Desejo

1 Capítulo Único


Notas iniciais
Espero que gostem ^^Boa leitura!

– Capitulo Único -

Corri os olhos pelo meu relógio de pulso, constatando que faltavam exatos dezessete minutos para as três horas da tarde. O elevador cujas paredes e teto eram totalmente espelhados subia andar por andar cronologicamente, me levando cada vez mais próximo daquele que sutilmente me aguardava. 34°, 35°, 36°, 37°... Conferi se meu cabelo estava devidamente arrumado em um dos espelhos, constatando-o impecável como sempre, sorrindo largamente quando acima da porta o 38° andar piscava indicando que tinha finalmente chegado a meu destino.

Sai rapidamente, avistando a porta de seu apartamento ao fim do corredor, repassando em pensamentos o motivo que me levava dia após dia até ali, tarde após tarde com um único objetivo. E não pude evitar me sentir de certa forma feliz, embora aquela não fosse a felicidade com a qual sempre sonhei, era o bastante para me sentir realizado.

E pensar que já se faziam dois anos desde então...

Como hoje, o dia estava igualmente agradável. Era inicio de primavera e a temperatura estava morna e convidativa a um passeio. Eu não era daquelas pessoas que se importavam com esse tipo de coisa, mas naquele dia em questão, resolvi abandonar meu carro na base da S.H.I.E.L.D. e ir a pé para casa. Na verdade tomara essa decisão por que me sentia sufocado, e por um breve momento me passou pela cabeça a idéia de respirar um pouco de ar puro e relaxar. Foi quando ao caminhar despreocupadamente pelo Central Park, observando crianças a correrem de um lado para o outro no parquinho, e felizes casais de namorados se beijando, que eu o vi. Por incrível que pudesse parecer o loiro havia tido a mesma idéia que eu, e o mais engraçado, era pelos mesmos motivos.

De forma calma me aproximei dele sussurrando um “Chorando as mágoas?” que o fez erguer o olhar para mim sorrindo e nenhum pouco surpreso, devolvendo um “Igualmente a você...”.

Parecia até ridículo, dois homens adultos e experientes como nós, chorando pelos cantos igual a dois adolescentes por causa de amores não correspondidos, no entanto era exatamente esse o nosso dilema. Ele, perdidamente apaixonado por uma mulher que agora pertencia ao seu passado, e eu, apaixonado por uma que apesar de estar todos os dias presentes na minha vida, só sabia me enxergar como o seu melhor amigo.

Mas naquele dia em questão, uma determinação que eu nunca havia visto antes, brilhava nos olhos impecavelmente azuis como o mais profundo mar. E aquele homem sempre considerado o orgulho da nação, ao qual possuía a perfeição em absolutamente tudo o que fazia, se mostrou com uma nova faceta. Nenhum pouco envergonhado ao me fazer certa proposta...

“O que acha de afogarmos nossas mágoas um no outro?”.

Fora o que saíra dos lábios cheios, antes dele me fitar de forma interrogativa e sedutora. E por mais maluco ou errado que aquilo pudesse parecer, bem, eu não hesitei, concordei plenamente com aquela irresistível e indecente proposta. Mesmo ela tendo vinda de Steve Rogers, o Capitão América em pessoa...

– E pensar que era para ter sido apenas uma tarde... – sussurrei voltando a realidade, quando meus dedos automaticamente tocaram a campainha.

O loiro abriu a porta de imediato, sorrindo de maneira irônica. Os cabelos ainda úmidos a caírem por sobre seus olhos, deixando pequenas gotículas de água escorrem pelo rosto claro, para logo se derramarem pelo seu peitoral... Encontrando como destino final apenas uma toalha azul que o cobria da cintura para baixo. Mordi os lábios com força, já imaginando os estragos que faria naquele corpo perfeitamente esculpido pelos deuses, ou pelo gênio que tivera a brilhante idéia de transformá-lo no super soldado.

– Você é irritantemente pontual quando quer, não é Stark? – bradou dando espaço para que eu pudesse adentrar o recinto, indicando brevemente com o olhar o relógio de parede que pendia acima da enorme TV de LCD — um pequeno presente de natal dado a si por mim — ao qual marcava exatamente 14h45min. – Custava chegar cinco minutinhos atrasado? Eu ainda nem me vesti. – rogou enquanto fechava a porta e se virava para me encarar, os olhos terrivelmente azuis me fitando com malicia e eu duvidava plenamente que ele pensava mesmo em se vestir...

