Descobrindo o amor

12 Entrevista especial


Meu fim de semana passou comigo sozinha em casa. Eu não mexia muito no computador e como ficava trancada no quarto, minha mãe me chamou no domingo para assistir filmes na TV. Ela trabalha até no sábado e eu também quis passar um tempo com ela para me distrair um pouco. Na segunda-feira eu não contei para as meninas que briguei com Akashi. As primeiras aulas passaram e no intervalo pedi a elas para ficar um pouco sozinha, já que as duas ficavam com Mibuchi-kun e Hayama-kun e em sequência com certeza Akashi estaria junto. Fiquei no terraço vendo a vista e aproveitando o vento. O inverno estava chegando e os dias começavam a ficar frios.

– Kotarou. – Yue disse em dúvida – Cadê Akashi-kun?

– Ele não está muito bem não. – Ele disse – Está no ginásio treinando, acho que está com raiva pelo que Chihiro disse.

– Chihiro? – Yue disse em dúvida.

– Amigo nosso do time.

– Com raiva de que? – Naoko perguntou.

– Ele e Mina brigaram. – Reo disse.

– Nande?

– Hum. – Reo suspirou.

Ele mostrou o vídeo no celular e as duas arregalaram os olhos. Não acreditaram no que Kime fez e Yue viu como ela era bastante inadequada.

– Aquela vaca! – Naoko exclamou.

– Mas...! Ela não nos contou nada! – Yue disse.

– Novidade. – Naoko disse – Aquela baka. – Ela cruzou os braços com raiva – Yue, vem.

– Hã?

– Aonde vão? – Reo perguntou.

– Aonde você acha? – Ela disse séria.

As duas se encaminharam para o terraço e me viram lá. Eu estava próxima à grade.

– Mina! – Naoko me chamou.

Virei em dúvida e as vi. A expressão de Yue parecia receosa.

– Por que você e Akashi brigaram? – Ela perguntou.

– Naoko... – Yue disse, ela foi bem direta.

– Hum... – Eu disse abaixando o olhar – Ele não me contou sobre o jogo.

– E daí? Aquela vaca fez isso pra te envergonhar mesmo!

– Naoko! – Yue a recriminou.

– Ela é mesmo! – Ela exclamou e se voltou para mim – Você vai deixar ela fazer isso?! Ela fez isso só pra atrapalhar o namoro de vocês e você caiu direitinho!

– Mas... Ele não me contou sobre o vídeo. Se ele tivesse me contado... – Disse inaudível.

– E por que você não perguntou? – Ela me interrompeu, estava com raiva – Se você perguntasse e dissesse que tinha visto, ele contaria tudo! Mas não, vocês brigam! Dois idiotas!

– Gomen...

– “Gomen”?! – Ela disse indignada – Baka! Você tem que lutar por ele!

Yue ficou surpresa tanto quanto eu.

– Vai deixar aquela idiota sabotar o namoro de vocês?! Estava tudo bem antes dela chegar. Está na cara que é culpa dela! – Naoko exclamava.

Eu a olhava, sabia disso. Mas eu não tinha coragem de ir atrás dele depois do que eu disse.

– Mina, você gosta do Akashi-kun? – Yue perguntou.

– Hai.

– Quanto?

– Muito... – Disse, meus olhos marejaram.

– Então. – Ela sorriu – Fale com ele.

Abaixei o olhar, não sei se conseguiria. Depois do intervalo, fomos para as salas e eu me pus a pensar. Eu gosto mesmo de Akashi e Kime deve ter feito aquilo de propósito. Mas eu não fazia ideia do que fazer. Quando o sinal soou, eu arrumei minhas coisas e fui para o meu armário trocar meus sapatos. De relance vi Kime sorrir e ir embora as amigas que fizera. Troquei meus sapatos o mais devagar que consegui, esperava que Akashi viesse até mim para irmos para casa juntos, mesmo depois do que eu disse... Mas não aconteceu, ele não veio e não o vi no colégio. Que idiota, depois de falar aquilo pra ele pensei mesmo que Akashi viria me ver. Com certeza deve ter percebido que não éramos pra ficar juntos.

Quando cheguei em casa, tomei um banho e pus comida para Mayu, trocando sua água em seguida. Sentei na escrivaninha para fazer os deveres e quando terminei, deitei na cama e peguei meu celular para ver se tinha mensagens. Novidade, nenhuma. Suspirei e fitei Mayu, que brincava com uma bola de seu tamanho.

