Descentendes de Berk - Interativa
6 O Trio Inesperado
Notas iniciais
Os raios de sol entravam na arena pelo teto completamente feito de vidro, colocado recentemente.
–Olá! Hoje vamos aprender a montar selas. -anunciou Frey.
Maya era a única que realmente estava prestando atenção no que o garoto falava.
–Por favor, desmontem as selas de seus dragões exatamente do jeito que eu farei. -pediu Frey se direcionado para perto de seu Fúria da Noite.
Escaldante era um dragão muito obediente, quando as ordens vinham de Frey.
Frey retirou a sela lenta e facilmente enquanto observava se seus alunos faziam da maneira correta também.
Enquanto Philips tentava retirar a sela de Ilusão, o dragão ficava se debatendo e se camuflando, para atrapalhar o trabalho, bem mal feito, do garoto loiro.
–Philips! -gritou Frey amassando o próprio rosto, de raiva.
Maya foi a primeira a conseguir retirar o equipamento de seu dragão, seguida de Skylar, e Keyla.
–Legal... -resmungou Frey andando de um lado para o outro. -Suponho que Maya era a única prestando atenção.
–Ou ela é a única obcecada por dragões... -desabafou Skylar com um certo ciúme.
Frey lançou um olhar desaprovador para a irmã e pegou sua sela nas mãos.
–Agora vem a parte dificil... Vocês podem precisar montar em dragões selvagens, com urgência, então, é bom que saibam como fazer isso de maneira segura. -explicou Frey debruçando a sela sobre as costas de seu dragão.
Philips perdeu o equilíbrio enquanto seu dragão se debatia, e acabou caindo em Skylar, a derrubando.
–Ora seu... -Skylar resmungou enquanto levantava do chão.
Maya observava aquela cena com horror nos olhos enquanto Frey revirava os seus, entediado.
Skylar socava Philips repentinamente no peitoral até o garoto cair no chão quase sem respirar.
–humf! -bufou a garota voltando para perto de seu dragão.
–Voltando... -pediu Frey com um tom de ironia. -Primeiro, vocês precisam afivelar o cinto inferior, perto da barriga do seu dragão.
Frey fazia o que narrava enquanto olhava as meninas tentando o copiar. Já Philips, ainda tentava retirar a sela, de seu animal na força.
–Philips... Assim você não vai conse... -Frey foi interrompido por um som de algo se desprendendo, e então Philips estava no chão, com a sela em mãos.
Frey estanhou um pouco, e ficou um tempo abismado com a situação, porém, em seguida voltou a falar como se nada tivesse acontecido.
–Philips. Por que não tentou do jeito fácil?
–Fácil é um pouco chato... -admitiu o menino. -Legal mesmo é o jeito Philips!
Keyla deu um tapa na própria testa, pouco antes de voltar a colocar a sela em Airon.
–Próximo passo! -gritou Frey ajustando o cinto.
Todos apertaram o cinto que já se encontrava afivelado, até ficar rente ao corpo de cada dragão.
–Boa! -gritou Frey surpreso com a rapidez de todos. -Agora é só ajustar o tamanho de acordo com o corpo de seu dragão!
Enquanto Frey demonstrava os ajustes finais necessários, algo os interrompeu fazendo o chão vibrar.
–Freey! -Frey ouviu Soluço o chamando e rapidamente terminou os ajustes da sela e subiu em Escaldante.
–Simbora, garota! -gritou Frey um pouco animado de estar saindo de perto de Philips.
Frey voou um pouco em direção ao salão principal, ate avistar seu pai e Banguela.
–Pai! O que houve? -perguntou Frey enquanto se aproximava.
–Veja você mesmo.
Frey olhou para baixo e avistou um enorme Rouba Ossos caído no chão formando uma cratera ao seu redor.
–Meu Thorzinho... -sussurrou Frey pousando seu dragão.
O dragão estava muito ferido, possuía alguns de seus ossos, de sua armadora, quebrados em vários pedacinhos. Havia sinais de mordidas gigantes em alguns lugares do imenso corpo do dragão, provavelmente, morto. As asas estavam quebradas em vários pontos e o animal parecia até outra espécie de dragão ao olhar seu rosto quase sem ossos e quase inteiramente machucado.
–Como..? -perguntou Frey.
Bocão, o homem mais velho de Berk, e maior ancião, se aproximava do animal para examina-lo.
–Pai... -o menino estava apavorado com o que poderia ter feito isso a um imenso e feroz Rouba Ossos.
–Ele já chegou aqui assim filho. -explicou o pai aliviando seu filho. -Provavelmente sobrevoava Berk já ferido quando apagou.
–Pai! Esse dragão não conseguiria voar nem alguns metros com as asas neste estado! E o senhor sabe muito bem disso. -contrariou Frey subindo em Escaldante. -Ele foi deixado aqui! E o que o deixou deve estar por perto.
Frey deu dois tapinhas na cabeça de Escaldante e levantou vôo em uma velocidade absurda.
O garoto não sabia nem por onde começar. Procurar algo em uma pequena ilha desértica era fácil, mas aquilo era o céu! Haviam infinitas possibilidades de caminhos.
–Precisa de ajuda? -perguntou Maya.
–É... Eu tava precisando sim. -admitiu Frey virando para olhar a amiga.
O garoto ficou muito orgulhoso ao ver todos os seus alunos aparecendo das nuvens para ajuda-lo.
