Desejo - Concurso ilustração - Igor Feijó
1 Capítulo 1 - Faça um pedido!
Notas iniciais
Boa sorte para mim haha.
Uma lâmpada? Na areia?? Fala sério, isso é tipo o cúmulo, c-ú-m-u-l-o do clichê! Agora, fazer o teste de esfregar e sair uma fumaça roxa e brilhosa de dentro...
Já é impossível. Mais impossível ainda foi quando a fumaça assumiu uma forma feminina.
A moça aparentava ser jovem. Por volta dos 19, 20 anos. A silhueta estava em forma e usava aqueles trajes árabes típicos de gênios da lâmpada que a gente vê na TV.
— Najah bahir! 'Aetaqid la 'ahad min 'ay waqt madaa fark hadhih al'ashya'. Mithl, 'abadaan hi nfsha! Pera. QUÊ? — O quê? Ela me olhou surpresa por um momento. Depois, tornou a falar: — Eu bem desconfiei que você definitivamente não tinha cara de árabe, mas tive que arriscar. Desculpe. Tinha dito que achava que nunca mais ninguém esfregaria esse troço. Tipo, nunca mesmo! Eu estava besta. — Você fala minha língua?! — Deveria se surpreender por outros fatos um pouco mais absurdos. Tipo o de você estar conversando com um gênio da lâmpada e tal... não acha?! Bem... ela não estava totalmente errada. — Ai, droga! Esqueci-me de falar o discurso de libertação. Três séculos decorando pra esquecer quando chegasse a hora, que fiasco eu sou... – ela assumiu uma postura formal de repente e fez uma reverência e recitou – “Vossa Excelência me libertou de séculos de tédio e marasmo infinitos. Como gratidão incondicional por tal feito, eis-me aqui para atender a cinco desejos de seu agrado.” O.k., aquilo estava beirando a comicidade. Uma linha tênue e bem próxima. — Isso é algum tipo de pegadinha ou o quê? Não gosto e câmeras. Me digam onde estão, pois se isso for ao ar, vou processá-los! Ela me olhou profundamente antes de confirmar: — É este vosso primeiro desejo? — O quê? NÃO! Pera... cê tá falando sério? Ela piscou. — Seríssimo. – respondeu. Certo. Eu definitivamente não sabia de mais nada.* — Então, você é realmente um gênio feminino mágico que realiza desejos como nos filmes e só pelo fato de eu tê-la... er... libertado, vai realizar cinco meus, não importa quais sejam?! — Isso mesmo! – ela respondeu, simplesmente. Curta e clara.
Comecei a pensar. E pensei bastante. Muitas coisas me passavam pela cabeça, mas nenhuma delas me parecia ser boa o suficiente. Ou eram egoístas demais ou gananciosas, e minha consciência pesava com isso.
— Tenho tantas oportunidades, e é tanto poder... Quer dizer, eu posso simplesmente pedir absolutamente qualquer coisa. Sem restrições. Mas ainda assim... — ela me observava com curiosidade quase admirada. Aquilo me desconcentrou por um breve momento — ... não quero ser ganancioso. Não quero ser completamente egoísta. Mas eu quero. Quero melhorar minha vida, deixá-la emocionante e incrível e... ser feliz. Bem, — suspirei — não sei o que desejar.
A moça permaneceu em silêncio, apenas me observando por alguns instantes.
— Bem, isso é inesperado. Em todos os meus séculos de vida — séculos? Uau! Mas o que eu estava esperando, de qualquer forma? Que ela realmente tivesse 20 anos?? — nunca tinha encontrado um Despertador que não soubesse o que queria. Vocês geralmente mantêm suas ambições e desejos bem claros para si... O mais surpreendente é essa sua tendência ao não-egoísmo, mesmo quando nós dois sabemos que você querpedir. Bem — ela se afastou um passo assumindo uma postura mais... didática, por assim dizer — posso sugerir uma coisa?
Seus olhos brilhavam e isso era um tanto quanto intimidador, apesar de meio legal, até.
— Claro... — respondi sem muita certeza.
— Por que não pede uma aventura? Inesquecível. Indescritível. Única. Pode achar os outros desejos nela...
Considerei. Uma aventura? Aquilo não tinha me passado pela cabeça, mas até que não era uma sugestão tão ruim... Quer dizer, o que poderia dar errado em uma tarde inesquecível com os amigos ou qualquer coisa do tipo?
Mas um contraponto me surgiu em mente.
— Espera... mas como vou saber se o que você realizar não será, de alguma forma, uma armadilha? Como posso saber que não irei me arrepender amargamente por ter desejado?
Os cantos de seus lábios se ergueram e um olhar travesso foi assumido antes dela responder:
— Não vai. E talvez essa seja a melhor parte.
Valia a pena arriscar?
— Vai arriscar? — ela provocou como se tivesse lido meus pensamentos.
Refleti na situação e no rumo que minha vida estavam tomando.
— Vou.
Ela sorriu. Uma luz violeta surgiu em suas mãos, acompanhada de uma fumaça brilhosa:
— Muito bem, então. Faça um pedido!
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