Desculpas Atrasadas

18 18- Por detrás das máscaras.


Notas iniciais
Olá!Mil desculpas pela demora,acho que quase 4 meses sem postar,mil perdões.
Tenha uma ótima leitura!

O sol começava a se pôr quando o trio resolveu que era hora de voltar para casa. Harumi e Mizo, os irmãos-amigos de Hayato, caminhavam cada qual em um lado do hanyou, tal como sempre fora desde que a amizade começou. Hayato se sentia meio desconfortável depois de revelar a origem de sua genética para os dois, mas ao mesmo passo também se sentia estranhamente feliz. Era bom partilhar um segredo, mesmo que esse segredo trouxesse consigo um pouquinho de medo. Medo de se ver solitário novamente.

Os três conversavam sobre assuntos sem importância, riam e se divertiam com comentários bobos e descontraídos. Nesses momentos, Hayato agradecia por poder compartilhar desses momentos tão raros em sua vida. Em determinado ponto do trajeto, Harumi avistou uma amiga e, alegremente, se pôs ao seu lado para contar-lhe alguma fofoca de última hora. Hayato se viu perdido em meio aos movimentos suaves de sua primeira paixão, vendo-a deslizar como poesia pelo asfalto negro. Sem querer deixou um suspiro escapar por entre um meio sorriso aberto.

–Às vezes isso me mata, sabia?- ouviu Mizo reclamar ao seu lado, com um tom de voz que não sugeria o que estava dizendo.

–Isso o que?- Hayato perguntou inocente, sem se dar conta de que suas bochechas coradas pela descoberta, que lhe traíam as palavras.

–Isso de você, esses suspiros abobalhados.

–Eu não estou suspirando!- Hayato protestou.

–Mesmo? Então porque essas bochechas coradas de vergonha?- Mizo tinha ares de pessoa madura.

–É por causa do calor.

–Tudo bem, eu não vou insistir, senhor eu-não-admito – quase riu ao ver o olhar de aviso que estava recebendo – Eu queria te perguntar outra coisa que não isso.

–E o que seria?- perguntou desconfiado com uma sobrancelha levemente arqueada.

­-Apenas uma curiosidade. Algo em que eu penso já há algum tempo. Pode deixar, não é sobre Harumi. – completou ao ver que Hayato ainda se mantinha de guarda.

–Pois pergunte então.

A certeza de Mizo desapareceu e ele rolou os olhos nas orbitas dando a ideia de que formulava a pergunta.

–Como é que é isso, cara, sabe, ser do jeito que você é?Não sei explicar.

–Ser meio-yokai?- Hayato perguntou.

Mizo balançou a cabeça afirmando. Pela primeira vez não parecia muito à vontade depois de realizar uma pergunta.

–Ah, sei lá cara, — deu de ombros- não sei explicar, sou assim desde que nasci. Talvez o mais certo fosse eu lhe perguntar como é ser normal.

–Isso não tem graça, ser normal é entediante. – Mizo respondeu.

–Isso porque você não tem que passar pelo que passo.

Hayato chutou algumas pedrinhas, pensando em como responder. Era uma pergunta muito profunda, algo que nunca tinha pensado que lhe perguntariam. Depois de um tempo, e mais cinco ou seis pequenas pedras levadas para longe pelos seus nada modestos chutes, falou:

–Como eu posso começar, deixe-me ver... Ah, sim. Nós temos o faro mais aguçado, somos mais fortes, sentimos menos dor... E, acho que é só.

Mizo olhava para ele e fez uma cara não muito agradável ao ouvir a resposta. Era óbvio que esperava algo mais elaborado. Mesmo assim não insistiu.

–Cara, deve ser muito legal. – disse sonhador.

–Não, não é- Hayato repreendeu-o — É um pesadelo. Nós também temos instintos, vontades loucas de atacar e... Sei lá. Prefiro não descobrir o que vem depois dessa vontade louca. Acho que já posso tirar isso.

Hayato se abaixou e puxou uma fita do gesso que escondia uma fissura que o cortava de uma ponta a outra. Com cuidado, fez o gesso deslizar e o puxou libertando a perna que nem ao menos tivera tempo de ficar branca sob a prisão e já estava curada.

–Já curou?- Mizo perguntou meio desconfiado.

–Não levou dois dias. – Hayato respondeu, e antevendo a próxima pergunta completou- Mesmo assim vou fingir por mais uma semana ou duas. Não seria normal uma perna se curar em tão pouco tempo, não é?

–Não mesmo, cara. – Mizo concordou com um sorriso- por isso que eu disse que deve ser maneiro. Imagine seus cortes curados assim tão rapidamente.

–Quanto a isso é bom, mas o resto...

–Também é legal, cara. Você vê, escuta, sente, cheira e se concentra melhor que qualquer um de nós.

–É, e também desmaio com cheiros fortes, assim como barulhos altos fazem meu sensível ouvido doer...

–Que isso, dois minutos e tá sarado.

–Mas dói, sabia?Dói muito!

–Deixa disso, vamos até a Harumi senão ela nos deixa plantados aqui a noite toda só contando fofoca.

Hayato concordou e seguiu o amigo. Carregava o gesso na mão e pensava em coisas alegres como a linda amiga que movia o cabelo graciosamente enquanto ria e covinhas surgiam em suas bochechas rosadas. Tão bela, pensou ele. Bela e normal, muito diferente de mim, pensou melancólico.


