Descendants 2
47 The Book of Wonders
Notas iniciais

É difícil achar alguma coisa no escuro, ainda mais coisas brilhantes.
[...]Por que elas se escondem!
— Gêmeos Tweedledee e Tweedledum
...
..
.
“Vamos, vamos, vamos” uma voz gritou de dentro da escuridão “Você tem que correr”
Mas Carmim não conseguiu correr. Apenas sentia-se cair, girando e girando na infinita escuridão. Que infernos de lugar era aquele?
Este é o vazio. Uma voz dentro dela explicou. O espaço infinito entre os mundos.
Carmim já lera sobre o vazio. Mas ela ainda sim não esperava que ele fosse, de fato, tão... Vazio!
“É tarde, é tarde...”.
Mas o que, Copas, ela tinha de fazer?
Escolha. A voz dentro ela falou mais uma vez. Para onde você quer ir?
Para casa, Carmim pensou. Queria ir para casa.
Tem certeza? É uma escolha perigosa. A voz lhe alertou.
Em algum lugar no fundo de sua mente, Carmim reencontrou a voz por tempo o suficiente para vencer a opressão da escuridão, e gritar – EU DISSE QUE QUERO IR PARA CASA! AGORA!
E então ela voltou a cair, cada vez mis e mais rápido pela escuridão, coisas que apreciam raízes e espinhos rasgavam suas roupas, arrancavam seus cabelos, arranhavam sua pele e seguravam seus pés, até que seus sapatos caíssem desses. Ela viu a rosa de Cheshire e o Cetro as Maravilhas se afastando dela e os alcançou em meio à escuridão, os abraçando como um colete salva vidas antes de seu corpo se chocar contra a água fria.
Carmim sempre for uma ótima nadadora, mesmo que o único lugar que já tivesse nadado tenha sido os poucos metros alcançáveis sob o buraco no último andar do navio de Hook. Mas por algum motivo ela nem conseguia se mexer direito. Suas pernas enrolaram em algo e ela se debateu em vão enquanto lago que ela não via a puxava mais e mais para baixo.
Só que o para baixo acabou se mostrando para cima, quando a luz de um sol negro em um céu cor de Carmim entrou em seu campo de visão, enquanto três mulheres de peles estranhas lhe largavam sobre o chão.
—O que... Ela começou a perguntar, mas as três já tinham afundando novamente na água negra. Carmim olhou em volta pela primeira vez. Pássaros-esqueletos voando no céu vermelho, plantas mortas se abocanhando infinitamente, um céu e um lago tão negros quanto sua alma, montanhas que pareciam dunas de desertos escaldantes, e por fim, ao longe, doze torres de um castelo. Seu castelo.
Ela estava em casa.
—Quem és tu? – perguntou uma voz, logo abaixo dela, em um cogumelo do tamanho de um cão, estava ninguém menos que a lagarta.
—Você... – ela arregalou os olhos – Mas você está morto. Vi-lhe morrer! Como ousa infeliz tu, enganar-nos assim?
—Nós? – perguntou a Lagarta – De onde vens?
—Ora, sabe exatamente de onde eu venho! – Ela bufou – Assim, como sabe quem eu sou! Sou Carmim!
—Carmim? – perguntou ela – Não, não. Não podes ser. Não é. Não há nenhuma Carmim, veja!
E vindo do nada e de lugar nenhum, um livro se abriu em frente à garota ruiva.
—O que é isso?
—O livro das Maravilhas – explicou a Lagarta – Hoje, é o dia em que a Rainha de Copas voltará ao nosso reino, e começará a guerra para selar nosso destino.
—Rainha de Copas? – Perguntou ela, vendo a imagem de uma garota ruiva sendo retirada do lago por três mulheres de peles coloridas.
