Desejo - Hiatus

32 Quando Tudo Se Vai


Notas iniciais
Capítulo dedicado a Brooke angel, amei os reviews linda!

PVO Jacob

Minha cabeça estava girando e eu não fazia a mínima idéia do que aquilo significava. Sentia uma dor estranha na nuca, mas o resto de meu corpo estava relaxado, sem nenhum resquício de dor.

Tudo estava escuro, mas aquilo não me incomodou, ao contrário, trouxe uma sensação de paz, de alívio. Só faltava uma coisa para tudo ficar completo: Minha Ness.

Será que eu estava morto? Não. Eu ainda tinha muita vida pela frente, ainda tinha muita coisa para fazer, muitos sonhos a realizar. Casar, ter filhos, morrer velhinho ao lado da pessoa que eu amo.

Ness...

Eu queria fazer tudo aquilo com ela. Só com ela. Se bem que morrer velhinho não estava nos planos, mas o resto todo valia.

— Ele está recobrando a consciência. – Ouvi uma voz ao longe falar, de inicio não dei importância, aquela não era a voz da minha Ness, mas depois comecei a ouvir vários burburinhos, várias vozes falavam ao mesmo tempo. Aquilo começou a me deixar incomodado. – Fiquem calados! – A pessoa exclamou e logo as vozes cessaram. Dei graças a Deus por isso.

- Jacob. Você está me ouvindo? – Ouvi outra voz perguntar.

Não respondi.

- Ele está ouvindo, Carlisle.

Carlisle?

Então eu estava na casa dos sanguessugas?

Tentei abrir meus olhos, mas não tive sucesso.

- Jacob, preciso que se acalme. – Disse Carlisle. – Tente abrir os olhos. Se não conseguir tudo bem. Não se apavore.

Tentei novamente, mas também não obtive êxito.

- Ele não consegue. – Disse Edward.

- Hum, a pancada deve ter sido forte, vou aplicar outra dose de morfina e esperaremos ele acordar outra vez.

De repente aquele local não me parecia mais tão aconchegante quanto eu pensei a princípio. Eu queria sair dali.

Eu queria protestar. Não queria que me dopassem, eu queria acordar e correr para os braços da minha Ness. Sentir-me seguro novamente.

Logo senti a inconsciência me pegando outra vez.

--*--

Sentia o cansaço se esvaindo, ao que parecia o efeito da morfina estava passando. Daquela vez eu iria resistir à escuridão, eu iria abrir os olhos nem que para isso eu tivesse que jogar pimenta nos mesmos.

Minhas pálpebras estavam pesadas, dificultando meu ato, mas com muito esforço eu as abri devagar, piscando algumas vezes para me adaptar a claridade do quarto.

Logo que abri meus olhos totalmente me deparei com um par de olhos dourados me fitando incessantemente, me analisando, como que para ter certeza que eu não morreria ali mesmo.

— Como se sente Jacob? –Carlisle perguntou enquanto checava os aparelhos que estavam a minha volta.

— Não sei, está tudo tão confuso. – Falei esfregando meus olhos com as mãos. – Cadê a Ness? — Perguntei a única coisa que me vinha em mente. – Porque ela não está aqui? Porque ela não veio me ver? — Estranhei. A única pessoa que estava comigo na sala era Carlisle. Comecei a tremer. Onde minha pequena estava?

— Jacob, preciso que se acalme, okay? – Ele disse e eu assim fiz, ou melhor, tentei fazer, pois não surtiu muito efeito. – Respire fundo.

Fiz o que ele mandou algumas vezes até que me senti melhor e o olhei em interrogativa, esperando a resposta que ainda não havia sido dada a mim.

Carlisle largou seus objetos hospitalares numa mesa e então se sentou ao meu lado, mesmo sabendo que era desnecessário.

-Não se lembra de nada? – Ele perguntou cauteloso como se fizesse uma avaliação do meu quadro.

Logo os flashes vieram à tona, e apesar de serem apenas borrões fracos, pude distinguir muito bem o que acontecia.

Renesmee estava fora de si, ela me dizia coisas horríveis, havia descoberto tudo sobre mim, o quanto eu tinha ódio dela antes mesmo dela nascer, o beijo que ocorreu entre mim e sua mãe, e o pior, a vontade que eu tinha de matá-la. Ela havia descoberto da pior maneira possível toda aquela merda.

— Onde ela está? – Perguntei sentindo algumas lágrimas descerem pelo meu rosto.