Steve havia se revelado de uma maneira que ninguém sequer poderia imaginar, e de certa forma, eu até que gostava de ser o único que conhecia todas as suas facetas.

– Olhe pelo lado positivo Capitão... – me aproximei de si sussurrando em seu ouvido, vendo-o estremecer. – Não teremos o trabalho de despi-lo. – beijei levemente seu pescoço ouvindo um suspiro baixo e prazeroso abandonar seus lábios. Eu sabia como provocá-lo, após dois longos anos “juntos”, conhecia perfeitamente bem cada mínimo pedaço de seu corpo... Os lugares mais sensíveis, as partes que ele gostava de ser tocado... Era um mapa decorado detalhadamente em minha cabeça. Desviei meus lábios subindo para seu queixo, raspando os dentes pela pele lisa recém barbeada, e já estava prestes a atacar sua boca carnuda e suculenta quando o mesmo me afastou de si brutalmente. – O que foi? – perguntei interrogativo vendo um sorriso nada comum se formar em seu rosto.

Ah sim, eu adorava esse lado de Steve Rogers.

– Sabe que dia é hoje Anthony? – questionou empurrando-me pouco a pouco para trás. As mãos espalmadas em meu peito, mantendo-me dois passos afastado de si.

– Sei. – respondi segurando seus pulsos e impedindo-o de me empurrar outra vez. – Seu aniversário de noventa e sete anos, vovô...

– Então... Acho que para uma ocasião dessas, você sabe que eu mereça um presente a altura não é? – ele me fitou de forma inocente, os olhos azuis exalando uma falsa pureza em contraste com as maças coradas do rosto pálido, mas eu sabia perfeitamente bem que aquele olhar não significava boa coisa.

– E o que seria esse presente? — perguntei entrando em seu jogo.

– Você. – ditou quase num sussurro, de tal modo que se não estivesse perto de si o bastante, nem teria escutado.

– E já não estou aqui? – devolvi no mesmo tom...

– Não se faça de rogado Homem de Ferro... – de alguma forma, e eu presumo que tenha sido por um descuido propositalmente meu, — ta eu confesso, não tinha como eu ser mais forte que um super soldado, não é? — o loiro se livrou de minhas mãos, voltando a estampar aquele olhar malicioso e cheio de más intenções. – Eu quero fazê-lo meu dessa vez. – e sem esperar por uma devida resposta, me empurrou com força prensando-me contra a parede, — intento que eu sabia, ele tinha desde o inicio — colando seu corpo no meu de forma safada, para logo depois tomar os meus lábios com fúria.

E não, aquilo definitivamente não era uma novidade, quero dizer, não era algo freqüente, mas às vezes, o sempre ponderado Steve Rogers gostava de tomar o controle da situação. Era adorável estar dentro dele, ouvi-lo gemer meu nome inerte em seu próprio prazer, mas eu não poderia negar que de certa forma eu também gostava de tê-lo dentro de mim. De sentir as estranhas ondas de prazer e êxtase que me dominavam quando aquele loiro literalmente me levava à loucura.

Então sem relutar, me rendi a seus encantos permitindo-o aprofundar o beijo, sentindo-o vasculhar minha boca de forma sedenta, seu gosto doce se misturando ao meu, sua língua se entrelaçando a minha em um conflito para se descobrir qual era o mais forte. Com precisão sua mão segurava minha nuca, os dedos longos embrenhando-se entre meus cabelos puxando-os levemente e então foi a minha vez de arfar com o contato.

– Steve... – gemi entre o beijo.

Assim como eu tão bem conhecia o seu corpo, ele também conhecia perfeitamente bem o meu... Sabia todas as partes que me deixavam louco com um único toque e conseqüentemente o meu maior ponto fraco. Toda vez que o maldito segurava minha nuca daquela maneira, de forma tão dominadora, eu estremecia. Sucumbia a seus toques, implorando por mais e mais, sem me controlar...

