Desde Meus Oito Anos.

6 Garotas? Garotos.


Notas iniciais
Eu me sinto mal toda vez que leio a parte do Vitor triste... que loucuraney. mas finalmente rolou né?! o/ P.S.:se todos que acompanham desse um ''oi'' eu escreveria um epilogo, já que falta só 2 capítulos pra acabar :( A*T*E*N*Ç*Ã*O* O EPÍLOGO DESSA HISTÓRIA ESTÁ EM OUTRA HISTORIA NO MEU PERFIL!!!

Eu tinha 12 anos na época.

Eu estava sentado em meu quarto pensando. Estava tentando colocar meus pensamentos em ordem. Estava tudo fora do lugar, se é que um dia já esteve. Tentei e tentei e por fim consegui, mas mesmo assim liguei pra alguém que poderia dizer se eu estava certo mesmo ou não.

– Vitor, você pode vir aqui um pouco? Tenho umas duvidas...

– okay, já chego ai.

10 minutos e ele chega, me abraça e falo:

– vamos para o meu quarto não quero que minha mãe escute.

– então deve ser muuuuuito importante, né não Gus?

– cala a boca e vem

– estou fazendo isso de graça, não abuse!

Chegamos ao meu quarto.

– ã... Como você sabe que gosta de alguém?

– ownnnt! É o que eu estou pensando?

– só responda...

– okay, mas não vai acender uma luzinha em cima da cabeça, nem um letreiro, você simplesmente sabe...

– pode ser mais especifico?

– vamos ver... Você senti falta da pessoa, mas que o normal, se pega pensando nela toda hora, não consegue se imaginar sem ela... Por ai, essas coisas...

–hmmm...

– mas posso saber o porquê da pergunta? Quero dizer, que garota fez isso com você? – dei uma risadinha e fiquei encarando-o.

– oque foi? – perguntei levantando uma sobrancelha como sinal para captar a indireta.

– garotas?

– garotos.

– TOS?

– isso mesmo. – ele me olhou analítico antes de dizer:

– então algum garoto está te deixando confuso sobre sua sexualidade?

– ah, não! Eu sempre soube minha sexualidade, só estava em duvida quanto a ele! Tipo, ele estudou comigo do começo do ano até mês passado, quando ele foi embora. Mas quando fui para a escola e não o vi mais, não escutei sua voz, senti falta, mais falta do que se a Cidinha fosse embora, como se uma pequena parte de mim fosse embora com ele... Você me intende? – perguntei a ele, que me olhava com um olhar meio vazio – Vitor acorda! – ele focou o olhar em mim e soltou:

– como não me contou antes?

– sobre o Paulo?

– não, sua sexualidade! Pensei que confiasse em mim!

– eu confio! Só esqueci e contar.

– ninguém esquece que é viado! – gritou, ele se arrependeu no momento que gritou.

Naquele momento senti meu mundo girar, literalmente, eu tinha escutado certo? Vitor, o meu Vitor, me xingou de ‘’viado’’? Uma coisa que nunca fez antes!

– desculpa! Desculpa Augusto! – eu não disse nada, só fiquei encarando-o sem expressão nenhuma.

– Gus, me perdoa, não queria dizer isso! – começou a implorar.

– mas disse... gritou...

– me desculpa!

– só saia daqui... Por favor... – disse soltando algumas lagrimas teimosas que insistiam em sair.

– Gus, me desculpe, por favor! Eu não queria... por favor... Me perdoa! – ele já estava chorando.

– SAIA DAQUI AGORA! – explodi, nunca explodi assim com ele, nem com ninguém.

Ele me olhou com os olhos vermelhos e cheios de lagrimas. Era estranho ver ele chorando, ele todo grandalhão chorando porque um menino de 12 anos não o desculpou.

Fiquei com dó dele minutos depois. Mas ele me chamou de viado, palavra que ele nunca me chamou antes e segundo ele, ele odiava aquela palavra. Resolvi que amanha ligaria pra Vitor e aceitaria deu pedido de desculpas, não gostava de vê-lo assim.

– Vitor? – liguei no outro dia.

– olha Gus eu não queria dizer aquilo okay? Eu passei a madrugada inteira acordado pensando naquilo... – disse ele atropelando as palavras.

– cala! Eu liguei pra dizer que aceito suas desculpas. Por mais que isso tenha me machucado, eu não consigo ficar com raiva de você...

– 10 minutos! – disse e desligou.

10 minutos mais tarde escuto a campainha.

Atendo e assim que abri o portão ele me deu um abraço apertado! Muito apertado mesmo! Acho que ficamos outros 10 assim.

– Augusto eu peço desculpa mais uma vez! A ultima coisa que eu quero é machucar você! Eu te amo! Muito mesmo!

– eu também te amo primo.

– ah... É... Primo... – disse baixinho

– o quê?

– nada. To feliz já que você me... Perdoou.

– posso só saber uma coisa?

– claro

– porque você usou aquela palavra? Você disse que a odiava!

– e eu odeio... E muito! É que uns anos antes, eu tive uma conversa parecida com a nossa, com o meu pai e ele me xingou muito dessa palavra. Oque não fazia o menor sentido, já que e só perguntei se era errado gostar de pessoas do mesmo sexo, ele disse que se um dia eu me relacionasse com um garoto ele iria descontar toda raiva do trabalho em mim... Que preferia ter um filho morto a vê-lo com outro garoto. Fiquei dias, semanas sem falar com ele, até que um dia ele veio até mim, abraçou e disse ‘’ eu te amo, mais do que tudo, e não importa com quem você namore, eu sempre vou te amar! E me desculpe por aquilo, eu pensei muito e vi que eu fui um preconceituoso filho da puta!’’. É claro que eu o perdoei, mas depois disso, acho que ele nunca se perdoou. Acho que ele sentia culpado... E não estou dizendo isso pra você me perdoar, só achei que você merecia a verdade e não pensasse que eu o odiava, pelo contrario, eu te amo mesmo E.T.!

Agora tudo fazia sentido, por isso que o tio Paulo pediu pra eu cuidar dele... Ele se sentia culpado...

– Gus, você está ai?

– tô, só estava digerindo as informações... Que historia forte.

– eu sei, mas a pior coisa foi ouvir que ele preferia um filho morto, isso me destruiu por dentro... E deve ser assim que você se sentiu certo?

– um pouco, sim... Mas eu te desculpo okay?

– okay... Bem eu vou ter que ir, tenho um trabalho da facul pra fazer, mais tarde passo aqui, okay?

– okay. – eu disse isso e ele veio em minha direção, chegou perto e mais perto e me... Beijou um selinho na verdade, mas mesmo assim...

– o quê...? – fiquei sem palavras na hora.

– é só uma brincadeira... Da faculdade! Não se preocupe! Até mais! – fiquei fora do ar por uns instantes. Se ele disse que era só uma brincadeira, eu acreditava.

E eu gostei.

Notas finais
quem diria né?! o primeiro a sentir 'coisas' foi o mais velho... ah essa aventura chamada vida.... A*T*E*N*Ç*Ã*O* O EPÍLOGO DESSA HISTÓRIA ESTÁ EM OUTRA HISTORIA NO MEU PERFIL!!!