Descobertas
38 Apenas como amigo...
Notas iniciais
Paulina não queria acreditar no que havia ocorrido, novamente o destino a traiu, ela já não sabia se ela poderia ser feliz, sempre há algo que a impede de ser feliz — ou tentar ser-. Paulina só pensava em como seria sua vida sem Miguel, o único que a compreendia, e que a apoiava, ela já havia se acostumado com a companhia de seu marido, aquele que ela aos poucos aprendeu a amar...
HORAS DEPOIS...
Já era mais de 1h da manhã quando vovó soube do que estava acontecendo, a babá da crianças ligou para vovó Piedade escondida, e vovó saiu da mansão sem que ninguém percebesse, ela então pediu para que Chico a leva-se e ele como um bom e velho amigo a levou...
MINUTOS DEPOIS...
– Paulina eu sinto muito... — Disse vovó piedade a envolvendo em um abraço.
– O que fazes aqui vovó? Quem...
– Shiuuu! — Disse vovó colocando um dedo entre os lábios de Paulina. — Não importa quem me trouxe ou como fiquei sabendo, o importante é que estou aqui...
– Obrigada vovó... eu precisava tanto de você...
– Aqui estou Paulina, e aqui sempre estarei...
– Vovó eu não sei quem foi, eu não consegui ver ninguém, eu não quero acreditar no que esta acontecendo, eu e ele estávamos tão bem, eu aprendi a amar ele, eu... — Paulina simplesmente começou a chorar, ela olhava para a sala e lembrava de tudo, de como começou, de que foi ali, naquela sala que Miguel a havia pedido em casamento, o choro nãp cessava e Paulina não conseguia pronunciar nenhuma palavra a mais. De repente ficou tudo escuro...
– Paulina!!! — Chamou vovó Piedade.
– Paulina!!- Chamou novamente vovó tentando levantar Paulina do chão.
– Vovó, o que aconteceu?
– Você desmaiou, fique mais calma filha. — Disse vovó.
Paulina olhou para o teto se dando conta novamente do que estava acontecendo de tudo que a vida estava fazendo com ela, da forma que tudo estava acontecendo. Paulina estava disposta a aceitar que sua vida sempre será um sofrimento, uma lagrima desceu involuntária por seu rosto, mas ela sabia que tinha que ser forte e enfrentar tudo que viesse, ela sabia que apesar do sofrimento dela ela ainda tinha que garantir a felicidade de seus filhos, e para começar novamente ela sabia que tinha que enfrentar a morte de Miguel, que ela tinha que chorar tudo que necessitava e que para isso ela teria que enfrentar seus problemas um de casa vez. Paulina queria ver seu marido novamente, ela sabia que iria sofrer em vê-lo da forma que ele esta, ela sabia a dor que isso lhe causaria, mas ela se sentia necessitada de vê-lo.
– Vovó eu tenho que ver Miguel... tenho que ver.
– Paulina, agora é 2 horas da manha! Espere o velório...
– Vovó eu tenho que vê-lo!
–Sim filha eu entendo, mas mesmo se você fosse para o IML ver ele você não conseguiria pois é madrugada, e amanha cedo o corpo dele será transferido para a funerária.
– Vovó...
– Paulina olha para você, o melhor que você que a fazer é ir tomar um bom banho, tirar essa roupa que ainda esta suja de sangue.. e eu também preciso de um banho.
– Sim vovó você pode tomar banho no banheiro do meu quarto, eu tenho uma roupa aqui que vai dar na Sra.
– Não se preocupe, como eu já havia previsto que hoje seria um longo dia eu trouxe uma troca de roupa, eu só não sabia que teria que trocar tão rápido.
– Desculpa por ter te sujado vovó.
– Não se preocupe filha, agora vai tomar seu banho que eu vou tomar o meu aqui no banheiro de baixo mesmo.
–okay vovó.
Paulina foi ao banheiro e lavou o rosto, olhou-se no espelho, o cabelo bagunçado, sua roupa ainda suja de sangue, não tinha dado tempo dela trocar de roupa, ela então tirou aquela roupa e a jogou ao chão, ligou o chuveiro e entrou na banheira, sentou-se na banheira, a água caindo por seu corpo e escorrendo para o ralo um água suja de sangue. Paulina começou a chorar novamente, lembrando dos momentos que passou com seu marido, e lembrando que a pouco tempo ali... naquele mesmo lugar ela disse pela primeira vez a Miguel que ela o amava, que havia aprendido a ama-lo.
Paulina tomou o banho, colocou roupa e quando saiu do banheiro Vovó piedade estava sentada na beirada da cama já vestida e limpa.
– Filha venha aqui.. — Disse vovó pedindo para ela sentar ao lado dela.
Paulina foi, sentou ao lado da vovó inclinou o corpo e deitou sua cabeça no colo da vovó.
– Vovó, posso te perguntar algo?
– Sim filha, é claro que pode.
– Você acha que foi a Paola que fez isso?