O ar finalmente nos faltou e por breves minutos ele descolou os seus lábios dos meus, enquanto afoitamente arrancava a camiseta escura do Black Sabbath que eu trajava.

– Roupa de mais Tony... – ele sorriu deslizando as mãos por meu peitoral totalmente exposto — agora sem um reator arc para atrapalhar o percurso — fazendo-o se arrepiar a cada mínimo toque que o mesmo traçava com os dedos frios lentamente, e de propósito, por sobre a minha pele, até finalmente chegar ao cós da calça.

– Você realmente não estava brincando quando disse que me queria para si... – ditei ansioso pelo seu próximo passo. Por um breve momento achando que ele se livraria daquela peça também.

No entanto, para me provocar o loiro apenas contornou sua borda, passando a mão por cima de minha ereção semi-desperta pelo atrevimento, fazendo-me novamente arfar incomodado, observando-o me encarar desejosamente. Eu gostava de apimentar as coisas, admitia isso, mas o santo — não tão santo assim... — Steve, possuía uma imaginação fértil e um desejo incontrolável de me ver completamente exposto, que suas ações eram sempre uma surpresa.

Surpresa tão deliciosa quanto o fato de saber que toda a moralidade que ele possuía no campo de batalha, ele simplesmente mandava para as cucuias quando estávamos entre quatro paredes.

Da primeira vez que aceitei inverter as posições, o homem sempre tão ponderado e impecavelmente educado, me provocara de tal maneira que eu praticamente o fiz entrar em mim sem nenhuma preparação... Fato que me rendeu dois longos dias sem conseguir me sentar direito, além dos questionamentos de Clint, Natasha e até mesmo de Thor, sobre o que havia acontecido. Sem contar que o loiro não evitava rir da situação, feito um completo babaca, deixando a todos desconfiados.

“Se eles soubessem...”.

Steve repetiu por quase uma semana inteira, talvez zoando mais os companheiros de equipe do que a mim.

No entanto, lembrar-me disso fez o questionamento passar por minha cabeça novamente. E se eles soubessem? E se Pepper soubesse de nosso envolvimento de mais de dois anos? Ela teria ciúmes? Perceberia finalmente que gostava de mim...?

Tão rápido os questionamentos me vieram, mais rápido ainda se foram, evaporando feito água, quando senti a língua morna e nada casta de Steve por meu pescoço. Depositando um chupão tão forte que me fez dessa vez soltar um gemido alto e ficar devidamente consciente de que uma marca roxa se formaria no local.

– Marcando território Picolé? — não pude evitar o comentário, vendo o mesmo abandonar meu pescoço e me fitar nos olhos. O contato me estremecendo de forma avassaladora e eu me perguntava se poderia existir outra pessoa no mundo que poderia me causar aquela reação...

Tão estranhamente assustadora.

– Quem sabe...? – ditou apenas voltando a atacar os meus lábios, as mãos ainda por sobre o grande volume dentro de minha calça, deslizando lentamente... E sinceramente aquele filho da puta já estava me irritando.

Sem apartar o beijo levei minhas mãos até a barra da única peça que cobria o seu corpo, puxando com força a maldita toalha que enrolava a cintura daquela perfeição em pessoa. Sentindo-me satisfeito por vê-lo arfar e gemer baixinho ao se ver completamente livre. E eu, bem, não pude conter o meu próprio gemido quando para levá-lo definitivamente a loucura, me apossei de seu membro apertando-o, começando um vai e vem torturante que eu sabia que o faria desabar.

Eu queria que ele desabasse.

Um gemido mais alto escapou-lhe fazendo-o libertar meus lábios, mordiscando o inferior levemente, ao mesmo tempo em que deslizava o queixo fino por sobre o meu cavanhaque, me fitando talvez mais intensamente do que antes. Uma luxúria se apossando de si, que eu podia sentir as ondas de calor e a eletricidade que vazavam de seu corpo e me acertavam em cheio, criando um elo inquebrável de desejo.

– Você pediu por isso... Anthony Stark. – sua voz saiu sussurrada e arrastada, enquanto desviava as mãos de minha ereção para minhas coxas, apertando-as no mesmo ritmo em que eu o apertava, para logo depois puxá-las de encontro a sua cintura.

