Notas iniciais
Como já é de costume, agradecemos todos os favoritos e comentários -tanto os pequenos, quanto os com 42 cm de texto. Vocês nos deixam muito felizes *------* E agora, gostaríamos de dedicar o capítulo às leitoras Lady Rosier Black Riddle, Nikyta e Bruna, pelas belíssimas recomendações que recebemos. Muito obrigada, estavam todas lindas! Nos deixou ainda mais felizes, receber recomendação com tão poucos capítulos *-------------* Enfim, deixando de enrolo, se joguem nos 42!

Por quê? ... Por quê? ... Por quê? ... Mil vezes por que? Por que diabos eu fui aceitar o convite do Naruto para vir para o bar? Onde eu estava com a cabeça?

Senti minhas bochechas esquentarem por ser alvo dos olhares dos meus amigos. Pigarreei, numa tentativa de não demonstrar meu constrangimento, enquanto levava o copo de vidro até meus lábios, bebendo Schwarzbier, vulgo cerveja preta.

Estávamos em um canto mais afastado do bar. Quando digo “Estávamos”, quero dizer: Naruto, Neji, Shikamaru e eu. Só que como amigos gostam de foder com a nossa miserável vida, papo vem, papo vai, e eles logo trataram de encher meu saco, entrando em um assunto íntimo demais.

– Então, Sasuke... – Naruto já estava alegrinho com a quantidade de vodka ingerida. – Não vai... responder a pergunta? – Perguntou embolado.

Ele era o mais alterado ali. Eu o odeio, ele sabe a resposta, afinal, é meu melhor amigo, mas parece que ele quer que os outros saibam também. Que saco!

Os três continuaram me olhando em expectativa.

Bem, como dizer aos meus amigos “não virgens” que eu, sem querer me gabar, mas já me gabando, o mais bonitão, charmoso, sexy e desejado do grupo, aos 19 anos, ainda não tirei o rótulo de fabricação? Vou ser zoado pelo resto da minha vida!

Continuei em silêncio, amaldiçoando o Neji, mentalmente, por ter feito essa pergunta. Mas talvez teria sido melhor eu ter dito alguma coisa, já que me arrependi amargamente por ter continuado calado, assim que vi o “Rapunzel” abrir um sorriso debochado, enquanto colocava a azeitona de seu Martini na boca e mastigava lentamente. Ele soltou um riso assim que a engoliu.

– Suspeitei. – mostrou os dentes em um sorriso maldoso.

Emburrei minha cara, pousando o copo sobre a mesa de madeira.

– É problemático ser um gay enrustido. – Shikamaru disse divertido, me fazendo franzir as sobrancelhas em irritação.

Abri minha boca para me defender, mas o escandaloso do Naruto tinha que abrir aquela caçarola que ele chama de boca e gritar idiotices aos quatro ventos.

– Quando o Sasuke morrer, em vez de escreverem na lápide: “Nasceu virgem, viveu virgem e morreu virgem.”, o coveiro vai resumir por: “Devolvido sem uso!” – ele gargalhava daquela piada sem graça, sendo acompanhado pelos outros.

Trinquei o maxilar e me encolhi no lugar, sentindo meu rosto pegar fogo, ao ver que nossa mesa era o centro das atenções do bar que estava consideravelmente cheio. Malditos filhos da puta esses a quem chamo de amigos!

Ao menos eles pararam de encher o saco, as risadas estavam mais baixas, ninguém olhava mais para nossa mesa e... Não... Não! Não, não, não, não, não, não! Vai embora diabo, não se aproxime, você não nos viu, passe direto!

É o fim, meu mundo acabou. O Universo está conspirando contra mim. Devo ter cortado carne de churrasco nas Tábuas da Lei na reencarnação passada, só pode! Os planetas estão desalinhados na minha vida! Por que causa, motivo, razão ou circunstâncias, tinha que aparecer a merda fodida do meu irmão tripa de galinha, justo agora?

– Ôh, Itachi! – Naruto gritou parando de rir por um momento. – Que coincidência, mano! O que faz por aqui?

– Como vocês estão, bando de retardados? – Itachi se aproximou rindo divertido, batendo as mãos com as dos rapazes. – Eu vim aqui comprar cerveja pra levar pra casa do Deidara! Temos que fazer trabalho da faculdade, sabe como é um saco, e mais no fim do curso! – cerveja para um trabalho? Finjo que acredito.

– Senta aí, cara! – Neji empurrou uma cadeira vazia.

