudo tivesse se resolvido.
– Ah, meu filho... tive medo que seu avô não entendesse. Ele sofreu tanto, mas ainda assim sempre buscou manter a tradição e a honra da família.
– Eu sei, mãe. Mas, ele compreendeu e até abençoou-me. Creio que outra Era se inicia para a família Toledo.
Luisa sorriu e foi abraçada pelo filho e Afrodite. Realmente, uma nova era estava surgindo. Sua família estava unida, novamente, buscando novos laços, novas opções e tudo sob a luz de um relacionamento verdadeiro e sem máscaras.
– Pensei em acompanhar seu avô até a Espanha. Ele diz querer cuidar da minha saúde, mas sinto também que ele está só e que precisa de um pouco de companhia.
– Acho uma excelente ideia, mãe. Saiba que quando voltar poderá continuar me ajudando nos negócios.
Uma música suave preencheu o ambiente. Era um rapaz jovem tocando uma lira, embevecendo os hóspedes com sua música transcendente e angelical. A ideia tinha partido de Afrodite e agora, em meio a tantas emoções, aquela música atenuava os ânimos e acalmava o corpo e a mente.
– Esse som... Que maravilha, meu filho! Quem está tocando?
– Chama-se Orfeu e faz parte do projeto “Mecenas” de Afrodite. A hospedaria além de oferecer hospedagem e alimentação, também promove jovens talentosos. Temos música ambiental, sessão de leitura de poemas e algumas apresentações teatrais. Afrodite tem uma visão incrivelmente progressista e está criando um diferencial em nosso negócio. – disse Shura com um tom orgulhoso na voz.
– Parabéns, Afrodite! Meu filho é, realmente, um homem afortunado.
Afrodite sorriu, um tanto corado. Shura abraçou-o e beijou-o no topo da cabeça. Feliz, o loiro que jamais sonhara em criar bases sólidas em um relacionamento, agora se sentia útil, amado e abençoado por amar e ser amado por Shura.
Quando Luisa voltou para casa, Shura tomou Afrodite em seus braços e levou-o, novamente, para o escritório, tomando o cuidado de fechar a porta com chave.
– Porque fechou a porta? – perguntou Afrodite com uma inocência fingida.
– Bem, pensei em... comemorarmos sua inserção em minha família. – respondeu Shura com um olhar felino.
Afrodite riu, do jeito que Shura amava ouvir, então se aproximou e tomou o rosto do espanhol nas mãos beijando-o, lenta e provocativamente... O beijo se prolongou e se tornou mais intenso, fazendo com que as mãos de ambos deslizassem pelos corpos, transformando-os em mapas prontos a serem explorados...
Botões foram abertos, peças de roupa acabaram no chão. A mesa, antes abarrotada de papéis agora recebia o corpo sedento de Afrodite que gemia com a penetração da língua de Shura entre seus lábios e com o deslize lento e sensual para o interior de sua boca.
Quando Shura pressionou o corpo forte sobre o seu, Afrodite sorriu em meio aos ofegos que escapavam de seus lábios. O aroma dos cabelos revoltos e da pele dele penetrou em suas narinas e o fez beijá-lo, novamente, enquanto Shura guiava seu membro para dentro de seu corpo.
O falo rijo e poderoso penetrou-o lenta e profundamente, assim como os beijos que trocavam. Em meio aos movimentos, Shura abraçou Afrodite e os cabelos loiros e negros se entrelaçaram como em um redemoinho erótico.
– Eu te amo... Afrodite... Nunca duvide disso. – sussurrou Shura com uma voz abafada e rouca.
– Também... o amo... muito. – disse Afrodite mexendo os quadris, desejando ser penetrado com mais força.
Shura segurou-o com as mãos fortes, deslizando-as pelas costas e quadris enquanto o puxava mais para si e enterrava-se dentro do corpo ávido. Um fluxo de prazer irradiou dentro de Afrodite quando o espanhol intensificou os movimentos e tocou-o naquele ponto que o fazia ver pontinhos brilhantes que se assemelhavam a estrelas.
