Desejos Ocultos

14 Capítulo 14 A TEIA...


Notas iniciais
Oi, pessoal!!! Mais um capítulo saindo. A fic já começa a se encaminhar para a finalização... Espero que gostem! Bjs e boa semana!

Com o corpo e a mente ainda sob a energia estafante das más notícias, Shura só percebeu que estava em frente à mansão de Afrodite quando deparou-se com as janelas amplas e altas que ainda se mantinham abertas, mesmo àquela hora.


Fechou os olhos lembrando-se do calor extasiante do corpo do homem que amava e teve o ímpeto de bater, porém, não queria contaminá-lo com o seu cansaço. Inspirou fundo, abriu os olhos e preparava-se para seguir em frente quando, algo macio chocou-se em suas costas e ele olhou para trás, verificando que o objeto era nada mais que um... chinelo!


– Ora, mas que coincidência, senhor Shura... Ia passar pela minha casa sem dignar-se a cumprimentar-me? – disse uma voz vinda de trás de uma bela e enorme roseira vermelha cujas flores exalavam um aroma contagiante, mesmo à noite.


– Boa noite, senhor Afrodite. Não pensei que cuidasse de seu jardim à noite e nem que estivesse de pé, há esta hora. – respondeu Shura abaixando-se para pegar o chinelo. – E nem que praticasse o esporte de lançar objetos em quem passa diante da sua casa.


– A noite é minha segunda paixão e gosto quando o orvalho se deposita sobre as rosas. Deixa-as misteriosas e ainda mais perfumadas... E, quanto ao chinelo, foi... um acidente. Elevei o pé para livrar-me de um inseto e sem querer... atingi-o, só isso. – respondeu Afrodite.


– Oh! O aroma das flores acrescido da força que possuem seus pés... Uma excêntrica combinação ou será... uma deliciosa conspiração do Universo para que eu pudesse vê-lo e usufruir da sua companhia? – disse Shura aproximando-se e tomando a mão de Afrodite na sua.


– Está cansado e, pela sua expressão, teve um dia péssimo. Entretanto, continua espirituoso e galante, como sempre. Venha, vamos beber e comer alguma coisa. Também deve estar em jejum, se bem o conheço. – falou Afrodite sorrindo e tocando de leve o rosto de Shura.


– Conhece-me muito bem, senhor Afrodite. – respondeu Shura, aproximando o rosto para beijá-lo.


Afrodite sorriu. Sim, era hábil em decifrar as emoções e as intenções ocultas das pessoas, porém Shura o surpreendia a cada ato e palavra. Podia-se dizer que o espanhol era tão franco e tão direto que se tornava difícil lidar com estas qualidades quase inexistentes no ambiente da corte.


O espanhol transformara-se em sua primeira experiência de amor que se baseava em respeito e consideração. Às vezes, temia que tudo não passasse de um sonho, como uma miragem no deserto que se desvaneceria assim que ele retornasse ao seu mundo de nobreza e frivolidades.


Porém, quando Shura o tomava nos braços como agora, tudo o mais ficava em segundo plano, ele se imbuia da certeza de amar aquele homem como jamais havia amado outro e sentia-se mais forte e pleno do que já se sentira...


Piscou, lentamente, os olhos e entreabriu os lábios, desejoso de sentir o calor e a maciez daquela língua provocativa. Shura provava, explorava e arrancava arrepios de seu corpo, sempre! Todas as vezes que era tocado pelo espanhol era como se fosse a primeira vez...


Ergueu as mãos e enterrou os dedos nos cabelos negros. Puxou-o mais para perto para que pudesse fazer a sua própria exploração dentro dos deliciosos vales e cavernas daquela boca.


Shura correspondeu com o mesmo ardor, agarrando-se a Afrodite, buscando mais contato com o corpo rijo e, ao mesmo tempo, delicado. Cada vez que o tinha em seus braços ansiava por sentir os músculos, as veias, os ossos de Afrodite em seu próprio corpo. Sentiu a língua dele na sua e, de imediato, sua ereção despontou fazendo Afrodite gemer ao sentir o volume grande e rijo contra suas coxas e levar a mão ao membro, fazendo-a deslizar lentamente para cima e para baixo.


