Descendants 2
16 I Love You
Notas iniciais

Só nunca se esqueça, certo? Eu te amo.
—Mal Bertha
...
..
.
Em seu sonho, Carmim d’Copas estava sentada em uma cadeira dura e desconfortável no tribunal do palácio dos corações. Ela não sabia como sabia disso, ela apenas sabia onde estava como se tivesse entrado lá milhares de vezes. Mas não tinha.
Victor estava lendo uma longa sentença, que incluiu centenas de acusações e penas que ela nem conseguia ouvir. Sua mãe estava sentada em um grande trono a sua frente, ao passo que seu pai ao lado dela era quase invisível.
—Por fim, vossa majestade, como punição pelo crime de traição ao País das Maravilhas, a ré deve receber pena máxima – falou ele, com um sorriso cruel.
—CORTEM-LHE A CABEÇA! – gritou sua mãe, apontando para ela sorrindo da mesma forma. Ao seu lado, seu pai deu um largo sorriso, e todas as cartas e todo o júri o acompanharam. A sala ficou escura, com grandes e largos sorrisos brilhando na escuridão, gargalhadas ecoando em seus ouvidos.
—Carmim – alguém chamou ao longe, mas a voz estava tão distante. Quem a estava chamando? Cheshire? Cherry? Ela se levantou da cadeira, que desapareceu no mesmo instante, e deu um passo em frente. E então ela caiu.
...
O coração de Carmim estava acelerado quando ela acordou. Era apenas um sonho, ela repetiu para si mesma, de novo e de novo. Victor a amava, ele nunca ia sorrir diante a desgraça dela. Nem mesmo sua mãe. Ela repetiu isso, de novo e de novo, rolando na cama de casal esperando que se repetisse o suficiente se tornasse verdade.
Mas ela sabia que não era.
Por que não um amor que não fosse recíproco, era verdadeiro. E ela nunca poderia amar.
A princesa dos corações. A garota sem coração.
...
Ally e Chris estavam sentados em uma mesa perto da janela na cantina, onde era possível ver o time de Tourney treinando. Ally sempre pegara no pé do namorado para que ele entrasse no time junto com Will, mas a verdade é que para Chris havia coisas mais interessantes para se fazer: Estudar. Cozinhar. Desenhar; Dormir; Ver o trigo crescer...
Sendo sincero, Christian só ia aos jogos por que Alison era líder de torcida e praticamente o arrastava, mas, para a infelicidade dela, o campeonato havia atrasado um mês, e só começaria após o Halloween.
—Oi estranhos – sorriu Becky, se sentando ao lado de Ally – Uma eternidade pra encontrar vocês, não?
—Você demorou – acusou Ally – Onde foi depois da aula?
—Uh, vocês vão ver só – ela sorriu – Alguém tem horas?
Chris olhou para seu pulso, onde haviam três relógios, e não surpreendentemente, todos estavam fora do tempo.
—Eu nunca consigo arrumar esses negócios – ele grunhiu.
—Faltam treze minutos para a uma – Ally suspirou.
—Certo, então esperem sete minutos – sorriu Becky, e ao passarem sete minutos, um estalo saiu dos alto falantes, seguidos da voz da loira.
“Olá Auradon Prep, aqui é Rebecca Corona, e as novidades sobre o Halloween Encantado de Auradon!” a Voz de Becky ecoou pela cantina, e julgar pela movimentação no campo, do lado de fora também “Aos alunos do terceiro ano, não esqueçam o acampamento nos jardins da escola dia trinta e um, as onze. Lembrando que todos os alunos estão convidados para o baile de Halloween, as oito, onde será eleita a rainha do Halloween, que automaticamente entra na lista das cinco selecionadas para disputa da rainha do baile de inverno!” Havia uma emoção sincera na voz da garota “E lembrem-se, assustadores ou glamurosos, a melhor fantasia é a que ganha! Aqui foi Rebecca Corona, para a Auradon Prep.”
—O que vocês acharam? – perguntou Becky, sorrindo de orelha a orelha – A diretora me chamou depois da aula pra mim gravar!
—Sério? Que legal... – Ally falou, mas Chris notou Becky fazer uma careta diante a falsa animação da melhor amiga enquanto agradecia. Chris revirou os olhos, é claro que Ally estava fervendo de ciúmes.
—Não consigo pensar em ninguém melhor do que você para isso – sorriu ele, sinceramente, para a amiga. Mas uma parte dele sabia que era mais para alfinetar Alison.
—Estranho... Onde está todo mundo? – perguntou Becky, olhando em volta e sendo seguida pelos outros, nenhum dos alunos da Ilha estava lá, nem mesmo Jay, Carlos e Evie estavam na cantina.