Os tremores iniciaram, avisando-os que o clímax estava próximo. Afrodite sentiu mais prazer em ver a expressão transtornada de Shura e saboreou a sensação da mesa sob a pele nua de suas nádegas. Abriu mais as pernas e os movimentos dele fizeram os olhos de Shura escurecerem ainda mais.
O espanhol o segurou tremendo, pressionando seus quadris firmemente com suas grandes mãos. Seus dedos estavam espalmados totalmente sobre a pele de Afrodite e seus olhos se fecharam quando o ritmo aumentou e, numa última estocada, ele derramou-se dentro do corpo do amante. Um grito de puro prazer escapou de seus lábios e, junto com ele, Afrodite também gozou, gemendo alto e fincando as unhas nas costas largas e suadas de Shura.
A luz dourada da tarde entrava pela janela sendo filtrada pelas cortinas claras e transparentes, enquanto os dois ficaram abraçados, arfando e sorrindo em meio aos papéis e a bagunça das roupas embaralhadas ao chão.
Enquanto isso, lá fora, Orfeu tocava mais uma música em homenagem ao amor...
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O mês de maio encontrava o pequeno jardim que Claire iniciara e fazia desabrochar pequeninas flores que se misturavam à fragrância das macieiras, perfumando o ar ainda frio. Nesta época, Winchester tornava-se ainda mais bela, exalando um clima de recomeço...
Hyoga estava sorridente e, enquanto Shun escovava os cavalos, ele acertava todos os detalhes de seu plano arrojado. A ideia dele era promover uma corrida aberta de cavalos para arrecadar fundos necessários à expansão da fábrica. Tinha visto uma, nos jornais que vinham de Londres, e uma luzinha aliada ao fato de Camus possuir cavalos de raça, o fez pensar em promover o evento.
Seria algo simples, cada participante apostaria uma quantia inicial de mil libras e os respectivos certificados de propriedade dos cavalos que iriam correr. O vencedor levaria todo o dinheiro e ainda ficaria com os cavalos. Era uma aposta arriscada e excitante. E, por isso mesmo, atraente para os nobres de Londres que criavam cavalos puro sangue e acreditavam levar vantagem dos “caipiras”...
– Falou com Camus sobre isso? – perguntou Shun.
– Claro que não. Vai ser surpresa. É uma maneira de eu pagar o prejuízo que ele teve com o incêndio.
– Mas, e se... eu perder?
– Você não vai perder! A maioria dos puros-sangues já tem mais de dez anos e os nossos são adultos jovens que correm como o vento. A mãe do potro que eu ganhei tem cinco anos e meio, gosta de correr e atinge uma velocidade impressionante quando você a monta. Eu vi.
– Eu sei, mas... sei lá, Hyoga, é muito arriscado. E se a gente perdê-la?
– Bem, eu sei que isso não vai acontecer, mas... se perdermos, devolvo o potro que ganhei e fica tudo resolvido!
– Você faz tudo parecer tão simples!
– Mas, é simples. Só precisamos ter o cuidado de fazer tudo isso sem alertar Camus. Por isso, depois de conversar com a tia Claire, escrevi ao senhor Milo, contei o plano e a corrida será em Londres.
– Em Londres? Mas como vamos viajar sem levantar suspeitas?
– Já pensei nisso. O senhor Milo vai convidar-me para ir à Londres conhecer o seu empreendimento e uma escola que Camus quer que eu frequente. Enquanto isso, você e o cavalo embarcarão sem que ninguém saiba. Está tudo arranjado.
Shun ficou sério de repente. Sabia que Camus desejava que Hyoga estudasse fora e isso significaria que ficaram afastados. Mas, mesmo assim, não queria ser um entrave na vida de Hyoga e fingia que tudo estava bem. Porém, ao ouvi-lo falar sobre a escola, sentia um aperto na garganta e uma opressão no peito que ficava difícil disfarçar.
