Descendants 2
30 Principem Cordium
Notas iniciais

As vezes eu acho... Que você é tão louca quanto eu
—Christian Hatter
...
..
.
Chris a viu se esgueirar pelos contos do salão, até que em meio a uma pequena multidão de garotas ela sumiu.
Do outro lado, se aproximando dele e de Ally, que se pendurará no seu pescoço pelas últimas três músicas, estavam seu pai e Alice, sorrindo e caminhando entre os casais dançantes chegando cada vez mais perto dele.
Os olhos de Alice o avaliaram de cima a baixo e ela fez uma careta, comentando algo com seu pai que apenas deu os ombros e riu, a deixando claramente furiosa. A música acabou, e ele aproveitou a deixa para passar Ally a outra pessoa a sair da pista.
—Chris, o que foi isso que eu vi? – pergunto Becky, surgindo do nada. Parecia um pouco confusa e ofegante, e seus cabelos estavam fora do lugar em alguns lugares – Você e Ally...
—Não sei como ela me convenceu a isso – ele bufou, revirando os olhos – Você viu Carmim? Ou Hannah ou Gart?
—Hummm... Não – ela pareceu um pouco nervosa – Eu estava com Gart, acho que ele foi dar uma volta, mas não as vi não... Ah, Will!
Will se aproximou deles, parecendo um pouco perdido.
—Onde você andou, sumiu de repente – Will franziu a testa, olhando em volta preocupado – Em falar em gente sumida, viram a Hannah? Fui buscar umas bebidas, e ela... Puf!
—A gente estava falando disso – Becky torceu uma mecha doo cabelo – Carmim também sumiu... E Gart... Estou com um mal pressentimento, e se algo tiver acontecido com eles?
—Será... Ela? – perguntou Will, o rosto ficando branco como gelo.
Chris respirou fundo. Seria possível?
—Vocês procurem Hugo e Queenie, vejam se estão bem – falou Chris – Vou dar uma volta pelo castelo, talvez só estejam se divertindo um pouco...
—Tem certeza? – perguntou Becky.
—Ah, se algum guarda me achar, eu invento algo – ele riu – ninguém me leva a sério mesmo...
...
Queenie riu enquanto Bia puxava Bruno para o meio do salão, alegando que ela o monopolizara a noite inteira.
—Ah, Olá – Evie falou formalmente, quando se cruzaram. Ao lado dela, estava o namorado, o tal Doug.
—Olá – Queenie rebateu, no mesmo tom formal, e viu pelo canto do olho, a irmã mais velha esboçar o fantasma de um sorriso.
—Está bonita – falou Evie, agora sorrindo de verdade – Foi você que se arrumou?
—Você está ficando realmente boa nessa coisa de perdoar, sabia? – Queenie se virou para ela, com um sorriso brincalhão – Talvez eu jogue aquela jarra de ponche em você, pra ver quanto tempo demora pra você me perdoar!
—Queenie... – Gemeu Evie – Não precisa ser assim...
—O que? Você prefere alguma outra bebida? Vinho, talvez? – a outra perguntou, fingindo estar confusa. – Ouvi dizer que mancha bastante!
—É impossível conversar com você – Evie deu as costas para a irmã, com Doug logo atrás, mas mal ela deu dois passo e se virou de volta com o som animalesco que chamou atenção de todos no salão.
Queenie havia caído de joelhos, gritando de dor, os olhos revirando.
...
Carmim seguia em frente aos outros dois, fazendo coisas caírem em corredores contrários vez ou outra só para ter certeza que nenhum guarda estaria por perto.
Havia sido mais fácil do que o imaginado chegar a sala de Comandos do que ela havia imaginado. Hannah e Gart haviam ido um para cada lado, o primeiro grupo de guardas havia saído correndo quando Hannah gritou. O segundo quando Gart derrubou as armaduras. E então eles voltaram até onde ela estava e seguiram até a porta prontos para atacar.
