Desejo - Hiatus
44 Corpo em Chamas- REESCRITO
Notas iniciais
PVO Jacob
Terminei de cozinhar comendo tudo sozinho, eu estava nervoso, mas diferente das outras vezes, a comida não me acalmou.
Eu sentia algo me sufocando, doendo em meu peito? Será que era possível lobos terem ataque cardíaco? Pois eu acho que era aquilo que estava acontecendo comigo, meu peito nunca havia doido tanto.
Resolvi me distrair um pouco, liguei a TV para ver se achava algo para me distrair da dor.
Hum, pica-pau, era engraçado. Resolvi deixar por lá mesmo, vendo as coisas sem lógica que as crianças assistiam, como diabos uma bomba explodia na cabeça dele e ele continuava vivo? Ou pior, quando em uma cena o pica-pau está todo machucado e na outra ele já está sem nem um arranhão? Esses desenhos... Tinha que me preparar para fazer companhia a minha princesinha que ia nascer, ela ia querer ver desenhos e eu ia acompanhá-la, rindo do pica-pau e de sua risada esquisita.
Passada meia hora a dor ainda não tinha ido embora, estava ficando pior, e de tanta dor acabei adormecendo.
Acordei completamente inerte. A dor havia passado. Quem diria, hein? Uma sonequinha até que me fez bem. Mas me assustei com algo, eu já não sentia nada, meu corpo estava dormente, não sentia dor, não sentia cheiro, não sentia gosto nem da minha própria saliva.
Talvez eu tenha dormido demais. Justifiquei para mim mesmo olhando para o relógio e constatando que era verdade. Já se passavam das três da tarde. Será que Nessie já havia chegado? HUm, ainda não. O cheiro dela já começava a ficar fraco.
Onde será que ela estava? Já estava tarde. Estava preocupado. Será que havia acontecido algo?
Não pense nisso, Jacob! Não aconteceu nada, se continuar falando isso vai agourar sua pequena e aí sim vai acabar acontecendo!
Decidi esperar minha pequena acordado, então decidi colocar em algo que me deixasse mais desperto. Um jornal quem sabe.
Procurei pelo controle e quando achei fui passando os canais até chegar ao do jornal.
Só Deus sabe o quanto me arrependi.
– E como aconteceu?- A repórter perguntou no lugar do acidente.
–Não sei, só ouvimos algo derrapando na pista, e logo depois um estrondo, saímos correndo para ver o que havia acontecido e vimos o carro de cabeça para baixo tinha um casal lá dentro e a mulher parecia estar grávida, chamamos a ambulância o mais rápido possível. — Um homem de trajes simples falou horrorizado.
– A polícia checou os documentos e o nome do motorista era Nathaniel Stone, que encontrasse em estado grave no hospital central de Chicago, mas segundo os enfermeiros, não havia ninguém no carro além dele, a polícia suspeita de que ela pode ter sido arremessada para fora com o impacto da batida e temem que ela já possa estar morta, estão fazendo buscas pela região para ver se encontram o corpo.Voltamos a qualquer momento com mais detalhes.- A comunicação foi interrompida e a programação da TV voltou ao normal, enumerando outras desgraças que haviam acontecido do mundo mas que de nada me importava.
Minha mente ainda trabalhava devagar. Lembrei do carro, era o carro dela. Nathaniel... ela ia sair com ele. Mulher grávida... arremessada para fora do carro... Corpo... Morta.
Nunca senti nada assim, era como se meu corpo estivesse pegando fogo. Literalmente. Comecei a gritar como se estivesse pegando fogo vivo, minha pele sendo rasgada, carbonizada. Milhões de facas penetravam minha pele, a rasgando em cortes rápidos e precisos, agulhas cheias de veneno de vampiro entravam em minha corrente sanguínea, meus ossos se quebravam um a um.
Meu anjo, morta.
Meu corpo humano não aguentava mais sentir dor, eu precisava de um corpo maior, para assim a dor ficar menor e assim, sem controle nenhum sobre meu corpo, eu explodi em um lobo castanho avermelhado no meio da casa dos Cullen, quebrando tudo que havia em minha frente.