Bufei nervoso quando vi meu irmão sentar a bunda na cadeira. Calma, Sasuke! Tudo vai estar bem se ninguém tocar no assunto de antes.

– Quando eu estava entrando, ouvi os risos inconfundíveis do Naruto e vi vocês aqui. Qual era a graça? – ele perguntou. Maldito! Maldito Naruto!

– Ah, a gente só estava rindo do cabaço do Sasuke! – exclamou o loiro.

Por que esse demônio não consegue falar baixo e civilizadamente como uma pessoa normal? Novamente me encolhi na cadeira por ser alvo dos olhares dos desconhecidos, apesar de não saberem que eu sou o Sasuke. Mas se eles souberem, nem vou ficar surpreso. Naruto grita tanto que não duvido que esse pessoal saiba até o nome da minha avó.

– Deve ser triste ter um irmão viado. – Neji colocou uma mão no ombro do Itachi que sorriu maroto e se posicionou desleixadamente na cadeira. Aí vem merda!

– Gay é um pau entalhado. – Itachi disse arqueando uma sobrancelha e eu estreitei os olhos, desconfiado. – Vocês não sabem do bonde que ele arrasta pela Sakura? Ele só fala nela.

Arregalei meus olhos. De onde ele tirou essa história? Eu só falo nela? Eu não falo só nela. Nós começamos a estudar juntos na quarta série, quando vim para Konoha. Eu apenas falava como havia conhecido a garota mais linda que vi na vida e em como todos os dias ela estava linda, ou como ela era linda, inteligente, fofa, gentil, sexy, gostosa, sedutora. Eu também fiquei muito mais feliz ao saber que ela passou em medicina e iria estudar comigo, do que quando soube que eu tinha passado. Eu falo um pouco nela, raramente, mas isso não é motivo para ele achar que eu gosto dela.

– Isso não é... – tentei argumentar.

– O que, Sasukinho? – Itachi me interrompeu. – Vai negar que vive falando nela? Cara, se for mentira, você é mesmo gay, porque até na roupa que ela usa na faculdade você repara!

– Eu não... – tentei novamente.

– “A Sakura estava tão fofa com aquele vestido hoje!” – Itachi imitou uma vozinha fresca e fez uma cara sonhadora.

– Eu não falo assim. – gritei irritado e mais uma vez os olhares no bar se voltaram para mim. – Não posso achar uma garota bonita? – bufei, cruzando os braços.

– Que romântico! Tá se guardando pra nerd de cabelo rosa. – Neji falou debochando. – Os dois vão morrer virgens! – ele explodiu em risadas, sendo acompanhado por meus amigos.

– Vai tomar no cu! – foi tudo que consegui dizer em minha defesa, arrancando mais gargalhadas dos quatro.

– Meu Deus, que desastre! – Neji disse, levando seu Martini até a boca. – Virjão, e pra completar o pacote, veio com cu doce.

– Não é cu doce! – esbravejei irritado. – É só... receio. – dei de ombros.

– Receio de levar um fora porque tem o coração sensível. – Itachi zombou. – Uma dama. – riu.

– Aposto que a Sakura vai ser o “homem” da relação. Se é que me entendem! – Naruto sorriu malicioso, tomando mais Vodka.

– Se tiver uma relação entre esses dois poços de timidez. – Shikamaru falou bocejando, dando ênfase no “Se”.

– Aposto que quando ele for ter a sua primeira vez, — só para deixar claro que, quando o Neji proferiu as duas últimas palavras, ele fez uma voz feminina super tosca. – vai querer fazer numa cama arrodeada de rosas. – riu.

Cruzei os braços encabulado, irritado, emburrado, nervoso, irado... Enfim, com os nervos à flor da pele

– Vão ver se eu tô dando lá na esquina. – resmunguei.

– Você não deu nem na cama, vai dar na esquina? – Itachi zombou e gargalhou logo em seguida.

– É problemático ter um amigo virgem aos 19 anos. – Shikamaru falou.

Estou, definitivamente, puto com eles!

...

Mais um dia de aula e eu estava sentado no meu costumeiro lugar no centro da sala de aula. Daquele canto dava para se ter uma visão em um ângulo perfeito da rosada, já que ela sentava na primeira cadeira da quinta fila. Eu não precisava virar muito a cabeça para vê-la, posição perfeita. O problema era que ela ainda não havia chegado e eu apenas encarava seu lugar vazio.