–----


O sol se escondia por detrás das montanhas deixando apenas uma vaga luminosidade clara que ia recolhendo à medida que baixava mais. Era sexta- feira, e havia sido combinado que Harumi e Mizo dormiriam o final de semana na casa de Hayato. Era quase noite quando eles saíram da casa dos irmãos com as mochilas prontas e promessas de que tudo ia ficar bem. Apesar de ser a primeira vez que Hayato conversava com os pais dos amigos, eles pareceram simpatizar muito com sua figura, principalmente a mãe que era toda a cuidados e melindres para com o garoto.


Sei que vão ficar bem – ela disse fechando a bolsa de Mizo depois de pôr dentro dela algumas peças de roupa limpa que o filho tinha esquecido sobre a cama- Hayato-kun parece ser um garoto adorável.



O resto foi conversa sem importância e algumas recomendações de higiene e boas maneiras direcionadas mais para Mizo, o destrambelhado, do que para Harumi, a princesinha do papai, como o próprio a chamava. Despediram-se e saíram de casa com a mãe a acenar. Harumi estava estranhamente quieta e foi interrogada por causa disso, mas não se atreveria, nem em mil anos, a contar o real motivo, que tinha sido uma conversa entre ela e a mãe.



Esse garoto é uma gracinha. Nunca vi olhos tão lindos, e esses cabelos então?Uma beleza tão rara que enche os olhos– disse-lhe a mãe com um sorriso sapeca segredando-lhe ao ouvido- Adoraria tê-lo na família, Harumi-chan.



Mesmo sabendo que era uma brincadeira, Harumi não pode deixar de se sentir envergonhada com o comentário. O pior é que concordava com a opinião dela. Assim como a maioria das garotas da escola – e todas as outras que colocassem os olhos nele- achava-o muito bonito e no fundo, apesar de serem amigos, também se imaginava um dia sendo mais do que isso. Percebeu que a grande afeição que sentia transformava-se em paixão. Sempre que estavam juntos ficava prestando atenção em cada gesto dele, e corava quando ele virava para ela justo quando estava sonhando acordada, dando um jeito de escapar da situação como no dia em que foi na frente para conversar com a amiga e esconder a vergonha que estava sentindo.



Não demoraram a chegar ao ponto marcado, em frente a um mercado vinte e quatro horas. Sentaram e conversaram trivialidades durante dez minutos a espera da carona que chegou, após esse tempo, em um carro vermelho muito bonito.



Mizo ficou encantado ao ver a mãe do amigo. Kagome trajava ainda a roupa de trabalho, um conjunto formal de calça preta social feminina e blazer sobre uma fina blusa de seda branca, elegantemente afivelada por um cinto quase imperceptível, porém charmoso. Tinha os cabelos soltos e escorridos, muito brilhantes, sobrancelhas feitas e maquiagem clara. Mizo abriu a boca em um quase inaudível “Uau!” de surpresa, e virou-se para Hayato que tinha ouvido seu pequeno gracejo.



Por que não me disse que a sua mãe era gata?!Ela que é Yokai?- perguntou-lhe ao ouvido.



Claro que não, seu idiota!Já disse que é o meu pai. – respondeu sem esconder o tom de irritação que sentia pelo amigo estar de olho na mãe, vendo-a pela primeira vez como uma mulher jovem e desejável, pensamento que despertou seu lado ciumento.



Kagome caminhou em direção aos três. Seus saltos fizeram sonoros “tec” ao bater no asfalto criando ainda mais magia para o pobre Mizo que ainda se via de boca aberta. Problema que foi resolvido depois de receber um tapa de Hayato que não curtia a ideia de ver sua mãe sendo “dissecada” pelo próprio amigo.



Olá– Kagome disse abrindo um sorriso maravilhoso- sou a mãe do Hayato. É um prazer conhecer vocês. –Estava tão feliz ao saber que Hayato tinha confiado sua origem para seus amigos que imediatamente propôs um final de semana de diversão para conhecê-los melhor. Era ótimo que desde pequeno aprendesse a confiar nos outros,ninguém é feliz sozinho.


Prazer é meu todo! – disse Mizo ainda com cara abobada, fazendo Hayato olhar em sua direção com um olhar não muito amigável. — Quero dizer, o prazer é todo meu.



Espero que gostem do final de semana na minha casa. Vamos para lá para que eu possa tomar banho e trocar de roupa e em seguida saímos para lanchar, o que acham?



–Que ótima ideia, estou morrendo de fome!



Colocaram as bagagens no porta-malas e entraram.



Hayato, deixe um dos dois vir na frente. Sabe como o seu irmão é com pessoas novas.



Harumi entrou no momento em que Kagome acendia as luzes do carro e deu de cara com Yusuke com os olhos azuis muito abertos e chupeta na boca, sentado confortavelmente em sua cadeirinha.



Vocês tem um bebê!-disse eufórica como se tivesse encontrado ouro depois de muito garimpar – Porque não me disse antes, Hayato?



Pensei que não fizesse tanta diferença assim – disse ajeitando o irmão na cadeirinha – Por que? Você gosta?



Todas as garotas gostam de bebês, Hayato – respondeu Mizo no lugar da irmã – Algumas mais, outras menos, mas todas gostam. Pensei que soubesse disso, até eu sei.



Se eu tivesse uma irmã como você, talvez soubesse também. – Hayato respondeu carrancudo. Não gostava de passar por ignorante.



