Desculpas Atrasadas

6 06-Reencontro desagradável.


Notas iniciais
Divirtam-se e não deixem de comentar!

Houve uma época em que caminhar era o suficiente para aclamar seu coração, mas ela havia passado e fora substituída pelo cheiro e toque da mulher amada, porém ele não foi capaz de compreender a linguagem que o seu coração falava e acabou por escolher a mulher errada. Depois disso as estrelas se tornaram suas companheiras mais fieis e guardavam seus segredos e magoas no tecido negro e infinito do universo, porque eram solitárias como ele e compreendiam a dor de se sentir só em meio a muitos. Mas depois daquela noite elas não poderiam reconfortá-lo e talvez nem ele mesmo soubesse com quem deveria partilhar o sentimento de solidão e incapacidade que cobriam seu coração.

Seus sentidos aguçados ainda guardavam frescos os aromas a pouco experimentados e o transportavam novamente para junto das pessoas que amava, e em imaginação era capaz de se ver voltando para casa e sendo recebido por elas, e podia sorrir por alguns instantes pensando nesse futuro que ele trocou.

As imagens passavam como borrões ao seu lado, e ele era incapaz de reconhecer qualquer paisagem devido a velocidade que usava. Era como se correr pudesse afastar um pouco a angústia que crescia e tomava seu peito como um manto.

Lembrou-se de Kagome e de todos os momentos inesquecíveis que viveram juntos. Os sorrisos ternos, os beijos trocados ou roubados, o calor dos corpos entrelaçados e do amor insaciável que sentiam um pelo outro. Eram como um só corpo, um só coração, capazes de conversar sem necessitar de palavras, porque as palavras são inúteis para os que amam e nada representam do que ruídos que confirmam o que o toque já disse. A profundidade do sentimento não pode ser medida por números criados pelos homens.

Sentou-se em um galho para descansar, o peito arfava ruidosamente, os músculos pediam trégua do esforço realizado, mas nada era capaz de calar a consciência que o culpava pelo próprio infortúnio. Se tivesse sido mais atento na época, jamais teria trocado Kagome por Kikyou. Mas agora era tarde e não seria ela que ele ia encontrar ao voltar para casa, não. Não haveria gritos histéricos de um garotinho de dois anos que iria ao seu encontro rindo gostosamente. Não haveria o som dos pés pequenos e descalços batendo no chão nem dos barcinhos se enlaçando em seu pescoço. Kagome não viria lhe dar um beijo e dar as boas vindas, nem presenteá-lo com aqueles lindos olhos negros brilhando de amor. Para onde estava indo não existia amor, e sim um sentimento de neutralidade que beirava a repulsa. Kikyou não se importava com as suas saídas e tampouco com o seu retorno. Não tinha um coração quente como o de Kagome, capaz de acolhera s pessoas com sorrisos e carinho, mas sim algo impassível como se estivesse vendo um filme tantas vezes repetido.

InuYasha resmungou ao olhar para a cabana ao longe. O cheiro de humanos que conhecia e com quem havia dividido uma parte da vida em busca dos fragmentos da jóia de quatro almas lhe traziam certo saudosismo, mas não era capaz de suprir a falta daquele aroma que ele tanto ansiava sentir.

Mas naquela noite sua inquietude era por causa de algo diferente. Mais uma vez foi ao poço come ossos e dessa vez conseguiu realizar uma vontade que o assolava há muitos anos. Tinha reencontrado Kagome e o filho que não via a anos, e o coração palpitava angustiado por não ter tido sua vontade saciada com aquela rápida visita. Ele queria mais, e o Hanyou sabia que ele estava certo, mas não tinha a coragem suficiente para voltar. No fundo sabia que não era merecedor.

Desceu da árvore com um pulo e caiu tão leve quanto um pássaro em um galho. Uma vontade de saber se o filho era capaz de tal proeza assaltou seus pensamentos junto com a tristeza da incerteza. Caminhou lentamente e pode observar o horizonte se tingindo de várias cores enquanto anunciava a chegada de uma nova manhã. Olhou por alguns instantes o sol que parecia se espreguiçar por detrás das montanhas e as estrelas que continuavam a fitar a Terra, mesmo que estivessem perdendo a força do seu brilho para o esplendor do astro rei.

Puxou o tecido que cobria a entrada da cabana, mas se assustou ao encontrar o futon vazio. Kikyou nunca levantava antes do sol nascer, ela dizia que isso poderia trazer infortúnios á uma sacerdotisa e como tinha que cuidar da vila que estava a poucos metros do lugar onde moravam, não se permitia falhas.