Infelizmente, existem garotas chatas pra caralho que passam o dia me importunando, como por exemplo, agora.

– Bom dia, Sasuke! – Karui sentou sobre a minha mesa. Ela estava vulgar como sempre, mas hoje estava parecendo um baseado. Ela acha que me atrai assim? — Você está livre algum dia essa semana? – ela apertou o meu braço e eu logo me livrei do aperto. – Não seja tímido!

Suspirei pesado, a olhando com uma cara de “Volta para o inferno, demônio!”, mas parece que ela não entendeu, pois continuou ali. Sustentei o olhar, mas vi quando a rosada passou pela porta olhando feio em minha direção. Ótimo! Agora ela deve pensar que eu sou um cafajeste que fica com qualquer puta por aí!

– Dá pra sair daqui? – falei frio, sem olhar para a Karui.

Jamais ficaria com alguém como ela! Sabe-se lá por onde a vagina dela passou, nem me surpreenderia se ela tivesse AIDS ou alguma outra DST. Cruzes!

Ela saiu bufando e foi sentar no canto dela, desobstruindo a minha visão. Agora sim, eu tinha a visão dos deuses! Sakura estava no canto de sempre, ela estava tão linda, com uma calça rosa justa, uma blusa branca com mangas longas, arregaçadas até o cotovelo, com um decote leve, e um All Star azul claro. Sexy, gostosa e sedutora sem ser vulgar e sem querer chamar atenção, perfeita!

A aula de Epidemiologia era chata pra caralho, e no fim o professor ainda passou questões, pra variar, 20 de uma vez. Cara! Nem acredito que está na hora do intervalo. Meu estômago está reclamando por comida. Sai da sala um pouco depois da rosada, uma pena que aquele furacão loiro, melhor amiga dela, puxou ela rapidamente e eu não pude admira-la.

Sabe aquele negócio de loiros serem burros? Não acredito nisso -o Naruto é demais, mas só ele. Na verdade, eu acho que loiros são inconvenientes! Naruto é inconveniente, acho que a Ino consegue ser ainda pior, o Deidara é muito, ainda tem a Temari, namorada do Shikamaru, a vadia da Shion, a coordenadora peituda do curso de medicina, Tsunade -que ela nem sonhe que penso isso dela. Acho que o Itachi tem alma de loiro. Enfim, loiros me irritam!

Eu estava prestes a ir até a cantina comprar meu tão precioso alimento, quando sinto meu celular vibrar. Tirei-o do bolso traseiro da calça e vejo uma mensagem no WhatsApp mandada pelo Dobe: “Teme eu comprei seu lanche eu e o pessoal tamo te esperando na quadrado não demore!!”. Nem sabe usar a vírgula. Logo em seguida chegou mais outra: “*quadra merda de corretor”. Bem que o corretor podia colocar pontuação. Mais uma mensagem: “Quero que devolva o dinheiro que gastei com sua comida”. Bufei. Ele compra porque é apressado e eu tenho que reembolsar?

Dei meia volta, indo em direção à quadra. A caminho de lá, eu vi mais ao longe a Sakura. Claro que disfarcei, com muita dificuldade, o olhar que mandava para ela. Vi como ela ficou mais vermelha que nariz de rena natalina, com, provavelmente, alguma coisa que as amigas falaram. Talvez seja sobre algum garoto que ela pode estar a fim. Senti uma rápida falta de ar por causa da forte batida que meu coração deu em meu peito, com a possibilidade de a rosada gostar de alguém. Se for isso, o cara é um maldito sortudo, tomara que morra!

Quando estava me aproximando, ela e a ruiva, prima do Dobe, esqueci o nome, olharam para trás. Parecia ser na minha direção. Automaticamente olhei para trás também, encontrando Gaara, irmão da Temari, ele é um cara quase tão popular entre as mulheres quanto eu. Fechei a cara. Ruivo filho da puta, tirando todo o holofote que a rosada deveria estar mirando em mim!

Quando eu estava quase passando pela mesa das meninas, a amiga ruiva da Sakura se jogou no chão. Por um momento pensei que ela estava tendo um troço, algum tipo de convulsão ou AVC, mas parece que era algum tipo de pose e... Espera, ela tá olhando pra mim? Ela sabe que o Gaara tá lá atrás? Coitada, deve ser vesga e está precisando trocar os óculos.

Olhei para Sakura que sorria, fazendo uma pose engraçada. Fofa, estranha e bastante engraçada. Não pude conter uma risada. Mas logo tratei de vazar dali, antes que a agarrasse em público mesmo.