Esse é o Yusuke, Harumi, o meu caçula. Pode brincar com ele, mas tome cuidado com os dentes porque ele está na fase de morder, então cuide dos seus dedinhos.



Harumi estava encantada com o pequeno. Era tão bonito quanto o irmão, com a diferença de que apesar de ser ainda bebê, parecia ser mais amistoso que Hayato. Tinha um sorriso fácil e olhos de um azul tão profundo como ela nunca tinha visto antes, repuxados levemente em suas extremidades. Têm filhos lindos, senhorita Kagome, pensou em dizer, mas o que realmente disse foi.



Ele é muito lindo!



Obrigada, eu sei– agradeceu enquanto dava partida no carro- Ele se parece com o pai.



A garota ficou imaginando como seria o pai daquele lindo bebê. Não conseguia imaginar um homem tão bonito com aquele sorriso fácil e olhos tão azuis.



Então ele deve ser um homem muito bonito.



Kagome se permitiu um sorriso sapeca. Olhou pelo retrovisor interno para visualizar os olhos de Harumi.



–Realmente, ele é um homem muito bonito. Talvez um dia você possa conhecê-lo.



Eu ia adorar. Ele é pai do Hayato também?



Os olhos dourados do garoto se estreitaram ao lembrar-se do pai, uma pessoa egoísta e desprezível.



Não, não é. – Kagome respondeu. Assim como o filho não gostava de se recordar de InuYasha.- O pai do Hayato nos deixou há muito tempo, quando ele ainda era um bebê.



Ah, me desculpe. Eu não sabia, o Hayato nunca fala sobre o pai.



Ele tem bons motivos para isso, minha querida. Nós dois sofremos muito quando ele foi embora, por isso evitamos lembrar-se dele.



Harumi sentia-se verdadeiramente envergonhada. Tinha certeza de que as bochechas deviam estar vermelhas, conseguia sentir o calor do rubor. Devia ter desconfiado disso, devia.



–Não precisa ficar triste, Harumi– Kagome disse enquanto mudava a marcha do carro para subir a ladeira do templo- Tudo isso aconteceu há muitos anos. Nem nos importamos tanto quanto antes.



Não é o que parece, Harumi pensou ao olhar para Hayato que tinha ficado silencioso depois do assunto. O Hanyou fitava o lado de fora com o semblante fechado. As ruas apinhadas de gente ficaram para trás à medida que carro adentrava a propriedade do templo.



Kagome venceu o último pedaço da ladeira e estacionou o carro. Mizo ainda estava encantado com ela e arriscava umas olhadelas todas as vezes que tinha coragem.



–Hayato, traga o seu irmão que eu vou ajudar a levar as malas.



Silenciosamente o garoto virou-se, destravou o conto que prendia o irmão e o içou para fora do carro, colocando-o no chão para que pudesse andar. Harumi observava encantada o pequeno se apoiar cambaleante nas pernas e rir, mas nada a encantou mais do que ver Hayato oferecendo-se a pegar o irmão pela mão e guiá-lo para dentro de casa.



–Ni-san, ni-san!- Yusuke repetia entre sorrisos.


–---

A noite tinha sido péssima e recheada de pesadelos. Quando acordou, Hayato já não tinha mais vontade de ficar deitado. O sol há muito já estava a pino quando ele resolveu se levantar. Dirigiu-se ao banheiro para realizar as atividades higiênicas matinais. Pegou a escova a pasta de dente, olhou para o espelho e... Amaldiçoou-se por ter se esquecido daquele pequeno detalhe.


Estava descendo as escadas quando ouviu vozes e barulhos vindos da cozinha. Reconheceu todas. Harumi e Mizo já estavam de pé conversando e rindo das piadas infames do tio de Hayato. Ele se aproximou e deu um animado “bom dia” para todos, mas os únicos que recebeu em troca vinham da família. Mizo e Harumi estavam brancos, exibindo bocas abertas e movimentos congelados.


–Quem é você?- Mizo perguntou apontando a colher na direção de Hayato.

–O presidente da república. — Ele respondeu divertido.

–Seu cabelo!-Exclamou Harumi, deixando os lábios ainda mais entreabertos. -E seus olhos!-Acrescentou, mais surpresa ainda.

Sota, o tio de Hayato, soltou uma gargalhada. Hayato por pouco também não riu, as expressões de seus amigos estavam hilárias.

–Cara, por acaso você resolveu mudar o visual?Tipo, pintando o cabelo enquanto dormíamos?-Mizo falou, chocado, olhando para o amigo que agora estava moreno. Os cabelos estavam tão escuros quanto o breu e os olhos eram de um castanho muito escuro e profundo. –E para quê as lentes de contato?

–Não pintei o cabelo e não estou usando lentes. –Murmurou divertido, sentando-se para tomar café.

–Mas sua aparência-!-Protestou Harumi. Não pode deixar de pensar que mesmo moreno o menino continuava muito bonito.

–Relaxem crianças. Hayato não deu uma repaginada no visual. -Sota disse, bagunçando os cabelos do sobrinho.

–Oh Hayato!Não contou a eles?-Exclamou sua avó, olhando para a Kagome, que estava muito ocupada tentando fazer com que Yusuke mastigasse a comida e não a chupeta.

–Não contei porque não era necessário, não percebi que bem nesse final de semana aconteceria.