— Não sabemos. Ela saiu, Edward ia segui-la, mas quando viu você naquele estado ele teve de parar. Você estava sangrando muito, precisava ser atendido urgentemente. Ele te trouxe até aqui, depois todos saíram à procura dela, mas não tiveram nenhum sinal dela, chegaram a pensar que ela tivesse voltado para casa, até vieram aqui, mas como isso não havia ocorrido eles voltaram e ainda estão procurando, por isso que estamos só eu e você aqui. – Ele explicou com calma.

— E o que eu ainda estou fazendo aqui? Pode ter acontecido alguma coisa com ela! Eu tenho que procurá-la, tenho que explicar que... – Falei me levantando, mas logo uma tontura me atingiu.

— Jacob, peço que se acalme. Ela fugiu. – Ele disse me obrigando a sentar na maca.

— Como pode ter tanta certeza disso, doutor? –Perguntei irado. Eu não podia ficar sem fazer nada enquanto ela poderia estar ferida.

— Só isso explicaria o fato de Nathaniel Stone sumir a quatro dias atrás, logo depois de Ness entrar na casa dele. Ou isso ou ela o matou e conseguiu apagar as provas, mas coloco a minha mão no fogo como Ness nunca faria mal àquele garoto.

O ciúme ameaçou me tomar, mas me controlei, não era hora para uma ceninha, eu precisava achá-la. Ter certeza de que tudo estava bem.

-Como assim quatro dias?

— Você ficou desmaiado por quatro dias, na verdade você só ficou por dois, mas vimos que você não estava em bom estado e decidimos aplicar mofina e assim você ficou por mais dois dias.

Minha cabeça ainda trabalhava devagar, mas estava conseguindo assimilar, mesmo que lentamente, as coisas que ele falava.

— Fique deitado Jacob, não pode sair neste estado, lhe dou minha palavra que se daqui à uma hora você estiver em melhores condições eu irei lhe liberar para você procurar juntamente com os outros. Sinceramente, não concordo com o que estão fazendo, caçando a menina como se ela fosse uma fugitiva da polícia, ela precisa de tempo, só isso. Mas apesar disso entendo o seu lado, você precisa dela mais do que tudo no mundo.

Assenti, meu peito estava dilacerado, mas não adiantaria sair naquele estado, se saísse assim eu logo cairia e teria de voltar e ficar mais dois dias sob o efeito da morfina.

-------*-------

Logo se passaram uma semana de buscas, ultimamente eu estava sentindo muita dor mesmo, não só física, mas também mental. Mesmo assim continuei com os outros as buscas. Os Cullen haviam comunicado aos outros clãs a fuga de Renesmee, que se colocaram a disposição para procurar nas redondezas de seus territórios. Os lobos também estavam alerta em Forks e a polícia dos EUA estava atenta ao caso. Lógico que não demos alarde sobre o sumiço de Renesmee, mas Nathaniel era filho de pessoas muito ricas e influentes, o que logo fez vários detetives serem acionados e a polícia desconfiar de que ele e Renesmee possam ter sido vítima de terroristas, o que deixou todo o país em alerta. Bando de dramáticos. Qualquer coisa já era motivo para alarmar o país com o terrorismo.

Eu não havia dormido muito nesses últimos tempos, tinha pesadelos todas as noites, pesadelos em que minha Ness dizia coisas horríveis para mim, e sempre acordava gritando e chamando por ela, implorando por seu perdão.

— Jacob, você precisa comer. – Esme disse de forma maternal para mim.

— Estou sem fome. – Repeti pela milésima vez. – Agradeço pela preocupação, Esme, mas não consigo.

— Menino, ela vai voltar, e vão ser muitos felizes juntos, eu garanto. – Ela disse aquilo com tanta convicção que por um minuto me permiti acreditar naquilo.

--*--

Se passaram duas semanas e com isso minha sanidade e saúde também se foram. Não conseguia mais levantar, estava fraco demais, andava tendo febre – coisa não muito comum quando se é um lobisomem -, nenhum alimento descia pela minha garganta, não conseguia mais dormir. Eu só dormia quando estava exausto e não tinha mais forças para manter meus olhos abertos. Meu sono não durava mais de meia hora, que era quando eu acordava berrando e chamando por ela, pelo meu anjo.

- Mas Billy, não acha melhor que... – Ele se interrompeu. Por estar fraco demais não conseguia mais ouvir tão bem quanto um lobisomem. – Eu sei, mas eu acho que seria mais apropriado se ele ficasse. – Ficar? Que diabos de conversa era aquela?