– Mayu. – Cantarolei.

Ela me fitou e levantou as orelhinhas baixas. Eu sorri querendo rir e abaixei a mão, o que a fez vir até mim e eu fazer carinho nela.

– Nee, o que você acha? – Perguntei – Devo ligar para ele?

Claro, ela não me respondeu e eu sorri ainda querendo uma resposta.

...

No intervalo da aula do dia seguinte eu estava no pátio, lanchando. Ao final, bebia meu suco com o canudo e percebi Kime se aproximar. Virei o rosto continuando a beber, não queria que ela chegasse perto de mim.

– Ah, ohayou. – Ela disse sorridente, sentando ao meu lado.

Fiz uma expressão desanimada.

– Ohayou. – Cumprimentei ainda com o canudo na boca.

– Nee, como você está? – Ela sorriu.

– Bem.

– Bem? Ah... Ouvi dizer que você e Seijuro não estão mais andando juntos. Que pena. – Ela disse e eu senti uma ponta de deboche – Sinto muito por terem brigado.

– Nande? – Disse desanimada.

– Pelo vídeo. É que eu sempre fui aos jogos de Seijuro, então eu fui naquele, ne. Pensei que você estaria lá para ver seu namorado. – Ela disse – Que tipo de namorada não vai ao jogo de basquete do namorado?

– Hum. – Abaixei o olhar, bebendo o último gole e saindo de perto dela – Ja ne.

– Ja. – Ela sorriu.

Kime era hipócrita, isso ficou claro. Ela estava fazendo mesmo de tudo para ter Akashi. Fui para casa e não o vi de novo, comecei a sentir falta dele. Era estranho não ter mais a companhia dele quando voltava para casa. Cheguei e não tinha nada para fazer. Vi um bilhete em cima da mesa, minha mãe faria hora extra. Suspirei e fui cuidar de Mayu. Depois de tomar um banho, deitei na cama e fiquei olhando para o teto. Desenvolvi a mania de ficar constantemente vendo se tinha mensagens no meu celular e me frustrava quando não via nada. Comecei a pensar no deboche de Kime, ela queria também fazer eu me sentir mal. Fiquei com raiva dela. Pensei em Akashi e em como ele ficou surpreso quando eu disse aquilo pra ele. Meu coração começou a apertar e pus a mão na altura do peito. Eu... Queria ver Akashi.

– Hum... – Suspirei, apertando os olhos.

Estava com raiva. De Kime, de mim... Levantei e troquei de roupa, ainda era de tarde. Vesti uma calça, tênis e blusa de mangas compridas. Me despedi de Mayu e fechei a porta, saindo de casa. Eu iria falar com Akashi, iria para casa dele. Na última vez que fomos, no dia da minha vergonha, fomos de ônibus e eu lembrava ainda qual era o caminho. Meu coração não parava de desacelerar durante todo o caminho. Eu estava nervosa e queria muito saber qual seria a resposta dele ao meu pedido de desculpas.

Quando cheguei, apertei o interfone do grande portão e o mordomo me atendeu.

– Quem deseja?

– A-Anou... É a Mina. Posso falar com Akashi?

– Senhorita Mina. Claro, já irei abrir.

– Arigatou.

Fiquei mais nervosa por estar a passos de distância e passei pelo portão depois de ouvir um estalo, indicando que estava aberto. Passei pelo quintal, andando pelo caminho de pedras e fui em direção à porta da entrada, batendo em seguida. Esperei, pensando que o mordomo que me atendeu abriria, mas quando vi a figura que atendeu, meu nervosismo aumentou. Era Akashi.

– Uhm...

– Kon’nichiwa. – Ele disse calmo.

– Hum. – Abaixei o olhar – Ne... Posso falar com você?

– Hai. – Ele disse, abrindo mais a porta para mim.

Entrei e ele me levou para seu quarto, fechando a porta em seguida. Ele sentou no sofá e me olhou, o que me fez sentar também. Estava sem jeito, mas queria muito pedir desculpas a ele.

– Anou... Gomen nasai. – Disse quase inaudível.

– Nande? – Ele perguntou.

– Fiquei triste quando vi o vídeo. Eu só queria falar que vi porque não consegui ir ao jogo, mas então eu também vi a entrevista. – Explicava – Gomen ne. Devia ter deixado você falar.

– Gomen.

O olhei surpresa.