Com um gemido sufocado, Shura afastou-se e Afrodite surpreendeu-se.


– Não... Não faça isso. Se continuar, a única coisa que desejarei é tomá-lo em meus braços e amá-lo até a exaustão.


– E o que tem de errado nisso?


Shura ficou imóvel, encarando-o com o olhar inflamado de desejo, mas também havia uma névoa de tristeza e tensão.


– Nada. Apenas não quero descarregar em você toda a minha raiva e frustração. Tem coisas... coisas que não sabe sobre mim. Coisas que descobri e que, em absoluto me agradam!


– Coisas como... ser neto de um duque?


Shura arregalou os olhos e sentiu um repentino calor nas faces. Seu corpo voltou a retesar-se.


– M-Mas... como? Como soube se... até mesmo eu só descobri recentemente?


– Já notou como as gotas de orvalho permanecem ligadas às teias de aranha? Parecem cristais de luz ou diamantes compondo um belo colar... Mas, no final, é apenas água, assim como a teia, é apenas teia. Porém, o espetáculo aos olhos se eterniza em nossa mente e nos faz perceber a beleza, apesar da ilusão.


– Afrodite... não brinque comigo. Como soube?


– Eu sou como uma teia... atraio informações. Não há nada na corte que escape ao meu conhecimento, desde o último caso de uma senhora respeitável, até a chegada de um nobre espanhol. As informações chegam até mim como gotas de orvalho... sejam como um favor, uma intriga ou entretenimento. Don Geronimo buscou informações sobre mim e, em contrapartida, eu soube sobre ele. Mas, como bem o conheço, senhor Shura, sei que descobrir-se um nobre em nada modifica esse seu comportamento orgulhoso e adorável, nem que usará o título para reaver o que é seu por direito... Estou certo?


– Está. – disse Shura sentindo certo alívio.


– Então, meu amado... deixe os problemas de lado, por alguns instantes e me ame, como jamais outro homem foi capaz. – disse com um sorriso capaz de fazer sucumbir o mais forte dos propósitos.

Muitos homens partilharam minha cama com sentimentos torpes e atitudes vis. Mas, você não... Você ensinou-me o verdadeiro significado de fazer amor... Pensou Afrodite, enquanto estendia a mão na direção do amante.


Os olhos de Shura, apesar do cansaço, se iluminaram. Com um sorriso largo, ele tirou a casaca e puxou o nó da gravata.


– Então, venha cá!


Afrodite riu, deixando cair o roupão, revelando estar completamente nu. A pele perfumada e alva, rivalizando com o espetáculo branco e vermelho das rosas que tomavam por completo o belo jardim... Depois correu para dentro dos jardins, onde entrou em uma espécie de estufa com rosas de diversas tonalidades e perfumes.


Shura correu atrás e ao alcançá-lo, apanhou-o pela cintura, beijando-o suavemente com toques leves e provocantes como o roçar das pétalas de uma rosa. Beijou-o nos lábios, queixo e faces. Afrodite murmurou um protesto, desejando mais e ele obedeceu, traçando-lhe o contorno da boca com os dentes e a língua. Então, o espanhol apertou-o contra o corpo e sua ereção, novamente, comprimiu-se às coxas luxuriantes de Afrodite que correspondeu esfregando-se nele, levando sua língua ávida a adentrar ainda mais a boca do espanhol.


Quando sentiu o amante quase em desespero, Afrodite sorriu com os olhos azuis febris, a luxúria transformando o azul em uma cor ardente...


E como quem tem o poder de enfeitiçar, o belo nobre levou Shura pelas escadas que levavam para dentro da mansão e para o interior dos seus aposentos...


O quarto amplo já recebera vários amantes, todos ávidos em possuí-lo, em gozar dos prazeres que sabia oferecer tão bem... Entretanto, com Shura era diferente, ele o fazia vivenciar cada instante com intensidade e sem pressa.


O espanhol era terrivelmente sensual e, ao mesmo tempo terno e atencioso. Seu corpo parecia ter o gosto e o cheiro do sol... Se, o sol, tivesse cheiro e gosto.


