Notas iniciais
Primeiro capítulo fresquinho! Aproveitem a leitura!

Dois anos atrás...

“A polícia investiga o curioso desaparecimento de Alice Stewart, uma jovem de dezessete anos que estava aproveitando o último passeio com as amigas antes da formatura. Ainda não se tem novidades do caso que repercutiu a cidade de Richmond.

A família da jovem tem esperança de encontra-la viva. Todos que entrevistamos disseram que Alice sempre foi uma garota divertida e que ajudava os outros. Todos ao seu redor a amavam. O desaparecimento ainda é uma incógnita para os investigadores que cercaram a área do lago Wairua.

De acordo com os depoimentos acatados, Alice disse para as amigas que iria tirar uma foto em frente ao lago e que logo se encontraria com elas na cabana. As amigas então saíram na frente e chegaram até a cabana onde passariam o final de semana, mas Alice não chegou. “Nós da equipe jornalística oferecemos total apoio a família.”

Repórter Julia Stan do Criminal News

Atualmente...

Acordei mais uma vez com Alice me chamando para tomar café. Quando eu abro os meus olhos percebo que nada disso é real. Foi apenas um sonho Samantha. Venho repetindo essa frase diversas vezes desde o desaparecimento dela. A imagem dela com o vestido rosa que lhe emprestei para o baile de formatura não sai da minha mente. Ela estava radiante e feliz. Alice não participou do baile e nem usou o vestido que eu emprestei.

Na época eu estava na faculdade e com isso tudo acabei trancando o curso que fazia. Decidi ajudar meus pais a procura-la. Hoje eu trabalho em uma loja de conveniência, não ganho muito, mas dá para viver.

Sinto que fui incapaz de cuidar da minha irmã. Ela sentia muito a minha falta. No final de semana que desapareceu, nós combinamos de ir ao cinema, dar uma volta de carro, sem ter limite para parar. Não deu para cumprir o que prometi e então ela foi passear com as amigas.

Durante meses tentei encontra-la com um único desejo, abraça-la e nunca mais solta-la dos meus braços. Colei cartazes em árvores, entreguei para as pessoas e ambas negavam que a tinham visto. Foi um trabalho duro. Jornalistas não saíam de frente de casa. Minha mãe só ficava calma tomando remédios que a faziam dormir a maior parte do dia. Já o meu pai se afundou na bebida. O que foi mais doloroso foi receber trotes com informações falsas.

Com o passar do tempo sem ter notícias de Alice e a investigação que empacou, a polícia decidiu arquivar o caso. Senti-me abandonada, sem ter por onde começar. Meu amigo Louis sempre me ajuda, ele é investigador. Tudo o que a policia sabe, eu sei.

Levantei-me e lavei o meu rosto. Mais um dia de trabalho me esperava. Prendi o meu cabelo e fui direto para a cozinha. Minha mãe estava lá, preparando panquecas silenciosamente.

— Bom dia mãe!

— Sente-se Sam. Seu pai disse que vai lhe dar uma carona até o trabalho. – Disse colocando um prato cheio de panquecas com geleia.

— Mãe, eu não gosto da panqueca dessa forma!

— Ah, é mesmo. Era a sua irmã que gostava. –Ela começou a chorar profundamente. Logo fui abraça-la acalmando-a.

— Está tudo bem! Acho que vou experimentar. –Dei a primeira mordida e não era tão ruim quanto achava.

Minha família nunca mais foi a mesma. Na vizinhança sempre falaram que os Stewart eram os mais alegres. Não tinha um dia que minha mãe não chorasse. Estava cansada disso tudo. O alivio que tenho é saber que meu pai abandonou a bebida e que está sóbrio. Meu pai me deu carona até o trabalho. Nós conversamos um pouco no caminho.

— E então quando pretende voltar a fazer faculdade Sam?- Perguntou curioso fixando os olhos em mim enquanto parava o carro.

— Eu ainda não sei. Não posso deixar vocês!

— Você está preocupada com a sua mãe e está se esquecendo do seu futuro. A sua mãe é forte Sam. Acho que todos nós devemos seguir em frente. É o que Alice gostaria de ver, não acha?

— Vou pensar nisso pai! Agora tenho que ir trabalhar! –Despedi-me dando-lhe um beijo na bochecha.

Vi meu pai dar a partida no carro e também seguir o seu rumo. Aloja de conveniência estava vazia. Entrei e fui repor alguns produtos na prateleira. A porta de entrada se abriu e lentos passos se aproximaram de mim.

— Adivinha quem veio te ver? – Disse a voz com as mãos em meus olhos.

— Louis, a sua voz é bem familiar para mim. Que surpresa! – Falei retirando suas mãos para que pudesse vê-lo.

— Assim não tem graça Sam! Mas duvido que você tenha visto isso. –Ele me trouxe flores.