– Não sei.. talvez sim, a Paola é capaz de tudo e eu acredito em você e Rodrigo me contou que ela esta realmente viva.
– Vovó antes de ontem eu recebi uma mensagem...
– Que mensagem?
– Olha a mensagem. — Disse Paulina se sentando e pegando o celular que estava em cima do criado mudo e mostrando a mensagem.
" Amanha irei te visitar irmazinha
querida, faz tanto tempo que não nos vemos
acredito que tenha sentido minha falta."
– Bom vovó isso me deixou preocupada, eu acho que...
– Sim... estou pensando o mesmo que você...
– Bom tente descansar.
Paulina colocou a cabeça novamente no colo da vovó e ali permaneceu, vovó acariciando os cabelos de Paulina e ali as duas adormeceram...
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No Dia Seguinte pela manha...
– Vovó me ajude a escolher uma roupa para ele? — Perguntou Paulina secando uma lagrima que ameaça descer por seu rosto.
– Sim, é claro que sim.
– Vovó o que você acha dessa camisa? — Perguntou ela mostrando uma camiseta social azul claro.
– Acho que a branca é melhor, ele fica muito elegante de branco.
– Verdade vovó então essa né? — Disse Paulina mostrando uma camiseta social branca com botões de prata com as iniciais MM em diamante.
– Linda! Adorei.
– Eu dei essa camiseta pra ele semana passada, ele a usou no mesmo dia, ele me disse "Nunca usei algo tão caro." — Paulina disse e ambas caem na risada. — Ele parecia uma criança quando ganha o presente que deseja.
– Filha adorei essa camiseta.
– O Terno eu vou separar este, adoro ver ele de terno preto.
– Perfeito.
– Agora só falta o sapato, mas vai ser fácil ele tem apenas 3. — Disse Paulina sorrindo.
– Bom pega o mais novo.
– Exatamente.... O mais novo é... é o que ele usou em nosso casamento... — Disse Paulina baixando a cabeça.
– Filha não fique assim... te ver sorrindo ainda a pouco foi tão bom... não gosto de te ver assim.
– Eu sei vovó... é que tudo durou tão pouco...
– Paulina, por mais difícil que seja passar por isso tente ser forte, Miguel amava você, eu sei que você o amava porém não o.... — Paulina a interrompeu.
– SIM VOVÓ! EU O AMAVA, EU O AMAVA COMO HOMEM, EU APRENDI A AMA-LO. — Disse Paulina em um tom alto e intimidador.
– Paulina... — Disse vovó tentando argumentar.
– Vovó por favor não quero discutir sobre isso.. — Disse Paulina abaixando o tom de vós.
– Sim... filha vamos levar as roupas dele la na funerária, porque hoje será um longo dia...
– Sim vovó vamos.
2 HORAS DEPOIS...
– Paulina, agora tudo já esta pronto, todos os familiares foram avisados, bom e agora já é 9:30 da manha, você devia tentar descansar um pouco, pois você não dormiu quase nada, e levantamos muito cedo, o velório começa em 1 hora, como estão limpando a casa e as crianças não saem do quarto o que acha de levar elas lá para a Mansão Bracho para elas ficarem mais a vontade?
– Pode ser... contando que ele...
– Não se preocupe, Carlos Daniel foi para a fabrica bem cedinho hoje, eu falei com Lalinha por telefone.
– Tudo bem vovó, leve as crianças que eu irei colocar uma roupa para o velório e arrumar meu cabelo.
– Tudo bem filha, dentro de 30 minutos eu to de volta e iremos ao velório juntas.
Vovó saiu com as crianças pela porta dos fundos para que as crianças não vissem o chão da sala. Paulina ia subindo as escadas quando alguém bate na porta.
– Só um momento! — Gritou Paulina.
Paulina desceu os poucos degraus que havia subido e abriu a porta.
– Carlos Daniel o que queres aqui?
– Lalinha me contou o que aconteceu... — Disse Carlos Daniel dando um passo a frente.
– Cuidado o chão ainda esta sujo... — Disse Paulina virando-se de costas.
– Eu sinto muito... — Disse Carlos Daniel segurando um braço de Paulina.
– Carlos Daniel por favor, não...
– Paulina, eu não vim para tentar fazer algo, e nem para te obrigar a nada, eu estou aqui como amigo, peço que pelo menos por hoje você me perdoe e me veja como um amigo, sei que esta sofrendo por... bom pelo seu marido... — Disse ele a virando frente a ele, e secando com seus dedos as lagrimas que descem pelo rosto dela. — Paulina por favor aceite minha ajuda, eu juro que estou aqui apenas como amigo...
Paulina o puxou para um abraço e com a cabeça recostada no peito de Carlos Daniel ela começou a chorar, Carlos Daniel envolveu seus braços nela e fazendo carinho nos cabelos de Paulina disse.
– Como me dói te ver assim... eu agradeço a Miguel por ter feito você feliz no momento em que eu só te dei tristeza...
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