No automático, a enlacei com as pernas abandonando completamente o chão, soltando-o para ter que me apoiar em seus ombros. E embora eu me sentisse extremante ridículo por isso, pelo loiro ser inegavelmente mais forte do que eu, por me fazer me sentir uma mulherzinha sendo carregado daquele jeito, eu tinha que admitir que gostava. Sua respiração desconexa próxima a meu pescoço fazendo-me cócegas... Sua ereção, que eu podia sentir mesmo ainda trajando o jeans, que por teimosia sua não jazia no chão junto de minha camiseta... Seu toque profundo e desconcertante... Tudo isso junto.

Eu gostava, e gostava até de mais.

– Capitão... – não pude evitar gemer baixinho em seu ouvido para provocá-lo ainda mais, vendo-o sorrir de lado e me carregar sem pressa alguma em direção a seu quarto. Seus lábios depositando beijos pela pele exposta de meus ombros, deixando um traço de saliva... Dominador. Maldito dominador duas caras! Mas eu gostava, rendia-me a seus instintos primitivos — tão bem escondidos pela pose de bom moço. Eu simplesmente o queria e não era um simples querer, era uma necessidade. – Eu não tenho o dia todo, sabia? – finalizei mordendo seu lóbulo.

E a resposta que tive foi ser jogado na cama sem o mínimo de cuidado, vendo-o logo depois engatinhar por sobre mim, como um verdadeiro felino prestes a devorar a sua presa. Os olhos azuis intensos e intimidadores, a boca carnuda entreaberta em um sorriso pleno com seus dentes perfeitamente brancos a mostra... E eu poderia simplesmente gozar somente com aquela visão. Sentindo meu baixo ventre latejar, implorando por alivio.

– Te darei o que tanto deseja Stark... – parecendo ler meus pensamentos, suas mãos se pousaram sobre o cós da calça jeans, desabotoando-a lentamente, para só depois arrancá-la de forma brusca juntamente com minha boxer, e finalmente eu me senti liberto. Sorri sacana, passando a língua pelos lábios num claro convite de que o queria e sem pensar duas vezes, o loiro desabou sobre mim. Atacando minha boca, devorando-a como se ela fosse o alimento necessário para sua sobrevivência. Nossas intimidades encostando-se subitamente, nos proporcionando um momento único de êxtase.

O calor já parecia algo insuportável e eu podia escutar claramente os seus batimentos cardíacos totalmente descompassados sendo acompanhados pelos meus, e naquele momento tudo o que eu mais desejava era ser plenamente seu, me dar para si como seu presente de aniversário. Ser marca evidente em sua pele, eu queria ser apenas um consigo.

– Então faça logo, mas faça direito. – praticamente ordenei, inebriado por todo aquele desejo que parecia corroer tudo a minha volta.

Abandonei seus lábios encarando-o firmemente, enquanto puxava uma de suas mãos que até o momento estavam espalmadas sobre o colchão, uma de cada lado de minha cabeça, trazendo-as para meu rosto. Beijei as costas de cada uma delas, num ato de pura provocação, para logo depois sutilmente lamber os seus dedos...

O profundo azul de seus olhos se cruzava com o castanho dos meus e em absolutamente nenhum momento, esse contato fora quebrado. Sabia que naquele simples ato, havia muito mais do que a mera amizade que mantínhamos desde que começamos a integrar aquela equipe incombinável denominada “Vingadores”. Havia algo... Uma ternura, um carinho, e já não éramos somente amantes, eu reconhecia que não.

E enquanto ele me preparava para finalmente recebê-lo, eu podia sentir isso... Essa cumplicidade que nos rodeava, mesmo sendo completamente opostos um ao outro e de personalidades e ideais tão diferenciados.

Steve Rogers era um homem incrível e de grandes virtudes, não só por que era considerado o orgulho da pátria, longe disso. Minha admiração ultrapassava o fato de considerá-lo o grande herói que meu pai tanto falava. Eu o via como um amigo insubstituível, necessário e por que não, eterno? Mas essa era a mais absoluta verdade. Dois anos não eram dois meros dias, tínhamos uma historia de tardes e mais tardes que nos perdíamos ali, sob aqueles lençóis de seda macia e azul. Algo que de certa forma me confortava e o confortava também e que era o suficiente para nós dois.