–Nem eu. -Admitiu sua mãe. -Estou com tanta coisa na cabeça que nem me lembrei. Mas, bem, devemos uma explicação para os convidados, certo?-E repreendeu o bebê-Não Yusuke!Não mastigue a chupeta!Por Kami, vou criar uma reserva de dinheiro só para suas chupetas, mocinho. -O neném riu gostosamente, fazendo com que um sorriso escapasse do rosto chocado de Harumi.

–Que explicação?O que aconteceu?-Mizo perguntou, mal escondendo a curiosidade e excitação. Só podia ser mais alguma coisa de ser um meio-youkai, pensou.

–Quer que eu explique ou...?

–Pode deixa mãe. -Fitou seus amigos. -Bem, vocês sabem que eu tenho uma parte youkai, certo?Então, todos os meio-youkais, em um determinado dia, perdem seus sentidos de youkais, permanecendo como humanos. -Um sonoro “oh” escapou pela boca dos irmãos. -Eu, por exemplo, perco minha parte youkai durante um dia inteiro a cada duas vezes ao mês, geralmente quando a lua está na fase cheia e crescente.

–Calma aí, segura um pouco. Está nos contando que hoje você é um mero mortal como nós?-Mizo perguntou, corando ao escutar as risadas da família de Hayato.

–Isso mesmo Mizo. Na verdade, hanyous puros perdem sua parte youkai apenas uma vez por mês, já Hayato, como não é um hanyou puro, perde sua parte youkai duas vezes ao mês, já que há uma grande parte humana dentro de si. -Kagome disse.

–Como assim “hanyou puro”?-Mizo perguntou. Hayato estava preste a perguntar também. Nunca sua mãe havia falado abertamente sobre esse assunto.

–Veja bem, Mizo e Harumi, se o pai de Hayato fosse inteiramente youkai, Hayato seria um hanyou puro, mas o pai de Hayato não é um youkai completo, ele na verdade é um meio-youkai, e eu sou humana, ou seja, Hayato é mais humano do que youkai.-Agora Hayato também estava boquiaberto.Sabia que tinha herdado a parte youkai de seu pai,mas não sabia que ele era um meio-youkai.Nunca essa possibilidade havia passado pela sua cabeça.

–Então hoje Hayato perde sua parte youkai, tendo aparência humana, certo?-Harumi perguntou incerta. Tanto Hayato quanto Kagome assentiram.

–Legal!Isso é muito massa!-Mizo explodiu em uma exclamação. -Cara, você é demais!-Harumi concordou, sorrindo. Yusuke captou a palavra.

– Demais! Ni-san! Ni-san!

–Pare com isso Mizo. Deixe-me tomar café. -Murmurou envergonhado.


–Comam bem, tomem um café bem reforçado para ter energia para brincar a manhã toda. -A avó de Hayato disse. Mizo tratou de encher a boca novamente, enquanto Harumi ainda fitava Hayato, com um sorriso discreto nos lábios. Hoje o dia seria bem mais interessante do que imaginava, pensou ela.



Inuyasha estava sentado com as pernas cruzadas na frente do poço, balançando as coxas de forma impaciente e nervosa. Fazia dias que Kagome não retornava com notícias de seu filho. Uma ânsia de saudade e preocupação o tomava, fazendo com que vigiasse o poço constantemente. Nem sabia se eles retornariam. Maldita Kagome que desaparece por dias naquele poço. Batucou os dedos no seu braço, mexendo mais ainda as pernas. Abruptamente levantou-se e fitou o poço. Iria visitá-los, só para ver se estava tudo bem. Nem saberiam que ele estaria ali, só iria observar se estava tudo bem, já que há dias não retornavam para Era Feudal.


Pulou no poço com determinação, logo sentindo o solo frio e úmido do poço. Cheiros familiares se arrastaram pelo seu nariz. Identificou o cheiro de cada um da família de Kagome, até o do neném que tinha visto da última vez que veio a essa Era. O cheiro era muito parecido com o do Kouga. Franziu o nariz e saltou para fora do poço, mas antes de abrir a porta e de sair à procura de Hayato, sentiu dois cheiros que jamais havia sentido. Era cheiro de humano, sem dúvida nenhuma. Um dos cheiros era doce, feminino, e o outro era mais masculino, no entanto, ambos os cheiros não eram de pessoas adultas. Será que Kagome teve mais filhos?Perguntou-se mentalmente, incerto e curioso. Abriu a porta de madeira e pulou rapidamente para uma árvore, sem que ninguém percebesse. Os orbes dourados perscrutavam todo o terreno e templo até pousarem em três crianças de cabelos escuros. Inspirou fortemente e constatou o cheiro de Hayato, que de alguma forma estava mais humano do que antes. Observou seu filho com fervor. Hayato estava como humano!E exposto!

Chocado e surpreso, observou o filho mancar, por causa de um negocio estranho e branco que envolvia sua perna, até um menino, que estava irritando uma menina. Percebeu que o cheiro que havia sentido era daqueles humanos, que pareciam ser bem amigos do Hayato.

InuYasha estava estupefato com o descuido de Kagome. Ela sabia o quanto era perigoso revelar esse segredo. Por mais que não houvesse tantos youkais nessa Era, continuava a ser perigoso se expor desse modo para humanos, ainda mais crianças, que geralmente saem contatando tudo para Deus e o mundo. Hayato nem devia saber o risco que estava correndo. Ainda bem que ele havia atravessado o poço, agora ele chamaria Hayato e conversaria sobre os perigos de se revelar na forma humana.