—Es tu, não é? – perguntou a Lagarta, a analisando de cima a baixo. Ela também olhou, e assombrou-se com o que viu. Agora Carmim sabia onde suas pernas haviam se enrolado no lago. O vestido vermelho como sangue prendia-se ao seu corpo e se abria em uma saia gloriosa. Os sapatos eram mais altos do que ela nunca usará, e mesmo assim sentia-se descalça. A rosa de Cheshire estava presa em sua cintura, e algo pesava em sua cabeça. Ela tirou o objeto, olhando orgulhosa para a coroa, e vendo seus olhos. Ela era soberana. Ela era temível. Era mortal.
—Sim, eu sou sua Ranha de Copas – ela falou, olhando a Lagarta de cima.
—Você não deveria ter chegado aqui neste estado – ele murmurou, ainda observando Carmim como se soubesse todos seus segredos – Posso ver em seus olhos, o veneno correndo. Avisei a Cheshire, mandei que impedisse...
—Você não tem autoridade de mandar em ninguém, eu sou a Rainha – ela riu desdenhosamente – E eu nunca estive em estado melhor. Agora, se não tem mais nada a dizer...
— Eu tenho, oh, majestade – a lagarta a cortou – e creio que gostaria de ouvir, antes de partir. Esse lago é o único lugar seguro aqui, e seus poderes funcionam de forma diferente aqui.
—Não há nada neste lugar que eu não conheça desde os cinco anos – ela lhe encarou – Não há mistérios para mim no País das Maravilhas.
—O País das Maravilhas ah muito não é o mesmo dos contos, madame – a Lagarta retrucou – Posso, porém, lhe contar o que quiser saber.
—Bem... – Carmim recuou – O que eram aquelas mulheres, na água? Nunca ouvi falar delas!
—Aquelas três, são as ninfas do país das Maravilhas. Lyla, a cor de rosa, é ninfa da magia – explicou a Lagarta – a violeta, é Myrtha, mãe de Christian Hatter, ninfa das artes. E a dama vermelha, é Nyra, ninfa da guerra, mão do seu irmão, Victor!
—Irmão – Carmim suspirou – Então... As vozes na minha cabeça... É tudo verdade? Minha mãe e o Valette?
—Sim.
—Isso é doentio! – ela fez uma careta – Ele disse-me que eles eram irmão! Como puderam... E quanto ao meu pai? E quanto à honra?
—Se quer mesmo entender, e não só julgar, Majestade, sugiro que abra o livro na página cinco – a Lagarta falou – Consegue ler?
—Não há o que ler, só uma foto de família – ela retrucou.
—Há outras formas de ler um livro, além das palavras – a Lagarta falou pacientemente – Mas por hora, apenas sinta Carmim. Hoje, eu lerei para você!
Carmim colocou a mão sobre a foto do casal e das três crianças e sentiu o formigamento subir pelo seu braço. Quando abriu os olhos, já não estava no país das maravilhas, mas em uma casa antiga.
—Está, é a casa dos Heart’s – Em seu ombro, a Lagarta explicou – Aquela é sua mãe, e estes, seus avós!
Carmim olhou para aqueles estranhos, sentados em frente à lareira sem se olharem. O homem tinha os olhos fixos no jornal, e a mulher, no tricô. Ambos usavam preto, assim como a menina no canto, que ambos pareciam realmente dispostos a ignorar. Sua mãe, percebeu Carmim, tinha puxado os cabelos negros do avô, mas os seus próprios cabelos flamejantes eram traços da avó.
—Quem morreu? – perguntou Carmim a Lagarta.
—O irmão de seu avô e a esposa dele – explicou o animal – A casa pegou fogo duas noites atrás, mas as crianças se salvaram. Esperam por elas agora, moraram aqui também.
—Que idade ela tem? – ela olhou a mãe.
—Completará doze em menos de quatro semanas – falou a Lagarta – Ah duas noites, após a mãe lhe bater no rosto por ter ralado o joelho, Iracebeth correu para a floresta, caiu e bateu a cabeça, e então sonhou com um bolo que a fazia crescer, e um suco que fazia encolher...
