Notas iniciais
Oieee Fiquei feliz com os comentários do capítulo passado Muita positividade hahah Aqui está mais um Boa Leitura!!

*Francesca*

O dia estava nublado, e o céu estava fechado. Devia ser apenas oito da manhã e eu aqui quase na porta de um colégio que eu não gostaria de ter vindo. Pelo menos não nesse momento. Eu tinha planos de ficar no meu antigo colégio, e terminar o ensino médio lá, mas o meu pai me jogou em um colégio onde se ensina conteúdos e etiqueta. Porque a minha mãe não estava junto quando meu pai tomou essa decisão? Fala sério, esse colégio deve ter tanta patricinha. Eu sou rica, mas nem por isso fico esbanjando isso para os outros, para mim é uma falta de senso tremendo e também muito desrespeitoso quando se sente maior do que os outros só porque tem mais dinheiro na conta bancária.

— Papai, eu não sei se é uma boa ideia. – eu tentava convencer o meu pai a voltar comigo para casa. – Eu prometo não aborrecer o senhor, mas, por favor, não me deixe aqui sozinha. – pedi, e estava quase me ajoelhando. – quase.

— Francesca, eu já tomei a minha decisão. – ele me olhou severo e eu me calei. – Você sabe que quando eu decido uma coisa, não há nenhum motivo que me faça desistir de minhas escolhas. – continuou, com o seu tom de voz amargo e cortante. – E isso será bom, porque finalmente, você vai aprender a se comportar, e nunca mais me aborrecer e desobedecer.

— Francamente pai, você fala como se eu fosse uma criança de cinco aninhos. – o fuzilei com os meus olhos.

— Para dentro daquele colégio, agora. – ele ordenou e eu fechei a cara.

— Você parece um monstro às vezes. – murmurei lhe dando as costas.

Agarrei minhas coisas e mala e saí correndo de encontro com os portões dourados daquele colégio. Meu pai está irreconhecível. Um grandalhão que estava cuidando da segurança do colégio me notou e abriu o portão para mim. Tirou um papel do bolso do paletó e me examinou com seu olhar penetrante.

— Senhorita Reys? – perguntou com uma sobrancelha arqueada.

— Certamente. – murmurei emburrada.

— Seja bem-vinda, senhorita Reys. – ele disse dando passagem para mim.

Revirei os olhos e andei em direção a recepção. Entrei ali e logo uma mulher loira acenou para mim, e eu andei em direção até o balcão onde a mesma estava. Ela era extremamente sorridente, eu também sou, mas no momento estou muito chateada, e querendo voltar para casa, e ficar conversando horas e horas com a minha mãe enquanto vemos algum filme e comemos morango com chocolates, mas infelizmente eu não posso, pois a mesma está lançando uma coleção de roupas em Paris, e não vai voltar para casa tão cedo.

— Pois não? – ela perguntou com seus olhos verdes brilhando para mim.

— Sou novata. – respondi tentando parecer gentil, como ela parecia ser.

— Seja muito bem-vinda. – sorriu. – Preciso da sua carta de aprovação e seu RG.

Vasculhei esses documentos dentro de minha bolsa, e quando os encontrei entreguei a mulher. Ela os olhou por um momento, e digitou algo no computador. Depois de um tempo me devolveu os documentos e me olhou com um sorriso grande. Acho que ela descobriu que eu sou filha do grande Américo Reys.

— Senhorita Reys. – disse. – Vou encaminhar-lhe para a sala da senhorita Muller, só um segundo. – Senhorita Muller. – disse para a mulher que atendeu sua ligação. – A senhorita Reys, acabou de chegar. – anunciou. – Cinco minutos? – perguntou estranhando. – Ok. – desligou o telefone. – Senhorita Reys, ela pediu para a senhorita esperar apenas cinco minutos, ela ainda não terminou com a senhorita Castillo.

— Tudo bem. – murmurei desgostosa por ter que esperar.

— A senhorita pode se sentar em um desses bancos, quando for sua hora, pode deixar que eu aviso tudo bem?

— Tudo. – murmurei indo em direção aos bancos que me aguardavam solitariamente.

Sentei em um daqueles e vi como eram confortáveis, pareciam com o sofá da sala de estar da minha casa. Olhei em volta, e o espaço era muito amplo para ter apenas eu e aquela loira, nessa recepção tão grandiosa. Fico imaginando como será o resto desse colégio, mas uma parte de mim ainda pensa em fugir daqui e ir para Paris, e implorar a minha mãezinha a conversar com o meu pai e o fazer desistir de me deixar aqui por três anos.

— Senhorita Reys. – a voz suave da recepcionista soou com um eco no local. – A senhorita Muller está te esperando. Segunda porta a direita.

— Obrigada.

— É um prazer tê-la aqui. – sorriu gentil apontando para o corredor e eu sorri desanimada. Eu sei que esse colégio é um dos mais conceituados do mundo, mas que não queria estar aqui.

Peguei minhas coisas e entrei na sala da senhorita Muller. Ela me esperava sorridente, mas eu não consegui sorrir. Ela apontou para a cadeira a sua frente e eu fui me sentar ali. Ela me olhava cuidadosamente, como se conseguisse me enxergar por dentro, e isso me deixou um pouco insegura.

— Olá senhorita Reys. – disse com sua postura impecável. – Pela sua expressão, sei que algo está errado. Quer me dizer o que é? – perguntou suavemente, com uma calma que eu nunca vi.