Ofegante, Afrodite o tinha arrastado para a sua cama e agora lutava contra os botões da braguilha. Shura tomou-lhe a mão e colocou a palma contra o membro, fazendo-o sentir a rigidez extrema e fazendo-a deslizar por toda a extensão.


– A-Afrodite... – gaguejou, quase em um gemido. Então, para surpresa do jovem nobre, beijou-lhe os dedos e se afastou. – Ainda não...


– Ainda não? – repetiu Afrodite.


– Não...


Afrodite engoliu em seco, quando Shura o agarrou pelos cabelos e o beijou, quase que o engolindo. Seus olhos se abriram, sem querer, e Shura também descerrou os seus profundos olhos negros e fitou-o diretamente, como se o estivesse penetrando com o olhar... Depois, fechou-os e moveu os lábios devagar, mordiscando sua boca num lentidão excitante que o arrepiou dos pés à cabeça...


Quando separou a boca da de Afrodite, Shura o fez deitar-se na cama encimada por um dossel de seda azul com debruns dourados. O farfalhar suave dos lençóis de seda e o perfume da pele de Afrodite uniram-se para deixar Shura ainda mais inebriado... Ele estancou e fitou o amante com tanto desejo que este parecia palpável em todos os espaços do quarto.


Apoiando-se no cotovelo, o loiro estendeu novamente a mão. Mas, antes que pudesse alcançar a abertura da calça, Shura segurou-o pelo pulso. Mais uma vez, espantado, Afrodite ficou imóvel e perplexo, observando enquanto o espanhol se inclinava e beijava-lhe a pele macia do pé.


Afrodite gemeu, a sensação ao mesmo tempo provocava-lhe cócegas e um intenso prazer. Todas as carícias que Shura provocava com o simples ato, intensificava o desejo que o tomava, enviando faíscas ardentes aos mamilos que intumesciam e ao ventre que se contraía. Então, ele levantou-lhe o pé e roçou a língua quente pela sola, em direção aos dedos, tomando o menor deles dentro da boca... E sugou-o enquanto levava a mão forte para a parte interior das coxas e acariciava-as num calculado erotismo...


Uma resposta imediata explodiu no corpo de Afrodite. Algo tão inédito quanto o ato do espanhol. Viu-se sem controle sobre seus próprios membros, o coração pulsava em toda a sua pele, a respiração tornava-se entrecortada... Jogou-se de costas contra os travesseiros, enquanto Shura seguia em lenta jornada, subindo pelo tornozelo, chegando à canela, a língua úmida deixando um rastro de prazer...


Gemendo, Afrodite estremecia a cada toque, enquanto Shura prosseguia sua perversa e excitante exploração, deixando o amante afogueado, imerso em uma torrente prazerosa, quase insuportável...


Quando sentiu que Afrodite estava totalmente em suas mãos, despiu a camisa, mostrando os ombros largos e a beleza do torso musculoso...


– Quero que saiba o quanto o desejo e amo... – passou a desabotoar a calça, enquanto Afrodite o contemplava tenso, quase suplicante.


Totalmente nu, ajoelhou-se na cama e puxou Afrodite para si. Possessivamente, a mão forte moldou o quadril estreito de Afrodite, enquanto a boca continuava sua exploração, agora sugando os mamilos, fazendo o amante inclinar a cabeça para trás e gemer deliciado enquanto a língua escaldante continuava atormentando-o...


– S-Shura... – gemeu Afrodite, quando ele sugou e mordeu-o na curva do pescoço, apertando-o contra seu corpo. O espanhol deitou-o na cama e se acomodou sobre o corpo alvo.


Afrodite sentiu o fogo ardente buscando o caminho entre suas coxas até a entrada estreita e receptiva onde Shura penetrou com profundidade e ardor. Os dois gemeram em uníssono quando o falo consumiu-se no interior daquele corpo perfeito e as respirações tornaram-se mais intensas...


Shura avançava e recuava dentro de Afrodite, possuindo-o, indo mais fundo, dilatando sua flor ardente numa invasão que ocupava todos os espaços do corpo e do coração...


Logo, os movimentos dos quadris se intensificaram e pequenos tremores cavalgaram os corpos, levando-os ao espasmo supremo do gozo. Afrodite gritou, dissolvendo-se no tórax forte e prendendo o doce invasor que vibrava poderoso...