Edward estava conversando com meu pai a cerca de meia hora no telefone, e ao que me parecia, meu pai estava irredutível em alguma coisa.

- Tudo bem, você venceu. – Ele suspirou fundo antes de desligar o telefone.

Ele virou-se lentamente para mim e olhou para os aparelhos a minha volta, agulhas entravam em minha pele por todo o lado, tentando me alimentar de alguma forma, já que eu não fazia isso por vontade própria.

- Jacob, eu e Billy conversamos, e decidimos que você vai voltar para La Push.

Meu corpo enrijeceu na hora. Eu não iria a lugar nenhum.

- Eu não vou a lugar algum Edward, quando a minha pequena voltar nós vamos viver juntinhos, como é pra ser. Eu preciso estar aqui para quando ela voltar.

- Jacob, será que você não percebe que está morrendo aos poucos? — Bella entrou na conversa, completamente transtornada pelo estado em que me encontrava.

- EU NÃO ME IMPORTO! EU PRECISO DA PORRA DO PERDÃO DELA!SERÁ QUE NÃO ENTENDEM? EU PRECISO DELA! SÓ DELA! ME DEIXEM EM PAZ! – Gritei com toda a força que tinha.

Bella estremeceu e logo percebi a burrada que havia feito.

- Desculpe Bells, sinto muito, não deveria descontar minha frustração em você. – Disse e ela assentiu. – Me desculpe. – Repeti.

-----*-----

Pois é, Edward de tanto me atazanar havia conseguido, eu estava de volta a La Push.

Olhei para o céu límpido da praia, aquele lugar realmente me fazia bem.

Faziam exatamente 1 mês que Renesmee havia ido embora, eu não tinha mais vida desde aquele dia, mas em uma coisa meu pai estava certo, voltar a La Push me fez melhorar. Não pelo fato de ter alguma coisa mágica por aqui, não por isso, mas sim por uma conversa que meu teve comigo assim que cheguei.

Flashback On

- Jake, graças a Deus que você chegou filho, já estava ficando preocupado. – Meu pai disse enquanto abria espaço para eu passar pela porta.

Com um pouco de dificuldade consegui mexer minhas pernas e, me apoiando em Bella, consegui passar pela porta e sentar cambaleando no sofá, eu ainda estava muito fraco.

- Oi pai, como estão às coisas? – Perguntei com a voz mais rouca que o habitual. – Onde está Rachel?

- Está tudo correndo bem filho. – Ele disse manobrando a cadeira de rodas até chegar perto o suficiente para me dar um abraço reconfortante. – Rachel está na casa de Paul, ela vive lá, às vezes chego a pensar que ela esquece o velho pai que tem em casa.

- Pai! Sabe muito bem que ela lhe ama e que ninguém aqui esqueceu você. – Disse indignado. – Mas ainda não entendi o porquê de ela não está aqui para me receber.

Na mesma hora ele e Bella trocaram um olhar cúmplice.

- Bem, acho que já está na hora de eu ir. – Ele disse se despedindo. Tinha caroço nesse angu, ah se tinha! — Carlisle irá passar aqui mais tarde para recolocar o soro e...

- Acho que isso não será necessário Bella, eu mesmo irei cuidar desse garoto. – Ele disse dando leves tapinhas em meu braço. — Mas mesmo assim muito obrigada.

- Não há de que Billy, e não se esqueça que vamos ficar em Forks por um tempo então qualquer problema é só nos chamar.

- Obrigada. – Ele disse e ela assentiu, virando-se e indo embora.

Logo ouvimos o barulho do carro se distanciando. Billy pigarreou chamando minha atenção.

- Filho, precisamos conversar. – Ele me encarou seriamente.

- Sou todo ouvidos.

— Eu e os Cullen estivemos conversando, você, mais do que ninguém, sabe que nunca confiei muito nos Cullen, mas que a partir do momento em que aquela criaturazinha nasceu eu os respeito mais do que tudo. Edward não entrou em detalhes sobre o que aconteceu em Chicago para lhe deixar assim, ele só disse que Renesmee descobriu tudo sobre o passado de vocês três e a gravidez conturbada de Bella, sendo assim, logo que descobriu ela não agüentou o baque e resolveu fugir. – Meus olhos se encheram de água instantaneamente. – Sei que não tenho o direito de falar sobre esse assunto, pois nunca tive um imprint, mas aquela garota lhe amava Jacob, ela lhe ama. A partir do momento que ela concedeu um mês de sua vida dentro daquela casa com você, vocês passaram a ser um só. E não é uma briguinha besta que irá fazer isso mudar. Sei que ela teve seus motivos, afinal, quem não ficaria zangado ou até mesmo perturbado com essa história maluca de vocês?

