Descobrindo o Amor.
53 Tirando uma história á limpo. - Parte Final.
Notas iniciais
Por Christian.
Entrei no quarto de Elliot vendo a sua organização impecável com suas coisas, me impressionei ao reparar em certos detalhes. Ele parecia quase ser o tipo perfeccionista, e eu ri disso, pois jamais pensei que ele fosse tão certinho a esse ponto.
Eu sempre soube que diferente de mim, Elliot era certinho em tudo o que fazia. Tirava notas boas, era educado com todos, ajudava qualquer um que precisava de ajuda e não arrumava brigas na escola.
Diferente de mim. Eu não tirava e não tiro tantas notas boas, apesar de agora eu querer realmente mudar isso, eu não sou exatamente educados com todos, mas estou melhorando nesse quesito. Eu não ajudo as pessoas, pelo menos não as distantes de mim, e arrumava, pois não arrumo mais briga na escola toda semana.
Compreendi ali no seu quarto que nós éramos o oposto um do outro. Ele é todo organizado e certinho, enquanto eu sou todo bagunçado e errado.
Elliot é o homem perfeito, em quanto eu sou cinquenta tons fodidos.
Literalmente a ovelha negra da família, muitas vezes intitulado por Carrick, que sempre usava Elliot para nos comparar, o que me deixava extremamente furioso e frustrado.
Eu não gosto de comparações, ainda mais se elas são feitas para me diminuir a alguém. Eu não acho justo e certo comparar pessoas, pois cada um é de um jeito, e não tem como impor características pessoais a outras pessoas. Definitivamente comparações não são algo que eu identifique como bom.
Deve ser por esses fatores que o nosso pai tanto o bajula. O queridinho do papai sempre foi o Elliot, e Carrick nunca soube esconder essa sua preferencia, o que sempre me fez ficar frustrado e com raiva dos dois.
Mas agora eu me pergunto. Será que essa raiva que eu sempre senti de Elliot faz algum sentido? Afinal, ele tem culpa por eu ser o errado?
Não, ele não tem culpa de eu ser fodido, de eu sempre ter sido o irresponsável, a culpa sempre foi somente minha. E eu acabei lhe lançando uma raiva injusta.
Nosso pai tinha preferencia, e eu acredito que uma boa porcentagem de pais também tem sua preferencia por filhos, ainda mais quando um deles causa tanta dor de cabeça.
Elliot sempre fez as coisas certas por que era algo natural dele, fazia parte dele ser certo. Ele não forçava nada, ele não fazia as coisas certas de proposito para obter atenção e preferencia de nosso pai, era simplesmente uma coisa dele ser desse jeito.
E eu me arrependi por todas as grandes e graves discussões que tivemos me arrependi de ter lançado um ódio sem sentido sobre ele, me arrependi de ter distanciado o meu irmão de mim.
Eu não medi os atos, eu não pensei nas consequências, e nem parei para pensar que Elliot não tinha culpa de nada, eu simplesmente joguei a minha raiva sobre ele, por que assim era mais fácil de me sentir menos fodido.
Culpei e desprezei o meu irmão, por ele simplesmente ser ele mesmo, e agora vejo que jamais deveria ter feito o que fiz, pois eu acabei com o nosso relacionamento.
Nós não podíamos mais ser que éramos antes de toda a rivalidade gerar, mas eu gostaria de tentar agora que vi a merda que fiz.
—Christian? – Escutei de longe a voz de Elliot me chamar. Deixei de lado pelo menos por enquanto os meus pensamentos em torno de Elliot, e me concentrei em meu objetivo de esta ali.
Anastásia.
—Desculpe, eu me distrai. – Eu disse dando de ombros. Elliot me olhou instigado, mas nada falou, ele esperou que eu me pronuncia-se. –Eu preciso falar com você sobre a Anastásia. – Eu comecei aos poucos.
—Eu sei. Prossiga. – Ele pediu se sentando na cama, enquanto eu ficava de pé.