— Bom, tirando o fato de que eu não gostaria de estar aqui. Está tudo certo. – falei deliberadamente e ela arqueou uma de suas sobrancelhas.

— Você é a segunda pessoa seguida que entra na minha sala e no colégio contra a própria vontade. – senhorita Muller disse rindo.

— O meu pai... – comecei a falar, mas ela me interrompeu.

— Já sei, ele anda te achando diferente ultimamente e pensa que podemos corrigi-la?

— Quase isso. – mordi o canto da bochecha. – Tudo começou quando eu sem querer arruinei um jantar de negócios. – falei e a tal senhorita Muller riu. O que é tão engraçado? – Eu sou muito desastrada. – continuei.

— Eu sei, seu pai me disse por telefone. E disse também que você é um pouco preguiçosa. É verdade? – ela me encarou desconfiada.

— O que? Preguiçosa? Pelo amor! É preguiça querer acordar dez horas quando se está de férias? Eu só queria dormir um pouco mais.

— Certo. – sorriu. – Sabe nossas regras senhorita Reys? – perguntou e eu assenti. – Ótimo. Quero ver o quanto a senhorita pode ser disciplinada aqui dentro. – continuou. – E seja muito bem-vinda.

— Obrigada.

— Seu quarto é o número vinte e seis no terceiro e último andar desse prédio ao lado direito, pois o lado esquerdo é a ala masculina. E dividirá o quarto com a senhorita Castillo. – disse me entregando uma chave. – Espero que se dêem bem.

— Também espero. – murmurei. – Mas espera um minuto. – pensei. – Você disse que eu era a segunda pessoa seguida que entrava contra a própria vontade nesse colégio. – ela assentiu. – Ou seja, a pessoa que a senhora... – ela me interrompeu.

— Senhorita. – disse firme.

— Ok. Que a senhorita atendeu, foi à senhorita Castillo? Então ela é da pá virada e... – ela me interrompeu. Ela vai me interromper sempre?

“Pá virada”? Francamente senhorita Reys, eu não conheço esse tipo de palavreado. – disse rude.

— Eu só estou tentando te perguntar se essa tal de senhorita Castillo é uma boa pessoa, porque eu não tenho condições de dividir um quarto, durante três anos, com uma pessoa estressada e hostil.

— Bom ponto, senhorita Reys. – suspirou. – Mas não se preocupe. A senhorita Castillo é uma boa menina, apenas um pouco confusa, mas nada demais, parece ser dócil e gentil. – sorriu, mas logo fez uma cara pensativa. – E eu sugiro que você pare de fazer o uso de gírias imediatamente.

— Não foi uma gíria, pelo amor! É apenas uma expressão. Pá virada: quando uma pessoa é do contra, age ao contrário do correto. Entende? – perguntei ficando irritada.

— Da próxima vez fale corretamente, como agora, que eu a entenderei. – resmungou. – E nunca mais fale esta gíria ou expressão, pelo menos não na minha frente e nem na de seus professores, por favor. – revirei os olhos e assenti. Levar bronca da coordenadora é o Ó. Ops. Vou ter que parar de usar essas malditas expressões que ela considera gírias.

Ela me entregou uma chave e me liberou depois de poucos minutos. Peguei aquela pequena chave dourada e saí de sua sala. Fiz como o indicado e virei para o lado direito de prédio, onde era a ala feminina. Para minha surpresa tinha um elevador, o que era bom, porque eu não iria subir dois lances de escadas com a minha mala.

Apertei um dos botões e em alguns segundos as portas do elevador se abriram. Entrei no mesmo, e apertei o botão que indicava o terceiro andar. Em poucos segundos eu já estava lá em cima. O corredor de dormitórios é imenso. Tem vinte quartos no terceiro andar, e isso prova que esse colégio é gigante.

— Bom dia. – uma mulher de cabelos bem pretos médios, disse quando me viu pisar naquele corredor. – Sou a monitora deste corredor. – apresentou-se com um sorriso simpático. — Posso saber seu nome senhorita?

— Francesca Reys. – respondi achando estranho. Todas aquelas pessoas vão ficar me chamando de senhorita? Isso é hilário.

— Seja bem-vinda. – disse e logo voltou a sentar em sua cadeira.

Peguei minhas malas e levei até o quarto número vinte e seis. Suspirei e coloquei a chave na fechadura, mas para a minha surpresa a porta já estava aberta. Abri com cuidado, e dei de cara com uma garota sentada no chão encostada a parede cantarolando uma música com os olhos fechados suas malas estavam jogadas em voltada dela, e eu tive vontade de rir do modo disperso que ela estava.

— Hm... Oi. – ela disse quando me notou e tirou seus fones de ouvido.

— Oi. – murmurei. – Você deve ser a senhorita Castillo. – falei o óbvio e ela revirou os olhos. Oi?

— Será que todo mundo aqui vai me chamar de senhorita?

— Bom, eu não sei. – ri. – Mas eu também não gostei nada. – murmurei sentando na cama que era encostada na parede, a outra era perto da janela, e eu não acho muito legal dormir perto da janela.

— Que bom que não fui à única. – resmungou levantando do chão. – Sou Violetta Castillo. – se apresentou estendendo a mão para mim.

— Sou Francesca, ou senhorita Reys, se preferir. – falei apertando sua mão e ela esboçou um sorriso.

— Vou te chamar de Francesca, com toda certeza. – afirmou retribuindo o aperto e eu ri. Acho que ela pode ser uma pessoa legal.

Notas finais
O que acharam?????
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.