Corri para fora daquele lugar, eu precisava encontrá-la. Precisava protegê-la. Precisava salvá-la.
Se ela estivesse mesmo morta eu iria me juntar a ela e a nosso bebê, que nem tive a oportunidade de conhecer, iria me deixar ser dissecado pela ciência dos humanos, ou talvez morto pelos Volturi, o que fosse mais rápido e mais doloroso. Eu merecia a dor. Eu não havia cuidado direito de minha Nessie, não havia protegido-a. Eu merecia queimar no fogo do inferno.
Minhas garras cravavam na terra com agilidade, dando impulso para que meu corpo fosse cada vez mais rápido pela floresta. Dei um uivo cortando o silêncio da floresta, tentando avisar Edward sobre o ocorrido e torcendo para que ele estivesse perto.
Não me lembro de ter corrido daquele jeito em nenhuma outra ocasião, era como se meu corpo voasse, minhas patas não estavam mais no chão.
Nessie.
A culpa era minha, eu havia provocado nossa briga, eu deveria ter dito que era casado, pois eu sabia que era, eu pertencia a ela, e aquilo era mais importante do qualquer papel registrado em cartório. A culpa era toda minha.Se eu não tivesse sido tão idiota ela não haveria saído, e ela estaria em casa, são e salva, tentando roubar chocolates da dispensa enquanto eu fingia recriminá-la, mas no fundo estava completamente fascinado, babando a cada pulo que ela dava para tentar alcançar o pote que eu havia colocado de propósito no armário mais alto.
Minha mente gritava.
Cheguei até o local, estava cheio de repórteres e curiosos. O carro de Nessie estava totalmente arruinado, com certeza nem eu seria capaz de dar um jeito naquilo.
Eu iria entrar lá, nem que fosse na forma de lobo. Foda-se se eu iria ser descoberto, minha Nessie era mais importante do que qualquer segredo. Mas uma brisa mudou minha direção, cheiro de sangue, o sangue dela.
Seguindo o rastro e sem perder o ritmo, logo encontrei uma trilha de sangue espalhada que levava até uma árvore, onde um coração batia fraco, quase sem forças.
Olhei em sua direção e meu corpo começou a queimar mais ainda. Nessie estava de olhos fechados, toda suada, apoiada na árvore, respirando quase com muita dificuldade, estava completamente suja de sangue, mais pálida que o normal e soltava pequenos gemidos toda hora.
Ela estava sentindo as contrações do parto, mas não tinha mais força nem sequer para gritar.
Transformei-me rapidamente. Eu estava feliz por tê-la encontrado com vida, não sei o que aconteceria comigo sem ela, mas totalmente desesperado por não saber o que fazer.
Completamente nu, a peguei no colo e ela quase gritou de dor, não queria que ela sentisse dor, mas não podia deixá-la na floresta. Tinha esperança que os Cullen já tivessem chego na mansão e Carlisle pudesse cuidar dela.
– Meu anjo, eu estou aqui, seu Jacob está aqui, eu vou cuidar de você, vai parar de doer, eu prometo. — Disse tentando acalmá-la enquanto corria sabendo que a cada passo que eu dava ela sentia mais dor e perdia mais sangue.
Cheguei a casa dos Cullen desesperado, gritando por ajuda, mas ninguém vinha. A casa estava vazia.
Eu teria de fazer aquilo. A vida dos meus amores dependia disso.
Coloquei-a no sofá assim que entrei, puxando uma toalha de cima da mesa já posta e derrubando tudo. Nessie tremia de frio, algo que nunca havia acontecido. Cobri-a com o lençol, buscando a todo custo acalmá-la.
– Meu amor... — A chamei mas ela continuava de olhos fechados. — Amor, olha pra mim, vamos fazer isso juntos, okay? — Disse abrindo suas pernas.
Não vou mentir, o meio de suas pernas estava nojento, cheio de sangue e de nada se comparava as vezes que fazíamos amor, mas aquilo não importava, eu continuava a amando e ela estava assim porque ia colocar um filho meu para fora.