Quando cheguei à quadra vi Naruto, Neji e Shikamaru na arquibancada, comendo e rindo de alguma trivialidade que o Dobe -sem dúvida alguma- tenha dito.

– Do que estão rindo? – perguntei me sentando no lugar que guardaram para mim, pegando meu lanche.

– O Naruto que tá falando de um papo estranho sobre pedras. – Neji riu e revirou os olhos.

Não disse? Tinha que ser o Naruto!

Estava comendo meu lanche tranquilamente. O que quer que Naruto tenha dito, não é mais importante que minha comida!

1... 2... 3... 4... 5... 6... 7... Mastiguei sete vezes esse pedaço do salgado.

– Topa, Sasuke? – escutei Naruto perguntar.

– Oi? – perguntei com cara de mongol.

– Saiu de transe profundo, foi? – ele perguntou.

Ué, a hora da refeição é um momento sagrado... Dei de ombros.

– O que você ‘tava falando? – perguntei.

– Topa jogar futebol quando as aulas acabarem? – o loiro repetiu a pergunta.

– Pode ser... – respondi.

...

Estou envergonhado! Envergonhado de mim mesmo. Por quê? Tudo pelo simples motivo de eu estar jogando futebol. Mas o que tem de mau nisso? Vocês se perguntam... Acontece que eu tive uma desastrosa queda. Tudo por culpa do Naruto! Pra variar, ele gritou, falando com a Sakura, e eu fui pego de surpresa, por não saber que ela estava lá observando.

Nesse momento eu já estava meio desorientado correndo atrás da bola. Não olhei, já que podia ser zoação daquele loiro maldito. Mas quando ouvi a voz dela respondendo, não consegui resistir à tentação de olhar na direção de onde ela vinha. Acontece que, quando pude visualizar os primeiros fios róseos, pisei em falso na bola, indo de encontro ao chão e torcendo o pé. Trágico! Trágico e vergonhoso! Cair na frente da crush!

Minha vida virou aquele chão. Seria ainda mais vergonhoso levantar e fingir que nada aconteceu – até porque estava doendo pra caralho. Quando você cai assim, você tem que fingir um desmaio, uma morte, algo bem fatal. Sua atenção e resto de dignidade se resumem naquele chão. A partir do momento em que você caiu, tudo depende de sua habilidade de atuação. Porém, todavia, entretanto, contudo... Eu não precisava atuar -o que é um alívio, já que sou pior que um gago tentando falar “farofa”-, porque parecia que eu estava parindo pelo pé, devido a grande dor que eu estava sentindo no local.

Coloquei a mão no pé direito e acho que fiz a pior careta de dor do planeta. Acho que eu parecia um esquizofrênico parindo um cacto pela bunda cheia de hemorroidas, já que o Naruto gritou desesperado para a Sakura ir buscar gelo em algum lugar. Não consegui ouvir o resto, porque a dor estava de lascar.

– Cara, você tá bem? – Naruto perguntou agachado ao meu lado, com uma mão em meu ombro.

– Olha bem pra minha cara e vê se eu tô bem! – ralhei entre gemidos de dor. – Argh! Acho que meu osso vai saltar a qualquer momento... – choraminguei.

– Consegue levantar? – perguntou e eu assenti com a cabeça. – Vem que eu vou te levar até a arquibancada.

Naruto me ajudou a levantar e colocou um de meus braços por sobre seus ombros enquanto íamos, a passos lentos e trôpegos, até a arquibancada. Finalmente me sentei.

– Acho que vai ter que amputar. – falei e travei o maxilar por causa da dor.

Os outros filhos da égua, podendo me socorrer, ficaram lá na quadra com cara de cu. Eles não estão vendo que estou morrendo aqui? Bando de traste!

Ao menos essa queda teve algo de bom, pois logo as garotas que assistiam ao jogo vieram todas para perto de mim, preocupadas.

– Aqui. – um saco com cubos de gelo entrou em meu campo de visão e eu levantei o olhar, vendo Sakura estendendo-o para o Naruto. – Espero que melhore. – ela parecia chateada. Talvez esteja com pressa e eu acabei atrapalhando.

– Valeu, Sakura! Você é tão gente boa! – Naruto sorriu. Mas claro que ele só estava puxando o saco, já que a mina que ele gosta é amiga da Sakura. — Vou voltar para a quadra, você pode cuidar do Teme?

