Descendants 2
61 Extra - Home Sweet Home
Notas iniciais

Homens. Não importa que idade eles tenham, sempre serão eternos medrosos.
—Rapunzel Corona
...
..
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Era o último dia de férias.
Rebecca se assustou enquanto fazia as malas ao perceber que dessa vez não iria voltar para a escola. Não dividiria mais o quarto com Ally – fora tão estranho esses dois meses, acordar e não ter nenhuma mensagem da melhor amiga – nem se sentaria no almoço com Will e Chris – que sumira depois da festa de formatura, junto a Carmim.
Ela olhou para as caixas perto da porta. Todo o ano era a mesma coisa. Separava as coisas velhas, que não usava mais, dobrava e encaixotava perfeitamente. O que estivesse quebrado ou velho demais, ia par o lixo, e o resto ela e sua mãe doavam para o orfanato ou alguma outra instituição.
Naquele ano, ela faria isso sozinha.
Tinha ciência que sua mãe não estava em casa, mesmo ainda sendo cedo. Ela sabia que ela não fazia isso por mal, no fundo Rapunzel simplesmente não suportava ser forçada a admitir que sua filhinha estava crescendo e precisava deixa-la partir. Ela nunca a deixaria partir, se dependesse dela. Foi assim que ela foi criada.
Mas era hora dela voar.
Ela olhou para o anel dourado no dedo – o símbolo de sua união legítima com Gart, na qual apenas seu pai, Queenie, Hannah e Will estiveram presentes – e sorriu para a pedra azul escura. Passara mais da metade dos dias das férias no novo apartamento que ainda estavam arrumando no centro. Ela ainda ia para a casa dos pais um ou dois dias por semanas, quando Gart tinha que dormir no palácio – depois do fim das aulas, ele se alistará para entrar no exército real, e o treinamento que começará a um mês vinha sendo duro para ele.
Ela suspirou. A partir do dia seguinte, teria que se acostumar a ficar sozinha algumas noites. Não podai correr para a casa dos pais sempre que ficasse com medo do escuro, era hora de dar mais um passo de liberdade.
No dia seguinte, ela começaria seu novo emprego. Ensinaria música para as crianças da Instituição Charming, que cuidava de crianças vítimas de queimaduras. Ela ficará maravilhada quando receberá a proposta de Chad – de quem era amiga de infância, e talvez uma das poucas garotas que ela nunca deu em cima – no final do ano para trabalhar na instituição.
Quem não gostará nada daquilo era sua mãe, é claro.
Ela suspirou, olhando para as malas enquanto obrava o último suéter de Cashemere e fechava a terceira mala. Estava na hora de ir embora.
—Pai! – chamou ela, e ouviu Flynn subir as escadas.
—Pronta? – ele deu um sorrisinho de lado, olhando para as malas. Ela assentiu – Bem, vamos colocar tudo isso no carro então!
Ela sorriu, pegando uma caixa enquanto ele pegava outra. Passariam primeiro no orfanato para deixar tudo aquilo, e depois ele a levaria para casa. Ela não se sentirá tão nervosa quando se casará, na frente de uma dezena de estranhos quando invadiram eles o cinco a igreja em uma quinta feira.
Mas agora, sentia-se ansiosa e tremula, como se seu pai pudesse leva-la para longe, um lugar onde sua mãe estivesse esperando para tranca-la em uma torre. Mas ele não fez isso.
Em vez disso, levou-a até o orfanato, e depois lhe comprou um algodão doce – do roo, como sempre escolhia quando criança – que ela comeu enquanto ele dirigia pelas ruas de Auradon.
—Chegamos – ele anunciou, quando pararam em frente ao prédio.
Era alto, de paredes salmões quase no centro da cidade. Ficava apenas uma quadra de onde costumava a ser a loa de chás do Chapeleiro e a floricultura de Alice. Pelas portas de vidro, ela viu Gart sair do elevador e seguir até o lado de fora.
—Achei que tinham te trancado em uma torre – riu ele.
—Não foi por falta de vontade – falou Flynn, rindo – Cuide bem da minha princesinha, hein rapaz? Lembre-se que está é a futura Rainha da casa de Corona!
—Como esquecer? – riu Gart.
