Desejos Ocultos
8 Capítulo 8 - O baile.
Notas iniciais
— Pelo visto, está bem cheio por aqui! — Comentou Hinata, quando tentava passar com Kiba para o centro do salão.
— Não imaginei que estivesse assim. Se continuarmos a não conseguir colocar os pés no chão, prometo uma mudança na programação!
— Talvez não seja preciso. — Disse esticando o pescoço para tentar achar algum lugar sussegado.
— Achou alguma coisa?
— Não! Mas, perto do balcão, tem duas cadeiras! Se chegarmos a tempo..
— Vamos, rápido, então.
Não era muito comum ver um baile anos 80 estar lotado daquela maneira. Mas havia uma razão para aquela noite estar assim. Alguém estava comemorando seu aniversário por lá. Uma mulher. Mas Kiba e Hinata não sabiam disso, até chegarem perto aos bancos vazios...
— Chegamos!
Duas pessoas apressaram-se e sentaram nas cadeiras que Hinata havia visto de longe.
— Chegamos tarde! — Completou Kiba, enquanto Hinata ria... — Que azar!
"Parabéns para você, nesta data querida..."
— Hm.. aniversariante. — Hinata procurava entre a multidão, a quem se devia tanta parabenização.
Era uma barulheira que só. Uma gritaria que chegava a ser irritante. Tudo aquilo, para apenas uma pessoa: Karin. Ela gostava de uma baderna, gostava de ser o centro das atenções.
— Feliz Aniversário para ela. — Disse em meio a sarcasmos, indicando com o queixo a moça de cabelos negros.
Hinata olhou-a de cima a baixo.
— Bonita ela!
Olhou de volta Kiba, que parecia nem se importar com a presença daquela mulher.
— É ridícula! Faz questão de que todos a olhem. Não dou nem cinco minutos para ela subir na cadeira e querer fazer um discurso.
Pouco tempo depois, Karin fez exatamente isso, após vários pedidos eloquentes e súplicas dos que estavam presentes.
"Discurso, discurso..."
"- Tá bem, tá bem!" — Subiu na mesa.
Ela vestia uma saia de couro, rodada, minúscula sobre uma meia calça com desenhos em xadrez, e uma blusa preta transparente, que deixava aparecer claramente o sutiã preto por baixo. A maquiagem forte em seu rosto mostrava mesmo que gostava de chamar atenção.
"- Queria agradecer a todos os que vieram... A presença de vocês é muito gratificante para mim..."
Os homens abaixo dela não pareciam se interessar pelo que ela falava e sim com o que vestia por baixo da saia.
"- Pode olhar, querido, o que é bonito é para se admirar" — Interrompeu o discurso, deixando-os completamente sem graça!
Algumas risadas puderam ser ouvidas, outras soaram bem tímidas... Mas nada impediu que Karin continuasse a falar.
— Há de convir que ela é corajosa de falar isso no microfone.
— Tem boas respostas, nada mais! É um tanto previsível... Gosta do lema "bem ou mal, mas falem de mim!"...
— Falou o psicólogo!
— Não é preciso ser psicólogo. É só ver o jeito que ela berra os agradecimentos... Ninguém que não queira ser falada, faz um discurso como esse. E está conseguindo! Ela é do tipo de pessoa que quebra regras sociais, só para que os outros não vejam aquilo que ela realmente é.
— E quem ela é realmente?
— Eu não sei. Mas posso jurar que ela é tímida!
— Como isso é possível? — Hinata olhou para Karin. — Ela não me parece ser nem um pouco tímida!
— Quer fazer uma aposta?
— Se for para descobrir isso... Aposto uma bebida!
— Então, vá separando o dinheiro, minha cara! Hoje, a conta a sua! — Riu e se levantou.
***
Um carro parou em frente ao restaurante e a porta traseira se abriu. Uma mulher de feições leves, ruiva e com lindas pernas desceu.
— Obrigada papai.
— Tayuya, comporte-se! Juizo!
O carro foi embora.
— Nossa, como ele é chato! — Disse, indo em direção à porta, onde avistou sua cunhada.
— Oi, Tema!!! — Disse, mandando tchauzinho! — Tudo bem? — Deu dois beijos, um em cada lado do rosto de Temari. — Onde está o Kank?
— Lá na cozinha.
— Obrigadinha! — Acenou delicadamente, enquanto já andava em direção à cozinha.
— Amo-or?!?! — Abriu a porta de 'saloom'. — Oiii...
— Tay... que bom que chegou. — Beijou-a.
— Onde precisa de mim?
Kankuro sussurrou em seu ouvido: — Na cama!
— Kank!!! — Riu... — Falo sério... — Disse um pouco tímida, olhando sem graça para Chouji, que parecia nem estar prestando atenção na conversa ao lado.
— Eu também.. mas por hora, seria bom que ficasse no Caixa. Tudo bem?
— Sem problemas. Qualquer coisa, sabe onde me achar! — Abriu a porta e saiu em direção ao caixa.
— Mocinho, eu fico por aqui. — Falou.
— Lee, meu nome é Lee.
— Tanto faz! Pode ir para lá ajudar o Naruto?
***
Kiba se aproximou o suficiente da mulher que ainda fazia o discurso. Encontrou ao lado, um banco próximo ao balcão das bebidas. Pediu um martini e olhou com desdém para a moça em cima da mesa.
"- Então é isso... Obrigada, novamente, aos que vieram comemorar comigo, o meu aniversário!"
— Hunf... Idiota!
Karin desfez o sorriso do rosto e desceu da mesa, olhando com desaprovação para o homem sentado logo à frente.
— O que você disse?
— Depende do que você ouviu.
— Como assim depende? Você me chamou de idiota.
— Eu não te chamei de idiota. Eu realmente falei a palavra idiota, mas eu não sabia que uma idiota viria falar comigo.
— Então, agora eu sou idiota?
— Ninguém vira idiota de uma hora para a outra. Pelo visto, você andou praticando.
— Nossa cara! Você está todo intimidado com a minha presença? Está incomodado? É? Vaza, querido! Os incomodados que se retirem.
Um amontoado de pessoas fez uma rodinha em torno dos dois. Muitos estavam loucos por uma briga. Queriam um barraco. E o momento parecia propício. Hinata olhava de longe o circo começar a pegar fogo. Avistou uma mesa. As pessoas que estavam ali levantavam-se lentamente, tentando fugir do que estava para acontecer. Hinata então, aproximou-se e se sentou, queria saber até onde aquilo iria chegar. Qualquer coisa, estaria por perto.
— Intimidado? Essa é boa.
— Intimidado, sim... você nem me conhece para estar falando assim comigo.
— E você? Será que você se conhece direito? Para mim, você esconde o que você realmente é, por conveniência, ou vergonha. Criou um personagem que é o oposto de você e agora não está nem conseguindo manter essa máscara fajuta. Aposto que você é uma pessoa tímida, cansada da vida que leva e decidiu ser uma rebelde sem causa.
— Eu posso ser o que eu quiser. Se eu precisasse de um analista, eu mesma procuraria um.
— Talvez esteja precisando de um, mesmo.
— E talvez você precise dar uns beijos por aí, porque gente feliz não enche o saco.
Kiba, então, pegou-a nos braços e a beijou à força.
— Me larga, seu merda! — Deu um tapa no rosto de Kiba.
Kiba olhou-a de cima a baixo.
— Quando você aprender a beijar, me procura. — E saiu.
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