Olhei para ela e, de repente, eu não sentia mais a dor. Fiquei olhando-a na expectativa. Será que ela vai aceitar? Ela pareceu meio estranha, meio perturbada. Talvez não quisesse cuidar de um encosto como eu.

– C-cuido sim. Sem problemas. – ela tremia mais do que eu quando fui na montanha-russa pela primeira vez.

Sakura devia estar com uma raiva só. E este pensamento fez minha dor voltar com tudo. Logo levei meu olhar até o meu tornozelo que estava dolorido. Pff! Dolorido? Caiu o Empire State inteiro sobre ele, isso sim!

– Obrigado, Sakura. – o palerma, que eu chamo de amigo, foi correndo para a quadra, me deixando a sós com a rosada, já que antes ele deu um jeito de dispersar as outras garotas.

Nossa, que mulher! Eu aproveitaria a situação para dar uma geral no corpo dela, mas não dá pra me concentrar com as pontadas insuportáveis no tornozelo, que está inchado e roxo como uma amora. Olha, isso é obra do maligno!

– O-oi. – ela gaguejou. Nossa, ela tá segurando tanta raiva assim?

Franzi um pouco as sobrancelhas e me peguei perguntando-me se essa garota era normal, assim que ela fez a mesma pose de hoje no intervalo. Se bem que ela fica lindamente engraçada assim, mas a dor era maior.

Voltei meu olhar para o meu pé, já sem tênis e sem meia. Cara, eu estava divagando tanto na dor que nem vi quando o Naruto tirou.

– Ah... O gelo está derretendo. – falei indiferente. Ou ao menos tentei, mas saiu mais uns gemidos de dor. Merda, agora ela deve achar que sou frouxo.

– Ai, meu Deus, me desculpa! – ela falou e se apressou para se aproximar mais e logo colocou o gelo em meu tornozelo.

Senhor! Assim que senti o gelo duro encostar em meu tornozelo num movimento bruto, tive a certeza que Sakura estava irada por ter que me ajudar.

– Ai! – não pude segurar, o grito eclodiu pela minha garganta.

– Tá tudo bem, tudo bem... – falou com uma voz infantil e eu a olhei como se ela fosse retardada. Certo, tô começando a ficar assustado. – C-como conseguiu torcer o pé assim? – perguntou sem me encarar. Ela estava quase tão roxa como o meu tornozelo. Como ela estava de cabeça baixa, não pude ver sua expressão facial.

Mas, voltando para a pergunta que ela fez, é mais do que óbvio que eu não irei falar o que realmente aconteceu. Afinal, eu não posso simplesmente dizer: “Ah, eu caí porque fui tentar te ver, sabe. Tudo por causa do precipício que tenho por você!”. Não! Definitivamente não vou falar isso.

– Eu pisei em falso. – disse a primeira coisa que veio em mente, o que chega a ser verdade.

– Você precisa ser mais cuidadoso. – ela tá preocupada comigo? Yes! Cara, você tá indo bem!

– Serei, não se preocupe. – falei e ela pareceu um pouco agitada. É, Sasuke Uchiha, você tá indo bem... bem mal! – É impressão minha, ou você está um pouco nervosa? – sinceramente, não quero ouvir a resposta.

– É por causa do desafio dos 42. – ela disse. Ué, como assim? – É... É... Por causa dos... – ela pareceu encabulada e, talvez, um pouco desesperada. – Das 42 questões que eu tenho pra fazer. Vai ser um desafio terminar a tempo.

Ah, agora entendi, mas...

– 42 questões? – fiquei confuso. – De Epidemiologia? Ele não passou só 20? – juntei as sobrancelhas.

– É... Acabei atrasando alguns.

Alguns? Uns 22 né?

– Pra ser a primeira da turma, achei que fosse mais atenta. Você precisa ser mais atenta. – ri.

Estávamos sentados e ela ainda cuidava de mim. Acontece que escutei uma estranha risada de minions que vinha da direção da rosada. Não pude deixar de olhar risonho para ela, que pegou o celular. Como não sou nada curioso, olhei de esguelha ela entrando no WhatsApp e dando play em um áudio.

“Ei, Testuda, cadê você? Esqueceu as aulas de oral? Eu não estava brincan...”

Ela pausou o áudio desesperadamente, fechando o aplicativo como se sua vida dependesse daquilo. Eu a olhei tentando conter minha expressão de susto. Só tentei mesmo...