– Mesmo quando fica por baixo você gosta de dominar... – ele inquiriu mais para si mesmo do que para mim, e eu podia ver claramente naquele fino sorriso que se estampava em seus lábios: Tudo o que eu sentia era recíproco. – Mas o que esperar de Tony Stark? — e um novo beijo se formou...

Mas este por sua vez calmo e terno, enquanto lentamente ele me invadia, causando-me um pouco de dor e desconforto no inicio, mas que logo iam sendo substituídos pelo prazer. O prazer de tê-lo totalmente em mim.

Pequenas lagrimas escorriam de meus olhos se misturando ao beijo, deixando-o levemente salgado e causando em mim um frenesi arrebatador. Por um tempo ele não se moveu esperando que eu me acostumasse, seus lábios tocando os meus sutilmente, como se estivessem a provar um doce muito suculento. Uma de suas mãos deslizava pelo meu rosto, afastando as mechas de cabelo por sobre meus olhos, e naquele momento eu pude sentir...

Algo que até então sempre jurei sentir apenas por uma única pessoa...

Os batimentos acelerados de nossos corações, a respiração entrecortava que nos fugia em meio ao beijo, o suor que escorria pelos poros, o arrepio que começava pela nuca e tomava todo o nosso corpo sem pudor... Naquele exato momento eu não poderia mais mentir para mim mesmo, eu compreendia que de alguma forma acabara me apaixonando perdidamente por aquele que era o meu amigo, meu parceiro de batalhas, meu rival de princípios...

Durante os dois anos que se seguiram havíamos construído algo muito forte, e não era como aquele sentimento incomodo e que me fazia ficar sem reação toda a vez que estava perto de Pepper. Com Steve era completamente diferente... Era uma paixão torrencial, avassaladora e ao mesmo tempo confortante. Era desejo mesclado a mais pura luxúria e sedução, e que em conjunto formavam aquele elo poderoso, que criava raízes profundas, que marcava em nosso próprio corpo como ferro quente, que um pertencia ao outro...

Sim, eu admitia que era amor...

O Homem de Ferro estava inegavelmente e incondicionalmente apaixonado pelo Capitão América.

– Realmente Steve... Você pode esperar sempre o pior de mim... – ergui as pernas entrelaçando sua cintura num convite mudo para que prosseguisse, e loiro não hesitou em sair de mim e entrar novamente com força. Fazendo-me arquear as costas e cravar as unhas em suas costas nuas, perdido em um misto de dor e prazer...

Perdido em todas aquelas sensações que me invadiam e pareciam querer fazer meu coração explodir. Nossos corpos se chocando um no outro num vai e vem sincronizado, enquanto a temperatura aumentava gradativamente mais, de modo que até mesmo respirar estava sendo difícil. Seus lábios fartos agora distribuíam beijos por meu rosto, descendo pelo meu pescoço lentamente... E mais uma mordida! Arfei quase sufocando, o que pareceu ser um incentivo para ele continuar, dessa vez por meus ombros e depois peitoral. E eu me sentia em brasas, como se a cada lugar que aquela língua habilidosa passava, queimasse.

Juntando todas as forças que ainda me restavam, enlacei meus dedos em seus cabelos ainda úmidos, — mas agora também pelo suor — puxando-os em um ato selvagem e por que não provocador? Por que sim, eu também queria tirar-lhe toda a razão... O ultimo resquício dela. Então tomei seus lábios nos meus, permitindo-me vasculhar cada mínimo recôndito daquela cavidade morna e tão absolutamente tentadora, vendo-o se arrepiar e gemer forçando-se cada vez mais contra mim. Até que...

– Ahhh... Steve... – não pude evitar gritar, separando-me por fim de seus lábios, quando ele me acertara naquele ponto que me causava o ápice do prazer, vendo-o sorrir de forma lasciva para depois investir novamente no mesmo lugar... Uma vez, duas vezes e mais uma... Nem sabia mais, aquela altura tinha perdido totalmente as contas. Já nem sabia mais o que saia de minha boca, mas tinha ciência de que em meio a gemidos, palavras desconexas me escapavam sem o mínimo de pudor. – Mais rápido Steve... Mais... Steve! – soltei seus cabelos agarrando com força dessa vez, os lençóis da cama... Eu estava quase no meu limite.