Hyoga notou o desconforto de Shun e aproximou-se dele, ainda mais.
– Não faça essa cara. Sabe que eu não vou estudar fora, vou ficar aqui. – disse Hyoga beijando Shun nos lábios.
– Eu sei que é egoísmo e que não devo me sentir assim... Você merece esta oportunidade. Camus tem razão.
– Esse dinheiro que vamos ganhar vai servir para duas coisas: primeira, ajudar na ampliação e reconstrução da fábrica. Segunda, ser guardado em um fundo de poupança que me dará liberdade de fazer o que eu quiser.
– Hyoga... você sabe que pode ir mais longe. Eu sou apenas um cavalariço, alguém que desde cedo só aprendeu a tratar de cavalos! Que futuro terá ao meu lado? Nenhum!
– Eu te amo, Shun. E nada vai mudar isso. Não vou ficar longe de você e não vai ser Camus ou tia Claire, que me obrigará a fazê-lo.
– Não, Hyoga... Você precisa ir. Como espera herdar isso tudo sem preparar-se? – falou Shun olhando em volta.
– Vamos parar com isso, está bem? Por enquanto, vamos nos preocupar com a corrida. O futuro pertence a Deus, como dizem os mais velhos!
O entardecer cedeu à noite e, Camus continuava analisando as contas e toda a situação da fábrica. Tinha uma ideia que ainda não compartilhara com ninguém e que consistia em abrir uma filial em Londres. Abriria mão da tranquilidade de Winchester para ficar perto de Milo.
Tinha decidido fazê-lo como uma grande prova de amor e respeito pelo homem que Milo tinha se tornado. Não era viável querer que o grego abandonasse tudo e fosse para Winchester, logo agora que os negócios dele prosperavam vertiginosamente. Aliás, Milo tinha um talento nato como um empreendedor e sabia escolher as pessoas certas para as funções de seu estabelecimento.
Era delicioso saber que tinha parte neste desabrochar de Milo e faria tudo para que o grego continuasse a ter sucesso.
A luz fraca da lamparina fez os olhos de Camus arder, mas ele continuou a ler contratos e faturas até que sua mãe chamou-o para jantar.
– Onde está Hyoga? Não o vi hoje? – perguntou Camus olhando para o lugar vago à mesa.
– Ah, meu filho... esqueci de dizer-lhe que o senhor Milo convidou Hyoga para conhecer seu estabelecimento e uma escola para rapazes que você achou interessante quando esteve em Londres. Ele enviou uma carta para você, explicando tudo.
– Deixe-me ver a carta. – disse Camus interrompendo seu jantar.
– Calma, meu filho... terá todo o tempo para lê-la. Agora coma. – disse Claire voltando ao rosbife em seu prato.
– Porque eu sou sempre o último a tomar conhecimento das coisas, aqui em casa?
– Porque... porque... porque você é um homem ocupado e tanto eu, quanto Hyoga não queremos que fique preocupado com esses detalhes. Você irá a Londres em breve, não é mesmo?
– Tenho alguns planos.
– Então, atenha-se aos seus planos e deixe Hyoga comigo e com o senhor Milo.
– Você continua chamando Milo de senhor.
– É o hábito.
Camus sorriu. Era bom poder falar com sua mãe sem reservas ou máscaras. Ao mesmo tempo, pensava em como dar a notícia que se mudaria para Londres e a deixaria como senhora da casa e dos negócios em Winchester.
– E Camus? Quando é que você vai se mudar? – perguntou Claire com um tom neutro.
O sorriso morreu e Camus quase se engasgou com um pedaço de rosbife, enquanto Claire levava o garfo à boca com uma postura impecável e expressão tranquila.
– O... que disse, mãe?
– Perguntei quando vai se mudar para Londres e morar com o senhor Milo.
– C-Como sabe que eu...
– Ora, meu filho! Será que tenho de repetir sempre a mesma ladainha? — disse Claire revirando os olhos.