Seu corpo tremeu e puxou-o mais para dentro de si e, neste instante, Shura derramou-se dentro dele, ambos vivenciando um orgasmo impetuoso e voraz entre gemidos altos e roucos...


Ofegante, Shura buscou a boca de Afrodite. Queria dizer algo, mas só o que pode fazer foi beijá-lo e ouvi-lo gemer entre o beijo, enquanto um fio de saliva escorria pelo canto da boca carnuda.


Quando o beijou, ainda se movia, esgotando cada gota de seu prazer nas profundezas do corpo que parecia devorá-lo... Então, fechou os olhos e abraçou-o, sentindo o coração tão disparado que mal podia respirar.


Vagarosamente, ambos voltaram à realidade... Abrindo os olhos, Shura roçou suavemente o rosto corado de Afrodite com seus lábios quentes, abrindo espaço naquele emaranhado de cabelos loiros até encontrar os olhos azuis, perdidos numa contemplação interna.


– Eu te amo, Afrodite... – ele sussurrou, ainda mantendo-o em seus braços.


Com um suspiro, Afrodite se aconchegou a ele, enterrando o rosto em seu peito.


– Também o amo, Shura... Nunca fui religioso, mas agora acredito que deva existir um Deus e ele enviou-me um dos seus anjos...


Shura riu. – Anjos não tem sexo...


– Mas esta é a parte que me faz acreditar em Deus, ele criou um único anjo e, perfeitamente lascivo, somente para mim!


Os dois gargalharam e Shura acariciou as costas de Afrodite até que ele adormecesse. Porém, antes de entregar-se nos braços de Morpheus, o jovem nobre sussurrou ao ouvido do amante:


– Além de descobrir que é neto de um nobre, também descobri coisas importantes sobre os seus negócios. Não se preocupe, vai reaver a pousada... Tenho um plano perfeito para que o faça.


– Ah, Afrodite... não quero que se preocupe com isso.


– Mas... meu plano... ele é perfeito....- sussurrou Afrodite com os olhos já se fechando.


– Eu sei... tudo em você é perfeito. Mas, agora, nada disso importa. Venha, fique mais perto de mim. – respondeu Shura apertando-o ainda mais contra o seu corpo.


E, quase sem se dar conta, o espanhol também se deixou arrebatar pelo sono, enquanto mantinha o amado aninhado em seus braços.



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Quando Camus despertou, surpreendeu-se com o movimento na casa. Os empregados corriam de um lado para o outro organizando louças, levando os tapetes para serem batidos ao sol, encaminhando os animais que seriam abatidos e teriam suas carnes preparadas para os assados.


Sorrindo como nunca fizera, olhou para o lado onde os lençóis amarfanhados mostravam onde Milo havia deitado. Haviam feito amor durante toda a noite e, mesmo que quisessem permanecer juntos, Milo se esgueirara até o quarto de hóspedes antes que a criadagem acordasse.


Embora ambos fossem adultos e Camus fosse o senhor da casa, concordaram que seria constrangedor se o vissem deixando o seu quarto, ainda mais com sua mãe sob o mesmo teto. Mas a ideia de compartilhar a mesma cama com ele aquecia seu coração e quase o fazia esquecer sua tão famosa cautela...


Lembrou-se da noite ardente e seu membro endureceu. Milo lhe oferecera uma explosão de êxtase com os dedos, a língua e o sexo. Mas, além disso, havia algo mais, uma emoção genuína e transbordante que só percebeu existir em si, após conhecê-lo.


Fechou os olhos e reviveu a cena, no corpo e no coração.


Milo olhava, profundamente, em seus olhos e retirava cada peça de roupa bem devagar, desnudando o corpo perfeito, fazendo sua ereção pulsar de forma enlouquecida.

“Mon Dieu, como aquele homem mexia com os seus instintos e com o seu coração de forma que já não sabia o limite de ambos...”

Nu, Milo virara de costas e se espreguiçara como um felino cheio de volúpia e manha...

Aquilo fora demais para si. As nádegas roliças pareceram chamá-lo e logo viu-se mordendo-as e lambendo-as com uma urgência primitiva, fazendo Milo gemer e sorrir de um jeito enlouquecedor...