—Duas noites? Quando...
—O incêndio aconteceu – concordou a Lagarta – logo irá perceber que quanto mais perto sua mãe chega do País das Maravilhas, mais as pessoas perto dela se machucam.
Uma menina de cabelos loiro-brancos e um menino moreno entraram pela porta, seguidos de uma mulher que Carmim não gravou o rosto.
—Estes – falou a lagarta – São Victor e Miranna Golden.
...
Em um piscar de olhos, voltaram ao País das Maravilhas.
—O que...
—O capítulo acabou – explicou a Lagarta.
—Então, minha mãe e o Valette eram primos – ela recapitulou, aliviada – Certo... E agora? Começamos outro capítulo?
—Não é necessário. Apenas algumas semanas depois, na noite anterior a seu aniversário, Iracebeth sonhava com uma maravilhosa festa do chá, onde tinha todo o tipo de docas e bolos que podia imaginar, e havia relógios, e legitimas butter-flys, e uma lebre lhe servia – ela contou – Mas ela acordou foi com os gritos de Miranna, que ardia em febre alta. A menina morreu duas semanas depois, no hospital local, na noite me que Cheshire nasceu na mente de sua mãe. A morte de Miranna aproximou muito os dois primos, mas o clima em casa só piorava. Quando sua mãe completou dezesseis anos, seu avô morreu em um acidente de carro, e sua avó enlouqueceu. Em uma noite, enquanto sua mãe sonhava com um palácio adornado com ouro e rosas, e um exército de Cartas, ela perseguiu Victor pela floresta. Sua mãe acordou com o bater da porta do retorno de sua avó, louca e bêbada. Quando ela perguntou o que havia acontecido, a mulher jogou a faca ensanguentada no chão e anunciou: Nosso querido Victor... Perdeu a cabeça!
—E perdeu? – perguntou Carmim, cética.
—Para sua avó, sim – a Lagarta explicou – embora, na verdade, ela tenha decapitado um mendigo que vagava pela floresta naquela noite. Sua mãe se trancou no quarto e chorou até dormir naquela noite, ela sonhou com uma rainha sem rosto que olhava para baixo da varanda de seu castelo e ordenava: Cortem-lhe a cabeça. Pela manhã, quando desceu, sua avó estava no chão da cozinha. Decapitada!
—Copas... – Arfou Carmim, então diversos itens de cozinha começaram a cair sobre eles – COPAS, PARE!
—Eu avisei que não sabia usar sua magia...
—Não ouse falar assim comigo – rugiu Carmim, e seus olhos brilharam em vermelho vivo – Continue!
—Sua mãe se desesperou. Se pedisse ajuda, culpariam ela. Ela não tinha ninguém. Queria se matar, então se atirou no lago, desejando sonhar para sempre, e dando enfim vida ao país das maravilhas.
...
—Emocionante – Carmim murmurou, levando uma xícara de chá a boca e parando em meio ao ato – De onde saiu isso?
—O Cetro sentiu que precisava se acalmar, e lhe deu isso – falou a Lagarta – E lhe trouxe chá.
—Mas isso esta horrível – ela cuspiu depois de tomar um gole, jogando a xicara longe – COP... DROGAAAAAAA!
—Continuemos?
—É, é, continuemos – ela revirou os olhos – O que aconteceu com o Valette?
—Antes disso, saibamos o que aconteceu com sua mãe... Página vinte e cinco, por favor, oh majestade!
—Página... Aqui.
Tudo tremulou de novo, e Carmim se viu em um lugar com céu cor de pêssego, flores de todas as formas e cores e butter-flys (literalmente) voando por todos os lados.
—Este era o País das Maravilhas? – ela perguntou, e a Lagarta concordou – Prefiro como está agora.
—Imaginei isso, agora, veja... – Ela apontou para a grande mesa de chá do outro lado da clareira. Sua mãe estava no centro, mas também estavam Cheshire, e várias outras figuras, como o Chapeleiro, com a ninfa violeta, parecendo muito mais feliz do que ao lado de Alice, no casamento; Só de um amor assim alguém como Chris poderia ter nascido.