– Eu sei que a senhora não é tola, nem santa, nem cega. Mas, como descobriu meus planos de ir morar em Londres se até agora não há nada de concreto? Ainda estou analisando os custos e a viabilidade de abrir uma filial da fábrica lá.
– Não sabia... até agora. Nada como fazer as perguntas certas. Eu faria sucesso como detetive ou espiã. – disse Claire com um sorriso de triunfo.
– Eu devia saber que a senhora está sempre um passo à minha frente.
– Mas é claro! Quando os filhos vêm com a farinha, os ovos e a manteiga, as mães já vêm com o bolo pronto!
– Sábio ditado. Mas, agora, diga-me o que vamos fazer com Hyoga?
– Quer um conselho, meu filho? Deixe que ele o surpreenda. Hyoga é um rapaz inteligente e voluntarioso. Dê um voto de confiança a ele e não vai se arrepender.
Com um movimento de cabeça e, certa desconfiança, Camus concordou com sua mãe e então, pediu licença e levantou-se da mesa. Ainda havia muito a ser feito e ele queria terminar logo as suas análises para, finalmente, estar com Milo.
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Olhando para Aldebaran, Milo sorriu ao vê-lo ouvir as queixas de uma senhora que desejava um tratamento especial por sua idade avançada, mesmo antes do café abrir. Era estranho ver um homem grande como ele agir de forma gentil e suave, mas assim era Aldebaran e colocá-lo como gerente do café havia sido uma escolha acertada. Todos o adoravam e respeitavam. Os mais afoitos eram surpreendidos pela presença física marcante. Os mais tímidos sentiam-se protegidos. Tudo corria perfeitamente.
Na seleção dos cardápios e gerenciamento dos garçons e garçonetes, Mu tornara-se a opção perfeita. Gracioso, elegante e conhecedor da natureza humana, organizava tudo com uma estética impecável. No mês em que tinha sido integrado ao quadro de funcionários, trouxera qualidade e funcionalidade aos serviços oferecidos.
Trabalhar com os dois dera a Milo a oportunidade de descansar um pouco e viajar em alguns fins de semana para Winchester. Tanto ele, quanto Camus organizavam seus trabalhos para poder se encontrar e ficar um tempo juntos. Porém, o grego queria mais. Mais tempo, mais intimidade.
Talvez, se abrisse um pequeno café em Winchester e deixasse Aldebaran e Mu tomando conta do estabelecimento original... O pensamento ia e vinha em sua mente.
Camus havia dito que já tinha tudo planejado, mas continuavam na mesma situação há seis meses e isso já estava ficando cansativo. Sabia que o francês tinha as melhores intenções, mas... ele era lento demais! Era hora de agir, mas antes, tinha que dar seguimento ao plano de Hyoga.
– Milo, teremos que redobrar os pedidos de condimentos e massas. Muitas pessoas estão querendo levar as tortas e biscoitos, servidos aqui, para casa. Mu criou uma embalagem prática que permite isso e assim, mesmo quem não consegue um lugar no café, pode deliciar-se em casa. – falou Aldebaran retirando Milo de seus pensamentos.
– Perfeito, meu amigo. Encarregue-se disso, está bem? Preciso resolver alguns assuntos. – respondeu Milo.
Aldebaran sorriu e foi cuidar dos pedidos, enquanto Milo vestia um sobretudo negro e ia até Ascot cuidar de assuntos bastante importantes para o futuro de um certo garoto...
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O hipódromo de Ascot fervilhava em agitação e expectativa. A corrida proposta por um jovem do interior e referendada pelo nobre mais famoso do momento, tornara-se a sensação da temporada. Uma verdadeira multidão apinhava o local, desde cedo.
Sob o sol forte e céu limpo, inúmeros piqueniques estavam acontecendo, famílias conversando, aromas variados de comida pairando no ar... Havia também uma música alegre vinda de um pequeno grupo que se misturava à cacofonia das vozes.
