Desalmados

1 Vida longa aos ossos do rei — capítulo 1


Notas iniciais
Começando isso aqui, sejam muito bem-vindos! Eu espero de coração que gostem dessa bagunça aqui! Vejo vocês lá embaixo (e talvez nos comentários?) AVISOS: menções a assassinato.

Sete anos atrás...

Três horas depois de matar seu meio-irmão, Nora veio encontrá-lo.

Leon, cada vez menos surpreso com o crescente número de assassinatos políticos que tinham um quê de Nora, abriu a porta e a deixou entrar sem que precisassem dizer uma palavra. Ainda havia sangue escuro sob as unhas dela, notou, mas fora isso estava tão impecável como sempre. Sorria, um sorriso contido e satisfeito, como se houvesse ganho um jogo. Não era exatamente o que ele estava esperando.

— Vida longa aos ossos do rei. – disse com uma voz musical, encarando-o sem sequer hesitar. Parecia, de súbito, encantada. — E vida longa ao novo rei.

Novo rei.

Elias não tinha irmãos legítimos, mas, e os primos...?

A Dinastia Dourada jamais se rebaixaria a tanto. Não coroariam um bastardo, coroariam? Väster seria a piada de toda a Ponta do Dragão Marinho e mais além.

Mas o sorriso de Nora não fraquejou, nem mesmo com o silêncio.

— Eles não fariam isso. — Leon sacudiu a cabeça. Se tinha sonhado com a coroa e com o governo? Talvez. Não importava muito. Faria o que todos os bastardos faziam algum dia: arrumaria uma propriedade pequena e sairia de cena o mais rápido possível.

— Claro que fariam. Tem que ser você.

Nora puxou a cadeira em frente a sua escrivaninha e se sentou. Suas mãos estavam enlaçadas, e ela, ao mesmo tempo, parecia tanto brincar com a cara dele quanto parecia rezar. Se eles soubessem o que apresentar um filho ilegítimo para uma órfã Majska qualquer iria causar, jamais teriam cometido um erro tão...

Tão...

Leon correu as mãos pelo rosto. Rei. Nora escolhia as piores horas para fazer uma piada de tanto mal gosto. Elias estava morto, a crise sucessória seria um inferno de tão longa, e ela estava o enganando com mentiras malfeitas. Às vezes, detestava-a.

— É sério. — ela murmurou, franzindo o cenho. — Leon...

— O que aconteceu? — sibilou.

Nora se ajeitou na cadeira, enrolando a ponta da trança comprida em um dedo pálido. Fitava-o impassivelmente. Toda a emoção escapara de seu rosto como água escorrendo por um ralo. Leon sempre esquecia que não tinham mais dezessete anos e que os tempos para ser somente duas sombras num palácio interminável haviam acabado há anos. Ela só vivia para a resistência de Maj. Ele tinha que sumir da corte o mais rápido possível. Iria mesmo desperdiçar tempo com mentiras estúpidas?

E, porra, Elias estava morto.

Fazia sentido, com três revoltas varrendo Väster, que alguém fosse lá e o matasse em algum momento. Nora só fazia falar sobre a criação de uma nação para os Majska.

Leon se sentou em sua cama com bile queimando sua garganta.

O ar descia como uma lixa para os seus pulmões.

— Você está falando sério.

— Quem mais eu coroaria? — ela disse delicadamente, levantando-se e caminhando até que estivesse parada na sua frente. — Tem que ser você, Leon. Eles sonham com o dia que a opinião do povo vai importar na hora do governo, mas tentar mudar as coisas rápido demais vai terminar com nós protestando por pão e paz de novo.

— A solução é um rei fraco, então. — Tremia.

Claro que tremia.

— Um rei reformista.

Nora pegou suas mãos. Determinação reluzia em seu rosto, tão afiada quanto o fio das suas adagas amadas. Era mais fácil Hëmligghet e todas as suas almas condenadas ao sofrimento pegarem fogo do que dissuadi-la. Leon soltou um soluço engasgado, e nem aquilo suavizou a expressão dela. Como era que dizia? Sete séculos de injustiça.

— Eu confio em você. — Ela apertou suas mãos e deu um passo para trás.

— Nunca mexi um dedo por política. — cuspiu, abraçando-se. Leon não queria que Nora encostasse nele, não mais. — Sou um bastardo sem alianças e sem nenhuma habilidade. Você ou está doida ou vai me colocar como marionete de alguém.

Leon tinha certeza de que Nora queria alguma coisa, mas ela deu de ombros, um movimento calculado. Os olhos dela não encontravam mais os dele.

— Para com isso. — murmurou baixinho. — Talvez eu só confiasse em você para governar, já pensou? Todos os desgraçados dos seus primos apoiaram o, sei lá, quarto ou quinto expurgo dos Majska. Eu conheço você, sei que nunca faria isso.

Ele ficou em silêncio.

Notas finais
Fico imensamente agradecida por todos que chegaram até aqui! Mas a autora aqui ia vender um rim e prometer o primeiro filho para qualquer pessoa que comentasse, vou nem mentir. Beijos e abraços, Warden Dresden.