Descendants 2

21 The Stars Fall


Mas as estrelas caem [...]Elas caem em chamas, e realizam desejos de forma inesperada.

—Carmim d'Copas

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“Para: Minha amada Princesa dos Corações,

Carmim, se essa carta está com você é por que Cherry cumpriu sua palavra – o que, por si só, já é uma façanha – então acho que estamos devendo uma a ela, não?

Eu sei o que você está pensando, certo? É arriscado Victor, você é um idiota. É, eu sei. E eu queria tanto poder dizer que meu desespero para escrever era apenas saudade, mas, infelizmente, os motivos são outros bem sérios. Nossos pais.

Sei que vocês cinco tem alguma coisa pra fazer ai em Auradon – que, teria sido interessante, se você tivesse comentado antes de ir embora – mas acho que os planos dele são outros... Tem algo errado na Ilha dos Perdidos – Bem, você não está aqui, então são duas coisas erradas. Sua mãe... Ela está muito bem humorada, na verdade.

Descobri outra coisa também. Eu tenho uma irmã. Eu sei, é loucura, não é? Eu estava mexendo nas coisas do meu pai e achei umas cartas antigas. Parece que ele teve um caso com alguma garota de Auradon... Eu sei, que deve parecer bobagem, mas... Você não podia arrumar uma lista de alunas sem pai na escola? Pelo que eu sei, ela tem a sua idade, então devem estar na mesma turma.

Eu tenho que me apressar, Cherry está prestes a dormir no sofá aqui de casa e depois que ela pega no sono, você sabe que ninguém consegue acorda-la. Espero que você esteja bem, por que não está escrevendo? É tudo tão ridículo em Auradon como a gente pensava? Quando você vai voltar?

Eu te amo, Carmim, da mesma forma que as estrelas estão presas ao céu.

Ass. Victor Valete, seu humilde servo.”

—Mas as estrelas caem, Victor – ela falou, se jogando para trás na cama e admirando o teto — Elas caem em chamas, e realizam desejos de forma inesperada.

Ela olhou para a lareira, e então pegou o cetro das maravilhas de dentro da gaveta e o fogo se acendeu antes mesmo que ela pudesse acabar de imagina-lo. Estava mesmo ficando cada vez melhor naquilo. Ela jogou a carta ao fogo, olhando para seu reflexo no espelho na porta do armário.

Uma garota normal pareceria emocionada, abalada ou alguma outra coisa. Ela ainda parecia com sono, com sua camisola preta preferida, e sua máscara levantada até a testa.

Elaa estava prestes a se arrumar para ir tomar café, quando alguém bateu na porta.

...

Mal estava andando de um lado para o outro no corredor, ainda sem acreditar no que estava prestes a fazer. Evie ia lhe matar. Ben ia ter uma ataque cardíaco. Jay e Carlos iam rir da sua cara até o fim dos tempos, e ela esperava não encontrar Audrey até que aquela loucura temporária acabasse.

Ela bateu na porta.

—O que foi? – Carmim abriu a porta, claramente tinha acabado de acordar, mas parecia pronta para matar alguém. Mal se sentiu pequena, em comparação as longas e finas pernas de Carmim saindo da barra da camisola. Isso sempre a incomodará, ser tão pequena, mas não era hora para isso. – Bertha? Certo, o dia está bem estranho hoje...

—Preciso da sua ajuda – falou Mal, de má vontade, enquanto a ruiva a avaliava de cima a baixo e batia a porta na sua cara – Copas!

—Oi Mal – Hugo saiu do quarto em frente, com um monte de livros em baixo do braço – Espera... Mal? Aconteceu alguma coisa?

—Nada, só queria falar com Carmim – suspirou Mal – Como eu faço para ela abrir a porta?

—Essa hora? – ele olhou num relógio no pulso, que marcava cinco pras sete – Provavelmente você não consegue falar com ela antes das sete e meia. Nenhum deles acorda antes disso.

—O que está fazendo acordado tão cedo? – Mal perguntou, curiosa.

—Estudando – ela sorriu, passando pelo corredor e descendo as escadas.

—Copas – Mal bateu de novo na porta, e essa se abriu, revelando uma Carmim bem vestida pronta para o frio do lado de fora, segurando uma xícara de café. – O que...

—Vamos logo, antes que você mude de ideia – a outra falou, puxando Mal pelo braço pelo corredor.

...

—Nós estávamos com Charlotte – falou Hannah, na hora do almoço, quando ela e Will se reuniram na sala da diretora para contar o acontecido – Ela estava tirando fotos, de algumas flores, e como tinham dito que não era pra ninguém sair da escola sozinho, ela pediu para nós irmos com ela.

—Por que vocês? – perguntou a Fada Madrinha.