–As selas... -Frey verificou que estavam bem montadas.
–Depois! -gritou Keyla voando para longe.
–Cada um para um lado. -ordenou o garoto.
Todos voaram para diferentes direções, sem nenhuma ideia do que fazer, caso encontrassem algo.
Frey voou com Escaldante por quilômetros, até aceitar o fato de que não encontraria nada, e então notou que Philips o seguia por cima invisível, pois Ilusão se camuflava, escondendo Philips, para quem estava em baixo.
–Aii! Que beleza! -reclamou Frey sozinho. -Você não esta nem de sela!
–É... Realmente dói a bunda. -Philips comentou esfregando suas costas.
Frey deu a volta e começou a retornar para Berk.
Skylar também não havia achado nada, e sobrevoava Berk junto com sua irmã Keyla, que esperava para caso alguém encontrasse algo.
Quando Frey estava quase chegando no local onde se encontrava suas duas irmãs mais novas, o garoto avistou Maya tentando voar o mais rápido possível, sendo perseguida por um trio de Tambores Trovão.
–Não achei nada que possa ter matado aquilo! -gritou Maya desesperada. -Mas eles não gostaram de mim.
–Deixa comigo! -gritou Skylar voando em direção à amiga que quase caia de seu dragão.
Frey irritado com a situação, apenas observou como sua alunas se saiam sozinhas.
Ao chegar perto de Maya e Iris, Skylar parou Afiado, e quando os três dragões se aproximaram, ordenou para que Afiado lançasse espinhos na direção dos dragões.
Frey sabia que aquela era uma péssima ideia, porem já era tarde de mais. Skylar estava desequilibrada em seu dragão enquanto os Tambores Trovão soltavam "fracos" ruídos na direção da menina.
Frey jamais chegaria a tempo. Skylar estava caindo de seu dragão.
A menina tinha certeza de que morreria. A única coisa que Skylar via, era a barriga de seu Nadder Mortal se aproximando cada vez mais de seu rosto. Mesmo se a loirinha sobrevivesse a queda, o dragão a esmagaria. Seria o fim se um vulto azul não tivesse agarrado a menina por baixo.
–Quem estava com saudades? -era Astrid.
–Mãe..? -Skylar observava a mulher que estranhamente ria da situação.
–Tem sorte de ter caído bem em cima de nossa casa. -explicou Astrid jogando suas tranças para traz. -Eu e Tempestade estávamos observando o sol quando vimos uma pessoa caindo.
Skylar percebeu que Astrid estava zombando com sua cara, porém, a menina não estava pronta para brincadeiras ainda.
Frey se aproximou de Astrid e pediu para que Skylar pulasse para cima de Escaldante.
–Boa mãe! -agradeceu Frey, de uma maneira diferente.
Frey se afastou de todos para poder ter um papo direto com sua irmãzinha.
–Sabe que errou né? -perguntou o menino desapontado.
–Sei sim... -Skylar respondeu com um enorme tom de tristeza em sua voz.
–Isso foi completamente irresponsável! Você podia ter morrido! Se quer salvar o mundo, use as estratégias certas pelo menos. -Frey já estava irritado. -E nem prendeu o seu cinto na sela!
–Já entendi que eu errei! Okay? Pelo menos posso saber o que vai acontecer com o meu dragão? -perguntou a menina preocupada.
– Você vai pra casa. Você pode se sentir mais velha o tempo todo e estar sempre querendo me proteger, ma eu sou o mais velho. -desabafou o menino. -Eu vou cuidar do Afiado.
–---
–Ele vai ficar bem! -falou Soluço saindo do quarto onde Bocão cuidava do dragão de Skylar.
–Por que esses animais estão aqui ainda? -perguntou Frey apontando para os Tambores Trovão, que estavam sentados do lado de fora da casa de Bocão.
–Bing, Bang e Boom! -gritou Soluço surpreso correndo em direção aos dragões. -Que saudades!
–Conhece eles? -perguntou Frey boquiaberto.
–São velhos amigos! Se soubesse que Skylar era de Berk, jamais a machucariam! -explicou Soluço animado.
–Tendido... Pai... Preciso ir... -Frey falou enrolando Soluço e correndo para a casa de Brenda.
Quando o menino chegou perto da construção, notou algo estranho. Relâmpago, o Skrill de Brenda, não estava lá.
–Droga! -o menino gritou chutando a porta da casa.
Ao entrar na pequena e confortável casa de madeira, Frey avistou um papel em cima do sofá.
Frey pegou o papel e o leu com atenção.
"Fui atrás do que fez aquilo. Não quero ser uma inútil para Berk enquanto vocês e seus aluninhos salvam o mundo sempre. Espero que entendo o porquê de eu e Relâmpago não voarmos com vocês essa noite. Beijos, Brenda."
Brenda sempre se sentiu rebaixada ao olhar Frey e o resto, salvando Berk e fazendo coisas úteis, enquanto ela trabalhava fazendo comida para os habitantes de Berk.
A menina sempre foi uma ótima cozinheira, e sempre fez todos babarem por seus deliciosos pratos.
–Droga, Brenda! -Frey gritou correndo em direção a sua chamativa Fúria da Noite.
Brenda não suportava olhar para Frey com aquelas meninas salvando o mundo. Ela era realmente muito bonita, mas mesmo assim, se sentia inferior a todos, inexplicavelmente. Ou seria, apenas, ciúmes do menino, que temia admitir amar?
Fale com o autor