—Eu soube que os gêmeos acharam Mal desmaiada perto da cantina hoje cedo – falou Chris, mexendo nas fitas de sua cartola, sobre a cadeira ao seu lado – Não, é claro, que eles tenham comentado o que estavam fazendo por lá antes das seis da manhã...
—Mal desmaiou? – perguntou Ally, com um brilho cruel atrás da falsa preocupação – Me julguem se quiserem, mas isso é um pouco suspeito, vai!
—O que você quer dizer? – perguntou Becky, mas Chris tinha percebido a onde ela queria chegar.
—Ué, primeiro esse noivado do nada que eu nunca engoli – falou ela – e agora a noivinha desmaia?
—Cala a boca Alison – Chris grunhiu, irritado com a namorada, se levantando e colocando a cartola sobre a cabeça enquanto cruzava para o final da cantina, topando com Hugo, Gart e Hannah entrando na cantina ao sair.
Ele seguiu pelos corredores, encontrando Lottie e Queenie sussurrando.
—Oi meninas – ele sorriu.
—Ei, Chris – sorriu Lottie, de forma triste.
—O que ouve? – perguntou ele, confuso.
—O desmaio da Mal, Lady C. Está dando um monte de opiniões sobre o assunto – falou Queenie – Gravidez; Envenenamento; Uma doença grave que vai impedir ela de ter filhos e seguir a linhagem real. E mais um monte de coisa.
—Céus – Chris gemeu, aquela Lady C. ia se dar bem com Alison, ele seguiu subindo as escadas, até chegar no terraço. Gostava de ir lá para ficar sozinho, mas ele não estava sozinho.
Carmim d’Copas estava sentada no parapeito do terraço, perigosamente inclinada para frente com as pernas balançando no vazio, os cabelos voando em volta dela. Estava bastante frio, mas suas pernas estavam nuas entre a saia e suas botas, e ela segurava o cetro com coração que sempre estava com ela.
Ele se aproximou. Ela estava encarando o nada, um ponto entre o mar e o horizonte. A Ilha dos Perdidos parecia apenas um borrão escuro dali de cima.
—Saudades de casa? – perguntou ele, se apoiando no parapeito. Ela se virou, surpresa. – Oi!
—Você tem sorte de eu não me assustar com facilidade, Hatter – ela murmurou, se virando e descendo do parapeito – Caso o contrário, eu seria uma panqueca real agora. E você seria o culpado!
—E você voltaria para me assombrar – ele falou, rindo. – Hatter, é?
Ela deu os ombros – E então, ainda está todo mundo choramingando? Ou ela já acordou?
—Mal? – ele perguntou – Não, ainda não. Achei que você devia estar com Evie!
—Evie tem outros amigo – ela suspirou – Não sou a melhor pessoa para consolar Evie quando o assunto é nossa querida Bertha!
Ele riu. – Então, está fugindo?
E ela pensou um pouco – É, acho que sim. Mas não pro causa de Mal.
—Então por que?
—Por que quer saber? – ela ergueu uma sobrancelha.
—Por que metade do tempo você parece infeliz e na outra metade parece prestes a sair correndo? Por que você parece odiar cada segundo aqui, mesmo quando está sorrindo? – ele ergueu uma sobrancelha, a imitando – Talvez, você não esteja acostumada. Mas aqui, nós aprendemos a nos preocupar quando os outros estão infelizes.
—Não, você aprendeu – ela falou – Por que seu pai ensinou.
Ele concordou, e depois franziu a testa – Você está desviando.
—Você é observador – ela murmurou – Mas está certo, estou mesmo prestes a sair correndo. Eu só preciso descobrir como.
—Por que?
—Exatamente como nas histórias... – ela murmurou, e depois respondeu – Tem alguém me esperando, além das margens dessas águas. Alguém pra quem preciso voltar.
—Sua mãe?
Ela riu, balançando a cabeça – Não. Um garoto – ela ficou vermelha então – Victor, o filho do Valete. Eu prometi, que ia voltar.
—E vejam só, ela é uma sentimental no final da história – ele riu, aliviando a situação.
—Não se tratam de sentimentos – ela grunhiu, se endireitando – Se trata de... Segurança. Nada é seguro, quando se é uma Copas. Todos precisam de um pilar onde se apoiar, eu só preciso... Mais do que o resto das pessoas.
—Mas segurança e amor não são a mesma coisa – ele falou – Você pode ser feliz apenas com isso?
—Como eu disse, você é exatamente como seu pai – ela sorriu – Algumas pessoas, não nasceram para serem felizes, Christian Hatter. Algumas perderam essa oportunidade antes mesmo de nascerem. Pessoas como eu, como Victor, e como... Muitos outros.