Pulou da árvore, pousando silenciosamente no chão frio. Estava prestes a chamar Hayato quando ouviu passos em sua direção.

–Inuyasha?-Uma voz feminina exclamou. -O que diabos você está fazendo aqui?-Kagome perguntou. Era só o que me faltava, pensou ela. Ele olhou-a e não pode deixar de sorrir com a expressão chocada e surpresa que marcavam seu rosto. Continuava linda.

–Resolvi visitá-los. -Replicou diretamente. As sobrancelhas dela se franziram e uma expressão perplexa envolveu sua face. Uma expressão que ele conhecia muito bem, ela a usava quando ele discordava de suas ideias e propostas.

–Visitar nós?Pois trate de voltar, não há nada o que visitar. -E caminhou determinada em sua direção, levantando um pouco as mãos, como se ela fosse o empurrar até o poço, certificando-se de que ele não retornaria.

–Tem certeza?Porque eu chego aqui e encontro o meu filho como humano exposto de uma forma que eu jamais deixaria acontecer!-Não gostava de brigar tanto com a Kagome, mas algumas vezes ela pisava feio na bola.

–Exposto?-Sibilou com raiva. -Ele só está brincando com os amigos. O que quer dizer com exposto?-Olhar dourado se endureceu.

–Sabe o quanto é perigoso revelar esse segredo para qualquer pessoa.

–E você sabe muito bem o quanto é importante confiar nos amigos, e é exatamente isso que ele está fazendo e não contando para qualquer pessoa. -Fez uma careta logo continuando- Acha que eu nunca o instrui sobre isso?-Ele virou todo o seu corpo para fitá-la de mais perto.

–Pra falar a verdade, acho que você não fez isso direito, basta olhar para quem ele contou. Crianças saem contando tudo para todos. Até eu sei disso. -Retrucou impassível.

–Mizo e Harumi são os melhores amigos dele. Por que diabos ele não contaria para as pessoas que ele confia?-InuYasha começou a se sentir verdadeiramente irritado.

–Olha Kagome, crianças não são as melhores fontes de confiança. -Tentou explicar, mas Kagome o interrompeu.

–Mas ele só é uma criança!E é com crianças que ele convive!-InuYasha deu as costas para ela, caminhando na direção de seu filho. Só gastaria saliva com ela. Kagome era teimosa demais para entender o que ele realmente queria dizer. Mas não deixou de responder, ou melhor, retrucar irritado:

–Ele precisa saber o quanto é perigoso contar isso para qualquer pessoa e já que você não teve a capacidade de ensinar isso a ele, eu terei o prazer de ensinar então. -Kagome sentiu a raiva borbulhar com a tamanha ousadia de suas palavras. Quem ele pensa que é para vir na sua casa, perturbar sua paz e ainda por cima jogar na sua cara que ela não teve capacidade para fazer algo?Observou os cabelos prateados e longos se mexerem com a brisa e o farfalhar que suas roupas produziam ao caminhar. Tomou fôlego para tentar algo que há tempos não tentava.

–InuYasha osuwari. -falou entre dentes serrados e com a raiva contida nas suas palavras, tornando-as ameaçadoras. Poderia ter gritado o kotodama, mas preferiu murmurar para ver se ainda funcionava.

E funcionou. InuYasha foi puxado por uma força que há tempos havia se esquecido, caindo no chão com um baque muito alto.Enfurecido, agarrou o colar e rosnou.

–Kuso!Havia me esquecido desse negocio!-E rosnou novamente. Só que ao se estatelar no chão, provocando o barulho característico do “osuwari”, acabou chamando a atenção do grupo que brincava.

–Se tentar se aproximar do meu filho para falar algo idiota irei fazer muito mais do que dizer o kotodama. –Inuyasha se levantou, sentindo uma pontada de dor nas costas. Há mais de cinco anos não experimentava o “senta” de Kagome. E percebeu que doía mais do que se lembrava. Olhou bravo para ela.

–Por que fez isso?!-Berrou, chamando mais ainda a atenção do grupo de crianças. Hayato congelou, sentindo a boca ficar seca como areia e o coração palpitar como as asas de um beija-flor.

–Não, não pode ser verdade. -Sussurrou incrédulo. Mizo observou o homem de roupa vermelha espalhafatosa brigar com a mãe de Hayato. Percebeu que o homem tinha os cabelos de uma tonalidade que ele já vira uma vez antes. Olhou para o cabelo do amigo, que no momento estava escuro. Os cabelos do homem eram iguais ao de Hayato, prateados e brilhantes.

–Quem é esse homem, Hayato?-Harumi perguntou curiosa. Notou que o homem possuía orelhas enfeitando o topo da cabeça. Engraçado, até parece orelhas de cachorros, pensou. Ela fitou Hayato, já que ele não a tinha respondido. Mas ele parecia em choque. –Tudo bem?-Perguntou incerta, quase o sacudindo pare ver se ele acordava do transe que o congelou. Mizo parou de observar briga entre a Srta. Kagome e homem estranho e passou a observar o amigo. Ele estava estranho e pálido, quase amedrontado, mas ao mesmo tempo perplexo e extremamente irritado.