As arquibancadas logo ficaram repletas de gente e, um mar de sombrinhas multicoloridas das damas, somava-se a empolgação dos homens que, além de terem apostado na banca de apostas, ainda discutiam sobre a coragem de um jovem caipira vir desafiar os puros sangues da cidade, tendo como patrocinador, um conde que revolucionara Londres.
Nos minutos que antecediam a largada, Shun posicionava-se com Rouge ao lado dos demais competidores. No momento da aparição da égua, em tons avermelhados, a multidão aclamou entusiasmada, a maioria, operários torcendo pelo cavalo que vinha de Winchester.
O jovem cavalariço lançou um último olhar para as elegantes carruagens que se enfileiravam próximas ao gradil num largo caminho entre as arquibancadas laterais e a pista de corrida. O povo e a elite achavam-se ali em peso e a constatação da realidade de estar ali fez seu estômago se contrair.
Olhando para cima, Shun viu Hyoga agitando um lenço vermelho com Milo ao seu lado. Por um instante, ele sorriu nervoso, acenou para os dois e tratou de afastar os pensamentos negativos. Venceria por Hyoga, aquele que amava mais que tudo.
Mais uma vez olhou para os competidores. Eram em um número maior que ele imaginava, quinze ao todo. Milo o havia instruído sobre cada participante que, em sua maioria, eram jóqueis experientes. Também o alertara para ter cuidado com o ardiloso Zelos, que tinha uma cara de sapo e fazia questão de vencer sempre. Era somente com ele que devia se preocupar, pois o jóquei montava uma égua árabe malhada que ainda não perdera nenhuma competição.
Como se o tempo tivesse ficado em suspenso, um súbito silêncio reinou no hipódromo. Shun afagou o pescoço da agitada Rouge e sussurrou-lhe algo ao ouvido, tentando acalmar a ambos. Seu próprio coração pulsava com violência.
O disparo de uma pistola anunciou a largada. A multidão voltou a se manifestar no momento em que os cavalos começaram a correr, cada apostador incentivando o seu.
Hyoga ficou em pé e Milo também. Nenhum dos dois notou a presença de certo ruivo logo atrás deles e ele também não fez questão de revelar sua presença.
Shun olhou para frente e viu a égua malhada ganhando rapidamente a liderança. Os demais corredores haviam ficado bem atrás, lutando na pista pela terceira posição... e ele se achava ali, bem no meio deles!
A corrida seria de duas voltas pelo circuito de um quilômetro e meio. E foi nessas exatas posições que os competidores venceram a primeira volta.
Aos poucos, Rouge foi deixando o grupo para trás. Mas ainda se achava a uma grande distância do líder. E ainda assim, Shun não a estava pressionando mesmo que ouvisse os gritos de incentivo vindos das arquibancadas. Ele tinha uma interação com o animal e sabia quando pedir à égua que forçasse mais... Já conhecia como era todo o processo e também o momento certo que o animal esperava para ser exigido.
Estranhamente, todo o nervosismo se evaporou e Shun começou a se aproximar do líder. Ele viu Zelos virar a cabeça para trás e esporear o animal para que corresse mais.
O público foi ao delírio. Uma onda de vozes e corpos se contorcendo para ver melhor formou uma onda nas arquibancadas e camarotes.
Enfim, chegara o momento e Rouge não decepcionou Shun. O aumento abrupto da velocidade parecia algo impossível e logo ela estava lado a lado com a égua malhada de Zelos.
Inconformado, o jóquei mais experiente fez seu cavalo diminuir um pouco e moveu-o para o lado, bloqueando a passagem de Rouge. O truque sujo arrancou vaias do público, mas mesmo assim, Shun conseguiu se manter.
A linha de chegada estava cada vez mais próxima, o público vibrando e Rouge mais uma vez emparelhando com a égua malhada. Zelos olhou para o lado e ficou perplexo. Seus olhos se arregalaram em instantâneo reconhecimento da derrota e, em seguida, numa terrível expressão de ódio.
