Desafio entre amigas
3 Arrependimento
Notas iniciais
POV Thalia
Só eu que estava achando o jogo legal? Ok, nem tanto. Não queria passar pelo que Calipso passou, mas é divertido. Eu sei, não dá pra me entender. Fazer o que, eu sou maluca.
Girei a garrafa que estava do mesmo jeito que tínhamos deixado antes. Dessa vez ela girou mais forte e me assustei ao ver que a boca da garrafa estava apontada pra mim quando ela parou.
– Hora do seu desafio Lia — diz Calipso com um sorriso maléfico. Sei que ela vai querer se vingar do que eu fiz com ela na piscina.
– Pode mandar — faço minha melhor pose de durona e a encaro. Seu sorriso aumenta.
– Eu te desafio a... — ela começa
– Algo pesado Cali — diz Piper, olho pra ela cerrando os olhos. Essa menina está muito ousada.
– Eu te desafio à... — ela fez uma pausa para pensar um pouco — queimar a jaqueta preferida do Nico.
– O QUE!? — grito — QUE ABSURDO, O DESAFIO É PRA MIM NÃO PRA ELE.
–Mas quem vai queimar a jaqueta é você não ele — diz ela com a maior calma do mundo.
Como eu iria fazer isso? Se eu não queimasse elas iam dizer que eu robei no meu próprio jogo. E se eu queimasse o Nico ia me odiar pra sempre. Se bem que ele pode comprar uma nova.
Sim, eu sei que meu orgulho é enorme.
– Cadê a caixa de fósforos? — perguntei estendendo a mão.
(...)
– Vai logo, entra — precionou Silena.
Os meninos tinham voltado para o quarto depois do episódio da Calipso e agora estávamos todas na porta do quarto do Jason.
– Ok vão embora — digo abanando a mão, elas iriam me encontrar na cozinha para eu queimar a jaqueta.
Entrei sem bater na porta (força do ábito) e encontrei os meninos jogando vídeo game.
– Iae! — digo me jogando na cama do meu maninho.
– Oi — dizem todos ao mesmo tempo sem animação concentrados no jogo. (Que devo destacar que era Mortal Kombat) Também quero jogar!
Foco Thalia! Foco!
– Thalia — Leo me chama e olho pra ele — como a Calipso tá?
– Ela não doente, se é o que você quer saber — digo, sabia que não era isso que ele queria, mas nem eu sei como ela está. Algo que ela sabe bem é esconder os sentimentos, assim como eu.
Começo a me entreter com o jogo e acabo me esquecendo do desafio, mas logo me lembro quando Nico perde e percebo que ele estava usando a jaqueta.
– Nico — ele olha pra mim — Deixa eu ver sua jaqueta?
Ele se vira todo para eu olhar melhor.
– Pronto?
– Não! Me dá aqui rapidinho — estendo a mão, ele hesita — quero mostrar pra Annie — invento uma desculpa qualquer.
Ele bufa e me entrega a jaqueta.
– Me devolva rápido
– Hu hum — mal sabia ele que nunca mais a veria.
(...)
Desci as escadas de casa correndo apertando a jaqueta contra o peito, sentindo cada vez mais o peso da caixa de fósforo no meu bolso. Parecia que quanto mais me aproximava da cozinha mais pesada ela ficava.
– Cheguei! — exclamo assustando as meninas com tanto tédio de tanto me esperar.
– Aleluia! — diz Piper levantando da cadeira jogando os braços pro alto. Jogo a jaqueta em cima da mesa.
– É agora? — pergunto.
– Queima ué — diz Silena.
Bufo, vou até o armário e pego algo mais inflamável que achei. Álcool. Pego a jaqueta de volta e vou em direção da porta de vidro que dá pra piscina. Sendo seguida pelas meninas.
Jogo a jaqueta no chão e a encharco com o álcool. Agora já era! Pego a caixa do meu bolso e tiro um palito, risco ele na caixa e ele acende instantaneamente.