Logo a seguir, puxara-o para a cama, trazendo-o para junto de seu corpo. Beijou-o com paixão e sugou-lhe a língua com uma volúpia extrema. Então o grego posicionou-se sobre o seu corpo e voltou a fixar os olhos nos seus...

“Quero você esta noite Camus... Fui seu, agora, quero que seja meu”. – sussurrou Milo, antes de abocanhar seu sexo inteiro de uma só vez.

Ainda sentia o calor da boca e a umidade da língua do grego em seu falo, os cabelos longos roçando em suas coxas, o prazer desmedido em sentir-se engolido daquele jeito, a naturalidade do amante em desvendar-lhe os segredos e prazeres do sexo como jamais vivenciara, nem mesmo com sua mulher...

–”M-Milo...” – gritou rouco quando sentiu seu corpo estremecer e seu sêmen jorrar dentro da boca do amante.

Sentindo um prazer estonteante, viu-o sorrir, novamente, e lamber os lábios, antes de subir devagar roçando os dentes na parte interna de suas coxas, fazendo-o perceber que, em uma parte desconhecida de sua mente, habitava uma criatura lasciva que fora despertada pela sensualidade extrema do grego.

Como se estivesse embriagado de prazer, gemeu e com as mãos ávidas puxou-o para si e ergueu os quadris, ofegando quando sentiu a deliciosa escalada dos dedos e da língua de Milo em sua entrada... A língua quente umedecia-o e os dedos o invadiam e tocavam em um ponto que o fez gritar de forma inarticulada e exibir uma nova ereção...

Sem que pudesse questionar-se, viu-se desejando a invasão e quando ela aconteceu, seu corpo exultou num combinado de prazer e dor... Milo olhou-o e começou a se mover num ritmo lento, a fricção sutil amplificando uma sensação interna que fazia todo o seu corpo ferver como se estivesse em meio às chamas...

“Logo ele que sempre fora tão frio entre os lençóis, agora se via ardendo e gemendo, mesmo que mordesse os lábios até fazer surgir o sangue para manter certo controle...”

Não havia jeito, seu corpo correspondia ao do grego com uma fome instintiva e sensual que parecia não ter fim. Seu desejo era como uma lava incandescente que irrompia de um vulcão sem que nada pudesse impedi-la!

Com a maestria de quem dominava a arte de amar, Milo colava-se ao seu corpo, masturbando-o com a mão forte e macia, beijando-o com aqueles lábios carnudos, fazendo-o reagir, loucamente, ao receber tanto estímulo, ao mesmo tempo.

Enterrou os dedos nas costas de Milo quando ele estocou tão fundo e rápido em um ponto dentro de si que o colocou no mesmo compasso arrebatado dos quadris do grego. Ouviu-o sussurrar entre dentes, “S’agapo,” enquanto o penetrava e algo em si desejou entender o significado daquela palavra...

Cerrou os olhos ao senti-lo apropriando-se do seu corpo como se o conhecesse desde sempre e desejou que aquela simbiose lúbrica permanecesse na eternidade de seus sentimentos...

Os dois tocaram-se e moveram-se com a mesma avidez, a tensão em seus corpos transbordando em suor, gemidos, carícias e beijos que sensibilizavam cada nervo e descortinavam uma gama de sensações...

Sentiu um gemido gutural avançando do fundo de sua garganta quando um espasmo violento eclodiu em seu corpo, deixando-o tão atordoado que sua respiração estancou e sua pele vibrou como se fosse se desintegrar...

Um ofego seguiu-se à explosão e fê-lo sentir como se estivesse se afogando em ondas sucessivas de prazer. Em meio àquela torrente viu nos olhos de Milo uma luxúria insana e, ao mesmo tempo um sentimento poderoso que levou o grego a apertá-lo junto a si e arremeter uma última vez, gozando em seu interior...

Por um longo instante, ficara dominado pela pesada lassidão que lhe tirara todas as forças. Passado um tempo, recuperara a consciência e percebera que ainda estava envolvido pelo abraço quente de Milo. O coração do grego vibrava contra seu peito, a respiração dele aquecia-lhe os cabelos e ele conheceu uma estranha alegria e uma vontade que o tempo parasse...