Era ridículo. Ela lembrou a si mesma que todos os grandes amores acabavam, e com esse não seria diferente. Ela estava aqui, e ele está em Auradon. No fim, ela esqueceu se pensava em Christian e ela, ou no Chapeleiro.
—Sua mãe nunca esteve tão feliz. Poucas horas no País das Maravilhas e ela esqueceu toda a infelicidade do seu mundo. Ela teria ficado ali para sempre, mas então elas chegaram.
O baralho de Cartas marchou pela Campina, se ajoelhando em frente à mesa.
—O que fazem vocês aqui, gentis senhores? – perguntou o Chapeleiro
—Viemos buscar nossa rainha – Falou o A’s de Copas, apontando para Iracebeth.
—Rainha? – Ela Iracebeth maravilhada.
A cena se dissolveu.
—E ela reinou por cinco longos e maravilhosos anos, o que, no país das maravilhas, são décadas, e todos estavam feliz – a lagarta explicou – Até que uma noite, uma voz guardada no fundo de suas memórias a chamou, e todo o passado voltou. Sua mãe começou a revessar entre o país das Maravilhas e o mundo Mortal, mas estava presa a casa de sua família, onde passava as noites esperando por Victor.
—A casa não havia sido comprada ou sequer locada, e, em cinco anos, acabou em ruinas. Com o tempo, as pessoas da aldeia perto dali começaram a espalhar boatos sobre uma assombração, e isso chamou atenção de muitos cavalheiros jovens e corajosos...
—Como meu pai... De criação – ela se corrigiu rapidamente.
—Exato – assentiu a lagarta – Mas mais esperto que os outros, seu pai não tentou ataca-la. Ele foi, durante três meses ao lago, e viu a moça mudar constantemente ao longo do tempo. Entenda, os cinco anos no País das Maravilhas a estavam alcançando... Então, numa noite, ele a seguiu para dentro do lado, e acabou no País das Maravilhas. Iracebeth ficou maravilhada com sua coragem, e ele com a beleza dela. Ele a adorava, e ela amada ser adorada. Ela voltou a ser feliz, a ordem prosperou de volta, e meses depois, eles se casaram!
—Mais uma vez – Carmim parecia entediada – E o Valette?
—Enquanto sua mãe esperava por ele no mundo Mortal, seu tio caíra em uma toca de coelho, e se deixará levar pelos encantos do País das Maravilhas, esquecendo-se da prima que procurava desesperadamente no outro mundo. A única exceção foi na noite em que chamou por ela durante o sono – a lagarta explicou – Ele foi encontrado perdido pelo Baralho, e treinado para o exército. Em pouco tempo, era o Valette de Copas, e isso chamou a atenção da Ninfa da Guerra, que engravidou pouco depois do pequeno Victor. A vida era boa no País das Maravilhas, e os dois seguiram suas vidas longe das lembranças do outro mundo. Os primos poderiam nunca ter se cruzado novamente. Poderia ter sido assim para sempre.
—E então uma garota chamada Alice apareceu – Concluiu Carmim.
—Exato. E Alice se aventurou muitas, e muitas vezes pela nossa terra enquanto crescia, despertando a ira e a insegurança de sua mãe, que começava a ficar cada vez mais paranoica. Enquanto crescia entre os mundos, o desejo de Alice de desafiar a Rainha foi mudando para um desejo de justiça para o povo que passará a sofrer, embora a culpa fosse em partes dela.
Alice tinha dezoito anos quando sua mãe concluiu que ela era uma ameaça real, e mandou todo o baralho de Cartas caçarem-la... Página cinquenta, senhorita!
Carmim se viu em um quarto mil vezes mais belo do que qualquer um que já tivesse visto, as paredes eram de um material branco e brilhante, como Marfim, só que ainda mais bonito, assim como tudo no quarto. A decoração era vermelha e dourada, com detalhes de rosas e ouro puro!
