Descobrindo o Amor.
66 Falar é fácil, difícil é fazer.
Notas iniciais
Por Christian.
—Conseguir uma bolsa?! Você está maluco?! Tem ideia do quanto isso é difícil Christian?! – Anastásia murmurou quando eu contei para ela sobre os meus planos.
—Ei, silencio. – Uma garota que sentava na nossa frente na sala de aula reclamou.
Anastásia apenas fez uma careta sem se desculpar.
—Eu sei que é difícil, mas eu estou disposto a tentar. – Sussurrei para o professor não brigar conosco ao mesmo tempo em que passava a matéria no quadro e eu copiava – o que era algo muito raro, eu nunca copiava, apenas batia fotos do quadro e dizia para mim mesmo que em casa copiaria, mas eu nunca fazia isso. –
—Christian, me desculpe por dizer isso, mas eu não acho que com as suas notas você consiga uma vaga de bolsista aqui, a prova é muito difícil, são páginas e páginas de diversas questões, envolvendo matemática, química, física, geografia, literatura e várias outras coisas. –
—Eu sei que é difícil, e eu tenho a consciência de que talvez eu não consiga essa bolsa, mas eu preciso... Na verdade, eu tenho que tentar caminhar com as minhas próprias pernas, eu preciso disso Anastásia, eu preciso sentir que eu sou capaz de ter as coisas sem precisar de ninguém jogando na minha cara de que eu tenho tudo de graça. – Argumentei me lembrando das palavras do meu pai durante a discussão dizendo que eu sempre tive tudo de mãos beijadas sem precisar mover um dedo.
O pior de tudo é que eu sabia que era verdade e isso era uma merda.
—Tudo bem, eu concordo em partes com você, mas e se por acaso você não conseguir passar e não conseguir essa bolsa? O que você vai fazer, você vai voltar atrás? –
—Não, eu não irei mais pedir nada para os meus pais. Caso eu não consiga passar e não consiga a bolsa, eu irei ter que me mudar para um colégio público. –
Os olhos de Ana se arregalaram.
Ela passou as mãos sobre os cabelos.
—Isso é arriscado demais Christian. –
—Eu sei, mas eu estou disposto a tentar, e eu quero tentar, eu quero provar não só a todos que acham que eu sou um babaca mimado, mas a mim mesmo que eu sou capaz de me virar com as minhas próprias pernas, eu já sou um homem de dezoito anos e somente hoje pela primeira vez me senti realmente uma pessoa que pode ser capaz de fazer o seu próprio futuro sem depender de ninguém, sem ter cobranças mais tarde, sem ter ninguém jogando sobre mim o porquê deu ter chego aonde cheguei, sem benefícios, eu quero muito isso Anastásia. –
Ana suspirou.
—É você quem decide, o futuro e a vida são seus, eu não posso mandar em você. E eu quero que saiba que eu apesar de achar arriscado e um tanto quanto louco, ainda assim, eu estou ao seu lado te apoiando. –
Lhe roubei um rápido selinho antes que o professor visse e nos desse uma bronca.
—Eu te amo. – Sussurrei.
—Eu te amo também, e eu estou apostando em você, apostando que você irá conseguir. – Ela declarou.
Era uma ótima motivação.
—Eu irei Ana, eu irei dar de tudo para conseguir. – Garanti beijando a palma de sua mão e fazendo nossos dedos se entrelaçarem.
Eu tinha fé e esperanças.
E isso já era um bom começo.
{...}
Eu iria falar com a diretora sobre tentar conseguir uma bolsa e suspender o pagamento da mensalidade que Carrick paga, obviamente ela teria que ter o meu pai pessoalmente, mas eu já iria adiantar algumas coisas.
A direta Julianne Gordon e eu não tínhamos uma boa experiência juntos.
Perdi a conta de quantos sermões ela já lançou sobre mim e de todos os olhares de repreensão sendo jogados em minha direção.
Ela não ia muito com a minha cara e obviamente não iria por fé em mim, e poderia até talvez se negar a me dar uma oportunidade de tentar conseguir uma bolsa.
Eu teria que mostrar para ela que eu estava mesmo determinado a conseguir a bolsa e que eu iria agarrar essa oportunidade com todas as minhas forças, que eu estava levando a sério e não como uma brincadeira.
Queria deixar para trás todas as confusões que eu já me meti e provar para ela que eu estava mudando e iria mudar ainda mais.
Parei em frente a sua porta e respirei fundo antes de bater três vezes na porta e abrir delicadamente, colocando parte do meu corpo para dentro.
—Senhora Gordon?... Quer dizer, diretora Gordon? – Me apresentei.
Ela estava de costas pegando algo dentro do armário.
—Posso te ajudar, Christian? – Ela perguntou, porém sem se virar para mim, ainda de costas.
—Tem uma coisa que eu gostaria de... Ah... De falar com a senhora, é uma coisa... Ah... Meio louca... –
—Então pode ficar para depois. – Ela rebateu balançando seus cachos negros no ar.
Eu suspirei um pouco frustrado.
—Eu... – Limpei a minha garganta para continuar a falar para soar mais firme e confiante. –Eu decidi que o meu pai não irá mais pagar a minha mensalidade. – Declarei.