“Mon Dieu, eu o amo. Mesmo sabendo que esse amor não possui futuro...”


Uma batida na porta o destituiu de seus devaneios. Abriu-a, encontrando sua mãe com um grande sorriso nos lábios.


– Bom dia, mãe. – saudou-a beijando a face que lhe era oferecida e sorrindo de volta.


– Que surpresa agradável! É a primeira vez que me beija como se, realmente, quisesse fazê-lo. Mon Dieu, o senhor Milo trouxe mesmo a luz para esta casa. – disse Claire.


Camus suspirou, mas sabia que ela tinha razão. Concordou com um gesto de cabeça e logo inquiriu sua mãe sobre o jantar.


– Estou vendo, pelo movimento, que este jantar não será tão simples.


– Ora, meu filho... precisávamos de um evento como este para reunir todos aqueles que nos ajudaram durante todo este tempo. Um jantarzinho sem graça não seria apropriado. E, além disso, Hyoga é jovem e merece um pouco de divertimento.


– Está bem, mãe, eu me rendo. – disse Camus. – Mas, por favor, não transforme uma pequena festa em um evento! – ele sorriu, carinhoso.


Quando chegaram à sala de jantar, Milo surgiu e os olhares se encontraram.


– Bom dia a todos! – disse o grego exibindo o seu costumeiro sorriso.


– Senhor Milo! Estava dizendo ao meu filho o quanto sua presença trouxe alegria a nossa casa. Essa festa vai ser um sucesso graças ao senhor e às suas ideias. – disse Claire com visível entusiasmo.


Camus franziu o cenho, porém sua expressão se mantinha relaxada quando falou:


– Espero que o senhor Milo não fique decepcionado com o resultado. Winchester é composto de pessoas simples e nossas festas não possuem o brilho da Corte.


Milo sorriu consciente de que a mãe de Camus observava a cena com extrema atenção.


– Pois saiba que sua mãe é uma anfitriã surpreendente e uma festa onde os amigos são a grande parte dos convidados, por si só, já se torna um evento memorável... – disse o grego beijando a mão de Claire.


Claire levou a mão aos lábios e riu baixinho, parecendo tão jovem quanto Camus se lembrava dela, na infância. Foi então que deu-se conta que fazia muito tempo que sua mãe não sorria e não movia-se daquele jeito cheio de energia e bom humor. Na verdade, desde que seu pai falecera e Saori o traíra, não haviam sorrisos nos lábios das pessoas, nem alegria na casa...


– Muito bem, faço votos que ambos fiquem felizes com o resultado de seus esforços. Estou indo até a fábrica acertar alguns detalhes, mas estarei aqui no meio da tarde para ajudar no que for necessário. – disse Camus.


– Todos os detalhes já estão acertados, inclusive as roupas novas que encomendei. Sim, Camus, não me olhe deste jeito, agora é um promissor homem de negócios e não pode vestir-se como um caipira. Porque não convida o senhor Milo para ir com você? Ele ainda não conhece a fábrica. – falou Claire num tom que mesclava ternura e... uma discreta ordem.


O rosto de Milo pareceu iluminar-se e Camus percebeu que desejava, cada vez mais, estar com ele, partilhar daquele calor que trazia vida a tudo, inclusive a ele...


– Gostaria de me acompanhar, senhor Milo? – perguntou Camus, educadamente, porém seus olhos denotavam o desejo explícito de que o grego o acompanhasse.


– Será um prazer, senhor Camus. – respondeu Milo, pensando que quando voltasse à Corte, escolheria um presente muito especial para a mãe de Camus.


Quando saíam, Hyoga apresentou-se e, com um olhar que Milo classificou como uma associação de ironia, malícia e inocência, perguntou:


– Se importam se eu for junto?


Notas finais
S'agapo, Eu te amo, em grego.
Morpheus - deus dos sonhos na mitologia greco-romana, filho de Hipnos o deus do sono.
AGRADECIMENTOS ESPECIAIS A TODOS QUE ACOMPANHAM, COMENTAM, PEDEM, SILENCIAM. MINHA VIDA TEM MAIS COLORIDO COM TUDO ISSO!! BJS, XD!