Desejos Ocultos

10 Capítulo 10 - O reencontro.


— Calma, Naruto. Você tem de se acalmar.

— É um pouco impossível eu me acalmar, sabendo que aquela mulher está aqui, agindo como se não fosse o motivo de toda a minha infelicidade. Aquela mulher é uma... – Respirou, tentando se acalmar. Retornou o olhar ao espelho e gritou: – Francamente, o que ela faz aqui? Por que ela veio?

— Nossa, do jeito que você fala, parece que ela matou alguém.

— Quase isso. – Esbravejou. — Quase isso, Kankuro. Ela... ela arruinou tudo o que era importante na minha vida. – Engoliu o choro.

— Você precisa se acalmar. – Mostrou-se preocupado. — Venha, você vai tomar um copo de água com açúcar... E se isso não ajudar, eu batizo o copo. – Brincou.

Naruto esboçou um sorriso nada animador. Estava claro que aquela mulher o perturbava. Kankuro abraçou-o pelo ombro e levou-o até a cozinha.

***

Kiba desligou o carro e afundou-se no banco e com um sorriso arteiro no rosto, desabafou:

— Não vou mentir. Estou exausto. Se este lugar estiver fechando, ou lotado, ou com alguma festa de aniversário, serei obrigado a te levar para a minha casa e pedir uma pizza. – Hinata riu.

— Até que uma pizza não seria má ideia. Mas, já que estamos aqui...

— É você tem razão. Sempre tem, pelo visto.

— Mesmo se eu estiver errada nas próximas vezes, já me convenceu do contrário. Não tem mais volta! Se vira! — Riu.

— Acho que posso sobreviver a isso. – Franziu as sobrancelhas, dando um ar de sarcasmo e dúvida. – E aí, vamos?

— Estou morta de fome!

***

— Chouji, um copo de água com açúcar.

— É para já, chefinho.

Lee entrou na cozinha com duas bandejas de pratos sujos e colocou-as sobre o balcão.

— Mais pratos para lavar. Preciso de uns 20 limpos.

— Chouji, pegue os pratos limpos, eu mesmo pego o copo.

— Pratos limpos, é para já. – Deu meia volta e entregou o copo na mão de Kankuro.

— E aí, Naruto, machucou muito? – Perguntou Lee, preocupado, direcionando o olhar para seus dedos, enquanto esperava Chouji voltar com os pratos limpos.

— Não muito. Eu... eu, na verdade, só estou vendo agora. – Olhou para a palma da mão e viu que havia alguns ferimentos leves. Pequenos cortes que ainda sangravam...

— Tome um pouco de água. – Sugeriu Kankuro.

— Acho que vou passar um pouco de álcool nas mãos, quando chegar em casa.

— Vou pegar uma toalha e umedecê-la no álcool para você fazer isso agora. — Naruto concordou com a cabeça quando olhou novamente a mão ensanguentada. Fazia sentido não esperar muito.

***

Hanabi deixou pouco mais de um gole de vinho na taça e num movimento leve, colocou-a sobre a mesa. Ajeitou sua bolsa e fez sinal para que um garçom se aproximasse. Gaara que estava por perto atendeu ao seu pedido.

— Pois não, Senhora?

— Senhorita, por favor.

— Desculpe-me. O que deseja, senhorita?

— A conta, por favor.

— Com licença. – Gaara deu dois passos para trás, virou-se e foi em direção a Tayuya.

— Tay, por favor, a conta da mesa 8, 9, 14 e 20.

Tayuya imprimiu o pedido, guardou-o em um envelope e entregou-o para Gaara.

— Prontinho.

Enquanto esperava, Hanabi olhava a sua volta, discretamente. Já fazia tempo que não via o Naruto. Queria se divertir um pouco mais.

— “Onde você está, Narutinho?” – Pensou, enquanto desviava o olhar para a janela. – Ora, ora, ora... se não é a minha irmã. – Sussurrou, enquanto esboçava um sorriso arteiro e tentava disfarçar o susto.

— “Dia de sorte, Hanabi.” — Riu baixinho.

***

— Kankuro, se não for pedir muito, posso ir para casa mais cedo, hoje?

— Se me prometer que irá ao médico, amanhã, logo pela manhã... sim.

— Acho que não irei precisar, mas em todo caso, prometo. Eu só preciso de um pouco de paz, hoje. Tem algum problema de eu ir, agora? Sei que precisa da minha ajuda, mas…

— Não se preocupe. – Kankuro umedeceu a toalha no álcool e enrolou-a na mão de Naruto, que não apenas esboçou dor, como gemeu baixinho. – Entre ter um funcionário desnorteado, machucado e sem cabeça para trabalhar agora e ter de substituí-lo ou ficar desfalcado, hoje eu escolho a segunda opção. – Naruto esboçou outro sorriso. – Mas não se acostume. – Brincou.

— Obrigado. Estou te devendo uma. – Agradeceu aliviado.

Naruto dirigiu-se para o galpão atrás da cozinha, onde ficava o ponto. Bateu sua saída e em seguida abriu seu armário, pegou sua bolsa, ajeitou-a nas costas e despediu-se.

***

Gaara já se aproximava de Hanabi, quando a ruiva esticou o braço para apressá-lo, vendo Naruto sair detrás da recepção.

— Vamos, meu querido… Não tenho o dia todo.

Puxou e abriu o envelope com rapidez, deu uma olhada no valor, tirou da bolsa o dinheiro suficiente para o que havia pedido e resmungou:

— Pela sua demora, você é quem deveria pagar minha conta. Mas hoje, como estou de bom humor... Fique com o troco como gorjeta. Você com certeza deve precisar mais do que eu. Viu como sou boazinha? – Esnobou.

Gaara sentiu vontade de pular no pescoço daquela mulher, mas preferiu respirar fundo e se limitou a xingá-la em pensamento. Pensou ainda em ser cordial e puxar-lhe a cadeira, mas a ruiva adiantou-se, vendo perder Naruto de vista.

— Incompetente!

Naruto já estava em frente a porta de saída. A ruiva, que apressou o passo para chegar o mais perto possível dele, estava logo atrás.

***

Hinata olhava apreensiva para o chão, enquanto se aproximavam da porta de entrada do restaurante. Kiba abraçou Hinata e deu-lhe um beijo no rosto, fazendo-a levantar o olhar para ele.

— O que foi?

— Nada. Eu só… não sei, senti um aperto no coração.

— Você está bem?

— Acho que sim. Não se preocupe. Na verdade, acho que estou é tonta de tanta fome.

— Então, se o problema é comida, não vamos perder tempo aqui fora. — Kiba abriu a porta com a mão esquerda e fez um gesto para que ela entrasse primeiro.

Hinata subiu o primeiro degrau e levou um susto, ao ouvir a voz de uma mulher gritar o nome de Naruto.

— Naruto, me espere, amor. – Provocou.

Naruto olhou para trás e se deparou com Hanabi sorrindo. Foi quando sentiu sua mão afagando seu braço, como se ele tivesse dado permissão pela aproximação.

Kiba viu a expressão de Hinata mudar e seu rosto ficar pálido instantaneamente.

— Hina, você está bem? – Preocupou-se.

— “Hina?” — Naruto virou-se para a frente, assustado com o que acabara de ouvir. – Hi-na-ta?

— Na-naruto? Hanabi?

— Oi, irmãzinha!

— Vocês se conhecem, pelo visto. – Estranhou Kiba.

Notas finais
---.---Ora ora ora... se não era o que todos estavam esperando...