Hannah abriu a porta, dando de cara com meia dúzia de guardas largados em cadeiras ou caídos no chão de qualquer modo. Três segundos depois, um alarme começou a tocar.
—O que está... – Hannah começou a dizer mas Carmim tapou sua boca.
—Dormindo – Gart murmurou mais baixo – Estão todos... Dormido!
—Mas é impossível – Carmim arregalou os olhos – Como poderiam... Ela está aqui!
—O que? – perguntou Hannah, confusa – Quem?
—Malévola, é claro – Carmim falou, olhando em volta – Por que eu não pensei nisso antes? É a festa de noivado da M... Bertha, é claro que ela iria dar seu show! Temos que sair daqui!
—Mas, Carmim, a sala – falou Hannah, rapidamente, apontando para a sala – É a chance perfeita!
—Hannah, não tem nada aqui, olha, microfones! Áreas de concentrações militares! Comandos... É de onde enviam os comandos para os guardas! Todos tem dispositivos de escuta! Mas Malévola, de alguma forma, sabia que viríamos aqui – Carmim alertou – Ela... Ela desmaiou os guardas, disparou os alarmes, se outros guardas chegarem e nos virem aqui...
—Seremos dados como cúmplices dela – falou Gart, assentindo – Então, essa é a hora que a gente corre?
—Isso ai – Carmim assentiu, e eles saíram em disparada pelo caminho onde vieram.
—Ei, vocês ai! – gritou um guarda, Carmim olhou para trás, podia ouvir as espadas dos guardas batendo em alguma outra parte de metal do uniforme, e um superior gritando com os outros, Carmim queria que o tempo passasse mais devagar, ela olhou para um relógio, imaginando seus ponteiros correndo mais lentos, e levou a mão até a orelha, onde havia colocado o cetro, quando arregalou os olhos. Não estava ali.
—Copas – ela praguejou, e os dois pararam, lhe encarando.
—O que foi? – perguntou Gart.
—Meu cetro... Sumiu! – ela falou, e os dois se entreolharam apavorados – Vão na frente, eu alcanço vocês em um minuto... Cheguem ao salão e se misturem com os outros! Saiam daqui logo!
—Mas... – gritou Hannah, mas a ruiva já corria na direção contrária.
Carmim respirou fundo, e quando viraram em um corredor, girou para trás de uma grande cortina vermelha, esperando que os babados do vestido se misturassem a ponta dela.
—Eles foram por aqui – falou um guarda, quando passaram por ela.
—Devem estar indo para a sala de armas – falou outro, e em seguida cinco pares de pés passaram correndo – Vamos!
Ela respirou fundo, saindo de trás das cortinas na ponta dos pés por que os saltos eram muito barulhentos e o vestido justo demais para tira-lo. Por que em sã consciência tinha ido com aquela roupa? Hannah que estava certa em usar algo mais fácil de fugir!
Carmim começou a retornar pelo caminho onde viera, se escondendo nas sombras ou atrás de outras cortinas e enfeites quando algum barulho suspeito. Ele não estava em lugar nenhum, percebeu, o cetro havia sumido. E se algum daqueles guardas idiotas tivessem pegado?
Pelo Mar de Lágrimas Doces, o cetro de sua mãe!
Ela se viu no corredor que levava a sala de controle de volta, em pânico olhando para todos os lados. Foi quando ela os ouviu. Primeiro, da direita. Depois, da esquerda. Gurpos de guarda com suas espadas e tudo mais.
Ela engoliu em seco. Não haviam cortinas naquele corredor sem janelas, nem outros corredores para se esconder. Era o fim. Chegara tão longe por nada. Carmim estava prestes a se ajoelhar no chão e esperar o fim, quando uma porta se abriu e uma mão puxou ela para dentro de uma salinha apertada.
...
Hannah parou. Estavam em um corredor sem saída.
—E agora? – Gart perguntou.
—Hummm... – ela olhou em volta, e parou num quadro de um casal se beijando – Tive uma ideia. Abre o meu vestido.