Ela sorriu sem graça para mim. Devia estar muito envergonhada. Mas também! Como assim oral? Gostaria de acreditar que isso tem alguma coisa a ver com pasta de dente ou aulas de algum outro idioma. Mas é, exatamente, por motivos como esses que eu não ouço áudios do Naruto em público. Novamente a risada do minion. Mas a Sakura sequer piscou. Olhei do celular para o rosto perfeito dela, que estava vermelho.

– Meu pé já está melhor. Você pode ir... – fiquei meio sem jeito. – Conversar com sua amiga.

Ela parecia querer enterrar a cabeça no chão. Saiu correndo e quase teve o mesmo fim trágico que eu. Imagina se ela torce o pé também! Aí lascou-se! Mas, meu Deus! Acabei de descobrir que sou apaixonado por uma tarada!

...

Eu estava voltando para casa no meu bebezinho, meu Lamborghini Aventador preto. Meu pé ainda doía, mesmo que já tivesse passado um bom tempo e já fossem... 20h42min. Tô falando, precisa amputar!

Estava dirigindo por uma rua mal iluminada, e o farol não estava ligando. Que droga! Tomara que nenhum policial me veja e... Opa! Ouvi uma pancada e freei. Tomara que não tenha amassado o meu ca... Digo, tomara que eu não tenha matado ninguém!

Desci do carro e vi que tinha uma garota caída com um resto de uma bicicleta sobre ela. Não dava pra ver direito, mas acho que era isso.

– Ei! Desculpa, está tudo bem? – retirei a bicicleta de cima dela. – Se machucou?

– Não, obrigada. – ajudei-a a levantar-se. E me virei para o meu carro. – A propósito...

– Droga! Amassou meu carro. – caralho, meu bebê! Ela vai ter que pagar, quem mandou ficar no meio da rua?

– Você acaba de atropelar alguém e se preocupa com um amassado? – ela começou a gritar, parecia estar irritada.

– Desculpa. – eu disse.

– Desculpa? Eu poderia estar gravemente ferida, graças a sua carteira de motorista comprada. Sim, comprada, porque todo motorista deveria saber que a faixa de pedestre é para pe-des-tres e em seu carro tem uma luzinha chamada “farol”. Idiota! – quem ela pensa que é para falar assim comigo? Carteira comprada uma porra! Sou um motorista perfeito!

– Está quebrado... – não iria me rebaixar a uma idiota que fica lesando no meio de uma rua escura.

– Quebrada está minha bicicleta novinha. – novinha... Sei... Estava escuro, mas deu pra perceber que era um lixo.

– Olha, desculpa mesmo. O que posso fazer? – resolvi me fingir de arrependido... Afinal, eu realmente poderia tê-la machucado.

– Pode me dar carona de ida e volta para a faculdade, já que me deixou sem meio de transporte. – ter que dar carona a essa irritante? – E trate de concertar a minha bicicleta ou me dar uma nova. – suspirei.

Amanhã pela manhã eu já compro a maldita bicicleta, assim me livro logo dessa garota!

– Ok, ok! Tudo bem, então. Entra no carro. – falei um pouco contrariado.

– Com o farol quebrado? – ela perguntou.

Eu, de bom grado, ofereço carona a uma pessoa extremamente chata e ela ainda coloca defeito? Deu vontade de mandar ela à merda, mas me contive, ela poderia chamar a polícia.

– Quer a carona ou não? – falei indignado.

– Humpf! – ela obedeceu. Finalmente!

Ah! Palhaçada! Amassou o meu carro! Joguei o lixo que ela chamava de bicicleta num matinho que tinha próximo ao local e entrei no carro. Ela acendeu a luz interna assim que fechei a porta.

– Sasuke? – essa voz me é familiar.

Me virei para a garota e... Puta merda!

– Sakura?

Milhares de pessoas para atropelar e eu atropelei a rosada? Desde que a conheci, passei todo o tempo observando esta deusa de longe e quando me aproximo, é quase matando ela? Parabéns, Sasuke!

Cara, passei esse tempo todo querendo me aproximar, mas era tímido demais. Agora, essa é a oportunidade perfeita! Jamais comprarei uma bicicleta nova para ela! Darei carona todos os dias à Sakura Haruno!

Notas finais
Esperamos que tenham curtido a história na visão do Sasuke, no próximo ainda teremos mais de como o Sr. 42 viu os acontecimentos com a nossa rosada ;D Alguma dica, alguma crítica? Até os comentários ;**