– Está doendo. — Ela sussurrou pela primeira vez, e me assustei ao ver o quanto sua voz estava fraca.
– Eu sei meu anjo, mas nós temos que colocar a nossa princesa no mundo. — Falei sorrindo, tentando mostrar confiança a ela, que assentiu, tentando sorrir, mas que mais me pareceu uma careta.
– E se eu morrer? — Ela disse em um último fio de voz.
– Vou logo atrás de você. — Falei de todo meu coração. — No três. Um. Dois. Três! — Gritei enquanto ela empurrava. — Okay meu anjo, já estou vendo a cabeça do nosso bebê, vamos, mais uma vez. Um. Dois. Três. — Ela empurrou novamente, mas não deu certo. — De novo. Um! Dois! Três! — Disse e assim que ela empurrou eu puxei nossa garotinha que chorava feito um bezerro desmamado.. — É uma menina meu anjo! Uma menina! — Gritei feliz com nossa menina nos braços enquanto pegava uma tesoura no móvel para cortar o cordão umblical.
Não sei quem era mais linda, se era ela ou Nessie, mas acho que não havia muito jeito de comparar, afinal nossa princesinha era a cara de Nessie. Pele branquinha, a mesma boquinha dela, o mesmo queixo, até o mesmo sinal que Nessie tinha no pescoço. Ela havia puxado a mim o narizinho e seus olhos, que pelo pouco tempo que pude olhá-los, pois ela não parava de chorar, eram extremamente negros. Não se podia dizer ainda a quem ela havia puxado os cabelos, pois ela ainda não os tinha. Ri com isso. Nossa pequena carequinha.
Cabia na palma de minha mão.
Nossa pequeninha chorava como louca, mas era um som lindo de se ouvir.
– Nós esperamos tanto por você, minha princesinha, tanto! — Falei para nossa bebê, emocionado e estranhando o súbito silêncio de Nessie.
Olhei para a maca e assim que pus os olhos lá entrei em pânico, nossa pequena precisava ser cuidada, para saber se estava tudo bem com ela, considerando as circunstâncias do parto. Mas Renesmee... meu anjo estava quase morta, moribunda em cima da cama, só sabia que ela estava viva por conta de seus batimentos fracos, eu tinha que cuidar dela. Não! Eu não ia perdê-la.
Comecei a tremer, coloquei nossa bebê no outro sofá, enrolada em uma toalha que encontrei jogada na mesa de centro, não podia perder o controle com ela em meus braços.
– Fica calma meu bebê, papai não vai deixar a mamãe ir. — Disse para nosso anjinho que continuava chorando alto.
Eu não sabia o que fazer, nunca havia passado por uma situação daquela. A única vez fora com Bella, e mesmo assim fora diferente, pois lá tinha Edward, ele sabia o que precisava fazer.
Onde diabos estava aquele desgraçado quando se precisava dele? E Carlisle? De que adiantava ter um médico em casa, se quando mais se precisa dele, ele resolve dar uma saidinha?
Eu estava desesperado, perder Renesmee não era uma opção.
– Calma Jacob, já chegamos. — Edward tocou meu ombro. Como eu não vi quando ele chegou?
Foi tudo muito rápido, em um segundo eu estava perto de Renesmee e em outro a vampirada toda já tinha se aglomerado na casa. Carlisle e Edward correndo para um lado e para o outro em busca de estancar o sangue que saia sem parar de Nessie, Rosalie pegou minha princesinha no colo e saiu com ela no colo, não seria bom para ela ver a mãe daquele jeito.
Bella chorava seu choro sem lágrimas enquanto Carlisle e Edward tentavam a todo custo deixar o coração de Nessie mais forte. Enquanto eu era segurando por Emmet, Jasper e Alice para não explodir em um lobo enquanto via minha pequena perder os batimentos.
– Edward, ela perdeu sangue demais! — Carlisle falou enquanto a "costurava".
– Onde estão as bolsas de sangue? — Edward falou rápido.