Imaginou que ela deveria estar nervosa com o seu sumiço e se desnorteou com a possibilidade de ter ido ao seu encontro. Se ela descobrisse sobre o poço poderia acabar se tornando ainda mais rancorosa e talvez selá-lo por vontade própria.

O Hanyou deu meia volta com o pensamento e tornou a refazer o caminho. Iria seguir o rastro de Kikyou, mas teria que ter cuidado para não encontrar Shippou no caminho.



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Kagome apertou o ombro de Hayato que estranhou a atitude nervosa da mãe. Olhou em seus olhos e encontrou medo estampado, assim como uma pontada de ódio. Ele podia sentir os músculos do corpo dela se retesando como se fosse um gato frente á um perigo eminente. Apurou seus sentidos e tentou se concentrar, mas os cheiros misturados confundiam o seu instinto Yokai.
– Mãe o que foi?- tentou perguntar, mas ela o silenciou com um balbucio.

_ Kouga. – disse simplesmente.

Como se tivesse compreendido o recado o Yokai lobo entregou o filho para Sango, sem se importar com seus resmungos e protestos e se pôs a frente do grupo. Shippou o imitou e se colocou ao seu lado em posição defensiva. Os outros não compreendiam a situação e se mantinham em silêncio, porém as mãos apalpavam nervosamente as armas, esperando um mínimo sinal de perigo para atacar.

_ Quando vai parar de se esconder? – Kouga perguntou nervoso. – Apareça de uma vez!

Hayato olhava para os dois a sua frente com admiração. Ambos tinham sangue Yokai como o dele e eram destemidos e capazes de sentir a presença e o cheiro característico de uma pessoa a quilômetros de distância. Imaginava se um dia seria tão poderoso quanto um deles.

Em um movimento rápido Kagome pulou na frente de Kouga e rebateu um pergaminho que veio em sua direção com tanta velocidade que se ela não o tivesse parado, poderia deixar o Yokai por dias em estado de inconsciência.

O cheiro e a presença sumiram tão sorrateiramente como haviam chegado. O Yokai lobo olhava assustado para Kagome, impressionado com a sua agilidade. Levou uma das mãos para tocar o papel quando foi afastado dele.

_ Não toque nisso. – Kagome disse agitada. – Se encostar terá a sua energia Yokai drenada.

O monge se aproximou e observou o papel.

_ Esse sutra é muito poderoso. Só existe uma pessoa capaz de usá-lo, e essa pessoa é...

_ Não diga o nome dela. – Kagome o interrompeu. – Eu soube quem era pela vibração da minha alma.

_ Ela foi embora?- Hayato perguntou ainda confuso pelos acontecimentos.

_ Sim. Mas eu não quero ficar parada aqui. Vamos.

Eles recomeçaram a andar, mas dessa vez estavam mais atentos. Kagome puxou Hayato para mais junto do corpo. Sabia do que Kikyou era capaz e não queria arriscar, ela não gostava do menino e na primeira oportunidade tentaria algo contra ele e por isso seu coração balançava inquieto. Talvez fosse melhor diminuir o tempo de visita dessa vez.



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Realmente ela só podia ser a sua reencarnação, caso contrário nunca iria conseguir para aquele sutra poderoso que tinha lançado.

Kikyou se sentia cada vez mais ultrajada e depois de descobrir que Kagome estava retornando a era feudal esse sentimento começou a tomar proporções absurdas.

Como de costume fora visitar sua irmã Kaede escondida e acabou ouvindo a conversa entre ela e uma pequena miko que dizia estar exultante com a visita de Kagome na manhã seguinte. Ainda incerta resolveu seguir o grupo que partiu com o raiar do sol e para seu descontentamento suas suspeitas foram confirmadas. Vê-la novamente era a prova que precisava para saber por que InuYasha saia com tanta freqüência e por vezes demorava dias para retornar.

A Raiva foi tanta que chegou a disparar um selo sagrado no grupo, mas Kagome foi mais rápida e o pegou antes que encostasse no Yokai lobo.

Não era do seu feitio detestar crianças, ela era uma sacerdotisa afinal e uma de suas obrigações é zelar pelo bem estar delas, mas aquele menino tão parecido com InuYasha despertava um ódio doentio em seu peito. Talvez fosse porque ela nunca poderia ter filhos ou pelo fato de ser a consumação do amor que os dois haviam provado juntos um dia. O fato era que um simples olhar fazia um sentimento de repulsa nascer em seu coração.


Resolveu voltar, mas antes foi ver o poço come ossos. Precisava resolver assuntos com aquele objeto ingrato.

Notas finais
Meus reviews, não esqueçam. Sei que foi pequeno mas o próximo será maior para compensar.