—O que... ? – ele a encarou descrente, e até com um pouco de raiva, mas ela revirou os olhos.
—Confia em mim ou não? Obrigada – ela falou, puxando o vestido um pouco para que ficasse torto, e rasgando uma ponta da saia enquanto puxava ela até o fim da perna – Lembra quando me ajudou a me livrar do filho do Hades na Ilha? Siga o mesmo plano!
Gart riu, aquela havia sido uma história bem engraçada. Ele segurou a perna nua de Hannah ao lado do corpo, como num tango, e colocou sua cabeça encostada na parede, sobre o pescoço dela. Qualquer um que visse aquilo se sentiria terrivelmente constrangido.
—Você é horrível – falou ele, enquanto um grupo de guardas se aproximava.
—Eu sei – ela riu, e fingiu arfar bem quando eles apareceram. Ela empurrou Gart bruscamente, e ambos pareceram surpresos.
—Vocês... O que estão fazendo aqui? – perguntou um guarda, um pouco vermelho, assim como os outros dois atrás dele.
—Er... A festa estava muito barulhenta – falou Hannah –Só viemos... Passear um pouco. Dar uma olhada na... Arquitetura!
—Não era o que estava parecendo. Vimos vocês perto das sala de segurança, o que estavam fazendo lá? – perguntou outro guarda.
—Hannah, deixa que eu cuido disso – falou Gart, empurrando ela para trás – Senhores, tenho certeza que os três são muito bem casados, certo?
Os três assentiram.
—Mas que antes disso, quando eram jovens, fugiram com alguma garota para se divertir durante uma festa, não é? – ele perguntou, e todos desviaram os olhos – de homem para homem. Eu e minha amiga aqui só ficamos assustados de sermos vistos fora da festa, e procuramos um lugar mais... Reservado. Podem culpar dois jovens por se amarem tanto?
—Er... – o primeiro guarda pareceu sem palavra.
—Bem... – O outro gaguejou algo inentendível.
—Tudo bem, em nome do amor, que é um dos cinco bens de Auradon, vocês podem ir – falou o terceiro guarda, puxando seus colegas – Mas de volta para o baile, o castelo não é lugar para sair... Passeando.
—Sim senhor – Gart bateu continência.
—Você é horrível – falou Hannah, rindo.
—Bate aqui –e ele estendeu a mão.
...
—O que você estava pensando? – perguntou Chris Hatter, lhe encarando furiosamente – Aqueles homens... Vocês estão ajudando Malévola?
—Acho que já deixei bem claro minha opinião sobre a Morcegona Velha no tribunal, lembra? – ela falou, ainda arfando – Como... O que você está fazendo aqui?
—Procurando você, o que mais? – ele sussurrou – E fale baixo se não quer que nos ouçam.
Ela ficou em silêncio por fim, se encostando na parede mais próxima que era o lugar mais longe dele que havia naquilo que deveria ser algum armário de vassouras, por que ao lado dela havia uma.
—Acho que já foram, vamos dar o fora daqui – ela a puxou por alguns corredores, e então parou – Isso é seu.
—O Cetro... Obrigada! – ela pressionou-o contra o peito, parecia que o coração do cetro das maravilhas batia contra o dela – Por que está me ajudando? Eu fui cruel com você...
—E? – ele perguntou, parecendo examinar um vaso de flores.
—E – ela continuou, um pouco irritada – As pessoas normais, não gostam de quem é cruel com elas, Christian!
—O que ouve com o seu braço? – perguntou ele, ainda concentrado no vaso de flores.
—Ah, é só um arranhão, eu devo ter... Ah –ela gemeu, quando finalmente olhou para o braço. Não era um arranhão. Era um arranhão cheio de sangue. – Ah...
Chris se virou para ela bem a tempo de ver Carmim ficar verde e se apoiar na parede com o braço bom. Ele a segurou e tirou um lenço de dentro do paletó.
—Eu cuido disso. E para curiosidades gerais, eu nunca me encaixei no quadro pessoas normais – ele falou, limpando o sangue – E eu gosto de você.