– Não pense que vai me superar, caipira! – gritou ele desfechando um golpe no rosto de Shun com seu açoite.
Um jorro de sangue cegou Shun. Seu grito de dor e a contração de seu corpo foram como um impulso nas patas e coração de Rouge. Num último e grandioso esforço, a égua deu tudo de si, enquanto Zelos praguejava e impiedosamente fustigava o seu animal com o açoite, mas acabando bem atrás.
Nada podia deter Rouge. Com elegância, a égua cruzou a linha de chegada sob aplausos e gritos de alegria, mas também de preocupação. Todos queriam se aproximar e foram pulando as cercas, invadindo a pista e formando um denso aglomerado.
Homens, mulheres e crianças ansiavam chegar perto da heroica égua e seu corajoso cavalariço. Em vão, Hyoga e Milo tentavam abrir caminho através da multidão, até que de repente, ouviu-se o disparo de uma pistola.
– Saiam todos da frente!
Enquanto uma passagem se abria instantaneamente entre as pessoas em resposta à ordem esbravejada, um homem alto e ruivo surgiu e juntou-se a Milo e Hyoga que o olharam perplexos.
– Camus! – disseram os dois, ao mesmo tempo.
– Depois ouvirei as suas explicações quanto a isso. Agora vamos ver o Shun. – falou Camus, com sua seriedade habitual e desfazendo-se da arma que tomara emprestado de um conhecido vindo de Winchester para assistir à corrida.
Embora exausta pela corrida, Rouge relinchava e pinoteava furiosa na direção da multidão tentando proteger o jovem caído ao seu lado.
– Calma, Rouge...Calma, menina... – dizia Camus enquanto se aproximava de Shun que já fazia menção de levantar-se.
– Shun! – gritou Hyoga ignorando o resto e correndo para ajudar seu amado.
Shun não tinha nenhum ferimento mais grave. Apenas um vergão avermelhado que lhe atravessava os olhos e o nariz delicado. Os cavalariços lhe trouxeram água e, com gentileza, Hyoga limpou o sangue do rosto dele.
– Ganhamos... — murmurou Shun, fazendo uma débil tentativa de se levantar.
– Sim, ganhamos! Graças a você!- disse Hyoga com lágrimas nos olhos.
– Não... graças a Rouge. Ela foi fantástica! – falou Shun sorrindo em meio à dor latejante no rosto.
– Bem, agora vamos ver um médico, enquanto alguém me explica que ideia foi essa de promover uma corrida de cavalos. – disse Camus.
Os quatro deixaram o hipódromo sob aplausos e uma chuva de papel picado. Zelos foi encontrado, multado e proibido de voltar a correr. E quando pensava sair de fininho, encontrou Milo esperando-o na saída das baias. Um soco potente acertou-o, em cheio, o queixo miúdo, fazendo-o aterrissar nas palhas e nas fezes dos cavalos.
– Isso ainda é pouco, seu patife! Vou ter o prazer de espalhar por toda a Londres e fora dela que você é um sujeitinho miserável e trapaceiro! Terá sorte se encontrar trabalho nas minas de carvão! – gritou Milo esfregando o punho, enquanto Zelos permanecia caído e estonteado em meio à sujeira.
Logo, Shun estava sendo levado até a casa de Milo e tratado por um dos melhores médicos de Londres.
– Use esse unguento e o rapazinho não terá cicatrizes. Também deixe com que faça repouso e não se exponha ao sol. – disse o médico.
Hyoga contraiu o semblante ao ver o vergão avermelhado atravessando as pálpebras de Shun. Com extrema gentileza, afastou-lhe uma mecha do cabelo sedoso e contemplou o rosto angelical por longos momentos. Shun agora dormia, extenuado pelo esforço e pelo ferimento. Hyoga beijou-o nos lábios e deixou o quarto para falar com Camus.
Em seu íntimo, a alegria e tristeza disputavam um lugar em seu coração. Parecia que nada, em sua vida, podia ser simples. Havia sempre uma pitada trágica para temperar seus momentos de felicidade.