–O que aconteceu, irmã?-Ela balançou a cabeça e deu de ombros, sem saber o que responder e fazer. Olhou de soslaio para a briga enérgica que acontecia a poucos metros de distância. Os adultos falavam de coisas que ela não tinha a mínima ideia. Mas percebeu que Kagome estava mais e mais ofendida a cada frase proferida pelo homem de vermelho.

–Não tenho a mínima ideia... — Foi interrompida pelos berros da mãe de Hayato.

–QUEM VOCÊ ACHA QUE É?SUMA DA MINHA FRENTE! NÃO QUERO MAIS TE VER AQUI, NUNCA MAIS!-Isso pareceu despertar Hayato, que tratou de interromper a briga.

–Hayato, volte e leve seus amigos para dentro. -Kagome falou ao perceber que o filho caminhava até eles. Trincou os dentes, tentando se controlar. Hayato já tinha visto sua mãe nervosa, mas se assustou como o rosto dela estava meio avermelhado, o corpo em posição de defesa e olhos avermelhados, com lágrimas que os tornava brilhantes. Não sabia se eram lágrimas de raiva ou de tristeza.

–Não vou. -Encarou Inuyasha. Como esse infeliz conseguiu passar pelo poço?Nem ele conseguia tal façanha.

–AGORA!-Berrou, apontando o dedo para a porta da casa. Sua paciência tinha se esgotado. Harumi pegou a mão de Mizo, puxando-o para a casa. Não queria causar problema para Kagome, pois sua mãe havia lhe dito que algumas situações são constrangedoras para os participantes e não para os telespectadores.

–Mas Harumi!-Protestou seu irmão.

–Não seja enxerido, precisamos entrar. -Puxou mais a mão dele, apertando-a. — Vamos Mizo. -Entraram rapidamente, quase trombando com o tio Sota e avó de Hayato, que carregava Yusuke no colo.

–O que está acontecendo?-A avó de Hayato perguntou.

–Oh não mãe, InuYasha está ali fora com a Kagome. -Sota murmurou nervosamente. -E já estão brigando. -Acrescentou com um suspiro meio exausto.

–InuYasha?!-Exclamou. Seu rosto estava lívido e chocado, como se estivesse vendo uma assombração ao invés de um homem. Yusuke observava a avó com grande interesse.

–Quem é InuYasha?-Mizo perguntou e quase levou um tapa de Harumi pela falta de delicadeza.

Sota parecia embaraçado, mas respondeu:

–É o pai de Hayato. -É, com certeza o dia seria bem mais interessante do que pensava. Mizo ficou tão chocado com a revelação que,por incrível que pareça,silenciou a curiosidade e observou a briga sem fala.

Mas agora tudo estava estranhamente silencioso. Kagome parecia tentar se recuperar e InuYasha observava com avidez o filho.

Hayato se opôs a entrar e encarou impassível o pai, que novamente trouxe problemas consigo. Ainda não havia se recuperado completamente da última conversa que tiveram e continuava a sentir um ódio intenso. Kagome passou as mãos pelo rosto, clamando paciência e sensatez. Respirou fundo e falou mais calma:

–Inuyasha, volte, por favor. Hayato está seguro e não está contando para estranhos sobre sua forma humana. -Inuyasha fitou o seu filho, que o olhava furioso. Mesmo como humano, Inuyasha conseguia perceber os traços de Kagome e dele mesmo no rosto do filho. Hayato como humano era estranhamente parecido com o Inuyasha humano.

–Hayato preciso falar com você sobre-

–O que faz aqui?-Perguntou frio, interrompendo-o.

InuYasha prosseguiu inabalável -Vim ver como você está.Faz dias que você e sua mãe não vão para o outro lado.Fiquei preocupado.

–Estamos bem, agora pode retornar para sua outra família. -Inuyasha recuou um pouco, com tamanha rispidez das palavras. Parecia que ele tinha levado um soco.

–Minha família é você, Hayato. -Murmurou, era quase um apelo. Hayato sentiu em aperto no estômago. Estava confuso. Tinha tantas emoções dentro de si que se agarrou a raiva e ódio. Olhou para mãe, sem saber o que retrucar para o pai. Mas a mãe fitava Inuyasha com mágoa e no fundo, Hayato sabia que ela estava triste.

Por fim ela falou um pouco trêmula:

–Nós éramos sua família, agora não somos mais, você preferiu criar laços com outra pessoa, esquecendo-se de nós por anos afins.

–Mentira, desde quando pai e filho não são da mesma família?!-Inuyasha falou, um pouco transtornado.

–Posso ter seu sangue nas minhas veias, mas jamais te rotularia como “pai”.

–Hayato, você só diz isso porque está com raiva de mim, raiva do que eu fiz. E tem todo direito disso, mas tudo o que eu peço é que você seja mais aberto a mim. Não pode me ignorar pelo resto da sua vida, sabe muito bem disso. -Seu filho fechou os olhos com força e por um momento quase tapou as orelhas para não ter que escutar tais palavras. Ele ignorou a existência do pai durante seis anos e por que, justamente agora que ele aprendeu a viver sem um pai, Inuyasha retornaria a o perturbar?Era isso que ele não entendia e nem queria entender.

–Tem razão, Hayato não pode ignorar sua existência, nem mesmo eu posso, mas você quer que te tratemos com amor e flores?-Kagome falou.

–Não, quero que ambos me perdoem pelo o que eu fiz. -Kagome recuou um pouco, puxando Hayato para si.

–Te perdoar?-Falou com desgosto.