– Eu devia ter contato. – Ele disse – Você foi pega de surpresa e ainda teve que ouvir as pessoas falando sobre isso.

– Hum, arigatou.

Ele sorriu gentilmente.

– Por que veio aqui? – Ele perguntou.

– Eu... Vi como senti sua falta. – Abaixei o olhar, corando – Foi ruim.

Ele sorriu novamente.

– Então você não viu, ne?

– Hã? – Não entendi – Nani?

Ele deixou escapar uma risada leve e levantou. Não compreendi e apenas o vi ir até sua escrivaninha e ligar o computador. Ele me fitou e eu levantei, indo até ele. Akashi pediu para eu me sentar na cadeira e abriu o navegador, colocando num vídeo. Eu olhava para a tela sem entender até que começou o vídeo. Era Akashi em no que parecia ser uma sala e um repórter sentado próximo a ele num sofá.

Akashi-kun, então aquela menina que o abraçou não era sua namorada? – O repórter perguntou.

Não. – Akashi disse – Ela é uma amiga que foi ver o jogo e me abraçou na hora que eu disse sobre a dedicatória das minhas cestas. Isso fez ocorrer essa infelicidade.

– Essa foi a razão do seu pedido por essa entrevista?

– Hai. Sinceramente, minha namorada ficou chateada com os boatos sobre mim e a amiga que me abraçou. Nossos colegas de escola pensam que essa amiga é minha namorada, mas ela não é. O nome da minha namorada é Yume Mina.

– Para Akashi-kun dizer isso deve gostar muito dela.

De fato. – Ele disse sério – Fiquei irritado com a confusão que foi feita e com os boatos. Principalmente pelo resultado disso ter sido de Mina ficar triste.

Esse é um belo pedido de desculpas. – O repórter sorriu – Espero que ela fique bem então.

Hai, arigatou. – Akashi disse.

Bem, pessoal. – O repórter se voltou para a câmera – Essa foi a entrevista especial com o jovem jogador de basquete Akashi Seijuro. Voltaremos logo depois do intervalo com os comentários de Akashi sobre seu jogo da semana passada.

Akashi parou o vídeo naquele momento. Eu não conseguia desviar o olhar da tela do computador. Queria chorar, minha garganta estava seca e eu emocionada.

– Mina.

O olhei com os olhos marejados.

– Gomen.

– Vocês fez isso tudo pra pedir desculpas? – Perguntei já chorando.

– Hai. – Ele sorriu.

– Pensei que não queria mais me ver.

– Nande? – Ele franziu a testa em dúvida.

– Não te vi mais depois da aula.

– Ah... – Ele compreendeu – Segunda eu saí mais cedo para consegui a entrevista e terça foi a entrevista. Tive que falar do jogo para eles aceitarem que eu falasse sobre você. Se bem que todos gostam de uma fofoca. – Ele deixou escapar uma risada.

Abaixei o olhar, compreendendo.

– Arigatou. – Sorri levemente.

Ele sorriu e pegou em minha mão, me fazendo levantar. Nos levou até o sofá e nos sentamos. Akashi pediu uma entrevista pra dizer quem era sua namorada de verdade. Ele fez isso por mim, para eu perdoá-lo. Eu fiquei tão feliz! Nunca pensei que ele faria algo desse tipo apenas para eu voltar a falar com ele.

Ele pôs o braço ao meu redor e me fez deitar em seu ombro. Me encolhi, mas não era por vergonha. Eu me senti aconchegada com ele. Queria que ele me beijasse, mas estava com vergonha de pedir.

– Mina.

– Hum?

– Você ainda é minha namorada? – Ele perguntou.

– Hai.

Ele sorriu.

– Posso te beijar?

– Hai. – Disse suave, corando.

Akashi se endireitou, pegando em minha bochecha enquanto eu o olhava nos olhos, vendo como eles eram bonitos. Ele se aproximou e encostou os lábios nos meus, me beijando calmamente. Tive agora a certeza de que nunca iria deixar de lutar por ele. Kime o quer, porém eu também o quero e não vou mais parar de lutar porque... Eu gosto mesmo de Akashi.

Notas finais
Gostaram? Já tenho algumas ideias pro próximo, estou planejando xD Ah, e esse é o Chihiro. Ele é do Kuroko no Basquete mesmo. Chihiro Mayuzumi http://36.media.tumblr.com/8efff00e6cd090e8061aad88ce37b13c/tumblr_nnrhd44UvK1qj24t1o1_500.jpg