Julianne se virou, porém olhava para papéis em suas mãos e não para mim, como se não estivesse dando importância ao que eu estava falando.
-Quem irá pagar então? –
—Ninguém, eu quero tentar conseguir uma bolsa. –
Finalmente ela me olhou com os olhos arregalados de surpresa e a expressão em um verdadeiro choque e espanto.
—Sua família está passando por problemas financeiros? –
Neguei.
—Não, a conta bancária de minha família está ótima. –
—Que tipo de piadinha sem graça é essa senhor Grey? –
—Não é nenhuma piadinha diretora Gordon, eu decidi apenas que não quero que o meu pai pague a minha mensalidade, por isso quero tentar conseguir uma bolsa. –
Ela rio.
—Está mesmo falando sério? –
—Como jamais falei em toda a minha vida. Eu tive uma discussão com o meu pai e gostaria de... –
—Ah Christian, você está com birra do seu pai e quer chamar atenção, por favor, saia da minha sala. –
—O que? Não, não é por que eu briguei com ele que estou de birra, eu só quero mostrar para ele que eu posso caminhar com as minhas próprias pernas que eu sou capaz de fazer o meu futuro sem o dinheiro e ajuda dele, eu quero mostrar á ele que eu posso. – Argumentei.
Ela me olhou com as sobrancelhas unidas ainda parecendo não acreditar.
—Olha, eu entendo que eu não sou o aluno mais perfeito e já me meti em diversas confusões e já fiz várias brincadeiras de mal gosto dentro dessa escola, mas eu quero mudar, eu quero mudar realmente, eu quero ver como o mundo realmente é, da maneira mais crua que tem, eu quero batalhar, lutar, trabalhar e chegar ao topo por que eu consegui, por que eu corri atrás, por que eu lutei por tudo o que eu tenho e não por que eu nasci em berço de ouro e com as portas abertas por ter dinheiro e um caminho livre, eu quero ter as coisas e poder dizer que foi graças ao suor e ao esforço que eu as consegui. -
Parecendo avaliar as minhas palavras que para mim soaram sinceras.
—Você está mesmo falando sério? Quer mesmo se candidatar a uma bolsa da escola? –
—Sim, eu estou falando sério, e antes que diga algo, eu já sou maior de idade e responsável por meus próprios atos, então posso tentar a bolsa sem a autorização de meus pais. –
—E seu pai está de acordo com a ideia de não pagar mais a sua mensalidade? –
—Irei falar com ele ainda hoje sobre isso. – Declarei.
Ela olhou para mim por uns breves segundos, suspirando um pouco frustrada logo em seguida.
—Christian, não é por nada, mas você não é o aluno mais inteligente do colégio ou até mesmo da sua sala, suas notas são realmente péssimas, e tem alunos que se esforçam e dão de tudo de si para conseguir uma bolsa, eles lutam com garras e dentes. –
—Eu estou ciente disso. –
—Os alunos que querem a bolsa, eles lutam todos os dias, dando duro e estudando pesado para chegar a cada dia que se passar uma fração mais perto de conseguir, e nós exigimos muito por que sabemos o que irão enfrentar lá fora e por que queremos dar essa oportunidade á eles. Só consegue quem estiver preparado para lutar.—
—Sim, eu entendo. –
—Eu não sei se você entende. Eu já te vi desistir uma vez Christian. – Ela me lembrou.
Foi uma época que eu estava no primeiro ano do ensino médio, eu via muitos em minha volta lutando e batalhando pelas melhores e mais altas notas e eu decidi tentar e acabei conseguindo por seis meses as mais altas notas, porém no primeiro deslize que tive e a primeira derrota de ter novamente uma nota baixa me fizeram largar tudo e jogar tudo para alto, desistindo de ser um aluno exemplar e com notas boas.
E eu me tornei pior do que era antes de tentar.
—Isso não irá acontecer de novo, agora às coisas serão diferentes. – Eu garanti.
—Palavras não bastam. – Ela rebateu.
—Tudo bem, então me diga o que eu preciso fazer. –
—Eu quero que você se comprometa dessa vez, eu quero que você realmente lute, eu não quero somente palavras, eu quero atitudes, eu quero que você me surpreenda, eu quero estar errada sobre achar que você não irá conseguir, é isso que eu quero. –
—Eu prometo, eu lhe dou a minha palavra de que irei lutar com todas as minhas garras e força, eu não irei te decepcionar. – Garanti a ela tão firme e seguro de mim que até me assustei.
—Tudo bem então, eu preciso que o seu pai venha aqui para assinar os documentos de anulação da mensalidade e irei colocar o seu nome na lista dos alunos que irão fazer a prova para conseguir a bolsa. É isso que você quer? –
—É tudo que eu mais quero. –
—A prova irá acontecer daqui a três meses, você terá cinco horas de prova e se conseguir acertar sessenta e cinco por cento das questões a bolsa será totalmente sua. –
Respirei fundo ao ouvir as instruções.
Parecia extremamente difícil para mim acertar sessenta e cinco por cento das questões, mas eu iria batalhar e eu iria conseguir.
Eu estava determinado á isso.
—Eu irei lutar, eu prometo diretora Gordon. –
—Eu já te vi desistir uma vez Cristian e me decepcionei apenas não me decepcione novamente. –
—Eu não irei. –
Continua.
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