– Não tenho mais estoque em casa, além do mais, as agulhas não perfuram a pele dela!
– Salvem... — Nessie sussurrou.
– Ela está delirando. — Carlisle falou.
– Nessie querida, não fale nada, é importante que você poupe suas forças. — Edward implorou para Renesmee.
– Salve ele, mamãe... — Ela olhando diretamente para os olhos de Bella, que assentiu enquanto os transmitiam pura dor.
Então Bella sem mais nem menos saiu porta afora em velocidade vampírica.
Será possível que só eu não estava entendendo nada?
– Ela tem pouco sangue Edward! — Carlisle disse preocupado quando os batimentos de Renesmee começaram a faltar.
– Eu vou buscar mais na cidade! — Alice saiu correndo com velocidade total.
Meu imprint.
O lobo sabe exatamente o que o imprint precisa. Ele sente o que o imprint sente.
Me desvencilhei de Emmet e Jasper em um golpe rápido. Pegando o bisturi de Carlisle,rasgando meu próprio pescoço na veia e colocando a boca de Nessie para sugar.
Não vou negar, cortar meu pescoço doeu pra caralho, mas eu sabia que aquilo poderia salvá-la, não me pergunte como, mas eu sabia, e só aquela possibilidade já era o bastante para fazer seja lá o que fosse para salvá-la.
Ela iria viver. Nem que aquilo custasse minha vida.
Todos ficaram quietos, vendo meu pescoço jorrar sangue, pois Nessie não o sugava. Ela era muito teimosa.
– Eu vou logo atrás de você. — Afirmei novamente para ela que não adiantava ela se recusar a tomar de meu sangue por medo de me matar, pois se ela morresse eu iria logo depois.
Então antes que o corte fechasse ela começou a sugar. E a cada gole que ela dava seu coração batia mais forte e o meu ficava mais fraco, mas não importava, eu daria todo meu sangue a ela sem nem pensar duas vezes.
– Jacob, já chega. — Edward disse quando os batimentos dela já estavam fortes.
Nessie estava com fome e continuava a sugar, mas assim que Edward se pronunciou ela parou.
– Pode continuar, meu anjo. — Disse oferecendo novamente a ela. Eu não me importava de dar meu sangue todo a ela se fosse preciso para vê-la mais forte.
Então sem mais nem menos ela fechou os olhos e eu me desesperei. Eu a havia matado?
–Ela só está dormindo Jacob.- Estava a ponto de gritar quando Edward interrompeu-me. — Deveria fazer o mesmo, você perdeu muito sangue.
–Não, vou ficar acordado até ela acordar. — Disse seguro enquanto via a cor de minha Nessie voltar ao normal, eu não sairia de seu lado. — Onde está minha princesinha? — Olhei para os cantos em busca de meu bebê, mas não a encontrei, até que senti seu coraçãozinho que palpitava assim como o de Nessie, no andar de cima.
–Rosalie está tentando alimentá-la com sangue, mas se não der certo vamos ter de tirar um pouco de leite de Ness. — Ele disse eu assenti. — Ah, e Jacob? — Olhei para ele como se concedendo que ele falasse. — Não é implicância de minha parte, mas é que não é nada agradável ver você nu, então agradeceria se você colocasse algo.
Olhei para baixo e constatei aquele mico... mico não, tá mais pra King Kong. Aquele King Kong que eu havia pago, ficar pelado na frente de toda a família da minha mulher.
– Tudo bem. — Disse vestindo uma bermuda que ele jogou para mim.
Eu ainda tinha de assimilar os fatos, minha pequena quase havia morrido por conta de minha falta de minhas infantilidades, e graças a Deus não aconteceu, além de quê agora eu era pai! Já era o segundo presente inestimável que minha pequena me dava, primeiro foi o seu amor e depois um fruto dele. Nossa princesinha linda.
– Ah, minha chapeuzinho... você ainda vai ter que cumprir uma aposta. — Sussurrei em seu ouvido mesmo sem saber se ela realmente ouviu.
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