Olho por alguns segundos o fogo queimar um pouco da madeira do palito e depois jogo na jaqueta molhada.
Dou um pulo pra trás quando a luz intensa acende e a jaqueta começa a queimar. Olho tudo como se estivesse hipnotizada pelo fogo, o cheiro de queimado incomodava meu nariz. Não demoraria muito para os meninos sentirem o cheiro lá de cima. Queria coçar meu nariz mas minha mão não se mexia.
– THALIA — alguém grita, olho pra cima e vejo meu irmão na janela dele — O QUE VOCÊ TÁ FAZENDO?
Não respondo, apenas volto meu olhar novamente para o fogo, quase se apagando em cima das cinzas que sobraram.
A chama se apaga e vejo que os meninos já tinha descido e todos (até as meninas) olhavam pra mim.
– Thalia, cadê minha jaqueta? — pergunta Nico meio receoso. Não respondo apenas volto meu olhar para as cinzas. Queria ver aquele fogo novamente, de alguma forma ele me acalmou.
– Thalia — diz ele num tom mais desesperado — Cadê. A minha. Jaqueta?
Queria responder, mas as palavras simplesmente não queriam passar pela minha garganta. Então apenas apontei para as cinzas.
– O QUE VOCÊ FEZ THALIA!? — ele se aproximou nervoso de mim — VOCÊ SABE QUE ERA MINHA JAQUETA PREFERIDA!
Olhei pra baixo. Sabia que ele ia ficar assim, mas não tanto.
– Você pode compra outra — digo baixo, ele nem teria ouvido se não tivesse tão proximo de mim. Sentia sua respiração pesada.
Ele bateu as palmas da mão na calça e olhou nervoso pra mim.
– Compra outra!? Não sei se você sabe, mas nem todo mundo tem um pai rico que nem você Thalia — ele aponta o dedo pra mim.
– Eu posso comprar outra — digo mais baixo que a outra frase que falei.
– Você acha que eu gostava dessa jaqueta porque? — ele me pergunta — Não porque ela era legal ou cara? Essa foi a última coisa que a minha mãe me deu.
Lembro que a mãe do Nico morreu ano passado. Foi a primeira e única vez que eu o vi chorar.
Parece que uma estaca foi cravada no meu coração. Eu não fazia a mínima idéia disso.
Olho pra cinzas e depois pra cara do Nico irritada que segurava as lágrimas que queriam escorrer pelo seu rosto.
Como pude ser tão orgulhosa e mimada? Tão burra e idiota?
Sai correndo dali em direção do meu quarto e fecho a porta com força. Não queria que ninguém me visse chorar.
Me jogo na minha cama com a cara no travesseiro. Agora entendo quando as pessoas falam "se arrependimento matasse..." eu realmente queria morrer.
Escuto a porta ser aberta e logo depois fechada. Sinto uma mão acariciar minha cabeça. Olho pra cima e vejo Annabeth me lançar um sorriso solidário.
Enxugo as marcas das lágrimas que ficaram no meu rosto e me sento. Vejo um olhar de culpa no rosto de Calipso, mas ignoro. Eu não estava com raiva dela, eu estava com raiva de mim por ter aceitado o que ela me propôs.
– Acho melhor pararmos — diz Silena receosa.
– Parar!? — pergunto — Depois do que eu tive que fazer vamos até o final, ainda faltam vocês três
– Nem dar um tempinho? — diz Piper
– Pra que? — pergunto, ela só estava com medo. Como sempre. Ela da os ombro e finge estar indiferente com minha resposta, mas podia se notar o medo que ela sentia.
Me levantei e andei até a garrafa me sentei onde antes eu havia sentado e esperei as outra me acompanharem.
Iríamos voltar ao jogo. Acho que agora eu não achava tão divertido quanto antes. Na verdade, eu tenho certeza.
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