A respiração dela travou por um minuto.
—Doi? – perguntou ele, mas ela tinha certeza que ele sabia que não era isso.
—Um pouco – ela falou – Está muito feio?
—Só um arranhão, já parou de sangrar – ele falou – Então... ?
—Eu não estou do lado dela, ok? Nem os outros! – ela falou, confiante, mas estremeceu quando um grupo de guardas correu para algum lugar perto dali, e então antes que pudesse voltar a falar, uma garota loira que Chris nunca havia visto apareceu do lado de Carmim – CHERRY!
—Precisamos de você no salão principal – falou ela – Tem alguma coisa de errado com a Queenie!
—O que? – Carmim endireitou a postura, encarando a garota – O que aconteceu?
—Como eu vou saber? Ela começou a gritar e se retorcer, e então o Hugo saiu correndo com a loirinha lá, e eu pensei... Tudo bem, preciso encontrar a Carmim.
—E Hannah e Gart?
—Não achei eles no salão – ela falou – Podemos ir? Não estamos muito longe de uma entrada para empregados, que é bem mais rápido!
Carmim olhou para Chris, que tinha centenas de perguntas nos olhos.
—Carmim...
—Essa é Cherry Cat, filha do Gato de Cheshire. – Carmim falou, dando um passo na direção de Chris – Tem algo de errado com Queenie, e eu preciso ir com ela. Vou explicar tudo mais tarde, se quiser me ouvir, mas...
—Carmim, é quase meia noite – falou Cherry, já na ponta do corredor – Certo, aqui não é Cinderella. Mas estou com um mal pressentimento!
—Estou indo – Carmim falou, e deu um beijo na bochecha de Chris – E eu também gosto de você!
...
—QUEENIE! – Gritou Carmim, abrindo espaço na multidão e chegando até a amiga, que estava com a cabeça no colo de Evie – O que aconteceu com ela?
—Ela começou a gritar e caiu de joelhos, e então desmaiou – falou Evie, chorando – É tudo culpa minha, se nós nãos tivéssemos discutido...
—Está tudo bem... – falou Carmim, sorrindo para a amiga – Queenie... Hein, Queenie acorda, é hora do café. Nós temos geleia de morango!
—Esse é um bom jeito de acordar Hannah, não Queenie – falou Gart, aparecendo com Hannah entre a multidão – Cherry acabou de nos contar o que aconteceu... Como ela está?
—Respirando – falou Carmim, de forma grossa. Chris chegara logo em seguida, parando ao lado de Cherry.
—Fiquem todos dentro do salão – gritou o Rei Ben, que também estava perto do centro do círculo, com os pais e Mal – Um grupo de guardas foi atacado numa sala de segurança, preciso ir ver o que está acontecendo. Até lá, ninguém saia do salão!
O relógio bateu meia noite antes de Ben chegar as portas. Elas não abriram. Carmim sentiu Queenie se mexer, e em seguida uma força a jogou longe.
—Rei Benjamin – falou Queenie, mas era a voz de Malévola que falava no lugar dela – Por favor, fique... Não vai querer perder a melhor parte de sua própria festa, vai?
—Liberte a garota Malévola! – falou a Fada Madrinha, se colocando no meio do círculo de pessoas – Saia daqui, você não é bem vinda!
—Não sou bem vinda? No noivado de minha própria... Filha – ela falou a palavra com tanto desprezo quando seus olhos alcançaram Mal que Carmim tremeu no chão – O que vocês fizeram com ela?
—O que você quer aqui, mãe? – perguntou Mal.
—O que mais eu poderia querer? Que você, queria – falou ela, e então a voz retumbou pelo salão – E, que fique claro: Esse casamento não irá acontecer enquanto eu estiver viva! Auradon, até que eu tenha minha filha de volta, vocês irão pagar. Pelo egoísmo dela, e de seu rei!
E assim, o corpo de Queenie caiu imóvel no chão novamente.