- Pai, eu...

-Deixe-me terminar, Jacob, por favor. – Assenti já chorando. – Eu acredito que ela irá voltar Jacob, e o que você irá oferecer para ela quando ela voltar? Um cadáver? Pois é isso que você está se tornando. Sei que você andou trabalhando durante esse tempo que esteve em Pittsburgh, e pelo que eu me lembre você sempre disse que todo o dinheiro que você ganhava era da sua Renesmee, que você iria usar para dar uma vida digna a ela. Então porque não começar de agora? Sei que ela irá voltar filho, eu creio nisso com todas as minhas forças. E você também deveria crer. Afinal, tudo depende de você.

Lagrimas banhavam meu rosto, enquanto eu tentava em vão limpá-las. Chorava não pelo discurso do meu pai, que apesar de ser totalmente verdade, ainda não havia sido digerido totalmente por mim. Chorava pela falta que ela fazia, pela saudade que sentia.

Flashback Off

Ainda tive que passar dois dias trancado no quarto para poder digerir toda a situação.

Eu trabalhava como um louco na oficina durante o dia e a noite ia para a construção de uma casa no meio da floresta e me dedicava totalmente a erguê-la, eu queria que cada pedacinho da casa tivesse sido feito por mim, queria que minha pequena tivesse orgulho de mim.

Eu tinha dinheiro suficiente para contratar pessoas para trabalhar para mim naquele projeto, então decidi contratar os garotos da reserva. Eles haviam se oferecido antes para trabalhar de graça, só como hobbie, mas eu não iria explorar o trabalho de ninguém. Alem do mais, eles precisavam de dinheiro, ser lobo não é fácil.

Já havia se passado um mês desde que cheguei a La Push. Dois que minha pequena se foi.

A casa estava quase pronta, só faltavam alguns retoques ali e acolá. Iria deixar a decoração por conta da Ness. Ela ira poder fazer o que ela quiser na casa, dando o toque dela, eu queria deixar tudo de um jeito que ela gostasse, queria que ela sentisse orgulho de mim. Aí vocês me perguntam? Como é estava quase tudo pronto se só se passaram um mês? Eu respondo simplesmente isso: Somos lobos. E ainda digo mais: eu me dedicava dia e noite, noite e dia, só dormia quando estava exausto.

Sinceramente, achava que aquela rotina estava acabando comigo, apesar de me alimentar por conta própria, eu me sentia mais fraco do que nunca, sentia dores estranhas e palpitações no coração, mas não reclamava, sempre que alguém me perguntava como eu estava eu dizia que estava tudo bem. O único que sabia de minha real condição era Edward, mas este sabia que mesmo que ele contasse para alguém não iria adiantar de nada, pois só existia um remédio para toda essa dor: Minha Ness.

— Jake cara, você tá se sentindo bem? – Seth perguntou enquanto trabalhávamos na casa.

— Estou sim Seth. – Aquilo era uma puta de uma mentira! Eu estava tonto, minha visão estava embaçada, e tudo girava.

- Não sei não Seth, ele tá pálido. – Embry disse.

Todos andavam muito preocupados comigo desde que souberam que Ness havia fugido, eles sabiam que eu só me fingia de forte, pois por dentro eu estava desmoronando. Eles eram meus irmãos, e mesmo que eu sempre negasse, eles sabiam que eu não iria aguentar muito tempo.

- Cara, acho que já chega por hoje, vai se deitar. – Disse Quil. – Nós continuamos daqui.

- Não, a Ness precisa ver que eu estou fazendo tudo... – Disse cambaleando.

- Você já fez muito por hoje, precisa descansar. – Ele disse me segurando para não cair, mas já era tarde, em um minuto eu estava em pé cambaleando e em outro eu estava estirado no chão, perdendo as forças e caindo na inconsciência. – Jake! – Foi a ultima coisa que ouvi antes de tudo se fechar a minha volta.

Notas finais
Genteeeeeeeeeee, gostaram? Duas fics em um só final de semana? Milagre! kkkkkkkkkkkk. O que será que vai acontecer? Hum... Façam suas apostas! Quero muitos reviews, o próximo sai quando a fic tiver com no mínimo 415 reviews! Então vamos botar os dedinhos pra funcionar, são 77 leitoras, 20 comentários não mata ninguém!