Camus esperava na sala decorada com requinte, mas ainda assim simples. Milo estava servindo um cálice de vinho do Porto e parecia calmo, o que deixou Hyoga menos aflito. Quando ele entrou, Camus estendeu uma pasta em sua direção e fitou-o sério, mas não severamente.
– Aqui estão. Certificados dos cavalos e cheques ao portador. Está de posse de uma pequena fortuna, Hyoga. Creio que seu futuro já está assegurado. E... o de Shun, também. – disse o ruivo.
O semblante de Hyoga se iluminou e ele quase não acreditou na soma que estava documentada naqueles papéis.
– Puxa! Tudo isso... Dá prá expandir a fábrica e ainda sobra. – disse o jovem com o rosto corado.
– O dinheiro é seu, assim como os animais. Pode iniciar seu próprio negócio, assim como financiar seus estudos e também os de Shun, se ele assim o desejar.
– Está dizendo que não quer aceitar a minha contribuição pelos prejuízos causados no incêndio? Mas... eu fiz tudo isso para ajudá-lo, Camus.
– Eu sei... mas me ajudará muito mais, sendo feliz e independente. Tem ideias surpreendentes, Hyoga, e creio que já é hora de deixá-lo viver a sua vida como bem lhe aprouver. Já se tornou um homem e o respeito, por isso. – disse Camus estendendo a mão para Hyoga. Ambos apertaram as mãos e se abraçaram sob o olhar afetuoso de Milo.
Quando Camus chamou o grego para uma conversa, Milo sentiu-se congelando por inteiro, a despeito do calor da lareira que trepidava e tornava o ambiente aconchegante. Tinha decidido deixar os negócios e ir morar com ele em Winchester, mas temia que Camus deixasse de sentir orgulho de seu trabalho. Olhou-o bem dentro dos olhos, tomando coragem para falar quando viu um brilho estranho e alegre, nos olhos do francês, que não soube definir. Então veio a frase que fez seu coração disparar, quase de imediato:
– Estou me mudando para Londres em dois meses. Abrirei uma filial da fábrica em Surrey um bairro próximo a um certo café onde poderei relaxar quando as atividades comerciais se tornarem extenuantes. Dizem que o Café do Conde faz maravilhas e, como conheço o dono muito bem, creio que terei um tratamento especial... – disse Camus com aquele meio sorriso que Milo adorava ver nos lábios finos.
Os olhos azuis de Milo cintilaram de contentamento e Camus sorria, também.
– Não posso ficar longe de você, Milo. Quero amanhecer ao seu lado. Quero você em minha vida... sempre! – sussurrou ele com uma voz rouca, beijando a boca carnuda de Milo e abraçando-o cada vez mais apertado e forte.
Milo correspondeu ao beijo sentindo-se feliz e em paz. Camus o amava e estava ali por ele. Não havia alegria maior, nem nada que se comparasse ao sentimento que os unia. Não havia mais nada oculto ou proibido... Havia, apenas e simplesmente, amor!
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Seis meses depois, Londres fervilhava com a estreia de uma nova peça de teatro escrita por um jovem talentoso de origem desconhecida. Camus e Milo desceram da carruagem com Claire, Hyoga e Shun.
Aldebaran e Mu partilhavam da mesma carruagem que June e seu esposo, Shiryu que, finalmente, participava de alguns eventos na Corte.
Claire sorria, feliz de estar em meio a tanta gente e desfrutar da agitação londrina. O movimento era grande e toda a sociedade parecia ter se encontrado ali.
No saguão, enquanto os camarotes não eram ocupados, todos conversavam e até trocavam impressões sobre negócios. O café do Conde continuava sendo um sucesso, principalmente após a ideia revolucionária da comida para levar e sempre que Milo chegava a um lugar, era assediado para falar sobre suas últimas ações.