—Eu já falei que adoro esse garoto? – perguntou Flynn, rindo – E então, como vai o treinamento?
—Muito bem, embora eu acho que eles não saibam o que fazer comigo – Gart falou, sincero – A maioria dos garotos são um monte de magrelas que não sabem segurar uma espada, então...
—Bem, eu não deixaria minha Becky aqui se casar com um cara desses – riu Flynn.
—Papai... – Gemeu Rebecca, escondendo o rosto nas mãos.
—Ah, o que foi? Você sabe que é verdade, eu te disse isso quando tinha doze anos e... – ele riu quando ela deu outro grito de repreensão – Vem cá, dá um abraço no seu velho.
Becky revirou os olhos, abraçando o pai com força.
—Usem proteção entendeu? Não quero netos tão cedo... – ele falou no seu ouvido, a fazendo ficar vermelha como um tomate. Aquilo era realmente constrangedor... Talvez fosse melhor ter chamado um taxi.
—Será que eu também não mereço um abraço? – perguntou uma voz vinda de trás dela. Becky se separou do pai, olhando para a mãe que vinha andando em direção a eles na calçada.
—Eu... Eu acho que vou levar suas malas para cima – falou Gart, pegando duas das malas de Becky e andando e direção ao prédio.
—Eu vou ajudar – concordou Flynn, pegando as outras duas malas.
—Homens – riu Rapunzel – Não importa que idade eles tenham, sempre serão eternos medrosos.
—O que você está fazendo aqui, mãe? – perguntou ela. Rapunzel piscou.
—Quando isso aconteceu? – perguntou a mulher para si mesma, e depois olhos nos olhos de Rebecca – Quando você ficou tão alta, bonita e dura? Quando se tornou tão adulta?
—Aconteceu muita coisa – ela deu os ombros.
—Eu sei disso – riu Rapunzel – É estranho. Eu vi aquela garota, Carmim, no tribunal no julgamento e pensei... Como ela pode ter a mesma idade da minha filha? Agora eu vejo que eu me neguei a ver que você estava crescendo. Eu fiquei dando voltas pela cidade, e passei dezenas de vezes aqui até perceber que era aqui que você moraria agora. Minha menininha...
—Mãe, não... Não precisa chorar – Becky riu, segurando as mãos dela – Não estou indo para longe, ou algo do tipo. É ainda mais perto do que a escola!
—Eu sei... – suspirou Rapunzel – Sabe, nem acredito que você se casou... Isso é tão difícil, eu corri pra minha mãe tantas vezes no primeiro ano... E tantas outras eu quis correr e fiquei com medo de parecer ridícula... Mas pode correr para mim sempre que quiser, querida!
—Eu sei disso – Riu ela, abraçando a mãe com força – Sei disso, mamãe...
—Ah, eles estão voltando – falou Rapunzel, enquanto ela se afastava – É melhor eu ir com seu pai. Tome, eu comprei pra você!
—Obrigada – Becky pegou a bolsa, se despediu mais uma vez do pai e entrou no prédio com Gart rápido o suficiente para não ver o carro partir.
—Você está bem? – perguntou ele, confuso.
—Estou sim – ela assentiu, enquanto entravam no elevador – Estou ótima!
—O que é isso? – ele apontou para a bolsa.
—Um presente da minha mãe – ela desamarrou a fita da sacola, e pegou uma escova de cabelo dourada, com um inscrição atrás – rilha linda flor, teu poder venceu, trás de volta já, o que uma vez foi meu... Uma vez foi meu...
—Becky... O que...
—É a música da história dela – ela explicou – ela cantava pra mim dormir, as vezes.
—Não, não é isso. Eu sei – ele falou, ainda intrigado – Olha o seu cabelo!
Ela puxou uma mecha, vendo o brilho pouco antes de desaparecer e riu.
—Isso é o que eu... – Gart começou a perguntar, mas ela explodiu de alegria, jogando os braços sobre os ombros dele e o beijando.
—Shhh, não precisa se preocupar com isso – ela falou, rindo quando o elevador parou.
Ela era como a mãe, no fim. Um pedaço de uma flor dourada mágica.
Mas ninguém, além deles, precisava saber disso.
Ela viveu em uma torre por muito tempo para agora ser trancada em uma.
Estava em casa, afinal.
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