—Então, você é o novo Valette – falou a Rainha, parada olhando pela janela.
—Nem tão novo assim, majestade – ele falou, sorrindo.
—Se não é o velho, então é o novo, não é mesmo? – ela lhe encarou – Sabe por que está aqui?
—Creio eu que, por causa dos problemas com a menina Alice – ele opinou.
—Exato – ela assentiu, voltando para a janela – Venha até aqui, Valette! O que vê?
—O País das Maravilhas, majestade.
—Exato. Meu País das Maravilhas. Meu lar. De meu marido. Seu, e de todos que estão lá fora – ela suspirou – Posso não ser a melhor das pessoas, mas não comecei essa guerra. Só estou garantindo meu bem e de meu povo... Se Alice nos derrubar, isso tudo irá desmoronar...
—Ouvi, entre as cartas, que era uma grande rainha – ele falou – Tinham razão. Nem todo monarca estaria disposto a lutar por seu povo.
—Eles são tudo que tenho – ela suspirou – Então, o que me diz? Está ao meu lado, ou contra mim?
—Tem minha lealdade – ele jurou, com a mão sobre o peito, e colocou a outro sobre o pulso dela – É uma mulher muito corajosa, majestade.
—Muitos apenas me chamam de tola...
—Eles são tolos, de não verem quanto é brava – ele falou, passando a mão que antes sobre o peito repousava na lateral do rosto dela – E bela...
Carmim mal conseguirá piscar, e então eles estavam se beijando. Aquele lugar era mesmo maluco! Uma casaca e um par de luvas caíram no chão e então ela gritou.
—COPAS! – e estavam novamente no presente.
—Sua louca! Poderia ter apagado todo o passado! – gritou a lagarta.
—Eu não ia ver meus pais fazerem a mim, certo? – ela fez uma careta, era a primeira vez que pensava nos dois assim. Seus pais. – Continue daí!
—O plano de sua mãe era simples, e deu certo até um ponto... O Valette seduziu e confundiu Alice, dando-lhe pistas falsas... Mas não devia ter dormido com ela – suspirou a Lagarta — Dois meses após seu nascimento, a notícia que a filha de Alice nascerá surpreendeu sua mãe, que estava confusa com o sumiço da menina nos últimos meses. Ela logo descobriu a verdade, e tomou a mesma poção que corre em suas veias. O País das Maravilhas nunca foi tão sombrio quanto depois daquilo, Alice recuou para o mundo mortal e deixou a filha em segurança antes de voltar para a batalha, mas suas forças eram poucas.
—Mas ela conseguiu... Quebrou o espelho, acabou com o País das Maravilhas – Carmim falou.
—Sim... Mas isso foi só exatamente um ano após seu nascimento, Carmim... Na sua primeira festa de aniversário, onde você se tornou legitimamente a Rainha de Copas!
—Ah, certo... EU O QUE? – ela gritou, brilhando em fúria mais uma vez.
—São as leis, do país das maravilhas, Carmim – suspirou a Lagarta – A partir do momento em que você completou um ano, você era a Rainha, e o cetro não obedeceria mais sua mãe. Alice contava que ela não soubesse disso, e acertou!
—Minha mãe criou esse lugar! Como poderia não saber...
—As regras da magia são engraçadas... Elas se escrevem sozinhas – a lagarta sorriu – Alice fez com que Myrtha e Christian, um bebe com pouco mais de um ano na época, conseguissem entrar em sua restrita festa de um ano. Cheshire estava lá, assim como eu. E o Valette, é claro, com Victor, por que sua mãe era cruel o suficiente para fazê-lo passar o aniversário da filha parado ao canto como um simples servo. O plano de Alice era colocar todos para dentro quando a meia noite virasse, mas o tempo é engraçado aqui... Horas sãos dias, e minutos são meses... Apenas o chapeleiro conseguiu adentrar o salão antes de ela quebrar o espelho, e todos nós fomos levados para Auradon, e julgados por suas leis. Mas alguns de nós não foram tão fortes, Carmim... Myrtha e eu nos deterioramos com o tempo, e morremos, voltando para cá... Mas nosso lar estava destruído, até que você tivesse idade para descobrir um jeito de voltar e restaurar tudo.