— É para alegrar o seu dia! Parabéns Sam! – Louis me deu um abraço muito apertado e não entendi nada. – Eu não acredito que você esqueceu-se do seu aniversário! Ou será que eu errei o dia?

— Caramba, hoje é o meu aniversário. Muito obrigada Louis por se lembrar, afinal você foi o único que se lembrou.

— O que você acha de jantarmos hoje à noite para comemorar o seu aniversário? – Perguntou esperando a minha resposta. – Vamos vai ser divertido e também faz tempo que não nos vemos! Hoje eu só trabalho meio período na delegacia.

— Eu não sei. Meus pais ficarão preocupados!

— Se esse for o caso eu ligo para o Sr. John. Eu tenho a certeza de que ele vai permitir. Você tem que se distrair um pouco. Eu te busco às 20:00, pode ser?

— Tudo bem! –Louis tinha o poder de me convencer. Confesso que gostava da sua companhia.

Passei o resto do dia arrumando as prateleiras e organizando o caixa. Poucos clientes passaram na loja. Quando terminei tudo fiquei observando o movimento de carros na rua. Até que vi uma jovem de cabelos castanhos ondulados e que usava a mesma blusa rosa com estampa de flores. A mesma que a minha irmã usava no dia em que desapareceu.

Eu a observava. Até o modo como andava era o mesmo de Alice. Por um instante parecia que eu a estava vendo, mas só era fruto da minha imaginação. Essas visões, alucinações, sei lá como se chama, só estavam piorando.

Finalmente deu 19:30. O dia foi longo. Final de expediente e Beck chegou para iniciar o seu turno. Fui caminhando para casa que não ficava longe dali. As lâmpadas das ruas já estavam acesas e a noite estava linda. Quando cheguei em casa para minha surpresa, Louis já estava lá.

— Louis, o que faz aqui?

— Eu? Acho que estou bem adiantado! –Disse olhando o relógio. – Não estou aqui para apressá-la. Pode ficar tranquila Sam.

— Deixe ele aqui. Louis já me avisou que vai te levar para um ótimo restaurante. Enquanto você se arruma eu explico para ele as regras do basquete. –Meu pai sabia tudo sobre o esporte. Quando falava não parava mais.

— Só não demore muito Sam. Reservei uma mesa para nós.

Aquela era uma ocasião muito especial. Tudo bem, era o meu aniversário. Mas, também eu iria para um lugar totalmente diferente que não ia há muito tempo. Enquanto me arrumava, meu celular tocou e a tela acendeu. Decidi não olhar naquele momento.

— Você está linda filha! – Minha mãe também se lembrou do meu aniversário. – Sou muito grata por ter uma filha como você. Te desejo toda a felicidade Samantha. Você merece muito mais que isso tudo!

— O que mais eu poderia querer mãe? Eu tenho vocês dois ao meu lado.

— Eu sei Sam. Só não queremos atrapalhar o seu futuro. Entendeu?

— Pode deixar mãe.

Meu pai também me felicitou e todos ali cantaram parabéns para mim. Todos nós conversamos um pouco e rimos bastante também. Foi muito divertido. Louis então me levou até o restaurante e lá também me diverti.

— Acho que nós temos que marcar mais jantares assim! Você está radiante Samantha!

— É que pela primeira vez me sinto viva Louis. É tão bom presenciar momentos assim. Se eu pudesse viveria todos os dias dessa mesma maneira.

— Isso é possível. Se você quiser eu te levo para jantar todos os dias!

— Não, seu bobo! Você é um piadista nato! – Sorri.

— Tudo bem, então uma vez por semana. Você tem que concordar comigo. – Olhou firmemente para mim, levantando uma de suas sobrancelhas.

— Vamos com calma! Não quero falir você!

Após o jantar, fomos até a praça e conversamos mais um pouco. Louis me levou em casa e meus pais ainda estavam acordados. Então conversamos e nos divertimos como há um tempo atrás.

Deitei em minha cama e refleti em tudo o que havia acontecido. Fechei meus olhos na torcida de que se repetisse mais vezes. O meu celular tocou mais uma vez, então decidi ver o que era.

Ao desbloquear a tela do meu celular me deparei com uma mensagem que nunca imaginei receber. O número era bem conhecido por mim. Era de Alice. Ninguém encontrou o celular dela. Eu liguei várias vezes em busca de ouvir a sua doce voz e a chamada não completava. Cliquei na mensagem com minhas mãos trêmulas.

Parabéns minha maninha! Não me esqueci do seu aniversário! Então não se esqueça de mim!

Logo mais abaixo havia outra mensagem:

Preciso que venha me buscar. Sinto tanto a sua falta!

Fiquei anestesiada e confusa. Fiquei sem saber o que fazer. Seria Alice ou outro trote? E como conseguiram o número dela? E se for ela e ainda estiver em perigo ou em cativeiro? Sei que preciso de respostas para saber o que aconteceu com a minha irmã!

Notas finais
Próximo capítulo em breve!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.