—Mal, vamos – Evie falou de algum lugar, puxando a loira.
Carmim porem estava concentrada na conversa silenciosa que estava tendo com Cherry, que enquanto todos corriam para a porta principal, evitou que Queenie fosse pisoteada e a levou até perto da saída de empregados.
—Preciso tirar ela daqui – falou ela para Chris, enquanto a Fada Madrinha tentava acalmar os convidados – Você vem comigo?
—Bem... Você me deve algumas explicações – ele falou, rindo, e deu um cutucão na cartola que caiu de lado.
...
Era uma da manhã. Carmim já havia colocado Queenie na cama, e Cherry os havia abandonado no castelo, onde ela transportou a Queenie, Chris e a si mesma até a escola. Agora, ela acabava de subir as escadas até o terraço onde Chris a esperava.
—Ninguém voltou ainda? – ela perguntou. Usava o vestido de baile, mas havia trocado os saltos por um par de pantufas do armário de Hannah.
—Não – ele falou, enquanto ela se sentava no parapeito ao lado dele, o cetro das maravilhas preso em seu pulso com um elástico de cabelo – Então... Onde essa história começa?
E Carmim contou. Tudo. Em nenhum momento sentiu medo da rejeição ou da raiva de Chris, e cada vez que olhava para ele sentia que não precisava. Ele parecia fascinado com tudo aquilo. Ela contou sobre sua mãe, e sobre como se recusara a fazer parte daquilo e depois acabara aceitando. E sobre como Gart entrara na história. Mas além disso, ela contou sobre Cherry, Victor, e sua mãe, e como percebeu que havia se apaixonado por ele e tentou afasta-lo.
—Então, já me odeia agora? – perguntou ela por fim. Já deviam ser quase três da manhã, os alunos e professores chegavam de tempos em tempos abaixo deles.
—É claro que eu não odeio – ele sorriu – Isso é... Incrível!
—Nem todos pensariam assim – ela suspirou – Mas nós não queremos fazer mal pra ninguém, só dar o fora daqui. Recomeçar longe de Auradon...
—Onde, exatamente? – perguntou ele.
—Gancho sugeriu a Neverland original, segunda estrela e tudo mais – ela fez uma careta – Mas, depois de dar o fora, o que vier é lucro!
—Você vai me achar maluco – ele falou fitando o nada.
—Você não saiu correndo até agora – Carmim colocou – É claro que te acho maluco. Mas prossiga, vamos melhorar a situação!
—Posso ir junto? – perguntou ele, os olhos violetas brilhando tão sinceros que Carmim não conseguiu nem imaginar que ele estivesse brincando.
—O... Que? – Ela arregalou os olhos – Christian, você... Você tem uma vida aqui, e uma família... Não, isso sim seria loucura!
—Você disse que não pertencia nem a Ilha nem a Auradon... Bem, eu nunca foi até a Ilha dos Perdidos, mas Auradon... Não é o meu lugar – ele falou, algo desesperado no fundo de sua voz. – Não sei onde é, mas eu sinto que você é o mais perto de lá que tenho.
—Nem sei se isso vai dar certo – ela deu os ombros – Mas, se você quiser, será bem vindo a bordo. Nossa missão é libertar os prisioneiros... Bem, você é prisioneiro de Auradon!
Ele riu, olhando para ela.
—O que? – ela perguntou.
—As vezes eu acho... Que você é tão louca quanto eu – ele falou, e ela se esticou para frente, dando um beijo nele e em seguida... O puxando terraço a baixo.
—Copas – ele a ouviu murmurar em plena queda, e então seu vestido se abriu em várias camadas, fazendo a velocidade da queda diminuir e eles chegarem ao chão em segurança.
—As vezes acho isso também – ela concordou.
—Tudo isso era preguiça de descer as escadas? – ele riu, passando o braço pelos ombros dela. Carmim se aninhou contra ele – Então, já que nós já passamos da fase do primeiro beijo, que tal algo diferente?
