Descobrindo o Amor.
51 Tirando uma história á limpo. - Parte I
Notas iniciais
Por Christian.
Anastásia estava estranha. Eu senti isso. Eu já a conheço suficiente para saber que havia algo de errado com ela. Ela não estava... Ela. Quer dizer, seu comportamento estava duvidoso no final do jantar, ela não estava mais tão sorridente e animada, pelo contrário ela estava muito pensativa, pensativa até demais para o meu gosto. Eu tinha percebido isso no fim do jantar, depois que eu subi para buscar meu caderno para ela, foi a partir dai que eu notei que seu comportamento mudou, e eu passei a observá-la ainda mais, com dúvidas e perguntas rondando minha cabeça em vários pontos de interrogação.
Por que a sua expressão estava mais séria e pensativa? Por que eu a sentia desconfortável e mais distante? Eu não consigo entender.
Ela poderia até ter tentado disfarçar, mas não conseguiu me convencer, eu vi que algo estava a incomodando, e eu não gostei disso, eu não queria que ela se incomodasse na minha casa, por que esse é o lugar que ela irá frequentar muitas e muitas vezes, afinal ela agora é a minha namorada e eu quero sempre levá-la a jantares de família e qualquer coisa do gênero, para afirmar nosso compromisso.
Algo aconteceu com ela, e eu tenho quase certeza disso, algo dentro de mim diz que tem algo de errado, eu conheço Anastásia, eu aprendi á conhecê-la, sei quando está nervosa, irritada, apreensiva, com vergonha, quieta demais... Desconfortável.
Algo aconteceu e eu irei descobrir o que é.
Troquei a marcha do carro, e voltei para a minha casa, os pensamentos confusos estavam me deixando nervoso e apreensivo, meus dedos batucavam de vez em quando o volante, provocando um som irritante para quem estivesse ali presente, mas eu não me incomodei com o som dos meus próprios dedos e continuei a bater os dedos sobre o volante em uma clama demonstração de apreensão.
Quando cheguei a minha casa, estacionei o carro diretamente na grande garagem, ele ficou torto, mas eu não me importei, e apenas dei de ombros e saí do carro, passando reto pelos seguranças, sem cumprimentá-los.
Quando entrei na casa, não tinha ninguém na ala principal, eu suspirei um pouco estressado e passei as mãos em meus cabelos, sentindo eles se prenderem em meus dedos, anunciando que estavam muito bagunçados, e então no mesmo momento eu tentei os arrumá-los com os meus próprios dedos, como se fosse um pente, mas nada muito adiantou, pelo contrário, eu acho que ficou ainda mais revirado.
Escutei barulhos na cozinha, e resolvi ir até lá, provavelmente era Gail ou alguma outra empregada.
Eu precisava conversar com a minha mãe, e perguntar á ela se algo havia acontecido, ou até mesmo se ela havia falado algo com Anastásia que a tivesse magoado. Eu não acho que a minha mãe seria capaz de uma coisa dessas, falar algo com Anastásia para magoá-la, ainda mais quando ela pareceu tanto gostar de Ana, mas eu preciso tirar essa história a limpo, eu sei que Anastásia esta mentindo quando disse que nada aconteceu.
Quando cheguei á cozinha encontrei Gail e minha mãe conversando, minha mãe sorriu para mim quando me viu, e Gail fez o mesmo. Eu sorri para as duas, e me aproximei de minha mãe, ela me olhou um pouco confusa com os olhos estreitados.
—Mãe, eu posso conversar com você? – Eu perguntei, e ela assentiu, com apreensão em seus olhos.
—Claro filho. – Ela respondeu. –Gail, já volto, vou apenas conversar com Christian, eu não demoro. – Ela disse e Gail assentiu positivamente.
Saímos da cozinha e nós fomos juntos para a sala, eu estava um pouco ervoso e apreensivo para perguntar isso, por que eu sei que ela não seria capaz de uma coisa dessas, mas eu preciso ter a total e completa certeza.
Sentamos no grande e confortável sofá branco, macio e quente, minha mãe cruzou as pernas e os braços, e ficou me olhando, esperando que eu dissesse logo o que queria dizer.
Eu limpei minha garganta antes de resolver me pronunciar.
—Mãe, eu não sei se a senhora percebeu, mas a Ana, ela estava diferente em certa hora do jantar. – Eu disse vendo a sua reação, sua testa enrugou em um sinal claro de desentendimento.
—Diferente como, Christian? – Ela perguntou.
—Ela parecia estar desconfortável com algo, ela parecia estar incomodada, seus sorrisos não estavam muito convincentes. – Eu respondi passando as mãos em meus cabelos.
—Em que momento do jantar você percebeu isso? – Ela perguntou.
—Depois que eu subi para o meu quarto buscar meu caderno para entregar á ela, eu percebi que ela já não estava mais como antes. – Eu respondi me lembrando muito bem.
—Eu sinceramente não percebi nada meu filho, mas você a conhece melhor que eu. – Disse minha mãe, pousando a sua mãe quente sobre a minha em um gesto materno.
—Quando eu fui levá-la para casa no carro, eu perguntei se ela estava bem, ela me responder que sim, mas eu não consegui me convencer de que estava eu sentia que não estava mãe, eu não sei explicar direito, mas algo ocorreu nesse jantar que a deixou assim, e eu preciso saber o que é. – Eu disse determinado.
No carro Anastásia disse que estava bem, e me deu um sorriso, mas seu sorriso não chegou a seus olhos, assim como a sua voz, que não estava firme e convincente, foi nesse momento que eu tive a certeza de que alguma coisa tinha acontecido, mas logo me esqueci disso, quando ela subiu em meu colo e nós fizemos amor.
—O que você acha que pode ter sido? – Perguntou minha mãe.
—Eu acho que alguém não disse coisas muito agradáveis á ela, esse é o único motivo dela ter mudado de comportamento. — Eu disse segurando novamente meus cabelos. –Mãe, eu não quero ofender a senhora, mas não foi você que disse algo de ruim á Ana não é? – Eu perguntei temeroso, a ultima coisa que queria era ofender a minha mãe.
—Que isso Christian! É claro que não fui eu, eu jamais faria uma coisa dessas, eu gosto da Ana, a acho adorável. – Respondeu minha mãe parecendo estar ofendida.
Era bom saber que ela jamais faria algo assim, e era ainda melhor ouvir da sua própria boca que gostava de Ana.
—Ela é adorável mesmo. – Eu concordei com a minha mãe. –Me perdoe por desconfiar da senhora, mas é que eu sei que á algo de errado, e eu preciso saber o que é, mãe. – Eu disse agoniado, minha mãe passou a sua mão em meus cabelos me olhando com ternura.
—Não fique assim querido. – Ela disse me consolando. –Mia e Elliot nunca diriam nada que magoa-se Anastásia.- Minha mãe disse com certeza e firmeza.
Eu também acreditava que Mia não falaria nada de ruim, pois eu sei que Mia adora Ana como sua amiga, e Elliot parece ter uma queda por Ana, ele também não diria nada, e se dissesse, eu tenho quase certeza que minha Anastásia teria revidado.
Mas se não foi Mia, nem Elliot e muito menos minha mãe, só pode ter sido a última pessoa que participou desse jantar.
Meu pai.
Continua.
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