—Eu irei te dizer a mesma coisa que disse para Mia. – Eu comecei. –Você notou algo estranho ou diferente em Ana em determinado momento do jantar? – Eu perguntei vendo Elliot estreitar suas sobrancelhas um pouco confuso por minha pergunta.
—Não. Para mim ela estava normal até onde eu jantei pelo menos ela estava como sempre é. – Ele respondeu me lembrando de que ele havia subido para o seu quarto antes de Anastásia agir e maneira estranha.
De repente uma luz entrou pela minha mente e quase tudo se encaixou como uma peça de quebra-cabeça.
Se Elliot havia subido para o seu quarto mais cedo, no exato momento que Mia e eu também subimos para pegarmos os nossos cadernos e emprestarmos para Anastásia, ela ficou sozinha com meu... Pai.
E foi depois desse momento que ela começou a agir de maneira estranha, parecendo desconfortável naquele local e sorrindo de maneira forçada, pois eu conhecia o seu sorriso o suficiente para dizer quando ele é verdadeiro e quando ele é falso.
—É isso! Porra! Como não pensei nisso? Caralho... Aquele... Maldito. – Eu disse para mim mesmo com raiva do meu próprio pai.
O que ele havia dito para Ana ter ficado daquele jeito? Com certeza ele a xingou de algo ou a destratou!
Mas que merda! Por que ela não me contou?! Eu sou seu namorado e tenho a porra do direito de saber de tudo, exatamente tudo que acontece na vida dela, inclusive se meu pai a maltrata em um jantar que era para ser de família, mas vejo que de família não tem nada, pois um pai jamais faria isso com a namorada do seu filho.
—Christian. – Ele me chamou ficando de pé na minha frente. –O que está acontecendo? Me fala! – Ele exigiu com a voz um pouco mais alta do que ele estava acostumado a falar.
—O nosso pai Elliot! O nosso pai fez algo para Anastásia! – Eu respondi já acusando Carrick.
—O que? Do que você está falando? Como assim? O que ele fez? Me explica. – Pediu Elliot fazendo diversas perguntas ao mesmo que também exigia.
—Depois que você subiu para o quarto, Mia e eu também subimos para pegarmos nossos cadernos para emprestarmos para a Ana. – Eu comecei e Elliot assentiu positivamente. –Ela ficou na mesa sozinha com o nosso pai, e depois disso quando eu voltei, eu percebi que ela estava diferente. – Eu acrescentei um pouco exasperado.
Elliot arqueou as sobrancelhas.
—Diferente como? – Ele perguntou cruzando os braços em frente ao seu peitoral.
—Ela não estava mais sorridente e animada, ela estava muito pensativa, ela parecia desconfortável, séria demais e toda vez que ela sorria o sorriso não chegava aos olhos. – Eu respondi.
—Christian aonde você quer chegar com isso? – Elliot perguntou, transparecendo seu nervosismo, talvez ele não quisesse ouvir a resposta que eu iria dar.
—Eu tenho quase certeza que o nosso pai fez ou falou algo para ela ter ficado daquele jeito Elliot. – Eu respondi.
Elliot me olhou fixamente, sua expressão era pensativa e um pouco frustrada, dava para ver claramente que ele queria que não fosse verdade o que eu estava dizendo.
—É uma acusação muito séria Christian. – Elliot me repreendeu.
—Mas você não pode negar que não faz sentido. – Eu rebati.
—Como você tem tanta certeza que ela não estava agindo normalmente? Isso pode ser coisa da sua cabeça. – Ele rebateu de volta. Senti um pouco de raiva e frustração por ele parecer não querer acreditar em mim.
—Porra Elliot! Eu conheço a minha namorada o suficiente para saber quando ela está agindo de maneira estranha. – Eu respondi elevando a minha voz, mas me repreendendo no momento seguinte.
Eu não podia fazer escândalo, não podia correr o risco de Carrick escutar.
—Se ela estava agindo de maneira estranha, por que não a questionou? – Ele perguntou praticamente ignorando minha resposta anterior.