—Tipo o que?
—Vencer um medo? – ele sugeriu – Eu não sei você, mas essas comidinhas de baile só me dão mais fome... Gosta de macarrão?
—Não – ela mentiu.
—Bem, então vai aprender a gostar, por que é a única coisa que eu sei fazer – ele a puxou para dentro. Carmim respirou fundo, em um bom dia, ela puxaria o braço e voltaria para o quarto. Mas já tinha lutado demais por uma noite só, então deixou Chris a arrastar até a porta da cozinha. – Eu te trouxe até aqui... Mas o primeiro passo tem que ser seu.
As pernas dela ficaram bambas. Ela podia enfrentar alguns guardas, ver sua amiga ser possuída por Malévola, e beijar Chris. Mas entrar naquele lugar exigia um nível de coragem totalmente diferente.
Aquilo era muito mais que apenas ela mesma, era enfrentar outra Carmim. Era dizer a uma garotinha que estava tudo bem, que ela estaria segura. Era prometer para si mesma que iria protegê-la de todos os perigos, que sua mãe não ia entrar ali e lhe fazer mal. Parecia uma promessa impossível, mesmo agora estando tão longe.
—Acho que você precisa de um tempo – falou Chris – Vou esperar lá dentro.
Carmim recuou até a parede mais próxima, batendo as costas contra ela e se arrastando até o chão. Ela fechou os olhos, lágrimas quentes escorreram. Ela viu todas as cenas que mais odiava na sua infância, todas as vezes que fora fraca. Não podia.
—Carmim... – Chris saiu de dentro da cozinha, encontrando-a encolhida no chão. Ela não sabia como chegará até lá, mas lá estava então – Certo, tudo bem, má ideia... Vem, eu vou levar você pro seu quarto.
Ele ajudou-a a se levantar e secou suas lágrimas com a manga do paletó, antes de subirem até o quarto dela, ela caiu na cama, ainda tremendo um pouco. Flashes piscavam na sua cabeça.
—Eu não deveria ter sugerido isso, foi uma ideia idiota – falou Chris – Me desculpe!
—Está... Tudo bem – Ela estendeu a mão, segurando a dele – Estou bem.
—Não precisa parecer forte.
—Eu sou forte – ele murmurou – Mas aconteceu muita coisa hoje. Cansada...
—Durma um pouco, então – ele falou.
—Não posso – ela se encolheu ainda mais – Não consigo. Vou ter pesadelos.
—O que eu posso fazer? – perguntou ele.
—Conta uma história para mim? – perguntou Carmim.
—Que tipo de história? – perguntou ele.
—Não sei... Não conheço muitas histórias... Meu pai as vezes me contava histórias, feitas na hora a maioria... Nunca gostei de contos de fada – ela falou, distante.
—Tudo bem... Sabe, quando eu eram mais novo, eu tinha mania de ficar a noite inteira acordado, imaginando que eu era um tipo de herói e essas coisas – ele riu – Eu cheguei a usar um caderno para escrever sobre isso: As aventuras de Chris Crazy. Depois isso se espalhou pelo colégio, e eu fui bem zoado...
Carmim riu – Pode me contar?
—Depois de tudo que me contou hoje? – ele riu – Acho que eu seria um hipócrita se não contasse...
Ele começou a contar uma história qualquer que se lembrava, mesmo tendo certeza que acabara misturando com pedaços de outras no meio. Mas Carmim dormira durante a narração. Sua imagem tremia, ele percebeu. Como se ela não fosse real. O cetro da maravilhas brilhou na mão da ruiva, e o vestido virou uma camisola
Ele desejou que ela não estivesse em uma situação tão comprometedora, de bruços com uma perna para fora da cama. Ele pegou um cobertor e jogou por cima dela.
—Bons sonhos, minha Principem Cordium— ele beijou a testa dela, citando uma personagem da história que contava. Mal sabia Chris que esperava por ela a tanto tempo. Se ele tivesse participado das aulas de Latim...
Fale com o autor