–Sim, quero que vocês parem de agir do modo como estão agindo. Não quero ser recebido com sorrisos e amor, mas também não quero brigar toda vez que tento conversar com vocês. -Kagome se surpreendeu com a maturidade das palavras de Inuyasha, nem parecia ele mesmo. Mas perdoar... Era algo que nem mesmo ela ainda estava preparada.

Tampouco Hayato. Ele havia ficado tão perplexo com as palavras do pai que ficou mudo. Ele exigiu o perdão de ambos. Como ele pode exigir uma coisa tão absurda como essa?

–Uma vez, Kagome, você me disse que quando perdoamos alguém, não estamos esquecendo seus atos e atitudes, mas sim os aceitando para podermos seguir em frente. Kaede disse que perdoar não é esquecer, mas sim permitir. Lembra das suas palavras?E das palavras da Kaede baba?

Ela se lembrava muito bem.Mas não conseguiu dizer nada,estava atordoada.

Mas Hayato conseguiu.

–Quer dizer que nós temos então que aceitar o que você fez?!-Disse, em voz alta, indo em direção ao Inuyasha. Sentia a raiva queimar dentro de si. E não estava acompanhada com a fúria homicida de youkai. Mas era uma raiva pura e poderosa, que queimava em suas veias e palavras, martelando o cérebro. -Simplesmente aceitar e seguir em frente?!Faça-me o favor!Nunca ouvi tanta besteira!-E partiu para cima do pai, batendo os punhos pequenos e não muito fortes (por causa do estado lastimo em que estava.) no peito do pai. Queria espancar a cara dele, mas a sua altura não era o suficiente para alcançar.

–Hayato!Pare!-Kagome disse, tentando puxar Hayato longe do pai, mas o menino estava fortemente plantado sobre os pés, sem se deixar ser puxado pela mãe. -Pare com isso. -Ordenou, sem saber o que fazer.

–Deixe-o descontar a raiva que tem dentro de si. -Inuyasha murmurou para ela. -Há muito tempo ele quer fazer isso, então, deixe que ele faça. -Kagome parou de tentar puxar os ombros do seu filho e fitou Inuyasha, sem saber o que ele queria dizer, mas seguiu o seu instinto e soltou o filho, ficando impotente enquanto obsevava o filho bater no peito do seu pai. Chegou a quase interromper, mas Inuyasha havia lançado um olhar para que ela permanecesse no mesmo lugar.

Inuyasha o deixou por uns momentos descontar a raiva nele. Shippou várias vezes teve uma crise de raiva parecida com essa. Ele sabia lidar por um certo momento,até se irritar e afastar o kitsune com um safanão.Mas ele não iria afastar o filho,pelo contrário,segurou os punhos pequenos,que já estavam vermelhos pela força dos golpes, e se ajoelhou na frente do menino.

–Você só vai se machucar. Não estou sentindo nenhuma dor. -Isso era um desafio?Ele estava dizendo que ele era fraco?Seus punhos doíam bastante, mas a dor era fácil de ser ignorada. Furiosamente tentou desvencilhar seus punhos das mãos que seguravam, conseguiu soltar umas das mãos e agora o rosto de Inuyasha estava ao seu alcance. Tentou golpeá-lo novamente.

–Hayato pare com isso, por favor!-Escutou a voz de sua mãe e isso fez com que ele se refreasse um pouco.

–Como você pode mãe?Não gostaria de quebrar a cara dele também?-Perguntou com tanta fúria que Kagome se assustou. Aquilo já tinha passado dos limites.

–Vocês dois, é melhor pararem, não estou brincando. –Havia um tom peculiar na voz de Kagome. Fez com que Hayato parasse de mexer os punhos, enquanto fitava os olhos dourados do pai, com grande antipatia. Então foi daí que ele tinha herdado os olhos dourados. Observou o cabelo prata e longo e as orelhas de cachorro em cima da cabeça. Bem, foi daí que ele recebeu os sentidos de cachorro. Observou também as unhas compridas das mãos deles, realmente pareciam unhas de cachorro, eram esbranquiçadas, pareciam ser fortes e um pouco grossas. As unhas de Hayato geralmente ficavam assim quando ele se descontrolava. Desvencilhou-se mais uma vez das mãos dele, afastando-se. Não queria que ele o tocasse. Nem queria ver ele. Sentia as mãos de sua mãe envolver seu ombro, puxando-o para longe de Inuyasha, e graças a Deus ela fez isso, porque ele sentia que uma nova onda de raiva estava se aproximando.

Inuyasha continuou ajoelhado, olhando as duas pessoas que amava tanto. Sabia que Kagome logo o perdoaria, pois não era do feitio dela guardar rancor por tanto tempo, mas ele não a culpou. O que ele tinha feito fez com que ela se machucasse e muito. Ele era um idiota, sempre e sempre magoando e a machucando, seria bom que eles nunca tivessem se conhecido, pouparia ela de um dor terrível, mas se Inuyasha não a tivesse conhecido, ele não estaria vivo, não teria a chance de experimentar felicidade e o amor, a bondade e a verdadeira generosidade. Devia muito a ela.

–Por favor, pensem bem no que eu falei. Me arrependo muito do que eu fiz.Deve haver um modo de ser bom de novo,mas para isso preciso da ajuda de vocês.