—Eu perguntei se ela estava bem, e ela disse que sim, mas eu sei Elliot, eu sei por que eu vi nos olhos dela, eu vi bem no fundo dos olhos dela que ela não estava bem e que algo de errado estava sim acontecendo. – Eu declarei diminuindo sempre gradativamente meu tom de voz. Elliot nada falou o que me fez ficar um tanto decepcionado. Eu bufei e dei de ombros. –Quer saber esquece. – Eu disse me virando de costas para sair do seu quarto.
—Eu acredito em você Christian. – Elliot pronunciou antes que eu saísse. Eu o olhei por de trás das costas. –Eu conheço e convivo com o meu pai o suficiente para saber que ele é capaz de fazer uma coisa dessas. – Ele disse e eu senti um tom amargo em sua voz.
—Por que diz isso? – Eu perguntei.
—Eu vejo o nosso pai destratar e desprezar pessoas inferiores a ele na empresa Christian. O vejo olhar com desprezo para as pessoas que não tem a classe superior ou dinheiro suficiente para ele. – Ele respondeu. –Nada o impediria de olhar dessa maneira para Anastásia. – Ele acrescentou com escárnio em sua voz, cheguei a pensar que ele sentia tanta raiva quando eu, mas vi que isso não era possível.
—Desgraçado! – O xinguei. –Ele não entende que pouco me importa a classe de Anastásia, eu não me importo! Eu tenho o suficiente para nós dois! – Eu declarei, Elliot deu um sorriso de canto.
—Você está mesmo apaixonado por ela, e pelo visto não esconde. – Ele disse. –Eu acho que você deve falar com Anastásia ante de falar com o nosso pai. – Ele me aconselhou.
—Não. Eu vou falar com o nosso pai agora. – Declarei já querendo sair do seu quarto, mas ele agarrou meu braço com força.
—Christian, não! – Ele disse fechando a porta com certa força e ficando na minha frente. –Antes de fazer merda fale com Ana, a pressione, dia que já sabe a verdade, a faça falar e descubra tudo que aconteceu, e depois fale com o nosso pai. – Ele novamente me aconselhou.
—Mas Elliot... – Eu tentei protestar.
—Christian, você tem que falar com Ana primeiro, ela merece saber que você descobriu a verdade e você merece saber de toda a história, por favor, não faça nada de cabeça quente, você sabe que as consequências são piores. – Ele disse e por mais que eu odiasse admitir ele tinha razão, era o certo a se fazer.
—Tudo bem, você está certo, eu vou me controlar e amanhã mesmo sem falta irei falar com Ana, e a forçarei falar a verdade, e se tudo se confirmar Elliot, eu não sei o que serei capaz de fazer. – Eu admiti sentindo a raiva correr quente por minhas veias.
—Eu estou com você Christian, eu vou te ajudar com que for preciso. – Ele declarou me fazendo sentir culpado por tudo que fiz a ele.
—Me perdoe. – Eu me vi dizendo. Elliot não entendeu o sentido da minha frase. –Me perdoe por tudo de ruim que eu já te fiz e falei, eu era um... Babaca desprezível, mas eu estou mudando. – Eu disse não querendo olhar muito em seus olhos.
Elliot deu um meio sorriso.
—Eu sei que você está mudando Christian, e eu agradeço Anastásia todos os dias por isso. – Ele disse e foi a minha vez de sorrir.
Sim, Anastásia era o motivo de eu ter mudado tanto, e é por isso que eu sou capaz de fazer tudo por ela. Exatamente tudo que estiver ao meu alcance e, além disso, indo para o meu limite.
—Obrigado Elliot. – Eu o agradeci, antes de se despedirmos e eu lhe dar boa noite e ir para o meu quarto.
Quando deitei em minha cama, eu senti que tudo iria voltar a ser como era antes com Elliot, nós iriamos novamente sermos aqueles irmãos inseparáveis.
Eu posso perder o respeito e a admiração que sentia pelo meu pai, mas ganhei total apreciação e gratidão pelo meu irmão.
Infelizmente não se pode ter tudo na vida.
Continua.
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