—Mas eu não posso, não é mesmo? – perguntou ela, erguendo uma sobrancelha – Por que há veneno no meu sangue, e minha magia não fará nada bom, assim como depois que ela bebeu dele...
—Você interrompeu o processo, Carmim... Seu coração não está corroído totalmente, mas quase... Você ainda pode se libertar. E acabar com isso tudo! – argumentou a lagarta.
—Mas, se eu fizer isso... Voltarei a sofrer, não é? – ela perguntou, fria – E eu não quero isso. Estou indo embora!
—Para onde vai? – perguntou a lagarta.
—Eu sou a Rainha! Eu vou para o único lugar que deveria ir. Para meu castelo – ela anunciou, sumindo na floresta.
...
Christian não sabia exatamente como checará ali, mas quando acordou seu corpo estava pendurado em uma superfície gosmenta e pegajosa, que, logo ele percebeu, era uma nuvem.
Seria mais difícil do que ele imaginava, ele percebeu. Primeiro teve aquele túnel colorido, e depois ele caia em uma nuvem gosmenta. Mas de fato, estava no País das Maravilhas, quer dizer, que outro lugar teria uma nuvem daquelas?
Ele respirou fundo e pulou, esperando pelo impacto, mas em vez disso ele caiu como um balão, flutuando levemente. Nem sua cartola estava fora do lugar.
—Ele parece perdido, você não acha? – perguntou uma voz, assim que ele caiu.
—Eu pareço perdido, você não acha? – perguntou outra voz parecida. – Eu Acho!
—Eu também! – falou outra voz.
—Você também o que? – perguntou à primeira.
—Eu também acho – falou segunda – Você não?
—Eu não sei... Não me lembro de ter perdido nada! – a primeira falou.
—Então você achou? – perguntou à segunda.
—O que?
—O nada que você perdeu!
—Olá? – perguntou Chris, e duas figuras gordinhas saíram das sombras – Podem me ajudar? Acho que estou perdido!
—A há, eu disse que ele estava perdido – falou o primeiro.
—Não, eu disse... Você disse que você estava perdido – falou o segundo – Desculpe pelo meu irmão. Eu sou Tweedledee e ele é Tweedledum!
—Não, ao contrário, eu sou Tweedledum e ele é Tweedledee! – falou o segundo – Então, o que está procurando?
—Não é o que, é quem... Procuro Carmim d’Copas! – falou ele, e os dois gritaram.
—Não, pode, não pode – falou o primeiro – Não pode ver Carmim d’Copas, oh não!
—Por que não? – ele ergueu uma sobrancelha. – Onde ela está?
—Ela não está – falou o segundo.
—Não está a onde? – perguntou ele, confuso.
—Em lugar nenhum, consegue vê-la? – perguntou o primeiro.
—Bem... Não – ele concordou – Não consigo vê-la daqui.
—Então não pode falar com ela, se não pode vê-la – falou o segundo – E não pode procura-la, não à noite!
—Mas não está de... Noite? – a noite havia caído em um piscar de olhos, como se o sol e a lua apenas tivessem girado.
—Ah, sim, não pode encontra-la à noite! – falou o primeiro.
—Por que não? — perguntou Christian, confuso.
—Por que está escuro – falou o segundo – É difícil achar alguma coisa no escuro, ainda mais coisas brilhantes.
—Por que é difícil achar coisas brilhantes? – ele perguntou.
—Por que elas se escondem, ora – riu o outro – Vamos, vamos... Vamos leva-lo para o coelho.
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