Deliciosamente ao meu limite.

– Você quer... Mais rápido? – sua voz saia arrastada, rente ao pé do meu ouvido, de propósito. No único intento de me desarmar, de me fazer sentir que ele também estava chegando ao seu limite.

Abri os lábios de modo afoito, procurando ar suficiente para preencher meus pulmões, e o que obtive como resposta fora a sua risada gutural que escapou de sua garganta sem o mínimo de receio... Talvez se deliciando em me ver assim tão entregue daquele jeito, tão submisso a si, como eu não era com mais ninguém.

Seus olhos azuis, agora nublados pelo desejo e pelo prazer, me fitavam intensamente como se fossem capazes de verem através de minha alma, e de certa forma acho que era exatamente isso.

Apesar de toda a minha arrogância e da mascara que eu erguia como proteção às pessoas ao meu redor, para Steve eu era como um livro aberto. Havia me dado para si de tal maneira que não havia mais volta, e essa era uma verdadeira rendição. Completávamo-nos, e mesmo que no inicio fosse apenas uma transa casual, os rumos que aquele estranho e tentador envolvimento tomaram, foram profundos. Eu estava amando-o e não podia mentir mais para mim mesmo.

Steve Rogers havia conseguido preencher o lugar antes ocupado por uma única pessoa, a qual o nome agora nem me vinha mais a cabeça, e sinceramente? Eu não me arrependia nenhum pouco disso.

Jamais me arrependeria...

– Eu... Steve... – senti que estava alcançando o ápice, percebendo minha visão turvar e ondas elétricas percorrerem meu corpo numa leve tortura. Ah, mas isso não me impediria, eu precisava dizer... Melhor, eu queria gritar e admitir de uma vez por todas, que estava amando aquele homem que eu sempre vivi julgando e implicando. Aquele denominado o Capitão América, o herói da nação... O perfeito imperfeito que tanto me fazia bem. – Eu acho que... Te amo...

Afirmei me derramando sobre si, deixando que minhas pernas entrelaçadas antes em sua cintura, pendessem no colchão. Os espasmos me causando uma sensação pós gozo de leveza, como se de repente eu estivesse a flutuar sob nuvens – sem o acompanhamento da minha armadura -, apenas voando sem rumo... Sentindo-o me penetrar ainda mais algumas vezes, até por fim me acompanhar e se derramar em meu interior.

E por um breve momento, o tempo simplesmente parou...

O loiro me encarava plenamente, o rosto belo e comprido banhado de suor, os fios claros e bagunçados a grudarem na sua pele perfeita... Tão lindo, que eu poderia passar a eternidade ali apenas o observando sobre mim.

Então sem pensar duas vezes, ergui minha mão para tocar-lhe a face, cujo um terno sorriso agora se estampava. Afastando aquelas mechas teimosas que insistiam em esconder os seus olhos cerúleos dos meus.

Eu estava fascinado, completamente fascinado.

– Eu também te amo Tony. – ele sussurrou por fim descansando o seu corpo sobre o meu e abraçando-me de forma terna e gentil. – Mas isso eu descobri há exatos dois anos atrás... – finalizou depositando um beijo na pele de meu ombro.

E foi a minha vez de simplesmente sorrir...

De fato, já nem era preciso dizer mais nada depois de tudo isso.

Não havia a necessidade.

Bem se diz também, que o amor é um sentimento imprevisível. Pode chegar à primeira vista, dominando-o com apenas uma simples troca de olhares... No entanto, pode ser também aos poucos construído, como uma casa, tijolo por tijolo... Ou talvez quem sabe como no nosso caso.

Tarde após tarde...

Eu me descobri amando-o, da mesma forma que ele também se descobrira me amando, e isso era o que bastava para nós dois.

No final das contas, nosso lance era um caso de paixão... Luxúria... Desejo... E por que não também amor?

Ambos poderiam conviver juntos.

Deliciosamente...

Notas finais
Então é isso divas, espero que tenham gostado. Ah e não se esqueçam, criticas e elogios são sempre bem vindos, não doem e incentivam a escritora aki a continuar viu?Até a próxima ^^Kissus...
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!