A fábrica de tecidos de Camus prosperava e também atraía investidores que agora disputavam um horário para falar de compra de ações ou possibilidade de exportação. Porém, naquele momento, Camus apenas usufruía da companhia dos amigos e sentia-se, plenamente, à vontade em meio ao burburinho. Quem diria... Disse para si mesmo, enquanto tocava, discretamente, na mão do grego.
As cortinas se abriram e a primeira cena já arrancou risos da plateia. Nobres e operários brincavam de roda em meio à fumaça e fuligem das fábricas. Aos poucos, a realidade de cada um foi sendo mostrada através de pantomimas e o cenário mudou. Já não se falava ou mostrava o mundo dos negócios e tudo girava em nome do amor.
Amor sublime, amor sexual, amor fraterno... Todos os tipos de amor foram mostrados de forma sutil, mas ao mesmo tempo, intensa. Por vezes arrancava risos, por vezes trazia lágrimas aos olhos. Porém, a mensagem era clara e instigante: Até onde podemos ir por amor?
Em um camarote luxuoso e reservado, Fúlvia estava sentada ao lado de Saga e Kanon, ambos impecáveis em ternos escuros. Ela sorriu e apertou a mão do marido dizendo:
– Bem, espero que a peça abra a mente das pessoas! Tem muito da realidade, ali...
– É... esperemos que uma nova era seja inaugurada e, mais importante, entendida. – respondeu Saga. – Estamos em plena Revolução Industrial, mas, em termos de relações... ainda falta muito! – completou beijando a mão da esposa.
– Talvez seja cedo demais... Quem sabe mais adiante? – falou Kanon.
Os três se viraram para o palco quando uma cena mostrou um triângulo amoroso em total harmonia.
– Ninguém me pareceu ofendido com a cena. – Fúlvia suspirou feliz.
Kanon revirou os olhos.
– Claro, todos pensam que é uma ficção. – disse o gêmeo mais novo rindo.
– Pode ser, mas garanto que tem muitos que vivem esse tipo de relação, mas se recusam a assumir todas as possibilidades do amor. – disse Saga. – O que não é o nosso caso... – completou buscando os lábios da esposa para beijar, enquanto acariciava, discreto e malicioso, o membro do irmão.
– Realmente... não é o nosso caso. – disse Kanon gemendo baixo.
Fúlvia sorriu e tomou a mão de cada um deles e colocou-as sobre o seu ventre protuberante.
– Comportem-se, rapazes... temos que ter modos em público. – disse ela sorrindo com malícia.
Saga e Kanon sorriram e fecharam, por um instante, a cortina do camarote. Enlevados pelo espetáculo, ninguém, além de Afrodite percebeu o ato do trio. Antes de fechar a cortina, Saga olhou na direção do loiro e piscou, fazendo-o franzir o cenho e depois sorrir.
Houve um instante de reconhecimento entre os dois e a certeza que a vida real era ainda mais instigante que a ficção fez o autor desconhecido sorrir. Ainda sorrindo, Afrodite tomou a mão de Shura entre as suas e continuou a assistir a peça que escrevera.
Afinal, ali estava um pouco da história de todo o ser humano que possui amores possíveis, emoções à flor da pele e... desejos, deliciosamente, puros, pervertidos ou... ocultos!
FIM!
Notas finais
Mecenas= patrocinadores das artes
Quando me cadastrei no Nyah, não pensava que, além do benefício emocional de escrever e exorcizar as minhas viagens, eu encontraria pessoas tão especiais. Mas, a vida sempre surpreende a gente e eu sou muito grata por tê-las como amigas: Chakal_Maldito, Sion Neblina, Whit, Kassiminha, Mel Dark, Yukito,Keronekoi, Marciabs, Chidori, Yuulla,Ddkarolina,Gabivet2011, Jcosta,Jullylove, Su Cabral,Vêh Kant, Perséfone_san e todas que passaram por aqui e deixaram sua marca, seja visível ou invisível! Minha reverência a todas vocês, amigas do coração!!!XD
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