—Bia e Bruno White iam com ela inicialmente – falou Will, calmamente – Mas eles tiveram que fazer um trabalho, então ela pediu pra gente ir com ela. Ela queria tirar as fotos para a aula da professora Anna.

—Certo – falou a Fada Madrinha – Continuem.

—A gente se afastou um pouco de Lottie na trilha, pra não atrapalhar – continuou Hannah – Então nós ouvimos um barulho, como um bicho chorando, Will saiu correndo!

—William? – A diretora olhou sugestivamente para ele.

—Eu tenho certeza de que foi na escoa que eu aprendi que nunca se deve abandonar um animal em apuros – ele falou defensivamente, e então encontrou o olhar da diretora – Só pra constar...

—Era um gato selvagem, de pelagem branca, acho que era um filhote – falou Hannah, ela parecia um pouco tensa – Estava fugindo de algo, mancando. A gente tentou pegar ela... Quando uma fumaça roxa começou a subir, e a gargalhada dela ecoou. O gato pulou em mim, me derrubando atrás de um arbusto, e eu vi ela transformar Will sem fazer nada.

—Por eu não se levantou? – inqueriu a diretora.

—Eu tentei – Hannah choramingou – Eu juro, eu tentei! Eu nunca deixaria Will lá, mas cada vez que eu tentava aquele bicho me arranhava.

Ela puxou a jaqueta, e a manga e a gola da blusa, mostrando uma quantidade incontável de arranhões finos e vermelhos. Will saltou para o lado dela no mesmo instante, passando os dedos pelas linhas finas.

—Doe? – ele perguntou, ela assentiu, estremecendo – Sua louca, por que não me mostrou isso antes? Você é tão...

—Eu não queria que você ficasse preocupado comigo – falou ela, se recompondo – Não é nada de mais, provavelmente só vão ficar umas marcas depois.

—Certo – suspirou a diretora – acho que é só isso.

—Só mais uma coisa, diretora – falou Hannah – Se vocês querem pegar Malévola, tem que pegar logo. Todos parecem achar que ela está fraca, mas não está. Transformar Will em um porco não foi um teste, foi um jogo. Ela está tentando enganar vocês.

—Por que acha isso? – A diretora ergueu uma sobrancelha.

—Por que eu conheço a Rainha de Copas, e se Malévola é como eu ouvi, então elas são iguaizinhas — Hannah deu um sorriso triste – E é isso que a mãe de Carmim faria também.

—Podem ir – falou a diretora, enquanto Will e Hannah saiam, e uma Alison muito assustada entrava.

...

—É verdade? – perguntou Evie, se sentando em frente a Queenie na mesa do almoço – O que estão falando? Sobre você e Alison?

—Lottie, me passa o sal? – perguntou Queenie, ignorando a irmã.

—Por que você não me responde? – Evie grunhiu.

—Por que não é da sua conta – Queenie deu os ombros, indiferente – Vai pentear seu cabelo, vai!

—Queenie! – a outra ralhou – Para de ser tão infantil!

—Ah, agora eu sou a infantil? – a outra riu debochadamente – Não sou eu quem está tentando manter uma conversa com alguém que não quer conversar comigo. Por que não vai sentar com seus amigos? Oh, não me diga que nem eles mais te aguentam!

—Para com isso, por favor – Evie suspirou – Você tem que ficar sempre me alfinetando?

—Uh, eu soube que a Mal e a Carmim saíram bem cedo hoje e mataram a aula pra ir ao centro – falou Queenie, descaradamente se levantando e pegando sua bandeja, dando as costas para a irmã – Parece que alguém foi deixada de lado pelas duas melhores amigas...

—Quando você virou uma cobra? – perguntou Evie, seguindo ela – Por que eu não me lembro da minha irmãzinha ser tão venenosa assim antes!

—Irmãzinha? Irmãzinha? – Queenie largou a bandeja, encarando a irmã com os olhou fumegantes – Você nunca me tratou como se eu fosse sua irmã, nunca! Você quer tanto saber se a minha briga com Alison é verdade? Aqui está, é! Nós saímos no tapa, por que assim como todo mundo, ela sabe que eu sou uma bastarda idiota! A diferença é que ela teve coragem de dizer isso na minha cara... Da mesma forma que VOCÊ fez quando eu tinha DOZE anos. Então não me venha toda sentimental se fazendo de irmã preocupada, por que você pode andar por ai sendo legal com todo mundo, mas você no fundo é igualzinha a ela!

—Queenie, eu não queria... – Mas Queenie nunca soube o que Evie não queria, por que uma correria começou no refeitório naquela hora, e gritos, e fotos, e todos estavam voltados para a porta da cantina, onde Carmim entrava na cantina segurando mais sacolas de compras do que qualquer pessoa julgaria possível usar em uma vida... Com Mal ao lado.