—Como você pode ter tanta certeza disso?
—Por que você tem que fazer tantas perguntas? – ela gemeu – Eu tenho que ir.
...
Mal estava suando frio quando acordou. Sua cabeça doía, ela tentou se sentar, mas seu corpo inteiro fraquejou para trás de novo.
—Não, não – falou Ben, sentado em uma cadeira ao lado da cama da enfermaria onde ela estava. Seu terno estava abarrotado e pela cara de sono ela podia dizer que ele estava ali a algumas horas. – Você precisa descansar, ordens médicas.
—O que ouve? – ela perguntou com a voz rouca, sua garganta ardia seca, e ela sentia um gosto ruim na boca.
—Os irmãos White te encontraram caída perto da cozinha hoje cedo – ele falou – O médico disse que você estava desidratada e disse que precisava dormir um pouco. Como você está se sentindo?
—Com sede – ela confessou, e ele lhe entregou uma garrafa d’água – E fome.
—Vou pedir para uma enfermeira trazer algo pra você comer – ele falou – Evie disse que você não vem comendo e nem dormindo bem, isso é verdade.
Ela assentiu. Ele se abaixou perto da cama, pegando a mão dela.
—Mal, você sabe que pode me contar tudo, não é? O que está acontecendo?
Ela engoliu em seco, não queria mentir para Ben, mas não queria falar a verdade.
—Eu... Eu não sei, está tudo tão confuso. Esse casamento, é como se eu fosse acordar e isso tudo ter sido um sonho. E é tudo tão maravilhoso, e eu tenho tanto medo de acabar.
—Do que você poderia ter medo, Mal? – ele riu – Você é a pessoa mais corajosa que eu á conheci.
—De você perceber que está cometendo um erro e acabar com tudo isso. De não ser boa o suficiente – ela suspirou – Parece tudo tão confuso. Todas as garotas se sentem assim quando se casam?
—Não tem como eu saber – ele sorriu – Mas, acho que seria uma boa ideia você perguntar para minha mãe.
Os dois riram. Um nó cresceu na garganta de Mal. É, e lá estava. As meias verdades que sempre deixaram ela a um passo de distancia dele. Sem poder toca-lo realmente, mesmo quando ele a beijou.
—E também tem a Evie, ela está me enlouquecendo com o negocio do vestido – ela murmurou depois de um tempo, fugindo de qualquer outro assunto.
—Vocês realmente precisam da minha mãe – ele sorriu – Vou pedir para alguém te trazer comida. Quer que eu deixe os outros entrarem?
—Não – ela balançou a cabeça – vejo eles depois.
—Certo, eu volto logo – ele sorriu, e voltou mesmo, poucos minutos depois com uma grande bandeja laranja – Exagerei?
—Nem um pouco – ela sorriu, se sentando com a ajuda dele e começando a comer.
—Você nem faz ideia de como eu fiquei preocupado com você – ele falou.
—Desculpe –ela falou, com a boca cheia, e ele riu, passando o polegar pela lateral de sua boca, limpando uma mancha – Eu te amo, sabia?
Os olhos de Ben se encheram de lágrimas, e novamente ele não era um rei, era apenas um garoto.
—Você sabe que essa é a primeira vez que você diz isso? Com todas as letras, em voz alta? – ele perguntou, beijando a testa dela enquanto ela assentia.
—Eu sei – ela sussurrou, enquanto os remédios a faziam pegar o sono de novo – Só nunca se esqueça, certo? Eu te amo.
—Eu também te amo, Mal – ele sorriu, soltando a bandeja dela sobre o criado mudo e se deitando ao seu lado da cama da enfermaria.
...
Quando a noite de Halloween chegou, todos estavam amontoados no ginásio da escola tirando fotos em grupo, ou em pares. Haviam dois tipos de fantasias no Halloween de Auradon Prep:
Haviam aqueles que seguiam as histórias de seus pais: Como Alison e sua roupa de Alice Zumbi; Lottie com suas orelhas de lobinha; ou Hannah e Willian, combinando um Peter Pan bem descolado e uma pirata Sexy.
Haviam aqueles que não usavam fantasias. Como era o caso dos gêmeos White, Chris, as irmãs Queen e todo os alunos da Ilha dos perdidos. Todos usavam roupas de festa glamorosas, com tecidos ricos, purpurina e paetês.
Talvez fosse por isso que todos olharam embasbacados quando o casal mais esperado da noite chegou. Ben, usava uma enorme máscara de fera, e sua cabeça saia pela boca aberta do animal. E então havia Mal, no gigantesco vestido amarelo da mãe do noivo.
Mais uma vez, a garota da Ilha havia quebrado todas as regras.
Que a noite das bruxas começasse!
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