Kagome apertou um pouco os ombros do filho. Mentalmente ela passava um sutra purificador que ajudava a acalmar Hayato quando ele se descontrolava, claro que o sutra funcionava com youkais e Hayato no momento não tinha nada de youkai, mas do mesmo modo tentou purificar a raiva do filho e apaziguar suas emoções.

–Inuyasha, dê tempo ao tempo. -Foi tudo o que disse, depois de vários segundos em silêncio. Inuyasha assentiu e se levantou.

–Vou esperar a resposta de vocês, sempre vou estar aqui, não importa o que aconteça. E Hayato. -Chamou a atenção do filho, que ainda o encarava com antipatia e sem interesse aparente. –Inicialmente vim ver mesmo como vocês estavam, mas confesso que me descontrolei quando vi você na sua forma humana. Tive medo de que você ficasse em perigo por revelar esse segredo. Eu mesmo já passei por poucas e boas quando eu estava como humano e acredite várias vezes quase morri. Só não quero que você passe pelas mesmas coisas que eu já passei, sua mãe sabe. -Hayato continuava a o fitar, mas não dava indícios de que falaria algo. Soltou um suspiro. O menino era igualzinho a ele. Brigar com eles não adiantaria nada, por isso resolveu mudar de tática. -Mas sua mãe me garantiu que você é sensato e que sabe pra quem revelar esse segredo, por isso vou confiar em você, assim como você confiou nos seus amigos. -Observou por uns instantes o rosto de seu filho para depois olhar Kagome, que agora estava com o rosto mais suavizado.

–Ele é mesmo, obrigado por compreender. Agora se nos der licença precisamos cuidar dos nossos convidados. -Inuyasha olhou por cima do ombro e percebeu que havia uma pequena plateia os assistindo. Viu um homem alto e com feições familiares dar um leve aceno de cumprimento. Soltou uma exclamação e olhou para Kagome.

–Aquele é o Sota?-Ela assentiu. -Meu Deus, como ele cresceu!-Da última vez que veio a essa Era, tinha visto vagamente o irmão de Kagome. Mas não imaginava que ele já estaria tão adulto. Lembrou-se do menino que acenava com a boca cheia, segurando um pacote das batatas desidratadas daquele estranho mundo, saudando com o apelido que havia lhe dado: “Inu-no-nii-chan!”.

Inuyasha acenou com a cabeça para ele, sem saber o que fazer.

–Acho que é melhor você ir embora agora. Já causamos tumultuo demais. Hayato vá para seus amigos, eles devem estar confuso. -Hayato olhou para sua mãe, desconfiado. Parecia que ela estava tentando o afastar para ficar sozinho com aquele crápula. -Por favor, não me faça ordenar. -Acrescentou levemente. Resmungou e se afastou, mas antes deu um olhar de aviso para seu pai, como se quisesse dizer: “não se atreva a vir novamente aqui”.

–Hayato. -Escutou seu pai lhe chamar. Não queria escutar o que ele tinha a dizer, por isso não parou, apenas olhou sobre o ombro. -Se cuide filho, saiba que eu o amo muito. -Automaticamente se arrependeu de ter lhe dado atenção. Virou a cabeça furiosamente e caminhou mais rápido para sua família e amigos.

–Se cuide também Kagome, traga o Hayato para o outro lado, gostaria de vê-lo mais vezes.

–Dê tempo ao tempo, por favor. -Repetiu. Ainda achava uma péssima ideia Inuyasha ver o filho mais vezes. Hayato, e ela, ainda guardava muito rancor. -Agora vá. -De qualquer forma, logo iria para outra Era, Yusuke não via o pai há dias e ela já sentia saudades do pessoal. Ele a olhou e partiu em direção ao poço, e Kagome soltou um suspiro de alívio ao vê-lo não retornar. Viu sua mãe passar Yusuke para Sota e correr em sua direção.

–Ah querida!Como você está?-Falou, tocando o rosto da filha. Kagome se sentiu vulnerável.

–Não sei mãe, mas parece que eu não posso mais ignorar o passado. -Sua mãe lhe lançou um olhar de compreensão e a abraçou.

–Eu sei que você consegue resolver isso. Sei que pode. Você já passou por coisas piores do que isso e saiu ilesa. -Apertou os braços em volta da mãe e suspirou fortemente, fechando os olhos enquanto aproveitava a sensação de segurança e amor que sua mãe lhe oferecia.

–Meu medo é que Hayato saia machucado nessa história. Ele nunca foi agressivo e agora... Só quero que ele seja feliz, fiz de tudo para ele não se machucar, mas... -A senhora a encarou com gravidade e muita seriedade. Os olhos sábios apaziguaram a apreensão de Kagome.

–Talvez deva parar de vê-lo como alguém que não sabe se proteger. Hayato é muito maduro, converse com ele, sei que ele vai tentar entender. Kagome — Chamou levemente a atenção da filha. -Está na hora de vocês acolherem o Inuyasha novamente.

E esse era o problema.



Notas finais
Espero que tenham gostado,esse capítulo foi escrito tanto pela Yue quanto por mim,a verdade é que ele estava prontinho faz tempo,mas como a Yue ficou sem internet a nossa comunicação ficou difícil,então a leitura,revisão e aprovação demorou para sair,mas agora ela está com a internet de volta o/ e já deu o consentimento para postá-lo.
Enfim,peço desculpas novamente pela demora e obrigado a todos que estão acompanhando,de coração mesmo.
Até a próxima :)
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.